domingo, 12 de janeiro de 2014


 

Final texto GG

 

CONCLUSÃO

 

Novos protagonistas e novas ideias, projetam novos modelos que irradiem novas formas de estar, envolvendo todos e todas, qualquer que seja a idade e o género e, neste modelo, os menos novos, que merecem uma atenção especial promotora de uma melhoria da qualidade das suas vidas!

Acredito que a Associação Folia das Deusas irá integrar este projeto no rol das suas atividades, com igual competência e dinamismo que emprestou à organização deste magnífico Encontro no Recife.

E, tal como Berta Guedes refere nos seus comentários finais, …a Associação Folia das Deusas expressa-se socialmente, principalmente, através do Bloco Carnavalesco Folia das Deusas, instrumento enraizado na cultura pernambucana, escolhido pela riqueza, vigor e vitalidade com que o Carnaval permeia, penetra e se expressa em todas as camadas da sociedade, além de propiciar um meio lúdico, festivo e acessível aos mais diversos meios sociais. E acrescenta,…estão em desenvolvimento projetos estruturantes, tais como a formação de banda musical feminina, oficinas e palestras voltadas para nutrição e saúde das mulheres, para os saberes da cultura local, para o reaproveitamento de materiais, e para o desenvolvimento de economia solidária, visando a autonomia e o empoderamento financeiro das mulheres. Estão também em desenvolvimento projetos voltados para a conscientização da cidadania e representação na política, bem como o intercâmbio cultural e artístico com outros países, nomeadamente os países da comunidade lusófona.

Considerando esta dimensão, que se alastra a todas as idades e, porque não, a ambos os géneros, este projeto que vos trouxe pode bem aqui no Recife e por iniciativa da Associação Folia das Deusas, ter outra designação: ACADEMIA LÚDICA DE ARTES E SABERES (ALAS).

E, depois de ter ouvido atentamente as ilustres palestrantes que me antecederam e que muito nos honraram com as suas presenças e os seus saberes, que tanto prestigiaram este Encontro, acredito estarem reunidos os ingredientes políticos e logísticos do mais alto nível no e no estado de Pernambuco, para que a Associação Folia das Deusas avance em prol da concretização dos seus objetivos, expressa no desenvolvimento dos projetos estruturantes que ambicionam e que muito certamente irão implementar.

Muito obrigada por este momento magnífico que me proporcionaram.

Berta Santana RECIFE Comentários Finais


Expressões Femininas de Cidadania: As Portuguesas no Recife

COMENTÁRIOS FINAIS

 

Berta Fernanda de Souza Guedes Santana *

 

 

            Como falar de encerramento num Encontro tão promissor?

Alio-me às palavras Dra. Manuela Aguiar, que ao citar a conterrânea poetisa, Agustina Bessa-Luís, profetizou que um dia agradável não se termina.

Declaro, então, a minha esperança de que esta iniciativa não se encerre; ao contrário, permaneça aberta a novas possibilidades e seja o início de uma profícua troca.

            Há anos, quando estive num encontro da Associação de Estudos, Cooperação e Solidariedade Mulher Migrante com a  Comunidade Portuguesa de Buenos Aires, surpreendi-me com a organização do grupo local (Associação Mulher Migrante da Argentina), o interesse e a dedicação em manter acesa a chama da união e da cultura e costumes da pátria amada. Pensei, naquela ocasião, porque não se faziam encontros desse tipo em Recife, cidade que tem uma comunidade portuguesa expressiva e numerosa.

Jamais imaginei que caber-me-ia a honra de organizar o primeiro evento similar, em Recife, voltado para e com as mulheres portuguesas e lusodescendentes.

            Ao propor à Associação Mulher Migrante o desafio de realizar o Encontro nestas paragens, não esperei que o desafio fosse a mim devolvido com a demanda de organizá-lo, desde a procura, seleção e convite às palestrantes, passando pela escolha de local apropriado, bem como a busca de parceiros e patrocinadores...

            O Encontro foi tomando corpo, à medida em que os contatos iam sendo feitos, que novas pessoas engajavam-se e, juntos, tecíamos as possibilidades.

O primeiro a apoiar-nos foi o Sr. Vice Cônsul de Portugal no Recife, que não mediu esforços em angariar tudo quanto precisávamos. Em seguida, o Gabinete Português de Leitura do Recife, que logo gentilmente cedeu as suas instalações e a sua equipa para acolher a pioneira iniciativa.

Iniciamos o contato com as portuguesas e lusodescendentes que se dedicavam a áreas diversas na sociedade local. Deparamo-nos com a singularidade da alma lusitana: a modéstia. A maioria das compatriotas contactadas não considerava importante a sua participação para o bem comum ou, pelo menos, não desejava falar de suas trajetórias, mantendo-se no anonimato, ou num lugar que sempre lhes foi confortável: os bastidores. Alguns convites foram pronta e entusiasticamente aceitos; outros, educada e timidamente recusados, porém com a promissora esperança de se materializarem num futuro próximo e ora transformados em colaboração, via patrocínio.

