domingo, 10 de junho de 2018

INICIATIVAS da Associação Mulher Migrante 2017/2018 2017 - SETEMBRO OUTUBRO I. “PORTUGAL BRASIL - A DESCOBERTA CONTÍNUA” A segunda edição do evento “ Portugal-Brasil a descoberta contínua”, em parceria com a Cooperativa Árvore e Hotel Porto Cruz. teve lugar no auditório do Espaço Porto Cruz, em Vila Nova de Gaia, com o alto patrocínio do Senhor Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas . Uma vez mais a AMM quis celebrar a data da chegada dos Portugueses ao Brasil e das relações que ligam estes dois povos com tanta história em comum. Uma iniciativa que pretende sublinhar as relações fraternas entre Portugal e Brasil e, ao mesmo tempo, repensar a importância na expansão do mundo da lusofonia no século XXI. 1 - INAUGURAÇÃO DA EXPOSIÇÃO DE PINTURA CONFERÊNCIAS 8 de setembro - Vila Nova de Gaia A sessão de inauguração, em serembro de 2017, constou de uma conferência pelo Professor Dr. Salvato Trigo, Reitor da Universidade Fernando Pessoa, com o tema "Da descoberta da mátria aos equívocos da pátria: ou de como se reinventa a história das relações luso-brasileiras". A historiadora Dra. Maria do Carmo Serén, apresentou o tema "Dois brasileiros no Porto - Encontros e Desencontros de José Bonifácio de Andrada e Silva e D.Pedro I". Foi também dada enfase à arte com a inauguração da exposição de artistas portugueses e brasileiros na sala de exposições do Porto Cruz, exposição comissariada por Constância Nery. Vinte e seis obras, de 26 artistas plásticos, portugueses e brasileiros, com representação de temas livres e também temas relacionados com as tradições e costumes de Portugal e de outros povos. 2 - COLÓQUIO DE ENCERRAMENTO A sessão de encerramento aconteceu no dia 14 de Outubro de 2017 tendo um programa diversificado do qual se destaca, as comunicações de: - JOAQUIM MATOS PINHEIRO, Presidente do Elos Club do Porto, com a comunicação “D. PEDRO IV E AS SUAS QUATRO COROAS.” - DANYEL GUERRA, com o tema " LUSOS ILUSTRE NO CINEMA BRASILEIRO–A OUTRA CARMEN E O PORTUGUÊS DA CINEMODA" - ARCELINA SANTIAGO apresentou algumas notas sobre "MARIA ARCHER, UMA PORTUGUESA DO BRASIL” seguido de dramatização, segundo um guião da sua autoria, por duas alunas MARIANA PATELA e CÍNTIA SOFIA RIBAS SILVA “ Entrevista imaginária a Maria Archer”. - MARIA MANUELA AGUIAR fez a intervenção final onde homenageou RUTH ESCOBAR, portuguesa do Porto, que no Brasil foi uma grande atriz de teatro, a primeira mulher eleita deputada à Assembleia do Estado de São Paulo e a primeira representante do Brasil nas Nações Unidas, para o acompanhamento da Convenção contra todas as formas de discriminação da Mulher. A sessão foi moderada pelo Prof Doutor FRANCISCO SILVA, diretor da Cooperativa Árvore 3 - DEBATE SOBRE "JORNALISMO PARA A PAZ" e APRESENTAÇÃO DE LIVROS DA "JORNALISTA PARA A PAZ" ADELAIDE VILELA Fundação PRO DIGNITATE, Lisboa, 16 de outubro A AMM tem, ao longo de quase 25 anos de percurso, lançado, ciclicamente, o debate sobre a imagem e sobre o papel das mulheres, e em especial, das migrantes nos "media" portugueses, sem esquecer os das comunidades. Neste retomar do tema, foi a problemática da paz que esteve no centro das preocupações, como fora um dos últimos programas de ação da Fundação PRO DIGNITATE, em que muito se envolveu a Drª Maria Barroso, agora continuado pelo Dr. António Pacheco, que, ali, o apresentou para o debate, que ocupou a jornada.. A presença, em Lisboa, da jornalista Adelaide Vilela, há muitos anos radicada em Montreal, foi uma oportunidade para partilhar a sua experiência como mulher imigrada, envolvida na luta pela paz entre gente de todas as origens, nacionalidade, culturas, religiões. Adelaide Vilela foi retornada de África, em 1975, antes de partir para o Canadá, onde estudou jornalismo e trabalhou na imprensa escrita, rádio e televisão, não só a nível da comunidade, como em programas da RTPI, na realização e interpretação de filmes. A sua vida tem decorrido em quatro continentes, da África à Europa, da América do norte à América do sul, para onde viaja com frequência e onde a sua obra literária tem sido reconhecida e premiada. Aderiu, pois, naturalmente, ao projeto de um jornalismo ao serviço da paz, no qual também a AMM manifestou interesse em colaborar No debate participaram ativamente associados da AMM, incluindo a representante no Canadá, Profª Doutora Manuela Marujo 4 - CONGRESSO INTERNACIONAL - Migrações e Relações Interculturais na Contemporaneidade Lisboa, 27 e 28 de outubro, Fundação Gulbenkian Organizado pelo CEMRI/UAB e FCT, o Congresso foi presidido na Sessão de Abertura pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros, Prof Augusto Santos Silva e a Conferência de Abertura esteve a cargo do Prof João Relvão Caetano (CEMRI/UAB Os trabalhos decorreram em sete mesas redondas e foram encerrados com uma Conferência da Profª Natália Ramos (CEMRI/UAB). Maria Manuela Aguiar representou a AMM na II Mesa Redonda - Mulheres, Migrações e Diásporas, tendo apresentado um resumo escrito e feito uma comunicação oral sobre "As Mulheres na história das Comunidades Portuguesas e das políticas públicas para a emigração" RESUMO As migrações portuguesas começam como uma aventura masculina, onde o sexo feminino só excecionalmente tem lugar. As primeiras políticas públicas neste domínio são de limitação ou condicionamento dos fluxos migratórios masculinos, quase sempre considerados excessivos, e de proibição da saída de mulheres, em regra, vista como contrária aos interesses do País. Ao longo dos tempos, centenas de milhares de homens e também um número crescente de mulheres, que querem juntar-se aos maridos ou aos pais, ou mesmo partir com eles, vão ultrapassar todos os obstáculos para alcançarem o "novo mundo". É com a chegada das mulheres e a reunificação das famílias que nascem as comunidades de cultura portuguesa, mas o seu papel, ainda que matricial, é escassamente visível e reconhecido e a sua participação obedece à divisão tradicional de trabalho entre os sexos, no associativismo, como no núcleo familiar. Os movimentos feministas descuram a emigração e são raras e extraordinárias as organizações femininas de entreajuda até meados do século XX - caso do movimento mutualista feminino da Califórnia. Após a revolução de 1974, a Constituição de 1976 vem proclamar a igualdade entre Mulheres e Homens e estabelecer a inteira liberdade de emigrar. As políticas públicas, que, até início da década de 70, se restringem à proteção dos emigrantes na viagem de ida e os abandonam nas terras de destino, evoluem para a defesa dos direitos dos cidadãos e tomada de medidas de apoio social e cultural, e para o reconhecimento do papel do movimento associativo, Todavia, só uma década depois, no quadro de funcionamento do Conselho das Comunidades Portuguesas - quase 100% masculino - se dá o primeiro passo para a prossecução de políticas com a componente de género, com a convocatória do "1º Encontro Mundial de Mulheres no Associativismo e no Jornalismo".