quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Maria Beatriz ROCHA-TRINDADE sobre RITA GOMES

Um Olhar Retrospetivo...


Relembrar os percursos que o itinerário de vida nos proporcionou, à Maria Rita e a mim própria, faz descobrir que só a meio dele ocorreu o encontro que viria a dar lugar ao continuado relacionamento que a partir daí se estabeleceu.
Conhecemo-nos no início dos anos 70, no magnífico edifício onde então se alojavam os Serviços do Secretariado Nacional da Emigração, sito na Avenida João Crisóstomo, por ela justificadamente evocado com tanta frequência e muito grande saudade.
Embora existisse um interesse comum pelo fenómeno migratório, referência primeira que guiou, melhor dizendo, que sempre "iluminou" a orientação profissional de qualquer de nós, a formação de base e a experiência profissional até então adquiridas, diferenciavam as perspetivas e interpretações pessoais, não facilitando no imediato a aproximação que viria progressivamente a instalar-se e o entendimento recíproco que sedimentou a profunda amizade que verdadeiramente nos ligou.
Se, por um lado, a experiência institucional lhe conferia uma mais próxima dimensão da realidade que à época configurava ao nível "macro" a complexa problemática da mobilidade, então considerada como "ordem do dia", por outro, a idealização da excelência atribuída ao seu conhecimento direto e personalizado, resultante de um trabalho de campo intensivo, situava ao nível "micro" a sua configuração, contrapondo duas formas de abordagem. Posições que, não sendo antagónicas, se articulavam de forma complementar.
A saída do espaço universitário deu lugar ao relacionamento que estabelecemos enquanto colegas de trabalho e à inserção em núcleos nos quais cada uma assumia a responsabilidade de matérias muito diversas tanto na substância dos conteúdos como na forma de tratamento. Uma situação que nos colocava em patamares diferentes, lidando com assuntos distintos, coordenando núcleos técnicos que em nada se identificavam.
Confesso, sem vergonha, que reconhecendo o valor da preparação académica que detinha me senti nos primeiros tempos "desaproveitada" e a nossa interação, praticamente nula ao nível do exercício profissional, limitava-se a um convívio breve e inconsequente durante as pausas em que "tomar café" permitia uma curta interrupção no trabalho. Guardo uma boa recordação desses espaços de tempo passados na Rua do Passadiço.
As múltiplas mudanças que sempre ocorrem na Administração Pública e a natural alteração de chefias, fez-nos confrontar situações verdadeiramente difíceis e foi num desses períodos que, inesperadamente, surgiu um "novo tempo" no nosso relacionamento.
No momento certo, uma ajuda oportuna perante um aberto conflito institucional em que estava implicada (e me faria apresentar formalmente uma queixa ao Provedor de Justiça), fez com que reconhecesse a solidariedade que oportunamente me foi demonstrada pela ajuda e apoio que dela recebi, numa altura em que ambas desempenhávamos funções na Praça de Londres. Nunca poderei esquecer tal atitude.
Vim a reconhecer que se tratava da expressão da sua própria maneira de ser, que até então quase desconhecia. Manifestei muitas vezes em público o meu reconhecimento e são incontáveis as vezes que relato a ocorrência. Bem haja Maria Rita!
Só muito mais tarde viemos a articular perspetivas e ações de caráter profissional e a estender a cumplicidade que se instalou ao nível pessoal. A complementaridade desenvolvida no âmbito das atividades da Associação Mulher Migrante, de que ambas fomos sócias fundadoras, permitiu estreitar e reforçar a sólida amizade que já então existia.
A elaboração da escolha dos temas que encabeçavam programas, a ordenação e tratamento de assuntos, situados no longo caminho que precedia a execução final das iniciativas levadas a cabo, em Portugal e no estrangeiro, deram lugar a uma constante troca de impressões e tomada de decisões conjuntas.
É todo esse período de colaboração que quero recordar e manter bem presente, pois nele se situa a admiração sentida pela sua capacidade de trabalho e lealdade à "causa" que constituiu um projeto de sempre, projeto que manteve com constância e convicção. Entre nós, a Maria Rita continuará viva e a sua imagem contribuirá para levar a cabo a execução de iniciativas capazes de manter a existência da Associação Mulher Migrante.
Uma figura não pode deixar de ser mencionada: a "sua" Susana, a quem proporcionou um tão dedicado enquadramento. Uma relação quase familiar, muito próxima, traduzindo um verdadeiro sentimento cuja manifestação era visível e que todos nós bem conhecíamos.
As tarefas que a Maria Rita lhe confiava criaram um espaço de colaboração que lhe conferiu uma realização pessoal, refletindo mais uma vez a interveniência oportuna que constituía a sua maneira de estar.
A AMM deve certamente a qualquer delas um grande agradecimento.

Maria Beatriz Rocha-Trindade

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

ANA COSTA LOPES sobre RITA GOMES


À minha Amiga Dra Rita Gomes
"É o esquecimento e não a morte que nos faz ficar fora da vida" (Mia Couto)

Não conheci há muito, muito tempo a Dra Rita Gomes mas estabeleci com ela um relacionamento muito solidário e cordial. Era uma pessoa muito sensível e sempre muito preocupada com os outros.
Estive presente e participei em alguns dos Encontros Mundial de Mulheres Migrantes e lá estava ela permanentemente empenhada com estas questões e com a complicada organização destes congressos.  Havia sempre muitos portugueses de diversas paragens do mundo que ali se encontravam e trocavam impressões com ela. E ela sempre disponível……e afável……..
Retenho dela o seu empenho em todas as questões ligadas à migração. Com Manuela Aguiar presidiu os órgãos sociais da Associação “Mulher Migrante” e teve ainda um papel relevante no nascimento desta associação.
Deixou-nos, um dia, assim, sem o esperarmos, a trabalhar, sempre a trabalhar no que  mais gostava de fazer …na Associação Mulher Migrante e com o mesmo afinco de sempre. E, muitas vezes, talvez, por essa sua forma de ser e de viver, ainda vou ao computador para lhe enviar um mail.  E depois paro ….e entristeço.
Mas Rita Gomes não será esquecida e não ficará fora da vida.

Ana CostaLopes

A AMM e as suas ligações à cidade de ESPINHO





As singularidades da Associação MULHER MIGRANTE


                                                                                           Manuela Aguiar
1 - A "Mulher Migrante - Associação de Estudo, Cooperação e Solidariedade" (AMM) está aberta a todos os que se dedicam ao estudo do fenómeno migratório ou se propõem combater as desigualdades e discriminações, que atingem, de forma especial, as mulheres migrantes e as minorias étnicas. 
Sua divisa: "Ninguém é estrangeiro numa sociedade que vive os direitos humanos". Objetivo principal: aprofundar o conhecimento de realidades variáveis de comunidade para comunidade da emigração, aproximar essas comunidades entre si, promover as condições para a cidadania plena, em cada uma delas. 
Na lista das suas singularidades, destacaremos: o ter nascido voltada para a Diáspora feminina, a partir do país; o não ser uma associação feminina, mas mista; o reconhecer, antes de uma história própria, a importância inspiradora de uma "pré-história".
 De facto, a ideia de constituir uma organização internacional de mulheres antecedera em quase uma década a fundação da AMM. Surgira em 1985, durante o "1º Encontro de Mulheres Portuguesas no Associativismo e no Jornalismo", promovido pela Secretaria de Estado da Emigração, na cidade de Viana. Esse congresso de mulheres migrantes, absolutamente pioneiro em termos europeus, e, tanto quanto se sabe, universais, dava cumprimento a uma recomendação do Conselho das Comunidades Portuguesas subscrita pela jornalista Maria Alice Ribeiro, de Toronto, uma das primeiras conselheiras a nele ter assento. O "Conselho",  órgão de consulta do governo, formado por representantes do movimento associativo e dos "media" das comunidades, espelhava, então, fielmente a marginalização feminina em cada associação - membro, e era exclusivamente masculino, com a exceção de duas jornalistas, do Canadá e de França.. ...  
 O Encontro de 1985, reunindo cidadãs envolvidas no associativismo e no jornalismo, constituiu, na verdade, uma espécie de "Conselho das Comunidades no feminino". Foi um acontecimento memorável, por ter ultrapassado, em qualidade de reflexão e propostas, as expetativas mais positivas, e, sobretudo, por ter consubstanciado o nascimento às políticas de género para a emigração. Políticas que só viriam a ser desenvolvidas, sistematicamente, duas décadas depois.
 2 - As congressistas, que haviam transformado uma inesperada oportunidade num êxito absoluto, não conseguiram, porém, nos anos seguintes, lançar a sua ambicionada e ambiciosa rede internacional. Em 1993, perante a ausência de políticas públicas para a a igualdade na emigração, assim como de iniciativas das comunidades, algumas das participantes e das organizadoras do mítico "Encontro de Viana" decidiram instituir a AMM, ONG destinada a colocar na ordem do dia as questões da emigração feminina e a repensar o papel das mulheres na Diáspora. Como começar (ou recomeçar) essa tarefa? Com um grande congresso mundial, evidentemente! E onde? Em Espinho, onde éramos residentes duas das "guardiãs" da memória do" Encontro de Viana", e, nessa veste, fundadoras da jovem associação -  Graça Guedes, antiga Diretora do Centro de Estudos da Secretaria de Estado da Emigração e eu, ao tempo responsável por esse pelouro governamental . Avançámos com a candidatura da nossa cidade,  logo aceite consensualmente. Aqui reunimos cerca de 300 personalidades dos cinco continentes. O Encontro Mundial de Espinho, sob o lema "Diálogo de Gerações". foi , até hoje, o maior de todos quantos houve. E conferiu à AMM a credibilidade bastante para se converter em parceira de sucessivos governos no esforço de promover a paridade na vida das comunidades do estrangeiro.
 A colaboração mais estreita situou-se na que podemos chamar uma "década de ouro" na defesa ativa da igualdade, por governos sucessivo, entre 2005 a 2015.  Iniciou-se com os " Encontros para a Cidadania" presididos nos vários continentes pela Dr.ª Maria Barroso, prosseguiu com os Encontros Mundiais de 2011 e 2013, em Portugal, e com os colóquios para a igualdade, realizados em diversos países de emigração, em 2012, 2014 e 2015 - todos organizados pela AMM, em estreita cooperação com a Secretaria de Estado das Comunidades. Cooperação que, de modo menos sistemático, mas com o mesmo espírito, se vem mantendo ininterruptamente.