Acolhemos com satisfação todas as colaborações recebidas, não deixando de incentivar futuras participações.

            Neste trilhar de caminhos, nesta busca pela promoção das mulheres, da necessidade de empoderamento e do falar em nome próprio, fui percebendo a semelhança que os propósitos do Encontro, por sua vez, revelavam profunda identidade com os da Associação Folia das Deusas, da qual sou vice-presidente e tesoureira e que teve o seu nascedouro na casa dos meus Pais.

A Associação Folia das Deusas, idealizada em 1999 pela amiga Adelina Cristina Augusto Chaves, presidente da Associação, é uma entidade sem fins lucrativos, voltada para as questões da mulher e sua trajetória de vida e luta por seus direitos e cidadania, com o propósito de disseminar as políticas para as mulheres nas mais diversas áreas: educação, saúde, cultura, lazer, participação na política e em todas as manifestações sociais e culturais que considerem e respeitem toda forma de diversidade.

A Associação Folia das Deusas expressa-se socialmente, principalmente, através do Bloco Carnavalesco Folia das Deusas, instrumento enraizado na cultura pernambucana, escolhido pela riqueza, vigor e vitalidade com que o Carnaval permeia, penetra e se expressa em todas as camadas da sociedade, além de propiciar um meio lúdico, festivo e acessível aos mais diversos meios sociais. Para além dos festejos de Momo e brincando, antevíamos um dos objetivos do milênio: equidade de gênero.

Por ocasião de mudança de domicílio e demandas pessoais e profissionais, Adelina esteve fora do Recife por mais de 10 anos, o que nos levou a adiar o propósito de formalizar a Associação Folia das Deusas. Em 2012, nos reencontramos, Adelina e eu, e constatamos que cada qual tinha guardado uma parte da associação: Adelina tinha o hino, a marca e a ata de reunião e sob minha guarda estava o estatuto. Urgia, então, formalizar a Associação Folia das Deusas e fazer a sua entrega à sociedade. Depois de uma breve apresentação do estandarte do bloco, no Carnaval de 2013, no Recife e em Olinda, não poderia haver melhor oportunidade do que apresentar-se formalmente à sociedade, com a promoção e organização de um evento internacional, ou melhor dizendo, luso-brasileiro: Expressões Femininas de Cidadania: As Portuguesas no Recife.

            A Associação Bloco Carnavalesco Folia das Deusas, hoje conta com simpatizantes, apoiantes e colaboradores nas mais diversas áreas e estão em desenvolvimento projetos estruturantes, tais como: a formação de banda musical feminina, oficinas e palestras voltadas para nutrição e saúde das mulheres, para os saberes da cultura local, para o reaproveitamento de materiais, e para o desenvolvimento de economia solidária, visando a autonomia e o empoderamento financeiro das mulheres. Estão também em desenvolvimento projetos voltados para a conscientização da cidadania e representação na política bem como o intercâmbio cultural e artístico com outros países, nomeadamente os países da comunidade lusófona.

Todas as nossas propostas de trabalho contam com a parceria com organismos locais, públicos e privados, que nos possibilitem um mais amplo alcance de objetivos e capilaridade na sociedade. Desta forma, a Associação Folia das Deusas espera contribuir para o reconhecimento, valorização e conquistas das mulheres por seus direitos, empoderamento, equidade e justiça social.

Neste Encontro foi gerado outro projeto, que é a implementação, em parceria com a  Associação Mulher Migrante, das Universidades Seniores, organismos voltados para a expressão e inclusão das mulheres na faixa etária conhecida como da melhor idade.

Desejamos que no próximo encontro, que esperamos seja em breve, possamos apresentar este rebento, resultado de nossas profícuas trocas e tecituras e embrião de muitas mais.

Voltando a Agustina Bessa-Luis:


Por fim, ou melhor, por enquanto, digo apenas: até sempre!

 

 

 

*Berta Fernanda de Souza Guedes Santana, Psicóloga e Fonoaudióloga, formada pela Universidade Católica de Pernambuco, com Pós-Graduação em Dependência Química pela Universidade Federal de São Paulo/UNIFESP- Escola Paulista de Medicina e em Gestão de Pessoas pela Universidade Gama Filho. Trabalha como psicóloga no Serviço de Apoio à Mulher-Wilma Lessa no Hospital Agamenom Magalhães em Recife/PE e no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Berta Guedes Santana em Recife


Expressões Femininas de Cidadania: As Portuguesas no Recife

 

Berta Fernanda de Souza Guedes Santana *

 

 

            Como falar de encerramento num encontro tão promissor? Alio-me às palavras Dra. Manuela Aguiar, que ao citar a conterrânea poetisa, Agustina Bessa-Luis, profetizou que um dia agradável não se termina.

Declaro, então, a minha esperança de que esta iniciativa não se encerre, ao contrário, permaneça aberta a novas possibilidades e seja o início de uma profícua troca.

