sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Relatório 2017/2018 INICIATIVAS da Mulher Migrante - Associação de Estudo Cooperação e Solidariedade 2017 – SETEMBRO / OUTUBRO I. “PORTUGAL BRASIL - A DESCOBERTA CONTÍNUA” A segunda edição do evento “ Portugal-Brasil a descoberta contínua”, em parceria com a Cooperativa Árvore e Hotel Porto Cruz, teve lugar no auditório do Espaço Porto Cruz, em Vila Nova de Gaia, com o alto patrocínio do Senhor Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas. Uma vez mais a AMM quis celebrar a data da chegada dos Portugueses ao Brasil e das relações que ligam estes dois povos com tanta história em comum. Uma iniciativa que pretende sublinhar as relações fraternas entre Portugal e Brasil e, ao mesmo tempo, repensar a importância na expansão do mundo da lusofonia no século XXI. SESSÃO DE ABERTURA 8 de setembro - Vila Nova de Gaia . INAUGURAÇÃO DA EXPOSIÇÃO DE PINTURA . CONFERÊNCIAS A sessão de inauguração, em oito de setembro de 2017, constou de uma conferência pelo Professor Dr. Salvato Trigo, Reitor da Universidade Fernando Pessoa, com o tema "Da descoberta da mátria aos equívocos da pátria: ou de como se reinventa a história das relações luso-brasileiras". A historiadora Dra. Maria do Carmo Serén, apresentou o tema "Dois brasileiros no Porto - Encontros e Desencontros de José Bonifácio de Andrada e Silva e D.Pedro I". Foi também dada enfase à arte com a inauguração da exposição de artistas portugueses e brasileiros na sala de exposições do Porto Cruz, exposição comissariada por Constância Nery. Vinte e seis obras, de vinte e seis artistas plásticos, portugueses e brasileiros, com representação de temas livres e também temas relacionados com as tradições e costumes de Portugal e de outros povos. 2. COLÓQUIO DE ENCERRAMENTO A sessão de encerramento aconteceu no dia 14 de Outubro de 2017 tendo um programa diversificado do qual se destaca, as comunicações de: - JOAQUIM MATOS PINHEIRO, Presidente do Elos Club do Porto, com a comunicação “D. PEDRO IV E AS SUAS QUATRO COROAS.” - DANYEL GUERRA, com o tema " LUSOS ILUSTRE NO CINEMA BRASILEIRO–A OUTRA CARMEN E O PORTUGUÊS DA CINEMODA" - ARCELINA SANTIAGO com a apresentação de algumas notas sobre "MARIA ARCHER, UMA PORTUGUESA DO BRASIL” seguido de dramatização, segundo um guião da sua autoria, por duas alunas MARIANA PATELA e CÍNTIA SOFIA RIBAS SILVA “ Entrevista imaginária a Maria Archer”. - MARIA MANUELA AGUIAR fez a intervenção final onde homenageou RUTH ESCOBAR, portuguesa do Porto, que no Brasil foi uma grande atriz de teatro, a primeira mulher eleita deputada à Assembleia do Estado de São Paulo e a primeira representante do Brasil nas Nações Unidas, para o acompanhamento da Convenção contra todas as formas de discriminação da Mulher. A sessão foi moderada pelo Prof Doutor FRANCISCO SILVA, diretor da Cooperativa Árvore 3. DEBATE SOBRE "JORNALISMO PARA A PAZ" e APRESENTAÇÃO DE LIVROS DA "JORNALISTA PARA A PAZ" ADELAIDE VILELA Fundação PRO DIGNITATE Lisboa, 16 de outubro A AMM tem, ao longo de quase 25 anos de percurso, lançado, ciclicamente, o debate sobre a imagem e sobre o papel das mulheres, e em especial, das migrantes nos "media" portugueses, sem esquecer os das comunidades. Neste retomar do tema, foi a problemática da paz que esteve no centro das preocupações, como fora um dos últimos programas de ação da Fundação PRO DIGNITATE, em que muito se envolveu a Drª Maria Barroso, agora continuado pelo Dr. António Pacheco, que, ali, o apresentou para o debate, que ocupou a jornada.. A presença, em Lisboa, da jornalista Adelaide Vilela, há muitos anos radicada em Montreal, foi uma oportunidade para partilhar a sua experiência como mulher imigrada, envolvida na luta pela paz entre gente de todas as origens, nacionalidade, culturas, religiões. Adelaide Vilela foi retornada de África, em 1975, antes de partir para o Canadá, onde estudou jornalismo e trabalhou na imprensa escrita, rádio e televisão, não só a nível da comunidade, como em programas da RTPI, na realização e interpretação de filmes. A sua vida tem decorrido em quatro continentes, da África à Europa, da América do norte à América do sul, para onde viaja com frequência e onde a sua obra literária tem sido reconhecida e premiada. Aderiu, pois, naturalmente, ao projeto de um jornalismo ao serviço da paz, no qual também a AMM manifestou interesse em colaborar No debate participaram ativamente associados da AMM, incluindo a representante no Canadá, Profª Doutora Manuela Marujo 4. CONGRESSO INTERNACIONAL - Migrações e Relações Interculturais na Contemporaneidade Lisboa, 27 e 28 de outubro, Fundação Gulbenkian Organizado pelo CEMRI/UAB e FCT, o Congresso foi presidido na Sessão de Abertura pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros, Prof Augusto Santos Silva e a Conferência de Abertura esteve a cargo do Prof João Relvão Caetano (CEMRI/UAB Os trabalhos decorreram em sete mesas redondas e foram encerrados com uma Conferência da Profª Natália Ramos (CEMRI/UAB). Maria Manuela Aguiar representou a AMM na II Mesa Redonda - Mulheres, Migrações e Diásporas, tendo apresentado um resumo escrito e feito uma comunicação oral sobre "As Mulheres na história das Comunidades Portuguesas e das políticas públicas para a emigração" MARIA MANUELA AGUIAR (Ex. Secretária de Estado da Emigração e das Comunidades Portuguesas; Associação Mulher Migrante) Resumo As migrações portuguesas começam como uma aventura masculina, onde o sexo feminino só excecionalmente tem lugar. As primeiras políticas públicas neste domínio são de limitação ou condicionamento dos fluxos migratórios masculinos, quase sempre considerados excessivos, e de proibição da saída de mulheres, em regra, vista como contrária aos interesses do País. Ao longo dos tempos, centenas de milhares de homens e também um número crescente de mulheres, que querem juntar-se aos maridos ou aos pais, ou mesmo partir com eles, vão ultrapassar todos os obstáculos para alcançarem o "novo mundo". É com a chegada das mulheres e a reunificação das famílias que nascem as comunidades de cultura portuguesa, mas o seu papel, ainda que matricial, é escassamente visível e reconhecido e a sua participação obedece à divisão tradicional de trabalho entre os sexos, no associativismo, como no núcleo familiar. Os movimentos feministas descuram a emigração e são raras e extraordinárias as organizações femininas de entreajuda até meados do século XX - caso do movimento mutualista feminino da Califórnia. Após a revolução de 1974, a Constituição de 1976 vem proclamar a igualdade entre Mulheres e Homens e estabelecer a inteira liberdade de emigrar. As políticas públicas, que, até início da década de 70, se restringem à proteção dos emigrantes na viagem de ida e os abandonam nas terras de destino, evoluem para a defesa dos direitos dos cidadãos e tomada de medidas de apoio social e cultural, e para o reconhecimento do papel do movimento associativo, Todavia, só uma década depois, no quadro de funcionamento do Conselho das Comunidades Portuguesas - quase 100% masculino - se dá o primeiro passo para a prossecução de políticas com a componente de género, com a convocatória do "1º Encontro Mundial de Mulheres no Associativismo e no Jornalismo".(em junho de 1985). Mais de trinta anos decorridos sobre esse histórico Encontro Mundial, qual o balanço da ação da sociedade civil e do Estado no campo da igualdade de género nas comunidades do exterior? Eis o que nos propomos abordar. -No Congresso, representado diversas instituições, estiveram outros membros da AMM - Maria Beatriz Rocha Trindade (CEMRI/UAB), Manuela Marujo (U Toronto) , Ana Paula Beja Horta (CEMRI/UAB), António Pacheco (Fundação PRO DIGNITATE) 5. LANÇAMENTO DOS LIVROS "ROSTOS DA EMIGRAÇÃO"/ "VISAGES DE L' ÉMIGRATION" de TENREIRA MARTINS Luxemburgo, 29 de outubro A convite do Instituto Camões, Maria Manuela Aguiar, que escreveu o prefácio da publicação, nas duas línguas, deslocou-se ao Luxemburgo e fez, juntamente com o Padre Melícias Lopes a sua apresentação. O Autor foi, durante muitos anos, Assistente Social e Chefe dos Serviços Sociais, em Bruxelas, e o livro é obra de ficção moldada na realidade. Os rostos são os dos portugueses de uma geração de imigrantes na Europa, que teve dificuldades de adaptação, e, na maioria dos casos, as superaram. Porém, nem todos o conseguiram, ao menos, em certas fases de um processo continuado. E é destes que trata, num português de grande qualidade literária, Tenreira Martins. Retratos realistas e, de algum modo, como disse Maria Manuela Aguiar, também um auto-retrato do Autor, numa missão a que se dedicou por inteiro. E, por isso, cada um dos contos, nos leva para dentro do Gabinete dos Serviços Sociais de Bruxelas, igual a outros que existiam, junto a muitos consulados e nos dá a dimensão do papel que desempenharam. Em tempos de recomeço de êxodo migratório, este livro leva-nos a questionar a ausência atual de formas de apoio, que deram corpo às primeiras políticas públicas de emigração, surgidas nas vésperas da revolução de 1974 e, depois, continuadas e desenvolvidas. Um dos múltiplos motivos de interesse que nos oferece é, assim, o de motivar o debate sobre o passado próximo e o presente das migrações portuguesas.. NOVEMBRO 6. XXIX ENCONTRO DAS COMUNIDADES PORTUGUESAS E DE LUSO- DESCENDENTES DO CONE SUL Em Homenagem ao ENG.ª JOSÉ LELLO e XV SEMINÁRIO CULTURAL "DIÁSPORA E ASSOCIATIVISMO:PATRIMÓNIO, CULTURA E HERANÇA! Colónia de Sacramento, Uruguai, 4 e 5 de novembro, A entidade organizadora foi a Casa de Portugal de Montevideo, que tem, pela primeira vez, a presidência de uma mulher, a jovem Viviana Valente, e cinco mulheres entre os sete membros da Diretoria. O Comendador Luís Panasco Caetano, representante da AMM no Uruguai, antigo Conselheiro do CCP, desempenhou, igualmente, um papel central na preparação e concretização de um evento que teve o esperado sucesso, com centenas de participantes e um grande apoio das Autoridades do Uruguai (Intendente de Colónia) e de Portugal (Secretário de Estado e Embaixador de Montevideo) Além do atual Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas José Luís Carneiro, dois antigos Secretários de Estado da mesma pasta, José Cesário e Maria Manuela Aguiar, estiveram presentes na homenagem a José Lello, amigo e colega, cujo trabalho, empenho, simpatia e proximidade, as comunidades não esquecem. No Seminário Cultural, a 4 de novembro, Maria manuela Aguiar participou na qualidade de fundadora e dirigente da AMM, apresentando uma comunicação sobre a "Internacionalização do movimento associativo português", começando por dar uma visão comparativa da situação dos outros grandes países de emigração europeus desde início de novecentos, em que o caso de Portugal (ausência de relacionamento internacional entre comunidades) é uma exceção à regra, analisando as tentativas de combater este fenómeno: - primeiramente, a organização pela Sociedade de Geografia (presidida pelo Prof Adriano Moreira) dos Congressos das Comunidades de Cultura Portuguesa, em 1964 e 1967, e a criação da União das Comunidades de Cultura portuguesa, que teve vida efémera por oposição do regime político, a partir de 1968. - a segunda tentativa parte do Estado, não da sociedade civil, embora pretenda mobilizá-la, para que organize autonomamente um movimento mundial. O Governo cria e põe em funcionamento o Conselho das Comunidades Portuguesas, órgão consultivo, eleito pelo universo associativo, que se esperava pudesse dar impulso à federalização dos movimentos associativos de todos os continentes, para além de cumprir os outros objetivos de representação e audição da "Diáspora". Ao CCP associativo (1980/88), sucedeu o atual (desde 19996), eleito por sufrágio universal (logo, mais um "conselho de emigrantes" do que de comunidades), mantendo essencialmente o seu perfil consultivo, sem lograr o impulso da internacionalização do associativismo, tão fraco a este nível, quanto é poderoso a nível de cada região ou país. Manuela Aguiar salientou como exemplos de internacionalização, no caso português, as "Academias de Bacalhau" (com semelhanças e diferenças com o movimento rotário, por exemplo) e a AMM, que procura reunir mulheres e homens de todos os continentes pela causa da Igualdade. São, porém, formas novas de um fenómeno antigo, sem a base patrimonial em que cresceu o associativismo tradicional, com enorme pujança, país a país. Dentro deste movimento, o melhor exemplo de diálogo internacional é constituído pelo original paradigma dos "Encontros do Cone Sul", que reúnem, portugueses do Sul do Brasil, Argentina e Uruguai. Do seu início como tertúlia e torneio de "sueca" (que perdeu o exclusivo mas se mantém), evoluiu para a sua vertente cultural, com a exibição de grupos folclóricos de todas as comunidades