quinta-feira, 10 de abril de 2014

Olhar sobre a Emig e Diáspora nas vésperas da Revolução

EMIGRAÇÃO E DIÁSPORA NAS VÉSPERAS DA REVOLUÇÃO
 
Em 1973/74  terminava, com o impacto do chamado "choque petrolífero" na economia europeia e mundial,  o que fora o maior êxodo da história da nossa emigração. A Revolução, que abria, finalmente, as fronteiras à saída e retorno dos Portugueses, acontecia quando a Europa nos fechava as portas de entrada. A Europa, novo destino das nossas migrações na segunda metade do século XX, a par de outros ?novos destinos? transoceânicos, que não só a opinião pública, mas também, estranhamente, reputados académicos costumam subvalorizar . Na verdade, o Canadá, a Venezuela , e, numa escala menor, mas significativa,  vários países de África  - sobretudo a África do Sul, mas também outros -  e a Austrália acolheram um número  de emigrantes equivalente ao da Europa inteira.
As causas, essas, foram as de sempre -. puramente económicas para a grande massa anónima, para alguns outros a atracção do estrangeiro, a valorização pessoal, ou  razões ideológicas e políticas, em tempo de guerra colonial.  
A emigração,como aventura, a emigração como protesto...
"No proteste, emigre" diz-se, com humor,  numa pequena placa que me ofereceram há anos em Caracas. Uma boa síntese de muitas tomadas de decisão, em que formas de conformismo e inconformismo se confundíam?
Mas, quaisquer que fossem as motivações da itinerância dos portugueses,  no ponto de chegada era sempre enorme a sua   propensão associativa, superior à que existia no país, e, igualmente, superior à que se registava em outros grupos étnicos, que com eles conviviam, por esse mundo fora.
Solidariedade e companheirismo levavam à proliferação de organizações, que se substituiamm ao Estado na missão de dar informação e apoio, de ensinar a língua, de manter as tradições - clubes, centros culturais, sociedades beneficentes... O associativismo esteve presente desde a primeira hora, sozinho no terreno. A atitude de completo descaso dos governos de Portugal face aos emigrantes e a essas organizações apenas começou a mudar, depois que se radicaram, em massa, em países próximos. O esboço das primeiras políticas de apoio social (na Europa, quase exclusivamente...) pouco antecede a revolução de Abril.
 Foi da sociedade civil, de dentro do próprio País, que veio a primeira exigência de uma política cultural para toda a Diáspora, para o imenso património material e imaterial que as migrações haviam criado e que os governos teimavam em ignorar.
Falo dos dois Congressos das Comunidades de Cultura Portuguesa realizados em Setembro de 1964 e em Julho de 1967, uma iniciativa do Prof Adriano Moreira, que foi quem, na qualidade de Presidente da Sociedade de Geografia, convocou para os encontros os representantes das maiores instituições das comunidades, os especialistas e os participantes de múltiplas formas de ser português, lusófono, lusófilo...As actas dos Congressos, em seis densos volumes, são um precioso repositório de informação, dão nos um retrato de época, tanto dos movimentos migratórios (objecto de atenção generalizada), como da Diáspora (a que raros faziam alusão). São um retrato de Portugal em corpo inteiro, que permanece, em larga medida, actual (ou não fosse a Diáspora essencialmente permanência, sob pena de deixar ser Diáspora...).
A União das Comunidades de Cultura Portuguesa e a Academia Internacional de Cultura Portuguesa foram os instrumentos saídos dos Congressos para a institucionalização de um forte e pioneiro movimento de vivência da cultura portuguesa no seu "habitat" universal -  movimento  interrompido, oportunidade perdida nos meandros da pequena política, durante o "marcelismo".
Depois do 25 de Abril, surgiria o Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP) que era, na sua primeira fase, um órgão consultivo do Governo, de origem associativa. No preâmbulo da lei que  institui o CCP  não se faz referência expressa à "União" da década de 60, mas está lá, na mesma linha de pensamento, o apelo a uma intervenção  da sociedade civil, capaz de chamar o Governo ao diálogo, liderando o processo... Isso tem sido, de vez em quando, anunciado mas não cumprido com vocação de grandeza, à dimensão da  Diáspora .
. O paradigma de Adriano Moreira, o grande precursor, continua, assim,  à espera de protagonistas.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