            Há anos, quando estive num encontro da Associação de Estudos, Solidariedade e  Cooperaão Mulher Migrante com a  Comunidade Portuguesa de Buenos Aires, surpreendi-me com a organização do grupo local, o interesse e a dedicação em manter acesa a chama da união e da cultura e costumes da pátria amada. Pensei, naquela ocasião, porque não se faziam encontros desse tipo em Recife, cidade que tem uma comunidade portuguesa expressiva e numerosa.

Jamais imaginei que caber-me-ia a honra de organizar o primeiro evento similar, em Recife, voltado para e com as mulheres portuguesas e lusodescendentes.

            Ao propor à Associação Mulher Migrante o desafio de realizar o Encontro nestas paragens, não esperei que o desafio fosse a mim devolvido com a demanda de organizá-lo, desde a procura, seleção e convite às palestrantes, passando pela escolha de local apropriado à ocasião, bem como a busca de parceiros e patrocinadores...

            O Encontro foi tomando corpo à medida em que os contatos iam sendo feitos, que novas pessoas engajavam-se e, juntos, tecíamos as possibilidades.

O primeiro a apoiar-nos foi o Sr. Vice Cônsul de Portugal no Recife, que não mediu esforços em angariar tudo quanto precisávamos. Em seguida, o Gabinete Português do Recife que logo, gentilmente, cedeu as suas instalações para acolher a pioneira iniciativa.

Iniciamos o contato com as portuguesas e lusodescendentes que se dedicaram a áreas diversas na sociedade local. Deparamo-nos com a singularidade da alma lusitana: a modéstia. A maioria das compatriotas contactadas não considerava importante a sua participação para o bem comum ou, pelo menos, não desejava falar de suas trajetórias, mantendo-se no anonimato, ou num lugar que sempre lhes foi confortável: os bastidores. Alguns convites foram pronta e entusiasticamente aceitos, outros educada e timidamente recusados, porém com a promissora esperança de se materializarem num futuro próximo e ora transformados em colaboração via patrocínio.

Acolhemos com satisfação todas as colaborações recebidas, não deixando de incentivar futuras participações.

            Neste trilhar de caminhos, nesta busca pela promoção das mulheres, da necessidade de empoderamento e do falar em nome próprio, fui percebendo a semelhança que os propósitos do Encontro, por sua vez, revelavam profunda identidade com os da Associação Folia das Deusas, da qual sou vice-presidente e tesoureira e que teve o seu nascedouro na casa dos meus pais.

A Associação Folia das Deusas, idealizada em 1999, pela amiga Adelina Cristina Augusto Chaves, presidente da Associação, é uma entidade sem fins lucrativos, voltada para as questões da mulher e sua trajetória de vida e luta por seus direitos e cidadania, com o propósito de disseminar as políticas para as mulheres nas mais diversas áreas: educação, saúde, cultura lazer, participação na política e em todas as manifestações sociais e culturais que considerem e respeitem toda forma de diversidade.

A Associação Folia das Deusas expressa-se socialmente, principalmente, através do Bloco Carnavalesco Folia das Deusas, instrumento enraizado na cultura pernambucana, escolhido pela riqueza, vigor e vitalidade com que o carnaval permeia , penetra e se expressa em todas as camadas da sociedade, além de propiciar um meio lúdico, festivo e acessível aos mais diversos meios sociais. Para além dos festejos de Momo,  brincando, antevíamos um dos objetivos do milênio: equidade de gênero.

Por ocasião de mudança de domicílio e demandas pessoais e profissionais, Adelina esteve fora do Recife por mais de 10 anos, o que nos levou a adiar o propósito de formalizar a Associação Folia das Deusas.  Em 2012, nos reencontramos, Adelina e eu, e constatamos que cada qual tinha guardado uma parte da associação: Adelina tinha o hino, a marca e a ata de reunião e sob minha guarda estava o estatuto. Urgia, então, formalizar a Associação Folia das Deusas e fazer a sua entrega à sociedade. Depois de uma breve apresentação do estandarte do bloco, no Carnaval de 2013, no Recife e em Olinda, não poderia haver melhor oportunidade do que apresentar-se, formalmente, à sociedade, com a promoção e organização de um evento internacional, ou melhor dizendo, luso-brasileiro: Expressões Femininas de Cidadania: As Portuguesas no Recife.

            A Associação Bloco Carnavalesco Folia das Deusas, hoje conta com simpatizantes, apoiantes e colaboradores nas mais diversas áreas e estão em desenvolvimento projetos estruturantes, tais como: a formação de banda musical feminina, oficinas e palestras voltadas para nutrição e saúde das mulheres, para os saberes da cultura local, para o reaproveitamento de materiais, e para o desenvolvimento de economia solidária, visando a autonomia e o empoderamento financeiro das mulheres. Estão também em desenvolvimento projetos voltados para a conscientização da cidadania e representação na política bem como o intercâmbio cultural e artístico com outros países, nomeadamente os países da comunidade lusófona.

