domingo, 6 de outubro de 2013

Maria Victória Pinto da Fonseca Cardoso Lopes Pereira Comunicação

       
Nascida em Lourenço Marques, Moçambique , estudou no Colégio D António Barroso e na Escola Comercial onde tirou o curso de guarda-livros. Já casada frequentava o sétimo ano do Liceu  quando emigrou para a África do Sul em 1976 com a sua família.  Divorciou-se em 1981 e sofreu a trágica morte dum seu filho em 1983. Dessa experiência nasceu a estória ‘A Borboleta do Arco-iris’. Estudando a noite pela UNISA, realizou o seu sonho de estudar Psicologia, Filosofia e Religiões. Completou o mestrado em 2001 com uma pesquisa sobre O Elo entre Identidade, Religião e Comunidade  - a Mulher Portuguesa Emigrante em Durban. Para sobreviver, esta contabilista e tradutora oficial,  também poeta e escritora , exerceu várias profissões incluindo venda de propriedades e professora em Estudos sobre Religião na Universidade de Durban-Westville.  Foi Administradora no Centro de Teologia Construtiva. Ai participou em workshops para conscientização das mulheres. Foi Presidente da Liga da Mulher Portuguesa em Durban  e Coordenadora do seu Clube do Livro. Também foi oradora em varias ocasiões e  membra de entre outros: o Durban Philosophical Circle e Co-workers of Mother Theresa. Pertence ao Live Poets Society e SA Writers Circle.  Dois dos seus poemas foram escolhidos para o ‘Grade 7 Syllabus de 2011-2013’, nomeadamente,  ‘A Walk through the Woods’ e ‘T.V. and the Rest’.  Compilou também ‘Church of San José – Greyville, Durban – 1980-2010’ – um relato histórico desta igreja oferecida para devoção aos Portugueses    pelo conhecido Arcebispo Dennis Hurley (falecido).
Maria Victoria,  como mãe, mulher divorciada e emigrante , conseguiu não só sustentar e educar os filhos positivamente - mantendo uma relação amistosa com o seu ex-marido- como também estudar e exercer varias actividades comunitárias.  Os seus poemas, contos e artigos, fazem parte de publicações lidas aqui e internacionalmente.  Um dos seus poemas em honra do falecido Dean da Faculdade de Teologia, Prof. Mazibuko foi incluído no livro da Prof Roswith Gerloff  ‘Mission crossing Frontiers’ publicado na Alemanha. Também leu poesia sua na Universidade do Natal, quando da cerimónia de boas-vindas oferecidas ao Prof. Masisi Kunene quando este voltou do exílio.

   Tem facilitado workshops e participado em conferencias, uma em Chicago - onde apresentou um trabalho,  Integração e Indiferença- Os Portugueses na Africa do Sul durante o Apartheid,  a pedido do então cônsul em Durban, Dr Gomes Samuel. O seu livro para crianças, The Rainbow Butterfly, em Inglês e Zulu, obteve um subsidio do Ministério de Educação e Cultura da Africa do Sul devido ao extraordinário efeito que teve em crianças num orfanato. Foi coordenadora e editora do Livro, Tempo de Mudar, Tempo de Agir, projecto do Circulo de Teólogas Conscientes Africanas, lançado nos Camarões  em 2007 -  estórias experienciais, culturais e religiosas escritas por mulheres lusófonas,  Moçambicanas e Angolanas, em relação com o problema da Sida.

 Apaixonada por aprender e compartilhar, tenta contribuir para um mundo com mais boa-vontade e menos ignorância. De personalidade adaptável e obstinada, só descansa quando "entrega a carta a Garcia". Sempre pronta a promover o valor dos Portugueses, consegue ultrapassar qualquer xenofobia e relacionar-se seja com quem for como um ser como ela pertencendo a valorosa, sofredora e sempre esperançosa, raça humana. O seu poema "Emigrante Português", faz parte do seu primeiro livro de poemas  em Inglês, Whispers in the Wind publicado em 1993. Ela escreve poesia em Inglês e Português. Iniciou e facilitou as reuniões na Africa do Sul que impulsionaram Portuguesas  a escrever as suas estórias de mulheres migrantes. Assim nasceu o livro, Caminhos do Sentir.

  Publicou agora uma novela, Under a Swirling Sun, (amazon.com e e.kindle) ficção baseada nas suas experiências e está a compilar uma colecção de poemas e  de contos.

sábado, 5 de outubro de 2013

Maria Beatriz Rocha Trindade MIGRAÇÕES E MIGRANTES -CONHECER S SENSIBILIZAR


  • "Migrações e Migrantes - Conhecer e Sensibilizar"

  • - Conteúdo Temático da Sessão:
    O espírito que subjaz à organização do grupo visa mostrar como é verdadeiramente necessário a quem se aloja nesta categoria conhecer uma dada realidade/fenómeno social, para poder compreendê-la e aceitá-la com naturalidade. Tal conhecimento poderá mesmo dar lugar ao nascer de um interesse que faça lutar pelos direitos que são devidos e encontrar caminhos adequados à resolução dos problemas que enfrentam.
    Até recentemente muito pouco se conhecia sobre o fenómeno migratório na sua generalidade, o mesmo acontecendo em relação à diversidade do fenómeno migratório português.
    Este alheamento e desinteresse pelas migrações e pelos migrantes tem vindo a ser progressivamente atenuado, graças à informação que circula no espaço global que partilhamos e à vontade política de membros do Governo e da sociedade civil, da qual ressalta o papel desempenhado pelas associações.
    "Sem conhecer não se pode amar", diz um velho refrão português.
    É essa necessidade de conhecer a História da Emigração Portuguesa nos espaços para onde se dirigiu e onde mantém visibilidade, de conhecer as diferenças que se têm vindo a operar no viver dos seus membros ao longo do percurso cronológico que a tem encaminhado e a as características que a marcam no presente que motiva a vontade de dá-la a conhecer, sensibilizando públicos alargados. As vias de consegui-lo são diferentes e de forma alguma poderá ser considerada nessa acção a mútua exclusividade.
    Se o conhecimento universitário se realiza em espaços próprios e procura atingir públicos específicos, muitos outros se devem articular entre si para fazer circular uma informação deste tipo. A informalidade que reveste a actuação em palco ou filmada, a leitura de textos escritos que ilustrem a realidade considerada, a dinâmica das imagens e dos sons que lhe dão vida constituem todas elas vias cuja complementaridade e excelência, se tornam indispensáveis para poder seguir o propósito militante das que integram esta Sessão.
    Qualquer delas apresentará a potencialidade dos vários discursos que em cada campo de actuação existe para atingir o fim em vista. Procurou-se, por isso, juntar vários discursos (religioso, associativo, de representação, literário) de comunicadores que preenchessem complementarmente as várias vertentes deste poliedro migratório cujo conhecimento é necessário para poder difundi-lo.

