domingo, 29 de maio de 2016

MARIA BARROSO nos ENCONTROS PARA A CIDADANIA

A Doutora Maria Barroso nos Encontros para a Cidadania Entre 2005 e 2009, a Drª Maria Barroso foi a Presidente de Honra dos Encontros para a Cidadania - a Igualdade entre Homens e Mulheres, uma iniciativa inédita, em Portugal - e, ao que julgamos, única em países de emigração - destinada a levar às comunidades portuguesas da Diáspora um forte apelo à participação de todos na afirmaçâo dos valores de género e geração, na vivência da democracia e na valorização de uma cultura universalista, como é a nossa, Foi verdadeiramente um "correr mundo" para a Drª Maria Barroso e para um conjunto de personalidades que a acompanhava, e que incluia, para além de membros do Governo, representantes de organizações da "sociedade civil" , unidos e motivados pela mesma causa, a de aprofundar a consciência das discriminações que subsistem e assumem contornos específicos no quadro das migrações, assim promovendo a inclusão dos grupos mais marginalizados da sociedade, através do exercício concreto e efectivo dos seus direitos e dos seus talentos. Há muitos anos que admirava a Drª Maria Barroso e que com ela tinha colaborado sobretudo nestes domínios dos direitos humanos, dos direitos das mulheres, em colóquios e congressos da Associação de Estudos Mulher Migrante, onde sempre foi uma presença influente e mobilizadora. Contudo, nunca tinha partilhado com ela longas viagens através dos oceanos ( um tempo que, em conversa, ouvindo-a, passavam tão rapidamente!), e a intensidade do dia a dia feito de debates vivos e memoráveis, de convívio em que os temas dos encontros se continuavam, incessantes, nas pausas, nos almoços e jantares, com que que as nossas comunidades gostam de acolher os visitantes... Nunca tinha podido sentir tão de perto a profunda afectividade que desperta a Drª Maria Barroso em todos quantos escutavam as suas palavras brilhantes, na substância e na forma como as diz, com a marca da convicção e da autenticidade, e com a simplicidade natural, com que se torna tão próxima (uma de nós, sem que nunca esqueçamos a sua absoluta excepcionalidade!). Esses Encontros faziam História, como reconhecíamos enquanto decorriam, porque significavam o princípio da aplicação das políticas da igualdade de género em Portugal, na seu inteiro espaço humano, para além das fronteiras territoriais, e também porque tinham como na presidência a presença de um expoente das qualidades e capacidade da Mulher Portuguesa. Para as emigrantes um exemplo vivo de como ser Mulher e Cidadã, ali a seu lado, tão acessível e solidária, Para os muitos convidados de um País estrangeiro, uma grande embaixadora de Portugal, da sua verdadeira dimensão cultural e política . O primeiro de seis encontros foi o da América do Sul, realizado em Buenos Aires, seguindo-se o da Europa, em Estocolmo, os da América do Norte, no leste do Canadá, em Toronto e no ocidente dos EUA, em Berkeley, o da Africa em Joanesburgo e, por último, um encontro ou reencontro em Portugal . Sobre cada um deles se poderia escrever uma longa crónica - longa e feliz. Aqui fica apenas um breve e objectivo registo de factos, que se espera sejam, de qualquer modo, sugestivos do ambiente vivido, das esperanças despertadas, do impacte que se prolonga até hoje, em novas iniciativas, deixando-nos a convicção de que há um periodo antes e depois deste encadeamento de congressos, no que respeita à política de Estado para as comunidades, que passou a incorporar a compornente de género. O ENCONTRO NA AMÉRICA DO SUL Buenos Aires, 16 e 17 de Novembro de 2005 Biblioteca Nacional, salão Jorge Luís Borges Organização local da Embaixada de Portugal e da Associação Mulher Migrante Portuguesa da Argentina. Sob a égide do grande escritor argentino, que, por ascendência e por afecto, é também nosso, com a presença simbólica de Maria Kodama,a viúva de Borges, num auditório repleto de ilustres participantes portugueses e argentinos, com jornalistas dos principais media nacionais - imprensa, rádio, RTP - se reiniciou uma caminhada histórica, que tivera o seu começo precisamente 20 anos antes, no 1º Encontro Mundial de Portuguesas no Associativismo e no Jornalismo, convocado durante o Governo de Mário Soares. O Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas António Braga propunha-se, como afirmou, retomar uma questão que andava esquecida pelos governos há longos anos, nas sua políticas de emigração. Aí, em Buenos Aires (capital de um País onde a Mulher já ascendera à presidência da República, e onde uma Portuguesa - Regina Pacceli - fora a única Primeira Dama estrangeira), partilhando a mesa de honra com António Braga, com o Embaixador Almeida Ribeiro e comigo mesma, a Drª Maria Barroso proferiu a conferência de abertura - dando-nos uma perspectiva diacrónica sobre a luta das mulheres pela plenitude dos direitos de cidadania e convidando-nos a participar na aventura de equacionar e de construir o seu futuro. Depois de dois dias de debates e da aprovação das conclusões, que são um notável documento sobre as matérias em análise, a Drª Maria Barroso, como que sintetizando as conclusões, diria: "Considero que foi uma reflexão aprofundada sobre os problemas que dizem respeito às mulheres, e, em particular, às mulheres migrantes. Mulheres e Homens têm de assumir um papel onde ambos os géneros contribuem para a melhoria da sociedade". As comemorações da Associação Mulher Migrante constituiram, seguidamente, a parte festiva destas jornadas de trabalho e, como são sempre celebradas em ambiente de grande entusiasmo e confraternização interassociativa, absolutamente "paritária" (em homenagem aos méritos e à acção social da primeira associação feminina da comunidade), foram mais um meio de alargar a reflexão sobre as questões da cidadania, dos direitos e deveres em que esta se expressa. O ENCONTRO NA EUROPA Estocolmo, Museu Etnográfico, Março de 2006 Organização local da PYCO, Federação Internacional de Mulheres Lusófonas Presente ao lado da Drª Maria Barroso e do Embaixador de Portugal, a antiga Ministra, Comissária Europeia e Presidente da Internacional Socialista de Mulheres, Anita Gradin, que foi uma próxima e importante colaboradora de Olaf Palme e uma impulsionadora da "praxis" da paridade na Suécia. Entre ambas, como todas entre nós, na organização dos trabalhos, e entre nós e o Secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros, Jorge Lacão, representando o Governo, havia uma evidente sintonia de posições. E, tal como na Argentina, foi forte a participação de personalidades e de ONG's do país que nos acolhia, a permitir a troca de experiências e ensinamentos. A imprensa nacional e regional marcou, de novo, presença e deu ampla notícia das propostas deste novo congresso. "É muito importante que os homens estejam presentes, não queremos uma sociedade de mulheres, mas antes de homens e mulheres conscientes dos seus direitos e deveres", salientou a Dr.ª Maria Barroso. É este ênfase na ideia da cidadania feminina para o serviço da comunidade, na linha de pensamento das feministas da 1ª República, que nos leva a vê-la, nos ideais, como na acção concreta, pela liberdade e democracia, como uma autêntica herdeira e continuadora dessa pleide de notáveis Portuguesas do começo de novecentos, agora, no Sec XXI. O ENCONTRO NA AMÉRICA DO NORTE "Conferência para a Participação Cívica e Política" Toronto Março de 2007 Auditório do "Metro Hall" Organização Local: Consulado Geral de Portugal, e um elevado número de ONG´s luso-canadianas e canadianas. Patrocínio da Região Autónoma dos Açores A conferência reuniu muitos membros de associações, universitários e investigadores, deputadas canadianas, e activistas dos direitos humanos, mulheres e homens, assim como uma cobertura excepcional de todos os media em língua portuguesa de Toronto ( muitos e muito bons), que, de uma forma unânime, saudaram aquela realização e deram a dimensão do seu relevo, contribuindo para que as temáticas desenvolvidas e o essencial de uma mensagem clara e forte chegasse à comunidade inteira. O Secretário de Estado Jorge Lacão, que, como é seu hábito, para além dos momentos solenes de abertura e encerramento, participou activamente nos trabalhos de todos os paineis, e aí divulgou o Plano Nacional para a Igualdade e a extensão da Lei da Paridade às eleições do Conselho das Comunidades Portuguesas (que viriam a ser as primeiras a que as novas regras se aplicaram). O Embaixador Silveira de Carvalho e o Dr Álamo de Oliveira em representação dos Açores foram também intervenientes notáveis. E a Cônsul-Geral Maria Amélia Paiva foi unanimanente elogiada pela organização da" Conferência", e, mais globalmente, pelo desempenho à frente do Consulado, onde foi a primeira mulher a exercer o cargo. A Drª Maria Barroso, partilhou do entusiasmo geral, falou da abertura de horizontes ("A Mulher de hoje pode governar uma Nação"), mas não deixou também de denunciar, em contra corrente, muitas discriminações que subsistem: "temos muito que lutar para que a igualdade entre homens e mulheres seja uma realidade, mas tenho a certeza de que um dia venceremos. Já não será para mim, mas para aquelas que nos darão continuidade". Para além da Conferência, houve ainda tempo para corresponder a convites da comunidade, visitas ao Museu dos Pioneiros e à Associação de Apoio a Deficientes Portugueses, onde a Drº Maria Barroso e eu recebemos o título de Presidentes de Honra. Recém inaugurada esta grandiosa obra de solidariedade, tornou-se já um "ex-libris" da nossa Comunidade, tornou-se centro de apoio e, também, de animação cultural e de valorização humana dos mais velhos e dos mais marginalizados. Na despedida de Toronto fica a frase de Jorge Lacão, que a imprensa reproduziu: "Viemos ver coisas extraordinárias." E o articulista do" Pós milénio" foi um dos que sintetizou bem o espírito destas iniciativas: "Um encontro para a cidadania tem que se lhe diga. É bem capaz de cavar alicerces que nem sempre foram abertos para todos (...) de trazer à discussão temas do maior interesse, que levam a harmonia a uma sociedade, por vezes pouco lógica e racional". É de assinalar ainda, fora de Toronto, uma deslocação breve a Drª Maria Barroso aMontreal para um outro encontro, a celebrar o Dia Internacinal da Mulher - uma iniciativa que o jornal Luso Presse promove todos os anos. Com a presença de Consul- Geral dr Carlos Oliveira e da Ministra da Imigração do Québec, de várias deputadas e de uma vereadora portuguesa, viveram-se momentos irrepetíveis de emoção até às lágrimas, com a Drª Maria Barroso a receber, no fim de palavras sentidas que a todos comoveram, uma infindável ovação. ENCONTRO EM ÁFRICA Joanesburgo, Março de 2008 Sala de Conferência do "Lusito", Associação em favor de Crianças Deficientes Organização Local : Liga da Mulher Portuguesa na África do Sul. Patrocínio da Região Autónoma da Madeira e do Consulado Geral de Portugal Nas magníficas instalações do "Lusito", para uma audiência onde prodominavam as mulheres, mas onde estavam presentes o Embaixador Paulo Barbosa, o Cônsul-Geral Manuel Gomes Samuel e os dirigentes das principais instituições comunidade, a Drª Maria Barroso falou da situação das mulheres através dos tempos e no nosso tempo e lembrou-nos que "apesar da História ter sido tecida por Mulheres e Homens só a estes é dada relevância" - e esta é justamente uma das injustiças a que o exercício da cidadania no feminino procura por fim. A oradora focou muito em especial a participação das Portuguesas na luta pela democracia e a importância que isso e outros factores, como a grande guerra mundial e a guerra colonial, tiveram na ascensão das mulheres e abordou temáticas em que as mulheres podem fazer a diferença - como a denúncia da violência nos media, do racismo e da xenofobia, da indiferença perante tantos atropelos dos direitos humanos, a exclusão social, os maus tratos a crinças, a violência doméstica. O Encontro ganhou uma dinâmica original, com a marca do modo de funcionamento da "Liga da Mulher", com a organização de quatro "workshops": sobre a situação das mulheres portuguesas na Àfrica do Sul e o seu diálogo e colaboração com as naturais do País, sobre os diferentes processos de afirmação das Portuguesas na Diáspora e no nosso País, sobre os principais domínios em que se reconhece persistirem discriminações e sobre o ensino do português a da nossa cultura na África austral. Na sessão de encerramento, o SECP António Braga manifestou o seu inteiro apoio ao movimento de mudança que ali se afirmara e anunciou a realização em 2009 de um Encontro Mundial de Mulheres em Portugal. A missão na RAS, como, aliás, as anteriores, traduziu-se na discussão de ideias e no traçar de metas para trabalho futuro, mas também na criação de laços de amizade que facilitarão a cooperação para a sua prossecução concreta. E houve tempo para a emoção, para a Drª Maria Barroso lembrar que ali estivera a acompanhar o seu filho, salvo pelo empenho e qualidade da medicina sul-africana, depois de um acidente quase fatal. Ou para recordar um prévio encontro com o Dr Paulo Barbosa, então Embaixador em Israel, durante uma visita presidencial, que coincidiu com a trágica morte de Itzak Rabin, um grande amigo do Presidente Mário Soares e da Drª Maria Barroso. Pedaços da história à qual a Drª Maria barroso pertence para sempre. ENCONTRO NA AMÉRICA DO NORTE Califórnia Berkeley, Universidade da Califórnia Maude Fife Room, Wheeler Hall 25 de Setembro de 2008 Organização Local: Profª Deolinda Adão, (Universidade de Berkeley) e Cônsul Geral de Portugal, Dr António Alves de Carvalho A nível da coordenação nacional, foi não a Associação de estudo Mulher Migrante, mas directamente a Fundação Pro Dignitate que assumiu o papel operacional de coordenação, a cargo do Dr António Pacheco, actualmente o secretário Geral da "Fundação" A caminho para a costa oeste, uma breve estada em Elizabeth, NJ, a convite de Monsenhor João Antão, e da paróqui de Nossa Senhora de Fátima, em cujos salões se realizou um primeiro encontro de formação de jornalistas lusófonos, centrado nas temáticas da paz e da Igualdade.. Com Monsenhor Antão, um verdadeiro líder espiritual da comunidade, de quem a Drª Maria Barroso diria tratarr-se de "uma personalidade de excepção", visitamos a escola que tem o seu nome. (uma honra num país onde é raríssimo atribuir a instituições públicas o nome de pessoas vivas!). Um Liceu muito prestigiado, com vocação para as Artes e a música, onde jovens americanos cantaram o nosso hino naciona na perfeição. Difícil foi conter as lágrimas... Berkeley recebeu o Encontro sobre "O papel da Mulher no futuro do asssociativismo e movimentos cívicos da Califórnia", pondo o enfoque nas questões do associativismo feminino, (com uma brilhante introdução da grande especialista que é a Profª Adão), da colaboração integeracional e do papel dos media na formação para a igualdade, No encerramento, o SECP António Braga e a Presidente Maria Barroso deixaram a certeza de que as soluções ali proposta não seriam esquecidas. Ao abordar, tanto em Berkeley como em Elizabeth, o tema da interculturalidade entre comunidades migrantes de diferentes paises que se expressam em Português, Maria Barroso, mostrava acreditar (e todos nisso a acompanhaáamos) que, também neste domínio, o entendimento entre as mulheres migrantes dos vários quadrantes da lusofonia pode fazer a diferença (1). Seguiu-se um encontro mais restrito no departamento de Estudos Europeus, com bolseiros portugueses que naquela tão prestigiada universidade preparam o seu doutoramento em diversos domínios. Antes do regresso a Portugal, nova passagem por Elizabeth, onde Monsenhor João nos preparara uma bela surpresa, uma bela homenagem à Drª Maria Barroso, no final de um longo périplo por tantas comunidades: naqueles poucos dias da nossa ausência na Califórnia,o talentoso artista Roger Gonzalez (a quem se devem as obras primas de arte sacra da Igreja de Nossa Senhorade Fátima) pintara um esplêndido retrato da Drª Maria Barroso, à entrada da ala onde estivera hospedada! Ao findar um périplo por tantas comunidades, reavivando a importância histórica do "congressismo" na luta pela igualdade das mulheres, readaptada aos tempos de hoje, a Presidente dos Encontros deixava assim simbolicamente o seu retrato num mural na América do Norte, tal como deixara, por todo o lado, o retrato de corpo inteiro de uma cidadã, capaz de mobilizar pela palavra e pelo exemplo para a mudança em sociedades cada ves mais abertas a todos os seres humanos, mais livres e democráticas. Em Espinho, em Março de 2009, num último Encontro internacional, com a presença das responsáveis pela organização de todos os que ocorreram na Diáspora, e a presidência da Drª Maria Barroso um ciclo se encerrou, na esperança de que o projecto de mobilização para a cidadania iria prosseguir na rede de solidariedades que se criou, e em gestos concretos de vivência da cidadania que as mulheres aprendem umas com as outras. Esperança bem fundada, como hoje podemos já dizer.