Todas as nossas propostas de trabalho contam com a parceria com organismos locais, públicos e privados, que nos possibilitem um mais amplo alcance de objetivos e capilaridade na sociedade. Desta forma, a Associação Folia das Deusas espera contribuir para o reconhecimento,  valorização e conquistas das mulheres por seus direitos, empoderamento, equidade e justiça social.

Neste encontro foi gerado outro projeto que é a implementação, em parceria com a  Associação Mulher Migrante, das Universidades Seniores, organismos voltados para a expressão e inclusão das mulheres na faixa etária conhecida como da melhor idade.

Desejamos que no próximo encontro, que esperamos seja em breve, possamos apresentar este rebento, resultado de nossas profícuas trocas e tecituras e embrião de muitas mais.

Voltando a Agustina Bessa-Luis:


Por fim, ou melhor, por enquanto, digo apenas: até sempre!

 

 

 

*Berta Fernanda de Souza Guedes Santana, Psicóloga e Fonoaudióloga, formada pela Universidade Católica de Pernambuco, com Pós-Graduação em Dependência Química pela Universidade Federal de São Paulo/UNIFESP- Escola Paulista de Medicina e em Gestão de Pessoas pela Universidade Gama Filho, trabalha como psicóloga no Serviço de Apoio à Mulher-Wilma Lessa no Hospital Agamenom Magalhães em Recife/PE e no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Graça Guedes em Villa Elisa ASAS


A ACADEMIA SÉNIOR DE ARTES E SABERES NA ARGENTINA

 

 

Em Novembro de 2005, no Encontro em Bueno Aires A Igualdade entre Homens e Mulheres nas Comunidades Portuguesas da América do Sul, organizado pela Associação Mulher Migrante da Argentina, se havia constituído sob o modelo da Associação de Estudos Mulher Migrante, percebi a excelência deste grupo magnífico de mulheres que são um exemplo fantástico de dinamismo, competência e visão, que emprestam a tudo quanto se dedicam.

E assim continuam, honrando e servindo a causa da Associação.

A Academia Sénior de Artes e Saberes em Vila Elisa é mais uma das suas atividades que tive a grata satisfação de vivenciar na Associação Sinceridad, o local que escolheram para implementar este projeto que lançamos e verificar como um sonho se pode tornar realidade.

Um sonho, traduzido num projeto que temos procurado lançar e destinado aos mais velhos, com atividades que possam combater a solidão e o isolamento, que normalmente originam situações traumáticas. Atividades diversificadas, que alterarem o ritmo de vida desta população, tornando-a ativa e participativa, com uma calendarização própria e uma frequência obrigatória. Consequentemente, melhoram significativamente a qualidade de vida, enriquecem-se sob o ponto de vista cultural, adquirem novos conhecimentos, fortalecem e alargam os seus relacionamentos.

Este projeto, que tão bem pode ser implementado nas Associações portuguesas espalhadas pelo mundo, num espírito renovador e com novas atividades, que neste caso são destinadas aos mais velhos, favorecerá também o preenchimento de lacunas de frequência em horários menos procurados, continuando assim a sua missão com uma maior dimensão.

 

O associativismo na diáspora portuguesa

constituiu uma forma de conjugar indivíduos com interesses ou gostos análogos,

 que tem favorecido a implementação de objetivos comuns:

convivência social, prossecução de práticas culturais, recreativas e desportivas,

 para além da defesa de interesses nos centros de saúde, do trabalho,

 das condições de vida, da política.

(Guedes, 1995)

 

Este projeto nasceu há cinco anos em Joanesburgo, em 2008, nos Encontros para a Cidadania: Mulher – vertentes de mobilidade numa perspetiva de diálogo intercultural, quando no debate, que sempre se pretende propiciar após a apresentação das comunicações temáticas, nos foi apresentada a nova situação de grande parte das mulheres portuguesas, agora aposentadas e sempre ligadas às associações, muitas delas limitadas ao seu espaço familiar, sem programas para a o ocupação dos seus tempos livres e, para a qual gostariam de conhecer uma solução. E foi com a maior espontaneidade que respondi UNIVERSIDADES SÉNIORES, lembrando-me da enorme expansão em Portugal, que são frequentadas por homens e mulheres, com cursos diversificados e muitos deles até ministrados pelos próprios alunos, aproveitando as suas formações e habilidades, ou mesmo os seus filhos que se interessem em colaborar; também visitas de estudo, viagens, festas de convívio.

Acharam uma ideia ótima e até pouco dispendiosa, que procurei ajudar a concretizar, recorrendo à Universidade Sénior de Espinho (USE) que me forneceu todos os elementos necessários à sua criação e legalização, com estatutos e procedimentos necessários.

          Temos conhecimento de que para além de Joanesburgo, também em outras cidades da África do Sul estão já a funcionar estas universidades.

