terça-feira, 29 de novembro de 2011

INTERVENÇÃO DE MARIA MANUELA AGUIAR A abrir o "Encontro Mundial de Mulheres Portuguesas na Diáspora"a

Em nome da Associação de Estudo, Cooperação e Solidariedade Mulher Migrante, uma breve saudação de boas vindas.
Um agradecimento especial ao Senhor Presidente da Câmara da Maia, Engº António Bragança Fernandes, que tão bem nos recebe neste “Forum”, “ex libris” da modernidade da Maia e um centro da sua vida cultural. E, por isso, o melhor lugar para dizer ao Senhor Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Dr José Cesário, que nada do que vai acontecer nestes dias intensos seria possível sem o seu incentivo e apoio, de primeira hora - sem a vontade de que dá provas de querer avançar para uma nova e decisiva fase nas políticas para as comunidades, com uma vertente de género, com acento nas questões fundamentais da cidadania, da sua vivência por mulheres e homens, através do livre exercício dos seus direitos cívicos e políticos.
Obrigada Aurora Cunha por nos dar, como convidada de honra deste Encontro, o que vem dando ao País, desde o início de uma carreira fulgurante: tanto ou mais do que vitórias, que ficaram para a eternidade em muitos campeonatos, em muitas maratonas, o exemplo de uma vida inteira de constante intervenção cívica, de solidariedade, de capacidade de ultrapassar limites, que é, afinal, a essência do desporto, em estado puro, e, igualmente a essência da luta por quaisquer ideais servidos com paixão.
Aurora Cunha, um rosto feminino para a nossa história, para a história que se escreve com grandes feitos desportivos. A primeira mulher portuguesa campeã do Mundo de atletismo, tricampeã do mundo, (faz neste Novembro de 2011, precisamente 25 anos!). É, assim, a todos os títulos,verdadeiramente, uma honra ter entre nós a Mulher encantadora, sincera e vibrante, que humaniza e feminiza o mito vivo, que é a desportista!
Obrigada a todas e a todos pela vossa participação, de um enorme significado, porque com ela, se vai traçar, inteiramente, o destino este Encontro Mundial, no cumprimento dos seus objectivos. O primeiro dos quais é criar um espaço de reflexão sobre as formas de transformar a sociedade portuguesa, de a abrir à consciência da sua verdadeira dimensão, que não cabe num pequeno rectângulo europeu e nas ilhas atlânticas. Portugal é muito mais mar do que solo pátrio. Portugal é muito mais a sua gente do que o seu território. Herança de uma história antiga que as migrações prosseguiram, até nossos dias, com homens e mulheres – cada vez mais mulheres! - que se dispersam no mapa mundi da geografia, mas permanecem enraizados na cultura de origem.
É desse sentimento de pertença que nascem as comunidades portuguesas, numa emigração de famílias inteiras, como é a nossa. Um movimento caracterizado pelo equilíbrio de género e geração, alcançado desde meados do século passado, e anunciado por um crescendo da emigração feminina já nas décadas anteriores. Um crescendo, então, como se sabe, denunciado e combatido por políticos e estudiosos do fenómeno migratório porque receavam que a emigração feminina reconvertesse o projecto de" torna viagem" de homens sós num projecto de integração definitiva da família reagrupada no estrangeiro, em "pura perda" para o nosso país. E decretaram medidas de fortes restrições da liberdade de saída das mulheres, que praticamente duraram até a democratização do regime...
Todavia, só parcialmente tiveram razão, na estrita medida em que se aperceberam de que a presença das mulheres contribui decisivamente para a consolidação de situações de vida em sociedades estrangeiras, para a estabilidade e o bem-estar económico da família. Mas não adivinharam que nessa aceleração e melhoria qualitativa do processo de integração - devida directamente ao contributo das mulheres- se haviam de gerar as comunidades, através das quais Portugal se expande universalmente. O que representa um proveito superior a quaisquer perdas...
Em tempo de crise profunda e regressão económica, cá dentro, como é bom constatar que uma grande parte da Nação Portuguesa progride lá fora, sempre pronta a dar-nos razões de esperança! Assim saibamos ir ao seu encontro, que é justamente uma das razões que hoje nos move.
