sexta-feira, 30 de outubro de 2015

UM AMIGO E IRMÃO
Tive a honra de ter sido convidado a estar no dia 21 de Maio de 2015, na presença da familia, numa Homenagem ao amigo Dr. Carlos Pereira Correia, que havia falecido repentinamente no dia 28.03.2014, organizada pela Associação Mulher Migrante na Universidade Aberta no Palácio Ceia, rua da Escola Politécnica 147, em Lisboa durante um Colóquio intitulado "Migrações e Género. Novas Perspectivas de Intervenção" e no qual foi também apresentada uma publicação "40 anos de migrações em Liberdade".
É difícil explicar como uma amizade se torna eterna e incondicional. Durante nossa vida conhecemos muitas pessoas e cruzamos-nos com elas em diversas situações, mas só algumas permanecem por muito tempo. Há amigos que surgem de forma inexplicável e se tornam especiais sem estarmos contando com isso. São aqueles que têm uma personalidade genuína, um bom coração e que lutam todos os dias para ver um sorriso no nosso rosto e principalmente sempre disponiveis a ajudar o proximo.

Assim éra o meu amigo Carlos um humanista que nunca baixava os braços, nem que tivesse de trabalhar 24 horas, para ajudar as nossas Comunidades Portuguesas, um superior ou um amigo.
Funcionava sempre de forma discreta e aberto ao diálogo. Em privado adorava conviver com os amigos e ali sim relaxava e criava um ambiente inesquécivél de muito bom humor e alegria.
Nas minhas funçóes desde os anos 80 em prol das Comunidades Portuguesas na Alemanha e depois na Suíça sempre pude contar com o seu apoio em momentos difiçéis que nunca esquecerei.
Para mim será sempre como um irmão que nunca tive. Obrigado por tudo Carlos e descansa em Paz.

António Francisco Dias da Costa

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

. DR CARLOS CORREIA NA Universidade Lusófona 2011


Seminário “Fluxos Migratórios: Novas Tendências” iniciativa de S. Exa. o Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Direcção-Geral dos Assuntos Consulares e Comunidades Portuguesas e Universidade Lusófona do Porto – Dia 7 de Dezembro de 2011.