envolvidas e com os "Seminários", que atraem grandes nomes da vida cultural e política . A terminar, Manuela Aguiar deixou a pergunta; como promover a generalização deste paradigma?. Durante o convívio que o Encontro permitiu, o Secretário de Estado Mestre José Luís Carneiro manifestou interesse em novas colaborações com a AMM, muito em especial para a preparação de um grande congresso mundial de mulheres da Diáspora portuguesa, no ano seguinte. DEZEMBRO 7. PARTICIPAÇÃO NO CONGRESSO MUNDIAL DOS EMPRESÁRIOS PORTUGUESES Viana do Castelo, 16 de dezembro No Congresso, organizado pela SECP, havia um número significativo de mulheres, que se aproximava dos 30%, pelo que por sugestão da AMM. aceite pelo Senhor Secretário de Estado foi, durante a sessão de trabalhos do dia 16 apresentada a ideia da realização de um grande fórum de mulheres portuguesas, para um ponto de situação e para concertação de estratégias para a igualdade, em vários domínios, como o empresarial, o cultural, o político, o associativismo, o voluntariado. O facto de a ideia ter surgido no final do ano tornou-se um obstáculo à procura de meios de suporte da iniciativa, que na sua dimensão global, teve de ser adiada para 2019. Porém, sem prejuízo, de procurar, em paralelo com o Congresso Mundial de Empresários, promover, em dezembro de 2018, um primeiro Encontro sobre empreendedorismo feminino. Maria Manuela Aguiar esteve na referida sessão de 16 de dezembro, tendo apresentado às congressistas, conjuntamente com o Senhor Secretário de Estado, as grandes linhas do projeto. E aproveitando para recordar que Viana do Castelo fora a cidade que, em 1985, acolhera o 1º Encontro de Mulheres Portuguesas no Associativismo e no Jornalismo, que marca o início das políticas públicas para a igualdade na emigração e que, por sinal, foi uma iniciativa pioneira, a nível europeu (e universal!). De salientar que a AMM nasceu para concretizar o mais importante projeto saído desse Encontro: a criação de uma associação internacional de mulheres portuguesas. 2018 - JANEIRO 8. COLÓQUIO em NOVA YORK - A MEMÓRIA COMO HERANÇA 20 de janeiro Mineola, Câmara Municipal O colóquio foi uma organização do Consulado - Geral de Portugal, em parceria com a "Mulher Migrante, Associação de Estudo, Cooperação e Solidariedade" e as Escolas Comunitárias da área consular de Nova York, e realizou-se em instalações do município de Mineola. De manhã, o debate centrou-se no ensino de português, reunindo professores de diferentes escolas e outros membros da comunidade escolar. De tarde, foi a presença portuguesa na América, em diversos domínios, que esteve no centro das intervenções e do diálogo, que envolveu numerosos participantes. A jornada terminou com um jantar de confraternização no Centro Português de Mineola em que centenas de portugueses prestaram homenagem à Cônsul- Geral, e em que a"Mulher Migrante" esteve representada por Manuela Aguiar, que se deslocou expressamente de Portugal, e por Maria João Ávila, Coordenadora da "Mulher Migrante" nos EUA, e membro da direção da AMM e antiga deputada da emigração. Por trás do sucesso do colóquio, esteve a experiência, criatividade, a energia da Cônsul-Geral, emotivamente homenageada no jantar da comunidade, que reuniu centenas de portugueses, entre eles os mais destacados políticos luso-americanos, e dirigentes associativos, mulheres envolvidas na intervenção cívica e política, como Maria João Ávila. Todos enalteceram o seu trabalho em NY, nos últimos três anos. Fica uma frase, que sintetiza o "leit-motiv" dos diversos discursos: "nunca mais teremos ninguém como ela!". Manuela Aguiar citou Mariano Gago e Onésimo de Almeida, que no prefácio ("a quatro mãos") de uma publicação de Manuela Bairos escreveram que "era preciso cloná-la no MNE". Em 225 anos de existência do consulado de Nova York, Manuela Bairos foi a primeira mulher a exercer o cargo. Programa do Colóquio: 10.00 – 11.30 ENCONTRO COM PROFESSORES DAS ESCOLAS COMUNITÁRIAS Moderador: Dr José Carlos Adão 1. Coordenador-Adjunto de Ensino - Dr José Carlos Adão “A língua portuguesa como língua de herança” As escolas comunitárias como suporte da herança portuguesa e da identidade luso-americana 2. Consul-Geral Drª Manuela Bairos Projecto escolar: entrevista dos alunos aos avós sobre as suas histórias de emigração 3. Período de interação com professores e diretores das Escolas comunitárias 4. Presidente da AG da "Mulher Migrante" Drª Manuela Aguiar O papel dos professores e dos alunos, das famílias na defesa do património da língua de herança e da cultura portuguesa 11.45-1300 Debate 13.00 – 14.00 (almoço) IDENTIDADE LUSO-AMERICANA COMO HERANÇA PORTUGUESA 14.30 – 15.00 Apresentação da convidada Manuela Aguiar de honra e do programa da tarde pela Cônsul-Geral Um projeto para o diálogo do movimento associativo português no mundo 15.00 – 15.45 Identidade de origem portuguesa Moderador: Paulo Pereira Josh Mendes (jewish) Diane Macedo Manny Frade 16.00 – 16.45 Participação cívica e associativismo Moderador: Agostinho Saraiva Felisbela Ferreira Anália Beato/Amélia Gonçalves Bruno Machado 17.00 – 17.45 Afirmação profissional Moderadora: Paula Mendes Amelita Moreira Srª Martins Tony Castro Luís Tormenta 18.00 – 18.45 Participação política Moderadora: Maria João Ávila Rosa Rebimbas Paulo Pereira Maria Araujo Khan Jack Martins Janice Duarte 19.00 Jantar no Mineola Portuguese Center 9 - MONTREAL (a desenvolver) 28 de março Comemoração do Dia Internacional da Mulher, organizado pelo jornal LUSO PRESSE, e homenagem a MARIA BARROSO Programa 8 - 27 de março Lançamento dos livros de Adelaide Vilela "Magma de Afetos e "Olhos nas Letras" (poesia) Manuela Aguiar, que prefaciou o do livro de poesia, destacou o perfil de intervenção da autora na sua comunidade, que tem um notabilíssimo curriculum como jornalista e como defensora da língua e do ensino de português - preocupações largamente dominantes entre as mulheres portuguesas ABRIL 10 . Portugal / Brasil - a descoberta continua, a partir de Monção A terceira edição desta iniciativa aconteceu a 20 abril de 2018 na EPRAMI (Escola Profissional do Alto Minho Interior) em Monção. A AMM teve como parceiros: Câmara Municipal de Monção, Casa Museu de Monção da Universidade do Minho, EPRAMI , Universidade Sénior de Monção, Agrupamento de Escolas de Monção, Jornal As Artes entre Letras, jornal A Terra Minhota, Centro de Formação Vale do Minho. O Colóquio "Portugal/Brasil - a Descoberta contínua, a partir de Monção " pretendeu celebrar o momento histórico em que Pedro Álvares Cabral avista terra do Brasil, onde é hoje Porto Seguro, a 22 de abril de 1500. Foi essa a data que o Senado Brasileiro aprovou como "Dia da Comunidade Luso Brasileira" - iniciativa que viria a ser ratificada por Portugal. A efeméride é celebrada em todo o Brasil, com grande empenho dos Portugueses, mas passa quase despercebida em Portugal. Esta iniciativa teve o Alto Patrocínio do Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas. Investigadores/as, professores, estudantes, decisores políticos, interessados/as nesta temática, foram desafiados a participar neste colóquio e torná-lo num momento de debate e reflexão em torno da história da emigração, da cidadania e da lusofonia que ganha agora novo incentivo através da decisão legislativa que visa reforçar o estudo da emigração, fazendo-se jus a esta parte importante da história do povo português. Dar-se-á especial ênfase às questões da Igualdade e relevo a mulheres e homens da diáspora lusa com cunho minhoto. Da Comissão Científica faziam parte: Graça Guedes, Professora Catedrática Aposentada da Universidade do Porto; José Viriato Capela, Professor Catedrático da Universidade do Minho e Presidente da Casa Museu de Monção da UMInho; Alexandra Esteves, Professora Auxiliar da Universidade Católica, Pólo de Braga Do Programa constavam dois painéis: O 1º, intitulado DIMENSÕES DO POLIEDRO DA EMIGRAÇÃO abordou os seguintes temas: A Emigração de Viana do Castelo para o Brasil (1929-1950) a partir dos livros de registo de passaporte- por Rui Miguel Pires, Mestre em Relações Internacionais - Universidade Lusíada do Porto; Ateliês da memória - Monçanenses pelo mundo por Francisco Alves, Diretor do jornal local A Terra Minhota e Arcelina Santiago, Mestre em Ciências Sociais Políticas e Jurídicas - Universidade de Aveiro; Trajetória literária de Maria Ondina Braga por Isabel Cristina Mateus, Professora Auxiliar do Departamento de Estudos Portugueses e Lusófonos do Instituto de Letras e Ciências Humanas (ILCH) da UMinho; Maria Archer, uma portuguesa no Brasil . Entrevista Imaginária a Maria Archer pelos alunos da EPRAMI - Beatriz Lopes e Pedro Cerqueira; História de uma Vida - entrevista a Carlos de Lemos, Cônsul Honorário de Portugal em Melbourne por alunos das escolas de Monção. A moderação esteve a cargo de Nassalete Miranda, Diretora do Jornal As Artes Entre as Letras No 2º painel, intitulado EMIGRAÇÃO E CIDADANIA, foram apresentadas as seguintes comunicações: Os “brasileiros” no norte de Portugal no século XIX: marcas de uma presença e histórias de vida “ por Alexandra Esteves, Professora Auxiliar da Universidade Católica, Pólo de Braga; Capitão general João Pereira Caldas. De Monção para o Grão Pará – Um “migrante” ao serviço do Rei por Ernesto Português, Investigador/Colaborador do Centro de História da Universidade de Lisboa; "Monçanenses no Brasil" por José António Barreto Nunes, Juiz Conselheiro e colaborador do jornal A Terra Minhota; Cidadania Luso- Brasileira: Tratado de Igualdade Portugal- Brasil a "questão da reciprocidade" - homenagem a Ruth Escobar por Manuela Aguiar, ex-Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas Emigração, Presidente da Assembleia Geral da Mulher Migrante - Associação de Estudo, Cooperação e Solidariedade. A moderação esteve a cargo de Graça Guedes, Professora Catedrática Aposentada da Universidade do Porto. A Sessão de Encerramento teve a presença do Senhor Secretário das Comunidades Portuguesas, Mestre José Luís Carneiro 11. Lançamento do Projeto “ Ateliês da Memória retomando uma iniciativa que a Associação Mulher Migrante encetou há já vários anos com edição de um livro no histórias de vida, no Brasil e Argentina. A AMM apresentou este o projeto à comunidade educativa, a saber: Agrupamento de Escolas de Monção, EPRAMI (Escola Profissional do Alto Minho Interior), Universidade Sénior e à população em geral, através de um aliado - o Jornal local denominado A Terra Minhota dirigido por Francisco Alves. Houve recetividade e será um projeto que já deu alguns frutos na recolha de biografias, uma delas apresentada por uma aluna da Universidade Sénior na altura do colóquio. 12. Publicação de vários artigos, por Manuela Aguiar e Arcelina Santiago em diversos órgãos de comunicação social sobre o colóquio “Portugal / Brasil - a descoberta continua, a partir de Monção “ pondo em destaque os intervenientes e teor das suas comunicações em sinopses, como forma de motivar a população em geral - nas edições quinzenais do Jornal a Terra Minhota e no Jornal Artes Entre as Letras onde também constou um artigo elaborado pelo Presidente da Câmara de Monção. 13. Apresentação da jornalista e escritora de Adelaide Vilela, mulher da diáspora e de duas das suas obras "Olhos nas Letras" e "Magma de Afetos " por Manuela Aguiar e Arcelina Santiago - Espinho no dia 11 de junho na Biblioteca José Marmelo e Silva e - Monção a 22 de junho na Biblioteca Municipal de Monção Adelaide Ramos Vilela, natural da Covilhã, vive em Montreal desde 1978. É licenciada em Comunicação e Jornalismo pela Universidade de Montreal. Escreve poesia desde os 14 anos. É escritora e jornalista e participante em vários programas de Televisão no Canadá e noutras partes do mundo. Na América Latina, ficou conhecida como "Poeta de la Luz". Tem repartido a sua atividade por várias áreas: relações humanas e artísticas, publicidade, jornalismo, fotografia e realização de uma curta metragem com guião da sua autoria. Tem recebido inúmeras distinções pela sua escrita, em prosa e verso. É Presidente das Associações literárias pela Paz do mundo do Centro Hispano Mundial de Escritores e da Sociedade Venezuelana de Arte Internacional. "Olhos nas Letras" e "Magma de Afetos " tratam-se de "Narrativas que inspiram, acima de tudo, dinâmicas de amor e paz, contribuindo, desta forma para a narração de um sonho de que um mundo mais justo, mais democrático e mais solidário possa crescer. Entre apontamentos de ficção, viagens e pormenores da sua vida, somos convidados a partilhar com a autora um olhar muito próprio sobre o mundo em que vivemos..." Nelas, o papel do amor é determinante para vencer o ambiente de cinismo que aflora a humanidade. Há nelas um forte apelo à reflexão e ao desejo de continuar a lutar por um mundo melhor...