    Cristina Mayo Caetano Comunicação


    CRISTINA MAYA CAETANO

    ESCRITORA, POETA, ARTISTA PLASTICA, ILUSTRADORA.

     

    LUANDA (ANGOLA) – LOURENÇO MARQUES (MOÇAMBIQUE) – CEREJO. PINHEL. AVEIRO (PORTUGAL)

     

    Nascida em Luanda, Angola, com apenas uns tenros seis meses, mudava de país. Os meus olhos nunca chegariam a contemplar a minha terra natal. Apenas me recordo de Lourenço Marques (atual Maputo), Moçambique, onde foi batizada e vivi uma infância feliz. Ainda presentemente, inspiram-me as corridas e as aventuras de triciclo em que insistia em chocar contra as árvores e esmurrar os joelhos. As bonecas, que adorava vestir e despir, ao mesmo tempo em que da varanda do andar em que morava espreitava quem passava. O kukuana, o homem velho do saco, onde colocava as crianças que não se portavam bem e as levava com ele. A luz do dia, as cores da terra, os cheiros, a alegria das pessoas, o sol grande e vermelho. A praia com areias finas e brancas e a água do mar quente, onde caminhava com a água a bater-me nos tornozelos. As comidas, como o frango à cafrial, o chocol (espécie de mousse de chocolate em lata), as gomas e os chocolates sul-africanos. O ringue de patinagem artística, onde sonhava aprender a patinar e a dançar com tutus vestidos. O drive in onde com a minha família assistia ao ar livre, dentro do carro aos filmes do Trinitá, bebendo coca-cola e trincando pipocas. As matinés, a leveza das roupas e o pé descalço. “O casamento dos macacos”, apelidado ao tempo de sol, interrompido por uma repentina queda de chuva, onde imaginava uma idílica e pormenorizada cerimónia. A fruta sumarenta, como a manga, papaia, mamão e diversos outros sabores tropicais. O Natal, com uma grande e enfeitada árvore de Natal coberta de grandes presentes. As passagens de ano com pessoas nas varandas e carros a apitarem saudando o ano novo.

    Sim, foi uma infância feliz! A cultura daquele país africano, na altura solo Português, pulsava dentro de mim, quer no meu respirar, batimento cardíaco, ou na génese das minhas células. Eu estava em África e África estava em mim. Mal me apercebi que se instalava a guerra colonial. Até outubro de 1975 convivi com ela de perto. Metralhadoras, Frelimo estavam por toda a parte. Na escola, nos semáforos, nos carros, na praia. Restava-me o pátio da minha casa para brincar e andar de bicicleta. Por vezes tínhamos de fugir a rusgas. Os meus pais estavam comigo, sentia-me protegida e na minha terra. Até que aconteceu o imponderável - a fuga para Portugal. Tinha sete anos. Iria continuar a escola primária, em Cerejo, na aldeia do meu pai, onde os meus avôs me acolheriam junto com o meu irmão de nove anos. Nada conhecia de Portugal. Apenas sabia que tinha lá família, estranha para mim.

     

    Era uma tarde fria, invernosa, quando chegámos, sozinhos, amedrontados ao aeroporto da Portela, Lisboa. Os parentes esperavam ansiosos com uma fotografia na mão. Os meus pais tinham-lhe enviado previamente para ser possível o reconhecimento. Sem os meus pais por perto, pouco mais do que isso me interessava. O meu mundo acabara de ruir. Nem as compras para uma indumentaria adequada me entusiasmavam. Kispos, botas, casacos, camisolas de gola alta, eram-me totalmente desconhecidos. Nem sabia para o que serviam. Salvou-me uma ida ao jardim-zoológico, com uma prima que também tinha fugido de Moçambique e que em boa hora foi ter connosco. Um rosto conhecido, num completo mundo desconhecido!

    No dia seguinte, a ida para a aldeia (Cerejo) começou. Chovia, nevoeiro cerrado. As curvas e contracurvas numa direção destra (em Moçambique, conduzia-se pela esquerda) assustavam-me, numa admiração ingénua de quem estava habituada a terrenos planos. Pelo caminho ia-me imaginando vestida com saia de palha, pé descalço, pilão na mão, morando numa palhota. Uma casa grande de pedra, com uma escadaria infinita e uma lareira acesa, não estava em nenhum dos meus sonhos. Era de noite e o fogo desplotou as minhas lágrimas até à exaustão. Salvou-me a brancura da neve na manhã seguinte. Os animais dos meus avôs, cães, cabritas, égua, amorteciam o choque. Os dias foram passando lentos. Depressa percebi que os valores e costumes culturais eram por demais distintos aos que estava acostumada, e por isso não os reconhecia. As idas constantes à missa, o trabalho no campo, os carros de bois, a alimentação, a lavagem da roupa na ribeira, o tricot, os cântaros de água. Uma dimensão planetária esquisita!