(em junho de 1985). Mais de trinta anos decorridos sobre esse histórico Encontro Mundial, qual o balanço da ação da sociedade civil e do Estado no campo da igualdade de género nas comunidades do exterior? " Na exposição oral, Manuela Aguiar procurou responder à pergunta, traçando o percurso das políticas de género, desde o 1º Encontro Mundial de Mulheres das Comunidades do estrangeiro, em oitenta, até aos "Encontros para a Cidadania! (2005-2009). aos congressos mundiais do século XXI , assim como os modos de colaboração entre Estado e sociedade civil, neste domínio, com referência ao papel desempenhado pela AMM. No auditório da Gulbenkian, representado diversas instituições, estiveram outros membros da AMM - Maria Beatriz Rocha Trindade (CEMRI/UAB), Manuela Marujo (U Toronto) , Ana Paula Beja Horta (CEMRI/UAB), António Pacheco (Fundação PRO DIGNITATE) 5 - LANÇAMENTO DOS LIVROS "ROSTOS DA EMIGRAÇÃO"/ "VISAGES DE L' ÉMIGRATION" de TENREIRA MARTINS Luxemburgo, 29 de outubro A convite do Instituto Camões, Maria Manuela Aguiar, que escreveu o prefácio da publicação, nas duas línguas, deslocou-se ao Luxemburgo e fez, juntamente com o Padre Melícias Lopes a sua apresentação. O Autor foi, durante muitos anos, Assistente Social e Chefe dos Serviços Sociais, em Bruxelas, e o livro é obra de ficção moldada na realidade. Os rostos são os dos portugueses de uma geração de imigrantes na Europa, que teve dificuldades de adaptação, e, na maioria dos casos, as superaram. Porém, nem todos o conseguiram, ao menos, em certas fases de um processo continuado. E é destes que trata, num português de grande qualidade literária, Tenreira Martins. Retratos realistas e, de algum modo, como disse Maria Manuela Aguiar, também um auto-retrato do Autor, numa missão a que se dedicou por inteiro. E, por isso, cada um dos contos, nos leva para dentro do Gabinete dos Serviços Sociais de Bruxelas, igual a outros que existiam, junto a muitos consulados e nos dá a dimensão do papel que desempenharam. Em tempos de recomeço de êxodo migratório, este livro leva-nos a questionar a ausência atual de formas de apoio, que deram corpo às primeiras políticas públicas de emigração, surgidas nas vésperas da revolução de 1974 e, depois, continuadas e desenvolvidas. Um dos múltiplos motivos de interesse que nos oferece é, assim, o de motivar o debate sobre o passado próximo e o presente das migrações portuguesas.. NOVEMBRO 5 - XXIX ENCONTRO DAS COMUNIDADES PORTUGUESAS E DE LUSO- DESCENDENTES DO CONE SUL Em Homenagem ao ENG.ª JOSÉ LELLO e XV SEMINÁRIO CULTURAL "DIÁSPORA E ASSOCIATIVISMO:PATRIMÓNIO, CULTURA E HERANÇA! Colónia de Sacramento, Uruguai, 4 e 5 de novembro, A entidade organizadora foi a Casa de Portugal de Montevideo, que tem, pela primeira vez, a presidência de uma mulher, a jovem Viviana Valente, e cinco mulheres entre os sete membros da Diretoria. O Comendador Luís Panasco Caetano, representante da AMM no Uruguai, antigo Conselheiro do CCP , desempenhou, igualmente, um papel central na preparação e concretização de um evento que teve o esperado sucesso, com centenas de participantes e um grande apoio das Autoridades do Uruguai (Intendente de Colónia) e de Portugal (Secretário de Estado das Comunidades e Embaixador de Montevideo) Além do atual Secretário de Estado José Luís Carneiro, dois antigos Secretários de Estado da mesma pasta, José Cesário e Maria Manuela Aguiar, estiveram presentes na homenagem a José Lello, amigo e colega, cujo trabalho, empenho, simpatia e proximidade, as comunidades não esquecem. No Seminário Cultural, a 4 de novembro, Maria Manuela Aguiar participou na qualidade de fundadora e dirigente da AMM, apresentando uma comunicação sobre a "Internacionalização do movimento associativo português", começando por dar uma visão comparativa da situação dos outros grandes países de emigração europeus desde início de novecentos, em que o caso de Portugal (ausência de relacionamento internacional entre comunidades) é uma exceção à regra, Entre as principais tentativas de combater este fenómeno, destacou : - a primeira fica a dever-se à Sociedade de Geografia (presidida pelo Prof Adriano Moreira), com a organização dos Congressos das Comunidades de Cultura Portuguesa, em 1964 e 1967, e a criação da União das Comunidades de Cultura portuguesa, que teve vida efémera por oposição do regime político, a partir de 1968. - a segunda tentativa parte do Estado, não da sociedade civil, embora pretenda mobilizá-la, para que organize autonomamente um movimento mundial. O Governo lança o Conselho das Comunidades Portuguesas, órgão consultivo, eleito pelo universo associativo, que se esperava pudesse dar impulso à federalização dos movimentos associativos dos cinco continentes, para além de cumprir outros objetivos, como representação e audição da "Diáspora". Ao CCP associativo (1980/88), sucedeu o atual (desde 1996), eleito por sufrágio universal (logo, mais um "conselho de emigrantes" do que de comunidades), mantendo essencialmente o seu perfil consultivo. Não resultou, de facto, o impulso à internacionalização do associativismo, que continua poderoso a nível de cada região ou país, mas desarticulado, a nível global. Manuela Aguiar salientou, entre os raros exemplos de internacionalização, as "Academias de Bacalhau" (comalgumas semelhanças e muitas diferenças com o movimento Rotário) e a AMM, que procura reunir mulheres e homens de todo o mundo pela causa da Igualdade. São, porém, formas novas de um fenómeno antigo, sem a base patrimonial em que cresceu o associativismo tradicional. A seu nível, o melhor exemplo de diálogo internacional é constituído pelo original paradigma dos "Encontros do Cone Sul", que reúnem, portugueses do Sul do Brasil, Argentina e Uruguai. Do seu início como tertúlia e torneio de "sueca" (que perdeu o exclusivo mas se mantém como componente importante), evoluiu para uma vertente cultural - a exibição de grupos folclóricos de todas as comunidades envolvidas e os "Seminários", que atraem grandes nomes da vida cultural e política. A terminar, Manuela Aguiar deixou a pergunta; como promover a generalização deste exemplo original?. Durante o convívio que o Encontro permitiu, o Secretário de Estado Mestre José Luís Carneiro manifestou interesse em novas colaborações com a AMM, muito em especial. a preparação de um grande congresso mundial de mulheres da Diáspora portuguesa, no ano seguinte. DEZEMBRO 6 - PARTICIPAÇÃO NO CONGRESSO MUNDIAL DOS EMPRESÁRIOS PORTUGUESES Viana do Castelo, 16 de dezembro Neste Congresso, organizado pela SECP, havia um número significativo de mulheres, que se aproximava dos 30%, pelo que por sugestão da AMM. aceite pelo Senhor Secretário de Estado, foi, durante a sessão de trabalhos do dia 16, apresentada a ideia da realização de um forum mundial de mulheres portuguesas, para concertação de estratégias para a igualdade, em vários domínios - o empresarial, o cultural, o político, o do associativismo e voluntariado. O facto de a ideia ter surgido no final do ano tornou-se um obstáculo à procura de meios de suporte da iniciativa, que na sua dimensão global, teve de ser adiada para 2019, sem prejuízo, de procurar, em paralelo com o Congresso Mundial de Empresários, promover, em dezembro de 2018, um primeiro Encontro sobre empreendedorismo feminino. Manuela Aguiar não deixou de recordar que Viana do Castelo fora a cidade que, em 1985, acolhera o 1º Encontro de Mulheres Portuguesas no Associativismo e no Jornalismo, que marcou o início das políticas públicas para a igualdade na emigração - ao tempo, uma iniciativa pioneira, a nível europeu e universal. recordou, também, que a AMM nasceu para concretizar o mais importante projeto saído desse Encontro: a criação de uma associação internacional de mulheres portuguesas. 