Gostaria de começar esta minha breve comunicação por agradecer a S. Exa. o Senhor Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas a oportunidade que me foi concedida para participar neste Seminário organizado pela Secretaria de Estado das Comunidades – Direcção Geral dos Assuntos Consulares e Comunidades Portuguesas e pela Universidade Lusófona do Porto, subordinado a um tema tão actual como importante: “Fluxos Migratórios: Novas Tendências”.
Queria também nesta ocasião saudar e cumprimentar todos os participantes.
Antes de abordar as principais questões relacionadas com os fluxos migratórios, permitam-me que apresente uma sucinta caracterização do Grão-Ducado do Luxemburgo e da Comunidade Portuguesa ali residente:
- O Grão-Ducado é uma monarquia constitucional sob o regime de uma democracia parlamentar e as funções de Chefe de Estado são desempenhadas por S.A.R. o Grão-Duque Henri, sendo Chefe do Governo – Primeiro Ministro – o Sr. Jean-Claude Juncker, também Presidente do Eurogrupo.
A língua nacional é o luxemburguês e as línguas oficiais (línguas administrativas) são o francês, o alemão e o luxemburguês.
O Grão-Ducado dispõe de três distritos (Luxemburgo, Diekirch e Grevenmacher), 12 cantões e 116 autarquias (comunas).
A superfície total é de 2586Km2 e as dimensões do território são Norte-Sul (82Km) e Este-Oeste (57Km). Faz fronteira com a França, Alemanha e a Bélgica.
A população total residente em 1 de Janeiro 2011 era de 511 840 habitantes, tendo de 9 774 habitantes no decurso do ano de 2010. Este aumento ficou a dever-se ao saldo natural (nascimentos menos mortes) de 2 114 pessoas e ao saldo migratório (chegadas menos partidas) de 7 660 pessoas.
Nessa mesma data, 1 de Janeiro de 2011, 43,2% da população total residente no Luxemburgo tinha a nacionalidade estrangeira, compreendendo mais de 170 nacionalidades diferentes. A maior parte da totalidade de estrangeiros são Europeus e mais de 86% são mesmo originários de um outro país da União Europeia.
A maior comunidade estrangeira residente é a portuguesa com 81.300 pessoas em 1 de Janeiro de 2011 (dados oficiais luxemburgueses). Por nacionalidade, seguem-se os franceses com 31.000, os italianos com 17.700, os belgas com 17.000, os alemães 12.100 e os britânicos com 5.600.
A população total residente no Grão-Ducado é uma população jovem:
- Dos 0 aos 14 anos – 17,6%;
- Dos 15 aos 64 anos – 68,5%;
- Mais de 65 anos – 13,9%.
Quanto à população activa total, em 2010, registava o valor de 233.500 trabalhadores e a taxa de desemprego atingiu os 6,2%, sendo que 1/3 do total dos desempregados são de nacionalidade portuguesa.
- Relativamente à Comunidade Portuguesa residente no Grão-Ducado do Luxemburgo, segundo as estimativas resultantes dos dados recolhidos pela Embaixada e Consulado-Geral, deverá rondar as 90.000 pessoas (apesar de os últimos dados oficiais, do Instituto Nacional de Estatísticas (STATEC), de 1 de Janeiro de 2011, apontarem para 81.300 pessoas. Mas em 1 de Janeiro de 2010, um ano antes, as estatísticas luxemburguesas referiam 84.532 portugueses residentes. A diminuição verificada, do ponto de vista estatístico, entre 2010 e 2011 só pode ser devida à entrada em vigor em 1 de Janeiro de 2009 da nova Lei da Nacionalidade luxemburguesa que consagrou a dupla nacionalidade e que permitiu desde aquela data que um elevado número de portugueses tivessem adquirido a nacionalidade luxemburguesa sem perderem a portuguesa. Deste modo, esses portugueses deixaram de ser considerados nas estatísticas luxemburguesas como nacionais portugueses.
Portanto, a estimativa de 90.000 – 100.000 portugueses e de origem portuguesa residentes no Grão-Ducado deverá andar muito próxima da realidade.
Recorde-se ainda o facto de o número de inscrições consulares activas no Consulado-Geral de Portugal no Luxemburgo em 1 de Dezembro de 2011 ter atingido as 106.100 inscrições.
De referir também que a Comunidade Portuguesa no Grão-Ducado representará cerca de 17 a 19% do total da população do país (o Primeiro Ministro Jean-Claude Juncker falou em 20% por ocasião da sua deslocação a Portugal no inicio do passado mês de Novembro). Do mesmo modo, quanto à totalidade da população estrangeira, os cidadãos portugueses e luso-descendentes residentes representarão cerca de 39%.
No tocante à população activa, em 31 de Março de 2011, estavam inscritos na Segurança Social luxemburguesa 41.909 trabalhadores de nacionalidade portuguesa, dos quais 23.778 do sexo masculino e 18.131 do sexo feminino.
Os trabalhadores portugueses representavam 21,34% do total dos trabalhadores residentes inscritos na Segurança Social luxemburguesa, os quais ascendiam a 196.357.
O universo dos trabalhadores de nacionalidade portuguesa encontra-se repartido pela quase totalidade dos sectores de actividade económica do Grão-Ducado, sendo de salientar, em particular, os sectores da construção civil (29,33%), serviços administrativos e de apoio (13,7%), comércio, reparação de automóveis e motociclos (11,79%), hotelaria e restauração (7,51%) e serviços de limpeza (7,02%).
Outro elemento que se afigura importante salientar é o número de alunos de nacionalidade portuguesa que frequentam o ensino escolar luxemburguês, número que, faço notar, não tem em conta os alunos de origem portuguesa que, entretanto, adquiriram a nacionalidade luxemburguesa.
Assim, segundo as estatísticas do Ministério da Educação Nacional do Luxemburgo, aqueles dados são os seguintes:
Ano escolar 2005 – 2006
- Ensino Pré-escolar e Primário – 10 356 – 22% do total de alunos neste tipo de ensino;
- Ensino Secundário (Secundário Clássico e Secundário Técnico) – 5 967 – 17,6% do total de alunos neste ensino.
- No seu conjunto estes valores representam 20,2% do total de alunos no ensino escolar luxemburguês.
Ano escolar 2006 - 2007
- Ensino Pré-escolar e Primário – 10 589 – 22,6% do total de alunos neste ensino.
- Ensino Secundário – 6 395 – 18,3% do total de alunos.
- Representando no conjunto 20,9% do total de alunos.
Ano escolar 2007 - 2008
- Ensino Pré-escolar e Primário – 10 972 – 23,5% do total de alunos.
- Ensino Secundário – 6 840 – 19,0% do total de alunos.
- Ou seja 21,6% do total de alunos.
Ano escolar 2009 – 2010
- Ensino Pré-escolar e Primário – 11 701 – 25,2% do total de alunos.
- Ensino Secundário – 7 506 – 19,8% do total de alunos.
- Isto é 22,8% do total de alunos no ensino escolar luxemburguês.
Estes elementos representam também indicadores relevantes sobre a importância da presença dos nacionais portugueses no Luxemburgo e são igualmente significativos quanto ao aumento dos fluxos migratórios, principalmente se tivermos em conta os dados relativos ao Ensino Secundário. Isto porque uma parte importante dos novos alunos que chegam ao Luxemburgo, todos os anos acompanhados pelos pais, têm idades entre os 10 e 15/16 anos.
Quanto aos “Fluxos migratórios: Novas tendências” – tema deste seminário, os elementos recolhidos junto do Instituto Nacional de Estatística e Estudos Económicos do Luxemburgo (STATEC), para o período 2000 -2010, revelam o seguinte:
. No ano de 2000 entraram no Luxemburgo 11 765 pessoas de nacionalidade estrangeira, das quais 2 193 portugueses. Saíram 8 121, sendo 1 627 portugueses, resultando um saldo migratório total de 3 644 estrangeiros, dos quais 566 de nacionalidade portuguesa.
De 2001 a 2004, não se encontram publicados os saldos migratórios por nacionalidade, estando apenas disponíveis os respectivos saldos migratórios gerais, que a seguir se indicam:
2001 – 3 311 Estrangeiros;
2002 – 2 649;
2003 – 5 412;
2004 – 4 392.