 3 -  A AMM, como disse, não seguiu o modelo de associação feminina, que é, na Diáspora, o dominante na prossecução de finalidades semelhantes. No estrangeiro, foi sempre mais fácil às mulheres terem visibilidade e influência à frente das suas próprias coletividades do que no associativismo misto, no interior do qual só em anos recentes começaram a aceder aos lugares de direção. Onde, note-se, são ainda uma minoria. 
Todavia, a nível da AMM, já em 1993, as circunstâncias eram diferente. A nossa ligação afetiva ou profissional à problemática da emigração fazia-se a partir da investigação universitária, do serviço público, do jornalismo, de uma visão humanista/feminista de combate às discriminações em razão de sexo, etnia ou de quaisquer outros retrógrados preconceitos. Formávamos um círculo onde mulheres e homens que partilhavam pontos de vista e preocupações. Como dizia um dos pioneiros, o Comendador Luís Caetano, ainda hoje o representante da AMM no Uruguai: "Não é preciso ser jovem para tentar resolver os problemas dos jovens, não é preciso ser idoso para compreender e apoiar os mais velhos.  E não é preciso ser mulher para lutar pela igualdade".
 Todas, todos nós queremos não dois associativismos paralelos, o masculino e o feminino, mas um só (ainda que para aí chegar possam ser necessários organizações somente femininas). A nossa meta é a mesma -  um mundo mais justo e mais igualitário, em que cada ser humano se possa realizar inteiramente -  os estrangeiros, as mulheres, que sem direitos iguais, são como que estrangeiras na sua comunidade ou no seu próprio país! 
Só mais uma palavra, para referir uma outra singularidade, ainda que involuntária: a presença de Espinho nas origens da AMM e ao longo de uma vida já longa. Neste seu  25.º ano, são de Espinho as presidentes de todos os órgão sociais - Direção (Arcelina Santiago), Assembleia Geral (eu mesma) e Conselho Fiscal (Ester Sousa e Sá), mais a Secretária-geral (Graça Guedes). Num momento difícil foram as que disseram "sim" à segunda vida da AMM. Arcelina Santiago acaba de ser eleita para suceder a Rita Gomes, saudosa amiga, líder histórica da AMM, ao longo do último quarto de século..
 De Espinho, em conjunto com associados dos cinco continentes, procuraremos refletir e agir no campo das migrações. Na cidade o "Núcleo" cresce -  o mais recente dos inscritos é o Dr. Lúcio Alberto.
 Somos, assim, também, um exemplo de boas práticas, em matéria de descentralização de iniciativas, competências e poderes, à partida centrados na capital da República.  


 ASSOCIAÇÃO MULHER MIGRANTE – UM MODELO DE CIDADANIA

Graça Sousa Guedes
Professora Catedrática Aposentada da Universidade do Porto
Secretária Geral da AECSMM


            É normal pensar que POLÍTICA significa governo dos homens, administração das coisas e direção dos Estados.
            Mas este conceito é muito mais lato e abrangente.
            Pode ser considerado Arte, Ciência, Ideologia, Filosofia, Ética, Metafísica, Teologia, com diferentes níveis, dimensões e aspetos, que se interligam ou dialeticamente se postulam. O problema reside em saber o que é que verdadeiramente se encontra unido.
            Porque POLÍTICA releva da intuição criadora, do juízo teórico-prático, da perceção das mediações necessárias entre quem governa e a comunidade que é governada, releva também dos diversos corpos que constituem o universo social e estatal que se relacionam com as aspirações que polarizam a vida dos Homens.
            E, assim sendo, POLÍTICA é um FAZER e, sobretudo, um AGIR.
          Esta perspetiva é aliás já muito antiga e inspirada em Aristóteles, que assim define Política: … uma espécie de savoir-faire, de que nem a sensibilidade nem a imaginação podem estar ausentes, embora a prioridade seja atribuída à racionalização tecnológica e à reflexão crítica.
            POLÍTICA será um ponto de focagem de um campo larguíssimo de relações entre governantes e governados; entre as Instituições e a vida real; entre as partes e o todo. E, todos nós, somos a parte deste todo!
            Embora lhe estejam normalmente associadas questões ideológicas e partidárias, teremos de pensar sobretudo em CIDADANIA, que deverá nortear os nossos comportamentos e os nossos relacionamentos, qualquer que seja a idade, o género, a etnia, a religião; qualquer que seja o contexto onde possamos estar inseridos.

            Comecei assim a minha comunicação no II Encontro de Mulheres em Movimento, que aconteceu em Espinho, na Biblioteca Municipal José Marmelo e Silva, organizado pela Associação de Estudo, Cooperação e Solidariedade Mulher Migrante em Outubro de 2012 e intitulada Universidade, Política e Cidadania.
            Com base neste minha reflexão, julgo poder afirmar que a nossa Associação pode bem ser definida como um ato de CIDADANIA, expressa nas diversas singularidades que a caraterizam e que tão bem estão agora explicadas neste Jornal pela Drª. Manuela Aguiar, como também de todas quantas nela se têm envolvido.
            Não há estrangeiros numa sociedade que vive os direitos humanos é o seu lema, concretizado na multiplicidade de eventos (mundiais, internacionais e nacionais) realizados ao longo de 25 anos em Portugal, na Europa, na América do Norte e do Sul, em África e muitos dos quais estão relatados em publicações que editamos.
            A ideia colocada em 1985, no 1º Encontro de Mulheres Portuguesas no Associativismo e Jornalismo, realizado em Viana do Castelo e onde estive presente, transformou-se em sonho... , mas que logo se foi tornando realidade pela mão da então Secretária de Estado da Emigração, Drª. Manuela Aguiar com a realização de diversos eventos; após a sua saída do governo, com a fundação da Associação Mulher Migrante.
            Com sede em Lisboa e mais de uma centena de sócias e sócios em Portugal e no estrangeiro,   sempre demos preferência a Espinho para a realização de muitos dos nossos eventos, de entre os quais tenho orgulho em destacar os dois Encontros Mundiais: em 1995 e em 2013. O terceiro Encontro Mundial, em 2011, foi em Lisboa, no Palácio das Necessidades.
            Sendo agora espinhenses todas as presidentes dos órgãos sociais, bem como a secretária geral, tudo será mais fácil para utilizarmos Espinho como palco de muitas das nossas organizações.
            Haja apoio, porque a vontade permanece.