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

ENCONTRO COMEM0RATIVO DOS 30 ANOS DE VIDA ATIVA DA ASSOCIAÇÃO MULHER MIGRANTE Local: Porto - Fundação Engª. António de Almeida Data: 29 de novembro de 2025 A Associação Mulher Migrante (AMM), foi criada em 1993, cuja missão pretendeu responder às recomendações manifestadas nas grandes conclusões o 1º. Encontro de Portuguesas Migrantes no Associativismo e Jornalismo organizado em Viana do Castelo pela Secretaria de Estado da Emigração em 1985: de estudo e investigação que envolve a problemática da mulher portuguesa na nossa diáspora. Em março de 1995, realizamos em Espinho o Encontro Mundial das Mulheres Migrantes – Gerações em Diálogo, concretizando uma das recomendações do Encontro de Viana: a realização de um Congresso de Portuguesas no Mundo e, segundo Manuela Aguiar (2009), … com a finalidade de abordar áreas temáticas, tais como a presença feminina no associativismo, na comunicação social, no trabalho, no ensino da língua, na preservação da cultura, através das segundas gerações, na preparação do regresso a Portugal. Este Encontro, que serviu para dar a conhecer a nossa associação, constituiu um marco incontestado do nosso percurso. Estiveram cerca de 400 participantes, muitas das quais vindas dos cinco continentes e na sua grande maioria dirigentes associativos, professores, investigadores, antigos conselheiros do CCP, jornalistas, políticos, jovens das comunidades e de associações espinhenses. Muitas são associadas da AMM; algumas criaram Delegações da AMM nos países onde vivem, realizando grandes eventos científicos, muitos dos quais em articulação com as Universidades aonde pertencem, contribuindo para o alargamento da missão da AMM na diáspora portuguesa que temos implementado. Decorridos 30 anos de vida ativa da AMM, cujo percurso muito nos honra, este Encontro pretende ser assinalado com a mesma dignidade que tem caraterizado as nossas atividades e homenageará MARIA BARROSO, que foi Presidente da Comissão de Honra dos nossos Encontros e Congressos, com presença ativa e participativa, que se associará às comemorações nacionais dos 100 anos do seu nascimento. PROGRAMA 10 horas – ABERTURA 10,30 - HOMENAGEM A MARIA BARROSO – Maria Manuela Aguiar 11 horas - NOVO DIÁLOGO DE GERAÇÕES – PASSADO, PRESENTE E FUTURO Moderadora: Maria da Conceição Ramos - O Encontro de Viana (1985) – Maria Manuela Aguiar - O Encontro de Espinho (1995) – Graça Guedes - Os Encontros para a Cidadania (2005) e os Encontros Mundiais (2011 e 2013) – Maria Manuela Aguiar 13,00 horas - Almoço 14,30 horas - A COLEÇÃO DA AMM MULHERES ENTRE MUNDOS Moderadora: Ivone Ferreira . Histórias da minha Vida – Graça Guedes . Aonde Causas e Acasos me Levaram – Maria Manuela Aguiar . Docas de Passagem por Tantos Lugares – Maria Eduarda Fonseca . Minha Mãe Assim Era Ela - Maria Manuela Aguiar . Ester, Retalhos de Uma Vida – Ester de Sousa e Sá 16,00 horas - MULHERES PORTUGUESAS NO DIRIGISMO ASSOCIATIVO DA NOSSA DIÁSPORA – Graça Guedes 16,30 horas - Lançamento da MEDALHA COMEMORATIVA DOS 30 ANOS DA AMM - Maria Antónia Jardim 17 horas - Beberete

