segunda-feira, 16 de setembro de 2019

Entrevista do pintor luso- venezuelano NORBERTO D' ABREU

Norberto d' Abreu nasceu no Funchal, emigrou para a Venezuela (Barquisimeto), estudou em Madrid, vive agora em Espinho.
Uma entrevista que vale a pena ler.

https://youtu.be/ad_jjZkKEOM

domingo, 1 de setembro de 2019

ADELAIDE VILELA sobre MULHERES E CIDADANIA

Sobre o texto de apresentação da exposição Mulheres e Cidadania, na Bienal Internacional de Gaia
um comentário enviada pos Adelaide Vilela - AMM Montreal

Quanta verdade, nua e cru, se conta neste seu texto. A mulher enfrentou e continua a lutar pela sua emancipação e liberdade, nas sociedades de hoje.  Obrigada Dra. Manuela Aguiar por continuar a erguer a sua voz para que a mulher ganhe mais direito ao Sol, sem ter que pedir autorização a ninguém. Como viajo imenso, por esse Mundo além, tenho observado que o lugar da mulher fica muito aquém da posição do homem e, que, portanto a consideram ainda um ser inferior, nesta Terra em que o próprio Filho Deus, quando apareceu às Marias, lhes entregou a Liberdade da palavra e a boa nova. Ora vejamos então como a mulher foi considerada inferior ao homem, a tal ponto que já ia larga a década de 60 quando ela teve direito a voto. E quem é quem fez essa lei? Parece que ainda vivemos mais atrasados do que nos tempos em que Jesus pregava no deserto. Felizmente que em Portugal as coisas mudaram.
Uma vez mais muito grata por trazer a lume este sensível tema. 
Adelaide

sábado, 17 de agosto de 2019

Paricipação da AMM na BIENAL INTERNACIONAL DE GAIA

MULHERES E CIDADANIA

Exposição comissariada pelas associadas Maria Manuela Aguiar e Luísa Prior
Artistas convidadas
Alina Patamarciuc, Augusta Albuquerque, Barbara Mulbach, Cani Navarro, Constância Néry, Helena Leão,Ludmilla, Luísa Prior, Mariana Alvarez Henrique, Mercè Riba


Apresentação por Maria Manuela Aguiar
Catálogo da Bienal, pag 208

A criação artística, como expressão cultural da cidadania tem, assumidamente, o seu lugar no mundo da 3º Bienal Internacional de Arte de Gaia. Com esta exposição temática, "Mulheres e Cidadania", e o colóquio sobre o mesmo tema, procuramos, em diálogo, mundividências de migrantes, de estrangeiras, ou seja, diferentes olhares de mulheres de outros países e culturas sobre si mesmas, as suas sociedades, a particularidade das suas vivências, enquanto parte emergente da Humanidade, após um silenciamento milenar, do qual tão poucas lograram libertar-se.
As Mulheres chegaram, na nossa época, a este como a outros domínios, para ocupar o vazio da sua própria ausência, ou relativa ausência, num universo dominado por padrões masculinos. Desde sempre artífices de múltiplas formas de produção artística - artesãs, cultoras anónimas do esteticamente belo na esfera privada, das máscaras primitivas aos trajes, à decoração ou à pintura -  só com a entrada na esfera pública, começaram a ser reconhecidas. Porém, com que dificuldade, com que suplemento de esforço, de audácia e de talento, conseguem fazer caminho? E de que modo essa vontade de transcendência, a par de outras especificidades, se reflete no trabalho artístico? Pode ele constituir-se, não só em instrumento de construção do "eu", de auto-afirmação, mas, também, de reconstrução social? Será um meio, por excelência, de representação do feminino e da intervenção cívica? E há, verdadeiramente, uma  "Arte no feminino" -  um modo diferente de estar no terreno das Artes e das Letras, da Música, tal como do Desporto, ou da Ciência? Ou nada é de resposta fácil e evidente no processo que se desenha entre a natureza invariável do sexo e as condicionantes essencialmente mutáveis de género? 
Visível e incontornável é, ainda, a discriminação, que marginaliza, em todos os campos, o "feminino". Certa é a importância da sua inclusão progressiva no "Todo", significando duplicação de contributos, de criatividade, de génio, uma dinâmica nova, em absoluto, um "avanço civilizacional", como dizia Emmeline Pankhurst.Se a Arte quer ascender a uma dimensão universal não pode prescindir da presença e da interlocução entre géneros, bem como entre povos e suas variadas e fascinantes heranças culturais, que o fenómeno histórico de infindáveis  migrações serviu para pôr  em contacto e progresso.
 Uma mostra simbólica de obras de mulheres migrantes ou estrangeiras (e estrangeiras foram, tradicionalmente, todas no seu próprio País, que lhes negava direitos e pública aceitação...) pretende, antes de mais, no espaço e no tempo da Bienal, dar livre curso ao questionamento do presente e às possíveis reconfigurações do futuro

