terça-feira, 24 de setembro de 2013
A LIga da Mulher e as UNIVERSIDADES SENIORES na RAS
A Profª Manuela da Rosa é fundadora da Liga da Mulher Portuguesa na Africa do Sul.
Foi a primeira mulher eleita para o CCP na RAS.
Exemplo de capacidade e intervenção cívica, tem dado sempre uma grande colaboração à AMM.
A ideia das Universidades Seniores surgiu no "Encontro para a Cidadania" de Joanesburgo, em 2008
(uma proposta da Profª Doutora Graça Guedes, que aí deu o exemplo da U S de Espinho).
No Encontro organizado pela AEMM em 2009, Manuela da Rosa falou da preparação dessa nova vertente de actividade. Hoje sabemos como ao longo dos últimos anos tem resultado. Parabéns à Liga, e Manuela da Rosa.
Nas suas próprias palavras:
"A Liga da Mulher Portuguesa na Africa do Sul e uma organização de caracter Social e cultural,
fundada em Dezembro de 1988, para ir ao encontro das mulheres emigrantes Portuguesas
residentes neste Pais - em defesa dos seus direitos, da sua integração social no pais de acolhimento
do seu enriquecimento cultural em todos os aspectos, tanto no geral, como conhecimentos na
cultura portuguesa, língua, costumes, tradições, que para muitas estavam esquecidas, ou eram
mesmo ignoradas, visto terem vindo para a Africa do Sul com tenra idade ou mesmo terem nascido
neste Pais, com fracas classificações académicas.
A mulher portuguesa com um coração cheio de amor a sua família, estava isolada, com muito pouco
contacto social e com a língua portuguesa.
Esta organização atenta a esse isolamento, tentou dar a mulher o estatuto que ela merecia,
tornando-a mais confiante, mais esclarecida e orgulhosa das suas origens, através de conhecimentos
da sua Historia de Portugal, dos seus escritores e poetas, enfim de tudo aquilo que nos orgulha de
sermos Portugueses e de pertencermos a um Pais de grandes heróis que foram os nossos
Ao longo dos anos muito se tem lutado pelo desenvolvimento social e cultural da comunidade
Portuguesa aqui residente. A nossa luta continua pois as premissas em que foi fundada a Liga tinha
um grande caminho a percorrer. Lutamos sempre pela a aproximação e colaboração entre a Liga da
Mulher Portuguesa e outras organizações de mulheres deste Pais.
Estivemos presentes na grande manifestação feminina, realizada no Sweto, Joanesburgo, antes da
eleição democrática do Dr. Mandela, onde de mãos dadas, com todas as comunidades deste Pais,
pedimos a unidade, a paz, o amor, a compreensão e a amizade entre todas as raças! Foi a maior
manifestação publica realizada ate essa data por mulheres na Africa do Sul.
Tivemos vários encontros nos dias da Herança Nacional ( Heritage Day ) 24 de Setembro em Pretoria, onde abraçamos as tradições e culturas locais, num intercambio de culturas, mostrando as nossas heranças através do folclore, da culinária tradicional, dos nossos escritores e poetas.
Publicamos ao longo dos anos revistas onde divulgamos as nossas actividades realizadas, a fim de
poderem chegar a outras áreas neste Pais.
A Liga da Mulher Portuguesa esta atenta aos problemas que afligem as comunidades Sul Africanas e
organização eventos nesse sentido. Em Joanesburgo, Durban, Capetown e Pretoria foram feitas
Festas para angariação de fundos para a ASSOCIAÇÃO DO CANCRO, que nos mereceu um diploma de honra pelo trabalho e dedicação a essa causa.
A Liga organiza regularmente eventos culturais e sociais e angariação de fundos a favor de varias
instituições e lares da 3ª. Idade independentemente de serem ou não Portugueses.
No passado dia 23 de outubro realizou-se uma passagem de Modelos para ajuda dum Lar Sul
Africano em precárias condições financeiras.
Com o projecto da UNIVERSIDADE SÉNIOR iniciado há cerca de 3 anos, tornámo-nos mais abrangentes e temos dado oportunidades únicas a comunidade Portuguesa sejam homens ou mulheres com cursos de Informática, Português, Francês, Inglês ,Pinturas, Culinária, Canto Coral, Costura, Visitas de Estudo e a criação do Clube do Livro. Anualmente fazemos entrega de certificados de
Aproveitamento dos Cursos frequentados, evento esse onde tomam parte alunos, Professores e
familiares e entidades oficiais, onde e sempre apresentado um tema muito actual, como seja Acordo
Ortográfico Luso Brasileiro, síntese da Literatura portuguesa desde os primórdios até à actualidade e
outros temas de muito relevo sobre saúde, psicologia de preparação e aceitação da 3ª. Idade e
Realizamos congressos nas diferentes cidades onde há filiais da Liga, como em Joanesburgo,
Pretoria, Cabo, Durban, com diversificadas conferencias e exposições, ligadas à Saúde, a Educação , à Cultura Portuguesa, com lições de culinária e artes manuais e actividades de caracter Social
.
Vice Presidente do Executivo nacional da LIGA DA MULHER PORTUGUESA
domingo, 22 de setembro de 2013
Nota para a imprensa - Dr.ª Custódia Domingues
A Associação de Estudo,
Cooperação e Solidariedade – Mulher Migrante organiza, nos próximos dias 24 e
25 de Outubro, em Lisboa, o Encontro Mundial de Mulheres Migrantes, sob o tema
“Expressões Femininas da Cidadania”.
José Cesário -
Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas estará na abertura do Encontro
juntamente com Maria Barroso e Manuela Aguiar assim como outras personalidades
que participarão nos trabalhos que decorrerão no Palácio das Necessidades. Um
leque alargado de participantes nacionais e internacionais – com destaque para
representantes das áreas políticas, académicas, empresariais e culturais – que
vão debater o momento presente e perspectivas futuras da participação cívica
das mulheres que integram comunidades estrangeiras nos países onde se encontram
radicadas.