MARIA BARROSO EM ESPINHO 2010 Abertura das comemorações do centenário da República

Conhecendo a desigualdade de direitos que persistiu ao longo dos séculos entre as mulheres e os homens, não poderíamos deixar de nos surpreender com o oásis que representou o período da I República. Ainda nos finais do século XIX, Portugal assistiu ao nascimento de algumas mulheres que, antes da República ou mesmo não partilhando o republicanismo, começaram a lutar, com coragem, pela melhoria da situação das mulheres, então, extremamente subalternizadas na sociedade e na família. Não havia educação oficial para as meninas. Saber ler era raro e não tinha importância. Antes pelo contrário, já que, segundo as concepções vigentes, o sexo feminino deveria manter-se reservado e longe das más influências transmitidas pela leitura. É certo que a maioria da população era analfabeta. Mas as mulheres atingiam mais de 80% do total. O ensino primário começou a existir tarde mas, para as raparigas, nele se conteúdo incluíam os lavores e as prendas domésticas necessárias às formandas, cujo principal destino era o casamento e a família. O ensino secundário ainda foi mais tardio e o primeiro Liceu feminino – Maria Pia – é de 1906. Este panorama da educação no nosso País explica as dificuldades das mulheres e é explicado pelo atavismo e preconceitos em relação aquilo que era importante para as suas vidas, na opinião dos homens. O acesso às Universidades era ainda mais difícil. As mulheres “sábias” e as “doutorices” eram ridicularizadas e, pelo riso e troça, os homens acabavam por mantê-las longe dos cursos superiores. Os tempos foram mudando. Certamente, algumas notícias chegavam da Europa e da longínqua América despertando as jovens para a injustiça das desigualdades e para as dificuldades que foram criadas às mulheres que não tinham pai ou marido para as sustentar a elas e à família. Trabalhar fora de casa era também um tabu. Ficando sem recursos, as mulheres da burguesia lograram ultrapassar os obstáculos escrevendo ou ensinando, trabalho por que auferiam parcas retribuições para a sua sobrevivência. Naturalmente, que tendo nascido dentro de famílias mais ou menos abastadas, elas eram as únicas a beneficiar de alguma instrução, muitas vezes, com professoras no domicílio e eram também as únicas a poder usar o seu talento para sobreviver. A oposição social ao trabalho das mulheres não se verificava, porém, relativamente ao povo, às mais pobres, que partilhavam o destino dos trabalhadores rurais e operários, ganhando, contudo, muito menos do que eles. Neste enquadramento, sumariamente descrito, viveram, trabalharam e sofreram algumas mulheres da transição para o século XX e do início desse século que foram fazendo o caminho para as reivindicações sociais, muitas delas incorporadas na Revolução Republicana. Esperavam as que aderiram à República e às suas instituições – quase todas – que este novo sistema político curasse a sociedade de todos os males. Muitos escritos de mulheres ilustres, como Ana Castro Osório e outras feministas defenderam que “a República não sendo na forma de governo nova nem perfeita… é, no entanto mais lógica, mais compreensível à nossa inteligência e mais tolerável à nossa razão, dando-nos também garantias de progresso”. Ana Maria Gonçalves Dias afirma, igualmente, no Congresso Republicano do Porto, em 1910, que todas as mulheres feministas deveriam ser republicanas, visto que só da República se podem aguardar leis igualitárias e justas. E, com efeito, muitas leis foram publicadas pela I República, em benefício das mulheres e muitas medidas foram tomadas para melhorar a sua situação: novas leis do casamento e filiação baseadas na igualdade, o direito de trabalhar na função pública, a escolaridade obrigatória até aos 18 anos para ambos os sexos e abertura, pela primeira vez, de uma Cátedra a uma mulher, (Carolina Michaëlis de Vasconcelos a quem é concedido o grau de doutor), o início dos cursos de direito para mulheres e exercício da advocacia, até então vedado (Regina Quintanilha). Como afirma João Estêvão, na obra “Mulheres e o Republicanismo”, “durante 20 intensos anos assistiu-se à adesão ao ideal republicano; ao combate à monarquia; … à criação de organizações partidárias, feministas e femininas; à formação de reivindicações; … à realização de dois Congressos Feministas e de Educação (1924 e 1928). Em momentos únicos, as mulheres estiveram lá. Pensaram, debateram, organizaram-se, actuaram. Escreveram, opinaram, polemizaram. Discursaram, aderiram a causas. Politizaram-se. Alugaram sedes, calendarizaram reuniões. Reivindicaram, peticionaram. Expuseram-se, lutaram, correram riscos, sofreram incompreensões, injúrias e agressões. Marcaram presença em sessões, reuniões, festas, saraus, comícios, congressos, homenagens, celebrações, cortejos, manifestações, funerais, romagens. Foram para a rua. Associaram-se, desassociaram-se, reagruparam-se, conforme desavenças pessoais, divergências de opinião, de estratégia, de liderança e de rumo consoante se assumiram mais como feministas do que republicanas e vice-versa, sendo muitas vezes ambas as coisas, o que originou também fracturas entre as duas causas, com prejuízo para o reforço das respectivas lutas e consequências para a República”. Mas não se pense que os homens republicanos queriam todos a inteira igualdade entre as mulheres e os homens. António José de Almeida, que apoiou a Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, esclareceu numa reunião em 1908 o que pretendia daquela organização: “Não se trata de ir ao Parlamento reclamar o voto das mulheres. Não se trata de trazer mulheres para a rua ou para os clubes, envolvendo-as numa febre de agitação a que a mulher portuguesa é tão esquiva e refractária. Pretende-se que cada uma delas exerça na sua esfera de acção, na sua família, nas suas relações, o influxo do seu espírito e o exercício da propaganda”. A Liga não aceitou este estreito campo de actuação e procurou pugnar pela igualdade entre mulheres e homens, em casa e na rua. Passado algum tempo e na sequência de posições como a de António José de Almeida advieram desilusões entre republicanos que não viam satisfeitas as aspirações das mulheres. Ana de Castro Osório recordou às mulheres os acontecimentos anteriores à Revolução Francesa em que aquelas foram utilizadas e de seguida remetidas ao silêncio. Mas as conquistas da I República foram uma realidade. Entre 1908 e 1928, data do segundo Congresso Feminista e de Educação, verificou-se um enorme incremento da vida cívica e política, tanto a nível associativo como na visibilidade pública enquanto força de pressão sobre os poderes constituídos. O oásis que as mulheres e os democratas, em geral, construíram teve aquela duração bem curta. Em 1926 inicia-se a Ditadura Militar, sendo dissolvido o Parlamento. Em 1927, teve lugar uma revolta militar e civil no Porto contra a Ditadura Militar, mas foi vencida. O Governo da Ditadura acabou com o regime de coeducação nas localidades em que existisse mais do que um estabelecimento de ensino não superior. Viveu-se a partir daí um longo período de apagamento da acção das mulheres e dos seus direitos. A Constituição da República de 1933 vem legitimar as discriminações contra elas ao estabelecer a igualdade dos cidadãos perante a lei “salvas”, quanto à mulher, as diferenças resultantes da sua natureza e do bem estar da família, o que legitimou, até ao 25 de Abril, todas as discriminações existentes na vida cívica e política, na família e no trabalho. As republicanas que viveram um período de 20 anos de intensa luta deixaram às gerações que se lhe seguiram um legado que acabou por não ser aproveitado senão muitos anos depois. Foi pena! Porque poderíamos ter sido um país exemplar e progressista se as mentalidades retrógradas do século XIX não tivessem continuado a florescer durante quase todo o século XX. As mulheres que ajudaram a implementar a I República e a tornar brilhante e grande o seu pequeno percurso, mulheres que foram feministas, pacifistas, maçónicas-livre-pensadoras e republicanas, merecem a nossa admiração e homenagem. Elas foram autênticas guerreiras, tendo conquistado posições que, só cinquenta anos depois, a partir de 1974, conseguimos começar a readquirir e alargar. Mas que mulheres foram essas? Qual o seu perfil e identidade? A homenagem que desejo propor não pode, infelizmente, por escassez de tempo e benefício da vossa paciência, contar a biografia completa das várias personalidades que constituíram o eixo feminino da I República. Nem esta seria a oportunidade de o fazer. Assim, limitar-me-ei, num resumido apontamento a referir quem são e o que justifica o seu lugar na História. Antes, porém, uma referência deve ser feita, ao facto de feministas ou não, republicanas ou não, todas em geral, terem defendido a instrução e a educação para as mulheres, como factor essencial da sua valorização na família e na sociedade. Ao não terem sido, devida e atempadamente ouvidas, o nosso País perdeu muito do seu alinhamento no progresso e no desenvolvimento, cujo défice ainda hoje sentimos. Maria Antónia Pusich, mulher culta e instruída, publicou em 1849, a Assembleia Literária que foi o primeiro jornal fundado por uma mulher, tendo tido a coragem de dar a público o seu nome. Fez da escrita o seu modo de vida, para seu sustento e de seus filhos. Depois da criação do primeiro jornal, muitas outras mulheres passaram a subscrever artigos e mesmo a dirigir publicações. E não se pense que se tratava apenas de imprensa feminina. Investigações feitas relativas ao século XIX, revelam que muitas mulheres colaboraram em jornais literários, noticiosos ou políticos, usando, por vezes, nomes masculinos para fugir à censura social. Teresa Leitão de Barros em “Escritoras de Portugal”, de 1924, descreve as condições difíceis que as mulheres enfrentavam para serem escritoras. Podiam ser estimadas como autoras recreativas, dizia, mas eram postas à margem da sociedade burguesa pela sua situação de mulheres independentes e chefes de família. Guiomar Torrezão, nascida em 1884, numa família burguesa, desde cedo teve também que prover à sua substância, dando lições de instrução primária e francês, ao mesmo tempo que se iniciava na escrita, com elevado sucesso. Traduziu obras de escritores célebres e trabalhou em vários órgãos de imprensa, designadamente no Diário Ilustrado, Diário de Notícias, Voz Feminina e outros. Tendo que trabalhar por gosto, mas essencialmente por necessidade pois o pai falecera cedo deixando a família em precária situação económica, Guiomar depressa reconheceu a importância de uma formação superior, a qual, não teve condições de adquirir. Apesar das adversidades, sendo detentora de uma superior inteligência e engenho, cumpriu um brilhante destino como mulher e escritora. Como pioneira lançada numa sociedade conservadora, Guiomar Torrezão, sofreu, como outras mulheres, calúnias, críticas e invejas. Guiomar contou, porém, com apoios importantes, nomeadamente de Fialho de Almeida, que, por altura da sua morte, depois de elogiar o seu carácter e mérito, diria que “para ser verdadeiramente alguém, ela só teve um obstáculo, o meio onde apareceu e se fez gente. Em Londres ou em Paris, teria sido ilustre. Em Lisboa, quase a quiseram tornar cómica”. Guiomar deixou vários romances, contos e peças de teatro, representadas nos teatros de Lisboa. A sua tristeza e conformismo perante uma sociedade tão conservadora está bem patente quando escreveu de si própria, que a sua vida literária era “obscura, improfícua, pobre e triste …” Esperaria mais reconhecimento e também uma vida mais desafogada. E conta que quando no estrangeiro lhe perguntavam quanto ganhava com os seus escritos, via-se obrigada a mentir para defesa da honra do seu país, multiplicando as quantias até atingirem uma soma decente. Alice Pestana (Caiel), nasceu em 1860, também dentro de uma família burguesa. Aprendeu francês, inglês e piano. Este tipo de educação não a satisfez, porque não queria frequentar salões e precisava de se sustentar e auxiliar a família. Assim, com o auxílio financeiro de uma avó, continuou os estudos, matriculando-se no ensino secundário, ao mesmo tempo que dava lições. Em 1877, iniciou a sua