Em 2012, eleito o Ano Europeu do Envelhecimento Ativo e da Solidariedade, a Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas decidiu patrocinar a divulgação deste projeto que entretanto poderá ter outra designação – Academias de Artes e Saberes (ASAS) – mas com a mesma finalidade, dependendo dos contextos onde estão inseridas, bem como as atividades que desenvolvam, dependendo das motivações e das carências manifestadas em cada uma delas: curos temáticos (línguas estrangeiras, história, literatura, informática, artes plásticas, artesanato, grupo coral, dança, culinária, socorrismo, etc.), palestras, seminários, viagens de estudo, sessões de convívio (jantares e bailes), investigação (histórias de vida da diáspora, auto biografias), favorecendo também o diálogo inter-geracional e o estabelecimento de uma Rede entre todas.

A frequência dos cursos deverá ser regular e calendarizada, sem avaliação final (classificação), mas com a atribuição de diploma de participação. É fundamental que todos os participantes sejam interventivos e participativos, colaborando também nas suas direções, coordenações e mesmo na lecionação de cursos.

           

            Esta proposta foi lançada também em Newark (EUA), em Londres, em Toronto (Candá), em Mainz (Alemanha) e há alguns dias no Recife.

            E em Vila Elisa, são portuguesas, luso descendentes e mesmo argentinas que encontramos num convívio para nos apresentarem os seus trabalhos já realizados e com projetos de alargamento de participantes e de novas atividades.

E, tal como refere Manuela Aguiar, os projetos ganham vida, quando existe um compromisso, seguido de trabalho responsável de quem o realiza.

Maria Violante Martins Mendes, Maria Fernanda da Silva e Maria Josefina Mac Namara deram vida a este projeto, levando a cultura portuguesa a um grande grupo de senhoras portugueses e argentinas e que foi crescendo à medida que se espalhava a informação sobre o seu funcionamento, que teve início em Maio de 2013.

São hoje 37 alunas que todas as quartas-feiras vêm até ao clube para aprender as artes e técnicas tradicionais e inovadoras de crochet, de arraiolos, de ponto de cruz e de tecelagem, para durante 3 horas se empenharem nas suas tarefas e conviverem.

As obras realizadas e que estavam em exposição para deleito dos nossos olhos, testemunham o resultado das suas aprendizagens e a revelação dos seus talentos até então adormecidos, graças à competência das mestres que tão bem souberam transmitir os saberes do nosso património cultural, com aquele carinho e dedicação que tanto as carateriza.

Este é mais um dos programas anuais da Associação Mulher Migrante da Argentina e que ao longo de quinze anos tem corporizado também os nossos objetivos e, no caso específico do programa ASAS em Vila Elisa, tem já pedido de novas inscrições, garantindo assim a sua continuidade e, muito certamente, com mais atividades.

Parabéns.

Graça Guedes

 

Sobre a Dr.ª Maria do Patrocínio


A Dr..ª Maria Celeste Oliveira do Patrocínio
O seu exemplo, a sua simpatia
I
Um exemplo de empreendedorismo no feminino.
Um exemplo de força e de energia para recomeçar a vida  na idade da reforma.
Um exemplo de capacidade de liderança, vertida em domínios inteiramente novos

A Dr.ª Maria do Patrocínio é jurista e empresária.
Foi professora e funcionária do Ministério da Educação, onde teve um percurso, brilhante, versátil, ascensional, em funções de assessoria,  de cooperação financeira e técnica em comissões bilaterais, em missões de apoio à implementação de estruturas do ensino superior em países lusófonos, na instalação de universidades no país, em funções  de chefia - a ultima das quais como Secretária Geral do Conselho Nacional da Educação, até 2002, data da sua aposentação. 
A aposentação não foi, porém - conforme é vista nos estereótipos ou preconceitos comuns... -  um ponto final na vida ativa . Foi, pelo contrário, apenas um recomeço, uma reorientação de energias e capacidades para outras tarefas, de interesse equivalente para ela própria  e para a sociedade.
Mudança de rumo, mudança terra - de Lisboa para Ponte de Lima, um retorno às origens, o termo feliz de um processo de emigração interna...E de aposentada do Ministério da Educação se converte em empresária no setor da agricultura e da viticultura. É num espaço ainda mais adverso do que a administração pública à aceitação da mulher  -  como igual, como dirigente -  que vai afirmar-se a sua liderança. De uma forma singular no país que continuamos a ser no século XXI: em 2008, a Dr.ª Maria do Patrocínio torna-se a primeira Mulher a ser eleita presidente de uma importante cooperativa do setor  vinícola. Presidente da Direção da Adega  de Ponte de Lima. Eleita e reeleita, até hoje!

II
Esta é a sua história exemplar, em referência muito sintética. Mas a Dr.ª Maria do Patrocínio é também um exemplo de simplicidade, de pragmatismo, de solidariedade. Tem sido uma presença já habitual nos  grandes Encontros da AEMM, uma parceira, a quem sempre podemos pedir apoios muito concretos -  graças a ela, pudemos, neste 20º aniversário da AEMM, brindar com o "vinho verde",  do nosso Portugal. O esplêndido vinho verde de Ponte de Lima!