Não estamos numa reunião em círculo fechado de mulheres a falar sobre mulheres migrantes, mas sim globalmente sobre emigração, diáspora, Portugal, sem, porém, omitir, como é coisa corrente, a componente feminina, quase sempre, esquecida e marginalizada. E justamente porque tem sido marginalizada comporta maiores virtualidades de operar mudanças e assegurar progresso colectivo.
A paridade está há muito conseguida na proporção homens/mulheres nas comunidades portuguesas. Todavia, não se reflecte ainda de um modo equitativo e eficiente num poderoso e multifacetado movimento associativo, sobretudo no que respeita aos seus centros de decisão e de poder formal. Pelo contrário, a divisão de trabalho dentro desse todo organizacional, suporte originário e consistente das comunidades, tende ainda a reproduzir na "casa comum", que é a associação, os papéis de cada um dos sexos na casa ou na família tradicional. É ainda um universo predominantemente masculino, conservador de mentalidades, de costumes e de valores - uns intemporais que merecem a nossa admiração, mas outros anacrónicos, que importa deixar para trás - caso das discriminações de género e de geração, que condicionam o crescimento das comunidades, através da metade feminina, tão pouco aproveitada, e dos mais jovens, ainda insuficientemente envolvidos num dirigismo associativo que, com todas as virtudes que se lhe reconhecem, envelheceu no poder, um pouco por todo o lado...
A evolução positiva que vai acontecendo e importa registar, varia muito, nos vários continentes e países. A perspectiva ou visão comparativa, pode, a meu ver, contribuir para um acertar do passo, com a força dos paradigmas mais igualitários. Por isso, a partilha dos resultados da observação no terreno, de estudos científicos, que permita a constatação de avanços, ou, pelo contrário, da persistência de obstáculos e injustiças, pode tornar-se um factor de mobilização para a mudança e assumir verdadeiro interesse estratégico. Um Encontro de âmbito internacional, como este, é sempre uma oportunidade de fazer um balanço, de buscar inspiração em modelos já experimentados, de traçar novas linhas de actuação...
Historicamente o que podemos designar por "congressismo", foi uma arena privilegiada de luta pela emancipação das mulheres - um espaço de diálogo, de concertação de esforços e união, de visibilidade e de protagonismo para elas e para as suas ideias. Na cena de convenções, de colóquios, de sessões de esclarecimento, de comícios, se fez a transição de uma vivência restrita à esfera privada (ou, noutras palavras, de um regime de clausura doméstica...) para a esfera pública. Sair da sombra, sair do anonimato, foi um acto de extrema coragem e audácia para mulheres que se sujeitaram, a todos os riscos e formas de censura social, foi um acto portador de promessas de cidadania.
Elizabeth Cady Stanton, que, em 1848, presidiu à Convenção de Seneca Falls e, pessoalmente, redigiu, a famosa "declaração" , tem hoje a sua estátua no Capitólio, como a sufragista Emmeline Pankhurst faz jus a um monumento junto ao parlamento de Londres, cujas ruas tantas vezes percorreu em ruidosas marchas de protesto.
Nada de comparável, em termos de reconhecimento público, mereceram dos homens seus contemporâneos as notabilíssimas feministas da 1ª República, cuja evocação aqui quisemos trazer. Num "Encontro" pensado para nos levar em viagem pela história das mulheres da Diáspora não é demais começar na origem remota de um movimento para a igualdade de género, ainda tão longe de estar alcançada.
Mudam os tempos, o estatuto de direitos, as situações reais, mas acreditamos que os mesmos instrumentos podem servir em novos patamares de progresso civilizacional, particularmente nos domínios da Diáspora feminina. No que à nossa respeita, o congressismo teve a sua grande manifestação pioneira em Viana do Castelo, de 16 a 20 de Junho de 1985, no “1ºEncontro de Mulheres Migrantes no Associativismo e no Jornalismo”.
A Associação "Mulher Migrante" assumiu-se, desde a sua constituição, quase uma década depois, como herdeira das aspirações e das propostas dessa reunião, precursora de tantas outras: o Encontro Mundial de Espinho, em 1995, os "Encontros para a Cidadania - 2005-2009", e, pelo meio, inúmeras iniciativas que cabem na definição ampla de "Congressismo".
Contámos com a cooperação do Estado, assim como de ONG’, dentro e fora do País, para uma acção incessante, como tem de ser, para que se não deixe esmorecer a vontade de trabalhar em conjunto e de ultrapassar metas...