carreira como jornalista de mérito. Usou um pseudónimo, masculino, CAIEL, como estratégia de legitimação. Além do jornalismo, escreveu livros, contos, novelas e peças de teatro. Foi grande defensora da educação feminina e encarregada de uma visita de estudo ao estrangeiro para analisar as condições de instrução feminina noutros países. Fundou, em 1899, a Liga Portuguesa da Paz, de que foi presidente, tendo como outros fundadores, homens ligados ao movimento republicano ou à maçonaria, como Magalhães Lima, Teófilo Braga, Consiglieri Pedroso e Teixeira Bastos. Tendo casado, em 1901 com um professor espanhol, passou a residir em Madrid. Continuou, porém, a escrever, a estudar e a dar lições, tendo sido professora em prestigiadas instituições espanholas. Domitila da Carvalho, nasceu em 1871. Frequentou a Universidade de Coimbra em 1891, tendo sido a primeira mulher a fazê-lo. A sua inscrição teve que ser autorizada ministerialmente, a pedido do Reitor, por não haver nenhum precedente. Entrou para o curso de matemática. Mas não ficou por aqui. Em 1899, inscreveu-se também em medicina, juntamente com Sofia Júlia Dias, sendo as duas primeiras mulheres a frequentar este curso. Além de matemática e medicina, obteve ainda a licenciatura em filosofia, tendo alcançado altas classificações em todos os cursos. Contrariamente a outras mulheres que aderiram às ideias republicanas, esta mulher era monárquica e católica, tendo mantido com a rainha D. Amélia assídua correspondência. O seu percurso político levou-a, mais tarde, a pertencer ao grupo de três primeiras deputadas do Estado Novo. Abraçou a causa do pacifismo, defendeu a educação das mulheres, mas não defendeu o sufrágio feminino. Foi professora e reitora do Liceu Maria Pia, o primeiro Liceu feminino em Portugal. Carolina Michaëlis de Vasconcelos nasceu em 1851, de origem alemã. Casada com um português, ficou na história como primeira mulher nomeada, em 1911, para o cargo de professor ordinário de Filologia germânica da Faculdade de Letras de Lisboa, onde não chegou a leccionar por ter sido, entretanto, transferida para Coimbra. Até à sua morte, em 1925, foi a única mulher a pertencer ao corpo docente de Coimbra. Era especialista em várias línguas. Recebeu várias distinções honoríficas tendo sido considerada a mulher mais erudita do seu tempo. Publicou várias obras, resultado das suas investigações literárias, abrangendo escritores antigos e, também seus contemporâneos. Por curiosidade, anota-se que segundo Joaquim Ferreira Gomes, até ao fim de 1910, tinham-se matriculado na Universidade de Coimbra 23 mulheres e, até 1926, frequentaram essa Universidade 280 mulheres, mais 257 inscritas. Regina Quintanilha de Vasconcelos nasceu em 1893 e, em 1910, com 17 anos, foi a primeira mulher a frequentar o curso de direito, até então proibido às mulheres. Como estávamos no auge da revolução republicana, Regina Quintanilha foi recebida em festa pela Academia. Os seus colegas estenderam-lhe as capas para lhe dar as boas vindas. Foi colega de homens ilustres como Manuel de Arriaga, nomeado presidente da República. Com o advento da República, muitas alterações se verificaram, a nível académico – os alunos não eram obrigados a comparecer a todas as aulas e podiam escolher o seu plano de estudos com cadeiras de qualquer ano. Foi, assim que Regina Quintanilha frequentou, simultaneamente, o curso de Direito e o curso de Letras recém-criado pela República. Em 1913, Quintanilha requereu autorização para advogar ao Supremo Tribunal de Justiça, autorização que foi concedida transformando-se esta primeira licenciada em Direito na primeira advogada portuguesa. Este facto causou grande impacto na imprensa e no público que acorreu ao primeiro julgamento que ela fez na Boa-Hora. Regina Quintanilha foi ainda notária e conservadora do Registo Predial e professora no Liceu Maria Pia. Militou no Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas e foi presidente da Assembleia Geral deste Conselho, em 1917. Esteve ainda ligada à Cruzada das Mulheres Portuguesas. As conquistas de Regina Quintanilha foram marcantes para a época, pois não era fácil frequentar o mundo do direito, eminentemente masculino. Também não foi fácil o acesso a outras profissões liberais, apesar da luta renhida das feministas contra o preconceito da inferioridade intelectual das mulheres e da “masculinização” que certas actividades provocavam. Bem clamou Elina Guimarães uma ilustre jurista, escritora e feminista, falecida há não muitos anos, dizendo que conhecia muitas intelectuais que eram todas excelentes mães de família, com vários filhos. Angelina Vidal nasceu em 1853, numa família da média burguesia. Foi uma voz forte da corrente progressista, empenhada na questão social e do operariado. Viveu com imensas dificuldades, inclusive, a nível familiar. Angelina era uma republicana socializante e o pai um arreigado monárquico o que provocava grandes discórdias familiares. Casou cedo, mas cedo se separou do marido que, pouco depois, viria a morrer. Neste quadro, sofreu muitas privações e foi alvo da reprovação dirigida às mulheres separadas, naquela época. Com uma aguda consciência das dificuldades da classe operária, ela associou o seu feminismo a formas mais amplas de luta. No meio das suas dificuldades, valeu-lhe a solidariedade ocorrida no âmbito da “Voz do Operário” com a criação de um subsídio mensal, já que lhe fora negada uma pensão a que tinha direito, por virtude da sua actividade política. Foi jornalista, tradutora e professora, sendo de recordar a sua actividade de escritora – poesia e prosa – e a publicação de peças de teatro. Recebeu prémios internacionais e fez parte da Associação da Imprensa Portuguesa. Angelina criticou a monarquia, o clericalismo e o sistema económico e social de então. Ela foi a voz dos desfavorecidos. Adelaide Cabete nasceu em 1867, numa família ligada ao mundo do trabalho fabril. Começou a trabalhar jovem, após a morte do pai. Dotada de uma enorme força de vontade, estudou e formou-se em medicina. Foi uma mulher empenhada no movimento feminista e na política e uma republicana convicta. Casou-se ainda jovem com um homem mais velho que, contrariamente à generalidade dos homens de então, não pôs obstáculos à continuação dos estudos da sua mulher. Ele investiu mesmo na formação dela, tendo vendido bens para a custear. Adelaide fez a instrução primária com 22 anos e concluiu o curso dos liceus cinco anos depois. Em 1896 matriculou-se na Escola Médica de Lisboa e teve professores ilustres, como Alfredo Costa, Miguel Bombarda e Ricardo Jorge. Formou-se em 1900. Defendeu como tese “A protecção das mulheres grávidas pobres, como meio de promover o desenvolvimento físico das novas gerações”. É frequente encontrar como preocupação comum a várias destas mulheres a associação entre a condição feminina e as crianças. Escolheu como área de actividade a ginecologia, considerada uma boa escolha, para mulheres, já que a privacidade do corpo feminino tornava mais fácil o recurso a uma médica. Daí, os homens terem defendido, na época, que as mulheres cursassem medicina, apesar de se oporem à educação e ao trabalho independente daquelas. Mas além de médica, Adelaide Cabete foi também professora, tendo leccionado higiene e puericultura. Nos princípios do século XX, publicou vários artigos, nomeadamente sobre a condição feminina, versando, muitas vezes, a ligação mãe-criança e o alcoolismo. A luta contra a prostituição foi, igualmente, um tema que lhe mereceu a maior atenção. A par da actividade profissional, Adelaide Cabete foi um membro muito activo do movimento feminista português. Republicana, era tolerante nas suas ideias mas não sacrificando nunca à ideologia a marcha da conquista da emancipação da mulher. Em 1907, Adelaide é iniciada na maçonaria, na Loja feminina Humanidade (Loja de Adopção). Depois de terem sido concedidos direitos iguais à Loja Feminina, Adelaide cria a maçonaria mista que durou apenas três anos, chegando a ser a primeira venerável desta Loja. Aliás, viria a fundar Lojas em Lisboa, Alcobaça e Portalegre. Em 1909 foi uma das fundadoras da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, ao lado de Ana de Castro Osório. A título de curiosidade e pelo seu simbolismo, anota-se que a Adelaide Cabete e a Carolina Beatriz Ângelo, outra feminista ilustre, coube a honra de costurar as bandeiras asteadas no 5 de Outubro, o que revela a confiança que os revolucionários depositavam nestas duas mulheres. Em 1914, Adelaide Cabete fundou o Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas que, desde logo, se associou a organizações internacionais. Este Conselho deveria, segundo os seus estatutos, ser apartidário, sem linha de orientação política ou religiosa, o que não foi fácil, considerando que há sempre uma marca política na luta pelos direitos das mulheres. O número de mulheres aderentes ao Conselho era muito baixo, à volta de 500, enquanto que, no estrangeiro, em organizações congéneres, as participantes contavam-se por muitos milhares. O Conselho organizou dois Congressos Feministas, em 1924 e em 1928. Adelaide Cabete deslocou-se a congressos internacionais e, na qualidade de representante do governo português, foi ao Congresso de Roma, em 1923. Ana de Castro Osório, nasceu em 1872 e cresceu num ambiente culto e aberto, numa família que não a privou do contacto com novas ideias. Estreou-se na vida literária em 1894 e casou em 1898 com um escritor, propagandista e activista republicano. Em 1911, Ana de Castro Osório acompanhou o marido para S. Paulo, no Brasil, continuando, porém, o seu trabalho como republicana e feminista. Voltou a Portugal depois da morte do marido, mas, nos anos vinte, foi convidada pelas autoridades brasileiras para realizar um ciclo de conferências. Esta mulher foi uma das mais importantes feministas portuguesas, não radical. Foi ainda escritora, editora, pedagoga, publicista, conferencista e republicana. Era vista como mulher de princípios e convicções, mas tendo uma visão gradualista da transformação social, foi alvo de duras críticas. É considerada uma das fundadoras da literatura infantil em Portugal, tendo feito uma vasta recolha da tradição popular oral do conto infantil. Não se limitando a esta área da escrita, Ana Castro Osório escreveu ficção para outros públicos. Aderiu à maçonaria em 1907, tal como Adelaide Cabete, e esteve no início da fundação da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas. Com o prestígio que possuía, Ana de Castro Osório colaborou com o Ministro da Justiça, Afonso Costa, na modificação de situações de desigualdade na condição feminina. Pretendia-se a alteração do Código Civil de 1867 que estabelecia direitos desiguais para homens e mulheres, subalternizando estas. Depois de voltar do Brasil, Ana de Castro Osório funda uma loja maçónica com o nome da primeira mulher que votou em Portugal – Carolina Beatriz Ângelo. Durante a Primeira Guerra Mundial, Ana Osório defendeu o intervencionismo, tendo sido uma das mais importantes propagandistas da participação de Portugal naquele conflito. Esteve na organização da Comissão Feminina pela Pátria e entre o Grupo Fundador da Cruzada das Mulheres Portuguesas, em 1916 que deveria ser visto como uma instituição patriótica e humanitária e não como uma organização de assistência. Fez ainda parte do grupo restrito das mulheres que tiveram cargos no funcionalismo público, ocupando o lugar de inspectora do trabalho e de vogal do Conselho Central da Federação dos Amigos das Crianças, tutelado pelo Ministro da Justiça e Cultos. Carolina Beatriz Ângelo nasceu em 1877, frequentou o Liceu na Guarda e veio para Lisboa cursar medicina cujos estudos terminou em 1902. Pioneira na prática das intervenções cirúrgicas, foi a primeira médica que operou no hospital de São José, acabando por se dedicar à ginecologia, como Adelaide Cabete. Pertenceu a vários grupos femininos e feministas. Foi maçon e chegou a aceder ao grau de venerável. Defendeu o sufrágio feminino e em face das divergências existentes no seio da Liga Portuguesa, afastou-se desta organização e assumiu a direcção da Associação de Propaganda Feminista que não teve, porém, grande sucesso entre as mulheres. Esta mulher ficou na