quinta-feira, 9 de outubro de 2025

ASSOCIAÇÃO MULHER MIGRANTE 30 ANOS DE VIDA ATIVA Local: Porto - Fundação Eng. António de Almeida Data: 29 de novembro de 2025 A Associação Mulher Migrante (AMM), foi criada em 1993, cuja missão pretendeu responder às recomendações manifestadas nas grandes conclusões o 1º. Encontro de Portuguesas Migrantes no Associativismo e Jornalismo organizado em Viana do Castelo pela Secretaria de Estado da Emigração em 1985: de estudo e investigação que envolve a problemática da mulher portuguesa na nossa diáspora. Em março de 1995, realizamos em Espinho o Encontro Mundial das Mulheres Migrantes – Gerações em Diálogo, concretizando uma das recomendações do Encontro de Viana: a realização de um Congresso de Portuguesas no Mundo e, segundo Manuela Aguiar (2009), … com a finalidade de abordar áreas temáticas, tais como a presença feminina no associativismo, na comunicação social, no trabalho, no ensino da língua, na preservação da cultura, através das segundas gerações, na preparação do regresso a Portugal. Este Encontro, que serviu para dar a conhecer a nossa associação, constituiu um marco incontestado do nosso percurso. Estiveram cerca de 400 participantes, muitas das quais vindas dos cinco continentes e na sua grande maioria dirigentes associativos, professores, investigadores, antigos conselheiros do CCP, jornalistas, políticos, jovens das comunidades e de associações espinhenses. Muitas são associadas da AMM; algumas criaram Delegações da AMM nos países onde vivem, realizando grandes eventos científicos, muitos dos quais em articulação com as Universidades aonde pertencem, contribuindo para o alargamento da missão da AMM na diáspora portuguesa que temos implementado. Decorridos 30 anos de vida ativa da AMM, cujo percurso muito nos honra, este Encontro pretende ser assinalado com a mesma dignidade que tem caraterizado as nossas atividades e homenageará MARIA BARROSO, que foi Presidente da Comissão de Honra dos nossos Encontros e Congressos, com presença ativa e participativa, que se associará às comemorações nacionais dos 100 anos do seu nascimento. ASSOCIAÇÃO MULHER MIGRANTE 30 ANOS DE VIDA ATIVA Local: Porto - Fundação Eng. António de Almeida Data: 29 de novembro de 2025 10 horas – ABERTURA Dr. Augusto Aguiar-Branco – Presidente da Fundação Eng. António de Almeida Profª. Doutora Maria da Graça Sousa Guedes – Presidente da Direção da AMM 10,15 - HOMENAGEM A MARIA BARROSO – Dra. Maria Manuela Aguiar 10,30 horas – Pausa 10,45 horas - NOVO DIÁLOGO DE GERAÇÕES – PASSADO, PRESENTE E FUTURO Moderadora: Prof. Doutora Maria da Conceição Ramos - O Encontro de Viana (1985) / Associação Mulher Migrante – Dra. Maria Manuela Aguiar - O Encontro de Espinho (1995) – Prof. Doutora Graça Guedes - Os Encontros para a Cidadania (2005) e os Encontros Mundiais (2011 e 2013) – Dra. Maria Manuela Aguiar 13,00 horas - Almoço 14,30 horas - A COLEÇÃO DA AMM MULHERES ENTRE MUNDOS Moderadora: Dra. Ivone Ferreira . Histórias da minha Vida – Prof. Doutora Graça Guedes . Aonde Causas e Acasos me Levaram – Dra. Maria Manuela Aguiar . Docas de Passagem por Tantos Lugares – Eng. Ernesto Fonseca . Minha Mãe Assim Era Ela – Dra. Maria Manuela Aguiar . Ester, Retalhos de Uma Vida – Ester de Sousa e Sá 16,00 horas – Pausa 16,15 horas - MULHERES PORTUGUESAS NO DIRIGISMO ASSOCIATIVO DA NOSSA DIÁSPORA – Moderadora: Dra. Nassalete Miranda Prof. Doutora Graça Guedes e Dra. Maria de Lurdes Almeida 16,45 horas - Lançamento da JOIA COMEMORATIVA DOS 30 ANOS DA AMM – Prof. Doutora Maria Antónia Jardim 17,00 horas – Porto de honra

domingo, 14 de setembro de 2025

MINHA MÃE Assim era Ela - Apresentação de Ivone Ferreira ESPINHO 13.09.25

Sra. Presidente da Câmara Municipal de Espinho, cara Amiga Maria Manuel Cruz Dra. Manuela Aguiar, Prof Doutora Graça Guedes e restantes presentes, minhas senhoras, meus senhores, amigos e amigas, Boa tarde. Bem-vindas e bem-vindos a mais esta iniciativa, lançamento de novo livro enquadrado na coleção “Mulheres entre Mundos”, da autoria de Maria Manuela Aguiar a quem agradeço, desde já, a confiança que depositou em mim para a apresentação de “Minha Mãe, assim era ela”. Maria Manuela Aguiar tem-se revelado uma escritora de mão cheia. E utilizo esta expressão não só para me referir ao talento na escrita, mas também porque se afirma como alguém com uma memória prodigiosa e preocupada com o legado histórico que são usos e costumes de épocas ainda muito próximas de nós, mas que serão, talvez, as mais sacrificadas, as mais esquecidas, porque a seguir a elas, chegou a tecnologia, a pressa de viver, a multidão de elevada iliteracia e a quem deixámos de “pedir contas” do seu passado. Sei que talvez sejam polémicas estas minhas afirmações, mas socorro-me, por exemplo, de uma notícia difundida há pouco mais de uma semana, pela SIC, em que era afirmado que Portugal está em 2º lugar, entre os 30 países com o nível mais baixo de proficiência em literacia, 46% dos portugueses com idades entre os 25 e 64 anos tem muita dificuldade em interpretar textos e só consegue compreender textos muito curtos e com o mínimo de informação irrelevante. Ora, se é este o estado em que nos encontramos, como vamos ter vontade de ler, de escrever, de guardar ou de divulgar a nossa História, as histórias da História? É fundamental que quer a escrita, quer a leitura não se percam. É preciso resgatá-las, restaurá-las. E este livro é uma peça fundamental para esse resgate. Conta-nos uma história de vida, integrante da história de uma família, que, por sua vez, integra a história de um território, que integra a história de um país, que integra a História do mundo. Como todos sabem, mas vale a pena recordar, as histórias de vida nascem nos Estados Unidos. E nascem do confronto entre os migrantes e os nacionais, anteriormente instalados. Os migrantes, ao entrarem naquele “novo mundo”, abandonavam todo o seu passado e sentiu-se que era preciso guardar sinal dessa existência antiga, tão diferente da nova. Foi igualmente do choque de dois universos que nasceu, na Europa, a necessidade de coletar histórias de vida: por um lado, o universo tradicional, fundado num modelo repetitivo, obediente aos estereótipos e aos arquétipos. Por outro, o universo da modernidade, fundado num modelo cumulativo e de valorização da mudança. Ambos os percursos, o americano e o europeu, tem como objetivo conservar documentos ameaçados, registar a escuta das últimas testemunhas, manter na memória as formas passadas para que o presente e o futuro façam delas uso, da melhor maneira. As histórias de vida fazem falar “os povos do silêncio”. Os “não heróis”, as “não heroínas”. Os que não tem o seu nome na placa de uma rua, mas que a ajudaram a construir. As que não foram à guerra, mas foram as obreiras do material que deu vitórias aos guerreiros. As que não votaram, mas que, na tipografia, ajudaram a imprimir os votos. Estas histórias de vida, sobretudo as que têm as mulheres como figura central, criam em nós a necessidade de nos interrogarmos sobre por que motivo as sociedades diferenciaram tanto homens e mulheres quer na hierarquia quer nas funções. De tal forma o fizeram que, assim que espreitamos para os bastidores da História, encontramos logo mulheres surpreendentes que chegaram até nós através das suas histórias de vida. Mas que tiveram de se vestir de homens ou de usar nomes masculinos, para realizarem os seus percursos de vida da maneira que desejavam. A primeira, María Perez, uma castelhana que viveu no século XII, e desafiou para um duelo, que venceu, o rei de Aragão, Afonso I. Quando se descobriu que era mulher, foi batizada com o cognome de La Varona. Mais tarde, casou e abandonou a guerra... pela família. E Joana D’Arc? E Mary Read? A aventureira inglesa que se alistou como soldado no regimento de infantaria da Flandres? E Henrietta Faber, que no princípio do século XIX se disfarçou de homem e trabalhou como “doutor” em Havana? Quando, em 1820, se apaixonou, revelou que era mulher e quis casar. Foi presa, porque em Cuba era proibido as mulheres estudarem e praticarem Medicina. E porque não recordar também as escritoras que adotaram nomes masculinos? George Eliot, que se chamava Mary Ann Evans, ou George Sand, Amandine Aurore Lucile Dupin, baronesa de Dudevant, ou Victor Catalá, a catalã Caterina Albert i Paradís. Porque as menciono? Porque elas são um pequeno exemplo de como meia humanidade, a parte feminina, viveu, durante milénios, uma existência frequentemente clandestina e, em grande parte, esquecida, mas sempre muito mais rica do que a forma em que estava presa, sempre acima dos preconceitos e dos estereótipos. Porque há uma história que é preciso que fique na História e que só pode ser resgatada se lhe dermos voz, se a escrevermos e, sobretudo, se a lermos. E agora volto à minha leitura desta história de vida que Maria Manuela Aguiar escreveu. Uma investigação genealógica cuidadosa, meticulosa, profunda e apresentada de uma forma tão interessante que nela mergulhamos e desse mergulho não queremos sair. Numa escrita saltitante e cheia de energias positivas, Manuela Aguiar incentiva-nos a visitar “uma elegante vivenda na rua do Paissandú, onde não faltava uma discreta águia de asas abertas na fachada”, ou a sonhar com o jovem Alfredo de quem a sua mãe dizia “Devia se um Aguiar bonito, para a minha mãe ser tão benevolente com ele...”. Claro que era. E o mistério é desvendado ao ser encontrado, e cito, “um pequeno embrulho de fotografias antigas, entre elas o seu retrato, que parece confirmar o prognóstico da sobrinha: um atraente jovem, de olhar intenso e inquieto.” A história de vida de Mariazinha, a Sra. Dna. Maria Antónia Barbosa de Aguiar, insere-se numa viagem que Manuela Aguiar faz até ao século XVII, numa mistura riquíssima e trepidante, mas em sã convivência, com “outras vidas” que com esta se cruzam, de maridos, irmãos e cunhados, tios e primos, um bispo e até, veja-se o pormenor, um parentesco com a primeira mulher de Camilo Castelo Branco. É muito interessante ver como se podem construir, ou percecionar, como agora está na moda dizer, várias formas de ser e de estar através da descrição da personalidade da figura central. Não resisto a ler só mais este pequeno excerto. Memória de Manuela Aguiar: “Lembro-me do meu pai, esfuziantemente divertido. Só bebia socialmente e tornava-se logo muito mais desinibido, mais despreocupado. A mãe, que vivia em estado de despreocupação permanente, comentava: “Este homem só fica normal quando bebe...” E assim, de uma assentada percecionamos o ambiente alegre e feliz em que viveu Manuela Aguiar, o relacionamento de mãe e pai e um pouco da personalidade de cada um. Aí está mais uma razão por que me apaixonam as histórias de vida, em geral e esta em especial. Poderia contar-vos muitas mais histórias, lendo outros extratos contidos neste livro, fazer o retrato quase fidedigno de Maria Antónia, como se a tivesse conhecido mesmo, e de muitos membros da sua família, tal é a riqueza de pormenores que Manuela Aguiar nos oferece, sobre todos os atores que colocou neste livro. Mas, melhor do que eu, para falar com emoção e credibilidade, de alguém que conheceu pessoalmente e com quem conviveu, está ao meu lado a querida Professora Graça Guedes a quem passo a palavra, usando o título de um livro da escritora italiana Susanna Tamaro: Graça, “vai, aonde te leva o coração”. Espinho, 13 setembro 2025

