quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

MESTRE BALBINA MENDES

A 13 de dezembro, no Museu Teixeira Lopes, a Amiga Balbina Mendes, que tantas vezes tem participado nas iniciativas da AEMM, defendeu brilhantemente a sua tese de mestrado e foi aprovada com 18 valores

MUITO IMPORTANTE. ENSINO DA EMIGRAÇÃO NAS ESCOLAS

Resolução da Assembleia da República n.º 267/2017 Recomenda ao Governo a valorização do ensino da história da emigração portuguesa A Assembleia da República resolve, nos termos do n.º 5 do artigo 166.º da Constituição, recomendar ao Governo que: 1 — Reforce a presença nos currículos escolares da história da emigração portuguesa, de forma integrada e nas suas várias dimensões. 2 — Apoie o desenvolvimento da investigação sobre a emigração portuguesa nas instituições de ensino superior portuguesas e estrangeiras, em particular em países com presença relevante de comunidades portuguesas. Aprovada em 27 de outubro de 2017. O Presidente da Assembleia da República Ferro Rodrigues

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

AS ACADEMIAS DE BACALHAU E A QUESTÃO DE GÉNERO - ASSOCIATIVISMO FEMININO, MASCULINO E GLOBAL



Em 1980, por gratificante "dever de ofício", como membro do Governo responsável pela emigração, iniciei um infindável roteiro de viagens ao mundo da nossa Diáspora, que até aí desconhecia na sua verdadeira dimensão, como era comum e ainda hoje é, entre os portugueses que de deixaram ficar no território das fronteiras geográficas. 
Cheguei à África do Sul, em setembro desse ano, já com a experiência de contactos com coletividades portuguesas de três continentes, e, assim, facilmente, pude constatar, viver e sentir a absoluta originalidade das Academias de Bacalhau, enquanto modelo de reunir os portugueses para fazerem coisas grandes na campo dos valores do humanismo, da lusofonia, da entreajuda, em ambiente de tertúlia, a partir da festa, de ditames e rituais, que se diria (e bem...) inspirados nas tradições académicas, numa fraternidade de jovens de espírito, se não de idade...  Nos momentos divertidos em que levantava, baixava e bebia um copo de vinho no meu primeiro " gavião de penacho", pensava: "que ideia tão bem achada e tão bem conseguida!". Estava em Joanesburgo, na Academia-mãe, num almoço certamente mais formal do que habituais, mas onde (não obstante esse "senão"...), o espírito da festa se mantinha intacto. Entre tiradas de humor, graça "académica", boa disposição geral, ao lado do mítico fundador  Durval Marques, aprendi que nas Academias, já então pujantes em outras cidades do África austral, ninguém se ficava no "convívio pelo convívio". Eram todos militantes da intervenção solidária na sociedade! Aprendi que a ação se desenrolava, sempre, em dois tempos sucessivos:
 Primeiro, o dos almoços de amigos, puramente lúdicos, com as suas regras estritas de convivialidade, as proibições (como falar de religião, de política...), cuja infração frequente, garantia multas pesadas:
 Segundo,  o da gestão das generosas "multas". Com essas verbas lançaram,por exemplo, a primeira pedra do lar de terceira idade de Joanesburgo, que talvez seja o melhor de todos os que existem na Diáspora, prestaram assistência aos refugiados de Moçambique e Angola, em 1974 e 1975, e prosseguem, hoje nos quatro cantos da terra, projetos adequados ao perfil de cada comunidade, ás suas aspirações culturais ou ao apoio a desfavorecidos.
Aquele primeiro "almoço de descoberta" converteu-me em incondicional admiradora de tão eficaz paradigma de, "ridendo",  fazer o bem ! Ainda por cima, vi.me aceite como membro da "Academia-mãe", com um sentimento de genuína adesão aos seus princípios e práticas, fundados na amizade, na alegria de conviver e na vontade de tornar o mundo melhor e mais divertido. 
Não era, diga.se, a primeira portuguesa a ser assim chamada ao convívio dos auto-designados "compadres". Na altura, os almoços e, com eles, a titularidade de associado,  eram, em regra, reservados aos "compadres", mas tudo o que se passava em horário pós-laboral, jantares, encontros, abrangiam as mulheres, as "comadres".  Era a evidência de que a "praxis" se baseava em formas de relacionamento preexistentes - o do almoço, na pausa do trabalho, entre profissionais (todos homens, porque a metade feminina estava, de facto, ausente desse círculo), o do jantar, naturalmente, reunindo famílias inteiras. Nunca foram, bem pelo contrário, uma espécie de "clube inglês" segregacionista! Quando as Academias chegaram a comunidades onde as mulheres partilhavam  com colegas homens o meio profissional, logo se abriram à sua plena participação e logo as vimos assumirem cargos de direção e até a presidência - o que nas instituições mais tradicionais foi, ou ainda é, um caminho longo...
Defensora, como sou, de uma associativismo misto, onde os géneros de completam como fator de progresso e democracia, compreendo a existência de organizações femininas - ou masculinas - quando moldam realidades  de cooperação, que, de outro modo, seriam prejudicadas, esperando, embora, vê-las evoluir para um harmonioso encontro das duas metades, do todo. Também neste aspeto, que tende a ser sempre menos valorizado, as Academias de Bacalhau nos deram uma lição de boas práticas, na rota dos bons princípios!