história, não só como ilustre feminista e republicana, mas por ter sido a primeira mulher a votar nas primeiras eleições da República, em 28 de Maio de 1911. Ela reunia as condições legais: era cidadã portuguesa com mais de 21 anos, sabia ler e escrever e era chefe de família. Mas a República recém-formada não permitia que as mulheres votassem. Precisaram de esperar sessenta anos para verem instituído o sufrágio sem restrições, já depois do 25 de Abril de 1974. A revista “Alma Feminina” explica como Beatriz Ângelo conseguiu votar. Ao tentar inscrever-se no recenseamento, o funcionário administrativo indeferiu-lhe o requerimento. Tendo reclamado, o Ministério tutelado pelo republicano António José de Almeida negou-lhe o pedido. Recorreu para os tribunais e ganhou a causa. O Juiz concedeu-lhe o direito de se recensear e votar. Estava em causa a interpretação da expressão da Lei – “cidadãos portugueses” que, no entender dos homens republicanos, não abrangia as mulheres. Em 1913, o governo, para evitar dúvidas, alterou a Lei Eleitoral e especificou que o eleitor tinha que pertencer ao sexo masculino. As mulheres tinham servido para levantar a República mas já não eram necessárias nos trabalhos de ressurgimento nacional. Beatriz morreu em Outubro de 1911, com trinta e quatro anos. Maria Veleda nasceu em 1871, em Faro. Republicana, livre-pensadora e professora, Veleda pertenceu à Associação do Registo Civil e a outras organizações femininas. Antes da implantação da República, ansiava pela revolução, pela liberdade, pelo bem, pela justiça e pela redenção. Foi considerada uma das mais importantes representantes do feminismo proletário, mas demasiado vermelha, segundo a opinião de alguns republicanos (António José de Almeida). Foi uma brilhante conferencista que, devido às suas ideias sobre a emancipação da mulher e sobre a necessidade de melhorar a situação das operárias e dos mais desprotegidos, era convidada para discursar em vários locais e escutada com muito interesse. Estas são, algumas, quiçá as mais representativas mulheres que precederam e ajudaram a construir a efémera primeira República. Algumas outras poderão não ter sido referenciadas. A todas, porém, quero cobrir com a mesma homenagem e gratidão por terem desbravado o deserto de direitos cívicos e políticos em que as mulheres viveram confinadas e construindo um pequeno oásis de liberdade e de valorização dos seus direitos. Oásis de curta duração é certo. Mas ele lá ficou encoberto por poeira para o podermos descobrir, como viemos a fazer

quinta-feira, 5 de maio de 2016

2015 PARCERIAS E COLABORAÇÕES DA AEMM - EM PORTUGAL - CONFERÊNCIA "SENIORES ATIVOS - viveria o País sem os seus Séniores?", organização da Misericórdia do Porto, Porto, Biblioteca Almeida Garrett, 24 de janeiro Maria Manuela Aguiar participou numa das mesas redondas, advogando a urgência de promover uma política para os seniores ativos, que tem sido, no nosso país descurada por todos os governos - e. muito em especial, por governo "geracionais", que marginalizam os mais velhos e os vêem como um peso morto na sociedade e na política. É, segundo Manuela Aguiar, ostensivamente, o caso do atual, (coligação PSD/CDS), mas a tendência já se vinha a acentuar-se durante os dois anteriores governos (PS). - COMEMORAÇÃO do Dia Internacional da Mulher - 7 de março no CENTRO Multimeios em Espinho Iniciativa da AEMM em colaboração com a Escola Secundária Dr. Manuel Gomes de Almeida em Espinho. A professora e organizadora desta iniciativa, Dra Isabel Nobre destacou o que de comum liga as três mulheres participantes e membros da AMM, Manuela Aguiar, Graça Guedes e Arcelina Santiago: a defesa dos direitos humanos, a luta pela igualdade das mulheres, em particular, das Mulheres da diáspora. Foi dada ênfase à figura matriarcal do livro “ Califórnia, Madrasta dos Meus Filhos”, Maria Inácia Meneses Vaz. Seguiu-se o debate em torno da liberdade e da democracia que aconteceu com a chegada de abril e as conquistas obtidas e as mudanças no panorama das oportunidades para as mulheres. Na longa caminhada pela igualdade foi relembrada a figura notável de Maria Archer, mulher vanguardista para o seu tempo, denunciadora e crítica da situação da mulher. Esta sua posição em período da ditadura, remeteu-a ao exílio. Na dramatização feita por duas alunas, o papel de Maria Archer coube a Mariana Patela e o da jornalista a Inês Pais - 8 de março - PROGAMA da RDP comemorativo do DIA INTERNACIONAL DA MULHER Manuela Aguiar participou no programa, falando da situação atual das potuguesas no país e em diversas comunidades do estrangeiro. - 9 de Março - PROGRAMA da RDP-Internacional sobre emigração Manuela Aguiar, Emmanuelle Afonso, e outros portugueses ligados à emigração, foram entrevistados sobre os novos problemas e desafios que se põem nas comunidades do estrangeiro - AS TERTÚLIAS DA COOPERATIVA NASCENTE.“Portugal Cais do mundo?” 1 de abril Esta instituião cultural de Espinho adotou um modelo incomum num ciclo de tertúlias que ocorreu durante os primeiros meses de 2015: aos participantes era pedido que começassem por se pronunciar sobre o tema em debate e, só depois, o convidado comentava as suas asserssões. Tão bem resultou a fórmula, que a AEMM irá, futuramente, utiliza-la em alguns dos debates que promoverá. O último tema tratado em Espinho foi o de Portugal com país de irradiação de movimentos migratórios, mas também de acolhimennto e de trânsito, de pessoas, de bens, de capitais. de inovação. De globalização das relações de toda a ordem... A DrªMaria Manuela Aguiar foi a convidada, Mestre Teixeira Lopes, o moderador. Presente, com várias intervenções sobre os movimentos recentes de migrações, a luso francesa Drª Emmanuelle Afonso, presidente do Observatório dos Luso-descendentes. . III BIENAL Internacional Mulheres d'Artes, 25 de abril no FACE em Espinho Na III Bienal, comissariada pela Vereadora Leonor Fonseca, participaram algumas das Artistas Plásticas que têm colaborado com a AEMM - algumas emigantes e imigrantes, como Ana del Rio, Ludmilla, Alvarenga Marques, Ana Maia, Ariadne Papucciu, Inês Abrantes, Ny Machado, Paula Robles, Setas Ferro, Yessica de Sousa. VII CONGRESSO "A vez e a voz da Mulher", Faculdade de Economia do Porto. Mais um dos grandes congressos, que têm sido organizados nos quatro cantos do mundo (da América do Norte ao Brasil, da Europa à Asia), e, que, em 2015, decorreu no Porto, com organização liderada pela Profª Maria da Conceição Ramos. Foram oradoras as Professoras Manuela Marujo e Rosa Simas (que estiveram na origem deste movimento internacional de mulheres portuguesas), a ProfªMaria Beatriz Rocha-Trindade e a Drª Maria Manuela Aguiar. Presente esteve, igualmente, a Dr-ªRita Gomes, Durante o Congresso foi lançado o livro da Profª Rosa Simas, apresentado pela Prof Maria Beatriz Rocha Trindade e a Drª Manuela Aguiar. FORUM MUNICIPAL da INTERCULTURALIDADE, 31de Maio de 2015 em Lisboa. e 8ª FESTA DA DIVERSIDADE. A Associação Mulher Migrante foi um dos parceiros em ambos os eventos, com Rita Gomes, Ana Paula Almeida, Paulo Bento e Susana Gonçalves de Carvalho, que mantiveram um vivo diálogo com muitos dos participantes sobre as atividades da Associação e sobre diversas questões de emigração. Elsa Noronha encantou com a declamação dos seus poemas. VISITA DE SEILA COSTA, Presidente da Associação Malaca Visita de Sheila da Costa ao Porto Graça Guedes Em Julho, Sheila de Costa, Presidente da Selangor & Federal Territory Eurasian Association (Malásia) esteve de férias em Portugal e no Porto, tendo transmitido à Joan Marbeck, nossa associada da Malásia, o interesse em conhecer a nossa associação. Tive o privilégio de estabelecer este contato solicitado pela Joan, que tão bem me recebeu em Malaca em 1985, quando fui enviada pela Secretária de Estado da Emigração, Drª Manuela Aguiar, para ensinar danças tradicionais portuguesas aos descendentes de portugueses que atuavam no Portuguese Seatlement para conseguirem um aumento dos seus pobres salários. Todos eles eram pescadores e este grupo, que era liderado pelo Padre Pintado e pela Joan, proporcionaram-me um experiência pedagógica excecional, que marcou a minha vida académica e que nunca esquecerei. Foram 10 dias de trabalho, com início ao final da tarde, depois de regressarem do mar e não queriam parar. Queriam dançar melhor, conhecer mais danças… e, apesar do cansaço, só acabávamos já perto da meia noite! Eu terminava emocionada e com os olhos molhados… ao ver o amor destas gentes tão simples por este património português que querem divulgar, com o maior empenho e dedicação. E afinal, esta Associação que é presidida pela Sheila, continua a obra do Padre Pintado e da Joan, agora em Kuala Lumpur, integrando as Danças Tradicionais Portuguesas nas suas múltiplas atividades (www.saftea.blogspot.com) e que divulgam no Saftea news… Deixo a mensagem que me enviou: " I have Portuguese heritage and I am a Malaysian a,descendant of the Portuguese when they conquered Melaka in 1511. I am also the president of the Eurasian Association of the province of Selangor and Federal Territory in Malaysia. The word "Eurasian" means that we are peoples of a mixed European and Asian heritage. I visited Portugal for the first time in 2015 and had the pleasure of Madame Graca taking me round to see the sights of Porto. Our association is very interested in learning the elements of Portuguese dance so that we can have a fusion of both the Portuguese and Malay dance to reflect who we are."Greetings to all. Sheila HOMENAGEM a D. MANUEL MARTINS, Gaia, 14 de Novembro Na homenagem a uma figura de grande prestígio moral - que por diversas vezes foi conferencista em colóquios e congressos da AEMM - marcaram presença a Drª Rita Gomes, a Drª Manuela Aguiar e a Profª Doutora Isabelle Oliveira. A homenagem foi promovida pela Drª La Salet Miranda e por Mestre Adelino Ângelo e contou com a participação de personalidades que, igualmente, têm dado uma grande colaboração à AEMM - a Drª Maria de Belém (antiga Ministra da Igualdade), o Maestro António Victorino de Almeida e o Prof Miguel Leite ATIVIDADES DA MM NO ESTRANGEIRO MÉRICA DO SUL - Argentina e Venezuela As eleições para o CCP As dirigentes da MM Maria Violante Martins, Milú de Almeida e Fátima Pontes foram eleitas, em setembro, Conselheiras do CCP. Maria Violante ao vencer as eleições, tornou-se a única representante da Argentina no CCP. Milú de Almeida e Fátima Pontes, triunfaram, igualmente nas eleições, com 61 por cento dos votos nas duas áreas consulares da Venezuela. É um sinal dos tempos, decorrência natural de um associativismo, onde as mulheres, em organizações próprias, passaram para a linha da frente e conquistaram o prestígio e o reconhecimento que lhes permite encabeçar listas paritárias. Destacando o mérito próprio das conselheiras que são dirigentes da AEMM ( mas que não foram votadas nesta veste!), temos sobejas razões de regozijo pelo êxito por elas alcançado, nesta caminhada democrática, pela certeza do bom trabalho que vão desenvolver, e, também, por vermos, assim, tão brilhantemente ganha a aposta que, desde há mais de duas décadas, temos feito num associativismo feminino de dominante cívica, norteado para a participação igualitária na vida das comunidades - e, por reflexo, no CCP. As conselheiras são um exemplo de determinação e de coragem no feminino, que é da maior importância,se reconhecermos que os exemplos concretos são o mais esplêndido e eficaz instrumento de luta pela mudança. - Associação da Mulher Migrante Portuguesa da Argentina Projeto ASAS em Villa Elisa e Buenos Aires As Academias Seniores, a primeira criada em Villa Elisa, a segunda, no ano passado, na capital do País, continuam a atrair cada vez mais participantes, tanto portuguesas, como argentinas, sob o impulso de Maria Violante Martins, atual Presidente da Associação Mulher Migrante. - "Mulher Migrante " Venezuela 2015 foi, verdadeiramente, o ano da expansão da MM em toda a Venezuela. - através da criação das delegações, empossadas em cerimónias públicas de grande impacto e, igualmente, através do funcionamento de tertúlias dinamizadoras da atividade cívica das mulheres luso-venezuelanas, assim como da defesa de causas humanitárias. A 1ª tertúlia “ Chá y Café” realizou-se no dia 19 outubro, promovida pela Associação Nacional Mulher Migrante Luso-Venezulana e congregou companheiras de diferentes Estados no Salón Pinto’s, no sector La Florida, em Caracas. A Presidente da Direção, Milú de Almeida, empossou a delegação regional de Caracas e Miranda, encabeçada por Mimí Coelho. A iniciativa foi levada a cabo no quadro do Dia Internacional da luta contra o Cancro da Mama e contou com um debate sobre prevenção, que esteve a cargo da Dra. Zoraida Méndez A 2º Tertúlia “Chá y Café” no dia 19 de novembro, contou com a intervenção do periodista português Ernesto Belo Redondo “La vida nacional gira en torno de una taza”. A MM promoveu ainda dois debates no Centro Português de Caracas, sobre: "A osteoporose", com o médico especialista , Dr. Franco Carucci Lupo e sobre um “Tema libre entre compañeras: El orgullo de ser portuguesa”. Nas eleições para o CCP - as dirigentes da MM Venezuela Milú de Almeida e Fátima Pontes encabeçaram listas concorrentes às eleições, com um programa comum "Somos Portugalidade" e venceram as eleições no conjunto do país, com listas rigorosamente paritárias. Depois da eleição, ambas participaram, na Casa do FC Porto, num almoço de amizade, fraternidade e intercâmbio com todos os novos conselheiros, aceitando um convite pessoal do presidente Alvarinho Sílvio Moreira. Esteve presente o Cônsul Geral de Caracas, Luís de Albuquerque Veloso. Comissão Regional em Margarita O 1º encontro de mulheres luso- venezuelas foi marcado pelo entusiasmo de um grande número de participantes. À frente da Comissão Regional ficou a Cônsul Honorária, Doutora Glória Santos - uma personalidade que dá a certeza de uma rápida expansão da MM em toda a região. Um CV breve desta ilustre nova dirigente da MM: Nasceu na Murtosa, em 1976, é casada, tem duas filhas e é analista programadora, graduada pela universidade de Carabobo (Valência). Participa, há muitos anos, nas atividades da comunidade, no Centro Social Luso- Venezuelano de Margarita e no Grupo Folclórico "O Barquinho". Gosta da gastronomia portuguesa (cozido, bacalhau à Brás, pasteis de nata...) Pratica natação e encanta-a o futebol ( é fã do SLB) e o basebol venezuelano (adepta dos "Leones de Caracas"). Nas suas próprias palavras, nesse dia inicial de mandato: “Interessei-me pelo projeto associativo da ‘Mulher Migrante’ na Venezuela porque vi nele que é de uma instituição séria que nos abre as portas, a nós as mulheres portuguesas e luso-venezuelanas, e nos dá a oportunidade de ter um espaço de expressão como alcançar metas que pensávamos ser impossíveis de atingir. Agradeço imensamente à nossa Presidente internacional Rita Gomes, à nossa fundadora Manuela Aguiar e obviamente à nossa Presidente nacional em Venezuela Milú de Almeida pelo convite que me fizeram de liderar a comissão regional da ‘Mulher Migrante’ em Margarita. Com muita humildade aceito o desafio e tenho fé de propagar esta ideologia associativa feminina em todo o território do região venezuelana de Nueva Esparta”. Programação de 2016 A Mulher Migrante Luso Venezuelana aprovou, em reunião de 22 de dezembro, a agenda associativa para 2016, em várias cidades, incluindo, designadamente: Cantares de Janeiras e exposição de lenços dos namorados em Caracas; encontros regionais em Punto Fijo, Puerto la Cruz, Barquisimeto, Guayana , Maracay, Maturin; cursos de português em Margarita; tarde de fados em Celarg, Caracas; Cinema - Debate em Ipapedi , Carabobo e na Casa Portuguesa em Araguaia; Comemoração do Dia de Portugal, com cortejo etnográfico em Caracas ; celebração do Dia da Madeira em Carabobo; Celebração do Dia Internacional do Café em Caracas; Assembleia Geral e Congresso nacional em Caracas; Dia Internacional do Té em Caracas; Festa de Natal em Caracas. AMÉRICA do NORTE No Canadá, a Profª Doutora Manuela Marujo mantém-se à frente do "ASAS", iniciado, em Torronto, em 2012. Este ano, participou no Porto, no VII Congresso "A vez e a voz da Mulher" e organizou um grande congresso em Toronto. Nos EUA, a Prof Doutora Deolinda Adâo está a preparar uma 2ª edição, bilingue, do livro "Califórnia Madrasta dos meus Filhos". EUROPA Na Alemanha,a Maria do Céu Campos continua envolvida em atividade no voluntariado e nas instituições públicas da sua cidade, onde foi reeleita. Em França,a Prof Doutora Isabelle Oliveira, Vice reitora da Sorbonne foi, em 2015, a organizadora de uma parte muito importante do programa anual da AEMM - o Colóquio de 10 de setembro, e o Concerto / Conferência Portugalidade, com o Maestro António Victorino de Almeida E. RECENSÕES Apresentação do livro de Rosa Maria Neves Simas, coord., (2014). A VEZ E A VOZ DA MULHER. Relações e Migrações. Lisboa: Colibri, 340 p. pela Professora Drª Maria Beatriz Rocha Trindade O livro A Vez e a Voz da Mulher. Relações e Migrações, coordenado e organizado pela socióloga Rosa N. Simas, Professora da Universidade dos Açores, foi editado pelas Edições Colibri em dezembro de 2014. O seu lançamento viria a ter lugar, no âmbito do VII Congresso Internacional "A Vez e a Voz das Mulheres Migrantes em Portugal e na Diáspora: Mobilidades, Tempos e Espaços", que decorreu na Faculdade de Economia da Universidade do Porto (2015). Uma atividade académica que dá continuidade a um programa, oportunamente lançado por Manuela Marujo, Professora da Universidade de Toronto. Sem a sua persistência, capacidade de articulação institucional e qualidade de relacionamento pessoal tal não teria sido possível. O tratamento de vários aspetos subordinados ao tema "mulher" confere-lhe atualidade e as migrações, que continuam a ser objeto de interesse político e científico, mantendo-se como um dos fenómenos sociais dominantes na cena internacional, merecem uma atenção privilegiada. O tema cuja amplitude permite albergar, várias aproximações, reflete observações e interpretações diversificadas selecionadas pelo critério de uma comissão científica que integrou docentes de diversas universidades. Coube à organizadora escolher os subtemas dos seis capítulos que o constituem, de modo a que não existisse sobreposição de assuntos mas antes articulações de natureza complementar. No primeiro, "Vozes de Mulheres: Da Oralidade à Escrita", seis artigos traduzem não só a oralidade que exprime o pensamento e o sentir de quem se pronuncia como a forma escrita que os consagra. Roseli Boschilia ("Memória e Subjetividade: As Venturas e Desventuras de uma Emigrante Portuguesa") fala de deslocações intercontinentais e refere as reações e os sentimentos de uma migrante - Maria de Nazaré. As trajetórias por ela realizadas, registadas na sua memória, foram transmitidas segundo as regras da metodologia de pesquisa designada como "história oral". Sângela Hilarino analisa os "Múltiplos Olhares de uma Imigrante Negra em Portugal". O trabalho que pode ser considerado um "estudo de caso" traduz a experiência de uma cabo-verdiana residente no país, expondo os problemas decorrentes do processo de adaptação. A jornalista Nita Clímaco que hoje já muitos esqueceram ou mesmo desconhecem distinguiu-se no panorama literário português sobre a migração intraeuropeia. "Quando a Literatura Retrata a Diáspora Portuguesa em França" de Isabelle S. Marques reabilita a sua memória e permite lembrar como o romance pode constituir um poderoso auxiliar para a reconstituição da sociedade que lhe serve de pano de fundo. O percurso de "Ana Fontes: Uma Vida Suspensa de Muitas Pontes", por Maria A. C. Baptista dá conta da mobilidade que marca o percurso de uma mulher à frente do seu tempo. O pendor poético que caracteriza esta artesã mariense encontra-se patente em cadernos manuscritos que a autora procurou trazer à luz do dia. Cassilda T. Pascoal em "Quem tem Medo de Alice Moderno" equaciona a vida pouco convencional de uma notável açoriana que recusou sempre o papel secundário imposto pela sociedade da sua época. Dedicada a causas sociais deixou um importante legado reconstituído pela autora. A conjugação do mundo natural com o cultural é analisada em "Frances Dabney e Samuel Longfellow: A Natureza dos Açores numa Perspetiva Feminista e Ecocrítica", de Rosa M. N. Simas. O encadeado temático e a ilustração apresentados enfatizam o impacto da envolvência da natureza dos Açores em dois jovens artistas norte-americanos induzindo o leitor a vivenciá-la. O título "Comunicação: Da Carta à Internet" atribuído à Parte 2, com textos de Maria Izilda Matos, de Isaura Ribeiro e de Ana M. Diogo, explicita claramente o alinhamento escolhido, incidindo sobre a diversidade dos processos de comunicação. "Elos de Tinta e Papel: A Presença Feminina na Correspondência entre E/Imigrantes Portugueses" debruça-se sobre as missivas que sempre constituíram ponte transmissora de notícias e de sentimentos. Para conhecer as deslocações que ocorreram entre a sociedade de partida e a de acolhimento, relacionando passado e presente, foi utilizado um diversificado e valioso suporte escrito que integra não só as cartas de chamada como as cartas pessoais. "A Presença da Mulher na Internet", cuja introdução e evolução altera drasticamente a vida em sociedade, teve por base um estudo bibliográfico aprofundado, permitindo à autora trabalhar sobre resultados disponíveis que tiveram em conta as competências adquiridas, a regularidade do acesso, a construção de blogues e a presença nas redes sociais. "As Mães no Uso das Novas Tecnologias pelas Crianças: Protagonismo Feminino num Universo Masculino" revela a relação que ocupam os alunos no mundo digital, relacionando o contexto familiar de onde provêm e o espaço social onde se inserem com o grau de sucesso escolar atingido. Os textos incorporados na Parte 3, de temática e abordagem muito diferentes, contemplam o tema: "Tradições, Artes e Saberes". Carmen Ponte lança um olhar de grande interesse sobre "A Questão do Género nas Romarias Quaresmais de São Miguel". A figura feminina enquanto romeira, que nos é dada a conhecer através das histórias vividas e cantadas pela literatura e pela arte, relatam um riquíssimo conjunto de testemunhos escritos e orais graças à investigação realizada. Seguem-se as apresentações de Ilda Januário e Manuela Marujo sobre a comunidade portuguesa imigrada no Canadá. "Coroa e Bandeira: Mulheres e Homens nas Festas do Espírito Santo no Canadá", seleciona dois elementos fundamentais do culto próprio das Festas como objeto de estudo que não poderiam ter sido tratados de melhor forma. No quadro da religiosidade popular são assinaladas as expressões, as críticas, a discrepância e proibições resultantes de uma política tradicional que conseguiu reduzir ou quase excluir, a participação do sexo feminino nas Romarias do século XX. "Artes e Saberes Artesanais das Imigrantes Luso-Canadianas: Que Futuro?" reconhece no âmbito do quadro da arte popular a importância dos artesãos e das artesãs que conjugam memórias herdadas de uma infância, que teve lugar em espaços diferentes, com as práticas do viver atual. De entre as vertentes que pode assumir este tipo de trabalho, é dado relevo à função que ocupa como atividade profissional ou como terapia emocional. Por fim, é aberta a perspetiva de preservar a existência do trabalho artesanal através de acervos relacionados com a história da comunidade local. "Retratos de Mulheres: Da Música à Escrita" integra quatro textos relacionados com práticas artísticas femininas dando a conhecer a potencialidade oferecida pelos discursos musicais, pela imprensa local ou por revistas femininas. Em "Os Discursos (Re)Produzidos sob o Género Feminino na Música" Iran L. Nunes e Walkíria Martins, prestam uma particular atenção aos elementos relacionados com as representações sociais de letras musicais. A reflexão final traz a lume a carga transportada pelas práticas discursivas que muitas vezes sendo tratadas como "inocentes" transportam afinal opiniões e conceitos sobre formas de ser, de agir e de pensar. Posteriormente, veja-se como 137 peças do jornal Açoriano Oriental e 71 do Correio dos Açores constituíram o corpus sobre o qual recaiu a análise feita por Ana C. Gil e Dominique Faria. "Representações da Mulher na Imprensa Regional Açoriana: O Caso Açoriano Oriental e do Correio dos Açores" dá a conhecer a forma como tem sido