Em 2005, temos os seguintes valores:
Entradas: 14.397 estrangeiros; 3 761 portugueses.
Saídas: 8 287 estrangeiros; 1 477 portugueses.
Saldo migratório: 6 110 estrangeiros; portugueses 2 284.
2006
Entradas: 14 352 estrangeiros; 3 796 cidadãos portugueses.
Saídas: 9 001 estrangeiros; 1 634 portugueses.
Saldo migratório: 5 351 estrangeiros; 2 162 portugueses.
2007
Entradas: 16 675 estrangeiros; 4 385 nacionais portugueses.
Saídas: 10 674 estrangeiros; 2092 portugueses.
Saldo migratório: 6 001; 2 293 portugueses.
2008
Entradas: 17 758 estrangeiros; 4 531 portugueses.
Saídas: 10 058 estrangeiros; 1 947 portugueses.
Saldo migratório: 7 700 estrangeiros; 2 584 portugueses.
2009
Entradas: 15 751 estrangeiros; 3 844 portugueses.
Saídas: 9 168 estrangeiros; 1 730 portugueses.
Saldo migratório: 6 583 estrangeiros; 2 114 portugueses.


Em 2010, o número de estrangeiros que entraram no Luxemburgo voltou a aumentar, tendo sido registados 16 962 estrangeiros, dos quais 3 845 portugueses.
Saídas: 9 302 estrangeiros; 1 696 portugueses.
Saldo migratório: 7 660 estrangeiros; 2 149 de nacionalidade portuguesa.