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

PORTO, CONFERÊNCIA PORTUGAL /BRASIL - HOMENAGEM A RUTH ESCOBAR



DE MARIA RUTH DOS SANTOS A RUTH ESCOBAR

Ruth Escobar foi, porventura, no Brasil, a mais destacada  mulher portuguesa da sua geração. Nome célebre na cultura, na política -  ativista de direitos humanos, voz indomável contra a ditadura, feminista tardia mas convicta, pioneira na vida política brasileira, primeira mulher eleita deputada, em dois sucessivos mandatos, à Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, 
 Maria Ruth dos Santos, na pré-história de Ruth Escobar, foi uma emigrante comum. Aos 16 anos acompanhou a mãe numa partida, de onde não haveria retorno. Invulgar era, sim, o facto de ser uma aventura no feminino, de uma mulher solteira e da sua filha única - a menina rebelde que estava destinada a convolar o modesto projeto de futuro, com o ímpeto da sua ambição e o fulgor da sua personalidade, num trajeto épico de permanentes rupturas e incríveis desafios, em rota da continuada transcendência do seu "eu", no cenário movente de novas fronteiras físicas e culturais. O seu saber é todo "de experiência feito" -  as viagens pela geografia, pelas alteridades culturais, são fonte de conhecimentos avidamente absorvidos e inspiradores de ação. Ousada e vanguardista, fará dessa mundividência em progressão uma arma para mudar o mundo, e, com ela,om ela haveria de revolucionar a realidade e o devir do teatro brasileiro.
Através de todas as metamorfoses, Maria Ruth será, porém, sempre a portuguesa do Porto, nascida em Campanhã, criada na rua do Bonjardim, no coração da cidade que levou consigo, em gratas recordações, A sua autobiografia, desde o primeiro parágrafo, é uma história portuense, começa num calcorrear de ruas e praças familiares, nas festas do São João, nas sessões de cinema do Rivoli, nas excursões de elétrico até à Foz, quando chegava o verão, ou até aos jardins do Palácio de Cristal, e, também, nos longos dias de aulas no Carolina Michaellis, onde se inicia na arte dramática, a representar, ao som dos primeiros aplausos, todos os diabos dos autos de Gil Vicente...
Nas suas próprias palavras: "quando embarquei para o Brasil, no Serpa Pinto, com a minha mãe, levava também a certeza de um destino, pois soube que tudo o que sucedeu na minha vida, mesmo antes do meu nascimento, estava moldado por uma força universal, cósmica, transcendente".
Na esteira dessa certeza, a sua vida avançará, vertiginosamente. No "Roosevelt" , mal acabara de chagar, a sua graça em palco, encarnando, de novo, os diabos de Gil Vicente logo, granjeia-lhe  o prémio oficial de "rainha" do colégio. Passa os exames, sem dificuldade.  Todavia, logo troca os estudos pelo trabalho, a vender a "Revista das Indústrias". É um sucesso, já ganha mais do que a mãe, mas depressa dá um passo em frente, angariando apoios na comunidade portuguesa para criar e vender a sua própria revista, "Ala Arriba". Tem apenas 18 anos. Na sua nova veste, apercebe-se das ameaças que se desenham sobre a presença portuguesa na Índia e propõe-se defende-la à volta do planeta. 
Corria o ano de 1954 e, uma vez mais, com o patrocínio dos compatriotas de S Paulo, a improvisada jornalista, ainda "teenager", vai ombrear com os melhores correspondentes de imprensa internacional, entrevistando uma longa lista de celebridades, como Foster Dulles e Christian Pinaud, Bulganin e Krushev, o Principe Norodan Sihanouk, o presidente das Filipinas, os primeiros-ministros da Turquia e da Tailândia, o mítico Nasser (a única a ter esse privilégio, no meio de quinhentos jornalistas presentes no Cairo!), e entre compatriotas, os governadores de Macau e da Índia e até Salazar. Os seus exclusivos são disputados por revistas como a "Life" e por prestigiados jornais de S, Paulo e Lisboa, É um primeiro vislumbre de fama.... Convidada a integrar a comitiva do Presidente Craveiro Lopes na visita oficial a Moçambique, acaba expulsa por ato considerado subversivo -  a revelação perante os "media" nacionais e internacionais de um trágico acidente aéreo, que a propaganda do regime queria ocultar. Será o primeiro de muitos gritos de liberdade, pelos quais não hesitará nunca em arriscar tudo, 