segunda-feira, 28 de julho de 2025

ORGÃOS SOCIAIS 2025/2027 LISTA A ASSEMBLEIA GERAL Presidente – Maria Manuela Aguiar Dias Moreira Vice-Presidente - Victor Manuel Lopes Gil Vice-Presidente – Manuela Marujo Secretário – Nigel Ransley Secretária – Natália Maria Renda Correia DIREÇÃO Presidente - Maria da Graça Ribeiro de Sousa Guedes Vice-Presidente – Ivone Dias Ferreira Vice-Presidente – Maria Aida Costa Batista Tesoureira - Maria Aurora Secretária – Carol Monteiro de Oliveira Marques Vogal - Maria da Conceição Pereira Ramos Vogal – Deolinda Adão CONSELHO FISCAL Presidente – Ester de Sousa e Sá Vogal – Ilda Januário Vogal – Maria Violante Mendes Martins Suplente – Sarolta Erzebete Hoffer Laszlo Suplente – Maria Joaquina Pires NOTA: SECRETÁRIA GERAL: Este cargo é designado pela Direção, que atribui a Maria de Lourdes Almeida.

PROFª MARIA ANTÓNIA JARDIM - Ações de Formação

DA BIBLIOTERAPIA ÀS HISTÓRIAS DE VIDA ( FOTOBIOGRAFIAS) CONVIDADAS COMO TESTEMUNHO! 6h Sábado de manhã e tarde. ( 27 Set ou 4 Out ou 11 Out ou 29 Nov.) Local: Biblioteca de Espinho Inscrições: 75€ ( mínimo 10 inscritos) 10% desconto para associados BIBLIOTERAPIA e HISTÓRIAS DE VIDA CONTEÚDOS I. O texto literário e os símbolos · O texto literário e o mundo · A hermenêutica de Paul Ricoeur e o encontro de horizontes · Interpretação / Avaliação · Somos contadores de histórias · O ex: de José Saramago II. A imaginação como pedagogia · A imaginação como pedagogia da alteridade · O papel do leitor · A função das personagens · Umberto Eco e Nelson Goodman · Os símbolos e o Conto: A moça tecelã de Marina Colasanti III. As Histórias de Vida e as Fotobiografias Convidadas / Testemunho SOBRE A FORMADORA Maria Antónia Jardim Pós- doutorada em Arte Terapia e Doutorada em Psicologia e Ciências da Educação (Universidade do Porto). Mestre em Literaturas Clássicas Comparadas (Universidade Clássica de Lisboa). Professora Universitária, com Agregação em Psicologia da Arte; investigadora no CLEPUL. Membro da International Association of Waking Dream Therapy (Malta). Escritora e pintora, publicou diversos livros académicos, sobre Hermenêutica, Simbólica, Psicologia da Arte, Imaginativa Onírica e Novas Pedagogias. Especialista em Hermenêutica, Simbologia, Biblioterapia e Cineterapia. Professora e Formadora nas áreas de Psicologia da Arte e Psicologia Onírica.

Mulheres entre Mundos in "Defesa de Espinho"

MULHERES ENTRE MUNDOS 1 – Mulheres entre mundos é o título de uma coleção de narrativas de vida e fotobiografias que será lançada na Biblioteca Municipal José Marmelo e Silva na tarde do próximo dia 1 de fevereiro. Uma iniciativa da Associação Mulher Migrante (AMM), que, desde 2023, tem a sua sede em Espinho, e já antes, aqui fizera parte importante do seu trajeto, a começar por um primeiro encontro mundial de emigrantes portuguesas, em 1995. Por sinal, o maior que até hoje se realizou no país – e já lá vão, exatamente, trinta anos. Há alguns meses, eu própria levei esse projeto editorial a debate na Assembleia-Geral da AMM, onde foi, sem surpresa, aprovada por consenso. Na verdade, a ideia nem era particularmente original no interior da associação, que há anos se ocupa na compilação de histórias de vidas no feminino, e tem, nesse campo, um considerável registo bibliográfico. Contudo, na maioria dos casos, não foi muito além da recolha e divulgação de pequenas sínteses biográficas, e por isso, reconfigurar o projeto, através de uma coleção, representa um salto qualitativo, com a publicação de livros individuais, testemunhos muito mais completos de feitos e vivências de mulheres na sociedade portuguesa, dentro e fora de fronteiras, na sua transição do espaço privado para o público. Como sabemos, ao longo do século XX, muitas mulheres foram, gradualmente, saindo do estreito círculo familiar, onde a ideologia da ditadura e o atraso de mentalidades e costumes tradicionalmente as confinavam, para competir, de igual para igual (embora geralmente sem armas iguais…), no plano cultural, profissional, cívico e político. Todas elas têm coisas importantes e mobilizadoras para contar (todas, sem exceção), e é preciso que o façam. Todavia, à partida, falar de si, destacando percursos, decisões, obstáculos vencidos para a realização pessoal, no mundo da família e no mundo exterior, não é coisa fácil, em especial para as mulheres que ainda se sentem herdeiras de uma tradição de silenciamento e recato (como diz o misógino ditado popular “onde canta galo não canta galinha” …). Além disso, publicar um livro pode a muitas parecer uma meta inatingível.... Com a Coleção, o que se pretende é facilitar, muito pragmaticamente, essa tarefa. Antes de mais, sugerindo o recurso a imagens (que, segundo a sabedoria popular, valem por mil palavras…). Ou seja, optar por uma fotobiografia, em vez de uma mais custosa narração escrita. Podem começar como quem organiza um álbum, legendando as imagens, desfiando memórias, ligando ocorrências, em comentários mais ou menos extensos. Depois, a AMM oferece-lhes a inclusão numa linha editorial, com uma bela e expressiva capa concebida pelo Dr. Tiago Castro. Às autoras cabe a livre escolha da gráfica que executará o trabalho – a associação não se dedica a esse tipo de mediação, não procura oportunidades negócio ou de lucro, não cobra qualquer comissão. Assegura, sim, informações, e, através do seu Conselho Editorial, o acompanhamento do processo de elaboração do livro, e da sua divulgação, com o objetivo de revelar a vidas significantes de mulheres, com especial enfoque nas que cruzaram fronteiras, tanto geográficas como culturais. Neste campo, nunca serão demais as iniciativas, que, hoje em dia, se vão, felizmente, multiplicando, em estudos académicos, e em projetos editoriais, sinal do crescente interesse por uma literatura de natureza intimista, biográfica ou autobiográfica. 2 –A meu ver, esta é, certamente, uma as formas de combater a mais persistente das discriminações de género, a que podemos chamar "discriminação por invisibilidade", (em alguns casos, não só por mera secundarização do género, mas por deliberado apagamento da história). O estatuto das mulheres, ao menos nas ditas "democracias ocidentais" tem inegavelmente progredido, ao abrigo de Constituições e de leis baseadas no princípio da igualdade na família, no trabalho, na política, na sociedade, com uma crescente autonomia e influência, sem que, contudo, o peso do seu efetivo contributo, em todo e qualquer domínio. seja plenamente reconhecido. Foi sempre assim, e hoje é apenas um pouco menos assim... Lembramos as romancistas ou as compositoras musicais, cujas obras foram assinadas por maridos ou irmãos, ou posteriormente “esquecidas” (o caso de Maria Archer, escritora “deliberadamente apagada da história”, segundo Maria Teresa Horta, que não é caso único…), as cientistas, cujas descobertas foram atribuídas a colegas (alguns dos quais, na vez delas, até arrecadaram prémios Nobel...), as pioneiras do cinema (como realizadoras, produtoras, guionistas, técnicas, inventoras)…Um rol infinito de mulheres que se viram despojadas da autoria da sua obra, em praticamente todos os tempos , todos os setores… uma propositada e sistemática intenção de ocultação do feminino? Um dos exemplos mais escandalosos é o da cineasta Alice Guy Laché, que "inventou" a ficção no cinema (antes meramente "documental"), o "cronofone", para a sincronização do som (na Gaumont), efeitos especiais, a colorização, para além de dirigir e produzir mais de um milhar de filmes. Algumas décadas depois, ainda no seu tempo de vida, no século passado, viu-se riscada dos registos da Gaumont e, em larga medida, da história do cinema. É um paradigma que é particularmente oportuno destacar, porque foi precisamente através de uma autobiografia, que ela próprio procurou recuperar o seu património de realizações, a autoria dos seus próprios filmes, que andava imputada a nomes masculinos. Mulheres mais ou menos famosas, partilham, afinal, as agruras da misoginia: não só desigualdade de oportunidades (o aspeto que é mais referido)) mas, também, a desigualdade de reconhecimento no presente (por exemplo, a genérica subvalorização das profissões e tarefas predominantemente femininas...), e o risco do esquecimento no futuro, na história que se vai reescrevendo…. O projeto editorial "Mulheres entre Mundos" tem por principal finalidade combater semelhantes assimetrias, ao dar a palavra e ao pôr o foco o género sub-representado no espaço público. Existe para servir essa causa, está aberto a todas as mulheres, qualquer que seja a sua formação ou atividade, e sejam ou não associadas da AMM – para dizerem, conjugando livremente a escrita e a imagem, como chegaram aonde chegaram. É uma aposta não tanto no valor literário do relato, como no inerente interesse humano de todas as aventuras de vida, e na esperança de que cada nova edição se preste a motivar mais e mais mulheres a saírem do anonimato, a revelarem a diversidade a valia dos seus contributos à sociedade. 3 - A coleção é inaugurada com a fotobiografia da Profª Graça Guedes (“Histórias da minha vida”), e, a meu ver, como já, em várias ocasiões salientei, não poderia começar melhor. Por múltiplas razões, uma das quais é a de nos levar à intimidade de alguém que se notabilizou, primeiramente, no desporto – área em que, não só entre nós, como um pouco por todo o lado, se tem mostrado mais difícil alcançar a igualdade dos sexos, quer no dirigismo, quer no que respeita ao estatuto das desportistas. A autora possui, neste domínio, um currículo de impressionante pioneirismo no plano académico - foi a primeira mulher doutorada em ciências do desporto e professora catedrática em Portugal, depois de ter sido, como atleta e como treinadora, campeã nacional. E, ainda por cima, é uma mulher de Espinho. Espinho, em matéria de recente participação cívica e política das mulheres, não deixa de nos surpreender. Na política está, como é sabido, muito acima da média nacional, (com paridade no Executivo, e a presidência feminina da Câmara e da Assembleia). O que talvez não seja tão notório é a importância da presença feminina a nível institucional, no voluntariado, no associativismo, no que se costumava designar por “forças vivas” da comunidade local. Há atualmente, no concelho, 22 mulheres a presidir à direção associações de todo o tipo sobretudo nas áreas da solidariedade e da cultura, e, também, da proteção dos animais (uma das minhas causas afetivas...). Confesso que, ao partir para um primeiro levantamento, por pura curiosidade, não esperava tanto. Mais uma alínea para a longa lista das perceções desfasadas da realidade, a reforçar a tendência para a menor notoriedade das mulheres nos cargos que exercem. Essas verdadeiras “mulheres entre mundos” são ainda pouco visíveis no mundo novo onde já singram... Maria Manuela Aguiar