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Manuela Aguiar na sessão comemorativa dos 20 anos da AEMM

IPARTE III NTERVENÇÃO DE MANUELA AGUIAR
(em falta no texto recebido)


É uma alegria poder comemorar os 20 anos da AEMM neste espaço tão acolhedor da Fundação Pro Dignitate, tendo por anfitriã a Dr.ª Maria Barroso, que connosco esteve nas iniciativas mais significativas do percurso que agora lembramos.
Vir aqui é uma forma de lhe agradecer não só o estímulo que nos deu, desde a primeira hora, por acreditar em nós e nossos projetos, mas também a força do seu próprio exemplo de dedicação aos valores da paz, da liberdade, da igualdade entre mulheres e homens.
No longo caminho para a igualdade, ainda em curso, as histórias de vida daquelas que ousaram afrontar tabus, infirmar preconceitos, modelar costumes, civilizar e modernizar sociedades, surpreendendo-as com a verdade sobre os dons e as ilimitadas capacidades da Mulher em novos domínios, mantêm um enorme poder de inspiração. É o caso das que se converteram em símbolos  dessa Verdade, como Maria Archer e Maria Lamas, dois grandes nomes da Cultura Portuguesa do século XX, cujo talento literário serviu, de uma forma muito inteligente e muito militante, a causa da emancipação das mulheres do seu tempo, num Portugal encerrado num período de obscurantismo e de opressão sexista. Duas Mulheres de pensamento e de ação, para quem a escrita foi uma arma de intervenção cívica. A ousadia custou a ambas o exílio - que é sempre a expatriação onde se procura e reencontra a Liberdade.
 Como mulheres livres e libertadoras, com emigrantes as evocamos, nas nossas mais recentes publicações, que hoje apresentamos em Lisboa - como já fizeramos no Porto e em Espinho, em tertúlias, em colóquios nos auditórios de Escolas Secundárias, da Biblioteca Municipal, na feira do Livro... divulgando a sua personalidade e sua obra junto de públicos novos, diferentes, em espaços onde as migrações e as migrantes não têm, normalmente, visibilidade. Foram reuniões excelentes, debates muito participados, momentos inesquecíveis de descoberta de fascinantes perfis femininos, lembradas na sua singularidade, mas também no que têm de comum - vozes fortes que romperam o silenciamento imposto por uma ditadura particularmente misógina.
  As famílias de Maria Lamas e de Maria Archer deram, em muitos desses encontros, como hoje aqui acontece, o seu testemunho, tornando-as mais próximas de todos, num ambiente de simpatia e de afeto , em que queremos perpetuar a sua memória e o seu legado ético. A tenacidade é outro traço comum a ambas -  o saber aproveitar cada oportunidade do quotidiano para avançar na linha estratégica de combate pela dignificação da mulher, e das mulheres muito concretamente. Aproveitar oportunidades, criar oportunidades - quer, como Maria Archer, nas páginas de um romance, através de personagens de um impressionante realismo, quer, como Maria Lamas, na direção de uma revista de temas tão tradicionalmente femininos, como "Modas e Bordados", que transforma em meio de repensar o papel da Mulher,  de comunicar com as jovens, de lhes abrir horizontes. 
 