    Os meus avôs, e a aldeia esforçavam-se. Sentia uma certa proteção de todos e até tinha uma amiguinha, que morava do outro lado da rua. A minha professora primária ia-me buscar e levar a casa dos meus avôs e estava sempre por perto quando chorava sem parar. Uma autêntica Fada Madrinha. Os meus pais visitavam-nos quando podiam. Numa dessas desejadas visitas, surgiu a minha primeira grande alegria: o meu pai trouxera de África, o Quico, o meu cãozinho, um lindo Lulu da Pomerânia. Senti como se um bocadinho de mim se tornasse a reunir no meu coração. Foram meses mais alegres, mesmo quando o Quico se perdia e aflita o procurava. Ele era o meu elo perdido. Um dia desapareceu. Delicerado por entre as rodas de um trator, nunca mais o vi. Quisera eu ter morrido com ele... A minha avô materna também já se tinha juntado a nós em Cerejo. Depressa percebi a sua amargura e o meu mundo fechava-se cada vez mais. Volvido mais de um ano, foi a vez da minha mãe regressar de Moçambique. Ah, como aquele foi um momento feliz! Uma nuvem macia girou em meu redor, num aconchego maternal.

    Completados dois anos, o meu pai instalou-se por fim em Portugal. A minha família estava reunida. Fomos viver para Pinhel, onde iria fazer a 4.ª classe. A procura de emprego, de casa, os contendores com alguns móveis que o meu pai conseguira trazer a ocuparem os terrenos da casa dos meus avôs, a ajuda aos refugiados e retornados convertidos em leite em pó, ovos em pó, roupa e agasalhos fervilhavam no meu cérebro. Mas agora tinha os meus pais, só que já tudo era diferente. Tornei-me uma criança triste, delicerada com paludismo, fechada, revoltada. A própria interioridade da terra condicionava limites para quem queria se expandir e ser uma alma livre. Valeu-me a frequência da escola, ingresso nos escuteiros, situações próprias da vida, que me levaram a aprender novos costumes, criar defesas e uma compreensão própria ao que me rodeava.

    Quando entrei em Gestão em Lisboa, fiquei radiante. Encantava-me ser numa cidade grande (ao estilo de Lourenço Marques que eu guardava com devoção nos meus sonhos). Quis o destino que também tivesse entrado no mesmo ano na Faculdade Pública em Aveiro, em Planeamento Regional e Urbano. Desta cidade apenas tinha ouvido falar de Sta Joana. O curso, na área de ciências, com química e matemática à mistura, adormecia dolorosamente as minhas entranhas. Acabei por me afastar da escrita que sempre me acompanhara. Valeu-me a paixão pela cidade. A sua morfologia aproximava-me do meu passado africano. Perto do mar, plana, destoava das restantes terras portuguesas. As noitadas, entre um pé de dança numa discoteca, jantaradas e convívio em cafés, davam-me forças para continuar a estudar, mascarando uma rebeldia envergada em vestes negras. Só a teimosia permitiu ver-me diplomada. Seguiram-se trabalhos, sem entusiamo ou cativação que me preenchesse. Professora, Agente de Desenvolvimento, Diretora de Serviços, entre estudos de Pós-Graduação em Estudos Comunitários e Europeus, foi como Planeadora numa Câmara que o trem da minha vida descarrilou. Pela mesma altura também tinha entrado no Mestrado de Estudos Africanos, na Faculdade de Letras do Porto. Para mim: mais perto da minha África! A minha saúde que sempre tinha sido frágil, não se sensibilizou com isso. Atirou-se sem para-quedas para o fim do poço, onde o meu corpo mal sobrevivia a uma alma morta. Pareceu-me lógico agarrar-me como um naufrago às recordações de África, espalhadas como cinzas pelo Aeroporto da Portela, no dia em que regressara de Moçambique, no dia em que fora reconhecida por uma fotografia. Regressar ao passado parecia ser uma solução. Com uma mala atafolhada de medicamentos, numa leveza elefantina num aumento de peso inusitado, tornei a pisar solo moçambicano. Nos intervalos das pesquisas para a minha tese de mestrado, fazia o reencontro comigo. Descobria o mapa da cidade, gravado nas sobras do meu espectro. Reconheci lugares, pormenores, num resgate de lembranças do meu passado. Fazia a minha catarse!

    Regressada a Portugal, pela primeira vez, olhei para este que tinha sido o meu país de acolhimento com olhos de agradecimento e aceitação. As raivas esvaneciam-se, numa feitiçaria intrigante e a portuguesa que havia em mim, nascia. Mas para um renascimento completo, algo ainda faltava. Esperava que o meu recôndito âmago se revelasse... O reencontro com a escrita foi a varinha de condão. A pintura, viria mais tarde ao meu encontro, aos trambolhões sem aviso prévio. A procura espiritual agilizou o processo. Munida com estas três poderosas combinações, numa mistura curativa, mexida num caldeirão por um druida de barbas brancas compridas, tornou realidade o meu sonho de cura. Tornar-me escritora e artista plástica, numa decisão com trinta e seis anos, balançava entre o inesperado e o tardio. Sem dúvida, arriscada. Eu não sabia, mas tinha optado pela vida. num sonho idealista de a viver, de fazer o que gostava. E nem muros erguidos, preconceitos, medos originados pela incompreensão de uma profissão diferente com futuro incerto me deteriam... Percebia que a arte era ilimitada, ilustrada numa folha branca de papel, em fantoches que contam uma história, num palco de teatro ou numa cena de um filme. A liberdade tocou-me, o meu espirito sossegou e a alegria acolheu-me em rejubilo.

     

    Hoje eu guardo o melhor da minha infância, na minha arte, nos meus escritos (como na coleção infantil da Fadinha Lótus, símbolo da magia da minha meninice e das bonecas que tinha. O lago de nascimento da Fadinha com águas quentes e mansas num simbolismo ao Oceano Índico. Os seus amigos, animais, flores como tantos que lá havia), nas cores que uso e materiais que me transportam a Moçambique com todo o seu exotismo, tantas vezes espelhado nos saris de indianas que encontrava na rua, recriando-me para outra cultura, sentir, cheiro e comida picante.