20187 - COLÓQUIO A MEMÓRIA COMO HERANÇA Mineola, Câmara Municipal O colóquio foi uma organização do Consulado - Geral de Portugal de Nova York, em parceria com a "Mulher Migrante - Associação de Estudo, Cooperação e Solidariedade" e com as Escolas Comunitárias da área consular, e realizou-se em instalações do município de Mineola. De manhã, o debate centrou-se no ensino de português, com intervenções dos professores de diferentes escolas e outros membros da comunidade escolar. De tarde, foi a presença portuguesa na América, em diversos campos, que esteve no centro do debate, muito participado. A jornada terminou com um jantar de confraternização no Centro Português de Mineola, em que centenas de portugueses prestaram homenagem à Cônsul- Geral, a que se associou a "Mulher Migrante", representada por Manuela Aguiar, que se deslocou expressamente de Portugal, e por Maria João Ávila, Coordenadora da "Mulher Migrante" nos EUA, membro da direção da AMM e antiga deputada da emigração. Por trás do sucesso do colóquio, esteve a experiência, criatividade, a energia da Cônsul-Geral, emotivamente saudada no jantar da comunidade, que reuniu centenas de portugueses, entre eles os mais destacados políticos luso-americanos, e dirigentes associativos, grande número de mulheres envolvidas na vida cívica e política, como Maria João Ávila. Todos enalteceram o seu trabalho em NY, nos últimos três anos. Fica uma frase, que sintetiza o "leit-motiv" dos diversos discursos: "nunca mais teremos ninguém como ela!". Manuela Aguiar citou Mariano Gago e Onésimo de Almeida, que no prefácio ("a quatro mãos") de uma publicação de Manuela Bairos escreveram que "era preciso cloná-la no MNE". Em 225 anos de existência do consulado de Nova York, Manuela Bairos foi a primeira mulher a exercer o cargo. Programa do Colóquio: 10.00 – 11.30 ENCONTRO COM PROFESSORES DAS ESCOLAS COMUNITÁRIAS Moderador: Dr José Carlos Adão 1. Coordenador-Adjunto de Ensino - Dr José Carlos Adão “A língua portuguesa como língua de herança” As escolas comunitárias como suporte da herança portuguesa e da identidade luso-americana 2. Consul-Geral Drª Manuela Bairos Projecto escolar: entrevista dos alunos aos avós sobre as suas histórias de emigração 3. Período de interação com professores e diretores das Escolas comunitárias 4. Presidente da AG da "Mulher Migrante" Drª Manuela Aguiar O papel dos professores e dos alunos, das famílias na defesa do património da língua de herança e da cultura portuguesa 11.45-1300 Debate 13.00 – 14.00 (almoço) IDENTIDADE LUSO-AMERICANA COMO HERANÇA PORTUGUESA 14.30 – 15.00 Apresentação da convidada Manuela Aguiar de honra e do programa da tarde pela Cônsul-Geral Um projeto para o diálogo do movimento associativo português no mundo 15.00 – 15.45 Identidade de origem portuguesa Moderador: Paulo Pereira Josh Mendes (jewish) Diane Macedo Manny Frade 16.00 – 16.45 Participação cívica e associativismo Moderador: Agostinho Saraiva Felisbela Ferreira Anália Beato/Amélia Gonçalves Bruno Machado 17.00 – 17.45 Afirmação profissional Moderadora: Paula Mendes Amelita Moreira Srª Martins Tony Castro Luis Tormenta 18.00 – 18.45 Participação política Moderadora: Maria João Ávila Rosa Rebimbas Paulo Pereira Maria Araujo Khan Jack Martins Janice Duarte 19.00 Jantar no Mineola Portuguese Center 8 - LANÇAMENTO DE DOIS LIVROS DE ADELAIDE VIVELA MONTREAL, CENTRO COMUNITÀRIO DO ESPÍRITO SANTO DE ANJOU, 24 de março Adelaide Vilela organizou, na noite de sábado, 24, uma grande festa popular e tertúlia literária portuguesa por ocasião do lançamento, no Canadá, dos seus últimos livros "Magma de Afetos" e "Olhos nas Letras", que já havia divulgado em várias cidades de Portugal. O evento realizou-se no Centro Comunitário de Anjou, com recital de poesia, música e intervenções do Cônsul Geral de Montreal, de professores e dirigentes associativos, contando com a presença de centenas de portugueses e luso.canadianos e uma ampla cobertura dos "media". Manuela Aguiar destacou o perfil de intervenção da autora na sua comunidade, onde tem um longo e notável percurso como jornalista e onde se destacou, desde sempre, como defensora do ensino de português para os jovens luso-canadianos e da língua portuguesa como língua de cultura - preocupações largamente dominantes entre as mulheres portuguesas em todas as comunidades e, como é sabido, um dos objetivos que mais as mobiliza para a participação cívica. . 9 - COMEMORAÇÃO do DIA INTERNACIONAL DA MULHER CONFERÊNCIA "A MULHER COMO FACTOR DE PODER E HOMENAGEM A MARIA BARROSO Montreal, 25 de março Pela 18ª vez o jornal LUSOPRESSE organizou, no centro de Montreal,e de convívio dos portugueses, (no salão do restaurante Estrela do Mar), o Dia da Mulher. É, desde há quase duas décadas, uma iniciativa, tanto quanto se sabe, inédita no mundo da Diáspora lusa. Em cada ano, uma nova vertente ou domínio de intervenção feminina e escolhida como tema de debate, que sempre tem contado com personalidades de relevo, portuguesas ou canadianas. Este ano, o ângulo escolhido foi o do papel das mulheres no domínio profissional e político. Foram conferencistas três jovens, duas empresárias, Sandra e Cláudia Ferreira e uma política, Anabela Monteiro, e, da anterior geração, a antiga Secretária de Estado e Vice-presidente da Assembleia da República Maria Manuela Aguiar. À conferência seguiu-se a homenagem a Maria Barroso e à Prof Odete Cláudio, uma grande figura da comunidade recentemente falecida. Maria Barroso fora, em 2007, a convidada de honra das comemorações do "Dia da Mulher" - uma jornada inesquecível, que foi recordada numa cidade onde a sua memória está bem viva. A personalidade de Maria Barroso foi apresentada pelo Prof Doutor e todos os presentes se juntaram à homenagem, dabdo um testemunho pessoal. M Manuela Aguiar destacou o papel de Maria Barroso nos "Encontros para a Igualdade" a a sua longa colaboração com a AMM - 10 - - . Portugal / Brasil - a descoberta continua, a partir de Monção A terceira edição desta iniciativa aconteceu a 20 abril de 2018 na EPRAMI (Escola Profissional do Alto Minho Interior) em Monção. A AMM teve como parceiros: Câmara Municipal de Monção, Casa Museu de Monção da Universidade do Minho, EPRAMI , Universidade Sénior de Monção, Agrupamento de Escolas de Monção, Jornal As Artes entre Letras, jornal A Terra Minhota, Centro de Formação Vale do Minho. O Colóquio " Portugal/Brasil - a Descoberta contínua, a partir de Monção " pretendeu celebrar o momento histórico em que Pedro Álvares Cabral avista terra do Brasil, onde é hoje Porto Seguro, a 22 de abril de 1500. Foi essa a data que o Senado Brasileiro aprovou como "Dia da Comunidade Luso Brasileira" - iniciativa que viria a ser ratificada por Portugal. A efeméride é celebrada em todo o Brasil, com grande empenho dos Portugueses, mas passa quase despercebida em Portugal. Esta iniciativa teve o Alto Patrocínio do Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas. Investigadores/as, professores, estudantes, decisores políticos, interessados/as nesta temática, foram desafiados a participar neste colóquio e torná-lo num momento de debate e reflexão em torno da história da emigração, da cidadania e da lusofonia que ganha agora novo incentivo através da decisão legislativa que visa reforçar o estudo da emigração, fazendo-se jus a esta parte importante da história do povo português. Dar-se-á especial ênfase às questões da Igualdade e relevo a mulheres e homens da diáspora lusa com cunho minhoto. Da Comissão Científica faziam parte: Graça Guedes, Professora Catedrática Aposentada da Universidade do Porto; José Viriato Capela, Professor Catedrático da Universidade do Minho e Presidente da Casa Museu de Monção da UMInho; Alexandra Esteves, Professora Auxiliar da Universidade Católica, Pólo de Braga Do Programa constavam dois painéis: O 1º, intitulado DIMENSÕES DO POLIEDRO DA EMIGRAÇÃO abordou os seguintes temas: A Emigração de Viana do Castelo para o Brasil (1929-1950) a partir dos livros de registo de passaporte- por Rui Miguel Pires, Mestre em Relações Internacionais - Universidade Lusíada do Porto; Ateliês da memória - Monçanenses pelo mundo por Francisco Alves, Diretor do jornal local A Terra Minhota e Arcelina Santiago, Mestre em Ciências Sociais Políticas e Jurídicas - Universidade de Aveiro; Trajetória literária de Maria Ondina Braga por Isabel Cristina Mateus, Professora Auxiliar do Departamento de Estudos Portugueses e Lusófonos do Instituto de Letras e Ciências Humanas (ILCH) da UMinho; Maria Archer, uma portuguesa no Brasil . Entrevista Imaginária a Maria Archer pelos alunos da EPRAMI - Beatriz Lopes e Pedro Cerqueira; História de uma Vida entrevista a Carlos de Lemos