Estas recentes iniciativas da AEMM, em que procuramos fazer a ligação entre o pensamento e a ação das mulheres da diáspora em sucessivos períodos, em diferentes lugares do mundo, são uma das marcas de uma nova etapa do nosso trajeto.
Vou lembrar, brevemente, esse trajeto, em que  distinguirei duas fases - uma primeira em que fomos estabelecendo, a partir de um grande congresso mundial em 1995, uma rede de contactos nas comunidades portuguesas,  embora as ações desenvolvidas se tivessem centrado fundamentalmente em Lisboa, com a organização periódica de colóquios e seminários sobre temáticas de emigração/imigração feminina. Em fins de século XX e princípios de século XXI, a imigração liderava a agenda e traduziu-se em várias iniciativas pioneiras desenvolvidas em colaboração com municípios e regiões autónomas, com um apelo à solidariedade para com um número enorme de estrangeiros recém-chegados em situação irregular (uma das publicações desse altura tem por título "Problemas Sociais da Nova Imigração").
A segunda fase na vida da AEMM inicia-se em 2005, com o alargamento do seu campo de ação ao universo da Diáspora, numa colaboração sistemática com a SECP para a execução  do que costumamos designar por políticas de emigração com a componente de género.
 Até então a abordagem do fenómeno da emigração portuguesa fora mais focada no domínio do estudo ou levada a cabo através dos núcleos e representantes existentes nas comunidades e de deslocações esporádicas de dirigentes da Associação  (algumas muito bem sucedidas, como é o caso paradigmático da que serviu de mobilização para o associativismo feminino na região de Buenos Aires, com a criação da Associação Mulher Migrante Portuguesa da Argentina, em 1998.
O novo ciclo de vida da MM, que nos vai levar aos quatro cantos da terra, fica a dever-se a uma conversa informal com  o SECP, Dr António Braga, em que eu lhe apresentava apenas uma proposta de realização de um congresso para comemorar a efeméride dos vinte anos do 1º Encontro de Mulheres  Migrantes no Associativismo e no Jornalismo (em Junho de 1985). A ideia de ir até às diferentes comunidades, ao longo da legislatura, de Encontro regional em Encontro regional, como preparação de um Encontro mundial, em 2009, foi do próprio SECP. Foi também ele que  convidou a A MM para a organização e a Drª Maria Barroso para a presidência de honra dos hoje já históricos "Encontros para a Cidadania - a igualdade entre homens e mulheres".
Logo que iniciou funções, em 2011, o novo SECP, Dr. José Cesário,  chamou-nos para uma renovação dessa parceria e para a preparação de um Encontro Mundial, ainda nesse ano. Como ele, nós acreditamos na eficácia da colaboração de sociedade civil e Estado em projetos que ultrapassam a fronteira das políticas de mero interesse partidário. Dissemos sempre "sim" ao que nos foi pedido. Somos uma pequena associação, que se tem transcendido, na chamada a missões importantes. Queremos continuar a assumir a responsabilidade de correspondes às expetativas que em nós colocam, sabendo que tudo o que conseguimos foi fruto de um trabalho solidário com outras organizações das comunidades. Temos sempre a preocupação de incluir as questões de género em eventos dirigidos às comunidades como um todo, onde, estas temáticas nunca tinham sido abordadas - por exemplo nas comemorações do Dia Nacional, em congressos  sobre lusofonia, sobre cultura, sobre juventude, sobre o envolvimento político na diáspora, em datas festivas de cada comunidade ou instituição, em Universidades, em escolas públicas, em  sindicatos ... Fazemo-lo sistematicamente, pois temos consciência de que estas matérias perdem em ser acantonadas num universo fechado de mulheres. Para nós, o associativismo feminino é uma ponte de transição para a paridade plena.
Vemo-nos como uma plataforma de diálogo de género e geração - foi o título do nosso primeiro congresso. Plataforma para a partilha de experiências, onde se concentra um movimento que vem do passado, de boas memórias, para um futuro de infinitas virtualidades.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