No ano passado, a Assembleia da República, na Resolução nº 32/2010 da autoria do então deputado José Cesário, veio reconhecer a necessidade de promover um amplo programa que conduza à plena participação das mulheres na vida das comunidades.
No Governo, o Dr José Cesário não tardou a dar-lhe início de concretização e, como na economia da Resolução se preconiza, em parceria com a sociedade civil.
As finalidades da “Resolução” são também as nossas, as de todas as instituições e de todas as pessoas que, na Maia, se dispõem a pensar as formas de as levar a cabo.

Direi a concluir que este é um "Encontro" em que se entrelaçam muitos encontros:
Um encontro com as lições e ensinamentos do passado, em que lembramos aqueles que connosco estarão sempre na memória…
Um encontro de mundos, do mundo político com o da sociedade civil, do mundo académico com o dos protagonistas da aventura da emigração, e entre portugueses e portuguesas de dentro e de fora dos limites territoriais...
Um encontro de formas de viver a identidade nacional - encontro de culturas, em busca da definição do feminino na cultura, ou da cultura de que "constrói" o feminino. "On ne naît pas femme, on le devient", como tão bem disse Simone de Beauvoir…
Assegurar às mulheres o seu lugar na sociedade, iguais oportunidades de serem sujeitos da "história por fazer”, no País e na Diáspora, significa mais cidadania para elas, mais força para as comunidades, a certeza da expansão da língua e da cultura nacionais.
Queremos olhar a história das Mulheres Migrantes no seu devir, porque, como disse Agostinho da Silva, “toda a História que vale é do futuro”.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

"O PÚBLICO" - notícia

«Malas de cartão substituídas por mochilas e pastas de executivo»
Professor universitário diz que aqueles que partem hoje são diferentes
RELACIONADOS
Governo: número de emigrantes está a aumentar
Relvas explica conselho aos jovens para emigrarem
O professor universitário Jorge Macaísta Malheiros lamentou que não haja «estudos sobre emigração», mas garantiu que aqueles que partem hoje são diferentes e «as malas de cartão foram substituídas por mochilas e pastas de executivo».

Esta apreciação do professor da Universidade de Lisboa foi feita no Encontro Mundial de Mulheres Portuguesas na Diáspora, que decorre esta sexta-feira e no sábado, na Maia, organizado pela Associação Mulher Migrante.

Estimando em 100 mil aqueles que saem de Portugal por ano (e prevendo que este número suba em breve para os 120 mil), o especialista referiu que «os perfis migratórios mudaram».

«Ao contrário do que diz o secretário de Estado [da Juventude e do Desporto], há muita gente a sair da sua zona de conforto e são cada vez mais novos», destaca Macaísta Malheiros, considerando estas saídas «um mau sintoma», porque quem emigra hoje é cada vez mais educado.

«A emigração portuguesa ainda não é dominada por fluxos qualificados, mas em termos proporcionais Portugal é dos países que mais exporta gente qualificada», explicou.

«Nós estamos a pagar essa formação ¿ e custa uma fortuna ao país formar um jovem hoje ¿ e depois eles saem para outros países», acompanha José Machado, ex-presidente do Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP), órgão consultivo para a emigração.

«A nova emigração é gente diferente, de contextos diferentes, com outros modelos de associativismo e em que a intervenção política assume uma importância que não tinha [nas anteriores levas de emigrantes]», compara José Machado.