A participação política, as novas realidades das
migrações, o associativismo, o empreendedorismo e a criação cultural no
universo migrante serão alguns dos muitos temas em destaque pelos
participantes, oriundos de mais de dezena e meia de países. De destacar a
presença de representantes de várias comunidades portuguesas espalhadas pelo
Mundo, bem como de países de expressão portuguesa assim como uma homenagem a
duas mulheres notáveis, escritoras, que merecem ser recordadas pela sociedade
portuguesa: Maria Lamas e Maria Archer.
segunda-feira, 16 de setembro de 2013
LISTA DE PARTICIPANTES
SECP
Maria Manuela BairosAna Ferreira
FUNDAÇÃO PRO DIGNITATE
Maria Barroso
AR
AR
Deputado à AR Carlos Gonçalves (França)
Deputado à AR Carlos Páscoa (Brasil)
Deputada à AR Maria de Belém Roseira - a confirmar
Deputada à AR Maria João Ávila (EUA
Deputado à AR Paulo Pisco (Bélgica)
Deputado à AR Paulo Pisco (Bélgica)
Aida Batista (Canadá)
Ana Costa LopesAna Maria Cabrera ( Argentina)
Ana Narciso a conf
Ana Paula Beja Horta
Ana Paula Barros
Arcelina Santiago (Macau)
António Pacheco
Bento Coelho
Carolina Schacht ( Guiné)
Carlos Correia
Carlos Luíz (ex - deputado da emigração)
Celeste Barreira
Celeste Correia (Cabo Verde)
Cidália Correia
Constança Nery ( Brasil)
A J Christellos (MNE)
Cristina Mayo Caetano (Angola) a conf
Cristina Viveiro
Custódia Domingues (França)
Custódio Portásio - Lux
Deolinda Adão (EUA)Dina Botelho -
Durval Marques ( Áf. do Sul)
E. Madureira
Eduarda Aguiar da Fonseca
Elsa Lechner
Elsa Noronha ( Moçambique )
Elvira Mendonça
Elvira Oliveira Brandão - a conf
Emmanuelle Afonso ( França)
Ester de Sá ( RAS)
Eugénia Quaresma (OCPM)
Fátima Figueiredo
Fernando Figueiredo
Fernando Pádua
Filipa Menezes
Filomena Fonseca
Gonçalo Nuno dos Santos ( Madeira)
Glória de Melo (EUA)
Graça Gonçalves Pereira (MNE)
Graça Guedes
Isabel Cardoso
Isabel Lopes da Silva (Cabo Verde)
Isabel Maria Desmet (França)
Isabel Mateus ( Inglaterra)
Isabel Ponce de Leão
Isabel Saraiva
Joana Miranda
Jorge Macaista Malheiro
José Mota
Juan Castien (Espanha)Katherine Vaz ( EUA) a conf
Laura Bulger
Leonor Fonseca
Leonor Gil (França) a conf
Leonor Machado de Sousa a conf
Leonor Xavier
Lourdes Abraços ( Brasil )
Luísa Desmet
Luísa Prior
Luiza Ribeiro (Inglaterra)
Luiza Vilela (Zimbabwe) a conf
Luz Morais - a conf
Madalena Cosme Hilma Mansilha a conf
Mafalda Durão Ferreira a conf
Margarida Marques a conf
Manuela Diniz ( RAS) a conf
Manuela Malheiro a conf
Manuela Marujo (Canadá)
Manuela Mendes da Silva
Margarida Serra e Moura a conf
Margarida Pequeno a conf
Maria Augusta SantosMaria Beatriz Rocha Trindade
Maria Benedita Monteiro
Maria do Céu Campos (Alemanha)
Maria do Céu Kosemund ( Alemanha)
Maria José Vieira?
Maria de Lourdes Almeida ( Venezuela)
Maria Lúcia Bandeira (França) a conf
Maria Luísa Pinto?
Maria Manuela Aguiar
Maria do Rosário Loures ( Alemanha)Maria Teresa Menezes
Maria Teresa Costa Macedo a conf
Mia Vieira Azar (Líbano)
Nassalete Miranda
Nelma Patela a conf
Olga Archer Moreira
Ortelinda Barros
Representante da Academia da Espetada de Maracay ( Venezuela) a conf
Rui Dias Costa
Rita Gomes
Rosa Campizes a conf
Rosa Simas (Açores)
São Passos ( Moçanbique)
Sarolta Lazlo (Suiça) a conf
Sofia Neves Susana Carvalho
Thais Matarazzo (Brasil )
Tony Cabral (EUA)
Vanessa Rodrigues a confVictor Gil
Victória Pereira (RAS)
Virgínia Estorninho
CV MARIA DO ROSÁRIO LOURES
Escritora/Poetisa e correspondente do jornal Portugal Post
Data de nascimento: 27 de Outubro de 1959
Natural de: Odemira, Portugal
Estado Civil: Casada
C u r r i c u l u m V i t a e
Formação: 1977/1981
Instituto Superior de Línguas e Administração / Escola Superior de Tradutores e Intérpretes
(Inglês e Alemão)
Experiência Profissional:
1982/1984 - Cádila, Lda., Indústria de Calçado, Secretária de administração
1984/1986 - Nordeste Tours, Técnica de Turismo
1986 - Ivo Tours - Operador Internacional de Viagens, Lda., Técnica de Turismo
1993/1997 - Rechstanwälte Gisela Ophoff & Herman Gimpl, Secretária e Intérprete
1997 - Concord Reisen GmbH, Chefe do departamento de reclamações
1999/2003 - Plärrer Resien GmbH, Chefe do departamento de reclamações
2003/2007 - Hotel am Park, Assistente da direção e rececionista
2007 - Art & Business Hotel, Assistente da direção e rececionista
Experiência Político-social
1987/1991 - IAD, Iniciativa Estrangeiros e Alemães
1987 - Entrada para o partido “Die Grünen” (os Verdes), com participação no grupo de
3-8/3/1991 - Participação no Congresso Internacional de Mulheres, em Nuremberga;
trabalho “Emigrantes”e no grupo de trabalho “Mulheres” sendo sua
coordenadora no ano 1991
temática: viver a reconcialiação, estratégias contra a opressão, contra a guerra
e contra o armamento
1991/1992 - Secretária da Direcção da Associação Portuguesa de Nuremberga
1992/1993 - Presidente da Associação Portuguesa de Nuremberga
1995 - Acolhimento de uma família da Bosnia e seu apoio