Na casa dos seus vinte anos, lança-se como empresária e produtora teatral, depois como atriz. Constrói um teatro com o seu nome, na cidade de São Paulo, e  e faz história com a fundação, em 1963, do Teatro Nacional Popular, que leva ao povo das periferias do Estado, a muitos milhares  de pessoas, espetáculos de qualidade (Martins Pera, Suassuna...) no palco improvisado num velho autocarro. 
Não é menos arrebatadora é a sua vida fora de cena, com quatro filhos de três casamentos (o primeiro anterior a esta década, o segundo com o poeta e dramaturgo Carlos Escobar, o terceiro com o arquiteto Wladimir Cardoso, que viria a ser o cenógrafo das suas peças de enorme êxito artístico - como "Cemitério de automóveis" de Arrabal, com montagem do argentino Vitor Garcia, e encenação dela mesma: Uma dupla que, em 1969, com "O balcão" de Jean Genet, venceria todos os prémios, no Brasil.
Os trinta anos de Ruth são passados no tempo conturbado de repressão e de medo em que se afunda o país, a partir de 1964. O seu teatro converte-se em palco de luta pela liberdade de expressão, Sucedem-se as ameaças, as pressões, os ataques de comandos para-militares, a violência sobre os próprios atores.  Na sua autobiografia, Ruth Escobar diz-nos que perdeu a conta ao número de ameaças, de prisões e interrogatórios, aos quais ia respondendo sempre com desafios a rondar o excessivo, como reconhecerá, retrospetivamente. De uma das vezes, é Cacilda Becker, sua referência, mentora e grande amiga, que intervém junto do Prefeito de São Paulo para conseguir liberta- la: "Prefeito, temos de tirar a Ruth, aquela portuguesa vai pôr fogo no quartel, é um serviço que o Senhor vai prestar às Forças Armadas, tire-a de lá quanto antes". E ele tirou...
É nesta sua década que traz a Portugal alguns dos maiores sucessos, "Missa leiga" e "Cemitério de automóveis" , logo proibida em Lisboa, mas não em Cascais, onde, pelo visto, a censura supunha ser inacessível a camadas populares...
É então que conhece as três Marias, lê as " Novas cartas portuguesas", Simone de Beauvoir, e se converte ao feminismo, uma metamorfose que contribuirá para a conduzir aos hemiciclos da intervenção parlamentar, onde volta a fazer história como pioneira, no universo masculino e fechado da política brasileira (ao abrigo do Tratado de Igualdade de Direitos entre Portugueses e Brasileiros, visto que nunca teve outra nacionalidade além da portuguesa). Como feminista, torna-se a primeira Presidente do "Conselho Nacional dos Direitos das Mulheres" e, durante muitos anos, a Representante do Brasil nas Nações Unidas para o acompanhamento da Convenção contra a discriminação das Mulheres.
Entretanto, tinha casado, uma última vez, e tido o seu quinto filho.
Em 1974, organizara o primeiro Festival Internacional de Teatro. Ela que, aos 19 anos, fora de São Paulo explorar as riquezas culturais do mundo, traz, então, a São Paulo, o mundo das artes cénicas - o que de melhor se apresentava nas grandes capitais. Em 1976, igual iniciativa teria a mesma força renovadora no panorama da arte dramática brasileira. 
Depois de quase uma década nos palcos políticos de um Brasil democrático, regressa, nos anos noventa, aos palcos do teatro, como atriz e como empresária e como promotora de festivais, em novos moldes, porventura menos elitistas, mas mais abrangentes de outras artes ,  
Conheci-a em 82, num jantar na residência do nosso Cônsul- Geral de São Paulo, em que estávamos lado a lado e, como toda a gente, não fiquei imune ao seu carisma, que era feito de espontaneidade e de extroversão, de inteligência e de humor, de uma vivacidade incomparável. Do que falámos? Do Porto, é claro, da sua e da minha cidade, que nos uniu em afinidades imediatas. Era evidente que ela permanecera portuguesa e portuense, e sempre, assim, se sentira parte do Brasil. A sua herança teatral, enraizada no Gil Vicente da juventude, e no vanguardismo em que projetou o seu talento ao longo de décadas, mudou para sempre a face do moderno teatro brasileiro . A sua última produção - a que, por sorte, pude assistir -  pôs em cena "Os Lusíadas" , bem no centro de São Paulo, e, depois, em Portugal.
Em vida, Ruth recebeu as mais altas condecorações brasileiras. a Legião de Honra da França. E até também Portugal a distinguiu, com a Ordem do Infante Dom Henrique.
Fica a faltar o Porto. Mas, talvez, agora que ela nos deixou, o Porto a queira reclamar, bem viva na sua memória e na toponímia da cidade