«É preciso acabar com uma gestão minimalista da diáspora, que é o que tem acontecido nos últimos anos», reivindica o ex-dirigente, criticando o «esquecimento» e a «instrumentalização» dos emigrantes portugueses.

José Machado critica também o desaparecimento do termo «emigração», agora substituído por «comunidades portuguesas», o que interpreta como «a bazófia de país rico que queria passar a ser um país de imigrantes». Porém, contrapõe, «a realidade é que todos os anos continua a emigração de jovens».

«Já não temos só o estereótipo do trolha e da porteira. Assistimos a um fenómeno novo: a saída de Portugal de jovens quadros superiores e técnicos, com outras competências e outras expectativas», analisa Isabelle Oliveira, que dirige o Departamento de Línguas Estrangeiras Aplicadas da Universidade de Sorbonne, em Paris (França).

Ora, denuncia a professora universitária, «esta mão-de-obra qualificada é explorada» por empresas francesas que recorrem a falsos recibos verdes.

A NOTÍCIA DA LUSA

Lusa
Comunidades: Mulheres emigram cada vez mais mas continuam afastadas da liderança no associativismo

Associação "Mulher Migrante" em Congresso na Maia - 24 a 26 de Novembro

Maia, 25 nov (Lusa) – Apesar de estarem a emigrar cada vez mais, as mulheres permanecem “mais invisíveis” nas comunidades portuguesas no estrangeiro e afastadas da liderança das associações, destacaram vários intervenientes que participam num seminário que decorre hoje na Maia.

“Os homens têm maior visibilidade” nas comunidades emigrantes portuguesas e “as mulheres não estão nos órgãos de gestão das associações”, reconheceu o deputado Paulo Pisco (PS), eleito pelo Círculo Fora da Europa, no Encontro Mundial de Mulheres Portuguesas na Diáspora, que decorre hoje e no sábado, na Maia organizado pela associação Mulher Migrante.

Isto apesar de – apontou – as mulheres que emigram apostarem “mais [do que os homens] na formação e na valorização profissional”.

Elas “são mais descomplexadas e cosmopolitas”, tendo deixado meios rurais e recomeçado “tudo em meios urbanos, onde se reinventam com mais autonomia”, o que veio “desestabilizar os papéis de género”, descreveu o deputado socialista.

“Se a comunidade portuguesa não se assume, se se esconde, as mulheres muito mais, apesar de terem sido sempre aquelas que tiveram mais estudos”, sublinha José Machado, ex-presidente do Conselho das Comunidades Portuguesas, órgão consultivo que liderou durante seis anos e que sempre lamentou ser “apenas composto por homens”, defendendo a “imposição de quotas”.

Em declarações à agência Lusa à margem do seminário, Isabelle Oliveira, diretora da Faculdade de Línguas Estrangeiras Aplicadas da Universidade de Sorbonne, em Paris (França), distingue homens e mulheres pelo tempo de emigração – com eles a optarem por “formas mais temporárias” e elas a “tomarem decisões definitivas e radicarem-se”.

“As mulheres conseguem uma melhor integração”, analisa a professora universitária, que nasceu em Barcelos “por acidente” e viveu toda a vida em França, tendo aprendido português apenas na faculdade e dirigindo hoje um departamento que conta com 200 alunos da língua de Camões, que a aprendem “aplicada aos negócios”.

Comentando o "ENCONTRO"

Para: arcelina santiago


Cara amiga:

Foi uma grande honra e um grato privilégio participar neste magnifico encontro.
O excelente nível dos oradores e os testemunhos apresentada foi uma experiência muito gratificante.

Considero que este encontro foi planeado e organizado de uma forma digna e meritória e que foram bem patentes as qualidades de todos os que se envolveram neste projecto.

È de enaltecer toda a disponibilidade de todos os colaboradores que conseguimos identificar na recepção e acompanhamento dos participantes, e de todos os que não sendo visíveis nos proporcionaram durante três dias um programa muito complexo de organizar no âmbito de uma associação.