1996 - Candidata a vereadora, pelo partido “Die Grünen”, à Camara de Nuremberga
2002 - Saída do partido “Die Grünen” /Os Verdes, por este partido ter assinado a
2002 - Candidata a vereadora, pelo partido “Die Grünen”, à Camara de Nuremberga
guerra no Afganistão
Nota: uma vez que a publicidade eleitoral já estava terminada, e o meu nome e retrato se encontrava
publicado foi-me pedido para eu me manter como candidata, a fim de evitar mais tão elevados custos
Publicações
1998 - Livro de poemas “Atlantikblau und Olivengrün”, Dr. Bachmeier Verlag, Munique/Alemanha
1999 - Antologia „Pegnitzrauschen“, Fahner Verlag, Lauf an der Pegnitz/Alemanha
2000 - Antologia „Pegnitzrauschen zweite Welle“, Fahner Verlag, Lauf an der Pegnitz/Alemanha
2010 - Livro de poemas bilingue, português e alemão “Do atlântico azul ao verde das
oliveiras/Atlantikblau und Olivengrün”, edium editores, Porto/Portugal
2010 - “Um sumário da minha vida no século passado”, edium editores, Porto/Portugal
2011 - Antologia de poesia “Entre o sonho e a realidade”, volume III, Chiado Editora, Lisboa/Portugal
2012 - II Antologia Temas Originais, Temas Originais, Lisboa /Portugal
2012 - UniVersus 1ª Antologia, editora UniVersus, Lisboa/Portugal
2012 - Antologia de poesia “Entre o sono e o sonho”, volume IV, Chiado Editora, Lisboa/Portugal
Nuremberga, 10.09.2013
Maria do Rosário Nobre Guerreiro Loures
Data de nascimento: 27 de Outubro de 1959
Natural de: Odemira, Portugal
Estado Civil: Casada
C u r r i c u l u m V i t a e
Formação: 1977/1981
Instituto Superior de Línguas e Administração / Escola Superior de Tradutores e Intérpretes
(Inglês e Alemão)
Experiência Profissional:
1982/1984 - Cádila, Lda., Indústria de Calçado, Secretária de administração
1984/1986 - Nordeste Tours, Técnica de Turismo
1986 - Ivo Tours - Operador Internacional de Viagens, Lda., Técnica de Turismo
1993/1997 - Rechstanwälte Gisela Ophoff & Herman Gimpl, Secretária e Intérprete
1997 - Concord Reisen GmbH, Chefe do departamento de reclamações
1999/2003 - Plärrer Resien GmbH, Chefe do departamento de reclamações
2003/2007 - Hotel am Park, Assistente da direção e rececionista
2007 - Art & Business Hotel, Assistente da direção e rececionista
Experiência Político-social
1987/1991 - IAD, Iniciativa Estrangeiros e Alemães
1987 - Entrada para o partido “Die Grünen” (os Verdes), com participação no grupo de
3-8/3/1991 - Participação no Congresso Internacional de Mulheres, em Nuremberga;
trabalho “Emigrantes”e no grupo de trabalho “Mulheres” sendo sua
coordenadora no ano 1991
temática: viver a reconcialiação, estratégias contra a opressão, contra a guerra
e contra o armamento
1991/1992 - Secretária da Direcção da Associação Portuguesa de Nuremberga
1992/1993 - Presidente da Associação Portuguesa de Nuremberga
1995 - Acolhimento de uma família da Bosnia e seu apoio
1996 - Candidata a vereadora, pelo partido “Die Grünen”, à Camara de Nuremberga
2002 - Saída do partido “Die Grünen” /Os Verdes, por este partido ter assinado a
2002 - Candidata a vereadora, pelo partido “Die Grünen”, à Camara de Nuremberga
guerra no Afganistão
Nota: uma vez que a publicidade eleitoral já estava terminada, e o meu nome e retrato se encontrava
publicado foi-me pedido para eu me manter como candidata, a fim de evitar mais tão elevados custos
Publicações
1998 - Livro de poemas “Atlantikblau und Olivengrün”, Dr. Bachmeier Verlag, Munique/Alemanha
1999 - Antologia „Pegnitzrauschen“, Fahner Verlag, Lauf an der Pegnitz/Alemanha
2000 - Antologia „Pegnitzrauschen zweite Welle“, Fahner Verlag, Lauf an der Pegnitz/Alemanha
2010 - Livro de poemas bilingue, português e alemão “Do atlântico azul ao verde das
oliveiras/Atlantikblau und Olivengrün”, edium editores, Porto/Portugal
2010 - “Um sumário da minha vida no século passado”, edium editores, Porto/Portugal
2011 - Antologia de poesia “Entre o sonho e a realidade”, volume III, Chiado Editora, Lisboa/Portugal
2012 - II Antologia Temas Originais, Temas Originais, Lisboa /Portugal
2012 - UniVersus 1ª Antologia, editora UniVersus, Lisboa/Portugal
2012 - Antologia de poesia “Entre o sono e o sonho”, volume IV, Chiado Editora, Lisboa/Portugal
Nuremberga, 10.09.2013
Maria do Rosário Nobre Guerreiro Loures
sexta-feira, 6 de setembro de 2013
ISABEL DESMET síntese da comunicação
Encontro Internacional – Mulheres Migrantes – Lisboa – 24 e 25 de Outubro de 2013
Expressões Femininas da Cidadania
Painel: Letras
Título da intervenção: Língua, Cultura e Identidade Portuguesa no Ensino Superior em França:
Factos e Expectativas
Isabel Desmet
Universidade de Paris 8
Língua é veículo de cultura. Língua e cultura são veículos de identidade linguística e cultural. A
Língua e a cultura manifestam-se em todos os tipos de textos e de discursos – escritos e orais
– coloquiais, literários, económicos, políticos e jurídicos, mas também científicos, técnicos e
tecnológicos – do mais especializado ao mais banalizado.