representada nos artigos publicados, raramente assumindo um lugar central no texto noticioso. "Representações das Mulheres na Deportação" ressalta as considerações feitas à capacidade de apoio e suporte prestadas aos membros da família e as consequências de que são vítimas as mulheres se tal acontece a alguém a que se encontrem ligadas. A pertinência e atualidade do tema tornam particularmente oportuna a publicação do artigo de Ana T. Alves. Leonor S.Silva, baseia em três pressupostos o artigo "Gatas Borralheiras Emancipadas? Representações de Mulheres em Duas Revistas Femininas Portuguesas". A persistência de idênticas prioridades temáticas nessas publicações confirma-as como elemento cultural. Entre crítica e fascínio, o resultado reconhecido a este tipo de revistas é o de papel apaziguador de muitas das tensões existentes na atualidade. Todo o trabalho desenvolvido foi apoiado em obras da especialidade, que revelam a cuidada preparação que precedeu a sua elaboração. "Violência: Do Espaço Familiar à Prisão"-Parte 5 - integra quatro artigos que fazem confluir a preocupação dos autores em relação a um assunto com uma configuração muito própria. Como vítimas ("As Mulheres Enquanto Vítimas de Violência: O Caso de São Miguel no Século XIX"); confrontando o amor e o crime ("Espaços de Amor e Crime: Violência Doméstica em Lídia Jorge e Inês Pedrosa"); antevendo a mudança no devir ("Perspetiva sobre o Futuro em Mulheres com Experiência de Violência Conjugal") e o meio familiar em situações particulares de isolamento ("Reclusão Feminina e Processos de Reconfiguração Familiar") revelam uma preocupação marcante pelos ambientes e formas abusivas de relacionamentos. Susana Serpa situa-se na sociedade micaelense do séc. XVIII e os dados apurados estendem-se até ao início do séc. XX. Sem deixar de fazer uma síntese da matéria exposta, reflete sobre o silêncio que em regra recai sobre o mundo do crime e da violência. Deolinda Adão lança um olhar sobre a violência doméstica a partir das perspetivas de duas grandes escritoras portuguesas. Conclui mostrando como o problema da violência doméstica é ainda grave no país, justificando o que sobre ele tem sido escrito e o interesse que pelo seu tratamento têm mostrado muitos investigadores na área das Ciências Sociais. Suzana Caldeira e Graciete Freitas colocam questões em torno da rutura de relações abusivas e remetem o leitor para a rica bibliografia citada, dando a conhecer como o tema tem sido amplamente tratado. Uma breve nota metodológica conduz às vias e aos instrumentos de pesquisa que foram escolhidos, o que constitui uma mais-valia para a interpretação dos resultados apresentados. Rafaela Granja, Manuela Cunha e Helena Machado meteram mãos ao tratamento da "Reclusão Feminina e aos Processos de Reconfiguração Familiar", abordando os impactos sócio familiares resultantes da privação de liberdade. As implicações advindas da situação de reclusão constituem a síntese de um artigo muito rico e inovador no quadro português de análise social. A Parte 6, "Migração, Trabalho e Qualificação", coloca novamente em destaque o contexto migratório. Natália Ramos, escreve sobre "Género, Identidade e Maternidade em Famílias na Diáspora"). É lembrada, mais uma vez, como a fuga à pobreza e a falta de oportunidades, associam situações de violência e de opressão existentes tanto ao nível comunitário como no interior das próprias famílias. Em destaque, o tratamento das políticas e estratégias migratórias no que toca à integração, ao desenvolvimento e ao bem-estar. A formação pioneira que detém na área do intercultural encontra-se claramente refletida na exposição temática apresentada. A introdução de Conceição P. Ramos no artigo "Migrações Qualificadas Femininas: Desafios e Oportunidades" transporta-nos a considerações de caráter geral que colocam as migrações no seio do crescente movimento de globalização dando lugar a importantes mudanças de natureza qualitativa. Como última proposta a autora aponta sugestões que podem ser desenvolvidas no âmbito de um melhor aproveitamento da mobilidade, tendo em conta o incremento científico cultural e económico e o aumento dos fluxos migratórios internacionais qualificados. "A Arte de Ser Maria: Histórias de Trabalho, Histórias de Vida", de Lená M. Menezes, lança um rápido olhar que contempla a evolução das migrações naquele país e centra a sua atenção sobre o Estado do Rio de Janeiro. A composição dos fluxos, desequilibrada em termos de género e também menos conhecida ao nível dos estudos ou comentários feitos sobre as mulheres, dá-lhe ensejo de procurar reunir um conjunto de reflexões cujo interesse é indubitável. Toda a informação colhida em trabalho de campo permite seguir os percursos pessoais e profissionais dos entrevistados que, embora representando uma escolha intencional, ilustram de forma muito rica as suas histórias de vida. As duas autoras do texto "As Mulheres que Trabalham com Fios: Conhecimento Forjado desde as Margens", encerram o livro com chave de ouro. Amanda Castro e Edla Eggert apresentaram os resultados da pesquisa realizada sobre a tecelagem manual no Estado de Minas Gerais. A atividade artesanal referida encontra-se mapeada e presente em cerca de um quarto dos seus municípios, mostrando a importância que aí assume tal atividade. Trazer para o campo de estudos femininos a produção de tecelagem cria um espaço de debate que permite equacionar várias perspetivas e avaliar o grau de valorização que sobre ela recai. Ao ter assistido presencialmente ao Colóquio que criou o espaço formal para a apresentação das comunicações aqui referidas e após ter lido o livro que consagra o seu conteúdo e o faz permanecer na memória, necessário se torna felicitar a organizadora. Embora a sua generosidade e companheirismo a tivessem feito referir o nome de quem lhe prestou colaboração, a ela é devido o trabalho essencial que tornou possível a edição do livro agora analisado. Não constitui um trabalho fácil selecionar e reunir textos de trinta autoras de formação académica diferente, que tratam assuntos de natureza diversa, procurando agrupar cada uma das contribuições sob a cobertura de um só tema cuja abrangência seja capaz de as intitular. A escolha do nome de cada uma das Partes, que quase constituindo uma introdução, fazem antever o conteúdo de cada um dos textos publicados, proporcionando uma justa cobertura temática que sem criar fronteiras rígidas e tendencialmente limitadoras consegue criar espaços capazes de albergar contribuições diversas. As autoras conseguiram fazer chegar até nós histórias de mulheres que sem constituir representações estereotipadas podem ser consideradas como casos-tipo, ajudando a compreender a diversidade e extensão de uma tão vasta problemática. Todo este material constitui um valioso acervo documental que muito contribui para o avanço do conhecimento no campo dos estudos sobre a mulher. - "BOSTON FESTIVAL" – Um tributo aos Portugueses na América" de Manuela Bairos, 2015, Edição de Autor. Guide Arts Gráficas Por Maria Manuela Aguiar Como nos promete o título, esta monografia do "Boston Festival" fala-nos da ideia original, que floresceu num projeto concreto, os seus primeiros anos, as várias direções em que irradiou num impressionante número de realizações sociais, culturais, científicas, o modo como se integou em círculos e espaços de alto prestígio e se expandiu em parcerias institucionais singulares ou duradouras. Contudo, como o subtítulo (“um tributo aos portugueses da América”) deixa antever, é, também, uma história do passado e do presente dos emigrantes portugueses e das suas organizações, nos EUA, na Nova Inglaterra, e, em especial, na área do consulado de Boston. Fala-nos de uma cidade que é um verdadeiro símbolo do espírito que fez a América, pela liberdade, pela cultura e pela ciência e tecnologia, De um consulado antigo com cerca de 200 anos de vida (e, então, em risco de ser extinto, numa reestruturação em curso se não encontrasse, através de uma mais valia para o país, um meio de sobrevivência). De instituições centenárias de uma comunidade antiga e bem integrada - clubes, escolas, sociedades fraternais, paróquias, ritos e tradições identitários. De muitas personalidades que habitaram ou habitam este mundo lusófono e lusófilo e cujos nomes se distinguem, nos planos profissional, académico e até também político… É todo um Portugal da Diáspora que emerge nas quase 400 páginas deste riquíssimo acervo iconográfico e narrativo. Uma obra de leitura obrigatória por muitas razões e, antes de mais, porque espelha a transformação nas formas de estar e conviver de uma comunidade inteira. ao mesmo tempo que relata a aventura de construir, através do Festival, as vias de penetração no "inner circle" da sociedade bostoniana, assim como de construir pontes entre os EUA e um Portugal, redescoberto na sua modernidade, ali e então. Tudo começa no diálogo que se estabeleceu entre a Cônsul-Geral Manuela Bairos e os portugueses de Boston e prosseguiu em novos relacionamentos entre as pessoas, as entidades locais e delas com o seu país (com o país distante e com o mais próximo, que é sempre o consulado),e , igualmente, com a cidade de Boston, numa assunção de pertença, numa vontade de dar visibilidade à herança antiga e às capacidades atuais. Capacidades, recursos humanos, que, quando assim solicitados, deram vida a um espantoso espaço de cooperação luso americana nos domínios da cultura, do intercâmbio comercial e, sobretudo, da ciência e tecnologia. Manuela Bairos encontrou em Boston um consulado a funcionar bem, do ponto de vista do atendimento público, mas, nas suas próprias palavras: “Em contrapartida, notava-se uma quase ausência de presença portuguesa e um escasso reconhecimento do contributo e influência da nossa comunidade na cidade capital do Estado de Massachussets”.Foi esta a situação que se reverteu durante uma missão de cinco anos (2004-2009), com a fórmula encontrada no polifacetado Boston Portuguese Festival. Vale a pena olha-lo como um "caso de estudo" - e um exemplo da "diplomacia global", que não negligencia nenhum dos campos que se lhe oferece em concreto para atuar, nenhum dos aspetos que o conceito abrange por natureza (falar de diplomacia económica é, por isso, absolutamente redundante, como a Autora nos recorda - quando não redutor, se leva a descurar os outros ângulos...). Sabido que a situação com que a Drª Manuela Bairos se via confrontade não é inédita nem incomum em muitas outras partes do mundo da emigração portuguesa, compreende-se a importância do verdadeiro paradigma em que o Boston Portuguese Festival se converteu. Nesta obra, encontramos um manancial de dados concretos, pormenorizados - diligências bem ou mal sucedidas, reações, alianças, contributos da própria comunidade, com o fio condutor de uma avaliação objetiva e exigente. Numa linguagem clara e direta, é-nos contada, a aventura fascinante do Festival, ano a ano, os projetos que não chegaram a ato e os queo integraram, através da ação conjunta, de companheirismo, através de muitas peripécias. .Não se trata, obviamente, de um espetáculo singular, num determinado setor, mas de uma programação anual abrangente, flexível, espaço de encontro da ambição de fazer coisas grandes com os meios ao dispôr, reinventando-os, apelando a novos intervenientes. Foi preciso chamar as pessoas e as entidades ao trabalho comum, mobiliza-las, valorizando o que são capazes de fazer, por si e em conjunto. O Festival é uma aliança entre as estruturas da comunidade, que aceitem colaborar e concorrer, com a sua parte, para uma programação global de qualidade. É uma entidade nova e aberta a todos, uma organização que soma organizações e promove parcerias, que levam a mais e mais parcerias e solidariedades, antes inimagináveis – dentro da comunidade luso americana, entre o Estado e a sociedade civil, entre grandes instituições americanas e portuguesas. Portugal (com o seu mundo) redescoberto no Boston Portuguese Festival: o cinema de Oliveira, o Portuguese Speaking World Festival (com Portugal, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau), a música, Rão Kyao, Sarah Borges, heróis como Aristides de Sousa Mendes, reis do desporto como Eusébio, as