Considero que este s serviços devem ser considerados muito relevante e de muito mérito.

Bem haja pelo convite


José Domingos Nogueira da Silva

domingo, 27 de novembro de 2011

A abrir o Encontro Mundial

Em nome da Associação de Estudo, Cooperação e Solidariedade Mulher Migrante, uma breve saudação de boas vindas.
Um agradecimento especial ao Senhor Presidente da Câmara da Maia, Engº António Bragança Fernandes, que tão bem nos recebe neste “Forum”, “ex libris” da modernidade da Maia e um centro da sua vida cultural. E, por isso, o melhor lugar para dizer ao Senhor Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Dr José Cesário, que nada do que vai acontecer nestes dias intensos seria possível sem o seu incentivo e apoio, de primeira hora - sem a vontade de que dá provas de querer avançar para uma nova e decisiva fase nas políticas para as comunidades, com uma vertente de género, com acento nas questões fundamentais da cidadania, da sua vivência por mulheres e homens, através do livre exercício dos seus direitos cívicos e políticos, que aqui vão estar no centro dos debates.
Obrigada Aurora Cunha por nos dar hoje, aqui, com tanta simplicidade e simpatia, o que vem dando ao País: tanto ou mais do que vitórias, que ficaram para a eternidade, em muitos campeonatos, em muitas maratonas, o exemplo de uma vida inteira de constante intervenção cívica, de solidariedade, de capacidade de ultrapassar limites, que é, afinal, a essência do desporto em estado puro, e, igualmente a essência da luta por quaisquer ideais servidos com paixão.
Aurora Cunha, um rosto feminino para a nossa história, para a história que se escreve com grandes feitos desportivos. A primeira mulher portuguesa campeã do Mundo de atletismo, tricampeã do mundo, (faz neste Novembro de 2011, precisamente 25 anos!). É uma honra ter entre nós a Mulher encantadora, sincera e vibrante, que humaniza e feminiza o mito vivo, que é a desportista!
Obrigada a todas e a todos pela vossa participação, de um enorme significado, porque com ela, se vai traçar, inteiramente, o destino este Encontro Mundial, na prossecução dos seus objectivos. O primeiro dos quais é criar um espaço de reflexão sobre as formas de transformar a sociedade portuguesa, de a abrir à consciência da sua verdadeira dimensão, que não cabe num pequeno rectângulo europeu e nas ilhas atlânticas. Portugal é muito mais mar do que solo pátrio. Portugal é muito mais a sua gente do que o seu território. Herança de uma história antiga que as migrações prosseguiram, até nossos dias, com homens e mulheres – cada vez mais mulheres - que se dispersam no mapa mundi da geografia, mas permanecem enraizados na cultura de origem e nos afectos.
É desse sentimento de pertença que nascem as comunidades portuguesas, numa emigração de famílias inteiras, como é a nossa. Um movimento caracterizado pelo equilíbrio de género e geração, alcançado desde meados do século passado, e anunciado por um crescendo da emigração feminina já nas décadas anteriores. Um crescendo, então, como se sabe, denunciado e combatido por políticos e estudiosos do fenómeno migratório porque receavam que a presença da mulher reconvertesse o projecto de torna viagem num projecto de integração definitiva no estrangeiro, em "pura perda" para o nosso país. E decretaram medidas de fortes restrições da liberdade de saída das mulheres, que praticamente duraram até a democratização do regime...
E, todavia, só parcialmente tiveram razão, na estrita medida em que se aperceberam da maior propensão para a consolidação de situações de vida em sociedades estrangeiras, para a estabilidade e o bem-estar económico, que a mulher traz à aventura de expatriação no plural. Mas não adivinharam que nessa aceleração do processo de integração devido às migrações familiares - muito directamente à presença das mulheres- se haviam de gerar as comunidades, através das quais Portugal se expande universalmente. O que representa um proveito superior a quaisquer perdas...
Em tempo de crise profunda e regressão económica, cá dentro, como é bom constatar que uma grande parte da Nação Portuguesa progride lá fora, sempre pronta a dar-nos razões de esperança! Assim saibamos ir ao seu encontro, que é justamente um dos objectivos que nos move hoje, aqui…