É sabido que uma língua evolui ao ritmo dos avanços técnicos, tecnológicos e científicos da
comunidade linguística que dela se serve (integrando anualmente uma média de 2000 a 4000
neologismos – de forma, de conteúdo e empréstimos), e a língua portuguesa, na sua versão
europeia, disso não é exceção.
Por processos variados de divulgação e banalização, os neologismos científicos, tecnológicos e
técnicos integram rapidamente a expressão linguística do cidadão comum, nomeadamente nas
zonas urbanas, alterando pois progressivamente a “feição” da língua e a própria identidade
cultural de um país, expressando e veiculando uma imagem de cientificidade e modernidade,
fugindo simultaneamente a uma imagem de tradicionalidade e de ruralidade.
Hoje em dia, após décadas de movimentos migratórios de Portugal para França e de flutuações
diversas nas imagens recíprocas entre estes dois países, quais são as necessidades atuais dos
discentes do ensino superior em França lusodescendentes, que frequentam os departamentos
de estudos dos países de língua portuguesa? Que imagem têm eles da língua, da cultura e
da identidade portuguesa? Como podem acompanhar as evoluções na língua e na expressão
linguística da cultura portuguesa, incluindo nesta a cultura científica, técnica, tecnológica,
artística e, evidentemente, literária? Quais são as suas expectativas? São estas as questões que
nesta intervenção pretendemos equacionar e, tanto quanto possível, dar-lhes respostas.
Isabel Maria Desmet
Breve nota curricular
Isabel Maria da Silva Franco Desmet, natural de Carcavelos-Cascais (Portugal), é Professora
Agregada em Ciências da Linguagem pela Universidade Paris 7-Denis-Diderot, Doutorada
em Ciências da Linguagem pela Universidade Paris 13 – Villetaneuse, Mestre em Ciências da
Linguagem pela mesma Universidade e Mestre em Linguística pela Universidade Nova de
Lisboa – FCSH.
Licenciada em Línguas e literaturas modernas (variante de estudos portugueses e franceses)
pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, em 1988,
obteve igualmente o diploma de formação educacional na mesma área, compreendendo
estágio integrado, pela mesma Universidade, em 1990. Também realizou Mestrado em
linguística, na área da lexicologia e lexicografia, na mesma universidade, em 1993.
Começou a sua carreira académica em Paris, em 1991, lecionando língua e linguística
portuguesa no Departamento de estudos dos países de língua portuguesa da Universidade
de Paris 8, em Saint-Denis. Em 1991, defendeu a sua tese de mestrado em ciências da
linguagem em França, na Universidade de Paris 13-Villetaneuse. Paralelamente, trabalhou
como investigadora em ciências da linguagem num laboratório do Instituto Nacional da
Língua Francesa do Centro Nacional de Investigação Científica francês (CNRS) – no Centro
de Terminologia e Neologia (C.T.N.), de 1991 a 1994. Também lecionou língua e linguística
portuguesa no Departamento de estudos ibéricos da Universidade da Sorbonne, entre 1993 e
1996.
Em 1996, obteve o grau de doutora em ciências da linguagem pela Universidade de Paris 13-
Villetaneuse, com uma tese intitulada Para uma abordagem terminológica das ciências sociais
e humanas. As ciências sociais e humanas do trabalho em português e francês. Nesse mesmo
ano, foi nomeada Professora auxiliar (Maître de Conférences auxiliaire) no Departamento de
estudos dos países de língua portuguesa da Universidade de Paris 8. Em 1998, foi nomeada
Professora associada de nomeação definitiva (Maître de Conférences titulaire) no mesmo
departamento, da mesma universidade.
Em 2005, defendeu a agregação em ciências da linguagem na Universidade de Paris 7-DenisDiderot, tendo sido qualificada para as funções de Professora Catedrática (Professeur des
Universités) pelo Conselho Nacional das Universidades Francês, em ciências da linguagem (7º
secção) e em estudos românicos na área do português e do francês (14ª secção), sendo assim
duplamente qualificada para as funções de Professora Catedrática.
Atualmente, tem o grau de Professora associada de nomeação definitiva com a agregação
(Maître de Conférences Habilitée à Diriger des Recherches), na Universidade de Paris 8 –
Vincennes-Saint-Denis. É membro titular do Laboratório de Estudos Românicos (LER) da
Universidade de Paris 8 (ver site do LER – Universidade Paris 8).
A partir de 1996, assumiu numerosas responsabilidades pedagógicas, científicas e
administrativas na sua universidade, entre as quais se destacam a criação do curso de
Licenciatura de Línguas estrangeiras aplicadas para o português, bem como a criação
do Mestrado de tradução especializada e do Mestrado de ciências da linguagem para
o português, no âmbito dos quais orientou várias teses de mestrado e, desde 2005, de
doutoramento.
Entre os diferentes cargos académicos exercidos, saliente-se os seguintes:
- Membro da Direção da Faculdade de Língua e Culturas Estrangeiras e Línguas
Estrangeiras Aplicadas da Universidade de Paris 8 – Saint-Denis (classificada como
Universidade-Mundo) – (2002-2006).
- Fundadora e Diretora do Centro de recursos e investigação em tecnologias de
aprendizagem das línguas (CERTAL) da Faculdade de Línguas e Culturas Estrangeiras e Línguas
Estrangeiras Aplicadas da Universidade de Paris 8 (Centre de ressources et de recherche en
technologies d’apprentissage des langues de l’UFR 5 : LLCE et LEA – Université Paris 8 (2002-
2006);
- Membro eleito da Assembleia das Relações e Cooperação Internacional junto da
Presidência da Universidade de Paris 8 (2009-2011);
- Membro de Direito do Conselho de Direção do Laboratório de Estudos Românicos da
Universidade de Paris 8 (desde 2008);
- Membro principal da equipa de investigação 4385 – linguística das línguas românicas
da Universidade de Paris 8 (desde 1998);
- Membro associado da equipa de investigação LAPS (linguística, psicolinguística,
sociolinguística) da Universidade de Paris 8 (desde 2003);
Foi também Membro do Conselho Pedagógico da Universidade de Paris 8.