terça-feira, 5 de junho de 2018

ENCONTRO DE PORTUGUESES NAS MARGENS DO RIO PRATA

1 - Todos os anos, em Novembro, os Portugueses do chamado "Cone Sul" (da América) encontram-se num dos três países que o formam, Brasil, Argentina e Uruguai.  O grande Encontro nasceu à volta de um campeonato do popular jogo da sueca, que, praticamente desde o início, se foi alargando a outras formas de convívio interassociativo - exposições, desfile e exibição de ranchos folclóricos, palestras, debates, conferências... Na verdade, a componente puramente lúdica com que começou por se apresentar e por ganhar o seu público, rapidamente cedeu a um marcante perfil cívico e cultural, com a participação de personalidades de relevo dos países co-envolvidos - membros do Governo, Deputados, Diplomatas, Autarcas, Conselheiros das Comunidades, dirigentes das instituições comunitárias, especialistas das temáticas em análise, escritores, artistas plásticos....
A 29ª edição decorreu nas margens do Rio da Prata, na famosa Colónia de Sacramento, fundada por Manuel Lobo, ido do Rio de Janeiro, por largo tempo, território de reino português e hoje "património da Humanidade", na sua belíssima traça antiga. Sem o imenso Prata à vista, poderíamos julgar que estávamos no centro de uma vila transmontana, milagrosamente preservada, através dos séculos.
A qualidade da sua reconstrução, em data recente, fica a dever-se, sobretudo, a um notável historiador luso-uruguaio, o Prof Fernando Assunção, com quem em 1980 visitei a cidade, ainda á espera  da finalização das obras que a colocaram no mapa da UNESCO.
  