Não estamos numa reunião em círculo fechado de mulheres a falar sobre mulheres migrantes, mas sim globalmente sobre emigração, diáspora, Portugal, sem, porém, omitir, como é coisa corrente a componente feminina, quase sempre, esquecida e marginalizada. E justamente porque tem sido marginalizada comporta maiores virtualidades de operar mudanças e assegurar progresso.
A paridade está há muito conseguida na proporção homens/mulheres nas comunidades portuguesas. Todavia, não se reflecte ainda de um modo equitativo e eficiente num poderoso e multifacetado movimento associativo, sobretudo no que respeita aos seus centros de decisão e de poder formal. Pelo contrário, a divisão de trabalho dentro desse todo organizacional, suporte originário e consistente das comunidades, tende ainda a reproduzir na "casa comum", que é a associação, os papéis de cada um dos sexos na casa ou na família tradicional. É ainda um universo predominantemente masculino, conservador de mentalidades, de costumes e de valores - uns intemporais que merecem a nossa admiração, mas outros anacrónicos, que importa deixar para trás - caso das discriminações de género e de geração, que condicionam o crescimento das comunidades, através da metade feminina, tão pouco aproveitada, e dos mais jovens, ainda insuficientemente envolvidos num dirigismo associativo que, com todas as virtudes que se lhe reconhecem , envelheceu no poder, um pouco por todo o lado...
A evolução positiva que vai acontecendo, varia muito, nos vários continentes e países. A perspectiva ou visão comparativa, pode, a meu ver, contribuir para um acertar do passo, com a força dos paradigmas mais igualitários. Por isso, a partilha de resultados de estudos, de observação, a constatação da injustiça, onde quer que exista, e a mobilização para a combater, que se procura em congressos de âmbito alargado, como este, assume verdadeiro interesse estratégico.
Historicamente o que podemos designar por "congressismo", foi uma arena privilegiada de luta pela emancipação das mulheres - um espaço de diálogo, de concertação de esforços e união, de visibilidade e de protagonismo para elas e para as suas ideias. Na cena das convenções, dos colóquios, de sessões de esclarecimento, de comícios, se fez a transição de uma vivência restrita à esfera privada (ou, noutras palavras, de um regime de clausura doméstica...) para a esfera pública. Sair da sombra, sair do anonimato, foi um acto de extrema coragem e audácia para mulheres que se sujeitaram, a todos os riscos e formas de censura social, foi um acto portador de promessas de cidadania.
Elizabeth Cady Stanton, que, em 1848, presidiu à Convenção de Seneca Falls e, pessoalmente, redigiu, a famosa "declaração" , tem hoje a sua estátua no Capitólio, como a sufragista Emmeline Pankhurst faz jus a um monumento junto ao parlamento de Londres, cujas ruas tantas vezes percorreu em ruidosas marchas de protesto.
Nada de comparável, em termos de reconhecimento público, mereceram dos homens seus contemporâneos as notabilíssimas feministas da 1ª República, cuja evocação aqui quisemos trazer. Num "Encontro" pensado para nos levar numa viagem pela história das mulheres da Diáspora não é demais começar na origem remota de um movimento para a igualdade de género, ainda sem fim à vista. Mudam os tempos, o estatuto de direitos, as situações reais, mas os mesmos instrumentos podem servir em novos patamares de progresso civilizacional, particularmente nos domínios da Diáspora feminina. No que à nossa respeita, o congressismo teve a sua grande manifestação pioneira em Viana do Castelo, de 16 a 20 de Junho de 1985, no “1ºEncontro de Mulheres Migrantes no Associativismo e no Jornalismo”.
A Associação "Mulher Migrante" assumiu-se, desde a sua constituição, como herdeira das aspirações e das propostas dessa reunião, precursora de tantas outras: o Encontro Mundial de Espinho, em 1995, os "Encontros para a Cidadania - 2005-2009", e, pelo meio inúmeras iniciativas que cabem na definição ampla de Congressismo.
Contámos com a cooperação do Estado, assim como de ONG’, dentro e fora do País, para uma acção incessante, como tem de ser, para que se não deixe esmorecer a vontade de trabalhar em conjunto...