Estes são os números oficiais do Instituto Nacional de Estatística e Estudos Económicos (STATEC), os quais mostram que o Luxemburgo continua a ser um país de imigração e que são novamente os cidadãos de nacionalidade portuguesa que se surgem em 1.º lugar, nessa nova vaga de imigração para o Luxemburgo, com um saldo migratório representando cerca de 28% da imigração líquida total para o Grão-Ducado. Em segundo lugar estão os franceses com 18,2%, seguidos dos belgas (6,2%) e dos alemães (5,3%).
Existem, contudo, sinais que nos levam a pensar que estes dados oficiais podem eventualmente estar subavaliados relativamente à situação concreta que se verifica no dia-a-dia.
Alguns desses sinais são de natureza institucional e passo a citá-los:
- Recentemente, em 28 de Outubro último, a Associação Portuguesa “CASA – Centro de Apoio Social e Associativo” organizou um colóquio sobre o tema do emprego que contou com a presença do Ministro do Trabalho e do Emprego luxemburguês Sr. Nicolas Schmit, funcionários da Administração do Emprego luxemburguesa (ADEM) e representantes de empresas portuguesas e luxemburguesas no Grão-Ducado.
Nessa ocasião, no decurso da sua comunicação, o Ministro Nicolas Schmit chamou a atenção para o facto de “ser necessário dizer aos portugueses que o Luxemburgo já não é o Eldorado”, afirmando em seguida que “a crise já chegou ao Luxemburgo”, mostrando-se preocupado com a nova vaga de emigração portuguesa. E, na sua intervenção, realçou ainda: “Durante muito tempo, o Luxemburgo foi relativamente poupado ao flagelo do desemprego que afectou a Europa. Mas agora atingimos uma taxa de desemprego que nunca vimos antes e estamos com um nível de desemprego excepcionalmente alto, 6%,”. Acrescentando “números que se agravam no caso da comunidade portuguesa: os portugueses representam mais de 21% da mão-de-obra activa no Luxemburgo, mas são também 34% dos desempregados e 75% dos portugueses no desemprego não são qualificados”, frisou aquele governante.
Quanto ao número de desempregados de nacionalidade portuguesa, importa referir que os dados da ADEM (Administração do Emprego do Luxemburgo) publicados em 30 de Setembro do corrente ano apontam para 4 647 (2612 homens e 2035 mulheres), correspondendo a 31,8% do número total de desempregados no Luxemburgo (14.634), o que confirma o alerta do Ministro do Trabalho e Emprego luxemburguês.
No mesmo colóquio, todos os participantes foram unânimes em afirmar:
“Há uma nova vaga de emigração portuguesa para o Luxemburgo, disso ninguém tem dúvidas”.
Por sua vez, a Coordenadora dos Serviços Sociais da Câmara Municipal do Luxemburgo, Sra. Madeleine Kayser, assegurou e cito “ que há cada vez mais portugueses a chegar, por causa da crise e da dificuldade em encontrar trabalho no seu país”, acrescentando “antes eram mais famílias, mas agora há cada vez mais homens sós a chegar que depois tentam trazer as famílias para cá”. Isto, disse, “é uma preocupação para a autarquia devido à escassez de alojamento”.
Durante aquele colóquio foi igualmente salientado que o Consulado-Geral de Portugal no Luxemburgo registou “nos últimos dois anos, 2009 - 2010 nove mil novas inscrições”.
Ainda a propósito dos novos fluxos migratórios deve-se também sublinhar que quer a Embaixada quer o Consulado-Geral recebem diariamente vários e-mails de portugueses a residir em Portugal ou mesmo daqueles que já se encontram no Luxemburgo (de uma maneira geral são pessoas jovens licenciadas em diversas áreas, nomeadamente na medicina, enfermagem, advocacia, engenharia e economia e igualmente pessoas entre os 40 e 50 anos de idade, sem formação superior), solicitando informação sobre o que devem fazer para trabalhar no Grão-Ducado.
Um dos principais obstáculos que estas pessoas encontram ao procurar trabalho no Luxemburgo tem a ver com o reduzido conhecimento da língua francesa e fraco ou mesmo nulo conhecimento da língua alemã.
- Também numa reunião de informação sobre o ensino escolar luxemburguês, realizada em Novembro findo na cidade de Esch-sur-Alzette (2.ª cidade mais importante do país onde reside uma parte importante da comunidade portuguesa), para pais recém-chegados ao Luxemburgo, organizada pelo Ministério da Educação luxemburguês e Coordenação do Ensino Português no Luxemburgo, registou-se a presença de cerca de 60 pais que de alguma forma é igualmente revelador da realidade que são os novos fluxos migratórios.
- Por sua vez, as principais Associações Portuguesas no Luxemburgo o CASA-Centro de Apoio Social e Associativo e a APL-Associação de Amizade Portugal/Luxemburgo e outras), com mais de trinta anos de existência e a CCPL-Confederação da Comunidade Portuguesa no Luxemburgo, com mais de 20 anos, foram unânimes em afirmar que recebem diariamente novos nacionais portugueses ou pedidos de informação por escrito sobre como trabalhar no Luxemburgo.
Neste contexto, o CASA – Centro de Apoio Social e Associativo referiu que no corrente ano os respectivos serviços de apoio jurídico e social contaram com a visita de cerca de 750 portugueses, tendo a CCPL registado um número de 10 consultas diárias, ambas as instituições confirmando que os cidadãos nacionais que procuram informação sobre emprego no Luxemburgo são de uma maneira geral gente jovem com formação superior, muito embora ultimamente tenha aumentado o número de pessoas entre os 40 – 50 anos de idade.
Noutro plano assinale-se o facto de a CCPL ter sido uma das primeiras associações no Luxemburgo a trabalhar com voluntários ao abrigo do Serviço Voluntário Europeu, programa dirigido aos jovens qualificados, entre os 18 e 30 anos, cuja maioria acabou por permanecer no Luxemburgo e também a criação, em 2007, da “Confraria dos Financeiros Lusófonos” no Luxemburgo que reúne cerca de 60 jovens licenciados em várias áreas com uma meritória actividade desenvolvida nestes últimos anos (jantares-debate mensais com conceituados conferencistas sobre temas da actualidade a nível nacional e internacional no domínio social, político e económico), constituindo estes dois exemplos, na nossa opinião, um sinal positivo das novas tendências dos fluxos migratórios recentes.
Quanto às condições de acolhimento e integração dos estrangeiros no Luxemburgo, permitia-me salientar os seguintes aspectos:
- A Lei de 29 de Agosto de 2008, do Governo luxemburguês sobre a livre circulação de pessoas e imigração, que teve por objecto regulamentar a entrada e estadia dos estrangeiros no território do Grão-Ducado do Luxemburgo;
- A criação, pela Lei de 16 de Dezembro de 2008 relativa ao Acolhimento e Integração dos Estrangeiros, do “Office Luxemburgeois de l’Aceuil et de l’Intégration – OLAI”, no âmbito do Ministério da Família e da Integração luxemburguês, encarregado de proceder à aplicação da política de acolhimento e integração;
- O Plano de Acção nacional plurianual de integração e de luta contra as discriminações (2010 – 2014);
- A entrada em vigor, no mês de Outubro último, do “Contrato de Acolhimento e Integração”, instrumento inovador que visa favorecer a integração e a participação cívica dos estrangeiros no Luxemburgo, cuja aplicação incumbe ao OLAI. Este contrato é proposto a todo o estrangeiro com mais de 16 anos de idade legalmente instalado no Grão-Ducado desejando manter-se no país de forma duradoura. É um contrato facultativo e dirige-se tanto aos nacionais da EU como aos nacionais de países terceiros, quer sejam novos imigrantes, quer pessoas já instaladas no Luxemburgo.
Este contrato oferece, nomeadamente:
- Formação linguística;
- Cursos de instrução cívica;
- E jornadas de orientação.
- A criação, em 2006, da “Célula de acolhimento escolar para os alunos recém-chegados ao Luxemburgo – CASNA”, no âmbito do Ministério da Educação Nacional e Formação Profissional luxemburguês, com o objectivo de prestar informações aos pais e alunos estrangeiros sobre o sistema escolar luxemburguês;
- E a reestruturação, iniciada no corrente ano, da Administração do Emprego (Ministério do Trabalho e Emprego luxemburguês), que visa tornar mais eficazes os serviços de emprego a nível nacional e regional relativamente à colocação de trabalhadores e à gestão do desemprego e da formação profissional.
Agradecendo a atenção dispensada, fico ao dispor para eventuais questões que queiram colocar.
Obrigado a Todos.
Porto, 7 de Dezembro de 2011
Carlos Pereira Correia
(Conselheiro Social da Embaixada de Portugal no Luxemburgo e responsável pelo Centro Cultural Português no Luxemburgo