2 - Num outro país de emigração, este Encontro seria apenas importante. No nosso caso, é mais do que isso: é único! É um paradigma de internacionalização  inédito no panorama do associativismo português.
De facto, ao contrário do que acontece nos demais países europeus. o associativismo português é muito forte, a nível de cada cidade, ou região, ou país, mas nunca ultrapassa esta última fronteira.
A proliferação de organizações mundiais de emigrantes deu-se em inícios do século XX, num tempo em que os europeus procuravam, em massa, nova vida na América, de norte a sul. Exemplos: a Organização dos Suíços no Estrangeiro, (que ainda hoje dá mostras de extraordinária vitalidade, reunindo anualmente, em congresso, mais de um milhar de emigrados e elegendo, entre eles, o mais antigo dos "Conselhos" das Diáspora europeias: a "Associação Mundial dos Austríacos no Estrangeiro"; os "Flamengos no Mundo" e a "União Francófona dos Belgas no Estrangeiro": a "Associação de Cultura Alemã no Estrangeiro": a Fundação dos Espanhóis no Mundo": a "Associação para os Direitos dos Ingleses": a "União dos Italianos no Estrangeiro": a " Suécia no Mundo" e a "Associação Educativa das Mulheres Suecas": a "União dos Franceses no Estrangeiro", a primeira a reclamar, desde 1927, a representação política dos expatriados, (que está na origem da instituição, em 1948, do "Conselho Superior dos Franceses do Estrangeiro", atualmente "Assembleia dos Franceses do Estrangeiro" - órgão de consulta governamental, em que se inspiraram, na década de 80, os "Conselhos" de todos os outros países europeus, incluindo o nosso). A última  é "Comunidade Polaca", constituída em 1991, pouco depois da dissolução da URSS.
É paradoxal ver o Povo que, na sua dispersão planetária, corporizou o primeiro movimento de globalização dar, assim, mostras de incapacidade de unificar institucionalmente um movimento associativo pujante, mas fechado sobre si - como uma infinidade de ilhas que querem sempre fazer ponte com o País, mas não entre si.
Houve uma tentativa, tardia embora, de alterar este estado de coisas - nos anos sessenta, com  a criação da "União das Comunidades de Cultura Portuguesa", por iniciativa de Adriano Moreira, então presidente da Sociedade de Geografia, O regime não a deixaria sequer passar da proclamação formal, num grande Congresso mundial,  para a ação concreta.
De qualquer modo, note-se, era de dentro do país e não da própria Diáspora que o clarividente projeto nascia...Depois, no princípio de oitenta, foi o governo a propor uma ideia de federalização associativa a partir do Conselho das Comunidades. Também não resultou. O Conselho continua, mas como mero órgão consultivo governamental, onde há dirigentes de coletividades dos cinco continrentes, eleitos a título individual..

3 - Neste novembro de 2017, houve uma razão muito especial para reunir no Uruguai o atual Secretário de Estado, José Luís Carneiro e dois dos seus antecessores, José Cesário e eu mesma: O Encontro era dedicado a José Lello, 
que ocupou esse cargo, de uma forma memorável, nos anos noventa e começo do século XXI. Foi depois Ministro do Desporto e deputado, sem nunca esquecer e, como se viu em Sacramento, sem ser esquecido pelo mundo da emigração. Foi o único titular da pasta, que anos depois de cessar funções procurou lançar uma Fundação para o diálogo no espaço lusófono (Terra Mater) e convidou-me a partllhar com ele o empreendimento. Aceitei sem pensar duas vezes, porque  para mim José Lello, tendo sido, episodicamente, um adversário político, se convertera num amigo verdadeiro -  e para sempre. O que nos dividiu, numa fase encerrada foram questões menores. No essencial, tínhamos a mesma visão da Diáspora e da urgência de a unir em volta de valores culturais. Por isso, não hesitei em fazer tantos milhares de quilómetros para o lembrar, numa sentida  homenagem, com a presença do seu filho Miguel, entre muitas centenas de Portugueses de países distantes. (a homenagem que faltou no Portugal do território...).