AS DUAS REVOLUÇÕES DO SÉCULO XX PORTUGUÊS

1 - À distância de apenas quatro anos é irresistível fazer a comparação entre a celebração das revoluções que marcaram o século XX português: a revolução portadora das ilusões de uma mudança de regime, que se estendeu pelos 16 anos da breve 1ª República e a revolução fundadora da República em que estamos há 40 anos, ainda com a expectativa de a continuar, para além da crise actual, traduzida em involução e empobrecimento geral e em degradante dependência do Estado numa Europa dividida e desigual.
O centenário da I República foi objecto de inúmeras organizações, do mundo científico e político, dos “media”, das instituições da sociedade civil, que o tornaram um excelente exemplo do que pode e deve ser feito, sem tombar no elogio nostálgico e ritual - .a permitir um olhar sobre nós, sobre a luta das mulheres e dos movimentos feministas, sobre a questão colonial e religiosa, sobre o fervilhar de ideias e de querelas, sobre o dilatado interregno da ditadura, sobre o 25 de Abril e o agitado início de milénio… Um percurso secular de memórias renascidas.
No confronto entre festejos, os de 2014, pelo menos a nível oficial, parecem destinadas a ficar muito aquém do que justifica a importância da maior revolução do século, pelas suas consequências imediatas e futuras…Desde logo, porque representou o fim de um longo ciclo de 500 anos de construção e desconstrução de um vasto império colonial e ultramarino, que, ao entrar do último quartel do século, ia do Atlântico ao Pacífico, em estado de guerra e de desagregação, contra o sentir comum dos Povos. Um anacronismo, um impasse fatal, resolvido no fim de um ciclo de 50 anos de ditadura, de "silêncio e de medo”. Palavras de Maria Teresa Horta, há dias,  numa rádio, onde, como em outros “media”, em universidades, em programas da sociedade civil, 1974 vem sendo tema de debate e rememoração, em fórmulas interessantes de fazer História e advento de História - a partir desse dia simbólico em que o império de desfez, com o anúncio e o começo da descolonização,  e o País de refez, ao entrar no processo de retorno à sua origem geografica– antes de mais, no domínio da política, onde pela força do voto, se sagrou a opção europeia, a par da opção pela democracia representativa, uma das várias alternativas, que se confrontaram nas pulsões contraditórias do PREC... Em qualquer caso, de fora desta estreita fronteira europeia, para sempre ficaria a Diáspora, todo um espaço em expansão de lusofonia e de lusofilia. A melhor de todas as heranças do império finito: a dispersão universal da língua, enraizada em culturas e em afectos...
 
 
2 - Duas revoluções com sorte diversa...
 A revolução de 1910 morreu antes de envelhecer a geração que lhe deu corpo.
 Não assim a de 1974, com os jovens capitães que tinham, então, como Fernando Salgueiro Maia, 29 anos, ou pouco mais, e com os políticos, a quem eles abriram os caminhos da livre expressão e da acção concreta, e que eram, igualmente, na sua maioria, gente nova e idealista.
Ficam, todos, a meu ver, bem, na galeria dos notáveis da Pátria. Entregaram à geração seguinte um país mais livre, mais justo e mais democrático do que jamais fora e, também, há que dizê-lo, melhor do que é...
De facto, se perguntarmos hoje: Este é o Portugal que quisemos? Esta é a Europa em que acreditámos? A resposta é: "não!". Duas vezes “não”...
Vivemos, assim, naturalmente, a urgência de recuperar, em simultâneo, o espírito humanista e fraternal da construção europeia, e o sentido libertário e pluralista da revolução de Abril, tal como se projectou na Constituição, em sucessivas revisões, e na cena política nas últimas décadas de novecentos. Ou seja, aceitando que a democracia exige sempre a alternância, o diálogo e o respeito da alteridade.
Por isso me parece que uma das iniciativas não formalmente enquadrada em qualquer programação das comemorações, mas que lhe
 veio acrescentar um sinal de esperança - coisa que tanto nos tem faltado - foi o chamado "manifesto dos 74".  E não apenas pelas suas propostas, a meu ver, realistas, sobretudo, na compreensão de que não há boas soluções nacionais, sem boas soluções à escala europeia..Não apenas por essas propostas, mas pela comprovação de que há, entre os Portugueses, na sociedade civil, mais vias de entendimento e de compromisso, do que julgam os políticos “institucionais” , aparentemente limitados no horizonte da sua própria inabilidade de dialogar e alcançar resultados no país e na Europa.
Está em causa o futuro de um tempo começado em 74.
 Há que o demandar sem medo das ideias e dos projectos dos outros-n
Por exemplo, sem medo de dar, no hemiciclo de São Bento, no próximo dia 25, voz aos militares de Abril, neles personificando a homenagem merecida desta geração à antecedente. À que fez a grande revolução.

