quarta-feira, 12 de junho de 2013

ARCELINA SANTIAGO Migrações e Artes no feminino- súmula do Encontro

Foi com muito prazer que elaborei as breves notas finais  deste Encontro que , tal como os anteriores, acolhe sempre   conteúdos ricos, mas este, dotado de grande simbolismo porque marcou o início  das comemorações  dos 20 anos  da Associação de Estudos Mulher Migrante ( AEMM) em torno das questões de igualdade de género em contexto migratório. Dar inicio a esta efeméride, integrada na  II
Bienal "Mulheres d' Artes”, promovido pela Câmara  Municipal de Espinho, que reuniu muitas artistas da  diáspora, foi uma oportunidade de ouvir as próprias artistas  sobre interrogações a que é importante dar resposta, e que também suscitaram curiosidade dos jovens estudantes, presentes neste Encontro. Esta bienal de artes no feminino, por ser representativa do universo de mulheres das artes
e, neste caso, da diáspora, é algo de único no país e, por isso, coloca Espinho como pioneira na rota deste tipo de evento o que  muito nos orgulha.
 Também a parceria com  o jornal " As artes e as letras merece um destaque especial na concretização deste Encontro. 
 "Expressões da cidadania no feminino" será o tema  recorrente, como referiu a Dr. Manuela Aguiar  da AEMM e que procurará pôr em foco a realidade da vida e obra das  mulheres em diferentes domínios da cultura, da intervenção  cívica e política, da diplomacia, do empreendedorismo económico.
A Associação, através das suas Presidentes da Assembleia Geral e da Direção, respetivamente Drª
Manuela Aguiar e Drª Rita Gomes, agradeceram e  enalteceram a colaboração  da Câmara Municipal , em particular da Senhora vereadora, Drª Leonor Fonseca,  alma deste evento e do Dr.  Armando Bouçon, diretor do Museu Municipal – FACE,  que conseguiram   acolher uma
exposição com esta dimensão.
Destacaram também  o conjunto de atividades desenvolvidas pela AEMM, realçando-se que só foi
possível tal ação graças ao apoio dado pela Secretaria de Estado daa Comunidades Portuguesas.
A mensagem cheia de significado  do Senhor  Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Dr. José Cesário, cuja presença honrou a Associação, foram reveladoras  de que esta continua a
exercer o seu papel na defesa das mulheres em contexto  migratório, no reforço da lusofonia e da Portugalidade e divulgação das comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo. Destacou também a importância destas não apenas na perspetiva empreendedora, da área dos negócios e comércio, das remessas, mas também no potencial  cultural que elas possuem. Referiu-se  à  outra metade dos portugueses  e   seus descendentes que habitam em tantos lugares do mundo e que fazem de Portugal um grande país,  não apenas o país de 10 milhões mas  muito mais e que a importância do nosso
país  é notória e  reconhecida em todo o mundo. Daí haver  representantes portugueses em todo os organismos de caracter internacional. 
Os poemas  declamados  pelos dos alunos da Escola  Básica e Secundária Domingos Capela, sobre o mar e  sobre a diáspora,  temas de autores portugueses, foram palavras inspiradoras e carregadas de  simbolismo , como refere Vergílio Ferreira “ da minha  língua vê-se o mar” . Também simbólico foi a exposição das magníficas  caravelas feitas de material reciclado  pelos alunos, representando "a partida" que faz parte da nossa longa  história da diáspora portuguesa.
A  Introdução ao tema pela Profª Doutora Isabel Ponce de Leão – Universidade Fernando Pessoa -  levou-nos à  reflexão  em torno de questões que se prendem com o papel das mulheres  no mundo artístico e de  mobilidade cultural.  Referiu o marco da nova corrente estética, o pós-colonialismo,  onde ocorre um novo paradigma de sociedade  e onde a mulher ganha um novo estatuto e
importância própria.
A segunda comunicação , pela Profª Doutora Ana Gabriela  Macedo da  Universidade do Minho (“Novas Corpografias de Arte no feminino”) deu-nos a conhecer, de forma muito  breve, o seu estudo académico sobre a   representação do feminino e da sua identidade na área da pós –modernidade
com incidência  na obra de Paula Rêgo, obra inspiradora  que provoca admiração e, por vezes, choque. A relação que as mulheres têm com o mundo e com os outros  remete-nos para as artistas controversas   como uma forma  de questionamento e reflexão. A alteridade afirmada não é
apresentada como algo menor mas enquanto  diferente e de forma positiva. Por fim, realçou as novas corpografias nos feminino e a arte ligada à cidadania onde as mulheres continuam a ter dificuldade em expor a sua arte. 
 As intervenções de algumas  artistas   levou-nos a concluir muito da sua forma de estar no mundo das artes e o seu papel enquanto cidadãs da diáspora e quão rica foi a interligação cultural  para o seu desenvolvimento como pessoas e artistas. Foram levantadas questões  diversas a suscitar reflexão: redução das horas dedicadas à Educação Visual no sistema de ensino em Portugal; das dificuldades
burocráticas portuguesas no transporte de obras de arte ;  a necessidade de uma maior intervenção do Estado em prol das artes; o elevado custo dos mestrados em Portugal  em relação ao estrangeiro;  os subsídios e sua  dependência ou até que ponto o artista terá de ficar enformado pelo circuito comercial para poder sobreviver em vez de ser um criador pleno…
Algumas artistas da diáspora   de várias áreas( fotógrafa, pintora, galerista, poetisa…)  deram  testemunho  das suas histórias de vida, onde ficou patente o  seu ecletismo cultural e desassossego permanente  , importante para o seu sucesso  enquanto mulheres, cidadãs e artistas.
A intervenção dos  alunos da EBSDC  jovens criadores , orientados pelas suas professoras, Filomena Bilber da Artes e Nelma Patela da Língua Portuguesa  foi  uma forma inspiradora e reveladora  de que a AEMM, ao fazer os seus 20 anos de atividade, tem  já   os olhos postos no futuro,  simbolizado aqui pela presença destes jovens. O envolvimento dos mais jovens sobre  as questões aqui em
apresentadas torna-se  na verdade enriquecedor.
 O projeto que aqui  começou terá  continuidade  com as entrevistas que cada jovem irá realizar às artistas plásticas  da diáspora aqui presentes nesta exposição  e que elegeram tendo em conta a obra que mais gostaram .
Desta forma, obter-se-á uma visão dos jovens sobre a questões da cidadania , das mulheres nas artes da diáspora.
Este  é um bom sinal  de vitalidade desta Associação que,  este ano, celebra 20 anos.

