segunda-feira, 26 de outubro de 2015

J ARROTEIA sobre CARLOS CORREIA


 

In Memoriam: Dr. Carlos Correia

 

Evocar a memória do Dr. Carlos Correia obriga-nos a recuar algumas décadas, ao início dos anos oitenta, quando o conhecemos como técnico do Instituto de Apoio à Emigração, onde fazia parte de um grupo extenso de personalidades, que se distinguiam pela sua generosidade e trabalho.

As muitas tarefas exigidas pela administração pública em período pós-revolucionário, acordado pela intensidade dos movimentos emigratórios e expansão das comunidades portuguesas - em curso desde o início dos anos sessenta -, tornavam os serviços centrais da emigração bastante solicitados. Parcos em meios, sofriam ainda os impactos de uma reforma da administração, melhorada com a entrada de jovens licenciados e o interesse do tema pelos meios de comunicação social e população académica interessada no desenvolvimento de estudos científicos sobre a emigração portuguesa.

Os dados então centralizados relativos à dimensão, características e extensão deste fenómeno no território e na sociedade, passam a ser requisitados por diversos investigadores e interessados, que não pertencendo aos quadros da administração central do Estado, desejam aprofundar o assunto, conhecer a sua história recente, permitir novas leituras e incidências nas comunidades locais.

A emigração passa a ser um tema de investigação científica e o estigma das suas histórias, reflexos e incidências sociais e políticas, constituem-se como temas de análise de investigadores isolados e de grupos de investigação. É neste contexto, de procura de informação e pesquisa de fontes, que tivemos o ensejo de conhecer o Dr. Carlos Correia.

Reservado no trato, afável e compreensivo no diálogo, eficiente no exercício das suas funções, foi assim que o conhecemos em Portugal e sobretudo no estrangeiro, onde teve possibilidade de desenvolver um extenso trabalho junto das comunidades portuguesas.

Meses antes da sua partida confirmámos a sua disponibilidade e interesse de sempre: dar de si às comunidades e serviços que o viram crescer e formar neste meio complexo marcado pela mobilidade humana, a emigração e as comunidades portuguesas.

Nesta ocasião e homenagem em sua memória, saudamos a família que tão cedo o viu partir e os colegas e amigos que nos acompanham na partilha dos mesmos sentimentos.

 

J. Arroteia

21MAI15

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