Maria Manuela Aguiar, Comissária
(in Catálogo da Bienal)

AMM julho

13 de julho - Participação de associadas da AMM de diversos países no 1º Congresso Mundial de Redes da Diáspora, no Porto - Maria de Lurdes (Venezuela), Emmanuelle Afonso (França), Deolinda Adão (EUA), Maria Manuela Aguiar, Rosalina Santos (Portugal)

24 de julho - Presença das associadas Manuela da Rosa (RAS) e Maria Manuela Aguiar no "Fórum Madeira Global", a convite do Governo Regional. Manuela Aguiar interveio sobre o tema "participação política dos portugueses no país de origem"
 
25 de julho - Pariicipação de Manuela da Rosa e Manuela Aguiar no "Encontro de Empresários da Diáspora" realizado no Funchal

AMM - DE MARÇO A JUNHO

 - 8 de março, 6ª feira - Homenagem da AMM a Natália Correia na casa dos Açores do Porto, moderado por Otília Santos, com a participação do Presidente da Casa doa Açores do Norte, da Vereadora da Câmara do Porto Ilda Figueiredo e da pintora Do Carmo Vieira
 - 9 de março, sábado  - Biblioteca Municipal José Marmelo e Silva, Espinho - Tributo a Natália Correia, organização da AMM. Moderação de Manuela Aguiar, palestras de Jose´Emílio Nelson e Do Carmo Vieira
 - ? abril - Monção Parceria AMM Câmara de Monção e instituições de ensino locais - Colóquio sobre a emigração portuguesa para França, moderação Graça Guedes, intervenções das associadas de Engrácia Lendro e Arcelina Santiago, entre outros
3 de maio - Lisboa, Ministério dos Negócios Estrangeiros - Lançamento do livro "Vidas com sentido", 225 histórias de vida, homenagem aos portugueses da América, no 225º aniversário da criação do Consulado de NY, uma iniciativa da Embaixadora Manuela Bairos, que era a responsável pelo Consulado e a primeira mulher a ocupar o posto. A AMM paricipou no projeto e no lançamento, presidido pelo MNE, esteve present e interveio uma das fundadoras, Maria Manuela Aguiar
23 de abril - Lever, Gaia  3ª  Bienal Internacional de Artes de Gaia  - uma "Bienal de causas"A AMM, através das associadas Maria Manuela Aguiar e Luísa Prior comissariou uma das exposições temáticas, com enfoque em "Mulheres e Cidadania, inaugurada neste dia
25 de abril - O dia 25 de abril foi celebrado em Gaia no espaço da Bienal e uma das duas exposições escolhidas para o efeito foi a das "Mulheres e Cidadania. A intervenção esteve a cargo de Maria Manuela Aguiar, que também subscreveu a apresentação do tema para o catálogo da Bienal.
 - 10 de maio, Clube Fenianos Porto. Comemorações do Dia da Comunidade Luso-Brasileira. levadas a cabo pela AMM, pelo 4º ano consecutivo
Colóquio "Portugal Brasil, a descoberta continua" , com intervenções de Graça Guedes, Salvato Trigo, Manuela Aguiar e outros e exposição de pintura comissariada por Constância Néry (Obras de Cássio Mello e Olga Santos)
 - 18 de maio - Biblioteca Almeida Garret, Porto - Comemoração do 10º aniversário do jornal "As Artes entre as Letras", dirigido por Nassalete Miranda, associada da AMM. Pela Associação estiveram presentes a Presidente da Direção Graça Guedes e Maria Manuela Aguiar. Ambas colaboraram com textos no jornal que assinala o aniversário.
 27 maio Biblioteca José Marmelo e Silva, Espinho -  Lançamento de livros de Adelaide Vilela, jornalista e escritora de Montreal e associada da AMM (em colaboração com a Universidade Senior de Espinho)
12 de junho  - Lever, Gaia  Diálogos na Bienal Colóquio sobre a temática "Mulheres e Cidadania". Intervenções de  Ilda Figueiredo Aurora Viera, Graça Guedes e Nassalete Miranda, numa homenagem a Agustina Bessa-Luís. Encerrou o Comissário da Bienal, Agostinho Santos. Moderou Maria Manuela Aguiar