LUXEMBURGO: ROSTOS DA EMIGRAÇÂO/ VISAGES DE L'ÉMIGRATION, NO INSTITUTO CAMÕES

Dia 19 de outubro, Apresentação do livro de TENREIRA MARTINS, nas versões francesa (L ' Harmattan) e portuguesa (Orfeu). Patrocínio do Instituto Camões. Oradores: o Autor, o Padre Melícias Lopes e eu mesma. Presentes a anfitriã, Doutora  Adília Martins de Carvalho , o Consul-Geral de Portugal, Dr Manuel Gomes Samuel, o antigo Embaixador em Portugal Paul Schmidt, hoje chefe do Protocolo no MNE luxemburguês, numerosos dirigentes associativos, o Conselheiro das Comunidades e muitos outros compatriotas. Excelente tarde para falar de um livre singular sobre histórias comuns e incomuns das nossas migrações.

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

ELEIÇÕES AUTÁRQUICAS - OS GRANDES AUSENTES 1 - Nesta campanha os grandes ausentes foram os emigrantes, Sobre eles não ouvi uma só palavra, apesar de a Constituição da República Portuguesa, desde 1976 até hoje, lhes vedar qualquer forma de participação, ao nível local. O direito de voto foi-lhes, sim, reconhecido, no processo eleitoral para a Assembleia da República, desde os alvores da democracia, ainda que limitado à eleição de quatro deputados (uma espécie de quota minimalista). Seguiu-se, após anos e anos de protestos e reivindicações, vindos das comunidades do estrangeiro e dos seus representantes, a concessão do sufrágio nas presidenciais e nos "referenda" de âmbito nacional - com algumas restrições absolutamente injustificadas... Muito estranho que a sua exclusão nas eleições autonómicas e nas autárquicas, venha sendo, sobretudo nestes últimos tempos, objeto de escassa contestação. No que respeita às Regiões Autónomas, a Lei Fundamental, garante o direito de iniciativa às respetivas Assembleias Legislativas mas, apesar de algumas tentativas de o consagrar, nenhuma foi ainda por diante. Não assim nas autarquias, onde se exige uma revisão constitucional, que passa pelo entendimento entre os maiores partidos portugueses. Não quer isto dizer que os autarcas e a sociedade civil, tanto na emigração como dentro do país, não possam e devam mobilizar-se para colocar na agenda política esta questão, que é, acima de tudo, uma questão de cidadania. Os emigrantes são portugueses de pleno direito, tal como os vê a própria Constituição, ao assegurar-lhes o sufrágio no que respeita a órgãos de soberania. São, juricamente, parte da Nação e a Nação começa na terra em que nasceram. É à sua aldeia, (ou vila ou cidade) que os prendem, porventura, os laços fortes. É nelas que mais investem, é a elas que regressam, todos os anos, em verdadeiras peregrinações de verão ou que sonham voltar, em definitivo Face a um quadro semelhante, outros países europeus - o caso paradigmático da França - concederam aos seus expatriados o direito de voto nas eleições municipais várias décadas antes de o alargarem ao âmbito nacional. Nós começamos ao contrário. Isso, agora, pouco importa. Importa é que se complete o estatuto de direitos o mais depressa possível, com o voto dos emigrantes nas autárquicas! É tempo de relançar o tema caído no esquecimento, de exigir ação aos políticos, para darem força de lei à ligação telúrica dos emigrantes à terra-mãe. 2 - Esta é uma realidade que ninguém ousará pôr em dúvida, mas que nenhum candidato ousou fazer