J ARROTEIA sobre CARLOS CORREIA


 

In Memoriam: Dr. Carlos Correia

 

Evocar a memória do Dr. Carlos Correia obriga-nos a recuar algumas décadas, ao início dos anos oitenta, quando o conhecemos como técnico do Instituto de Apoio à Emigração, onde fazia parte de um grupo extenso de personalidades, que se distinguiam pela sua generosidade e trabalho.

As muitas tarefas exigidas pela administração pública em período pós-revolucionário, acordado pela intensidade dos movimentos emigratórios e expansão das comunidades portuguesas - em curso desde o início dos anos sessenta -, tornavam os serviços centrais da emigração bastante solicitados. Parcos em meios, sofriam ainda os impactos de uma reforma da administração, melhorada com a entrada de jovens licenciados e o interesse do tema pelos meios de comunicação social e população académica interessada no desenvolvimento de estudos científicos sobre a emigração portuguesa.

Os dados então centralizados relativos à dimensão, características e extensão deste fenómeno no território e na sociedade, passam a ser requisitados por diversos investigadores e interessados, que não pertencendo aos quadros da administração central do Estado, desejam aprofundar o assunto, conhecer a sua história recente, permitir novas leituras e incidências nas comunidades locais.

A emigração passa a ser um tema de investigação científica e o estigma das suas histórias, reflexos e incidências sociais e políticas, constituem-se como temas de análise de investigadores isolados e de grupos de investigação. É neste contexto, de procura de informação e pesquisa de fontes, que tivemos o ensejo de conhecer o Dr. Carlos Correia.

Reservado no trato, afável e compreensivo no diálogo, eficiente no exercício das suas funções, foi assim que o conhecemos em Portugal e sobretudo no estrangeiro, onde teve possibilidade de desenvolver um extenso trabalho junto das comunidades portuguesas.

Meses antes da sua partida confirmámos a sua disponibilidade e interesse de sempre: dar de si às comunidades e serviços que o viram crescer e formar neste meio complexo marcado pela mobilidade humana, a emigração e as comunidades portuguesas.

Nesta ocasião e homenagem em sua memória, saudamos a família que tão cedo o viu partir e os colegas e amigos que nos acompanham na partilha dos mesmos sentimentos.

 

J. Arroteia

21MAI15

RITA GOMES em Monção


Expresssões de Cidadania no feminino

 

Colóquio e Exposições de Pintura e Escultura

 

Monção,   5 de Setembro de 2015

 

         Algumas palavras de Saudação e de Agradecimento

       

          Estamos em Monção, famosa pela lendária história de uma heroína portuguesa de seu nome Deu – la – Deu Martins – que, como se sabe virou lenda de mulher corajosa.

       E sendo este evento também uma Iniciativa da Associação Mulher Migrante, foi uma excelente ideia terem-na realizado  neste belíssimo local.

       Desta histórica vila, temos excelentes recordações no que respeita a esta Associação e ao apoio a emigrantes.