PROFª MARIA ANTÓNIA JARDIM Workshop

WORKSHOP DE VIAGENS ONÍRICAS 3h: ( Livro incluído no custo da inscrição) Sábado ; manhã ou tarde ( 27 Set/ 4 Out, 11 Out) Formadora: Maria Antónia Jardim Local: Biblioteca de Espinho Inscrição: 45€ ( Mínimo de 10 inscritos) 10% desconto para associados AMM WAKING DREAM THERAPY, O QUE É? O QUE TRANSFORMA? NESTE WORKSHOP OS PARTICIPANTES SÃO CONVIDADOS A VIAJAR ACORDADOS ATRAVÉS DE UMA IMAGINAÇÃO SIMBÓLICA E ONÍRICA, PERCORRENDO CAMINHOS ENCANTADOS DO SUBCONSCIENTE QUE OS AJUDAM A COMPREENDER O “AQUI” E O “AGORA”! INTERPRETAR, AVALIAR E COMPREENDER-SE, COM UMA CONSCIÊNCIA MAIS ILUMINADA, SÃO OS OBJECTIVOS DESTA SESSÃO. EM SUMA, MELHORAR O AUTOCONHECIMENTO DE SI PRÓPRIO. Conteúdos e objectivos da Waking Dream Therapy A Waking Dream Therapy é uma técnica de raíz terapêutica, com as exigências a nível ético e deontológico, de uma terapia. O sujeito é confrontado com a sua consciência onírica de vigília, que por sua vez, desperto, desencadeia processos criativos assim como a re-descoberta do Si Mesmo enquanto Outro. Em português, a imaginativa onírica, antes de mais, respeita a livre expressão da afectividade, restaura-a e desenvolve-a; constitui por si só um treino saudável do imaginário assim como uma via de auto-conhecimento e desenvolvimento pessoal. A imaginativa onírica, surge como a “ luz no fundo do túnel” que nos orienta para a redescoberta de um potencial criativo. Há que valorizar a consciência onírica no estado de vigília, para podermos agarrar o homo consciens. Carl Gustav Jung já falava de imaginação activa, mas é em França com Desoille que a imaginativa onírica se impõe, quando começa a desenvolver o chamado “ Rêve Éveillé Dirigé”. O terapeuta propõe ao paciente ( de olhos fechados, na obscuridade) um cenário imaginário que vai desenvolvendo com símbolos e à medida que o vai vivenciando o terapeuta vai orientando esse cenário, esse espaço imaginário, onde a imaginação antecipa soluções, descobre laços e significados…sentidos novos para o Si mesmo! Podemos dizer, que muitas vezes, com uma única sessão de Imaginativa Onírica, o sujeito pode dar a volta à sua vida por completo, visto que a interpretação de dados encobertos pelo sub-consciente se torna de tal modo reveladora que permite essa metamorfose e mudança de vida. Esta terapia destina-se a qualquer tipo de pessoa que queira auto-conhecer-se melhor ou libertar-se de medos, tabus e preconceitos, muitas vezes impostos pela educação. É uma terapia com benefícios para a saúde, nomeadamente ao nível do coração, pois é o chakra do coração que mais se trabalha no waking dream therapy. Assim sendo, a Waking Dream Therapy, não tem qualquer contra-indicação, não se pode confundir com meditação ou Raja Yoga, porque é uma terapia para todos e para ser feita sempre que a pessoa sentir necessidade de ir mais longe no seu auto-conecimento, na sua evolução de consciência, no AQUI e AGORA. É o tempo presente que interessa nesta terapia, cruzando nele Passado e futuro, visto que se actualizam os medos e os sonhos. É também catártica, no sentido da libertação do Eu, do sub-consciente para o consciente. É o caminho do vazio da Lua para o consciente luminoso do Sol! Note-se que estes métodos remontam à Antiguidade. Encontram-se hoje em diversas civilizações ditas “ arcaicas”, quer como prática ritual, quer como prática terapêutica. A Formadora: Doutorada em Ciências da Educação pela Uni. Porto; Pós- Doc Arte Terapia; Agregação em Psicologia da Arte. Em Portugal ministrou Cursos, Workshops e Especializações, que incluiram Waking Dream Therapy, nomeadamente no CRIAP, Instituto de Psicologia e Formação Avançada, no Porto. É membro da Associação internacional de Waking Dream Therapy, sediada em Malta. Livro:

quarta-feira, 22 de janeiro de 2025

M- DIRIGENTES ASSOCIATIVAS ESPINHO

M- DIRIGENTES ASSOCIATIVAS ESPINHO Associação Cultura e Ensino de Espinho-Universidade Sénior – Dra. Glória Associação de Enfermagem "O toque" – Enfermeira Ana Marilia Capela AMI- Associação de Moradores da Idanha – D. Ana Clément Artyspinho – D. Lídia Associação Social e Desenvolvimento da Vila de Anta – D. Ilda Oliveira Chuva D´afetos - Associação Solidariedade Social -D. Liliana Conferência S. S. Joaquim -D. Ana Maria Conferência S. Vicente de Paulo de Nossa Sra. da Ajuda – D. Emília Conferência S. Vicente de Paulo de Paramos – D. Candida Coro dos Amigos da Música - Associação Coral Amicitia- Prof. Margarida Quaresma Espinho Vida Associação –D. Emília Dias Grupo Cultural e Recreativo Semente – D. Judite Gymnostar – Prof. Albertina Cabral LACES - Liga dos Amigos do agrupamento dos Centros Espinho/Gaia – D. Maria Jose MARANIMAIS -Mov. Apoio e reinserção de animais – D. Joana My Moyo - associação – D. Susana Santos Mulher Migrante -Associação – Dra. Graça Guedes Orfeão de Espinho – D. Teresa Magalhães OVAC - Obra Vicentina Auxílio ao Cigano – D. Maria do Carmo Rocha Probus – D. Maria do Carmo Rocha Patinhas sem Lar – Dra. Alexandra Flor Rusga da Senhora do Mar – Associação – Menina Vânia Rusga de São Pedro – D. Isabel Neto

segunda-feira, 11 de novembro de 2024

Coleção Mulheres entre Mundos Género: Histórias de Vida-Fotobiografias Associação Mulher Migrante (AMM), aprovou por unanimidade na última Assembleia Geral realizada no passado mês de julho, a proposta da Presidente da Assembleia Geral Manuela Aguiar, para criar uma coleção de fotobiografias e autobiografias – Mulheres entre Mundos – em formato de livro, com a finalidade de dar visibilidade à vida e obra de mulheres portuguesas, com especial enfoque em narrativas das que cruzaram os caminhos da emigração, através de fronteiras, tanto geográficas como culturais. Serão provas de autor, sem qualquer encargo financeiro para a AMM. A AMM fornecerá a capa e contracapa, já elaborada por Tiago Castro e que se mantém para todas as publicações, onde só é alterado o título, o nome do autor e a sua fotografia. O Conselho Editorial da AMM, acompanhará a evolução de todo o processo conducente à elaboração do livro. Características da coleção As obras devem ter a mesma linha gráfica para se assumirem como Coleção. As características de cada livro são as seguintes: Formato 17x24cm Capa a cores em cartolina 300grs, com plastificação mate na frente Interior a cores e preto, em papel mate 135grs Candidatura A apresentação das candidaturas para a publicação das obras na Coleção Mulheres entre Mundos pode ser feita a todo o tempo e deverá ser enviada para o endereço de e-mail: gracasousaguedes@gmail.com . Para formalizar a candidatura, a obra deverá ser apresentada em formato A4, paginada a espaço 1,5, com letra Arial, tamanho 12. . Integrar a coleção implica a aceitação do Conselho Editorial da AMM. Apoios da AMM - Oferta da maquete/design da capa e contracapa da obra a ser editada. - Divulgação da obra, com apresentação individual na sede da AMM, em Espinho. - Divulgação junto da comunicação social local, regional e nacional. - Publicação nas redes sociais da AMM e envio de email às/aos associadas/os FICHA DE CANDIDATURA Título da Obra ____________________________________________________________________________ Nome da autora: ____________________________________________________________________________ E-mail: ____________________________________________________________________________ Contacto telefónico: ____________________________________________________________________________ Morada Completa: _____________________________________________________________________________ Documento de identificação (CC/passaporte) nº: ______________________________ DECLARAÇÃO A candidata à edição declara, sob compromisso de honra, que: a) a obra apresentada a concurso é original e inédita; b) é autora exclusiva da obra; c) ao submeter a candidatura aceita as condições descritas para a edição da Coleção Mulheres entre Mundos, apoiada pela AMM e acima apresentado. Autorizo a recolha dos meus dados pessoais e declaro que tomei conhecimento de que são única e exclusivamente para dar cumprimento ao aprovado para a edição da Coleção Mulheres entre Mundos, sendo que o tratamento dos referidos dados por parte da Associação Mulher Migrante, respeitará a legislação em vigor em matéria de proteção de dados pessoais. Data: _______/_________/_____________ Assinatura: _____________________________________________________________________________ - Divulgação junto da comunicação social local, regional e nacional. - Publicação nas redes sociais da AMM e envio de email às/aos associadas/os