MMAguiar em Villa Elisa

 
Em Villa Elisa de todos os sonhos a obra nasce - e em grande! É o que posso afirmar convictamente pela experiência de muitos anos de observação e de convívio. A começar pela história da associação portuguesa. Lembro-me de visitar o terreno, onde hoje está edificada a sua sede, e de ouvir da boca dos dirigentes, a descrição do que se projetava. Na altura sentámo-nos numas cadeirinhas de piquenique, não havia mais nada....  Pouco tempo depois, a Casa estava pronta, linda, moderna com um salão de festas onde cabe um milhar de pessoas.
Precisamente nessa sede se veio a realizar um encontro de Senhoras, que, logo depois, constituíram a Associação Mulher Migrante Portuguesa da Argentina -de algum modo seguindo o modelo da AEMM de Portugal, de que se falou bastante durante a reunião. 
 Com muita competência e generosidade, com um conhecimento das realidades e das necessidades dos compatriotas, sobretudo no campo social e cultural, rapidamente as imigrantes portuguesas a converteram num exemplo de voluntariado reconhecido pela Embaixada e pelos nossos  governantes-
A sua maneira pragmática de atuar, sempre focada  no dia a dia das comunidades, no que é preciso fazer para ajudar as pessoas concretamente,  tornaram a sua colaboração imprescindível para a AEMM. Um ponto alto dessa colaboração foi a organização do Encontro para a Cidadania em Buenos Aires, que incluía participantes de ourtas comunidades da América do Sul e de Portugal.. Tratava-se do primeiro desses Encontros, com a presença do SECP, da Drª Maria Barroso, do Embaixador, das dirigentes da AEMM. - um início perfeito. Não foi surpresa - sabíamos que seria assim e por isso mesmo escolhemos a Argentina através da parceria com esta associação-irmã, nessa altura presidida pela Natália Correia, para estabelecermos um paradigma de qualidade no mais ambicioso projeto  do percurso da AEMM até então .
Desde essa data, temos partilhado diversos outros projetos ambiciosos e o mais recente é precisamente o das ASAS. As Academias são nada mais nada menos do que uma variante das chamadas "Universidades Séniores", que em Portugal tem  tido um enorme sucesso. Falo de sucesso não só pelo fenómeno  da sua expansão de norte a sul, pelo número de aderentes, que cresce sem cessar, mas também porque atinge de uma forma fácil e espontânea a sua finalidade principal, que é a de chamar os seniores à vida ativa, de os rejuvenescer na aprendizagem ou no ensino de novas matérias e de lhes proporcionar momentos de diversão e de prazer. Uma fórmula esplêndida!  Ora se há tantos anos resulta em Portugal, porque não transpô-la para o universo português da emigração?  Havia que fazê-lo, sem dúvida. Era até estranho que não tivessem surgido mais cedo as Universidades ou Academias Seniores na Diáspora... À Professora Graça Guedes. se fica a dever a proposta para a sua criação,  durante o 4º  Encontro para a Cidadania  realizado na África do Sul em 2008. Ela está aqui ao nosso lado e poderá explicar como teve essa ideia, ao intervir de improviso sobre a temática do associativismo. A verdade é que esta é uma modalidade de associativismo, que se pode enquadrar bem nos programas das Associações atuantes em todo o mundo, sobretudo as que já mantêm lares, centros geriátricos ou "centos de dia"..
 Recentemente, num Encontro da Obra Católica Portuguesa das Migrações em Fátima, em que estivemos com a Maria Violante, descobrimos a existência de  universidades seniores criadas por missões católicas -  uma  de grande dimensão, com centenas de participantes, na Paróquia de Santa Cruz em Montreal, uma outra com um número mais  pequeno no Luxemburgo . Aqui o número não é o que mais conta - importa, sim,  acolher os que querem e podem beneficiar destes programas. 
Estes exemplos são bem sugestivos, mas nem por isso, as "ASAS" têm tido um grande desenvolvimento a nível da maioria das comunidades. Não basta a ideia ser excelente - para a implementar em regime de voluntariado é preciso muito esforço, muita generosidade e liderança forte....
Até agora, soubemos, por notícias  da Liga da Mulher Portuguesa na África do Sul, que  as Universidades estão aí a avançar nas delegações da Liga, nas principais cidades do País . E a partir do ano de 2012 - quando relançámos o projeto numa modalidade mais flexível, a das Academias, que podem constituir uma simples tertúlia ou oferecer cursos mais especializados - assistimos ao nascimento de ASAS no Canadá, em Toronto, na Alemanha, em Wiesbaden e, já este ano, a vossa, em Villa Elisa. Que alegria nos dá reconhecer o quanto fizeram nestes últimos meses! Na verdade, o trabalho coletivo está
aqui bem à vista, em belos trabalhos de artesanato, bordados, tapeçarias.. Uma exposição impressionante, que dá a medida da qualidade tanto das mestras como das alunas.
. Este encerramento festivo do curso, com tantas dezenas de portuguesas e de argentinas, que partilharam o trabalho, companheirismo e boa disposição, recorda-nos, à Graça e a mim, outros fins de período letivo, na Universidade Sénior de Espinho, que é aquela cujo dia a dia seguimos de perto. A despedida para férias costuma ser um momento de alegria, mas toldado por algumas sombras, porque o  convívio se vai interromper e faz falta   - e há mesmo muitos que se queixam logo ali do vazio ou solidão que já adivinham ao longo dos meses que faltam até ao recomeço das aulas... Não há melhor maneira de revelar a imensa  importância  destas iniciativas na vida das pessoas! E aqui deparamos justamente com  um  sentimento muito semelhante, com  referências constantes ao próximo ano, ao próximo curso. Com um reconhecimento e um carinho enorme pela líder deste projeto, a Maria Violante!  A Maria Violante bem o merece pela forma brilhante como decorreu esta primeira experiência, pela colaboração que recebeu das voluntárias que vieram dar as aulas, pelo entusiasmo que soube despertar nas participantes... pelos resultados -  para além da bem sucedida aprendizagem, à afetividade que as une a todas... 
Começaram por ser um reduzido núcleo, de uma dúzia de pessoas, no final já eram cerca de 40 - e no recomeço, depois do verão austral, o número possivelmente vai duplicar.
Mas há ainda um outro aspeto que é importante salientar: o facto de esta Academia ter nascido num clube argentino, este simpático clube "Sinceridad", . É esplêndido que seja assim -  porque assim se realizam  outros objetivos, como o de tornar a cultura portuguesa mais viva nesta sociedade, composta por tantos povos imigrantes, e o de promover a confraternização entre mulheres dos dois  países. 
Eu tenho uma admiração muito especial pela Argentina, sem dúvida um dos países mais cosmopolitas que conheço. Por isso, os portugueses aqui se sentem em casa, exatamente como eu me senti na Fundação Argentina, da Cidade Universitária de Paris onde residi durante um ano. Ali fiz amigos que ficaram para a vida inteira, ali tive uma mostra bem real da hospitalidade do povo argentino! A mesma que nos oferecem neste clube!
Por fim, queria sublinhar que o êxito aqui conseguido vai, com certeza, servir de inspiração a iniciativas semelhantes  de um novo associativismo, que apela à participação dos grupos marginalizados no associativismo tradicional - os mais jovens, os mais velhos, as mulheres de todas as idades... Uma aventura de descoberta das capacidades de contribuir para o bem estar dos outros, para fazer amigos, e, com eles, coisas novas. Aconteceu magnificamente, mais uma vez, em Villa Elisa!
É uma mensagem que vamos levar connosco e transmitir no nosso país e nas  comunidades da Diáspora.