       A propósito, permito-me relembrar com especial saudade que por duas vezes – Verão de 1998 e Verão de 1999, salvo êrro-   aqui estivemos em duas Grandes Festas do Emigrante, organizadas pela Câmara Municipal de Monção e  também pelo Jornal “ O Emigrante /Mundo Português”.

        Esta Associação foi então convidada para proporcionar apoio informativo e outro aos portugueses que ali se encontravam de Férias, trabalho esse que fizemos com o maior entusiasmo e que incluía, nomeadamente Entrevistas à comunicação social, sobre a nossa atividade em geral, bem como acerca da vantagem de nos disponibilizarmos para participar  nessas Festas.

        Na altura estavam também presentes várias Entidades Públicas e Privadas, pertencentes a vários Ministérios e Secretarias de Estado  que então se ocupavam direta ou indiretamente das Migrações.

        Num desses Encontros, viemos em Parceria com o Instituto Português de Cardiologia Preventiva – criado pelo Prof. Doutor Fernando de Pádua - que com os seus técnicos qualificados proporcionou chec-ups a vários compatriotas, em regime de voluntariado….

       E, a terminar, recordo que numa dessas Fantásticas Festas Minhotas, entre as várias e os vários Portugueses emigrantes que nos procuraram, encontrei, entre outras/os, uma Jovem lusodescendente –  a  Profª Doutora Isabelle Oliveira, atual Vice-Reitora da Sorbonne Nouvelle, que após uma larga conversa sobre a Associação e acerca dos apoios que podíamos proporcionar – acabou por vir a ser, desde então nossa Associada.

       E esse foi, por exemplo, um começo de uma estreita colaboração que se tem intensificado, quer através da participação em Encontros por nós organizados, quer ainda  pela colaboração direta em eventos, nomeadamente como os que  se vão agora  realizar em Paris , no próximo dia 10 de Setembro, em que para além de um Colóquio na Sorbonne Nouvelle, haverá também um  Concerto no Conservatório da Mairie de Puteaux,    de homenagem ao Maestro António Victorino de Almeida, pelos seus 75 anos. E outros exemplos se poderiam referir, mas estes foram mencionados  pela sua ligação a Monção e pela proximidade a que estamos da referidas Iniciativas em Paris.

       É com este trabalho conjunto,  em regime de voluntariado e recorrendo  às Parcerias e aos apoios financeiros conseguidos, que temos vindo a evoluir ao longo destes 22 Anos de existência.

       E, por último, na minha qualidade de Presidente da Direção da «Mulher Migrante – Associação de Estudo, Cooperação e Solidariedade», apresentamos os nossos agradecimentos à Mesa que participou e dirigiu os trabalhos desta Sessão:

       Ao Professor Dr. Viriato Capela, digníssimo Diretor da Casa Museu de Monção da Universidade do Minho; à Drª Sandra, que também pertence à Universidade do Minho e que se ocupou dos aspetos logísticos; ao Vereador Dr. Paulo Esteves, que nos acompanhou, em representação do Presidente da Câmara Municipal de Monção; à Profª Drª Luiza Malato, da Faculdade de Direito da Universidade do Porto, à Drª Maria Manuela Aguiar – ex – Secretária de Estado das Comunidades Portuguesas – e atual Presidente da Assembleia Geral da Associação Mulher Migrante e à Drª Nassalete Miranda, que moderou a Mesa  e que é Diretora do Jornal “ As Artes entre as Letras” e à Mestre Arcelina Santiago, membro da Direção desta Associação.

        Dirijo ainda Saudações Cordiais a todas e a todos as/os participantes e a outras/os Intervenientes e em especial à excelente Organização, permitindo-me salientar o trabalho desenvolvido, designadamente pelas nossas Associadas Mestre Arcelina Santiago e também pela Digª Pintora Luísa Prior.

       Com a maior gratidão por nos ter sido facultada mais esta oportunidade, me despeço.

                                                            Rita  Andrade Gomes

domingo, 25 de outubro de 2015

RITA GOMES sobre MARIA ARCHER


 

LANÇAMENTO do Livro de Elisabeth Battista

“ O Legado de uma ESCRITORA VIAJANTE”

 

       Começo por felicitar a Profª Doutora Elisabeth Battista, pela coragem e empenhamento que tem dedicado ao Estudo sobre a Escritora ViAJANTE, Maria Archer,  como lhe chama neste seu Livro.

        Sinto que após a leitura do Livro que está agora a ser lançado, com os mais diversos pormenores que a Autora conseguiu recolher e que inseriu nos vários capítulos, fiquei francamente mais esclarecida sobre  Maria Archer, sobretudo muito mais sensibilizada para a sua história de vida.  E, isso, apesar do muito que fui conhecendo sobretudo através de meu pai e posteriormente acerca da sua vida no Brasil.

        Não tinha de fato o conhecimento que agora melhor me permite avaliar passagem de Maria Archer pelas diversas partes  do Mundo, sobretudo em África e pelas honras que mereceu, por virtude do seu trabalho, nem sempre reconhecido, mas também pelas  adversidades vividas que não merecia.