ANIVERSÁRIO EMIGRANTE/MUNDO PORTUGUÊS mensagem Maria Manuela Aguiar

UM JORNAL DE CAUSAS Em janeiro de 1980, iniciei, enquanto responsável pelo pelouro das migrações, o que seria um longo caminho de colaboração com "O Emigrante”, então a completar a primeira década de uma vida intensa, focada na grande vaga de emigração europeia, com o propósito de ser a voz daqueles portugueses - os mais marginalizados e esquecidos, tanto pelo Estado (que obrigava a maioria a sair dramaticamente, "a salto"...), como pela sociedade e, até, pelos "media" nacionais. Por isso, sempre o vi como o aliado em que se podia confiar para trazer ao País o testemunho de situações individuais e da evolução da vida coletiva, e para levar, a núcleos tão dispersos, notícias do País, de uma democracia em progresso, assim como informações sobre o conteúdo de novas leis, medidas e projetos que os afetavam diretamente - o que configurava, a meu ver, autêntico “serviço público”! . No rol infindo das minhas memórias de partilha de ações concretas com O Emigrante - Mundo Português, recordarei três, que são prova evidente da identidade, da vocação cívica e solidária de um periódico diferente dos outros: A CRIAÇÃO DO CCP O maior destaque vai para a sua participação, sobretudo através do Dr. Carlos Morais, no Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP), desde o momento matricial. O CCP foi, em 1980/81, o instrumento de uma política de aproximação e diálogo do Governo, que visava dois objetivos tão inovadores quanto ambiciosos. O primeiro era o de constituir uma plataforma de encontro e cooperação entre portugueses, a nível mundial, e o segundo, não menos relevante, o de garantir uma representação específica das comunidades face ao Poder, complementando um sistema constitucional que apenas concedia aos expatriados o voto para a eleição de quatro deputados. Este jornal não se limitou a fazer a história, mas, a seu modo, participou no nascimento do CCP como "instituição" pioneira, eleita pelo movimento associativo, e em que se integravam, numa secção autónoma, os "media" das Comunidades do estrangeiro. A transposição da lei para a realidade, da vontade do legislador para a vontade dos destinatários, foi uma aventura extraordinária, que começou pelo radical afrontamento entre emigração europeia, muito partidarizada, e a emigração transoceânica/Diáspora, e foi construindo, de debate em debate, democraticamente, uma comunidade de trabalho e destino, que soube incorporar as naturais divergências, que haveriam de persistir sempre. Comunidade de bom relacionamento humano, em que a qualidade jornalística de "O Emigrante" granjeou o aplauso unânime dos conselheiros, ao ponto de vir a ser por todos considerado um verdadeiro “porta-voz do CCP. E, de facto, no grande forum para a internacionalização ou globalização do associativismo português, o nosso primeiro "jornal global" era o que perfeitamente correspondia à sua dimensão e perspetivas POLÍTICAS PARA A IGUALDADE DE GÉNERO Ao longo de cinco séculos, em Portugal, até 1974, as leis sempre discriminaram as cidadãs, proibindo ou dificultando as migrações femininas e a primeira medida positiva terá sido a realização, em 1985, do "1º Encontro Mundial de Mulheres Portuguesas no Associativismo e no Jornalismo" (por recomendação do CCP e para colmatar a quase total ausência de mulheres na composição desse órgão representativo e consultivo). "O Emigrante" esteve lá! E, quando foi criada, em 1993, a associação de estudo, cooperação e solidariedade para com a "Mulher Migrante", foi, um dos sócios fundadores, através do seu Diretor Carlos Morais. Na sede do jornal se fez o lançamento público da nova organização, que viria a converter-se, a partir de 2005, em parceiro constante de sucessivos governos na execução de políticas para a igualdade nas Comunidades Portuguesas. IGUALDADE DE DIREITOS POLÍTICOS Uma das principais recomendações do CCP era o alargamento dos direitos políticos dos emigrantes, e, sobretudo, o voto na eleição do Presidente da República. "O Mundo Português tomou a iniciativa de lançar uma campanha universal pela reivindicação desse direito. Com leitores em todos os continentes, quem o poderia fazer com a mesma abrangência? Quando o voto foi, finalmente alcançado, na revisão constitucional de 1997, pode, pois, reclamar vitória, em nome dos cidadãos das comunidades! Termino esta breve rememoração, enviando um abraço de parabéns ao "Mundo Português", por ser, há 48 anos, como o quiseram os seus fundadores, e empresário Valentim Morais e o Padre Melícias Lopes, um “jornal de grandes causas.”

segunda-feira, 4 de junho de 2018

No 48º aniversário de O MUNDO PORTUGUÊS Em janeiro de 1980, iniciei, enquanto responsável pelo pelouro das migrações, o que seria um longo caminho de colaboração com o "O Emigrante”, então, a completar a primeira década de uma vida intensa, focada na grande vaga de emigração para a Europa, com o propósito de ser a voz daqueles portugueses - os mais marginalizados e esquecidos, tanto pelo Estado (que obrigava a maioria a sair dramaticamente, "a salto"...), como pela sociedade e, até, pelos próprios "media" nacionais. Desde sempre o vi como o aliado em que se podia confiar para trazer testemunho de situações individuais e da evolução da vida coletiva, e para levar a núcleos tão dispersos notícias do país, de uma democracia em progresso, e informações sobre o conteúdo novas leis, medidas e projetos que os afetavam diretamente - o que configurava, a meu ver, autêntico “serviço público”! . No rol infindo das minhas memórias de partilha de ações concretas com O Emigrante- Mundo Português, recordarei três, que são prova evidente da identidade ou da vocação cívica e solidária de um periódico diferente dos outros: A CRIAÇÃO DO CCP O maior destaque vai para a sua participação, sobretudo através do Dr. Carlos Morais, no Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP), desde o momento matricial. O CCP foi, em 1980/81, o instrumento de uma política de aproximação e diálogo do Governo, que visava dois objetivos tão inovadores quanto ambiciosos. O primeiro era o de constituir uma plataforma de encontro e cooperação entre portugueses, a nível mundial, e o segundo, não menos relevante, o de garantir uma representação específica das comunidades face ao Poder, complementando um sistema constitucional que apenas concedia aos expatriados o voto para a eleição de quatro deputados. Este jornal não se limitou a fazer a história do nascimento do CCP como "instituição" pioneira, eleita pelo movimento associativo, e em que se integravam, numa secção autónoma, os "media" das Comunidades do estrangeiro. A transposição da lei para a realidade, da vontade do legislador para a vontade dos destinatários, foi uma aventura extraordinária, que começou pelo radical afrontamento entre emigração europeia, muito partidarizada, e a emigração transoceânica/Diáspora, e foi construindo, de debate em debate, democraticamente, uma comunidade de trabalho e destino, que soube incorporar as naturais divergências, que haveriam de persistir sempre. Foi num tal clima que a qualidade jornalística de "O Emigrante" granjeou aplauso unânime dos conselheiros! E até veio a ser considerado, também, por consenso, um verdadeiro “porta-voz do CCP! E, de facto, no grande forum para a internacionalização ou globalização do associativismo português, o nosso primeiro "jornal global" era o que perfeitamente correspondia à sua dimensão e perspetivas POLÍTICAS PARA A IGUALDADE DE GÉNERO Num país que, ao longo de cinco séculos, sempre, discriminara as cidadãs portuguesas, proibindo ou dificultando as migrações femininas, a primeira medida positiva foi a realização, em 1985, do "1º Encontro Mundial de Mulheres Portuguesas no Associativismo e no Jornalismo" (por recomendação do CCP e para colmatar a quase total ausência de mulheres na composição desse órgão representativo e consultivo). "O Emigrante" esteve lá e, quando foi criada, em 1993, a associação de estudo, cooperação e solidariedade para com a "Mulher Migrante", foi, um dos seus sócios fundadores, através do seu Diretor Carlos Morais. Na sede do jornal se fez o lançamento público da nova organização, que viria a converter-se, a partir de 2005, em parceiro constante de sucessivos governos na execução de políticas para a igualdade nas Comunidades Portuguesas. IGUALDADE DE DIREITOS POLÍTICOS Uma das principais recomendações reiteradas do Conselho era o alargamento dos direitos políticos dos emigrantes, e, sobretudo o voto na eleição do Presidente da República. "O Mundo Português tomou a iniciativa de lançar uma campanha universal pela reivindicação desse direito. Com leitores em todos os continentes, quem o poderia fazer com a mesma abrangência? Quando o voto foi, finalmente alcançado, na revisão constitucional de 1997, pode, pois, reclamar vitória, em nome dos cidadãos das comunidades! O meu abraço de parabéns ao "Mundo Português", por ser, há 48 anos, como o quiseram os seus fundadores, um “jornal de grandes causas.”