COM NATÁLIA EM S. BENTO

Natália é uma de duas deputadas que tem busto de mármore no Parlamento Português. Esculpido por Cutileiro. A Assembleia conserva, nas páginas do Diário das Sessões, a magia da sua palavra, porventura a mais fulgurante, e, não raro, a mais agreste que algum dia se ouviu no hemiciclo. Contudo, não lhe ocorreu ainda reunir em coletânea as suas intervenções, ao contrário do que acontece com os notáveis tribunos masculinos, com ou sem lugar na estatuária do Palácio de S. Bento...
Foi nos "Passos Perdidos" que a conheci. Falámos, por sinal, só de leis - de uma em particular, já nem sei qual, que passara pelo meu gabinete de responsável pela emigração, e que ela defenderia, em sede parlamentar, no dia seguinte. Combinámos que, para análise de todos os detalhes, lhe enviaria a casa um distinto jurista. De lá voltou o especialista mais impressionado do que se tivesse privado com figuras históricas, como Catarina da Rússia, ou a Marquesa de Alorna. Ainda por cima, ela elogiara aquele modo de colaboração - que deveria ser a regra, mas não era - entre governo e bancada parlamentar. Talvez tenha visto nisso uma das diferenças que podem fazer as mulheres na república dos homens.
De longe a longe, nos reencontrámos no Botequim (que, não sendo eu notívaga, não podia frequentar assiduamente), e, depois, entre 81 e 83, no quotidiano da bancada da AD que, desaparecido Sá Carneiro, entrara no seu ocaso anunciado.
Como é lidar com o mito no quotidiano? É inevitável a sua "normalização"? Com Natália, de modo algum! Tinha as qualidades que "humanizavam" a sua grandeza, sem a diminuírem. Na convívio era amável, solidária, imensamente divertida e imprevisível - sempre formidável, não intimidava. Antes da minha primeira intervenção formal, sentindo-me nervosíssima e muito hesitante, não ousando improvisar, escrevi umas linhas, que submeti ao parecer crítico de Natália. Graças ao seu "nihil obstat" subi à tribuna com alma nova!
Porém, como opositora, num frente a frente, siderava qualquer um, sem exceção, com secos e contundentes argumentos ou com tiradas ribombantes e não menos contundentes - ordália a que, felizmente, nunca tive de me submeter. A sua diatribe mais mediática foi, sem dúvida, a que incendiou o debate sobre o aborto, fulminando, em prosa e verso, um fundamentalista religioso do CDS, que se atreveu a propugnar o sexo exclusivamente para procriação da espécie - o famoso "truca-truca" do procriador de uma pequena prole de dois descendentes. Assisti ao clamor que se seguiu, em lugar privilegiado, muito perto da Oradora.
Após integrar governos sucessivos e breves, (como foram todosaté ao surpreendente advento das maiorias de Cavaco Silva), regressei a São Bento e às conversas com Natália, então já no PRD. Nada que nos afastasse - afinal, partilhavao seu gosto pelo distanciamento dos aparelhos partidários e até a sua simpatia pelo general Ramalho Eanes - que, à época, não abundava entre  Sácarneiristas.
Estávamos em agosto de 87 e eu acabava de me tornar a primeira mulher eleita vice-presidente da Assembleia. Poucos dias depois, aconteceu a temida  inevitabilidade de ser chamada a dirigir a sessão - sem pompa nem anúncio prévio, a meio de um discurso de Basílio Horta, apenas para o Presidente Crespo fumar um cigarro nos bastidores. Tanto melhor para mim, que queria passar despercebida... Mas eis que Natália se levanta em aplausos, logo seguida por Helena Roseta e pelos demais deputados e, finalmente, por Basílio, que continuara a intervenção, sem saber o motivo por que a Câmara inteira aplaudia de pé. Um momento feminista para a história parlamentar!
Não menos feminista foi outro, que, igualmente, se lhe ficou a dever: a ideia de homenagear as pioneiras do movimento sufragista português, a 8 de março de 88. Precisamente oitenta anos depois da criação da Liga da Mulheres Republicanas, elas tiveram, enfim, o direito de serem ouvidas em longos e expressivos discursos, citados por deputadas da geração das suas netas. Ali, na casa-mãe da democracia, a que uma democracia imperfeita lhes vedara acesso.
Em 1991, o Partido Renovador perdeu representação parlamentar e, com isso, a Assembleia da República perdeu a Mulher que a ressuscitaria da hibernação na mediocridade em que estava caída. A Mulher capaz de transformar, por exemplo, um simples jantar de portistas em S. Bento em tertúlia erudita, discorrendo brilhantemente sobre desporto, deuses e mitos, para concluir que a serpente da antiga Lusitânia e os dragões da "cidade invicta" pertenciam a uma mesma matriz.
Inesquecível! Nesses tempos, quantas vezes, da terceira fila do hemiciclo, onde Natália também se sentava, olhei em redor, pensando: "Daqui a cem anos estamos todos mortos - todos, menos a Natália". E lembro-me de lho ter dito uma vez, perante um silêncio complacente e o esboço de um sorriso.
A profeta de futuros longínquos era ela, eu apenas ousava uma incursão em terreno proibido ao comum dos mortais. Sorte de principiante: a profecia vai a caminho de se cumprir.