terça-feira, 8 de abril de 2014

OLGA ARCHER MOREIRA Singularidades de Maria Archer





Singularidades de Maria Archer



Senhora Presidente da Assembleia Geral da Mulher Migrante, Dra. Manuela Aguiar,

Senhora Presidente da Direcção da Mulher Migrante, Dra. Rita Gomes,

Senhora Profa. Doutora Maria Benedicta Monteiro,

Senhora Dra. Maria Barroso,

Senhor Professor Doutor Fernando Pádua

Senhoras e Senhores,
No tique-taque incessante das horas e dos minutos da vida relembremos Maria Archer.

Maria nasce no final do século XIX, em Lisboa.

Várias são as mudanças de país e de continente que experimenta ao longo da sua vida, desde a infância à idade anciã.

Maria é uma criança persistente e uma mulher arrojada. As letras fazem parte do seu imaginário de criança e da sua vida de mulher. A crítica sente-a no sangue. Maria Archer foi escritora, jornalista, conferencista, tradutora.

Em 1913, com apenas 14 anos, publica o seu primeiro artigo no jornal "O Ocidental" em Moçambique.
Em 1917, na Guiné, dá voz e alma à tertúlia Lides Literárias. A chama literária ilumina-lhe a alma e em 1918 publica, ainda na Guiné, o seu poema "Desejo Mórbido" e é reconhecida, ainda hoje, como a "poeta do exotismo". 







Casa em 1921 com Alberto Teixeira Passos. Vive com o marido e o afilhado em Ibo – Moçambique durante 5 anos. Regressam a Portugal e vivem alguns meses em Faro e outros em Vila Real de Trás-os-Montes. Na sociedade farense Maria destaca-se pela sua beleza e elegância.

Estreia-se nas letras pátrias nos semanários "O Algarvio" e o "Correio do Sul", ambos de Faro.

Em 1932 encontra-se divorciada e ruma a Angola. De novo África a acolhe e a deslumbra.

Após o divórcio Maria estreia-se na literatura, vive, empenhada e militantemente, do seu trabalho de escrita para jornais e revistas, dos direitos de autor dos livros que publica e que, amiúde, tanta polémica provocam pela incomodidade ao pensamento dominante.

Em 1935 publica o seu primeiro livro "Três Mulheres" em parceria com António Pinto Quartim, em Luanda e, já, em Lisboa, também em 1935 o seu livro "África Selvagem" vê a luz do dia. É reconhecida pelos críticos literários da época como "a revelação da literatura portuguesa de 1935, com uma obra de linguagem rica, de uma perfeita plasticidade e de um colorido brilhante como só grandes escritores sabem utilizar".

Ao longo da sua vida publica em Luanda, em Portugal e no Brasil, mais de três dezenas de livros entre 1935 e 1963. A sua colaboração em jornais e revistas em Portugal e no Brasil ascende às centenas.
Os seus livros são fruto da ousadia e da coragem que a caracterizam. Estão frequentemente ligados a problemas sociais e às questões da condição feminina. Como recompensa, sofreu o isolamento e a discriminação da sociedade da época. 