    Hoje, acredito que tudo acontece como tem de ser. Nós não somos o passado, mas somos o que somos graças ao passado que tivemos. Ele não é importante, apenas o que fazemos com ele. As dificuldades que travamos, as batalhas que perdemos ou ganhamos, ensinam-nos algo importante para o nosso crescimento evolutivo, e para fortalecidos, encararmos novos desafios. Todas as vivências que tive não seriam as mesmas se tudo tivesse sido de outra forma. Certamente não seria a mesma pessoa. Provavelmente até nem seria artista...

                                                                                                       Cristina Maya Caetano

     

     

     


     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     






    CRISTINA MAYA CAETANO
    ESCRITORA, POETA, ARTISTA PLASTICA, ILUSTRADORA.
     
    LUANDA (ANGOLA) – LOURENÇO MARQUES (MOÇAMBIQUE) – CEREJO. PINHEL. AVEIRO (PORTUGAL)
     
    Nascida em Luanda, Angola, com apenas uns tenros seis meses, mudava de país. Os meus olhos nunca chegariam a contemplar a minha terra natal. Apenas me recordo de Lourenço Marques (atual Maputo), Moçambique, onde foi batizada e vivi uma infância feliz. Ainda presentemente, inspiram-me as corridas e as aventuras de triciclo em que insistia em chocar contra as árvores e esmurrar os joelhos. As bonecas, que adorava vestir e despir, ao mesmo tempo em que da varanda do andar em que morava espreitava quem passava. O kukuana, o homem velho do saco, onde colocava as crianças que não se portavam bem e as levava com ele. A luz do dia, as cores da terra, os cheiros, a alegria das pessoas, o sol grande e vermelho. A praia com areias finas e brancas e a água do mar quente, onde caminhava com a água a bater-me nos tornozelos. As comidas, como o frango à cafrial, o chocol (especie de moussse de chocolate em lata), as gomas e os chocolates sul-africanos. O ringue de patinagem artistica, onde sonhava aprender a patinar e a dançar com tutus vestidos. O drive in onde com a minha família assistia ao ar livre, dentro do carro aos filmes do Trinitá, bebendo coca-cola e trincando pipocas. As matinés, a leveza das roupas e o pé descalço. “O casamento dos macacos”, apelidado ao tempo de sol, interrompido por uma repentina queda de chuva, onde imaginava uma idílica e pormenorizada cerimónia. A fruta sumarenta, como a manga, papaia, mamão e diversos outros sabores tropicais. O Natal, com uma grande e enfeitada árvore de Natal coberta de grandes presentes. As passagens de ano com pessoas nas varandas e carros a apitarem saudando o ano novo.
    Sim, foi uma infância feliz! A cultura daquele país africano, na altura solo Português, pulsava dentro de mim, quer no meu respirar, batimento cardiaco, ou na génese das minhas células. Eu estava em África e África estava em mim. Mal me apercebi que se instalava a guerra colonial. Até outubro de 1975 convivi com ela de perto. Metralhadoras, Frelimo estavam por toda a parte. Na escola, nos sémaforos, nos carros, na praia. Restava-me o pátio da minha casa para brincar e andar de bicicleta. Por vezes tinhamos de fugir a rusgas. Os meus pais estavam comigo, sentia-me protegida e na minha terra. Até que aconteceu o imponderável - a fuga para Portugal. Tinha sete anos. Iria continuar a escola primária, em Cerejo, na aldeia do meu pai, onde os meus avôs me acolheriam junto com o meu irmão de nove anos. Nada conhecia de Portugal. Apenas sabia que tinha lá familia, estranha para mim.
     