Mulher Migrante – Associação de Estudo, Cooperação e Solidariedade ( AMM)
   Como  foi integrar-me nesta Associação tão singular
                                                                                                          Arcelina Santiago
 Um dia,  penso que em janeiro de 2009 , a Dra Graça Guedes, então Presidente da Assembleia a Municipal de Espinho e também Secretária Geral  da AMM telefonou-me para me convidar a participar numa reunião de preparação do Encontro promovido pela AMM, com o patrocínio da Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género que  iria ter lugar em Espinho nos dias 6 e 8 de Março. Na verdade,  apesar de estarmos separadas em termos de posicionamento político,  dado que eu era deputada municipal da oposição, reconheci, reconhecemos seguramente que havia mais pontos que nos uniam do que aqueles que nos separavam: a defesa dos direitos humanos, em particular o das mulheres, as questões da emigração, do associativismo e o movimento da diáspora. Aceitei o desafio. Fazer parte da organização deste encontro foi uma surpresa muito interessante. Tive o privilégio de conhecer melhor a Dra Graça Guedes e privar com outra mulher  fantástica, fundadora desta Associação e com uma visibilidade notável pela sua ação extraordinária a nível nacional e internacional principalmente pelo seu papel enquanto Secretária de Estado das Comunidades Portuguesas que tanto orgulhava todos os portugueses, mas mais ainda os espinhenses que acompanhávamos, de perto, a sua intensa ação- a Dra  Manuel Aguiar! 
  Esse Encontro constituiu  o encerramento dos Encontros para a cidadania - Igualdade entre Homens e Mulheres nas comunidades Portuguesas realizados de 2005 a 2008 e simultaneamente iniciou a comemoração dos 15 anos de atividades da Associação Mulher Migrante. Foi assim o começo. Os anos seguintes, foram de muito trabalho e cumplicidade, sempre na defesa destas causas. Anos de aprendizagem e de vivências muito intensas.
 Destaco entre tantas iniciativas as que Espinho protagonizou, com destaco para  “ As Mulheres da República” organizado pela Dra Manuela, enquanto vereadora da Cultura da Câmara de Espinho, onde algumas mulheres ganharam protagonismo merecido, caso de Carolina Beatriz Ângelo, Adelaide Cabete ou ainda Ana de Castro Osório, figuras representadas por alunas  da fantástica Escola Domingos Capela.  Seguiram-se as homenagens a Maria Lamas, a Maria Archer. Para Maria Archer, criei um guião com base em diversas fontes sobre a jornalista e escritora, denunciadora das condições das mulheres e defensora dos seus direitos e, por isso, remetida ao exílio. Essa entrevista imaginária foi replicada muitas vezes em várias iniciativas da AMM, dramatizados pelas espinhenses Mariana Patela e Inês Pais.
Depois, acontece o Encontro Mundial em Lisboa e, mais tarde, os vários colóquios em Espinho e Gaia e, ultimamente, em Monção sobre “Expressões de cidadania no feminino” e ainda este ano, em abril  o “ Colóquio Portugal Brasil - a descoberta continua a partir de Monção”. Há, na verdade, uma estreita parceria com a  Câmara Municipal de Monção e as Escolas,  em particular a EPRAMI (Escola Profissional do Alto Minho Interior) nossos parceiros nesta caminhada de causas. Com as Escolas e  a Universidade Sénior há um trabalho de continuidade com a iniciativa da AMM – Os  Ateliês da Memória , na recuperação da  identidade da emigração, muito presente nesta região minhota, para ao Brasil e para França. Há desejos de organizar quanto antes o Museu Virtual da Emigração.  

Juntas,  organizamos também as revistas anuais da AMM e envolvemo-nos  em iniciativas nas quais me identifiquei não apenas pelas causas,  mas pelo estilo e metodologia de trabalho desta singular Associação em que cada um/uma  tinha  e tem  a sua voz presente e ativa.
 Foram tempos de intensa aprendizagem, especialmente ligada a estas duas mulheres tão inspiradoras – Manuela Aguiar e Graça Guedes. Já fiz parte da direção anterior e, em agosto fui escolhida para integrar uma nova lista da direção. Substituí a Dra Rita Gomes, a nossa saudosa Presidente que no ano de celebrarmos os 25 anos da AMM nos deixou para sempre. Seguir para a frente com o projeto, continuar a missão seguindo os  desígnios  da AMM será uma forma de a homenagear e dar continuidade aos  25 anos de trabalho desenvolvido - um diálogo contínuo entre o  estudo e o trabalho no terreno, junto das comunidades, um trabalho de cooperação e de solidariedade. E, neste ano de celebração, de homenagem e agradecimento de todas e todos os associados, é também tempo  de reflexão sobre um longo percurso,  de intenso  trabalho em defesa dos direitos humanos já a pensar no futuro. Seguir e honrar o lema desta Associação "Ninguém é estrangeiro numa sociedade que respeita os direitos humanos " continua a estar sempre presente a lembrar-nos que há muito caminho por fazer... 
 Estou certa de que dar continuidade ao trabalho, à missão desta Associação, será a melhor  homenagem que poderemos prestar  à Dra Rita Gomes. Como sua sucessora na Presidência da AMM, espero, com a ajuda de todas/os associadas/os, estar à altura de desempenhar esse papel e dar continuidade ao excelente trabalho que tem sido desenvolvido pela Associação. 
O nosso plano de atividades para 2019 está a ser preparado com muito cuidado, envolvendo muitos parceiros e espalhado por muitos locais: Monção, Espinho, Gaia, Porto, Lisboa, e ainda outros mais, tendo como objective mobilizar a sociedade em geral para as questões dos direitos humanos, com enfoque especial para as mulheres, da lusofonia e, em especial, da  emigração, Vamos neste ano, centrar a nossa ação nos jovens venezuelanos e na sua integração. Sabemos que em Gaia e Espinho há um número muito significativo a merecer especial atenção. 
Para mim é um orgulho e uma grande responsabilidade integrar esta missão que tem, em Espinho,  expressão máxima com a representação de  mulheres envolvidas  nestas causas e na  liderança da Associação.

CUSTÓDIA DOMINGUES Homenagem à Drª Rita Gomes


Homenagem a Dra. Rita Gomes

As minhas palavras serão breves mas parece-me ser um dever homenagear quem dedicou a sua vida as questões da emigração e das comunidades portuguesas, e mais tarde se interessou pelo lugar da mulher na emigração desde os anos 50 até a actualidade.
Cedo as questões da emigração portuguesa me interessaram. Ainda estudante em Paris e mais tarde jovem jornalista, correspondente para a imprensa portuguesa na capital francesa e jornalista na RFI fui acompanhando a temática da emigração assim como a actualidade em geral e mais especialmente ligada as relações entre a França e Portugal.
Vivi a realidade do movimento associativo dos anos 80 em França e tive a felicidade de encontrar por essa altura a Dra. Rita Gomes, primeiro no seu papel de vice-presidente do Instituto de Apoio a Emigração e Comunidades Portuguesas e depois como presidente.

Dois nomes eram e continuam a ser uma referência incontornável e respeitada em matéria de emigração portuguesa no mundo, o da Dra. Rita Gomes e o da Dra. Manuela Aguiar, como Secretaria de Estado da Emigração e das Comunidades Portuguesas de 1980 a 1987.

Lembro-me, na altura, de alguns eventos em que participei ligados a emigração e em que a figura da Dra. Rita Gomes era sempre esperada e sinonima de seriedade e competência: cursos de verão universitários organizados com o apoio da Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas, vários congressos anuais dedicados as Comunidades Portuguesas e a presença no Conselho das Comunidades Portuguesas – em 1981 se a memória não me falha – em que tive o privilégio de participar.

A Dra. Rita Gomes - como sempre a tratei - com o seu estilo próprio e conhecida por ser uma pessoa fiável, com uma personalidade solida, uma inteligência viva, perspicaz e subtil ao mesmo tempo era detentora de várias qualidades. Sentava-se, ouvia com paciência os seus interlocutores e conseguia muito bem descodificar os não ditos dos discursos criando um sentimento de proximidade. Uma personalidade forte e com um certo sentido de humor. Possuía uma capacidade rara: saber dispor de tempo para estar com os que a solicitavam mas não perdendo a sua clarividência e sabendo dizer “não” quando era necessário. Criou uma rede forte de contactos na diáspora portuguesa. 
A seriedade do seu trabalho fez com que fosse e continue a ser respeitada.

Mais tarde, em 1993, e a convite da Dra. Manuela Aguiar tornei-me sócia-fundadora da Associação Mulher Migrante e voltei a relacionar-me mais de perto com a Dra. Rita Gomes.
Continuava como voluntária e assumindo as funções de presidente da Direcção da associação, a dedicar uma parte bastante significativa da sua vida às questões da diáspora, e mais em particular das mulheres e do seu papel e isso até muito recentemente.
O brilho nos seus olhos continuava intacto. Gostava de participar nos eventos e zelava pela boa organização dos mesmos a todos os níveis, quando tal era da sua responsabilidade.
Até ainda recentemente continuou a trabalhar, com gosto, em prol da Associação Mulher Migrante e da diáspora portuguesa espalhada pelo mundo.

Até sempre.

Custódia Domingues

sábado, 6 de outubro de 2018

Joyeux anniversaire cara Rita!

Hoje tem de ser um dia de festa, à imagem do lindo dia de sol com que o universo nos brinda neste dia tão especial onde a Maria Rita Gomes completaria mais um outono/primavera!
Porque "quem sabe" quer nos a rir e não a chorar, quando nos lembramos dela....
Porque ninguém morre, enquanto tiver alguém a comemorar o seu dia....
Porque fica uma obra, sob forma de missão, a Mulher Migrante, que é uma jovem promissora...
Porque estamos unido(a)s para perpetuar esse legado valioso, tanto o espólio, como o que se vai construir junto(a)s!
Porque as sementes, entusiasmo e resiliência da Rita continuaram a florir em nós...
Porque temos o dever de nos actualizar sempre, como essa grande Senhora que conheci já com mais de 80 anos, surpreendentemente curiosa e activa nos mails, redes sociais...completando (por descargo de consciência e humanismo!) com o telefone,,,até altas horas da noite.

Eu que fui picada pelo mesmo bicho, quero lembrar a Maria Rita com estima, saudade, mas também com o sorriso e a paciência com que ela acolhia sempre novos projectos, ideias, parcerias...mas sobretudo pessoas, homens e mulheres...a quem ela foi insuflando um pouco do seu imenso saber e incomensurável paixão.....que dava, dá e dará sentido a esta nobre missão de ligar os Portugueses de fora aos de dentro!

Até sempre e parabéns por tudo isso e muito mais!