A leitura das suas obras convida ao fascínio da descoberta. Os seus livros sobre África são pontes para a reflexão mágica, para a beleza. A densidade da escrita enleia-nos tal floresta tropical.

Escreve novelas, romances, livros de viagens que divulgam a diversidade antropológica de África e que Gilberto Freyre tanto elogia no prefácio do livro "Herança Lusíada." Um verdadeiro estudo sociológico.

Também na literatura para crianças Maria Archer se aventura e está presente. Publica semanalmente, entre 1935 e 1937, contos infantis no jornal infantil "O Papagaio". E, em 1938, conquista o prémio Maria Amália Vaz de Carvalho, com o livro "Viagem à Roda de África.

Para as crianças Maria escreve contos de encantar sobre África. Aos sobrinhos conta contos de encantar repletos de expressividade, de côr e de sons africanos. Era um deleite ouvi-la.

E, apesar de ter ganho em 1938 o prémio mencionado, ainda nesse ano e em 1947 vive a desventura de ver alguns dos seus livros apreendidos. ("Ida e Volta de uma Caixa de Cigarros" e "Casa sem Pão")

Em 1943 colabora com a revista Luso-Francesa «Afinidades», que era editada em Faro e em Lisboa, era seu director o Dr. Francisco Fernandes Lopes.

Em 1944, aquando da visita de Clarice Lispector a Portugal, estas duas escritoras encontram-se e convivem como se pode ler nos apontamentos de Lispector.

«Lisboa, 4 de agosto de 1944, sexta-feira - Ontem jantei em Cacilhas com Ribeiro Couto e Maria Archer (…) Mudei-me para o parque Palácio. Li todo o romance de Maria Archer - "Ela é apenas mulher"».

Em Lisboa Maria Archer convive com uma plêiade de escritores.
Filia-se em 1945 no Movimento de Unidade Democrática (MUD). 






Em 1949 Maria Archer apoia o candidato presidencial General Norton de Matos e participa em sessões como nos conta o "Jornal de Notícias" de 02de Fevereiro de 1949: "Em seguida a escritora Sr.ª D. Maria Archer falou sobre o direito de voto à mulher portuguesa e dirigindo-se às presentes disse: se desejai remodelar, reconstruir e trabalhar para um mundo melhor votai em Norton de Matos."

Em 1952, é credenciada como jornalista por Jaime Carvalhão Duarte, director do Jornal "República", para, nessa qualidade, poder assistir ao julgamento de Henrique Galvão. A compilação das notas deste julgamento em livro é considerada, pela PIDE, incómoda e inoportuna, esta polícia invade-lhe a casa e apreende-lhe o manuscrito, mas, sábia e precavidamente, Maria Archer enviara uma cópia para o Brasil.

Em 1955, fruto da rebeldia do seu comportamento político, abandona o País. Parte com a esperança de ver, um dia, o seu sonho realizado. Portugal um país livre, um país de igualdade entre homens e mulheres.
Maria Archer antecipa o futuro quando publica no Brasil, em 1959, "Os Últimos Dias do Fascismo Português", livro que relata o julgamento do capitão Henrique Galvão.



No Brasil a sua intervenção política visa uma resistência ao regime salazarista que se traduz na publicação de artigos nalguns jornais como "O Estado de São Paulo", "Semana Portuguesa", "Portugal Democrático" e na participação em conferências e palestras.
No processo da PIDE deparamo-nos com uma informação datada de 1957 que refere que Maria Archer era, nessa altura, directora do jornal "Portugal Democrático" e onde se lê: "jornal que visa unicamente atacar o governo de Portugal onde é dada guarida a todas as pessoas dispostas a isso."








Maria Archer reitera no Brasil a sua posição de opositora ao regime vigente em Portugal. E, confirmando esta atitude, em 21 de Maio de 1958, o jornal "República" dá a conhecer que Maria subscreve um telegrama enviado ao General Humberto Delgado "pela sua acção decisiva no despertar da consciência nacional" aquando da candidatura do General a Presidente da República em 1958.