       Era eu muito nova quando a  conheci na minha casa, na Graça, onde vivi. Lembro-me ainda bem da sua beleza. Figura excecional de Mulher, de intelectual e de defensora de direitos humanos,  sociais e políticos, incluindo as Mulheres.

       Só agora soube que se fez representante da União das Mulheres Portuguesas Democratas, filiada no Movimento das Mulheres Democratas Portuguesas para que tinha sido eleita Presidente. Gostei muito de ter conhecido  esta sua decisão, através deste Livro.

       É chegada a altura de esclarecer que ao contrário do que consta do Programa e do Livro agora lançado, eu não sou sobrinha de Maria Archer, com o que teria muita honra, mas apenas prima em segundo grau. Meu pai era primo direito dela e foram muito amigos. O pai de Maria Archer era irmão de minha avó paterna- alentejana também.

       Foi através de meu pai  que começou a minha grande admiração  e até estima por Maria Archer, como Mulher, escritora e política. Na altura eu tinha uma mãe monárquica e um pai republicano e esse conflito de ideias, fazia parte do nosso dia a dia, convivíamos com a política, daí estar, desde então habituada ao debate sobre questões políticas.

      A sua capacidade criativa era a todos os títulos excecional e diversificada. Além dos escritos jornalisticos, Conferências feitas em diversas Instituições Culturais, Políticas e outras, saliento, a propósito  as conferências que, por exemplo, fez no Liceu Pedro Nunes para Jovens, que muito a admiraram – relato feito por meu marido  que foi aluno desse Liceu –  e que, desde então,  passou a ser um seu grande admirador.

      E um dia soube do seu infeliz regresso a Portugal, a seu pedido. Por eu  estar ligada a trabalhos sobre a Emigração fui sabendo um pouco mais sobre a sua Vida e Obra , o que melhor me permitiu apreciá-la.

     Recentemente, de forma inesperada e através de e-mail enviado do Brasil para a Drª Manuela Aguiar, conseguimos contatar em S. Paulo, durante uma Reunião da Associação Mulher Migrante, com  as 2 irmâs Blanche de Bonnville e Maria Jorge de Bonnevillle, que a tiveram como percetora na sua casa de S. Paulo. Ambas continuam a ter por ela  uma enorme amizade e reconhecimento.

     Como testemunho dessa amizade, estão publicados pequenos textos das duas referidas Senhoras, na Revista desta Associação, “ A vida e Obra de Maria Archer – Uma Portuguesa na Diáspora” sobre o Encontro realizado em Lisboa, em sua Homenagem, ( dia 29 de Março de 2012),  no Salão Nobre do Teatro da Trindade, que teve também como Parceiros a Fundação Inatel, a Fundação Fernando de Pádua, a Câmara Municipal de Espinho e a Associação de Estudo, Cooperação e Solidariedade.

     Como todos sabem e eu já o referi,  a capacidade criativa de Maria Archer, foi a todos os títulos excecional e diversificada.

     De fato, agora que mais recentemente tenho relido algumas das suas Obras , melhor posso confirmar  essa sua capacidade.

      Recordo, por exemplo, um texto por ela escrito em 1964, num Jornal do Brasil “Portugal Democrático”, nº 83, de Maio de 1964, sobre a Reforma Agrária no Séc X1V. em Portugal:

     Começa assim: “ Lendo há dias  a  CRONICA DE D. FERNANDO do venerável Fernão Lopes  ……                                  

     “…. É também de notar que no Portugal do século XIV  já se reconhecia o valor social da propriedade imobiliária e a prioridade desse merecimento sobre o direito de posse sempre que estivesse em causa a sobrevivência do Reino. O princípio político da encampação da empresa agrícola mal administrada ou, ou subtraída  à utilização pública, isto é, desviada do serviço social da Nação, ressalta nitidamente desta legislação medieval.

      Mais ainda: Encontramo-nos aqui na presença dum postulado que não aparece em nenhum dos projetos de Reforma Agrária contemporâneos e chegados ao meu conhecimento – o de que a indemnização devida ao proprietário ”constrangido” seja  “razoável “ e arbitrada pela Justiça, após o que não havendo entendimento entre as partes o direito de posse seria confiscado ao proprietário, e suas terras entregues ao “bem comum”.

     Não entendo integralmente este  termo “bem comum” por estar acentuado de “onde o houvesse” . Cuido que Fernão Lopes se referiu a bens concelhios ou municipais, não aos do Estado.  possivelmente logradoiros ou baldios. Se o cronista quisesse indicar bens do Estado teria empregado a palavra “Reino”….