segunda-feira, 30 de abril de 2018

CÔNSUL CARLOS DE LEMOS CONDECORADO

O Doutor Carlos Pereira de Lemos recebeu, no início deste ano de 2018, a "Ordem da Austrália", país onde se fixou há muitas décadas. É uma honraria que o Governo aí concede a muito poucas individualidades, através de um processo exemplarmente democrático. Qualquer cidadão pode propor a atribuição de uma condecoração, dirigindo o pedido ao "Conselho da Ordem". O processo de apreciação é sempre muito rigoroso e, em regra, longo (mais de um ano ou um ano e meio...). O parecer é dado, após analise detalhada e ponderação do merecimento do curriculum e da conduta ética do candidato, ao longo da vida . A decisão final cabe ao Governo, sem a intervenção do Chefe de Estado, que apenas pode ser proponente, como um cidadão comum, embora as suas propostas tenham prioridade de avaliação sobre as demais. A prestigiada "Ordem da Austrália", concedida em diversos graus, é a única, ao contrário do que acontece em Portugal, por toda a Europa e em outros continentes.O Doutor Lemos foi condecorado no grau correspondente a "serviços meritórios". Assim, se juntou a sua Mulher, a Doutora Molly de Lemos, que,também, foi distinguida, no grau equivalente a "serviços excecionais", como pedagoga e investigadora, com larga e valiosa bibliografia publicada. Não sei se em toda a Austrália haverá um outro caso, em que marido e mulher, ambos imigrantes, sejam membros da Ordem e da associação a que podem pertencer, exclusivamente, as personalidades a quem foi outorgada!.A este ilustre Português, nascido no Minho há 92 anos, já tinha sido atribuída a "Ordem de Mérito" de Portugal,que lhe foi entregue, em 2002, pelo Presidente Sampaio e a "Ordem de Timor", recebida em 2015, em Dili, onde passou duas semanas, na companhia de sua Mulher, a convite do Presidente Alkatiri, de cujas mãos recebeu a comenda. (Timor, terra de recordações felizes, dos seus primeiros anos de casados!).A meu ver, é especialmente significativo este reconhecimento plural dos Estados, aos quais deu não só a qualidade do trabalho profissional, como do contributo cívico, e até, também, o afeto, graças ao qual tão bem soube aproximar, fraternalmente, pela ação concreta, os Povos dos três países. Quem realiza grandes feitos, nem sempre é tão consensual... Qual foi o segredo que lhe permitiu escapar ao vulgar sentimento da inveja, a rivalidades e quezílias? Porventura, a força da sua simplicidade e simpatia, os gestos constantes de solidariedade, o sentido inato do que é certo e justo, que já revelava na infância, e que lhe permitiu envolver-se em empreendimentos que tão bons foram para os outros como para si próprio... Um dos maiores terá sido, creio, o audacioso projeto, que leva a sua marca, de princípio a fim: erigir um monumento aos nossos navegadores dos mares do Sul, em Wallongong, onde os portugueses deixaram o rasto das suas caravelas 250 anos antes de Cook ,que (ainda) está na história oficial como o descobridor da Austrália. O monumento é, para os portugueses, lugar de culto( e aí realizam o seu maior festival) e, para todos, um polo de turismo cultural. O nome do Dr Lemos foi, em mais uma merecida homenagem, dado a uma das ruas do centro da cidade! . Quando, há quase quatro décadas, conheci o Doutor Carlos de Lemos, em Melbourne, já ele tinha um notável curriculum académico e profissional, era o líder das nossas comunidades, e, defendia, por igual, os direitos dos portugueses e dos timorenses que, então, em massa, procuravam refúgio em terras australianas. Pouco depois, seria nomeado cônsul honorário de Portugal em Melbourne, e, até hoje, tem desempenhado a sua missão com um tal brilho e eficácia, que levou o Secretário de Estado José Luís Carneiro, a distingui-lo, há dias, na reunião mundial dos cônsules honorários de Portugal, como um verdadeiro "primus inter pares". E a declarar, publicamente, em 20 de abril, no encerramento do colóquio de Monção, que uma das razões determinantes da sua presença era a de prestar homenagem à obra deste admirável compatriota, ali, em Monção, terra de onde partiu, de comboio, para a primeira das inúmeras viagens que o levariam a cumprir o destino extraordinário, que se lê na sua autobiografia como um romance, porém verídico! Para mim, como certamente para a generalidade dos leitores, é um relato fascinante que não para de nos encantar e surpreender. De facto, apesar de uma amizade de longa data, as nossas conversas centravam-se, sobretudo, nas migrações, na história, na política nacional e internacional, e nunca tínhamos falado dos tempos de infância ou juventude. Tomei por certo que tão fino e culto diplomata teria nascido numa das antigas mansões minhotas e frequentado os melhores colégios. A autobiografia, (que tive o privilégio de ler, antes mesmo de publicada, e de prefaciar), constituiu um "choque de realidade". Um espanto! Como conseguiu um menino de 10 ou 12 anos, entregue a si próprio, sem o suporte da família, com a escolaridade mínima, ir em frente, tão longe e tão alto? A chave do segredo, como disse, estará na sua inata sociabilidade, num querer muito forte, guiado por valores, na sua maneira de "estar na vida", com inteligência, amabilidade e elegância . O que "fez correr" o jovem Carlos Lemos não foi a procura da "árvore das patacas", mas a curiosidade intelectual, o gosto de descobrir terras, gentes, costumes diferentes. O menino de uma aldeia perdida na serra, assim se tornou português cosmopolita, que se relacionou e conviveu, na intimidade, com algumas das personalidades que revolucionaram o panorama cultural e político do século XX no mundo. Em Monção, a sua história de vida foi lançada numa modalidade que julgo inédita e a repetir: uma entrevista coletiva pelos alunos das escolas da cidade!. Um vivíssimo diálogo de gerações constituiu momento especialmente emotivo na programação de um colóquio, em que se destacavam grandes individualidades da emigração minhota e monçanense, todos nomes do passado, à exceção do Dr Carlos de Lemos, que estava ali, face a face, com meninos e jovens, exatamente da idade que que ele tinha nos primeiros capítulos do livro...Disposto a dar os pormenores e explicações que lhe pedissem, e a revelar como foi possível cumprir sonhos que pareciam impossíveis . Um curso profissional de topografia foi o seu passaporte para ultrapassar todas as fronteiras, todos os mares... A aventura ia ganhando a dimensão do seu espírito sempre aberto, em novos patamares de formação académica, de conhecimentos e de amizades, que soube colocar, (na nossa melhor tradição), ao serviço da expansão da presença de Portugal Que espantosa lição lhes deu, a motiva-los a viver a vida, com esperança, com cordialidade e alegria, ultrapassando todas as metas, sem nunca deixar os outros de lado, ou para trás. O Dr Lemos, tal como Barack Obama, veio dizer-nos: "Yes. you can". E não basta conseguir. é preciso que a correção dos meios seja posta ao serviço da grandeza dos fins