    Era uma tarde fria, invernosa, quando chegámos, sozinhos, amedrontados ao aeroporto da Portela, Lisboa. Os parentes esperavam ansiosos com uma fotografia na mão. Os meus pais tinham-lhe enviado previamente para ser possivel o reconhecimento. Sem os meus pais por perto, pouco mais do que isso me interessava. O meu mundo acabara de ruir. Nem as compras para uma indumentaria adequada me entusiasmavam. Kispos, botas, casacos, camisolas de gola alta, eram-me totalmente desconhecidos. Nem sabia para o que serviam. Salvou-me uma ida ao jardim-zoologico, com uma prima que também tinha fugido de Moçambique e que em boa hora foi ter connosco. Um rosto conhecido, num completo mundo desconhecido!
    No dia seguinte, a ida para a aldeia (Cerejo) começou. Chovia, nevoeiro cerrado. As curvas e contracurvas numa direção destra (em Moçambique, conduzia-se pela esquerda) assustavam-me, numa admiração ingénua de quem estava habituada a terrenos planos. Pelo caminho ia-me imaginando vestida com saia de palha, pé descalço, pilão na mão, morando numa palhota. Uma casa grande de pedra, com uma escadaria infinita e uma lareira acessa, não estava em nenhum dos meus sonhos. Era de noite e o fogo desplotou as minhas lágrimas até à exaustão. Salvou-me a brancura da neve na manhã seguinte. Os animais dos meus avôs, cães, cabritas, égua, amorteciam o choque. Os dias foram passando lentos. Depressa percebi que os valores e costumes culturais eram por demais distintos aos que estava acostumada, e por isso não os reconhecia. As idas constantes à missa, o trabalho no campo, os carros de bois, a alimentação, a lavagem da roupa na ribeira, o tricot, os cântaros de água. Uma dimensão planetária esquisita!
    Os meus avôs, e a aldeia esforçavam-se. Sentia uma certa proteção de todos e até tinha uma amiguinha, que morava do outro lado da rua. A minha professora primária ia-me buscar e levar a casa dos meus avôs e estava sempre por perto quando chorava sem parar. Uma autêntica Fada Madrinha. Os meus pais visitavam-nos quando podiam. Numa dessas desejadas visitas, surgiu a minha primeira grande alegria: o meu pai trouxera de África, o Quico, o meu cãozinho, um lindo Lulu da Pomerânia. Senti como se um bocadinho de mim se tornasse a reunir no meu coração. Foram meses mais alegres, mesmo quando o Quico se perdia e aflita o procurava. Ele era o meu elo perdido. Um dia desapareceu. Delicerado por entre as rodas de um trator, nunca mais o vi. Quisera eu ter morrido com ele... A minha avô materna também já se tinha juntado a nós em Cerejo. Depressa percebi a sua amargura e o meu mundo fechava-se cada vez mais. Volvido mais de um ano, foi a vez da minha mãe regressar de Moçambique. Ah, como aquele foi um momento feliz! Uma nuvem macia girou em meu redor, num aconchego maternal.
    Completados dois anos, o meu pai instalou-se por fim em Portugal. A minha familia estava reunida. Fomos viver para Pinhel, onde iria fazer a 4.ª classe. A procura de emprego, de casa, os contendores com alguns móveis que o meu pai conseguira trazer a ocuparem os terrenos da casa dos meus avôs, a ajuda aos refugiados e retornados convertidos em leite em pó, ovos em pó, roupa e agasalhos fervilhavam no meu cérebro. Mas agora tinha os meus pais, só que já tudo era diferente. Tornei-me uma criança triste, delicerada com paludismo, fechada, revoltada. A própria interioridade da terra condicionava limites para quem queria se expandir e ser uma alma livre. Valeu-me a frequência da escola, ingresso nos escuteiros, situações próprias da vida, que me levaram a aprender novos costumes, criar defesas e uma compreensão própria ao que me rodeava.
    Quando entrei em Gestão em Lisboa, fiquei radiante. Encantava-me ser numa cidade grande (ao estilo de Lourenço Marques que eu guardava com devoção nos meus sonhos). Quis o destino que também tivesse entrado no mesmo ano na Faculdade Pública em Aveiro, em Planeamento Regional e Urbano. Desta cidade apenas tinha ouvido falar de Sta Joana. O curso, na area de ciências, com quimica e matematica à mistura, adormecia dolorosamente as minhas entranhas. Acabei por me afastar da escrita que sempre me acompanhara. Valeu-me a paixão pela cidade. A sua morfologia aproximava-me do meu passado africano. Perto do mar, plana, destoava das restantes terras portuguesas. As noitadas, entre um pé de dança numa discoteca, jantaradas e convivio em cafés, davam-me forças para continuar a estudar, mascarando uma rebeldia envergada em vestes negras. Só a teimosia permitiu ver-me diplomada. Seguiram-se trabalhos, sem entusiamo ou cativação que me preenchesse. Professora, Agente de Desenvolvimento, Diretora de Serviços, entre estudos de Pós-Graduação em Estudos Comunitários e Europeus, foi como Planeadora numa Câmara que o trem da minha vida descarrilou. Pela mesma altura também tinha entrado no Mestrado de Estudos Africanos, na Faculdade de Letras do Porto. Para mim: mais perto da minha África! A minha saúde que sempre tinha sido frágil, não se sensibilizou com isso. Atirou-se sem para-quedas para o fim do poço, onde o meu corpo mal sobrevivia a uma alma morta. Pareceu-me lógico agarrar-me como um naufrágo às recordações de África, espalhadas como cinzas pelo Aeroporto da Portela, no dia em que regressara de Moçambique, no dia em que fora reconhecida por uma fotografia. Regressar ao passado parecia ser uma solução. Com uma mala atafolhada de medicamentos, numa leveza elefantina num aumento de peso inusitado, tornei a pisar solo moçambicano. Nos intervalos das pesquisas para a minha tese de mestrado, fazia o reencontro comigo. Descobria o mapa da cidade, gravado nas sobras do meu espectro. Reconheci lugares, pormenores, num resgate de lembranças do meu passado. Fazia a minha catarse!
    Regressada a Portugal, pela primeira vez, olhei para este que tinha sido o meu país de acolhimento com olhos de agradecimento e aceitação. As raivas esvaneciam-se, numa feitiçaria intrigante e a portuguesa que havia em mim, nascia. Mas para um renascimento completo, algo ainda faltava. Esperava que o meu recôndito âmago se revelasse... O reencontro com a escrita foi a varinha de condão. A pintura, viria mais tarde ao meu encontro, aos trambolhões sem aviso prévio. A procura espiritual agilizou o processo. Munida com estas três poderosas combinações, numa mistura curativa, mexida num caldeirão por um druida de barbas brancas compridas, tornou realidade o meu sonho de cura. Tornar-me escritora e artista plástica, numa decisão com trinta e seis anos anos, balançava entre o inesperado e o tardio. Sem dúvida, arriscada. Eu não sabia, mas tinha optado pela vida. num sonho idealista de a viver, de fazer o que gostava. E nem muros erguidos, preconceitos, medos originados pela incompreensão de uma profissão diferente com futuro incerto me deteriam... Percebia que a arte era ilimitada, ilustrada numa folha branca de papel, em fantoches que contam uma história, num palco de teatro ou numa cena de um filme. A liberdade tocou-me, o meu espirito sossegou e a alegria acolheu-me em rejubilo.
     
    Hoje eu guardo o melhor da minha infância, na minha arte, nos meus escritos (como na coleção infantil da Fadinha Lótus, símbolo da magia da minha meninice e das bonecas que tinha. O lago de nascimento da Fadinha com águas quentes e mansas num simbolismo ao Oceano Índico. Os seus amigos, animais, flores como tantos que lá havia), nas cores que uso e materiais que me transportam a Moçambique com todo o seu exotismo, tantas vezes espelhado nos saris de indianas que encontrava na rua, recriando-me para outra cultura, sentir, cheiro e comida picante.
    Hoje, acredito que tudo acontece como tem de ser. Nós não somos o passado, mas somos o que somos graças ao passado que tivemos. Ele não é importante, apenas o que fazemos com ele. As dificuldades que travamos, as batalhas que perdemos ou ganhamos, ensinam-nos algo importante para o nosso crescimento evolutivo, e para fortelecidos, encararmos novos desafios. Todas as vivências que tive não seriam as mesmas se tudo tivesse sido de outra forma. Certamente não seria a mesma pessoa. Provavelmente até nem seria artista...
                                                                                                       Cristina Maya Caetano
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     