     “Não pode haver qualquer dúvida, após esta breve leitura da secular existência, em Portugal, do princípio político da encampação da propriedade,  se a mesma tiver sido desviada do  seu fim  de utilidade social , e com indemnização ao proprietário. Se alguém voltar a afirmar- me que esse aspeto da questão agrária foi gestado pelas filosofias do materialismo dialético, protestarei e dando o seu a seu dono recomendarei ao ignorante que estude a legislação do século XIV.”

     E além disso, poderemos, por exemplo, encontrar nas Revistas Municipais de Lisboa, entre 1939, 1940, 1941. 1942, 1943 e 1945, artigos de Maria Archer entre os quais se abordam assuntos, como eles dizem “pitorescos e intimidades citadinas”

     Assim num Artigo de 1939 sobre “TIPOS POPULARES” é  referido que os traços que Maria Archer  documenta podem parecer-nos hoje comezinhos… mas terão para gerações vindoiras, justamente por terem aspetos flagrantes do viver de muitos, um interesse de “documentário  anedótico  .

     Entre os diversos TIPOS POPULARES, escreveu sobre:

     PORTEIRAS    Rev.  nº 2 Ano de 1939

     O ARDINA              nº3             1940

     A PEIXEIRA            nº4             1940

     A CRIADA              nº 5             1940

     O MOÇO DE RECADOS   nº 8/9   1941

     O COCHEIRO                    Nº 10    1941

     O PADEIRO                  Nº 11 e 12 1942

     OS  GANGAS            Nºs  13 e 14   1942

     O ENGRAXADOR     Nºs  24 e 25  1945

      Esta diversidade simboliza bem a capacidade crítica da autora, sobre Figuras Tradicionais do SÉC  XX  e que hoje quem com a minha idade se lembra, acha  FANTÁSTICA ESTA CARACTERIZAÇÃO Razão tinham aqueles que em 1939  se lembraram dos TIPOS POPULARES a pensar nas gerações vindoiras e no trabalho de Maria Archer, sobre esta realidade da vida desses tempos.

24 de Setembro de 2015

Rita Gomes

sábado, 24 de outubro de 2015

MARIA LUISA COELHO Leitora do IC em Berlim


Para além dos clichés

 

(apresentação de um projeto)

 

 

Desde o começo da crise económica e da aplicação de medidas de austeridade que as imagens de Portugal e da Alemanha, nos respetivos espaços, sofreram modificações devido às novas dinâmicas económicas e sociais e às hierarquias de poder e dominação dentro do espaço europeu.

 

Este projeto ensaístico multidisciplinar da área político-social que organizei e apresentei, em colaboração com especialistas selecionados dos dois países, é composto pela edição de duas obras intituladas Contos por contar – Alemanha e Portugal (ed. Orfeu, Bruxelas, 2014) e Pontes por construir – Portugal e Alemanha (ed. Bairro dos Livros, Porto, 2015) e  exprime uma vontade de abrir um discurso novo sobre os dois países.

 

O objetivo é libertar as suas imagens, através de reflexões teóricas e narrativas de experiências, dos preconceitos negativos que penetram os discursos que os descrevem, sobretudo em Portugal. A oposição entre o discurso que nasce no interior e se confronta com o que cresce do exterior atravessa as obras e constitui um dos seus motivos dominantes. Os episódios históricos, políticos, sociais ou culturais contados ou discutidos acabam por tornar  visíveis os perconceitos  e os clichés que circulam sobre estes dois países para melhor os denunciar.

 

A variação de pontos de vista adotados nestas obras, assim como a sua estruturação por temas diversos constitui um dos seus pontos fortes. Abrindo o leque temático (História, Geografia, Política, Educação, Investigação, Identidade, Cultura, Realidade e Ficção), abrange um maior número de leitores. Com efeito, apreendido sob ângulos diferentes em função da pessoa que se exprime, nativa ou estrangeira, cada país acaba por melhor poder ser apercebido na sua globalidade.

 

Estas duas obras são acerca de Portugal e da Alemanha mas pretendem ser, principalmente,  sobre  os discursos que existem sobre estes países. Gostaria que levassem os leitores a  refletir sobre a forma que tomaram estes países no espaço discursivo sociopolítico português e alemão. Espaço esse, imaginário, onde a falta de conhecimento das realidades vividas pelo outro traz consigo um deficit de representações que arrastam e alimentam os mal-entendidos.

 

De facto, nesta situação, é a língua que – através dos media que com a sua função política, penetram o imaginário e permitem a hegemonia ou a submissão político-cultural – se torna o veículo das mentalidades da época. Este projeto que desagua num trabalho analítico quer provocar uma rutura no preconstruído inerente à circulação ideológica e abrir caminho ao conhecimento mútuo.

 

 

 

Luísa Coelho

 

Leitora em Berlim do Camões – Instituto da Cooperção e da Língua

 

 

Berlim, outubro de 2015