Emmanuelle AFONSO, Fundadora e Presidente do Observatório dos Luso-descendentes , em nome de todos os luso-descendentes que tiveram a sorte de se cruzar com ela neste caminho missionário!

NO DIA DE ANIVERSÁRIO da DRª RITA GOMES


A publicação de homenagem a Rita Gomes, organizada pela Associação " Mulher Migrante"  será concluída durante este mês, sob a coordenação de Filipa Menezes, sua neta e membro da Direção da AMM.
Neste dia 6 de outubro, em que celebraria o seu aniversário, aqui deixamos uma  primeira coletánea - os testemunhos já recebidos.

Editorial 

É este o ano da celebração dos vinte e cinco anos de atividade da Mulher Migrante - Associação  de Estudo, Cooperação e Solidariedade. Tempo de celebrar o seu papel na defesa  da causa da emigração, da cidadania e da lusofonia,  com enfoque especial para as mulheres.
Vinte  e cinco anos em que  a nossa homenageada abraçou estas causas, juntamente com  ilustres fundadoras e fundadores desta Associação . Estávamos no ano de 1993 e, desde aí, a história desta associação permaneceu ligada à vida da nossa saudosa Presidente, Dr.a Rita  Gomes. 
Neste ano de comemoração, ano de alegria, é ano também de tristeza pela partida desta inesquecível e marcante cidadã, defensora de causas. É tempo de lhe prestar tributo merecido como forma singela de manifestar amizade e reconhecimento. Foi, então, decidido, em reunião da Assembleia Geral, recolher testemunhos reunidos  neste Boletim Especial em publicação digital, coordenado  por  Filipa Menezes. É pois tempo de, por palavras,  corporizar o pensamento, dar expressão aos sentimentos, partilhar ações vividas em momentos tão marcantes da nossa Associação. Seguramente que muito haverá para dizer sobre a amiga, a mulher, a cidadã, a profissional com um fantástico percurso ascendente  por mérito próprio e competência reconhecida em termos nacionais e internacionais sobre assuntos da emigração, chegando ao alto cargo de Presidente do Instituto de Apoio à Emigração e Comunidades Portuguesas!  
Possivelmente muito ficará por dizer porque, às vezes, as palavras não chegam para extravasar tantas vivências de uma intensa vida de cidadania e momentos inesquecíveis partilhados,  mas mais importante é que em cada ação desenvolvida ficou, nas nossas memórias, o cunho desta encantadora cidadã.
Os vários  testemunhos recolhidos são reflexo do reconhecimento da sua ação enquanto mulher e cidadã . 
E, neste ano de celebração, de homenagem e agradecimento de todas e todos os associados  à Dra Rita Gomes, é também tempo  de reflexão debruçada sobre um longo percurso de intenso  trabalho em defesa dos direitos humanos. Seguir e honrar o lema desta Associação " Ninguém é estrangeiro numa sociedade que respeita os direitos humanos  " continua a estar sempre presente a lembrar-nos que há muito caminho por fazer... 
Assim, é tempo de continuar com a mesma determinação da nossa homenageada e para isso , nada melhor do que, inspirados  nestes  testemunhos do  passado, termos os olhos postos no futuro. Estou certa de que dar continuidade ao trabalho, à missão desta Associação será a melhor   homenagem que poderemos prestar  à saudosa e inspiradora  Dr.ª Rita Gomes

Arcelina Santiago

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RITA GOMES 
CAUSAS DE UMA VIDA INTEIRA

 A Rita deixou-nos no momento em que a Associação Mulher Migrante, (AMM), comemora os seus 25 anos, tantos quantos ela dedicou da sua vida à vida de uma instituição que se impôs, progressivamente, no domínio das migrações, da luta pelos direitos  humanos e pelos direitos das mulheres. Não podemos, por isso, deixar, com o nosso silêncio ou inércia, perder-se no esquecimento geral a memória da sua admirável intervenção cívica, e a própria organização a que tão apaixonadamente se dedicou.
 Para Rita, a emigração nunca se resumiu a burocracia rotineira, a trabalho em gabinete fechado, ou a elaboração teórica. Teve sempre em conta os rostos de  pessoas, traduzindo-se em gestos sinceros e espontâneos de solidariedade. Uma intervenção que principiou no exercício de funções profissionais, décadas antes do seu envolvimento em puro voluntariado. Foi nessa outra faceta que a conheci no Palácio das Necessidades, em janeiro de 1980. Durante cerca de sete anos e através de quatro governos, colaborámos com entusiasmo na procura de soluções para os problemas muito concretos dos nossos expatriados, assim como de fórmulas mais eficazes de diálogo institucional com a Diáspora.
Naquele 1980 particularmente intenso - um ano, um governo, um programa pensado e articulado em cinco continentes - tudo era novo para mim. A experiência de longos anos que a Rita já contava foi preciosa para o êxito do que chamámos "as políticas de reencontro" com as comunidades entre si, e entre elas e o país.
Uma das primeiras certezas que me deram os diplomatas do meu gabinete foi a de que, dentro dos serviços da Secretaria de Estado, um se distinguia e com ele poderia contar inteiramente: o núcleo dirigido pela Dr.ª Rita Gomes. Uma direção de serviços chamada comummente o "Centro de Estudos" do Instituto de Emigração. Uma espécie de "think tank", que ganhara prestígio e autoridade, no meio de outros departamentos mais votados às tarefas administrativas do quotidiano - também imprescindíveis, mas de diversa natureza.
 O "Centro de Estudos" era formado por jovens muitos empenhados e intelectualmente brilhantes, que poderiam ter procurado lugares mais aliciantes e promoções mais rápidas, e que ali estavam e continuariam por vocação, à imagem da própria líder, que tão bem os sabia mobilizar e os tratava como família. Melhor do que eu, dirão certamente o que Rita Gomes representou para eles e para a obra realizada numa equipa unida, quer pelas causas, quer pelos afetos.
Em 1981, foi instituído e entrou em atividade o Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP), que era visto como sede estratégica, por excelência, de reflexão e co participação nas políticas e programas para as migrações e para a Diáspora. O CCP era, note-se, 100% masculino. Eleito no universo associativo, refletia a marginalização de que eram, então, objeto as mulheres emigrantes. As presenças femininas nessa primeira reunião mundial foram, quantitativamente, tão escassas quanto notáveis de um ponto de vista qualitativo. Eram todas dirigentes ou técnicas de diversos ministérios, que moderaram ou assessoraram comissões, com aplauso unânime..
 Entre essas pioneiras teve um papel central a Dr.ª Rita Gomes, que posteriormente seria Secretária-geral do "Conselho".
De destacar é igualmente a sua preponderância no domínio das negociações com os países de destino da emigração, nas comissões mistas para o acompanhamento dos acordos bilaterais, e, no plano multilateral, em organismos internacionais, como o Conselho da Europa ou a OCDE, onde se notabilizou em representação da Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas. Os êxitos que foi somando, incansavelmente, eram devidos, por um lado, à excecional competência e rigor no tratamento dos dossiês, e, por outro, à facilidade de fazer e conservar amizades, em qualquer contexto ou cenário transnacional.  
Tão espantosa trajetória profissional culminaria na nomeação para Vice-presidente e, seguidamente, Presidente do Instituto de Apoio à Emigração e às Comunidades Portuguesas, que a tornou uma das primeiras mulheres a ocupar um cargo hierarquicamente equivalente ao de Diretor-geral no Ministério dos Negócios Estrangeiros. Em síntese, poderíamos, simplesmente, constatar que, em mais de quatro décadas de serviço público, subiu a pulso, por mérito universalmente reconhecido, todos os patamares hierárquicos de uma carreira, da base até ao topo!
A nossa relação pessoal manteve-se, naturalmente, depois desses tempos de convívio quotidiano na Secretaria de Estado. Lembro, com nostalgia, os convívios na sua casa da Alameda  Afonso Henriques, onde com o marido, Arquiteto Andrade Gomes, era a mais perfeita das anfitriãs. Do alto do 7.º andar de uma enorme varanda, assisti muitas vezes, no meio de um numeroso e alegre grupo de amigos, a grandes comícios partidários, que enchiam o terreiro da Fonte Luminosa e faziam história numa democracia jovem.
Em 1993, a aposentação da Função Pública não significou para  Rita um cessar ou abrandar de atividades, antes a sua prossecução ao mesmo ritmo e com o mesmo propósito, embora em enquadramento e condições muito diferentes. Convidada a aderir ao projeto da Associação Mulher Migrante, logo, conjuntamente com Fernanda Ramos, assumiu a liderança. Atravessávamos então, em Portugal, um período propício ao nascimento de quaisquer ONG. Contudo, se  muitas então surgiram, poucas foram as que sobreviveram. Ter um sonho, criar uma organização e conseguir adesões não é a coisa mais complexa. O difícil é assegurar sustentabilidade à aventura coletiva no dia-a-dia, ano após ano! A história do já longo percurso ascensional da AMM, a sua transformação em parceiro de uma rede de organizações internacionais e de sucessivos governos, na execução de políticas de género nas comunidades do estrangeiro, é a prova maior da capacidade de dar corpo e dimensão a um projeto consistente. Mulheres e homens, por igual agregados à volta da problemática tradicionalmente marginalizada das migrações femininas, em particular do objetivo da igualdade pela via da participação cívica e política das mulheres, têm conseguido dar continuidade e permanente renovação à ideia original da AMM.
Levar por diante a Associação, de que a Rita será sempre parte, é, a meu ver, a melhor forma de demonstrar, por atos  e não somente por palavras, a nossa estima e a nossa saudade - saudade do passado vivido com ela e movimento para o futuro, em que a sua memória há de viver.