conferências científicas de Mariano Gago e Maria de Sousa, a UE e o Tratado de Lisboa, a regata dos botes baleeiros (que é imagem de capa), o cavalo lusitano, o vinho Madeira, o computador magalhães, a causa de Timor, a língua e a literatura portuguesa em Harvard.. E tantas outras iniciativa,s que surpreenderam audiências nos melhores espaços de Boston, onde, praticamente, este Portugal nunca tinha entrado ... Foi essencial, na fase de arranque de um "festival" desta natureza, o papel aglutinador e mobilizador do consulado, mas, esperando `partida, que a organização se erguesse e caminhasse por si, constituíndo “o traço de união entre desafios, sonhos e pessoas, que se reuniram com orgulho, convicção e , por vezes, sacrifícios em defesa das causa portuguesas” Uma grande reunião em volta das "causas portuguesas, da parte da comunidade tradicional, e da parte da nova vaga da emigração portuguesa, de jovens luso.descendentes, estudantes, académicos, cientistas, políticos, artistas - eis o autêntico paradigma do Boston Festival. No "prefácio a quatro mãos" José Mariano Gago e Onésimo Teotónio de Almeida terminam dizendo, o que todos os leitores do livro gostariam de ter escrito : ""Uma só pessoa pode fazer a diferença. Manuela Bairos conseguiu alcondorar-se a um patamar que lhe permitiu realizar uma obra de largo alcance e que deixará frutos "à la longue". Pudera que algum cientista do MIT conseguisse cloná-la no MNE". – “PARA ALÉM DOS CLICHÉS" de Luísa Coelho (Leitora do Instituto Camões –Instituto da Cooperação e da Língua, Berlim) (apresentação de um projeto) Berlim, outubro de 2015 Desde o começo da crise económica e da aplicação de medidas de austeridade que as imagens de Portugal e da Alemanha, nos respetivos espaços, sofreram modificações devido às novas dinâmicas económicas e sociais e às hierarquias de poder e dominação dentro do espaço europeu. Este projeto ensaístico multidisciplinar da área político-social que organizei e apresentei, em colaboração com especialistas selecionados dos dois países, é composto pela edição de duas obras intituladas Contos por contar–Alemanha e Portugal (ed. Orfeu, Bruxelas, 2014) e Pontes por construir – Portugal e Alemanha (ed. Bairro dos Livros, Porto, 2015) e exprime uma vontade de abrir um discurso novo sobre os dois países. O objetivo é libertar as suas imagens, através de reflexões teóricas e narrativas de experiências, dos preconceitos negativos que penetram os discursos que os descrevem, sobretudo em Portugal. A oposição entre o discurso que nasce no interior e se confronta com o que cresce do exterior atravessa as obras e constitui um dos seus motivos dominantes. Os episódios históricos, políticos, sociais ou culturais contados ou discutidos acabam por tornar visíveis os perconceitos e os clichés que circulam sobre estes dois países para melhor os denunciar. A variação de pontos de vista adotados nestas obras, assim como a sua estruturação por temas diversos constitui um dos seus pontos fortes. Abrindo o leque temático (História, Geografia, Política, Educação, Investigação, Identidade, Cultura, Realidade e Ficção), abrange um maior número de leitores. Com efeito, apreendido sob ângulos diferentes em função da pessoa que se exprime, nativa ou estrangeira, cada país acaba por melhor poder ser apercebido na sua globalidade. Estas duas obras são acerca de Portugal e da Alemanha mas pretendem ser, principalmente, sobre os discursos que existem sobre estes países. Gostaria que levassem os leitores a refletir sobre a forma que tomaram estes países no espaço discursivo sociopolítico português e alemão. Espaço esse, imaginário, onde a falta de conhecimento das realidades vividas pelo outro traz consigo um deficit de representações que arrastam e alimentam os mal-entendidos. De facto, nesta situação, é a língua que – através dos media que com a sua função política, penetram o imaginário e permitem a hegemonia ou a submissão político-cultural – se torna o veículo das mentalidades da época. Este projeto que desagua num trabalho analítico quer provocar uma rutura no preconstruído inerente à circulação ideológica e abrir caminho ao conhecimento mútuo. –“YOLANDA”, de Ester de Sousa e Sá, pela Dra. Isabel Cristina Aluai de Araújo. Aceitei fazer a apresentação do romance YOLANDA, de Ester de Sousa e Sá, pela admiração que tenho pela autora que sei ser uma amante das artes e literaturas, cujo percurso artístico tenho acompanhado ao longo dos anos. Ester é uma mulher que causa impacto em quem a conhece não só porque é belíssima mas também pela sua determinação, resiliência e forma apaixonada como fala das coisas em que acredita, de que gosta e dos projectos em que se envolve. A palavra impossível raramente consta do seu vocabulário, pois para ela, tudo é possível quando nos dedicamos com alma e coração. Ester tem uma vivência de África de 44 anos, tendo feito os seus estudos na antiga Rodésia. Depois do casamento viveu em Moçambique, Lourenço Marques até à descolonização, altura em que emigrou com a família para a África do Sul. Desde que regressou a Portugal em 1996, dedica-se inteiramente às artes e literatura, tendo feito várias exposições a nível Nacional e Internacional, no campo da pintura. Para além dos livros que já publicou, tem ainda escrito vários contos, crónicas e poemas para algumas revistas culturais. Aliás, para a autora, a poesia é a voz da alma. Na realidade este livro, YOLANDA, é já o seu quarto livro publicado, sendo o 2º romance escrito em Inglês. YOLANDA, cuja ilustração da capa é uma aguarela da autora, é um relato simples e ao mesmo tempo, intenso, mas optimista. Esta obra leva o leitor a questionar e a potenciar os seus próprios sentimentos enquanto acompanha o percurso de uma mulher inglesa, muito doce e sofrida, que perdeu o marido, mas que resolve dar um novo sentido à sua vida e procura Portugal para se reencontrar e se reabilitar física e emocionalmente. Esta obra leva-nos, em simultâneo, a fazer uma viagem pela Costa Vicentina, dando-nos informação do ponto de vista cultural e patrimonial, com descrições arrebatadoras de paisagens e recantos do nosso Algarve. Eu diria que é um perfeito cartão de visita que leva Yolanda a ficar completamente seduzida pelos encantos de Portugal. A forma como o livro está escrito, apela à reflexão e leva-nos a encarar o Amor e o Positivismo como os motores indispensáveis à superação das dificuldades com que nos deparamos e as alavancas que nos permitem erguer em momentos de sofrimento e de dor. Em conclusão, trata-se de um livro escrito de uma forma inteligente, que quase nos obriga a não parar de ler, pois nos tornamos verdadeiros fans da personagem principal e torcemos pela sua felicidade, como se nós próprios estivéssemos a viver todos os momentos e a experienciar a ânsia de que tudo culmine num final perfeito. YOLANDA, é uma lufada de ar fresco num mundo carregado de negativismo. Afinal quem não gosta de Happy Endings? . Léa Ferreira, romance "ESTRANGEIRA A MIM MESMA". O romance trata da história de Sophie Pereira, Nascida em França de pais portugueses emigrados nos anos 70, e que é uma jovem em busca de si mesma. Ao longo do romance, acompanhamos o seu dia-a-dia, o seu novo início em que vai ser confrontada com o seu passado e a sua dificuldade em lidar com as suas origens. É com uma pitada de humorismo que vamos assistindo às suas interrogações e ao desenvolvimento das suas relações. A sua história entrelaça-se com lembranças de familiares que emigraram nos anos 70 e explicita o que vivem os luso-descendentes dessa geração, como também trata da dura realidade dos jovens portugueses que, também hoje, são constrangidos a emigrar por causa da crise económica destes últimos anos. - MARIA ARCHER O LEGADO DE UMA ESCRITORA VIAJANTE, de Elizabeth Batistta, 2015, Lisboa, Fundação Prof Fernando de Pádua Por Rita Gomes A prof Doutora Elizabeth Batistta, uma das maiores especialistas sobre Maria Archer, cuja escrita foi tema da sua tese de doutoramento na Universidade de São Paulo, Brasil, vem agora neste livro publicar uma recolha do espólio de Maria Archer, com muita documentação inédita, à qual, cuidadosa e competentemente, dá tratamento científico, abrindo, assim, caminho a futuras pesquisas. Mas a obra, para além dessa vertente académica, permite-nos conhecer melhor a escritora, sensibiliza-nos para muitos episódios da sua vida, para muitas dificuldades e obstáculos, até para doenças que teve de enfrentar nos seu últimos anos no Brasil e em Portugal, e dá-nos conta do seu ativismo como feminista, para além da escrita, também como representante da Uniâo das Mulheres Democratas, filiada no Movimento das Mulheres Democratas Portuguesas, da qual foi eleita presidente. Um livro essencial para conhecer o percurso literário e existencial de Maria Archer. - MARIA ANTÓNIA JARDIM COM SIR FERNANDO PESSOA, EM PARIS! De facto, não é todos os dias que se viaja com Fernando Pessoa e até à cidade da Luz! A Maria Antónia Jardim andou com Sir Fernando Pessoa debaixo do braço. Trata-se do meu romance, cuja 2ª edição esgotou agora, no passado mês de Outubro, aquando da apresentação do livro no consulado de Portugal em Paris. Sir Fernando Pessoa já viajou comigo para o Brasil, para a Universidade de Santa Cruz, no rio Grande do Sul; para Porto Alegre, para a Feira do livro dessa linda cidade e já viajou comigo também até Bruxelas, onde foi muito bem acolhido na embaixada de Portugal, pelos alunos do Instituto Camões. Para além da Maria Antónia escritora, A. Sinai, a pintora, também ela se passeou por Paris com F. Pessoa, o Mago. Um quadro que ilustra o primeiro Arcano do tarot de Marselha com um Pessoa androgeno, criativo, inovador, celebrando a “ Manicure” de Mário Sá Carneiro e infinito na mestria de criar possibilidades outras… A meta de chegada foi o Carroucel du Louvre. Aí, F. Pessoa, o Mago, recebeu aplausos de jornalistas, críticos de arte, amigos e colegas artistas que por ali passaram… Durante a viagem foi curioso notar a curiosidade dos funcionários do controlo alfandegário do aeroporto; queriam saber tudo acerca da pintora e do quadro, até os meus dados pessoais; o mesmo acontecendo num restaurante em St. Michel. No regresso, que vejo eu nas prateleiras do aeroporto de Orly? Revistas sobre Paris e com este Inquérito na capa: “ Les femmes au pouvoir, enfim?” Talvez! "O OVO DO SAGRADO FEMININO!, de Maria Antónia Jardim, 2015, Porto, Lápis Lazuli apresentação de Maria Manuela Aguiar Ao ler o livro de Maria Antónia Jardim, ( com um belíssio prefácio deIsabel Ponce de Leão, " Passaporte para a eternidade"), pensei, insolitamente, em Elizabeth Cady Stanton e no notável grupo de feministas, que, com ela ,ousaram redescobrir a Bíblia, libertando-a da sua questionável misoginia. Mulher e homem criados, simultâneamente, à imagem de Deus... A Woman´s Bible....O ovo do sagrado feminino é a história de Rubi, ( história), contada por um homem, cujo nome não nos é dado a conhecer, É uma fantástica aventura de descoberta das origens da vida, do amor, de um relacionamento de iguais na diferença, , mulher e homem, através de muitos "encontros desencontrados". No princípio era Rubi, o mar, o Algarve, um dia de calor tórrido em Dezembro... Em oito vertiginosos capítulos uma mulher e um homem partem à descoberta mútua. É. preciso transformar a realidade em sonho, em vez de tornar o sonho a realidade. É Natal, para celebrar a vida. "É Natal, acabei de nascer", diz o homem... Na sua paixão por Rubi sente-se renascido. Nascimento, descoberta... No enredo, presenças breves, significativas, de Pessoa, Fabergé, também de Florbela Espanca para conduzir, espiritualmente a caminhada dos amantes... "Talvez tivessemos de nos perder para nos encontrarmos". Paris, Pessoa, Fabergé: Fabergé oferece a Pessoa o ovo "à la pendulette à serpent" - o relógio marca a hora 23. Assim, o encontro dos apaixonados será no Hotel de la Lys, 23, rue de la Serpent, Paris. O caminho faz-se caminhando dentro do ovo, entre a clara e a gema, até chegar à essência: o amor A demanda chega ao seu termo, no quarto do pequeno "hotel de charme", naquela rua antiga, na hora certa. Enfim. o "encontro encontrado". Uma forma única, onírica, arrebatadora de contar uma história de amor.

