sábado, 2 de agosto de 2014

Maria Manuela Aguiar na abertura do colóquio "Migrações. Que perspetiva?"

Vamos, em conjunto, na verdadeira capital da emigração portuguesa, que é Paris, refletir sobre a realidade recente deste fenómeno estrutural na vida do nosso país
 É significativo que o possamos fazer na sala Bourjac da Sorbonne - é sinal de que uma universidade de renome universal há muitos séculos, se tornou já a um espaço aberto às segundas gerações de portugueses, e não só como estudantes, mas também como professores e diretores de departamentos. Com  todo o gosto o sublinhámos: é este o caso da organizadora do colóquio e dirigente da AEMM, Porf Doutora Isabelle Oliveira , e também da Doutora Custódia Domingues, que com ela colaborou. Para ambas, os nossos
agradecimentos!.
O título escolhido pela Profª Isabelle Oliveira para a jornada de trabalho que aqui nos reune termina com um ponto de interrogação - lança-nos perguntas, para as quais queremos encontrar respostas: Que
perspetivas para a emigração portuguesa?
 É a antecipação do futuro num ciclo de colóquios da Associação de Estudo Mulher Migrante, que começa no tempo passado, na revolução do 25 de Abril, percorrendo quatro décadas de grandes mudanças, de democratização da vida política no País, com projeção nas políticas de emigração, no relacionamento dos poderes públicos com os cidadãos e as instituições da "Diáspora".
 O nosso objetivo principal é ouvir o que têm a dizer os muitos participantes nestas jornadas sobre as migrações contemporâneas, assim como, em particular, sobre a evolução do papel das mulheres nos
movimentos de expatriação  e de retorno e no movimento associativo:. Partimos da história e da memória de sucessivas gerações para chegarmos ao momento atual, às linhas de continuidade ou de rotura, que se antevêem.
 Se em anteriores encontros  acentuámos diversos momentos desta trajetória, hoje, aqui, vamos, sobretudo, convidar a uma avaliação da dimensão atual do fenómeno migratório, sua composição, em termos de género, de qualificação, de projetos, de situação profissional, de  propensão associativa (as novas formas que vai configurando) assim como da evolução das relações entre os emigrantes e as sociedades de origem e
de residência.
Demos ao ciclo de debates o título de "4 décadas de migrações em Liberdade", e estamos a desenvolve-lo em parceria com a Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas e várias instituições da sociedade
civil, dentro e fora do país. O primeiro ato foi em Março, no Palácio das Necessidades,  com intervenção de abertura do Secretário de Estado Dr José Cesário, que assim nos deu mais uma prova no seu empenho  em
promover a igualdade de género na emigração, condição de uma liberdade realmente vivida no quotidiano das comunidades..
Seguiram-se outros colóquios em duas escolas secundárias de Espinho, e, em fins de abril, na Universidade de Berkeley (Califórnia), pela mão da Prof Doutora Deolinda Adão; em Junho, na Universidade Aberta de Lisboa/ CEMRI,  organizado pela Prof Doutora Ana Paula Beja Horta, que hoje está de novo connosco para a partilha das suas experiências e estudos.  E mais iremos realizar, até ao termo de 2014...
Na minha intervenção no 1º painel terei ocasião de falar sobre os mecanismos institucionais para a execução das políticas de emigração e, em especial, de um órgão que marca o princípio de uma era de diálogo e de relacionamento democrático entre governo e representantes das comunidades, como é o CCP.
Agora farei apenas uma chamada de atenção para a natureza essencialmente interministerial das políticas neste domínio - pois a resolução dos problemas dos migrantes passa por todos os pelouros e ao Secretário de Estado compete, para além da ação direta em determinados setores - caso do acompanhamento dos movimentos migratórios, dos condicionalismos concretos oferecidos no estrangeiro aos nacionais, da  vida associativa, do apoio consular,  informativo, cultural e social ou da participação em organizações internacionais sobre migrações  -  também  uma ação constante de sensibilização dos colegas de governo para as especificidades da situação dos emigrantes nas mais diversas áreas.
E eu sei, por experiência própria, que esta última tarefa é a mais difícil.. .Quantas vezes outros governantes falam dos assuntos impropriamente, sem o ouvir ou consultar, como deviam... Todos estamos lembrados daquela infeliz exortação de um novíssimo Secretário de Estado da Juventude a que os jovens portugueses deixem a sua "zona de conforto" e se expatriem... Nunca ouviriam coisa semelhante da boca de nenhum SECP e muito menos do Dr José Cesário, que tanto se preocupa em dar informações corretas, quer ao País sobre o número avassalador dos que saem, quer  aos candidatos à emigração sobre a absoluta necessidade de nenhum deixar o país, sem procurar saber o que o espera, e com o que pode contar...
Os números, são de facto avassaladores e falam, por si, expressivamente, de falta de oportunidades e de horizontes de esperança dentro da fronteiras..
É uma realidade tremenda! Portugal, ao longo destes 40 anos deu aos portugueses o direito de emigrar e de regressar, mas ainda não lhes deu o "direito a não emigrar"!.
E, ao mesmo tempo a que  vê partir uma imensidão de portugueses (de todas as idades, mulheres e homens muito ou pouco qualificados...), como forma de resolver problemas de desemprego e de pobreza, não consegue dotar-se dos meios institucionais que já teve  e veio a desmantelar, na década de 90, quando, prematuramente, se ufanou de ter deixado de ser país de emigração, poucos depois da adesão à CEE...
Um outro aspeto que me preocupa é a anunciada junção dos serviços de emigração e imigração. Não porque a ideia não seja teoricamente interessante, mas porque em Portugal receio que sirva para
subvalorizar a componente da emigração portuguesa - a que está mais longe, a que se ignora com mais facilidade...
São questões que avanço para o debate.