Maria Manuela Aguiar

Espinho, 27 de agosto de 2018

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 Lamento tanto a morte da Dr. ª Rita Gomes. Sinto que morro cada vez que morre um / a amigo /a . fico mais pequeno e mais órfão , mais atrofiado até, porque os meus amigos estendem – se pelo meu corpo como os poros pelos quais respiro .
 Foi ela , a Dr. ª Rita Gomes, que me levou “ pela mão “ a Zurique , era eu um jovem estagiário no saudoso Instituto de Apoio às Comunidades Portuguesas; deslocação essa , no âmbito da Comissão Mista de Acompanhamento em matéria de Emigração Portugal / Suíça e guardo, religiosamente, a garrafinha de vinho distribuída no avião da TAP , assinada por todos os integrantes dessa Missão. Aliás , a Dr. ª Rita Gomes , enquanto Presidente do Instituto , nunca se esqueceu desta Região Autónoma , pessoal e institucionalmente falando, mesmo mais tarde, nas suas funções como dirigente da Associação Mulher Migrante . Foi com Ela que preparei uma deslocação à África do Sul que , integrava , para além da sua Presidente , Dr. ª Manuela Aguiar , a Dr. ª Maria Barroso e a Professora Doutora Maria Beatriz , de entre outras respeitadíssimas personalidades.
Enfim , ficará este “ buraco “ no meu peito que vou enchendo com o carinho que a Maria Rita me dedicou . Paz à sua alma e que repouse onde repousam os justos.

 GONÇALO NUNO SANTOS

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Pessoas que ficam no tempo e por todo o tempo –  Rita Gomes, Presidente da Associação Mulher Migrante !
Afável, sensível, perfecionista, determinada e grata: são estes, de  entre muitos outros, os adjetivos que escolhi para caracterizar a Dra Rita Gomes.  
Acima de tudo era a doçura e delicadeza das suas palavras, do seu olhar, que nos tocava de imediato. Lembro o dia em que a conheci para nunca mais o esquecer: o seu sorriso meigo e as doces palavras de gratidão sobre as iniciativas da AMM em que tive a honra de participar ou organizar ficaram para sempre na minha memória. Sempre preocupada com todos os detalhes esta profunda conhecedora da emigração e uma grande humanista foi e será sempre uma mulher inspiradora para nós, mulheres e homens que defendem a liberdade e os direitos humanos. 
O seu papel enquanto Presidente da Mulher Migrante, Associação de Estudo, Cooperação e Solidariedade foi tão envolvente que ficará intimamente ligada à história da própria Associação dado que foi também uma das suas fundadoras. 
Apesar de não ter tido o privilégio de a conhecer há muitos, os últimos dez anos em que tive essa honra, foram para mim de aprendizagem e admiração. Principalmente nos últimos anos, em que uma imensa resiliência imperava, dando o seu melhor mesmo quando a saúde já nem sempre obedecia ao seu ímpeto de mulher cheia de determinação. 
A melhor maneira de homenagear a cidadã defensora de causas em torno da diáspora, das mulheres e da lusofonia, numa Associação que abraçou de coração cheio, é manter a sua memória viva, agarrando no legado de que tanto cuidou e dar-lhe continuidade. Apesar de todas e todos vivermos momento de grande tristeza, temos o dever de  seguir em frente com este projeto que era  seu e que é nosso. Daí que, ao ser convocada para ser a sua sucessora e sabendo que a sua marca foi tão notável e possivelmente inigualável, mesmo apesar das contrariedades pessoais, aceitei o desafio porque acredito que o seu legado intemporal tem de ser preservado e continuado. Seguramente, assim será, graças à vontade de um grupo de cidadãs e cidadãos que, orientando-se por princípios de solidariedade e cooperação levarão os desígnios  desta  Associação em frente, mantendo, desta forma,  a sua memória por todo o tempo.
Tenho a certeza que a Dra Rita Gomes estará  em paz e feliz com esta determinação. Afinal, ela foi e será sempre a minha, a nossa inspiração!
Arcelina Santiago

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Falar da Dra Rita Gomes devia ser fácil para uma mulher da AMM acabada de chegar ao outro lado do mundo, carregada de perdas, feridas e desgosto, com outras tantas malas de força e de esperança.
Estou numa praça portuguesa, amarela e branca, rodeada de estrangeiros pequenos e ruidosos, tirados a fotocópia, que circulam no país deles. Agora sou emigrante. 
Vejo quanto é difícil, mesmo sabendo como, encontrar um notário, ir ao Consulado, às Finanças, ou ao SEF do sítio; procurar uma aspirina, ir à segurança social ou a matricular o filho na Escola. É fácil para mim em Lisboa, como para os nativos deste país aqui. Ao contrario, qualquer que seja o estatuto, ser emigrante é difícil, muito difícil. 
Depois de mais de 25 anos a acompanhar a Sra Dra Rita Gomes na Associação Mulher Migrante, e de com ela ter estado em tantos países (França, Luxemburgo, Suiça) e em etapas tão difíceis e aliciantes como o Congresso de 1995, a passagem da CIDM à Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género, etc., deveria ser fácil escrever sobre a extraordinária mulher, profissional, Amiga e nossa Presidente que foi. Acontece que não é e, confesso-o, o que vai ao papel é curto.
O que mais me impressionou quando conheci a Dr.a Rita Gomes foi o saber relativo a qualquer que fosse a comunidade portuguesa que abordasse. Assim pois, o conhecimento profundo dos portugueses lá fora e a naturalidade humana com que se inteirava do que pretendia saber; ouvia com afabilidade e sabia sempre da comunidade em apreço: uma referência actualizada do governo, do nosso Cônsul, do Embaixador, de um funcionário que podia ser útil. Sempre uma palavra de esperança, sobretudo uma preocupação inexcedível para com as mulheres mães. E nunca se cansava, trabalhava noite fora, sempre.
Era impossível dizer-lhe que não, testemunhei-o várias vezes nas reuniões com os dirigentes do Ministério dos Negócios Estrangeiro, como na Câmara Municipal ou no Palácio Foz. Sempre a mesma calma sabedora, a mesma serenidade e presença segurando uma esferográfica que raramente escrevia, o mesmo resultado positivo.
Nesta praça é meio dia do fim do prazo, bateram há pouco os 35 graus com 90% de humidade,  aproxima-se a festa da Implantação da República Popular da China. É um dia normal de trabalho no intervalo para o almoço. Os nativos parecem seguros de uma superioridade natural que não têm, como nenhum povo tem, e não notara ainda. Será talvez porque vos falo de uma grande Senhora Portuguesa, por certo.
Não sei uma palavra desta idioma à excepção de “m’goi” que também é «doh ze», que se diz “Tdóh tzé”, quando é um presente que se agradece a alguém.
Doh Ze Dra Rita Gomes: Nenhuma pessoa é estrangeira no planeta Terra. Somos todos iguais: às vezes nativos, às vezes turistas, às vezes forasteiros, neste caso emigrante em Macau.
Até Sempre

Ana Paula Barros


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EM HOMENAGEM À DR.a MARIA RITA ANDRADE GOMES

A aproximação de outubro traz-me desde há longos anos a lembrança do aniversário da nossa estimada e comum amiga Dr.ª Rita Gomes e, bem assim, o cuidado de acompanhar mais de perto o compasso do tempo de modo a que não lhe faltasse nesse dia com uma palavra de saudação alusiva à data e os votos da sua repetição por muitos mais anos. Neste ano, como o renascer das fontes com as primeiras águas do outono, a lembrança voltou mas a minha habitual saudação, feita umas vezes em direto, outras vezes por telefone, carta ou outro meio de contacto, ser-lhe-á dirigida desta vez, seguro da fidelidade que mantive até aqui à nossa amizade, através deste meu depoimento, no quadro da homenagem que a família e a Associação Mulher Migrante (AMM) decidiram em boa hora prestar-lhe, lançando um convite a todos os amigos e amigas da Dr.ª Rita para a recordarem por mensagem na data em que ela, se estivesse ainda entre nós, cumpriria um ano mais de vida.

Por motivo algum, faltaria ao pedido da família, com a qual mantenho cordiais relações de amizade, bem como ao empenho e ao esforço da Associação Mulher Migrante e dos seus órgãos sociais, em especial da Assembleia Geral, de que é presidente a Dr.ª Maria Manuela Aguiar, para não deixar cair no esquecimento a memória da sua  importante e notável ação no campo das questões da emigração e das comunidades portuguesas, incluindo a valorização da presença e do papel da mulher nessas áreas, como de resto o fez já com outras conhecidas personalidades do mundo das comunidades portuguesas.