terça-feira, 3 de maio de 2016

Colóquios Eurocidades Notas biográficas dos oradores

“COLÓQUIO EUROCIDADES Monção e Salvaterra del Miño - Expressões de cidadania no feminino na região luso galaica ” 9 de abril 2016 NOTAS BIOGRÁFICAS DOS ORADORES Nassalete Miranda - Moderadora do I Painel: Interação entre géneros - na literatura, na história e na arte Natural do Douro e com raízes paternas em Monção. Licenciada em Filologias Germânica e Românica pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Pós Graduada em Direito da Comunicação pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. Cursos dos Institutos de Francês, British Institut e Goethe Institut do Porto. Curso de jornalismo Rádio RDP. Foi professora do ensino secundário (1980/1998) e superior até 2013 e formadora e co-fundadora do Centro de Jornalistas do Porto. Responsável pela informação na RDP/Porto /19851999 e Diretora do Jornal O Primeiro de Janeiro 2000/ 2008. Fundadora do Jornal quinzenal cultural As Artes entre As Letras em Maio 2009 e diretora deste jornal desde então. É atualmente Presidente da Mesa da Assembleia Geral do Instituto Cultural D. António Ferreira Gomes (eleita em 15 de Março/2016) e também Presidente da Mesa da Assembleia Geral da Associação Poetria (2013). É Membro do Conselho Cultural do TEP; Confrade de honra das Confrarias das Tripas e Queirosiana; Comissária de várias exposições de pintura e de escultura e co-fundadora da 1ª Bienal Mulheres de Artes em Espinho em 2011. Recebeu a Medalha de Mérito Cultural, Grau Ouro, da Câmara Municipal do Porto. Autora de prefácios espalhados por dezenas de livros de prosa e poesia e editou o seu primeiro livro em 2013 com o título "Entre 100 Sentidos" composto pelos 100 editoriais do Artes até então. Maria Luísa Malato Borralho - Membro da Comissão Científica e Palestrante sobre o tema “A Cela e o Zelo: o hábito de prender mulheres por amor num teatro da Lua” É professora associada, com agregação, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, onde leciona desde 1984. Tem centrado a sua atividade científica sobretudo na área da Literatura Portuguesa do séc. XVIII e na reflexão sobre a História e Retórica Literárias. Para além da colaboração em dicionários e histórias literárias (BIBLOS, editada pela Verbo entre 1995-2005, a Historia de la Literatura Portuguesa, publicada em Espanha, 2000, pela Cátedra, Historia da Literatura Portuguesa, da editora Alfa), salientam-se os estudos sobre três autores “injustamente esquecidos” pela História da Literatura (Manuel de Figueiredo, José Anastácio da Cunha, Viscondessa de Balsemão), com a edição de obras editas e inéditas destes autores:- Manuel de Figueiredo, uma perspectiva do neo-classicismo português (1745-1777), Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1995; José Anastácio da Cunha — Obras Completas (em colab.), 2 vols., Porto, Campo das Letras, 2001-2006; Por Acazo hum Viajante. A vida e a obra de Catarina de Lencastre (1749-1824), Lisboa, Imprensa Nacional- Casa da Moeda), 2008, encontrando-se em preparação a edição crítica da obra desta autora. Membro do projecto “Utopias literárias”, financiado pela FCT, foi responsável pela introdução e edição da utopia O Balão aos Habitantes da Lua, de José Daniel Rodrigues da Lua (Porto, UP, 2006). Susana Sánchez Arins - Palestrante sobre o tema “Nós-outras, senhoras das Letras: a experiência da plataforma de crítica feminista A Sega FORMAÇÃO: Licenciatura em Filologia Hispânica, Universidade Santiago de Compostela 1997 Bolsa de Investigação Literária do Instituto Camões, Lisboa 1998 Licenciatura em Filologia Portuguesa, Universidade Santiago de Compostela 2004 Diploma de Estudos Avanzados en Literatura Portuguesa, Universidade Santiago de Compostela 2010 EXPERIÊNCIA LABORAL: Profesora de Ensino Secundario desde 1999, na Especialidade de Língua Castelá e Literatura. Destino Actual: IES Illa de Arousa, Ilha da Arouça, Galiza. PRODUÇÃO LITERÁRIA: Certames: Prémio Nacional de Poesia Xosemaria Pérez Parallé Edição XXI, 2008. Obra: [de]construçom OBRA EDITADA: [de]construçom, Espiral Maior 2009. Aquiltadas, Estaleiro Editora 2012. A noiva e o navio, Editora Através 2012. Seique, Editora Através 2015. OBRA DIGITAL: Individual: dedoscomovermes, blogue de poesía:http://dedoscomovermes.blogaliza.org/ aquiltadas, blogue do poemário: http://aquiltadas.blogspot.com.es/ a noiva e o navio, blogue do poemário. José Viriato Capela - Membro da Comissão Científica e palestrante sobre o tema “ A Nação Portuguesa e a Devoção à Virgem. Epifanias salvíficas e patrióticas” Presidente da Casa Museu de Monção da Universidade do Minho, professor catedrático do departamento de História Universidade do Minho, História Moderna; Membro do Lab 2PT – Centro de Investigação da Universidade do Minho; Membro da Real Academia Galega há História (desde 2014);Membro da Fundação Carlos Loyd Braga (UMinho – desde 2014); Membro do júri do prémio “Defesa Nacional” Atribuído pelo Ministério da Defesa - Comissão Portuguesa de História Militar; - Membro do Conselho Consultivo da Revista Lusitana Sacra; Membro efetivo do Conselho Científico da Comissão Portuguesa de História Militar. Presidente da Comissão Executiva do Júri do Prémio de História da Contemporânea Victor de Sá do Conselho Cultural da Universidade do Minho (desde 2003); Membro do Conselho Consultivo do Museu da Emigração - Câmara Municipal de Fafe; investigador e autor de livros publicados dos quais se destaca entre muitos: O Minho e os seus municípios. Estudos económico - administrativos sobre o município português nos horizontes da reforma Liberal, Universidade do Minho, Mestrado de História das Instituições e Cultura Moderna e Contemporânea, Braga. Rocío Pino - palestrante sobre o tema “Unha raíña en Salvaterra, Urraca I de León” Licenciada en Historia pola Universidade de Vigo. no ano 2007, obtiven o Certificado de Aptitude Pedagógica. No ano 2010, realicei o Master en Historia, Territorio y Recursos Patrimoniais, pola Universidade de Vigo. Especializandome en Antropoloxía cultural e Patrimonio etnográfico. Son colaboradora desde o ano 2010 no Museo Etnográfico Liste de Vigo, realizando a labor de documentalista das exposicións temporais. Ademais posuo numerosos certificados de asistencia a cursos relacionados co Patrimonio e a Historia. Tamén traballei como Historiadora para o Concello de Covelo levando a cabo o inventario e a catalogación do seu Patrimonio Histórico, inmaterial e etnográfico. Ana Pais Oliveira - Palestrante sobre o tema “A arte no feminino: para onde se dirige a artista?” (Vila Nova de Gaia, 1982) é licenciada em Pintura pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade do Porto e doutorada em Arte e Design – Pintura pela mesma faculdade (2015). Foi bolseira da FCT entre 2011 e 2015 e é membro colaborador do i2ADS e do AIC Study Group on Environmental Colour Design. Venceu vários prémios de pintura, entre os quais o 1º Prémio Eixo Atlântico na VIII Bienal Eixo Atlântico (2008), o Prémio Aquisição dos Amigos da Biblioteca-Museu de Amarante na 9ª Edição do Prémio Amadeo de Souza-Cardoso (2013) e o Kunstpreis Young Art Award <33 [colour] da Galeria Art Forum Ute Barth em Zurique, Suíça, onde expôs individualmente no Verão de 2014. Participa regularmente em conferências e seminários, tendo recentemente apresentado o seu trabalho em Génova, Newcastle, Valencia, Lisboa e Porto. Carmen Quintero Domínguez-Luna - Palestrante sobre o tema “A mulher icon na arte ” Doctora en Bellas Artes – Universidad de Vigo. EStudou Bellas Artes em Complutense Universidad de Madrid. Participatión en Bienales internacionales de arte. Obras nos “ Museu del Calzado”, Elda. Fluxá. Elche (Alicante) Graça Guedes - Membro da Comissão Científica e Moderadora no II Painel: “Eurocidades - por uma cultura de igualdade” Professora Catedrática aposentada da Universidade do Porto. Licenciada em Educação Física (INEF). Doutorada em Psicologia-Universidade René Descartes/Sorbonne (Paris V). Agregação em Comportamento Motor - FCDEF – Universidade do Porto. Docente em cursos de licenciatura e de mestrado em Ciências do Desporto. Coordenadora de cursos de Licenciatura e de Mestrado em Ciências do Desporto na CESPU - Cooperativa de Ensino Superior Politécnico e Universitário. Membro fundador da Associação Mulher Migrante e atualmente Secretária Geral. Foi Presidente da Assembleia Municipal de Espinho. Maria Manuela Aguiar - Palestrante sobre o tema - Emigração no século XXI – da diversidade à convergência. O paradigma do “Boston Portuguese Festival” Foi Secretária de Estado do Trabalho, depois, da Emigração e Comunidades Portuguesas, Deputada eleita pelos círculos da emigração, Vice-presidente da AR, Presidente da Delegação Portuguesa à Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, Presidente da Comissão das Migrações, Refugiados e Demografia dessa Assembleia. É licenciada em Direito pela Universidade de Coimbra e tem pós-graduação em Direito pela Faculdade de Direito e Ciências Económicas do Instituto Católico de Paris. Foi docente na Universidade Católica de Lisboa, na Faculdade de Direito de Coimbra Universidade Aberta. É Presidente da Assembleia Geral da Associação "Mulher Migrante" da qual foi uma das fundadoras, e coordena o blogue da Associação: http://mulhermigranteemcongresso.blogspot.pt/. Tem várias publicações sobre emigração, Cidadã ligada a causas, relacionadas com a defesa dos direitos humanos, especialista nas questões da diáspora portuguesa. É sobre esta dimensão que incide o seu testemunho. Francisco R. Durán Villa - Palestrante sobre o tema “ A mulher como protagonista da emigração no trânsito do século XX ao XXI” Licenciado em Geografía e Historia, seção de Geografía, em 1984. Doutorou-se em Geografía em 1997 com a defesa da tese de Doutoramento ” La emigración española al Reino Unido”. O trabalho obteve a classificação de “Apto cum laude” e foi-lhe concedido o “Premio Extraordinario de Doctorado”. É Professor Titular de Geografia, na Área de Análises Geográfica Regional, na USC-Universidad de Santiago de Compostela. As suas principais áreas de investigação são a emigração, a demografia, a geografia urbana e os processos associados ao empobrecimento, tendo diversos trabalhos publicados sobre as referidas áreas. É Membro do grupo de investigação ” Groupe da Recherche en Geographie Social de l'Universite du Maine (Gregum)” e do “Arquivo da Emigración del Consello da Cultura Galega de Galicia”. Foi Diretor e Secretario do Departamento de Geografia de la USC; Secretário da Faculdade de Geografia e Historia, Vice-reitor de Estudantes, Cultura y Formação contínua de la USC, e atualmente é diretor do Departamento de Geografia. Emanuelle Jacqueline Ortega Afonso – Palestrante sobre o tema “Nova emigração, umA vaga no feminino” Nascida em França a 28 de Janeiro de 1969, Emmanuelle Jacqueline Ortega Afonso vive atualmente em Portugal, para onde veio por 6 meses num intercâmbio Erasmus em 1992. Tem um MBA em Gestão pelo ISEG -Instituto Superior de Economia e Gestão Universidade Técnica de Lisboa, possui um Diploma EDHEC, pela École De Hautes Études Commerciales, uma das mais prestigiadas "Grandes Écoles" de gestão em França e um B.A. Honours in Business Studies, pela Escola Politécnica de Brighton. Com uma vasta experiência como consultora, auditora e formadora nas áreas de Marketing e comunicação, Emmanuelle Afonso fundou o Observatório dos Luso-Descendentes a 10 de Junho de 2010,sendo desde então a sua Presidente. Arcelina Santiago – Palestrante sobre tema “Educação para a não violência” Licenciada em Filologia Germânica pela Universidade do Porto, com pós-graduação em Formação Pessoal e Social na Universidade de Aveiro e aí também Mestre em Ciências Sociais, Políticas e Jurídicas – com investigação em questões do género. Docente do ensino Básico/Secundário e Superior foi Diretora do Centro de Formação das Escolas de Espinho, consultora de Formação, Formadora nas áreas de Avaliação e Formação Pessoal e Social , com certificado do Conselho Científico da Formação Contínua de professores, Orientadora Pedagógica, Membro da Direção de Escola, Deputada Municipal e defensora de causas e fundadora de diversas Associações e Movimentos Cívicos. Foi também Coordenadora de Projetos de âmbito Europeu, com artigos publicados e comunicações em seminários e colóquios. É atualmente membro da direção da Associação de Estudo, Cooperação e Solidariedade- Mulher Migrante e uma das organizadoras da publicação anual da Mulher Migrante. Mulher da diáspora, em três continentes, tem com Monção uma ligação especial, e bem perto, em S. Pedro da Torre, as suas raízes paternas. Maria Carminda Soares Morais - Palestrante sobre tema As Mulheres e a Saúde: novas e velhas (in) visibilidades nos percursos de formação nos percursos de formação Profª Coordenadora na Escola de Saúde/ Instituto Politécnico de Viana do Castelo. Investigadora no Centro de Estudos e Investigação em Saúde da Universidade de Coimbra Participa em projetos de investigação-ação, em particular nas áreas de género, da violência doméstica, do combate à pobreza e às desigualdades sociais e de saúde por via do desenvolvimento local e da coesão social e, ultimamente, na promoção da literacia com pessoas diabéticas tipo 2 (com a Direção Geral da Saúde). Doutora em Ciências da Educação, pela Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto, com tese subordinada "Formação, Género e Vozes de Enfermeiras", onde se problematizam as continuidades e ruturas nas conceções e praticas de Cidadania, do Gênero e da lideranças no feminino. Mestre em Saúde Pública pela Faculdade de Medicina de Coimbra. Licenciada em Enfermagem´, com especialidade em Saúde Pública. Considero-me uma "Mulher Africana", com "Sangue Minhoto a Correr pelas Veias", origens que conformam, pelo menos em grande medida, um agir intencional e crítico face a transformações sociais e de género que urge fazer numa lógica global e sem fronteiras.