segunda-feira, 29 de julho de 2024

Dia Internacional dos Avós Colóquio RELAÇOES INTERGERACIONAIS, ENVELHACIMENTOS E MIGRAÇÕES Espinho, Biblioteca Municipal Dr. Marmelo e Silva, 26 de julho de 2024 RELATÓRIO Na manhã da passada sexta-feira (26 de julho), dia internacional dos avós, a AMM organizou o Colóquio Relações Intergeracionais, Envelhecimentos e Migrações, associado às comemorações da CME que programou para a tarde e que foi amplamente divulgado pelos órgãos competentes da CME e pela AMM no Facebook (Mulher Migrante Associação) e também por mail enviado às associadas e aos associados. Este Colóquio foi organizado pela nossa Vogal da Direção Maria da Conceição Ramos, da Faculdade de Economia da Universidade do Porto, em parceria com a CMRI (Centro de Estudos das Migrações e das Relações Interculturais da Universidade Aberta (Lisboa), que desde a sua criação pela nossa sócia fundadora e honorária Maria Beatriz Rocha Trindade e pela nossa associada Ana Paula Beja-Horta nos têm organizado importantes eventos científicos, volta a colaborar connosco, agora por ação de Maria Natália Ramos, nossa recente associada e coordenadora científica deste importante Centro de investigação. O Colóquio foi aberto pala Vereadora da CME Leonor Fonseca, nossa associada, em representação da Presidente da Câmara; pela Presidente da Assembleia Geral da AMM Maria Manuela Aguiar e por Maria Natália Ramos do CMRI. Apesar da programação ser intensa, a moderadora Maria da Conceição Ramos coduziu com maestria as intervenções presenciais e on line, que propiciaram momentos de aprendizegns científicas, pragmáticas e de grande sensibilidade. Registamos, com muita satisfação, uma enorme assistência, com destaque de um grupo de alunas da Escola Profissional de Espinho, acompanhadas das suas docentes. Um ambiente verdadeiramente intergeracional. Em nome pessoal e da AMM, agradeço muito reconhecida à CME, à organização e também à Vice-Presidente da Direção Ivone Ferreira e aos nossos novos associados Paula Pires e Nigel Randsley, pelo prescioso apoio que nos deram. Espinho, 29 de julho de 2024 Maria da Graça Sousa Guedes Presidente da Direção

segunda-feira, 4 de setembro de 2023

TERTÚLIAS DE VERÃO - AMM/Círculo Maria Archer - Homenagem a Maria José Estando a acontecer a 7ª Bienal Internacional de Arte de Espinho, que decorre até 30 de setembro de 2023, o Círculo de Culturas Lusófonas Maria Archer e a Associação Mulher Migrante pretendem associar-se a este prestigiado evento artístico e realizar quatro tertúlias/debates – TERTÚLIAS DE VERÂO - ao longo do mês de setembro. O Círculo Maria Archer tem vindo a desenvolver uma intensa atividade para recolocar o nome de Maria Archer no lugar vazio que é seu, na história da nossa Literatura, do feminismo português e do pioneirismo na construção de pontes entre as culturas da lusofonia. Para Teresa Horta, Maria Acher, mulher livre num país ainda sem liberdade, a mais feminista das escritoras portuguesas do século XX e que usou a escrita como arma de combate, pagando por isso um preço alto, tendo sido forçada ao exílio e deliberadamente apagada da História. Este Círculo, é um espaço de reflexão que teve a sua origem na Associação de Estudo, Cooperação e Solidariedade Mulher Migrante (AMM). Na concretização de um grande número das suas atividades, tem contado sempre com a parceria da AMM, que transferiu recentemente a sua sede de Lisboa para Espinho e está agora instalada no Fórum de Arte e Cultura de Espinho (FACE), graças à generosidade e apoio da Câmara Municipal.O Círculo Maria Archer e a Associação Mulher Migrante, pretendem assim e mais uma vez, contribuir para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária, dando voz às mulheres portuguesas que, nas mais variadas áreas profissionais, se constituem como seres humanos de visão feminista e ciente dos seus direitos e deveres. É para esta programação que, com que o apoio da CME e da JFE temos a honra de vos convidar: para assistir, participar ou intervir. 9 de setembro – 15.00H Local: Junta de Freguesia de Espinho Tema: A MULHER NAS ARTES Intervenientes: Ana Pais de Oliveira (curadora da Bienal) Eva Resende – vencedora da 7ª Bienal; Balbina Mendes (AMM); Ana Maria Pintora (AMM); Ana Ferreira, Prémio Especial do Júri, entre outras. Moderação: Nassalete Miranda (AMM) 19 de setembro – 16.00H Local: Junta de Freguesia de Espinho Tema: A MULHER NAS MIGRAÇÕES Intervenientes: Maria Manuela Aguiar (AMM) – ex-Secretária de Estado das Comunidades Portuguesas; Maria Engrácia Leandro (AMM) – Investigadora e professora universitária; Maria da Conceição Ramos (AMM) – Investigadora e professora universitária; Deolinda Adão (AMM), professora universitária; Aida Baptista (AMM), escritora, autora de várias obras sobre as migrações; Maria de Lourdes Almeida (AMM), Conselheira da CCP; Natália Correia (AMM), Associação Mulher Migrante da Argentina Moderação: Graça Guedes (AMM) 23 de setembro – 16.00H Local: FACE Tema: A MULHER NA POLÍTICA Intervenientes: Maria Manuel Cruz –Presidente da CME; Elisa Ferreira – Comissária Europeia; Berta Nunes, ex-Secretária de Estado das Comunidades Portuguesas; Nathalie Oliveira, Deputada da Assembleia de República; Elsa Tavares – ex - Presidente da CME; Ilda Figueiredo, Vereadora da CMPorto. Moderação: Manuela Aguiar (AMM) 30 de setembro – 16.00H Local: Junta de Freguesia de Espinho Tema: ARTE XÁVEGA EM ESPINHO - AS MULHERES VAREIRAS Conferencista: Armando Barge Bouçon Ribeiro - Historiador e autor de obras sobre Arte Xávega, Diretor do Museu Municipal de Espinho. Moderação: Ivone Ferreira (AMM) Manuela Aguiar Graça Guedes Círculo Maria Archer AMM

Lista ÓRGÃOS SOCIAIS 2023

ORGÃOS SOCIAIS * 2023/2025 ASSEMBLEIA GERAL Presidente – Maria Manuela Aguiar Dias Moreira Vice-Presidente - Victor Manuel Lopes Gil Vice-Presidente – Manuela Marujo Secretária – Emmanuelle Jacqueline Ortega Afonso Secretária – Natália Maria Renda Correia DIREÇÃO Presidente - Maria da Graça Ribeiro de Sousa Guedes Vice-Presidente – Ivone Dias Ferreira Vice-Presidente – Maria Aida Costa Batista Tesoureira - Maria Manuela Barros Aguiar Pereira Secretária – Carol Monteiro de Oliveira Marques Vogal – Maria da Conceição Pereira Ramos Vogal – Deolinda Adão CONSELHO FISCAL Presidente – Ester de Sousa e Sá Vogal – Ilda Januário Vogal – Maria Violante Mendes Martins Suplente – Sarolta Erzebete Hoffer Laszlo Suplente - Paula Maria Nunes de Medeiros SECRETÁRIA GERAL: Este cargo é designado pela Direção, que atribui a Maria de Lourdes Almeida, Conselheira das Comunidades Portuguesas.

sábado, 12 de agosto de 2023

Livro Cassio e Constancia

domingo, 9 de agosto de 2020

2019 ORGÃOS SOCIAIS

Órgãos Sociais ASSEMBLEIA GERAL Manuela Aguiar mariamanuelaaguiar@gmail.com Maria Beatriz Rocha-Trindade rochatrindade@hotmail.com Carlos Álvares de Carvalho teresapaisc@gmail.com Natália Correia nataliamrcorreia@hotmail.com Ana Paula Mendes Almeida anapmendesa@gmail.com DIREÇÃO Arcelina Santiago arcelinasantiago@gmail.com Ana Paula Beja Horta apbhorta@hotmail.com Berta Guedes bertaguedes@gmail.com Filipa Menezes filipamenezes1@sapo.pt Virgínia Estorninho virginiaestorninho@gmail.com Luísa Prior luisa.prior@gmail.com Nelma Patela nelmapatela@gmail.com CONSELHO FISCAL Ester de Sousa e Sá sa.ester@gmail.com Cristina Viveiro cristinaviveiro@gmail.com Teresa Menezes madressilva2008@gmail.com Sarolta Lazlo sarolta.lazlo@yahoo.fr Flávio Borda d'Água flavio@bordadagua.org SECRETÁRIA GERAL Graça Guedes gracaguedes@net.sapo.pt LISTA GERAL ana paula barros , Ana Paula Beja Horta , Ana Paula Mendes Almeida , Maria Beatriz Rocha-Trindade , MJ Avila , Isabelle De Oliveira , Lourdes Abraços , Artur Madureira , Maria Campos , Manuela Marujo , Virgil Pires , Fátima De Pontes , Ester de Sousa e Sá , Luísa Prior , Natália , maria violante mendes martins , Isabel Silva , Teresa Menezes , Flávio Borda d'Água , Cristina Viveiro , "Luís Panasco S.A. - Rosario" , nelma patela , susana louro , Maria Teresa Barros Aguiar Pereira , Isabel Aguiar , Manuela Aguiar Pereira , Constancia Nery , Elvira Oliveira , Ilda Januario , Maria José Vieira Silva , Adelaide Vilela , Carlos Manuel Aguiar , Manuela Aguiar mariamanuelaaguiar@gmail.com, anacumbre@gmail.com, Maria Helena Álvares lenaalvares@hotmail.com, sggc@sapo.pt, gonçalosantos@gov-madeira.pt, sarolta.lazlo@yahoo.fr, virginiaestorninho@gmail.com, vieirasilva.mariajose@gmail.com, aidabatista@sapo.pt, milu1804,@gmail,com, teresapaisc@gmail.com, filofonseca@sapo.pt, mmcdiniz@gmail.com , maria.doceu@web.de, gracaguedes @net.sapo.pt, mariaisabelaguiar@sapo.pt, virgilpires@hotmail.com, dadao@sbcglobal.net, deoadao@berkeley.edu, madalenaaguiarpereira@hotmail.com, carmenlc@rogers.com, lourdesabracos@yahoo.com.br, elsadenoronha@gmail.com, custodioportasio@gmail.com, custodiadomingues@gmail.com, Novos sócios - reunião geral de 6 agosto leonorfonseca.cme@gmail.com, defesadeespinho@mail.telepac.pt, marianapatela@gmail.com, cintiars99@gmail.com, paxeco11@yahoo.com, rvalaila@gmail.com, victorlopesgil@gmail.com, emmanuelle.afonso@gmail.com, aterraminhota@gmail.com, ruimiguelpires85@gmail.com, julianery@gmail.com, jduarte@mundoportugues.org, rosa.guimaraes@portugalmail.pt,docasonline@gmail.com, docasonline@gmail.com, joaomiguelaguiar@gmail.com, miguelleite@gmail.com, Maria Isabel Gonçalves Araújo Pereira sem email, contactável através de Isabel Aguiar Luciana Barros Lopes sem email , contactável através de Isabel Aguiar Jorge Azevedo e Sousa – sem email Maria Lurdes Almeida sem email??? LISTA GERAL por ordem alfabética A Adelaide Vilela , Aida Batista , Ana Paula Barros , Ana Paula Beja Horta , Ana Paula Mendes Almeida , Ana Ribeiro , António Pacheco , Artur Madureira , C Carlos Manuel Aguiar , Carmen Carvalho , Cíntia Ribas , Constancia Nery , Custodia Domingues , Custodio Portásio , Cristina Viveiro , D Deolinda Adão , , E Eduarda Fonseca, Elsa de Noronha, Elvira Oliveira , Emanuelle Afonso , Ester de Sousa e Sá , F Fátima De Pontes , Flávio Borda d'Água , Francisco Alves , G Gonçalo Santos, Graça Guedes, I Ilda Januario , Isabel Silva , Isabelle De Oliveira , Isabel Aguiar , J João Aguiar , José Duarte , Júlia Nery, L Leonor Fonseca, Lourdes Abraços , Luciana Barros Lopes, LúcioAlberto , "Luís Panasco S.A. - Rosario" , Luísa Prior , M Madalena Aguiar , Manuela Aguiar Pereira , Manuela Marujo , Maria Beatriz Rocha-Trindade , Maria Campos , Maria do Céu Campos, Maria Filomena Fonseca , Maria Helena Álvares , Maria Teresa Barros Aguiar Pereira , Maria Isabel Aguiar , Maria Isabel Gonçalves Araújo Pereira , MJ Avila , Maria José Vieira Silva , Maria Manuela Aguiar , Maria Manuela Diniz , Maria Violante Mendes Martins , Mariana Patela, Miguel Leite , MILU , N Natália , Nelma Patela , R Rosa Gaioso Guimarães , Rui Miguel Piresr, S Sarolta Lazlo , Susana Louro , T Teresa Menezes , Teresa Pais , V Vitor Gil, Virgil Pires , V. Pires , Virgínia Estorninho