domingo, 14 de julho de 2019

GRAÇA GUEDES NO CLUBE FENIANOS



Comemoração do dia da Comunidade Luso Brasileira
PORTUGAL / BRASIL, a descoberta continua
Clube Fenianos Portuenses, 10 de Maio de 2019, 18 horas


CUMPRIMENTOS


Cumprimento a mesa e todos os presentes
Em nome pessoal e da Associação de Estudo, Cooperação e Solidariedade Mulher Migrante, quero agradecer ao Clube Fenianos Portuenses e na pessoa do seu Diretor as suas palavras de boas vindas e o acolhimento neste espaço emblemático da cidade do Porto, para mais uma comemoração do dia da Comunidade Luso Brasileira que a AMM organiza.
Agradecer a presença do Consulado Geral do Brasil no Porto na pessoa da Vice Cônsul Geral, Dra. Maria Lígia Verdi, aos conferencistas, Prof. Doutor Salvato Trigo, Mestre Berta Souza Guedes Santana, Dr. Cassiano Scapini, Dra. Manuela Aguiar e Dra. Constância Nery, comissária da exposição aqui patente e nossa associada, a quem agradeço muito especialmente todo o empenho na organização deste evento.


A todos o meu bem haja.


O dia 22 de Abril, o dia em que em 1500, Pedro Álvares Cabral avistou terra brasileira, foi oficialmente designado DIA DA COMUNIDADE LUSO-BRASILEIRA e tem inspirado comemorações anuais, realizadas sobretudo por associações portuguesas em Portugal e no Brasil, com iniciativas da sociedade civil e muitas vezes com o apoio da Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas, em datas nem sempre coincidentes com este dia, tal como hoje
Fazendo um pouco história destas comemorações, permitam-me recuar a 1985, quando em Belmonte, terra natal de Pedro Álvares Cabral, por iniciativa da então Secretária de Estado das Comunidades Portuguesas, Dra. Manuela Aguiar, foram realizadas as primeiras comemorações e, simbolicamente, na terra natal do descobridor do Brasil.
No ano seguinte, as comemorações voltaram a acontecer, dessa vez em Ponte de Lima, às quais estive diretamente ligada na sua organização. Com um programa de luxo e com conferencista escolhidos a dedo pelo Prof. Salvato Trigo e que hoje volta a estar connosco: os Prof. Doutores José Augusto Seabra, na altura Embaixador de Portugal na UNECO, Maria de Lourdes Belchior, Norma Tasca, Eugénio dos Santos, Jorge Braga e, obviamente, Salvato Trigo. E do Brasil, os Prof. Doutores Soares Amora da Usp e Baeta Neves, da Fundação Getúlio Braga (Rio de Janeiro). Estiveram presentes o Bispo de Viana do Castelo, os Embaixadores de Portugal na Santa Sé e do Brasil, bem como os deputados da sub comissão da Emigração.  
A Associação de Estudo, Cooperação e Solidariedade Mulher Migrante (AMM), a exemplo de anos anteriores, propõe dar continuidade a estas celebrações, sempre com colóquios e exposições de artes plásticas e, este ano no Porto: Portugal / Brasil, a descoberta continua.
E, sendo a cidade do Porto geminada com Recife (estado de Pernambuco), as conferências serão centradas nas ligações passadas e recentes entre estas duas cidades.


Respeitando rigorosamente o PROGRAMA, dou de imediato a palavra 
à Dra. Maria Lígia Verdi, Vice Cônsul Geral do Brasil no Porto, após a qual falarão os restantes palestrantes:


. E, se outros mundos houvera, lá chegavam…: a Lusofonia e o futuro como presente do nosso passado - Prof. Doutor Salvato Trigo, Reitor da Universidade Fernando Pessoa


. O bloco Folia das Deusas : uma ONG enraizada na cultura carnavalesca do Recife  - Prof. Doutora Maria da Graça Sousa Guedes, Professora Catedrática Aposentada da Universidade  do Porto e Presidente da Direção da Associação Mulher Migrante


. O bloco Folia das Deusas e a Associação Mulher Migrante - Mestre Berta Guedes Santana, doutoranda em Psicologia na Universidade do Porto e Vice Presidente da Direção da Associação Mulher Migrante


. 30 anos em Portugal  – Dr. Cassiano Scapini, médico dentista


. O Círculo Maria Archer – Dra. Maria Manuela Aguiar, sócia fundadora da AMM, jurista, ex-Secretária de Estado das Comunidades Portuguesas


. Exposição A Arte Continua (6ª edição) - Dra. Constância Nery, comissária:
        Artistas: Prof. Cassio Melo e Arqª. Olga Santos
       
       Encerramento