Maria Archer integra o Comité dos Intelectuais e Artistas Portugueses Pró-Liberdade da Imprensa que divulga um folheto designado "Intelectuais portugueses livres denunciam o terror Salazarista", segundo conta o jornal "Última Hora" do Rio de Janeiro de 28 de Março de 1959 e, em Abril do mesmo ano, integra a Comissão de Recepção da visita ao Brasil do General Humberto Delgado.

Em Março de 1964, em São Paulo, Maria Archer, na qualidade de Presidente da União das Mulheres Portuguesas, profere a intervenção inaugural do encontro de solidariedade das mulheres brasileiras com as mulheres portuguesas presas políticas, conforme relata um artigo do "Portugal Democrático" de Abril de 1964.

Em Maio de 1966 a "Rádio Portugal Livre" noticia que Maria Archer integra um grupo de intelectuais e democratas portugueses, também residentes em São Paulo, que enviaram uma carta à Organização das Nações Unidas onde apresentavam acusações ao Governo Português de atentar contra a dignidade humana referindo expressamente o assassínio do General Humberto Delgado.

Maria Archer dá, ainda, o seu apoio à Frente Patriótica de Libertação Nacional por considerar que este é um movimento agregador com capacidade de dirigir o povo português na luta contra o regime vigente em Portugal. Será que algum dia verá as cores da liberdade?
A saudade vai-se instalando no espírito da escritora e a esperança de um novo dia e de um novo país também. Em Abril de 1970 Maria confidencia-nos: "de quando 









em quando sinto a esperança de se aproximar o dia em que regresso a Portugal…". Aliada à esperança do regresso a esperança de ser deputada da oposição, a esperança de por Portugal e pelos direitos das mulheres pugnar.

Apesar de os ventos não lhe serem de feição e de com 71 anos continuar a trabalhar para sobreviver, o espírito solidário e o idealismo mantêm-se inalteráveis. Nas linhas escritas em 6 de Julho murmura aos familiares o seu reconhecimento: "Agradeço o envio do dinheiro porque o mesmo se destinava à Comissão que trata de assuntos dos portugueses em más condições e destinava-se a pagar um tratamento de emergência ao Henrique Galvão, que contudo não o salvou. Serviu para ajudar a pagar o enterro."

Nova esperança surge na vida de Maria Archer quando em Fevereiro de 1973 um diplomata chinês a convida oficialmente a visitar a China onde "se processa agora a maior experiência sociológica de toda a História." Ao convite Maria responde que aceita mas impõe condições. As despesas terão que ser pagas pela China. Em troca "darei os direitos de autor das 1ªs. edições de livros que escrever". Em Março do mesmo ano o diplomata desloca-se propositadamente a Poços de Caldas para falar com a escritora. Maria vibra com o entusiamo de voltar a escrever mas a sua saúde não recupera e ela não consegue viajar até à China.
Regressa, em 26 de Abril de 1979, a Portugal, doente mas com um dos seus sonhos concretizado: Portugal vive as cores da liberdade. O verde da esperança e o vermelho da conquista e da alegria.
Perante a fragilidade da sua saúde falaram os silêncios. Silêncios que Fernanda de Castro poetizou não para Maria Archer mas adivinham a fragilidade da sua saúde:









"Já não vivo, só penso. E o pensamento

É uma teia confusa, complicada,

Uma renda subtil feita de nada:

De nuvens, de crepúsculos, de vento.

Tudo é silêncio. O arco-íris é cinzento,

E eu cada vez mais vaga, mais alheada.

Percorro o céu e a terra aqui sentada,

Sem uma voz, um olhar um movimento."

Em 1982, na hora da sua partida, de novo o silêncio de um país e de uma sociedade se ergueu no ocaso da sua vida.

"A pátria, não lhe reconheceu, como deveria ter reconhecido, o seu bom combate pela liberdade e pela igualdade da mulher" (Salvato Trigo, 24/11/2011).

Obrigada.

Lisboa, 26 de Março de 2014.
Olga Archer Moreira
(vale.olga@gmail.com)