Entre 1996 e 2005, colaborou ativamente com o departamento de ciências da linguagem
da Universidade de Paris 8, na área do Mestrado de Língua dos Signos Francesa, formando
formadores da linguagem dos signos para pessoas com deficiências de fala e auditivas,
nomeadamente com um seminário de psicolinguística e aquisição do léxico nas línguas
românicas e de morfologia e criatividade lexical.
É autora de cerca de oitenta artigos científicos, obras coletivas e dicionários, nas suas áreas
prediletas de investigação: lexicologia, lexicografia e dicionarística; terminologia, terminografia
e linguística de corpus; morfologia, semântica e criatividade lexical; processamento
automático de corpora; fraseologia de especialidade; pragmática das línguas de especialidade;
tradutologia e tradução de especialidade.
Atualmente em Portugal, desde Janeiro de 2012, é Professora convidada com o estatuto de
Professora Catedrática (Professor Coordenador Principal), na Escola Superior de Saúde do
Alcoitão (ESSA) – SCML- Lisboa, estando ligada ao Departamento de Terapia da Fala desta
instituição, lecionando unidades curriculares na área das ciências da linguagem.
A partir de 29 de Março de 2012, assumiu também as funções de Vogal da Direção (Diretora
Executiva) do Centro de Investigação Científica e Aplicada (CICA) da SCML de Lisboa, tendo
sido convidada para fundar este Centro de investigação.
Enquanto docente e investigadora na ESSA e enquanto membro da Direção do CICA (Portugal),
conjuntamente com os outros membros da Direção, tem desenvolvido atividades ligadas
à fundação deste centro de investigação ao longo de 2012, bem como à coordenação da
investigação e à investigação propriamente dita (ver site da SCML de Lisboa – áreas de
intervenção – Centro de Investigação Científica e Aplicada (CICA).
Neste contexto, é coordenadora do grupo de investigação “Linguagem e comunicação”, no
âmbito da qual é Investigadora Responsável de três projetos já em curso.
Expressões Femininas da Cidadania
Painel: Letras
Título da intervenção: Língua, Cultura e Identidade Portuguesa no Ensino Superior em França:
Factos e Expectativas
Isabel Desmet
Universidade de Paris 8
Língua é veículo de cultura. Língua e cultura são veículos de identidade linguística e cultural. A
Língua e a cultura manifestam-se em todos os tipos de textos e de discursos – escritos e orais
– coloquiais, literários, económicos, políticos e jurídicos, mas também científicos, técnicos e
tecnológicos – do mais especializado ao mais banalizado.
É sabido que uma língua evolui ao ritmo dos avanços técnicos, tecnológicos e científicos da
comunidade linguística que dela se serve (integrando anualmente uma média de 2000 a 4000
neologismos – de forma, de conteúdo e empréstimos), e a língua portuguesa, na sua versão
europeia, disso não é exceção.
Por processos variados de divulgação e banalização, os neologismos científicos, tecnológicos e
técnicos integram rapidamente a expressão linguística do cidadão comum, nomeadamente nas
zonas urbanas, alterando pois progressivamente a “feição” da língua e a própria identidade
cultural de um país, expressando e veiculando uma imagem de cientificidade e modernidade,
fugindo simultaneamente a uma imagem de tradicionalidade e de ruralidade.
Hoje em dia, após décadas de movimentos migratórios de Portugal para França e de flutuações
diversas nas imagens recíprocas entre estes dois países, quais são as necessidades atuais dos
discentes do ensino superior em França lusodescendentes, que frequentam os departamentos
de estudos dos países de língua portuguesa? Que imagem têm eles da língua, da cultura e
da identidade portuguesa? Como podem acompanhar as evoluções na língua e na expressão
linguística da cultura portuguesa, incluindo nesta a cultura científica, técnica, tecnológica,
artística e, evidentemente, literária? Quais são as suas expectativas? São estas as questões que
nesta intervenção pretendemos equacionar e, tanto quanto possível, dar-lhes respostas.
Isabel Maria Desmet
Breve nota curricular
Isabel Maria da Silva Franco Desmet, natural de Carcavelos-Cascais (Portugal), é Professora
Agregada em Ciências da Linguagem pela Universidade Paris 7-Denis-Diderot, Doutorada
em Ciências da Linguagem pela Universidade Paris 13 – Villetaneuse, Mestre em Ciências da
Linguagem pela mesma Universidade e Mestre em Linguística pela Universidade Nova de
Lisboa – FCSH.
Licenciada em Línguas e literaturas modernas (variante de estudos portugueses e franceses)
pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, em 1988,
obteve igualmente o diploma de formação educacional na mesma área, compreendendo
estágio integrado, pela mesma Universidade, em 1990. Também realizou Mestrado em
linguística, na área da lexicologia e lexicografia, na mesma universidade, em 1993.
Começou a sua carreira académica em Paris, em 1991, lecionando língua e linguística
portuguesa no Departamento de estudos dos países de língua portuguesa da Universidade
de Paris 8, em Saint-Denis. Em 1991, defendeu a sua tese de mestrado em ciências da
linguagem em França, na Universidade de Paris 13-Villetaneuse. Paralelamente, trabalhou
como investigadora em ciências da linguagem num laboratório do Instituto Nacional da
Língua Francesa do Centro Nacional de Investigação Científica francês (CNRS) – no Centro
de Terminologia e Neologia (C.T.N.), de 1991 a 1994. Também lecionou língua e linguística
portuguesa no Departamento de estudos ibéricos da Universidade da Sorbonne, entre 1993 e
1996.
Em 1996, obteve o grau de doutora em ciências da linguagem pela Universidade de Paris 13-
Villetaneuse, com uma tese intitulada Para uma abordagem terminológica das ciências sociais
e humanas. As ciências sociais e humanas do trabalho em português e francês. Nesse mesmo
ano, foi nomeada Professora auxiliar (Maître de Conférences auxiliaire) no Departamento de
estudos dos países de língua portuguesa da Universidade de Paris 8. Em 1998, foi nomeada
Professora associada de nomeação definitiva (Maître de Conférences titulaire) no mesmo
departamento, da mesma universidade.