     

     

     

     

     

    programa provisório EXPRESSÕES FEMININAS DE CIDADANIA

     (2 Outubro)

    ENCONTRO MUNDIAL DE MULHERES MIGRANTES
    “EXPRESSÕES FEMININAS DA CIDADANIA"

     Palácio das Necessidades – Largo do Rilvas
      Lisboa, 24 e 25 de Outubro

    5ª Feira – dia 24

     9,30 - Sessão de Abertura
    Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas Dr. José Cesário
    Dr.ª Maria de Jesus Barroso -  Homenagem a Maria Lamas
    Dr.ª Teresa Chaves Almeida (Vice -Presidente da CIG)

    10,15 -- 1º Painel –“Mulheres na Política – um Princípio de Paridade”

    Moderadora – Drª Maria Manuela Aguiar (Ex-Secretária de Estado das Comunidades Portuguesas)
    Introdução – Deputada à AR Maria João Ávila (EUA)
    Comunicações:
     Deputado á AR Carlos Gonçalves (França)~
    Dr.ª Andrea Fernanda Rodino (Secretária da Cultura - Argentina)
    Representative Tony Cabral (Assembleia do Estado de Massachussets -  EUA)
      Maria de Lourdes Almeida (Conselheira do CCP – Venezuela)
     Maria do Rosário Loures (Alemanha)
    Drª Maria Augusta Santos (Mulheres em  Movimento)
    Maria do Céu Campos  (Alemanha)

    11,45 - 2º Painel – "Comunidades Portuguesas. Novas Formas de Associativismo”

    Moderadora – Profª Doutora Graça Guedes ( Universidade do Porto)
    Introdução – Dr. Victor Gil (MNE - SECP)
    Comunicações:
    Deputado à AR Paulo Pisco
    Profª Doutora Manuela Marujo  (Universidade de Toronto)
    Gonçalo Nuno Perestrelo Santos (Diretor Regional das Comunidades Madeirenses - SET))
    Dr.  Carlos Teves (Diretor Regional das Comunidades - Açores)
    Dr.ª  Emmanuelle Afonso (Presidente do OLD)
    Dr. Durval Marques (Fundador da Academia do Bacalhau  de Joanesburgo - RAS)
     Mia Vieira Azar (Association des Amis du Portugal –Líbano)
     Maria do Céu Kosemund (“Marias Corações de Portugal” – Alemanha)


    15,00 – 3º Painel – “Empreendedorismo no Feminino”

    Moderadora – Drª Rita Gomes (Presidente da AEMM)
    Introdução – Drª Graça Gonçalves Pereira (MNE – Instituto Diplomático)
    Comunicações:
     Deputado à  AR, Dr. Carlos  Páscoa,
    Profª Doutora Ortelinda Barros (CEPESE - Universidade do Porto)
    Dr.ª Nassalete Miranda (Diretora do jornal !As Artes entre as Letras)
     Prof. Doutor Jorge Macaísta Malheiro (Instituto de Geografia Ordenamento Território da Universidade de Lisboa)
     Dr.ª Luísa Ribeiro  (Consultora no domínio da Educação - Inglaterra)
    Alexandra Custódio (Presidente do "Club d´affaire Portugal Business Club de la Loire" - França)

    16,30 – Pausa

    16,45 – 4º Painel – “Migrações e Migrantes - Conhecer e Sensibilizar”
    Moderadora - Dr.ª Leonor Fonseca  (Vereadora da Câmara Municipal de Espinho)
    Introdução - Profª Doutora Maria Beatriz Rocha Trindade (Universidade  Aberta de Lisboa – CEMRI)

    Comunicações: Profª Doutora Rosa Simas (Universidade dos Açores)
                              Profª Doutora Isabel Mateus (Escritora, Inglaterra)
                              Dr.ª Eugénia Costa Quaresma  (Adjunta do Diretor da  OCPM)
                              Mestre Maria Victória Pereira (Poeta e Escritora) MA Religions Studies   (UNISA)
                              Dr.ª Emmanuelle Afonso – Presidente do "Observatório dos Luso Descendentes"~

    19.00 - Exposição coletiva de pintura - "Mulheres d'Artes em Movimento"
                 Diálogo com as Artistas
     Intervenções: Lourdes Abraços (Pintora) Brasil
                           São Passos (Pintora) Moçambique
                            Constância Néry (Pintora, Poetisa)  Brasil
                            Carolina Schacht (Pintora)  Guiné
                            Ester de Sá (Pintora, Escritora) RAS
                          
                           Cidália Correia (Pintora, Poetisa)
                           Filomena Fonseca (Pintora, Poetisa)
                           Dr.ª Isabel Saraiva (Pintora, Poetisa))
                           Luísa Prior (Pintora)
                           Dr.ª Maria Manuela Mendes da Silva (Pintora)
                            (local: Fundação Pro Dignitate)

    21.30  -  20 anos de vida da AEMM
                   Dr.ª Maria Fernanda Mota Pinto - Homenagem a Fernanda Ramos

                   Lançamento das publicações
                  "Vida e Obra de Maria Archer  - Uma Portuguesa da Diáspora"
                  Revista  "Entre Portuguesas num Mundo sem Fronteiras" - Homenagem a Maria Lamas
         
                   Prof.ª Doutora Leonor Machado de Sousa
                   Mestre Olga Archer Moreira - Lampejos da imensidão africana nas artes de Maria Archer  e Isabel Archer    
                  Prof. Doutor Fernando Pádua
                  Intervenções das co-autoras da Revista
                 
                   (Local: Fundação Pro Dignitate)
                  
     6ª Feira – dia 25 de Outubro
    9.30 – 5º e 6º Painéis  - “Contributos Culturais de Expressão Feminina”

