sábado, 19 de março de 2016

Colóquios Eurocidades - programa provisório

COLÓQUIOS DA EUROCIDADES Monção e Salvaterra del Miño - Expressões de cidadania no feminino na região luso galaica “ Expressões de Cidadania no Feminino, é o tema do I Colóquio Eurocidades inserido nos Projetos Eurocidade Salvaterra/ Monção e Igualdade de Género, que visa reforçar identidades e solidificar relações culturais e de cidadania entre duas regiões que têm muito a partilhar problemáticas que envolvem a diáspora, a igualdade e as mulheres na literatura, na arte, na história... Organização: Eurocidade Monção Salvaterra del Miño Colaboradores: Associação de Estudo, Solidariedade e Cooperação - Mulher Migrante Casa Museu de Monção da Universidade do Minho Quinta de Santiago Alvarinho- Monção Jornal As Artes entre as Letras 8 abril sexta -feira 17.00h - inauguração da Exposição Expressões de Cidadania no Feminino ( que encerra em 30 de abril) com obras de pintura, escultura e fotografia de artistas das duas margens, do Norte de Portugal e da Galiza e da diáspora, patentes na Casa Museu de Monção da Universidade do Minho, no Castelo D. Urraca em Salvaterra do Miño e na adega da Quinta de Santiago em Cortes - Monção Comissários da Exposição: Presidentes Câmara Municipal de Monção e Casa del Consello de Salvaterra del Miño. Artistas anfitriões: Rosa Porto, Ricardo de Campos, Patrícia Oliveira e Puskas 19.00 h - Alvarinho de honra no Palácio D. Urraca 21.30h - Concerto / conferência Música de Expressão Ibérica - Maestro Vitorino d' Almeida e Maestro Miguel Leite, com co-criação plástica de Patrícia Oliveira e Ricardo Campos no Cine Teatro João Verde em Monção 9 abril (sábado ) COLÓQUIO EXPRESSÕES DE CIDADANIA NO FEMININO Comissão científica: Luísa Malato – Professora Doutora da Faculdade de Letras da Universidade do Porto Graça Guedes - Professora Doutora da Universidade do Porto José Viriato Capela – Professor Doutor e Presidente da Casa Museu de Monção da Universidade do Minho 9.30h (10.30 hora de Espanha) – Sessão de Abertura Concello de Salvaterra do Miño - Arturo Grandal Câmara Municipal de Monção - Augusto Domingues Associação de Estudo, Solidariedade e Cooperação - Mulher Migrante: Rita Gomes 10.00h I Painel: Interação entre géneros - na literatura, na história e na arte Moderadora: Nassalete Miranda A Cela e o Zelo: a clausura por ciúme num epopeia do século XVIII sobre a mulher - Maria Luísa Malato Nós-outras, senhoras das Letras: a experiência da plataforma de crítica feminista A Sega - Susana Sánchez Arins Mulheres, figuras da nação - José Viriato Capela História do Concello de Salvaterra - A arte no feminino - Ana Pais Oliveira 13.00h - Almoço 14.30h – - II Painel: Eurocidades - por uma cultura de igualdade Moderadora: Graça Guedes Emigração no século XXI - da diversidade à convergência. O paradigma do" Boston Portuguese Festival" - Manuela Aguiar Educação para a não violência - Arcelina Santiago As Mulheres e a Saúde : novas e velhas (in) visibilidades - Carminda Morais 17.30h - Encerramento Secretário de Estado das Comunidades – Mestre José Luís Carneiro .