Temo apenas, e estou disso consciente, que o meu depoimento venha a não corresponder por falta de tempo, limitações pessoais e de outra ordem, ao que gostaria de escrever, lembrando a este respeito que a Dr.ª Rita me pediu um dia para preparar um texto sobre ela e vir depois a apresentá-lo num ato que estaria a ser preparado em sua homenagem. O ato não se realizou, por razões que continuo a desconhecer, e eu, no meu íntimo, de que guardei até hoje segredo, saboreei o gosto de não a ter dececionado, o mesmo gosto que desejaria agora voltar a saborear.

Entre os múltiplos aspectos da personalidade e da ação da Dr.ª Rita, há três que, neste curto e simbólico testemunho, me parece merecerem particular destaque.

Começo pelo que respeita à sua carreira profissional, por ter sido no quadro da sua vida profissional que a quase generalidade dos seus amigos e amigas  a conheceu e com ela manteve relações de trabalho e de amizade. O nosso primeiro contacto data de 23 de janeiro de 1973, dia em que, na companhia do nosso saudoso e querido amigo Dr. Carlos Correia, tomei posse no Secretarido Nacional da Emigração como técnico superior de segunda classe, em cerimónia presidida pelo Secretário Nacional da Emigração, Dr. Américo Saragga Leal, também ele de saudosa memória. Previamente à tomada de posse, apenas tinha falado no organismo com a Srª.D. Elvira, secretária do Dr. Manuel Francisco Farinha, chefe de divisão do Gabinete de Estudos e de Relações Públicas, meu futuro chefe, com o qual tive uma entrevista e acertei os pormenores da minha próxima entrada no serviço. Para além do chefe de divisão, licenciado em Direito, o Gabinete contava já com o Dr. Vasco Rodrigues da Silva, licenciado em Direito pela Faculdade de Direito de Lisboa e com a Dr.a Rita Gomes, licenciada em Economia pelo Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras. Foi este o núcleo inicial do Gabinete de Estudos que veio pouco depois a ser reforçado com a chegada dos Drs. Adelino Bento Coelho, Jorge Gouvêa Homem e Henrique Pietra Torres. Limito-me nesta referência a antigos colegas do tempo do Secretariado que foi igualmente o tempo do início do nosso relacionamento com a Dr.ª Rita. Outros colegas, que recordo aqui também, sem citar porém os seus nomes, chegariam mais tarde tanto para a então designada Direção de Serviços de Informação Especializada e Acordos de Emigração, como para outras direções de serviços. De todos os colegas, a Dr.ª Rita era a que tinha mais idade e mais experiência profissional. Antes mesmo do nascimento de alguns de nós, a Dr.ª Rita tinha já ingressado na Função Pública, em 20 de março de 1948, na Junta da Emigração, com a categoria de 3.º oficial, depois promovida a 2.º oficial, a 8 de abril de 1953, e com concurso feito para 1.º oficial em 6 de março de 1958, vaga para que foi nomeado um outro candidato do sexo masculino, por em igualdade de classificação “a prestação de serviço militar era de atender como primeira preferência, sendo essa preferência invocável também contra candidatos do sexo feminino”. No seguimento dessa decisão, corroborada por um parecer da Procuradoria Geral da República, veio em 1963 a ser requisitada para o Fundo de Abastecimento do Ministério da Economia com a finalidade de prestar serviço no Gabinete do ministro da Economia de então, Professor Doutor Luís Teixeira Pinto, seu professor no ISCEF, que a convidara para chefiar os serviços da secretaria do seu Gabinete, funções que desempenhou de 31/5/1963 até 19/3/1965. A partir dessa data, passou a trabalhar como técnica do Gabinete de Estudos Económicos da Junta Nacional da Cortiça, promovida a adjunta do diretor em novembro de 1970, período em que esteve igualmente associada à atividade da “Confédération Européenne du Liège”. Em 1 de março de 1972, após a extinção da Junta de Emigração, voltou aos serviços de emigração, ao então recém criado Secretariado Nacional da Emigração, para exercer funções, como já referi, no Gabinete de Estudos e Relações Públicas. Manteve-se nos serviços de emigração até 23 de março de 1992, data da sua aposentação, primeiro como técnica, de 1/3/1972 a 7/07/1977, e, depois, como dirigente, tendo com esse estatuto exercido as funções de diretora de serviços de Informação Especializada e Acordos de Emigração na Direção-Geral de Emigração e, após a extinção desta em 20/08/1980, no Instituto de Apoio à Emigração e às Comunidades Portuguesas (IAECP) da Secretaria de Estado de Emigração (7/7/1977 até 17/3/1982); de vice-presidente do IAECP da Secretaria de Estado da Emigração e das Comunidades Portuguesas, nos pertíodos de 17/3/1982 a 30/6/1983 e depois de 1/2/1985 a 8/8/1989;  e de presidente do mesmo Instituto desde essa última data até 23 de março de 1992. No âmbito das várias funções descritas, manteve ligações com múltiplos organismos e organizações a nível nacional, tais como o Grupo de Estudos sobre Convenções Internacionais de Segurança Social e a Comissão Permanente de Peritos do Conselho das Comunidades Portuguesas; a nível bilateral, intervindo em negociações de acordos e convenções relativos a questões migratórias, em comissões técnicas e de acompanhamento de projetos; e a nível multilateral, participando nas atividades de organizações internacionais ligadas às migrações, nomeadamente a OCDE, o CIME, atual OIM, e o Conselho da Europa, deixando aqui uma menção à sua participação na organização da 3.ª Conferência de Ministros da Europa Responsáveis pelas Questões de Migração que, em colaboração com a Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas, se realizou no Porto, no Palácio da Bolsa, de 13 a 15 de maio de 1987. Este foi em grandes linhas o percurso profissional da Dr.ª Rita, um percurso a todos os títulos notável, em cuja caracterização sobressaiem ao aspetos seguintes:
- A sua longa duração, exatamente quarenta e quatro anos, na sua larga maioria perfeitos nos serviços de emigração;
- O desempenho ao longo de todos esses anos de funções de elevada exigência técnica e da mais alta responsabilidade, em especial a presidência do IAECP, cargo equiparado a diretor-geral do Ministério dos Negócios Estrangeiros;
- A intensidade e a abrangência do trabalho desenvolvido, em contextos de grande complexidade institucional e política quer a nível nacional, quer a nível internacional;
- O escrutínio a que funcionalmente esteve submetida, sob a supervisão tutelar da hierarquia do Ministério dos Negócios Estrangeiros, incluindo o próprio ministro e a (o) secretária (o) de Estado das Comunidades Portuguesas, e a sucessiva renovação da confiança dos seus superiores no seu trabalho.
Num registo mais pessoal, a imagem que guardo da Dr.ª Rita, dos perto de vinte anos que trabalhámos na mesma área de serviço público, é a de uma colega que no exercício das suas funções sempre agiu no respeito pelos princípios exigidos aos agentes da Administração Pública; a de uma colega que sempre pôs os seus conhecimentos, talentos e capacidades ao serviço do Estado e do interesse público; a de uma colega próxima dos utentes e do público em geral, profundamente convicta da utilidade do seu trabalho e por isso sempre disposta a abraçar todas as causas em que reconhecesse interesse para a promoção e desenvolvimento dos emigrantes, das suas famílias e das respetivas comunidades, mesmo quando as circunstâncias não eram as mais favoráveis; a de uma colega imbuída de um profundo humanismo, solidária e companheira nos bons e maus momentos, conhecedora da vida e das voltas que a vida dá. Exemplos? Não me faltariam…

Neste seguimento, outro ponto a destacar, o segundo, tem precisamente a ver com a sua dimensão humana, projetada a nível tanto pessoal, como familiar, que tão importante foi para a aproximação e a ligação entre a Dr.ª Rita e os colegas e colaboradores mais próximos e para a coesão conseguida no âmbito do trabalho da direção de serviços que passou a dirigir e, mais tarde, à frente dos destinos do IAECP, marcante não só no âmbito interno, mas também no quadro da nossa atividade no âmbito externo, em especial junto do MNE. A Dr.ª Rita teve sempre o cuidado de fomentar um bom ambiente de trabalho e de estimular a amizade, o respeito e a estima entre todos os colegas tanto no trabalho, como fora dele, contando com a abertura, compreensão e ajuda do marido, o arquiteto Sérgio Gomes. Quantas vezes os dois nos receberam em sua casa e pudemos disfrutar da sua simpatia, amabilidade e convívio, ajudando-nos a fazer novas descobertas, a começar pelas afinidades existentes entre nós! Num artigo publicado sob o título Os Amigos, sem poder referir a fonte e a respetiva data, José Tolentino Mendonça, hoje arcebispo e arquivista responsável pelo arquivo secreto do Vaticano, comentava que “o que aproxima os amigos, o que os liga entre si é a descoberta de uma afinidade interior, puramente gratuita, mas suficientemente forte para fazer persistir no tempo o afeto, a cumplicidade, a relação e o cuidado”, acrescentando que “…Se quisermos explicar que afinidade é essa nem sabemos.” Momentos tive também de alguma tensão com a Dr.ª Rita, talvez devido à grande afinidade que nos aproximava. Por ocasião da nossa promoção conjunta a técnico superior principal, lembro-me de me ter dito que a situação que lhe causava algum incómodo, invocando como causa a diferença de idade entre ela e os restantes colegas promovidos, nos quais estava também incluído. Agastado com o comentário, por me parecer injusto, pedi-lhe apenas para não esquecer que era a nós, os seus jovens colegas, que devia a promoção, pois fora graças à nossa ação no pós 25 de Abril que o nosso organismo não passara por graves convulsões internas e fora assim possível aprovar a revisão do respetivo diploma orgânico e, no interesse de todos, do correspondente quadro de pessoal. Em consequência dessa e doutras conversas, muito possivelmente, a Dr.ª Rita teve sempre colegas mais novos como colaboradores mais próximos e tive agora a grande satisfação de descobrir que na dedicatória do CV que apresentou ao concurso para assessor principal do quadro de pessoal do IAECP, em 1989, reservou parte da sua dedicatória “…aos Colegas e Colaboradores que sempre me ajudaram”. A Dr.ª Rita foi a funcionária exemplar com que mantive estreitas relações de trabalho durante perto de metade da sua vida ativa, cerca de vinte anos, como foi também a colega amiga, a que me ligaram laços profundos de afinidade durante quarenta e cinco anos das nossas vidas.