bandeira eleitoral na longa e mediática campanha a que acabámos de assistir. Admito que alguma voz solitária se tenha levantado em seu favor, talvez no interior quase desertificado pelo êxodo para o estrangeiro (ou para o litoral, dentro do país), mas, se isso aconteceu, não teve o devido eco ou impacto... O mesmo se pode dizer sobre o voto dos estrangeiros no nosso país, que é concedido sem restrições, sob condição de reciprocidade - o que. a nível local, se me afigura errado, discriminatório, porque todos são, afinal, "vizinhos" e merecem, participar, do mesmo modo, na "res publica", Ou seja, não devem ser penalizados pela falta de abertura, ou mesmo de democracia, nos seus Estados de origem, tanto mais quanto essa pode ter sido uma das razões determinantes da sua partida para e emigração ou o exílio. Até dentro do espaço da CPLP é notória a divisão. Entre os nossos eleitores estão Brasileiros ou Cabo verdeanos, porque Brasil e Cabo Verde nos concedem iguais direitos. Angola ou Moçambique não, pelo que se encontram eleitoralmente sem voz os seus nacionais que connosco vivem. A meu ver, cabe-nos dar, unilateralmente, o bom exemplo, quer se trate de lusófonos, ou de norte coreanos ou paquistaneses.... O número de estrangeiros recenseados é, aliás, baixíssimo - apenas 26980, o que corresponde a cerca de 11% do total. 12992 são nacionais da UE e 13988 pertencem a outros países. O número de eleitores da UE vem aumentando, gradualmente, desde o início do século, o dos outros países foi em crescendo de 2000 a 2007, atingindo nesse ano o apogeu, com 19727, e vem diminuindo, desde então, sinal claro do declínio da imigração por motivos de ordem económica, obviamente. Porém, com tão baixa taxa de recenseamento entre eles, é enorme a "margem de progressão", como se diz no futebol As autoridades nacionais e os autarcas devem, pois, chama-los a essa forma de convívio democrático, que é umavia por excelência para a sua plena integração. Em França, na nossa comunidade, que era pouco participativa, foram os líderes associativos, que mais tentaram (e conseguiram) mobiliza-la. com um slogan que é válido universalmente: "Quem não vota, não conta". Hoje o número de eleitores e, sobretudo, de eleitos de origem portuguesa em França é verdadeiramente impressionante! 3 - Nós queremos contar tanto com os nossos imigrantes como com os nossos emigrantes, para sermos mais e para sermos melhores. Queremos um Portugal mais multicultural e mais cosmopolita, onde os estrangeiros, as suas culturas, o perfil dos seus países de origem tenham mais visibilidade e mais simpatia. Um Portugal onde os Portugueses expatriados estejam politica e afetivamente mais próximos. No dia em que puderem votar na sua terra, os autarcas vão ter de os ouvir, de procurar saber onde estão (hoje não sabem, ou têm apenas uma noção vaga...), de os visitar, de conhecer os seus problemas e os seus anseios e de lhes dar resposta. Acho que os emigrantes ganharão muito com isso - e as suas terras ainda mais. A começar pelo crescimento demográfico no mapa eleitoral, que, em alguns concelhos será significativo, a continuar no reforço de solidariedades e de intercâmbios, a culminar na projeção internacional de cada terra, transmutando a ausência física dos seus munícipes em presença no mundo. Maria Manuela Aguia