Os Presidentes da República e a questão de género

1 – A questão de género, entre nós, nunca está na ordem do dia. Por isso, sobre o Presidente Marcelo e sobre os seus antecessores muito pouco se disse e escreveu, nesta matéria. A presidência da República tem sido sempre e vai, por certo, continuar a ser, durante muitos anos, reserva masculina (a última Chefe de Estado em Portugal foi a Rainha Dona Maria II…), embora simbolicamente se represente a República na estatuária de pedra ou de bronze, com uma bela imagem de mulher… Esta é a situação de "disparidade" em que vivemos, mas podemos, pelo menos, esperar que o Presidente faça sua a causa da paridade... 2 – Vou aventurar-me, como o Professor Marcelo costumava fazer nos seus memoráveis programas da TSF, a dar notas aos Presidentes eleitos depois do 25 de Abril, com enfoque neste domínio. Todos me merecem, felizmente, classificação positiva: 18 valores para o General Ramalho Eanes, pela coragem de ter nomeado, num governo de iniciativa presidencial, uma mulher Primeira ministra, Maria de Lourdes Pintasilgo (audácia admirável numa altura em que, na Europa, só Thatcher chegara, e apenas algumas semanas antes, a esse lugar cimeiro); 14 valores para o Dr Mário Soares (a quem, nos demais capítulos, daria nota 20!), pela atividade normativa dos seus governos, expressa em leis igualitárias, saídas de pena ágil do Dr. Almeida Santos. 19 valores para o Dr Jorge Sampaio, coerente mensageiro da igualdade (na expressão de Ana de Castro Osório um “feminista prático”, que é aquele que se afirma pela ação concreta). Foi o primeiro Presidente a criar um gabinete e uma assessoria para o cônjuge, o primeiro a comemorar o Dia da Mulher, com um forte apelo à participação cívica e à valorização do seu papel na sociedade e na política - o único que não esquecia as mulheres na lista de condecorações, tão disputadas no mundo dos homens… e até o único que escolheu um génio feminino, Paula Rego, para pintar o seu retrato destinado à galeria do Palácio de Belém; 12 valores para Cavaco Silva, apesar de ter sido, enquanto PR, um implacável adversário da lei da paridade (vetando uma versão inicial, que tornava a paridade vinculativa, forçando a sua substituição por uma modalidade "soft", em que a infração ao normativo legal dá apenas origem a uma multa…). Contudo, enquanto governante e líder partidário, teve a preocupação de promover mulheres. A ele se devem as nomeações das primeiras governadoras civis, as eleições das primeiras Vice-presidentes da Assembleia da República (segundas na linha de sucessão do Presidente…), a indicação das primeiras juízas do Tribunal Constitucional, o maior número, até então, de mulheres num governo da República (algumas com grande influência e poder, como Leonor Beleza e Manuela Ferreira Leite). 3 – É muito cedo ainda para classificar o atual PR, mas não para ter fundadas esperanças na sua atuação futura. É um defensor declarado do sistema de quotas, contra as elites e as bases do seu partido (neste aspeto, terá sido o dirigente do PSD mais próximo do pensamento da social democracia nórdica). E tem um longo passado de luta contra os preconceitos de género, pelo menos desde os míticos anos 70 do século XX. Posso exemplificar com breves citações do seu editorial do Expresso de 30 de Novembro de 1978, que conservo numa seletiva pasta de recortes de imprensa: "Num País onde a mulher está ainda muito longe de dispor de possibilidades de afirmação idênticas às do homem, a nomeação da primeira mulher para exercer o cargo de secretário de Estado do Trabalho merece especial referência". Depois de uma breve referência ao curriculum académico e profissional dessa jovem desconhecida (que, por acaso, era eu…), recorda os nomes das raras mulheres que a haviam precedido nos governos da República: Teresa Lobo, ainda antes da revolução de 74, Lurdes Pintasilgo, Manuela Morgado e Teresa Santa Clara Gomes. E prossegue: "Mas o que poucos arriscariam é que uma pasta tão melindrosa como o Trabalho incluísse uma mulher governante. Tratava-se de um pelouro considerado extremamente sensível nas suas repercussões políticas, a desaconselhar, para muitos, a presença de uma mulher. É positivo que este sacrifício do "machismo" latente tenha sido vencido. É positivo que Mota Pinto tenha ousado dar o passo que deu". Não me lembro de outro político que tenha feito uma denúncia tão frontal do “machismo latente” na vida pública portuguesa! E como, quase 40 anos depois, o “machismo latente” persiste, não faltarão ao Presidente ocasiões para o evidenciar.

A emigração portuguesa no século XXI - da diversidade à convergência. O paradigma do Boston Portuguese festival

Síntese da comunicação ao colóquio Luso Galaico (Eurocidades Monção/Salvaterra) - 9 de Abril 1 - A emigração portuguesa é um fenómeno antigo e persistente, embora continuado em fluxos que crescem e decrescem num constante fechar e abrir de novos ciclos. No presente, a crise financeira europeia e mundial, as políticas de austeridade da UE, e, no caso de Portugal, as imposições dos credores externos repercutiram tão negativamente nos níveis de emprego e nas remunerações do trabalho que desencadearam, a partir de 2010, uma grave crise económica e um êxodo migratório só comparável ao dos anos 60 do século passado Fala-se de "nova emigração", com um enfoque numa realidade efetivamente diversa da tradicional - uma fuga de cérebros, de jovens altamente qualificados, com uma significativa proporção da saída autónoma de mulheres, muito embora este segmento mais visível e mais preocupante seja ainda minoritário dentro dos números globais . 2 - As caraterísticas da "nova emigração" são a sua grande heterogeneidade, a tendência para um menor desequelíbrio de género e a maior dispersão em todos os continente, se bem que a Europa permaneça como destino largamente predominante. E, também maior a imprevisibilidade no que respeita às intenções de regresso dos jovens portugueses mais qualificados, à sua mobilidade internacional, e perspetivas de integração na esfera do associativismo, em que se estrutura a "Diáspora", nas comunidades portuguesas do estrangeiro - comunidades orgânicas, coesas e dinâmicas, autênticos espaços de extra-territorialidade da cultura nacional, transmitida de geração em geração. 3 - Estará a presença portuguesa neste mundo institucional ameaçada tanto pelo desinteresse da "nova emigração" como pelo das segundas e terceiras gerações de emigrantes? Estarão as grandes instituições da "Diáspora" condenadas ao declínio num mundo em que a facilidade de comunicação tornou mais próximas todas as terras e, de algum modo, veio desvalorizar as singularidades identitárias? Como atrair à vivência em comunidade a portugueses tão distantes nas suas experiências profissionais e nos seus interesses culturais? A fórmula do "Portuguese Boston Festival", ensaiada nos EUA, na primeira década do século XXI, pode ser uma resposta, com a virtualidade de se adaptar a diferentes circunstâncias. É, essencialmente, um apelo à afirmação da presença cultural portuguesa, em que cada um, cada coletividade, cada cidadão, dá o melhor de si, numa iniciativa anual, numa organização comum, feita de todas as organizações, um "encontro d mundos" - popular, tradicional, académico, científico, artístico, desportivo.Todos unidos à volta de uma távola redonda, por uma causa, a cultura portuguesa, ou,mais latamente, as culturas da lusofonia.