    5º Painel – Letras
    Moderadora – Profº Doutora Laura Bulger
    Introdução – Profª Doutora Ana Costa Lopes (Universidade Católica de Lisboa)
    Comunicações:
    Profª Doutora Maria Benedicta Monteiro (ISCTE)
    Profª Doutora Leonor Machado de Sousa
     Leonor Xavier (Jornalista e Escritora)
     Profª Doutora Isabel Maria Desmet (Universidade Paris 8),
    Glória de Melo (Poetisa e Escritora - EUA)

    11,00 -  Pausa

    11,30 – 6º Painel – Artes

    Moderadora – Dr.ª Manuela Bairos (MNE)
    Introdução – Profª Doutora Isabel Ponce de Leão (Universidade Fernando Pessoa)
    Comunicações:
    Mestre Aida Baptista (Escritora)
     Dr,ª Ana Maria (Pintora)
    Thais Mattarazzo (Jornalista – Brasil)
    Ana Maria Cabrera (Escritora - Argentina)
    Balbina Mendes (pintora)


    13,00 Pausa

    15,00 – 7º Painel – Narrativas de Vida, Imagens e Imaginários

    Moderadora- Profª Doutora Joana Miranda (Universidade Aberta – CEMRI)
    Introdução – Profª Doutora Ana Paula Beja Horta (Universidade Aberta - CEMRI)
    Comunicações:
    Profº Doutora Deolinda Adão (Universidade de Berkeley, State University S. Jose ,Califórnia)
    Profª Doutora Sofia Neves (ISMAI)
     Prof. Doutor Juan  Castien ( Universidade Complutense, Madrid)
     Profª Doutora Elsa Lechner (Universidade de Coimbra – CES)

    17,00 – Conclusões – Relatora Mestre Arcelina Santiago
    Sessão de Encerramento

    Maria Kosemund mensagem



    AS MULHERES E O ASSOCIAATIVISMO NA ALEMANHA
    Associacao Marias Coracoes em Portugal, um grupo muito especial.
    Maria kosemund, vivo no Sul da Alemanha, desde 1993 ,trabalhei como secretária na Firma do meu marido,  mas apos 4 meses decidi aprender e aperfeicoar o alemao foi  trabalhar  para uma clinica cerca de 11 anos , e atualmente trabalho numa biblioteca de uma escola. ..fazo parte  na aldeia aonde vivo Taunusstein  de um grupo  de pessoas de todas as nacionalidades em que se fazem intercambios culturais aprendizagem e integracao na Alemanha. dificuldades  da aprendizagem da lingua .
    Pessoalmente estou no GRupo da Marias porque quando me integrei nesta comunidade , a maioria das mulheres näo tinham nada interessante para fazerem a näo ser sentadas nos cafes á fazer renda á espera dos maridos que iam ao futebol , entrei mudei o sistema e os hábitos, comecaram-me a ver como uma intrusa  com outras ideias  que näo eram os deles, passados alguns anos ja me entendem e ajudam.
    nos como mulheres deste grupo somos preservadoras da nossa cultura mas também promotoras da integracäo e reagrupamento familiar as comunidades deixam de ser so para homens .e dirigidas pelos mesmos.
    o sonho do nosso grupo  era conseguir-mos expandir mais as Universidades Seniores ,uma cReche portuguesa na nossa comunidade . perservar a nossa língua ,unir mais as Coletividades que existem . para isso seria preciso ter mos  Padres nas nossas Missoes , para ajudar no dialogo  e a uniäo. o que näo acontece no presente tanto nas cidades de Wiesbaden como MAINZ:
    a nossa sede é na udp Mainz aonde nos reunimos para esclarecimentos de Interesse da nossa comunidade.

    quarta-feira, 2 de outubro de 2013

    ANA MARIA CABRERA Comunicação

    Regina Pacini
    puente de amor entre Portugal y Argentina
     Ana María Cabrera
    puente de unión entre Portugal y Argentina.