No ano passado, a Assembleia da República, na Resolução nº 32/2010 da autoria do então deputado José Cesário, veio reconhecer a necessidade de promover um amplo programa que conduza à plena participação das mulheres na vida das comunidades
No Governo, o Dr José Cesário não tardou a dar-lhe início de execução e, como na economia da Resolução se preconiza, em parceria com a sociedade civil.
As finalidades da “Resolução” são também os nossos, as de todas as instituições que se uniram para as levar a cabo, a partir deste Encontro Mundial.

Direi a concluir que este é um "Encontro" em que se entrelaçam muitos encontros:
Um encontro com as lições e ensinamentos do passado, em que lembramos aqueles que connosco estarão sempre na memória…
Um encontro de mundos, do mundo político com o da sociedade civil, do mundo académico com o dos protagonistas da aventura da emigração, e entre portugueses e portuguesas de dentro e de fora dos limites territoriais...
Um encontro de formas de viver a identidade nacional, encontro de culturas, em busca da definição do feminino na cultura – ou da cultura de que "constrói" o feminino. "On ne naît pas femme, on le devient", na lapidar e indesmentível expressão de Simone de Beauvoir…
Dar às mulheres o seu lugar na sociedade, iguais oportunidades de serem sujeitos da "história por fazer”, no País e na Diáspora, significa mais cidadania para elas, mais força para as comunidades, a certeza da expansão da língua e da cultura nacionais.
Queremos olhar a história das Mulheres Migrantes no seu devir, porque, como disse Agostinho da Silva, “toda a História que vale é do futuro”.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

CV DEPUTADO CARLOS GONÇALVES

Nome Completo
Carlos Alberto Silva Gonçalves
Data de Nascimento
20-10-1961

Habilitações Literárias
Licenciatura em Geografia e D.E.A. Pluridisciplinar Geografia, Sociologia e
Agronomia ( Diplôme d’Études Approfondies – Université Paris X)

Profissão
Técnico de Serviço Social e Cultural

Cargos que desempenha
o Deputado na XII Legislatura
o Presidente da Comissão Política do PSD em Paris
o Membro da Delegação da AR à APCE

Cargos exercidos
o Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas
(XV Governo Constitucional)
o Deputado na IX, X e XI Legislaturas
o Presidente do Grupo Parlamentar de Amizade Portugal – França
o Vice-Presidente do Grupo Parlamentar de Amizade Portugal-Luxemburgo
o Membro da Assembleia Parlamentar Euro-Mediterrânica
o Secretário-Geral Adjunto e Presidente da Mesa da Assembleia Geral do
Sindicato dos Trabalhadores Consulares e das Missões Diplomáticas
o Membro da Comissão de Assuntos Europeus e Política Externa
o Membro da Subcomissão das Comunidades Portuguesas

Condecorações e Louvores
o “Chevalier de la Légion d’Honneur” - França
o Grã-Cruz da Ordem de Mérito do Grão Ducado do Luxemburgo

Comissões Parlamentares a que pertence
o Comissão de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas
o Comissão de Defesa Nacional [Suplente]
o Comissão de Assuntos Europeus [Suplente]

terça-feira, 22 de novembro de 2011

PAINEL "MEMÓRIA" . Moderadora ANA PAULA BEJA HORTA

ENCONTRO MUNDIAL DE MULHERES PORTUGUESAS NA DIÁSPORA

Fórum da Maia
24-26 de Novembro de 2011
25 de Novembro
16h00- 17h30 Painel – Memória – Entre o Passado e o Futuro

Cruzámos Terra e Mar: Histórias Orais, Testemunhos e Memórias da Emigração Portuguesa para a Califórnia
Deolinda M Adão (University of California, Berkeley/California State University San José)