Em 2005, defendeu a agregação em ciências da linguagem na Universidade de Paris 7-DenisDiderot, tendo sido qualificada para as funções de Professora Catedrática (Professeur des
Universités) pelo Conselho Nacional das Universidades Francês, em ciências da linguagem (7º
secção) e em estudos românicos na área do português e do francês (14ª secção), sendo assim
duplamente qualificada para as funções de Professora Catedrática.
Atualmente, tem o grau de Professora associada de nomeação definitiva com a agregação
(Maître de Conférences Habilitée à Diriger des Recherches), na Universidade de Paris 8 –
Vincennes-Saint-Denis. É membro titular do Laboratório de Estudos Românicos (LER) da
Universidade de Paris 8 (ver site do LER – Universidade Paris 8).
A partir de 1996, assumiu numerosas responsabilidades pedagógicas, científicas e
administrativas na sua universidade, entre as quais se destacam a criação do curso de
Licenciatura de Línguas estrangeiras aplicadas para o português, bem como a criação
do Mestrado de tradução especializada e do Mestrado de ciências da linguagem para
o português, no âmbito dos quais orientou várias teses de mestrado e, desde 2005, de
doutoramento.
Entre os diferentes cargos académicos exercidos, saliente-se os seguintes:
- Membro da Direção da Faculdade de Língua e Culturas Estrangeiras e Línguas
Estrangeiras Aplicadas da Universidade de Paris 8 – Saint-Denis (classificada como
Universidade-Mundo) – (2002-2006).
- Fundadora e Diretora do Centro de recursos e investigação em tecnologias de
aprendizagem das línguas (CERTAL) da Faculdade de Línguas e Culturas Estrangeiras e Línguas
Estrangeiras Aplicadas da Universidade de Paris 8 (Centre de ressources et de recherche en
technologies d’apprentissage des langues de l’UFR 5 : LLCE et LEA – Université Paris 8 (2002-
2006);
- Membro eleito da Assembleia das Relações e Cooperação Internacional junto da
Presidência da Universidade de Paris 8 (2009-2011);
- Membro de Direito do Conselho de Direção do Laboratório de Estudos Românicos da
Universidade de Paris 8 (desde 2008);
- Membro principal da equipa de investigação 4385 – linguística das línguas românicas
da Universidade de Paris 8 (desde 1998);
- Membro associado da equipa de investigação LAPS (linguística, psicolinguística,
sociolinguística) da Universidade de Paris 8 (desde 2003);
Foi também Membro do Conselho Pedagógico da Universidade de Paris 8.
Entre 1996 e 2005, colaborou ativamente com o departamento de ciências da linguagem
da Universidade de Paris 8, na área do Mestrado de Língua dos Signos Francesa, formando
formadores da linguagem dos signos para pessoas com deficiências de fala e auditivas,
nomeadamente com um seminário de psicolinguística e aquisição do léxico nas línguas
românicas e de morfologia e criatividade lexical.
É autora de cerca de oitenta artigos científicos, obras coletivas e dicionários, nas suas áreas
prediletas de investigação: lexicologia, lexicografia e dicionarística; terminologia, terminografia
e linguística de corpus; morfologia, semântica e criatividade lexical; processamento
automático de corpora; fraseologia de especialidade; pragmática das línguas de especialidade;
tradutologia e tradução de especialidade.
Atualmente em Portugal, desde Janeiro de 2012, é Professora convidada com o estatuto de
Professora Catedrática (Professor Coordenador Principal), na Escola Superior de Saúde do
Alcoitão (ESSA) – SCML- Lisboa, estando ligada ao Departamento de Terapia da Fala desta
instituição, lecionando unidades curriculares na área das ciências da linguagem.
A partir de 29 de Março de 2012, assumiu também as funções de Vogal da Direção (Diretora
Executiva) do Centro de Investigação Científica e Aplicada (CICA) da SCML de Lisboa, tendo
sido convidada para fundar este Centro de investigação.
Enquanto docente e investigadora na ESSA e enquanto membro da Direção do CICA (Portugal),
conjuntamente com os outros membros da Direção, tem desenvolvido atividades ligadas
à fundação deste centro de investigação ao longo de 2012, bem como à coordenação da
investigação e à investigação propriamente dita (ver site da SCML de Lisboa – áreas de
intervenção – Centro de Investigação Científica e Aplicada (CICA).
Neste contexto, é coordenadora do grupo de investigação “Linguagem e comunicação”, no
âmbito da qual é Investigadora Responsável de três projetos já em curso.
terça-feira, 3 de setembro de 2013
SÃO PASSOS a sua história
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NOTA: Acrescentei uma ou duas frases aos escritos da Sónia Trigueirão :)
- Sobram recordações dos bailaricos, que substituíam a televisão, que não havia, os ensaios dos grupos de cantares das colectividades, os passeios na marginal, os primeiros passos nos trabalhos pictóricos, às refeições em família.
- "Eram tempos bons", diz, sorrindo, "porque era jovem e ireverente. Acho que ainda sou". Com a ajuda dos moldes da revista Burda criava as próprias roupas, o que chocava as freiras da escola que frequentava. "Diziam que era avançada demais para esse tempo".
- Com a descolonização, veio para Portugal, aos vinte e sete anos e com um filho de cinco. Aqui manteve a tradição de, antes de beber o que quer que seja deitar um pouco para o chão: É para os antepassados".
- Trabalhou vinte e dois anos num jornal diário. Um dia, por razões de saúde, retirou-se. Hoje os olhos verdes, continuam com vontade de vencer. Não foi actriz, mas é uma artista plástica que pinta as suas memórias de África.