    Llevada por la fuerza del amor deja la tierra que la vio nacer para migrar a Buenos Aires. Es la única mujer extranjera de presidente argentino.
    Gracias a ella hoy estoy en Lisboa. Fue fascinante investigar sobre esta gran soprano portuguesa que dejó país madre y hermanos para casarse con el Dr. Marcelo T. de Alvear, presidente argentino entre los años 1922 y 1928. Fruto de la investigación histórica y la creación literaria en el año 2001 publiqué mi novela “Regina y Marcelo un duetto de amor”. En enero de este año apareció aquí la versión en portugués de este libro que tantas satisfacciones me brindó. Gracias a él conocí a la comunidad portuguesa, fui invitada a todas las celebraciones patrias en la Embajada y por sobre todo a la asociación de Mulheres Migrantes que preside Natalia Correia.
    Regina Isabel Luisa Pacini nació en Lisboa el 6 de enero de 1871. Su padre, Pietro Pacini, de origen italiano, era barítono y llegó a ser director del Real Teatro de San Carlos. Su madre, Felicia Quintero, era andaluza. Se casaron en Portugal donde formaron una gran familia.
    Cuentan que desde muy pequeña Regina acompañaba a su padre al Teatro. ¡Cuánto soñé llegar a conocerlo! Quiero compartir un fragmento de mi obra que remeda los comienzos de esta gran cantante: “Pai e filha entraram. Os primeiros compassos da ópera “A Sonàmbula, de Bellini irromperam pela sala. O corpo de Regina estremeceu. Continuava em pé presa ao encantamento da música. Os olhos desmesuradamente abertos, a boca prestes a deixar escapar um som. Naô perdía um movimiento da intérprete que ensaiava em palco. Por fim, ouviu-se o último acorde da ópera. A pequeña estaba imóvel. Os cantores foram saindo. O silêncio era total, apenas se ouvia o som do
    cenário que començava a ser desmontado. O teatro ficou vazio. Regina tremía de ansiedade por subir ao palco. Foi nesse momento que se sobressaltou….…Caminhou lentamente. Subiu um a um os degraus. Ao chegar, um halo mágico envolveu-a. …O coraçon de Regina batia acelerado. A criança ria e chorava ao mesmo tempo. Sem saber como nem porquê, començo a cantar. (página 11, “Regina e Marcelo um dueto de Amor” . Oficina do Livro. 2013).
    Cuando Regina tenía once años falleció su padre. El artista dejó a su familia una vida de sueños pero con escasos recursos económicos. Su madre, Felicia Quintero, fue quien consiguió que su hija tomara clases gratuitas de canto con el maestro Napoleón Vilani. Regina poseía una voz privilegiada y pronto comenzó una exitosa carrera como soprano ligera. Fue aclamada por la crítica y el público de los más famosos teatros de Europa.
    Siendo una famosa cantante viajó a Sudamérica. Debutó en el Teatro “Solís” de Montevideo, Uruguay. El 1 de septiembre de 1899 Regina cantó en el teatro Politeama de Buenos Aires.
    “…..quando a cortina subiu ficou tudo em silêncio. A música era o prelúdio da entrada dos cantores. Os primmeiros acordes de Lucia di Lammermoor, de Donizetti, iluminaram a sala. Regina Pacini surgia envolvida por arpejos celestiais. A sua voz esvoaçava nos ouvidos de Alvear. Estremeceu. Nunca tinha experimentado uma sensaçâo como aquela……
    ….A sua voz era uma melodía cristalina que insistia em acariciá-lo. Nesse momento, aquele homem percebeu que ela era a mulher da sua vida…..”(página 32. “Regina e Marcelo um dueto de amor”).
    Nunca imaginó que ese viaje cambiaría su vida. Marcelo T. de Alvear, uno de los solteros más codiciados, estuvo la noche del estreno.
    Fascinado con la voz de la mujer Alvear la siguió por los más importantes teatros del mundo, colmándola de flores y requerimientos amorosos.
     Durante ocho años Regina siguió recibiendo las infaltables rosas rojas y blancas con una tarjeta que decía: “Marcelo T. de Alvear, todavía”. La sociedad argentina no admitía la unión de un aristócrata con una artista.  Pero Marcelo desafió los prejuicios de la época para casarse con Regina en Lisboa, el 29 de abril de 1907. Desde ese día la mujer cantó solamente para su amor o en alguna ocasional reunión íntima. “Por fim chegou o grande dia, A 29 de abril de 1907 Regina Pacini e
    Marcelo T. de Alvear casaram. A cerimónia teve lugar em Lisboa, na Igreja de Nossa Senhora da Encarnaçâo……
    ….Depois da festa íntima o casal foi-se embora para desfrutar da sua lua de mel. Foram para o Monte Estoril, onde passaram a noite no Hotel Royal”.(páginas 44-45-“Regina e Marcelo um dueto de Amor”).
     Cuando Alvear llegó a la presidencia de la Nación, en 1922, Regina Pacini pasó a ser la Primera Dama del Siglo XX y la única extranjera. Durante la gestión de su esposo Regina comenzó a trabajar en un magnífico proyecto: la Casa del Teatro. Conocedora de la sensible alma de los artistas, la cantante tuvo la idea de crear una casa que fuera refugio de la vejez, muchas veces signada por el desamparo. Hoy esa casa cobija a casi cincuenta pensionados, que son historia viva de la
    escena nacional.
     En 1924 el entonces presidente de la República Argentina, Marcelo T. de Alvear, fue quien fundó “Villa Regina” en la provincia de Río Negro. La bautizó Regina en honor a su esposa.
    En el año 1928 concluía el mandato presidencial del Dr. Marcelo T. de Alvear. Antes en la Casa de Gobierno disfrutaron del bel canto. “A Casa Rosada preparava-se para uma verdadeira festa musical. Lauri Volpi foi convidado pelo presidente para cantar La Bohème, ia ser acompanhado pela primeira-dama no il duetto da ópera…. .A beleza da voz da sua Regina ficou para sempre na memoria das
    paredes da Casa Rosada.” (página 94.”Regina e Marcelo um dueto de Amor).

     Regina Pacini fue protagonista de un largo e intenso amor. De la mano de su esposo esta generosa mujer portuguesa soportó en silencio la indiferencia de la sociedad argentina respondiéndonos con el regalo de grandes obras culturales: la Casa del Teatro, refugio de la vejez de los artistas y Radio Municipal para que todo el pueblo pueda escuchar el bel canto desde su hogar.
    Esta gran mujer portuguesa murió en Buenos Aires el 18 de septiembre de 1965 a los noventa y cuatro años.
    La belleza del Arte eleva el espíritu. Hoy la necesitamos más que nunca. Portugal y Argentina dos países que hoy se dan la mano a través de esta emblemática mujer: la inolvidable Regina Pacini.

    MMENSAGEM DE MARIA DO CÉU CUNHA REGO

    Na celebração dos 20 anos da “Mulher Migrante - Associação de Estudo,
    Cooperação e Solidariedade”
    Maria do Céu da Cunha Rêgo
    Felicito a Associação e todos os seus Corpos Sociais desde a fundação pelo trabalho
    inovador e persistente na visibilidade e no encorajamento das realizações das mulheres de
    origem portuguesa no estrangeiro e de origem estrangeira em Portugal.
    A Associação soube reunir condições para desocultar a palavra e a obra de muitas
    dessas mulheres, ajudar a projectá-las além dos círculos mais restritos em que muitas se
    moviam, criar espaços de debate e de acção, melhorar o seu reconhecimento, reforçar a
    sua capacidade de participação na vida pública. A Associação juntou-as, misturou-as,
    indo além das idades, dos níveis de escolaridade, das profissões, dos Países de residência
    ou de origem, das pertenças sociais e culturais. A Associação entusiasmou-as para novas
    realizações, valorizou-lhes o protagonismo individual e colectivo, tornou evidente a sua
    indispensabilidade.
    A Associação está de parabéns e merece gratidão pelo contributo que tem dado não só
    para o reforço da auto-estima das mulheres migrantes onde quer que se encontrem - e
    assim para um exercício cada vez mais consciente da sua cidadania -, mas também para
    o conhecimento e a divulgação da enorme riqueza que acrescentam ao património da
    humanidade.