Resumo
Neste trabalho tenta-se explorar a influência das histórias orais, dos testemunhos e das memórias na história colectiva da comunidade Portuguesa na Califórnia, assim como analisar a contribuição dessa comunidade para a História e desenvolvimento da sua área de residência. A comunidade Portuguesa da Califórnia é a segunda maior
comunidade Portuguesa das Américas (a maior é a residente no Brasil) e uma das mais antigas pois de acordo com o Décimo sexto recenseamento dos Estados Unidos em 1850 já viviam 177 Portugueses a viver na Califórnia. Como tal, seguir a trajectória da comunidade Portuguesa residente nesse Estado, pode elucidar-nos sobre a História do
mesmo, particularmente se considerarmos a forte presença da comunidade no sector da agricultura num Estado onde a agricultura é uma importante faceta do seu desenvolvimento económico. Este projecto tenta abordar a forma como as histórias orais, os testemunhos e as memórias podem ajudar-nos a transitar duma experiência de
emigração individual e privada para o desenvolvimento e construção de uma comunidade.

As Mulheres no Cinema de Migrações
José da Silva Ribeiro (Universidade Aberta/CEMRI-LAV)
Resumo
Tendo como referência a Base de Dados Imagens e Sonoridades das Migrações esta comunicação pretende evidenciar os múltiplos papéis desempenhados pelas mulheres no cinema das migrações portuguesas. Neste âmbito, sublinhamos três principais perspectivas: as mulheres como protagonistas da realidade migratória (heroínas e atores sociais), as realizadoras e as autoras (da escrita dos filmes e da escrita acerca dos filmes e/ou dos fenómenos sociais que estes abordam) e, por último, as atrizes (a construção cinematográfica das mulheres
migrantes). Propomos, ainda, às e aos presentes a participação na construção colaborativa do estudo das mulheres migrantes, na base de dados imagens e sonoridades das migrações.
Entre o regresso imaginado e o regresso concretizado: histórias no feminino

João Sardinha (UAb-CEMRI) e António Saraiva (UAb-CEMRI/LAV)
Resumo:
Para muitos emigrantes portugueses, como também os seus descendentes, o regresso ao país ancestral é um desejo que permanece bem vivo. De facto, muitos, e sobretudo os da primeira geração, planeiam as suas vidas preparando o regresso, algo que também é constantemente transmitido aos seus filhos. Contudo, com o passar do tempo e com uma maior inserção da sociedade que os acolhe, para muitos, o regresso é adiado, tornando-se um ‘mito’. Em muitos casos, o regresso acaba por permanecer apenas nos sonhos de cada um dos emigrantes. No meio destas ‘negociações de pertença’, um processo de desterritorialização/reterritorialização torna-se evidente, carregado de fortes cargas emotivas. Contudo, para aquela pequena minoria que concretiza o sonho e acaba por regressar, o Portugal encontrado nem sempre é aquele que deixaram para trás quando emigraram, nem aquele que é transmitido e/ ou visitado na altura das férias no caso dos filhos destes emigrantes. Dito isto, com esta comunicação relata-se as
expectativas e experiências de uma população específica dentro das comunidades portuguesas emigradas: o das mulheres emigrantes portuguesas ou descendentes de portugueses. Assim, dando destaque ao retorno feminizado, pretende-se discutir os contrastes entre as idealizações de pré-retorno e as realidades encontradas na vivência do dia-a-dia, na deturpação das representações culturais, na socialização com a ‘sociedade portuguesa’, as desilusões e rupturas, assim como a discriminação e dificuldades de integração. Desta forma, uma consideração central nesta análise é tentar entender como os factores de aceitação/repulsão acabam por moldar comportamentos e aprofundar a compreensão no que diz respeito ao regresso como processo que inclui as noções de ‘local’ e ‘identidade’ como variáveis centrais na procura contínua de ‘pertença’.

Exibição da curta metragem, Marta Raposo - Narrativas de Regresso (2011, 15´) - João Sardinha (UAb- CEMRI) e
António Saraiva (UAb-CEMRI/LAV).