domingo, 15 de abril de 2018

VISITA A UM CANADÁ PORTUGUÊS 1 - Em fins de março, passei três dias no Québec, com um intenso programa cultural, a convite de dois jornalistas, que são meus amigos há quase 40 anos - a beirã Adelaide Vilela, que, em matéria de "media", toca todos os instrumentos, incluindo rádio e televisão, e o açoriano Norberto Aguiar, diretor do jornal Lusopresse. Adelaide apresentou os seus dois últimos livros (um dos quais tive o gosto de prefaciar), de uma forma original, num jantar com 200 convivas, no salão de uma das várias centenas de associações, que na América do Norte, são dedicadas ao Divino Espírito Santo, o mais português dos cultos religiosos, que se deve a Isabel de Aragão - a nossa Rainha Santa Isabel, paladina do fraternalismo cristão, de uma igreja espiritualista, voltada para os mais pobres, despojada de pompas e poder material, como atualmente a quer o Papa Francisco. (O culto do Espírito Santo, que Portugal levou a todo o universo da lusofonia, sobrevive, hoje, sobretudo, nos Açores, nas comunidades da sua emigração, e, também, em antigos povoados do Brasil, como Parati ou Alcântara, embora com lamentável ignorância da sua raíz portuguesa.). A grande festa de Adelaide, teve, entre múltiplos méritos, o de envolver muitos jovens, nascidos no Canadá, que entre música, felicitações e mensagens dos mais velhos, leram (e que bem!), algumas poesias e trechos da sua prosa. Um excelente meio de estimular a aprendizagem da língua, uma das causas maiores desta "mulher de armas", em luta constante pela expansão da nossa cultura. No dia seguinte, o jornal Lusopresse, organizou, pela 18º vez consecutiva, o seu "Dia da Mulher", com uma homenagem especial a Maria Barroso, que dez anos antes, na presença da Ministra da Imigração e outras figuras da política canadiana, numa sala cheia de portugueses, fora a principal protagonista de idêntica cerimónia, em que tive a sorte de a poder acompanhar. 2- Nas nossas comunidades, as comemorações de uma efeméride, ultrapassam, frequentemente o dia do calendário. Assim, por exemplo, o Dia de Portugal pode estender-se por uma semana de variados eventos, (festivais de música, paradas, jogos, exposições, conferências...), ao longo do mês de junho. O mesmo se diga do Dia Internacional da Mulher, que não se limita ao 8 de março. Se não coincidir com o fim de semana, é logo transferido para um sábado ou domingo. E qualquer sábado ou domingo do mês guardam o simbolismo da data! São dois exemplos, neste aspeto semelhantes, mas muito distintos, no que respeita à generalização e dimensão das realizações em que se traduzem. O dia nacional é celebrado pela Diáspora, universalmento, com um entusiasmo e uma paixão, que não têm paralelo dentro do país, onde, para além de atos oficiais, é visto como um simples feriado para ir ao "shopping", ou à praia, se o tempo estiver de feição. O Dia da mulher, em comunidades do estrangeiro, (regra geral, ainda menos sensíveis às questões de género do que as comunidades do território), é quase completamente ignorado. A mais antiga e notável exceção, de que tenho conhecimento, - em assunto que dificilmente escaparia ao meu conhecimento, em perto de quatro décadas de convívio com emigrantes - é a levada a cabo pelo "Lusopresse". Em 2018, ainda se contam pelos dedos das mãos, e são, maioritariamente, promovidas por associações femininas, as iniciativas que vão surgindo... Nas 18 jornadas que o Lusopresse dedicou à Mulher, o enfoque tem sido colocado em diversos domínios ou temáticas. Este último. em que fui oradora, num painel que partilhei com portuguesas muito jovens, questionava o poder das mulheres. Como definir o "poder" ? Pergunta com mil e uma respostas possíveis. Eu falei, sobretudo da resposta que Maria Barroso deu com o seu percurso na vida - o "poder" ao serviço da dignidade das pessoas, de uma cultura de paz e fraternidade, o poder que se pode exercer no palco do teatro, na escrita, numa sala de aulas, no terreno da política, ou do puro voluntariado.... 3 - Há muitos anos que não faço excursões de férias (para férias há o mar de Espinho!), e prefiro investir em viagens ao estrangeiro, já não para ver paisagens novas, mas para reencontrar velhas amizades. E para manifestar apreço e reconhecimento a pessoas e instituições que oferecem ao País existência nas "sete partidas do mundo". Entre elas, jornais e jornalistas têm papel insubstituível,e, desta vez, foram eles a motivação para cruzar o oceano, em muitas horas de voo!. A imprensa da emigração é, em tudo, semelhantes à imprensa regional, aos jornais de cada terra, na medida em que começam por ser parte da construção da sua identidade, e acabam por a retratar, guardando memórias, fazendo a história. Isto é tanto mais verdade, quanto melhor for a sua qualidade (que não falta quer ao "Lusopresse" do lado de lá do Atlântico, quer à "Defesa de Espinho", do lado de cá). Todavia, mesmo os congéneres mais modestos, os que enchem páginas com meras transcrições das agências noticiosas e fotos das festas comunitárias, são mais importantes do que nos pode parecer, pois até o que é pura cópia, pode vir a torna-se informação útil sobre interesses, prioridades, mentalidades, e tudo o mais é registo inédito para a posteridade... Assim foi, e assim julgo que continuará a ser, na era na internet. Uma comunidade da Diáspora, como uma terra portuguesa, sem a sua imprensa (de preferência em papel....), não tem passado nem futuro, só o presente, a morrer em cada dia. que finda

correspondência