terça-feira, 29 de julho de 2014

2014 Orgãos Sociais AEMM


MULHER   MIGRANTE


Associação de Estudo, Cooperação e Solidariedade


ÓRGÃOS SOCIAIS

Assembleia Geral

Presidente  …………………….     Manuela Aguiar

Vice-Presidente   ……………..     Maria Beatriz Rocha-Trindade

Vice-Presidente  ………………    Ana Paula Beja Horta

Secretária   …………………….    Natália Correia (Argentina)

Secretária   …………………….    Ana Paula Almeida


Direção

Presidente  ……………………..   Rita Gomes

Vice-Presidente   ………………   Artur Madureira

Vice-Presidente   ………………   Maria João Ávila (EUA)

Tesoureira    …………………….  Filipa Menezes

Secretária   ……………………..   Isabel Oliveira (França)

Vogal  ……………………………. Lourdes Abraços (Brasil)

Vogal   …………………………… Arcelina Santiago


Conselho Fiscal

Presidente   ……………………..   Isabel Lopes da Silva

Vogal    …………………………     Ana Paula Barros

Vogal   …………………………..    Cristina Viveiro Rodrigues

Suplente   ……………………….    Cláudia Ferreira (Brasil)

Suplente     ………………………   Flávio Borda d´Água (Suíça)


                    Secretária  - Geral  ….   Graça Guedes

Lista, aprovada por unanimidade, na Assembleia Geral de 30 de Junho de 2014

segunda-feira, 28 de julho de 2014

5 de Junho PROGRAMA MESA REDONDA Mulheres Migrantes e Cidadania. Antes e depois de Abril

Universidade Aberta, Salão Nobre
5 de junho de 2014

15h00 – 15h30
Sessão de Abertura
Manuela Aguiar, Presidente da Assembleia Geral da Associação de Estudo, Cooperação e Solidariedade MULHER MIGRANTE (AEMM)
Ana Paula Beja Horta, Centro de Estudos das Migrações e das Relações Interculturais (CEMRI),
Universidade Aberta
Rita Gomes, Presidente da Direção da Associação de Estudo, Cooperação e Solidariedade MULHER
MIGRANTE (AEMM)

15h30 - 17h30
Moderadora: Joana Miranda, Centro de Estudos das Migrações e das Relações Interculturais (CEMRI),  Universidade Aberta

História dos Movimentos Feministas e a sua projeção na Diáspora
Manuela Aguiar, Presidente da Assembleia Geral da Associação de Estudo, Cooperação e Solidariedade MULHER MIGRANTE (AEMM)

 Mulheres e Cidadania na I República. Mobilização e Migração na Guerra de 1914-1918
Natividade Monteiro, Centro de Estudos das Migrações e das Relações Interculturais (CEMRI),
Universidade Aberta

Cidadania Europeia e identidade nacional no contexto da União Europeia
Adelino de Sá Bento Coelho, Ex-Dirigente da Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas

Políticas de Migração, Cidadania e Género. O caso dos Estados Unidos da América
Deolinda Adão, Universidade de Berkeley, Estados Unidos da América