(in Sónia Trigueirão - O TEMPERO DA MORENA - O Melhor da Cozinha A F R I C A N A)
segunda-feira, 19 de agosto de 2013
ESTER DE SOUSA E SÁ -RETALHOS DA VIDA EM ÁFRICA
RETALHOS DE UMA VIDA EM
ÁFRICA
Escrito por: Ester de Sousa e Sá
Em 1952, filosoficamente dizendo, involuntariamente,
voei nas asas do vento à descoberta do continente Africano. Era eu então ainda
muito pequena, de mente ávida de conhecimento, imaginativa e receptiva a tudo o
que fosse mudança.
Nessa época, nos anos após guerra, outra
grande crise avassalava a Europa. Meu saudoso pai, destemido e dotado de grande
inteligência, procurando melhor nível de vida para si e os seus, em 1948, emigrou
para Moçambique. Regressou a Portugal, no fim do verão de 1951 com um pequeno
“pé-de-meia,” acumulado à custa de muito sacrifício e trabalho. No entanto, como
em Portugal nada tinha mudado, continuando a grassar a malfadada crise, meu pai
voltou para África, desta vez levando consigo a família. Naquele
tempo, as viagens para além mar eram feitas de barco. Não havendo outro meio de
transporte que não fosse o navio e, com centenas de Portugueses todos os meses
se aventurando a empreender tais viagens à procura de melhor vida, a marinha
mercante portuguesa, prosperava. Com um saco cheio de ilusões, muita coragem
alicerçada na fé e uma vontade férrea de vencer, os imigrantes portugueses, atravessavam
os mares encafuados dentro do ventre dos navios, que sulcavam os mares tal qual
ilhas flutuantes a caminho do desconhecido.
O destino escolhido por meu pai, foi
o Porto da Beira em Moçambique. Após quase um mês de viagem marítima,
finalmente chegamos ao destino. Embora as condições de vida no princípio fossem
muito difíceis, ajudaram a moldar o meu caracter forte e resoluto que me tem
ajudado a enfrentar a vida, principalmente nas adversidades. O facto de ter
sido criada e educada em África, foi para mim uma aventura e experiência maravilhosa.
Tenho imprimido na alma o rufar rítmico dos tambores e das marimbas num batuque
desenfreado que em noites de lua cheia acordada ficava a escutar. Embebedei
meus sentidos no néctar dos frutos maduros do cajueiro e mimoseei o palato em
deliciosas mangas, goiabas e ananases que cresciam ao fundo do quintal
amadurecidos pelo calor intenso e sufocante.
A nossa vida em África foi uma
mudança radical. Tudo era diferente! As condições de vida eram precárias e o
clima inóspito mas, o desconhecido fascinava-me e enquanto mecanicamente
executava as obrigações que me impunham colaborando nos trabalhos da casa,
minha mente tomava asas. Era livre no meu pensamento, absorvia tudo o que via e
ouvia tal e qual uma esponja.
Certa vez, no fim da tarde de mais um
fascinante pôr-do-sol rubo, fui despertada do que estava a fazer pelo roncar à
distância, do motor do velho camião Ford do senhor Chico que chegava do mato. À
medida que o camião se aproximava da nossa propriedade pela estrada de terra
batida, esburacada pelas últimas chuvas, mais a chinfrineira aumentava com o
bater da pesada carroçaria de madeira contra o metal provocado pelos
solavancos. Snr. Chico era um dos poucos amigos da família. Era um homem novo, bem-parecido,
de trinta anos apenas, alto moreno, cabelos negros e grandes olhos cor de
avelã. Exuberava a energia de homem possante e saudável, na flor da idade.
Tinha vindo para África, após a guerra como tantos outros à procura de aventura
e fortuna. Naquele tempo percorria as picadas do mato no distrito de Manica e
Sofala com o camião carregado com sacos de sal, arroz e açúcar que trocava aos indígenas
que viviam longe das povoações, por cabritos, galinhas, galinholas, porcos do
mato e outras coisas mais que vendia quando regressava à cidade. Nesse dia,
quando o camião entrou na propriedade debaixo duma algazarra infernal à mistura
com o latir dos cabritos e cacarejar das galinhas que consistiam na sua
preciosa carga, nós em alvoroço, expectantes e empolgados aguardávamos a sua
chegada no quintal. De sorriso largo pintado no rosto, o senhor Chico desceu do
camião com um macaquinho pequeno ao colo. A mãe deste tinha sido abatida por
caçadores furtivos e, a cria de olhitos assustados, agarrada à camisa surrada
de suor do seu progenitor adoptivo espreitava-nos com curiosidade. Nós, crianças,
ficamos encantadas e revezávamo-nos a tocar-lhe e a afaga-lo. Logo procuramos
uma garrafa de sumo vazia e um bico de biberão e, fizemos-lhe uma mamada de
leite condensado cruz azul que o bichinho esfomeado, devorou em três tempos. E
assim, a esta família de quatro filhos se acrescentou um macaquinho chamado,
simão. Aqueles dias
em que o nosso amigo chegava do mato eram memoráveis, quebravam a rotina dos
dias vividos na nossa casa, situada na pequena povoação da Manga que distava uns
quinze quilómetros da cidade da Beira.
A nossa permanência na Beira foi
curta, não chegou a dois anos, no entanto foram talvez os dois anos mais
marcantes da minha vida. Foi o tempo suficiente para meus pais prepararem as
coisas para seguirmos numa outra viagem, esta de comboio até à Rodésia, naquele
tempo, uma próspera colónia Inglesa. Aí, nesse país adoptivo, deixei-me beijar
pelo perfume das flores do jacarandá que naquela época embelezavam algumas
avenidas de Salisbury, a capital e, abracei uma nova cultura onde o progresso
era evidente e o esforço era premiado. No
entanto, apesar das condições de vida terem melhorado consideravelmente, vi-me
confrontada com dois tipos de cultura, o de casa; austero e restricto, à velha
maneira Portuguesa, em que aos rapazes tudo era tolerado e permitido e, às
raparigas tudo, ou quase tudo era vedado. Fora do lar porém, na escola e na
sociedade em que estava inserida uma outra cultura, mais liberal, mais despida
de preconceitos, mais equacionada nos direitos de ambos os sexos. Aprendi desde
muito nova a viver em harmonia com os dois mundos, valendo-me dos valores que
meus pais me incutiram e do discernimento próprio para me ambientar e enquadrar
neste novo mundo. Sendo a Rodésia uma colónia Inglesa, o sistema, em todos os
planos era o da Inglaterra. Já nessa altura as escolas públicas possuíam todas
as facilidades facultativas a um ensino de alto nível, sendo providas de bibliotecas,
piscinas e campos de ténis. Como criança a adaptação foi-me mais fácil
melhorando ainda mais depois da aprendizagem da língua.