                                         Arcelina Santiago

terça-feira, 4 de junho de 2013

CONTRA O TABACO! NA RÁDIO ARCOENSE, CARACAS

.Que pensou da proposta do Presidente da Radio Arcoense (Antonio Coelho) em ser madrinha da programação especial “Roberto Leal” por ocasião do Dia Mundial Sem Tabaco, sexta feira 31/05?
Fiquei feliz por poder colaborar numa excelente e original iniciativa. Muito boa a ideia de envolver Roberto Leal. com a força das suas convicções e com o seu carisma. Alguém que todos admiramos,nos palcos, mas também na sua vida como cidadão empenhado em Causas humanitárias
.Já tinha recebido uma proposta assim? Já foi madrinha de algum evento similar? Dia mundial em radio? Que pensa da iniciativa da Radio Arcoense?
Na verdade é a 1ª vez que isto acontece num progranma de rádio, embora já tenha participado em várias campanhas de prevenção de riscos e doenças, Renovo as felicitações ao Director da R A pelo formato escolhido
.Que pensa do Dia Mundial Sem Tabaco instituído pela OMS (ONU)?
Acho que é uma chamada de atenção imprescindível, pois o tabaco mata! E atnge também os fumadores passivos, É preciso que as pessoas tomem consciência destes malefícios, O dia sem tabaco tem de ser o princípio de um mundo sem tabaco!
 