17h30 – 18h00
Exibição do documento fílmico realizado no âmbito das Comemorações dos 20 anos da Associação de
Estudo, Cooperação e Solidariedade MULHER MIGRANTE (AEMM)

3 de julho programa

ccc

COLÓQUIO “A GRANDE MIGRAÇÃO DE RETORNO”

1974 - 1976

03 de Julho de 2014

Organização: Câmara Municipal de Gaia e a “Mulher Migrante –

Associação de Estudo, Cooperação e Solidariedade”

LOCAL: Arquivo Municipal de Gaia Sophia de Mello Breyner

Rua Conselheiro Veloso da Cruz 711 – 723 4400 -095 VNG



21,30 – 23,30 – COLÓQUIO sobre “A GRANDE MIGRAÇÃO DE RETORNO”

Abertura: Dr. Delfim Sousa , Vereador da Cultura

Drª Rita Gomes – Presidente da Direção da AEMM

Intervenções:

Profª Doutora Maria Beatriz Rocha – Trindade

Tema: “Duas designações adotadas para um mesmo

conceito: Retornar e Regressar”

Dr. Amândio de Azevedo

Tema: “A grande Migração de Retorno” (1974 / 1975)


Moderadora: Drª Manuela Aguiar – Presidente da Assembleia Geral da

AEMM

Debate com a participação do Dr. Durval Marques, fundador da Academia do Bacalhau de Joanesburgo e de portugueses regressados de África

 


 

 

Migrações. Que Perspetivas?

24 de Junho de 2014

Sala Bourjac – 17 rue de la Sorbonne 75005 Paris

09h30 – Sessão de Abertura

               Isabelle Oliveira – Diretora  Sorbonne

               Manuela Aguiar- Presidente da Assembleia Geral da AEMM

               Rita Gomes – Presidente da Direção da AEMM

10h00 – Conferência Inaugural

               Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Cesário

10h30 – Café

11h00 – 1ª Sessão

                “ 40 Anos de Migrações em Liberdade. Correntes migratórias e Políticas de

                   Emigração”

                Moderador – Cônsul - Geral de Portugal em Paris–Pedro Lourtie (a confirmar)

                Intervenções:

                Manuela Aguiar – Presidente da Assembleia Geral

                                                “Emigração e Diáspora depois da Revolução – as novas

                                                  políticas”

                Ana Paula Beja Horta – CEMRI – Universidade Aberta

                                                  “Emigração e os Direitos Sociais em Tempos de Crise.

                                                    Os novos contextos da cidadania social”

                Victor Manuel Lopes Gil – Assessor da DGACCP/SECP – MNE

                                                   “A Nova Emigração Portuguesa – Refletir para Agir”

12h45 – Almoço

14h45 – 2ª Sessão – “Cidadania Europeia e Identidade nacional no seio da EU”

                Moderadora: Custódia Domingues – Prof. Universitária –Sorbonne

                Intervenções: Deputado Carlos Gonçalves – confirmado

                                          Deputado Paulo Pisco – a confirmar

                                          Deputado Francisco Assis – a convidar

                                          Deputado Paulo Rangel – a convidar

16h00 – Intervalo para Café

16h30 – 3ª Sessão: “Mulheres Migrantes – as novas tendências migratórias”

                 Moderadora: (a confirmar)

                  Intervenções:  Jorge Macaísta Malheiros

                                            “Capital estético-corporal e migrações no feminino: sete ideias

                                               preliminares”

                                               IGOT – Universidade de Lisboa

                                               OCDE – convidado, a confirmar

                                               Ana Costa Lopes

                                               “A Singular História da Consulesa Angelina Sousa Mendes,

                                               em França”

                                               CEPCEP centro de estudos dos povos e culturas de expres-

                                               são  Portuguesa – Universidade Católica de Lisboa

18h00 – Sessão de Encerramento

                                               Isabelle Oliveira – Diretora Sorbonne

                                               Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José    

                                                Cesário

                                                Manuela Aguiar – Presidente da Assembleia Geral da AEMM

                                                Rita Gomes – Presidente da Direção da AEMM

                                               Carle Bonafous – Administrador Honorário da Sorbonne

A conferência de Berkeley 27 de Abril - programa

Conferência sobre "25 de Abril de 1974 - Metas e Objetivos 40 anos depois"

XXXVIII Conferência Anual da "Luso American Education Foundation"
e "Portuguese Studies Program" da Universidade da califórnia, Berkeley