Termino, fazendo menção, em terceiro e último lugar, ao tempo que dedicou à Associação Mulher Migrante - desde outubro de 1993 até à sua morte - de que foi sócia fundadora, sempre como voluntária. O seu exemplo na área do voluntariado é um legado deixado a Mulher Migrante-Associação de Estudo, Cooperação e Solidariedade, muito inspirador por certo para a sua ação no futuro.

OBRIGADO DR.ª RITA.

Victor Gil

Lisboa, 28 de setembro de 2018

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Com saudade recordo uma longa viagem ao Brasil na companhia da queridíssima Dra Rita Gomes no âmbito de um encontro internacional da Mulher Migrante.
Jamais esquecerei a sua força, o entusiasmo, o empenho, a sua voz e a sua escrita na busca pela igualdade, pela paz, pelo bem estar, integração, valorização da Mulher e do Homem Migrante.
Jamais esquecerei o seu interesse pela educação e pela cultura em geral, tudo formando um panorama de luta pela mudança social.

um beijo com saudade
Isabel Aguiar

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Estimadas associadas,

Estou certa que haverá muitas associadas mais qualificadas do que eu, para falar sobre a nossa saudosa e querida Rita, uma vez que, a conheci apenas desde 2014.

Contudo, quero expressar que durante o curto período que a conheci, fui sempre tratada por ela com carinho, todas as vezes que precisei de a contactar. Apesar dos seus achaques, no que refere à sua saúde, ela tinha sempre tempo para me escutar.  
Reconheci nela uma Alma generosa e humanitária.

Que Deus a tenha em Eterno Descanso!

Ester de Sousa e Sá


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Conheci a Drª Rita Gomes há mais de 30 anos, quando era Vice-presidente do Instituto de Emigração e eu estava destacada no gabinete pelo meu serviço de origem. Lembro-a sempre com um ar bem disposto e sereno, amável com todos, muito elegante, em fatos bonitos de cores discretas e impecavelmente penteada.  No trabalho era muito diligente e competentíssima, trazia na pasta uma montanha de papéis qua sabia de cor. Era a favorita do Gabinete para representar a Secretaria de Estado em contactos com os media, em particular programas de rádio, porque não só dava respostas certas e  precisas como tinha uma dicção perfeita e uma voz magnífica.
E tanto sabia trabalhar como ser uma alegre companhia, em momentos de festa, como, por exemplo, no encerramento de reuniões do Conselho das Comunidades. A sua voz era também maravilhosa para cantar! De vez em quando, quando pedíamos com insistência, acabava a cantar o fado e era um verdadeiro sucesso.
Em anos mais recentes, estive nalgumas iniciativas da Mulher Migrante, onde ela continuava igual ao que fora no Ministério dos Negócios Estrangeiros. Uma pessoa que nunca envelheceu!. Mantinha um rosto jovem, sem rugas e também um espírito jovem, enorme entusiasmo pelas coisas da emigração, um discurso positivo e otimista, que foi importante para motivar todos à sua volta.
 Depois de reformada, voltei-me para a pintura e participei em algumas exposições organizadas pela Mulher Migrante durante os seus congressos, o do Forum da Maia, em 2011 e o de 2013, em Lisboa, numa data em que se celebraram os 20 anos da associação. A Dr.ª Rita estava radiante. Foi a última vez que a vi.e é essa a imagem que guardo dela. Alguém que soube viver bem uma longa vida cheia de significado e que pode, felizmente, ver o seu esforço reconhecido.

Maria Eduarda Fonseca


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Joyeux anniversaire cara Rita!

Hoje tem de ser um dia de festa, à imagem do lindo dia de sol com que o universo nos brinda neste dia tão especial onde a Maria Rita Gomes completaria mais um outono/primavera!
Porque "quem sabe" quer nos à rir e não a chorar, quando nos lembramos dela....
Porque ninguém morre, enquanto tiver alguém a comemorar o seu dia....
Porque fica uma obra, sob forma de missão, a Mulher Migrante, que é uma jovem promissora...
Porque estamos unido(a)s para perpetuar esse legado valioso, tanto o espólio, como o que se vai construir junto(a)s!
Porque as sementes, entusiasmo e resiliência da Rita continuaram a florir em nós...
Porque temos o dever de nos actualizar sempre, como essa grande Senhora que conheci já com mais de 80 anos, surpreendentemente curiosa e activa nos mails, redes sociais...completando (por descargo de consciência e humanismo!) com o telefone,,,até altas horas da noite.

Eu que fui picada pelo mesmo bicho, quero lembrar a Maria Rita com estima, saudade, mas também com o sorriso e a paciência com que ela acolhia sempre novos projectos, ideias, parcerias...mas sobretudo pessoas, homens e mulheres...a quem ela foi insuflando um pouco do seu imenso saber e incomensurável paixão.....que dava, dá e dará sentido a esta nobre missão de ligar os Portugueses de fora aos de dentro!

Até sempre e parabéns por tudo isso e muito mais!


Emmanuelle AFONSO, Fundadora e Presidente do Observatório dos Luso-descendentes , em nome de todos os luso-descendentes que tiveram a sorte de se cruzar com ela neste caminho missionário!

6 de outubro de 2018

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Acordei esta Manha a pensar na Dra. Rita.   E pensei nela muito forte, pois acredito que ela nos “sente “.
Lembrei-me de quando Uma vez Ela foi com a Manuela a Genève. Estava eu lá havia pouco tempo, ainda mal instalada.  No entanto, com muito prazer, convidei-as a ficar em minha casa. Foram uns dias muito agradáveis e fizeram-me sentir como se a minha casa fosse um hotel de cinco estrelas...
Encontrei outro dia algumas fotografias de estadias das duas em Genève, que gostaria de partilhar. 
Já as fiz chegar a Filipa.
 Um grande abraço
Sarolta 

6 de outubro de 2019


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Testemunho

É com saudade   que  me associo a este tão justo e merecido Tributo, à  Ausente  Presença  da Presidente da  Associação  Mulher  Migrante.  Drª  Rita Gomes.
Foi um privilégio  privar da sua companhia, sabedoria, coerência, na defesa dos direitos das mulheres   em  particular, em vários  projectos, promovidos pela  AMM e testemunhar o quanto era importante o trabalho que desenvolvia,  ao  qual  se  dedicou  durante  os últimos  25  Anos da Sua Vida.

Luísa Prior


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Também quero recordar a nossa Querida Rita Gomes, pois ela era um pouco da cada um de nos.Vi -a como uma mulher de Luta, com essa capacidade que ela tinha para levar adiante tudo o que ela queria realizar.
Vou ter sempre presente quando vieram a Buenos Aires, ao "Encontro para a Cidadania", seminário que durou dois dias  -  um trabalho árduo, mas que nos deixou tantas recordações, pelas Delegações que viajaram até Buenos Aires, vindas de tantos Países de Europa e da América do Sul.
Trabalhos. visitas a Portugal para iniciativas em conjunto, em que representei a Mulher Migrante de Argentina, conhecimento de nova gente, foi tudo um processo que nunca esquecerei. A Dra. Rita sempre era a alma mater desses encontros, hoje vão para ela todas as recordações. Ela sempre estará entre nós, por diferentes motivos
Para a família os meus pêsames .
E termino dizendo: até um dia!
Grande Mulher"


Sra. Natalia m. Renda Correia


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Associando-me a todos e a todas que sentidamente homenageiam a Dra. Rita Gomes neste momento em
que nos deixou e muito certamente nos marcou, expresso aqui singelamente e sem qualquer espécie de
hipocrisia o meu grande pezar pela sua partida.
Dedicada a todas as tarefas que desempenhou ao longo da sua vida e a todas as causas que abraçou,
emprestou-lhes sempre o seu conhecimento com a maior disponibilidade, rigôr, competência e partilha de
saberes com todos e todas que com ela colaboravam.
Tive a honra e o privilégio de vivenciar este relacionamento e em diferentes contextos, sempre cordial e
profíquo, muitas vezes com divergência de opiniões, mas sempre ultrapassadas pelo diálogo franco e
desinteressado.
Uma grande mulher que agora nos deixou e sempre recordaremos com saudade

.
Maria da Graça Sousa Guedes

  Secretária Geral da AECSMM


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Homenagem a Dra. Rita Gomes

As minhas palavras serão breves mas parece-me ser um dever homenagear quem dedicou a sua vida as questões da emigração e das comunidades portuguesas, e mais tarde se interessou pelo lugar da mulher na emigração desde os anos 50 até a actualidade.
Cedo as questões da emigração portuguesa me interessaram. Ainda estudante em Paris e mais tarde jovem jornalista, correspondente para a imprensa portuguesa na capital francesa e jornalista na RFI fui acompanhando a temática da emigração assim como a actualidade em geral e mais especialmente ligada as relações entre a França e Portugal.
Vivi a realidade do movimento associativo dos anos 80 em França e tive a felicidade de encontrar por essa altura a Dra. Rita Gomes, primeiro no seu papel de vice-presidente do Instituto de Apoio a Emigração e Comunidades Portuguesas e depois como presidente.