.É fumadora? Foi fumadora? Sofre do fumo o de ser fumadora passiva?
Nunca fumei - só por brincadeira, nos dias de juventude e muito raramente. Mas tanto o Pai como a Mãe eram fumadores e o meu ex-marido também. Vivi em ambientes de fumo e não gostei da experiência. Reclamava e tentava converter os fumadores. Sem êxito, nessa época.....
.Que pensa desta programação especial Roberto Leal 24h na Radio Arcoense?
Tenho a certeza que vai ser um sucesso. Espero que tenha efeitos no futuro, que ajude a diminuir a prática, que começa pr ser social e lúdica e acaba em vício. Vamos tentar preveni-lo, sobretudo entre a juventude!
.Gosta do artista Roberto Leal? Tem anedotas com este artista?
Conheci Roberto há quase 30 anos, em São Paulo. Foi uma surpresa ver como era uma pessoa simples, simpática, ele que era já tão famoso. Podia contar muitas, muitas histórias de Roberto - nada de anedotas . Actos de generosidade e de poruguesismo sem fim! Como naquele dia da Comunidade luso-brasileira, promovido pela Secretaria de Estado da Emigração em que foi actuar como amigo, sem cachet, num concerto no estádio de Guimarães. Á hora do concerto chovia torrencialmente! Eu ía a caminho do recinto bem preocupada... Mas o estádio estava cheio, a chuva abrandou e o sucesso foi imenso. Roberto encantou pela música e pela palavra. Inesquecível!

O nosso Encontro de Espinho no Facebook!


A Associação da Mulher Migrante promoveu hoje em Espinho o Encontro "Mulheres d'Artes da Diáspora Portuguesa". Simultâneamente decorre uma exposição de obras produzidas por Mulheres da Emigração que fica patente até o próximo dia 1 de Setembro com 130 participantes. O secretário de Estado das Comunidades Portuguesas , ...José Cesário, prestigiou o evento. Parabéns a dra. Maria Manuela Aguiar , dra. Rita Gomes e demais responsáveis pela Associação. E parabéns às Marias Corações de Portugal que tem a arte de uma das suas componentes ali exposta ,a Natália Correia da Argentina autora de um belíssimo retrato de Carlos Gardel, as brasileiras Contância Néry, Ivone Bergamini ,a Marlene Santana e a todas as artistas plásticas que contribuíram com o seu "engenho e arte"para o sucesso dessa iniciativa. Ao lado das Marias Corações de Portugal estão portuguesas da França, Reino Unido, Suíça, Canadá, Angola, Moçambique.( Fotos originalmente postadas no mural de José Cesário e que um amigo que é contacto dele fêz a gentileza de me enviar).

 

sábado, 1 de junho de 2013

Tópicos para a sessão de abertura das comemorações dos 20 anos da AEMM

 - 31 Maio, um dia para a história da AEMM
Em Espinho, cidade matricial das nossas primeiras acções, com tantos amigos que connosco partilharam o caminho feito, damos início à passagem dos nossos 20 anos
.
 - Ao longo de 2013, queremos promover uma sucessão de colóquios e encontros para reflexão e diálogo sobre as questões da igualdade de género no contexto das migrações.
 - Sob o título genérico de "expressões da cidadania feminina" vamos à procura do conhecimento das realidades da vida e obra das mulheres em diferentes domínios da cultura, da intervenção cívica e política, do empreendedorismo económico.
 - Começar pela cultura, pelas Artes faz todo o sentido, porque a Cultura é uma expressão maior da cidadania. E porque , com excepção de raros nomes que atingiram a fama universal a partir do estrangeiro, como Vieira da  Silva, Isabel Meyrelles ou Paula Rego, há no País um enorme desconhecimento sobre as Artistas da Diáspora.
- A II Bienal  Mulheres d' Artes ao acolher a nossa proposta de parceria neste Encontro, dá-nos o privilégio de ouvir as própria artistas sobre múltiplas interrogações que é legítimo colocar, como algumas que desde já proponho para debate:
Há uma relação entre género e expressão artística?
O que ganharam as mulheres na sua itinerância por vários universos culturais?
Que papel atribuir às artes como formas de intervenção e de repercussão emotiva e artística de experiências de vida, e, também de aproximação das sociedades às quais elas sentem pertencer ?
 Como ver uma Bienal de Mulheres d'Artes?
 
- Na Bienal, como neste Encontro, a nosso ver, não se quer traçar uma linha de fronteira entre géneros, antes promover a harmonia e o equilíbrio, que ainda são pura utopia,
As mulheres vêm, nesta nossa perspectiva, ocupar o lugar da sua própria ausência, ou relativa ausência e marginalização, numa sociedade marcada por padrões masculinos.
 
 - Este não é o tempo e o lugar de uma separação, mas o de uma chegada.
Como no poema de Isabel Meyrelles poderíamos dizer a cada uma das artistas presentes
"Eis que chegaste
E cada coisa
recomeçou
no gesto interrompido"
Um recomeço no caminho das artes, que é o da Liberdade