 IX Painel - Associação de  Mulheres Migrantes
1.30 -2.30
Moderator Lizz Mota

Presenters
Manuela Aguiar, Researcher, Past-Secretary of State for the Communities
40 anos de migrações em Liberdade. Os movimentos e as políticas

Graça Guedes, Professor, University of Porto

Donald Warrin, Researcher/Director Portuguese Oral History Project
-ROHO, University of California, Berkeley

Califórnia Madrasta dos meus Filhos - O outro lado da emigração:
testemunhos de quem ficou
Deolinda Adão, Director/Professor  -University of Califórnia,
Berkeley/ San José State University

ARCELINA SANTIGO apresentação das publicações da AEMM

No dia 24 de abril, a biblioteca escolar da Escola Domingos Capela recebeu duas convidadas muito especiais, a Drª Maria Manuela Aguiar e a Drª Arcelina Santiago, com o objetivo de se proceder ao lançamento de dois livros: Expressões Femininas da Cidadania – III Encontro Mundial de Mulheres da Diáspora e Entre Portuguesas – 20 Anos da Associação Mulher Migrante. Num destes livros constam textos de alunos e professores da Escola Domingos Capela,  envolvidos nas atividades que foram desenvolvidas em Espinho nomeadamente na exposição de artes plásticas das mulheres da diáspora realizada no Forum de Arte e Cultura de Espinho e integrada na comemoração dos vinte anos da Mulher Migrante – Associação de Estudo, Cooperação e Solidariedade.
  Feito o reconhecimento dessas participações e dos professores e alunos envolvidos, passou-se ao segundo objetivo deste encontro: a comemoração dos 40 anos de abril, sob o lema “Encontros com a Liberdade”. Este tema sugestivo foi mote para dar relevo à conquista maior de abril – a liberdade! E sobre a liberdade de emigrar, a Drª Manuela Aguiar, especialista na área das migrações quer pelas funções que desempenhou em termos políticos mas também como cidadã interventiva na defesa dos direitos humanos , em particular no das mulheres na diáspora, fez uma intervenção muito interessante, dando enfoque a três períodos marcantes na história do nosso país: o da criação da identidade de Portugal em termos territoriais e como  nação, seguindo-se a expansão/ colonização, patente desde os descobrimentos, que deu origem não só a um império colonial, mas também à Diáspora,, ainda hoje presente em todo o mundo,  e,  finalmente, a revolução do 25 abril, o fim da guerra colonial e do colonialismo. o  culminar de mudança radical em termos de opções políticas democráticas - o 25 de abril, como regresso às fronteiras geográficas na Europa, mas mantendo através do seu povo, um espaço universal de lusofonia e lusofilia. Falou sobre as formas como se processaram os processos de emigração e como elas relatam as vivências da história de um povo e as conquista progressivas que foram sido conseguidas desde o 25 de abril, nomeadamente o reconhecimento de alguns direitos de cidadania, como a dupla cidadania, o direito ao voto…  Foi uma magnifica e viva aula de história e de acordo com uma perspetiva que a todos encantou.
  Seguiu-se a participação da Professor Arcelina Santiago, começando por fazer um elogio aos  alunos e professores desta Escola, presentes nos livros, com entrevistas a pintoras, texto sobre as caravelas que estiveram presentes na exposição e cujas imagens vão correr mundo e ainda o inicio de um  Projeto  de parceria  entre alunos e professores desta Escola/ Agrupamento e da Universidade de Berkeley e ainda um artigo de reconhecimento a uma professora de artes que tanto se tem empenhado – Filomena Bilber.
 . Lembrou as mudanças que se operaram em termos de educação do passado até às conquistas de abril, à necessidade de sermos cada vez mais cidadãos interventivos e críticos, algo que nunca acontecia no passado e, ainda a darmos apreço à liberdade pensando que outrora era algo impossível tal como escrever um livro sem ser sujeito à censura, expressarmo-nos oralmente, ou mesmo a criação de associações. Acentuou que a liberdade que todos consideram banal tal como o ar que respiram, foi algo negado e que muitos lutaram para que ela existisse.
 Foi uma excelente e dinâmica forma de celebrar os 40 anos de abril na Escola. 
A  Associação Mulher Migrante está de parabéns pelo papel que tem vindo a fazer em prol dos direitos humanos e, em especial, dos direitos das mulheres, patente no conteúdo destes dois livros aqui apresentados que os jovens tomem consciência dos problemas da sociedade e queiram ser agentes de mudança, através de uma participação cívica  de que estas duas oradoras são exemplos excelentes.