Não obstante a vida do imigrante ser
difícil, havia oportunidade de evoluir e chegar mais longe. Como sou a única
filha e por sinal a mais velha dos quatro filhos, desde muito nova me foi
incutido o senso de responsabilidade. Pertenço àquela camada de gente que
acredita que tudo se consegue com muito trabalho e esforço. Apesar dos valores
da nossa sociedade estarem a mudar, ainda hoje acredito que nada se consegue
sem trabalho e dedicação.
O povo Português
para onde quer que emigre, carrega dentro de si um saudosismo do seu retângulo na
Europa à beira mar plantado chamado; Portugal. Quase que faz parte do seu ADN.
Quando as saudades apertavam, quando havia uns feriados e a vida permitia, meus
pais, colmatavam essa tal saudade empreendendo uma viagem de oito a dez horas
até à Beira de carro. Nós adorávamos essas curtas férias junto do oceano
Índico.
Em Salisbury,
uma linda cidade no interior, onde nos fixamos, fiz os meus estudos. Acabei o ensino
secundário e matriculei-me na Salisbury Polytechnic School, tendo concluído o
curso de secretariado com dactilografia e estenografia. Embora nunca tivesse
exercido tal curso, essas aptidões facultaram-me a entrada para o Barclays Bank
D.C.O. iniciando assim uma carreira bancária.
Quando casei, fui viver para a
capital de Moçambique então chamada Lourenço Marques. Cidade linda, voltada
para o Oceano Índico, de palmeiras orlando a marginal ao longo da costa
marítima e frondosas acácias em flor, a que os tons garridos e cromáticos das
capulanas das suas gentes emprestam alegria. Para saciar o interesse profundo
pelo conhecimento que sempre senti dentro de mim, matriculei-me numa escola
nocturna para adultos, continuando a estudar e nos fins dos anos sessenta,
ensaiei os primeiros passos na pintura a óleo. Aprendi por mim própria tudo
sobre diversas artes decorativas e lavores. Sempre tive uma grande paixão pela
arte e como adoro o processo de criar algo, ao longo dos anos fui dando
extravasão à minha criatividade nas diversas áreas. Volvidos
dez anos de vida de casada em Lourenço Marques, deu-se a descolonização. Foram
tempos muito difíceis carregados de incertezas e, para salvaguardarmos a nossa
segurança física e dos filhos saímos de Moçambique deixando para traz os bens que
possuíamos, incluindo a nossa casa, indo viver para Durban na África do Sul. Recomeçar
do nada com três filhos, mantendo um certo nível de vida, não foi fácil mas com
uma vontade férrea de vencer, saúde e trabalho fomos pouco a pouco alcançando
os nossos objectivos. Entretanto, nasceu o meu quarto filho e aí a vida
profissional parou. Porém, quando este meu filho tinha dois anos, entrei de
novo para o sistema bancário. Fiz-me membro do Instituto dos banqueiros da
África do Sul estudando por minha conta à noite, depois de estarem todos
jantados e deitados, submetendo-me aos diversos exames periódicos na
Universidade do Natal, em Durban.
Foi também em Durban que me fiz
associada da Liga da Mulher Portuguesa da África do Sul, tendo sido eleita
passado uns meses para fazer parte da direcção. Com o entusiasmo que me é
peculiar, dei o melhor de mim mesma a esta Liga que visa promover a cultura
Portuguesa, incluindo nossos usos e costumes na África do Sul. Com a
colaboração dos restantes membros da direcção organizei o 1º Congresso da Liga em
Durban em 1995 e que foi um sucesso.
Vivi durante 44 anos em África dos
quais vinte e dois, foram vividos em Durban África do Sul, linda cidade
cosmopolita também virada para o Oceano Índico, onde criamos e educamos nossos
filhos. Tomei
sempre parte activa nas diversas áreas da sociedade em que estive inserida. A
convite do Ratepayers Association, uma espécie de Junta de Freguesia, fiz parte
da direcção sem qualquer renumeração, atendendo e zelando pelos interesses dos
munícipes do bairro onde residia. Desde os primeiros tempos da minha chegada a
Durban, o meu gosto pelo canto, levou-me a fazer parte do coro da Igreja e
dirigi um grupo de senhoras que tratavam das flores, chamando a mim própria a
responsabilidade de enfeitar a igreja pelas grandes celebrações. Fiz
voluntariado como animadora para uma organização Internacional denominada “Faith
& Light”, um movimento cristão fundado por Jean Vanier em França, com
ramificações espalhadas pelo mundo que se dedica e apoia crianças deficientes e
suas famílias, uma experiência que me foi muito gratificante, pelo carinho que
recebi dessas crianças. Um dia durante uma das tantas reuniões em que participei,
uma senhora, mãe de uma criança deficiente, voltada para mim pergunta-me: - Qual é a tua criança? Ficou
atónita com a resposta que lhe dei. -Nenhuma,
mas como sou mãe de 4 lindos filhos saudáveis, em acção de graças a Deus, resolvi
dar um pouco de mim própria a esta causa.
Na Primavera de 1996, já com os
filhos criados e entregues a si próprios, regressei com meu marido a Portugal,
às minhas origens. Embora me considere uma cidadã do mundo, sou por nascimento
uma mulher Portuguesa do Norte. Não vou dizer que volvidos tantos anos desde
que daqui parti, a adaptação depois do regresso tenha sido fácil, valeu-me a
minha experiência de vida e a minha paixão pela arte.
Agora com mais tempo e liberada da responsabilidade de
criar os filhos, dedico-me inteiramente às artes, nomeadamente à escrita,
pintura e escultura.
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