Dois nomes eram e continuam a ser uma referência incontornável e respeitada em matéria de emigração portuguesa no mundo, o da Dra. Rita Gomes e o da Dra. Manuela Aguiar, como Secretaria de Estado da Emigração e das Comunidades Portuguesas de 1980 a 1987.

Lembro-me, na altura, de alguns eventos em que participei ligados a emigração e em que a figura da Dra. Rita Gomes era sempre esperada e sinonima de seriedade e competência: cursos de verão universitários organizados com o apoio da Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas, vários congressos anuais dedicados as Comunidades Portuguesas e a presença no Conselho das Comunidades Portuguesas – em 1981 se a memória não me falha – em que tive o privilégio de participar.

A Dra. Rita Gomes - como sempre a tratei - com o seu estilo próprio e conhecida por ser uma pessoa fiável, com uma personalidade solida, uma inteligência viva, perspicaz e subtil ao mesmo tempo era detentora de várias qualidades. Sentava-se, ouvia com paciência os seus interlocutores e conseguia muito bem descodificar os não ditos dos discursos criando um sentimento de proximidade. Uma personalidade forte e com um certo sentido de humor. Possuía uma capacidade rara: saber dispor de tempo para estar com os que a solicitavam mas não perdendo a sua clarividência e sabendo dizer “não” quando era necessário. Criou uma rede forte de contactos na diáspora portuguesa. 
A seriedade do seu trabalho fez com que fosse e continue a ser respeitada.

Mais tarde, em 1993, e a convite da Dra. Manuela Aguiar tornei-me sócia-fundadora da Associação Mulher Migrante e voltei a relacionar-me mais de perto com a Dra. Rita Gomes.
Continuava como voluntária e assumindo as funções de presidente da Direcção da associação, a dedicar uma parte bastante significativa da sua vida às questões da diáspora, e mais em particular das mulheres e do seu papel e isso até muito recentemente.
O brilho nos seus olhos continuava intacto. Gostava de participar nos eventos e zelava pela boa organização dos mesmos a todos os níveis, quando tal era da sua responsabilidade.
Até ainda recentemente continuou a trabalhar, com gosto, em prol da Associação Mulher Migrante e da diáspora portuguesa espalhada pelo mundo.

Até sempre.

Custódia Domingues


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À minha Amiga Dra Rita Gomes
"É o esquecimento e não a morte que nos faz ficar fora da vida" (Mia Couto)


Não conheci há muito, muito tempo a Dra Rita Gomes mas estabeleci com ela um relacionamento muito solidário e cordial. Era uma pessoa muito sensível e sempre muito preocupada com os outros.
Estive presente e participei em alguns dos Encontros Mundial de Mulheres Migrantes e lá estava ela permanentemente empenhada com estas questões e com a complicada organização destes congressos.  Havia sempre muitos portugueses de diversas paragens do mundo que ali se encontravam e trocavam impressões com ela. E ela sempre disponível……e afável……..
Retenho dela o seu empenho em todas as questões ligadas à migração. Com Manuela Aguiar presidiu os órgãos sociais da Associação “Mulher Migrante” e teve ainda um papel relevante no nascimento desta associação.
Deixou-nos, um dia, assim, sem o esperarmos, a trabalhar, sempre a trabalhar no que  mais gostava de fazer …na Associação Mulher Migrante e com o mesmo afinco de sempre. E, muitas vezes, talvez, por essa sua forma de ser e de viver, ainda vou ao computador para lhe enviar um mail.  E depois paro ….e entristeço.
Mas Rita Gomes não será esquecida e não ficará fora da vida.

Ana Costa Lopes


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Um Olhar Retrospetivo...

Relembrar os percursos que o itinerário de vida nos proporcionou, à Maria Rita e a mim própria, faz descobrir que só a meio dele ocorreu o encontro que viria a dar lugar ao continuado relacionamento que a partir daí se estabeleceu.
Conhecemo-nos no início dos anos 70, no magnífico edifício onde então se alojavam os Serviços do Secretariado Nacional da Emigração, sito na Avenida João Crisóstomo, por ela justificadamente evocado com tanta frequência e muito grande saudade.
Embora existisse um interesse comum pelo fenómeno migratório, referência primeira que guiou, melhor dizendo, que sempre "iluminou" a orientação profissional de qualquer de nós, a formação de base e a experiência profissional até então adquiridas, diferenciavam as perspetivas e interpretações pessoais, não facilitando no imediato a aproximação que viria progressivamente a instalar-se e o entendimento recíproco que sedimentou a profunda amizade que verdadeiramente nos ligou.
Se, por um lado, a experiência institucional lhe conferia uma mais próxima dimensão da realidade que à época configurava ao nível "macro" a complexa problemática da mobilidade, então considerada como "ordem do dia", por outro, a idealização da excelência atribuída ao seu conhecimento direto e personalizado, resultante de um trabalho de campo intensivo, situava ao nível "micro" a sua configuração, contrapondo duas formas de abordagem. Posições que, não sendo antagónicas, se articulavam de forma complementar.
A saída do espaço universitário deu lugar ao relacionamento que estabelecemos enquanto colegas de trabalho e à inserção em núcleos nos quais cada uma assumia a responsabilidade de matérias muito diversas tanto na substância dos conteúdos como na forma de tratamento. Uma situação que nos colocava em patamares diferentes, lidando com assuntos distintos, coordenando núcleos técnicos que em nada se identificavam.
Confesso, sem vergonha, que reconhecendo o valor da preparação académica que detinha me senti nos primeiros tempos "desaproveitada" e a nossa interação, praticamente nula ao nível do exercício profissional, limitava-se a um convívio breve e inconsequente durante as pausas em que "tomar café" permitia uma curta interrupção no trabalho. Guardo uma boa recordação desses espaços de tempo passados na Rua do Passadiço.
As múltiplas mudanças que sempre ocorrem na Administração Pública e a natural alteração de chefias, fez-nos confrontar situações verdadeiramente difíceis e foi num desses períodos que, inesperadamente, surgiu um "novo tempo" no nosso relacionamento.
No momento certo, uma ajuda oportuna perante um aberto conflito institucional em que estava implicada (e me faria apresentar formalmente uma queixa ao Provedor de Justiça), fez com que reconhecesse a solidariedade que oportunamente me foi demonstrada pela ajuda e apoio que dela recebi, numa altura em que ambas desempenhávamos funções na Praça de Londres. Nunca poderei esquecer tal atitude.
Vim a reconhecer que se tratava da expressão da sua própria maneira de ser, que até então quase desconhecia. Manifestei muitas vezes em público o meu reconhecimento e são incontáveis as vezes que relato a ocorrência. Bem haja Maria Rita!
Só muito mais tarde viemos a articular perspetivas e ações de caráter profissional e a estender a cumplicidade que se instalou ao nível pessoal. A complementaridade desenvolvida no âmbito das atividades da Associação Mulher Migrante, de que ambas fomos sócias fundadoras, permitiu estreitar e reforçar a sólida amizade que já então existia.
A elaboração da escolha dos temas que encabeçavam programas, a ordenação e tratamento de assuntos, situados no longo caminho que precedia a execução final das iniciativas levadas a cabo, em Portugal e no estrangeiro, deram lugar a uma constante troca de impressões e tomada de decisões conjuntas.
É todo esse período de colaboração que quero recordar e manter bem presente, pois nele se situa a admiração sentida pela sua capacidade de trabalho e lealdade à "causa" que constituiu um projeto de sempre, projeto que manteve com constância e convicção. Entre nós, a Maria Rita continuará viva e a sua imagem contribuirá para levar a cabo a execução de iniciativas capazes de manter a existência da Associação Mulher Migrante.
Uma figura não pode deixar de ser mencionada: a "sua" Susana, a quem proporcionou um tão dedicado enquadramento. Uma relação quase familiar, muito próxima, traduzindo um verdadeiro sentimento cuja manifestação era visível e que todos nós bem conhecíamos.
As tarefas que a Maria Rita lhe confiava criaram um espaço de colaboração que lhe conferiu uma realização pessoal, refletindo mais uma vez a interveniência oportuna que constituía a sua maneira de estar.
A AMM deve certamente a qualquer delas um grande agradecimento.

Maria Beatriz Rocha-Trindade