sexta-feira, 7 de agosto de 2020

OS CONCERTOS A PORTUGALIDADE AVA

CONCERTOS A Portugalidade" - Comemorações do 75º aniversário do Maestro António Vitorino de Almeida

As conferências/Concertos com Miguel Leite e o Maestro António Vitorino de Almeida integraram-se na homenagem promovida pela SECP, em parceria com a AEMM, ao compositor português mais importante da atualidade, que, tendo vivido mais de 30 anos em Viena, é também um símbolo da emigração altamente qualificada, que hoje assume proporções jamais vistas.

A iniciativa permitiu atingir dois objetivos, em simultâneo: levar às comunidades do estrangeiro, em palcos internacionais, a Arte e a Cultura portuguesas, em atuações de caráter didático e formativo, e celebrar, em ambiente festivo, uma data especial na vida de uma pessoa especial - um expoente da nossa Cultura, e da nossa Música, que é também um genial comunicador.

Em 2015, realizaram -se os primeiros espetáculos no Luxemburgo (no Auditório Municipal da cidade de Esch) e em França (Paris - no Conservatório Jean-Baptiste Lully da Municipalidade de Puteaux) - momentos inesquecíveis, emocionantes, que terminaram, da mesma maneira, todos de pé, num imenso aplauso ao homenageado. Na fórmula adotado, um diálogo entre dois especialistas, que, no palco falávam de grandes músicos portugueses e de outros vultos da cultura deles contemporâneos, havia sempre ocasião para os mementos mágicos em que o Maestro tomava conta do piano, ou em que o piano tomava conta dele, na execução de obras dessse compositores, ou em pura improvisação - memorável o improviso dedicado soa Cristos de Mestre Adelino Ângeli, em Puteaux - com o mestre comovido a exclamar "igaul a Wagner!"Presentes no Luxemburgo o Embaixador e o Cônsul - Geral, (a quem se deve a esplêndida organização), e em Puteaux, o SECP e o Deputado Carlos Gonçalves e a Vice-Reitora da Sorbonne Isabelle Oliveira, que foi a grande impulsionadora local do concerto, que decorria no final do Colóquio realizado na Universidade da Sorbonne.(Diálogos sobre cultura, cidadania e género).
Em Esch, a ordem foi invertida, primeiro o concerto, ao fim da tarde, seguido de um jantar tertúlia, com portugueses do Luxemburgo.
Esta iniciativa da SECP de homenagem ao Maestro, não teve, no nosso país, o eco que deveria ter nos meios de comunicação social, mas no Luxemburgo a cobertura mediática foi excelente, na rádio e no jornal Contacto, que, para além da notícia, realizou entrevistas com o Maestro, Miguel Leite,e, na perpetiva da emigração atual, um dos temas da tertúlia, também Manuela Aguiar. Num relato conciso, Henrique de Burgo salienta: "A conferência-concerto decorreu num ambiente descontraído. Victorino d' Almeida passou em revista alguns dos momentos marcantes dos seus 75 anos de vida e relembrou alguns compositores portuguese. Ao piano, tocou o fado "A Severa , de compositor ignorado, Frederico de Freitas e "Verder anos " de Carlos Paredes, entre outras obras. [...] Victorino de Almemida conta com mais de 200 composições (sinfonias, óperas, fados, músuca de Câmara) e 14 livros."-j Miguel Leite acentuou a importância deste projeto para mostar que"Há outro tipo de música. Portugal é um país que tem grandes compositores, grandes pianistas e jovens músicos a dar cartas pelo mundo fora em grandes orquestras. Somos bons em tantas coisas, mas somos maus a adivulgar. Também o Maestro deu uma expressiva entrevista a Henrique de Burgo, em que começa c:: EM PORTom uma afirmação que faz o título principal:
EM PORTUGAL SINTO-ME COMO UM PESCADOR DE BALEIAS NA SUIÇA
transcrever na íntegra
No início do jantar-tertúlia, Henrique de Burgo entrevistou, seguidamente, Manuela Aguiar e fez o título com uma das tónicas em que insistiu: "GOVERNO TEM DE RECONSTITUIR UMA MÁQUINA DE APOIO AOS PORTUGUESES DO ESTRANGEIRO"
[...] depois de ter deixado a Secretaria de Estado da Emigração e das Comunidades Portuguesas, Manuela Aguiar continua a trabalhar com as comunidades portuguesas no estrangeiro. Na Associação Mulher Migrante coorden vários estudos sobre os emigrantes portugueses. Considerada uma das maiores especialistas sobre a emigração, critica qualquer governo, mesmo do seu PSD. O Governo tem a obrigação Constitucional de reorganizar os serviços de amigração, o Governo tem de reconstituir uma máquina de apoio aos portugueses nos países onde estão, para evitar fenómenos de exploração", defende Manuela Aguiat.
[...] O governo tem de apoiar os que querem sair, mas apoiar de todas as formas possíveis, os portugueses que queiram regressar, Tem de haver uma política de regresso, ainda que não seja de imediato, e chamar as pessoas á medida que seja possível [..]. Com o sub-título "Meio milhâo de Portugueses saíram no mandato deste Governo", escreve " Para a dirigente da Associação Mulher Migrante , Portugal está a viver, actualmente uma situação demográfica dramática [... ] Ha emigração como nos anos 60, ainda que mais qualificada e mais dispersa. Estão a sair 120.000 a 130.000 pesspas por ano, segundo os números do actual Secret+ario de Estado dass Comunidades, José Cesário. [...] Se, futuramente, a política de regresso não for suficiente, para "refazer o tecido demográfico de Portugal", a antiga governante defende a emigração lusófona. "Os imigrantes podem ser de todos os países, de gente de boa vontade, mas acho que seria fantástico que se fizesse dentro do mundo lusófono [...] devíamos reforçar os laços da lusofonia através de migrações em massa. de preferência imigração altamente qualificada, porque estamos a perder jovens altamente qualificados. É um sonho que tenho, mas, na prática, só podemos fazer isso com desenvolvimento económico [..]
Manuela Aguiar foi quem negociou com Jean Claude Junker a "clausula de salvaguarda" que o Luxemburgo queria impor à imigração portuguesa. Diz que só 30 anos depois soube qu Juncker era contra essa imposição."Foram as primeiras grandes negociações com o Luxemburgo e não foram fáceis [...] Na altura eu não sabia,mas Juncker contou numa entrevista na Gulbenkianm quase 30 anos depois, que ele era dos que não queriam a cláusula se salvaguarda, Ele queria dar de imediato todos os direitos aos portugueses. Três anos depois, ele era primeiro ministro e acabou com a clausula de salvaguarda". A responsável relembra também o problema do ensino. " A dificuldade do ensino dos filhos dos portugueses, em três línguas, foi sempre o grande problema que apresentei às autoridades luxemburguesas. A resposta que me davam na altura é a mesma que dão hoje".

AMM UM PERCURSO DE TRÊS DÉCADAS M C CUNHA REGO e outras comunicações

AMM  UM PERCURSO DE TRÊS DÉCADAS

   1985 -  Viana do Castelo

Recordando o 1º Encontro de Portuguesas Migrantes no Associativismo e no Jornalismo

Maria do Céu da Cunha Rêgo

No fim da primavera de 1985, quando Portugal aderiu às então designadas Comunidades

Europeias em busca de crescimento e de sustentabilidade para a democracia, Manuela Aguiar,

então Secretária de Estado da Emigração, chamou a Viana do Castelo mulheres das

comunidades portuguesas, que se tivessem distinguido nas áreas do associativismo ou do

jornalismo nos países que também tinham feito seus. Antecipou assim, em cerca de 10 anos, o

que haveria de ser uma das principais recomendações da IV Conferência Mundial sobre as

Mulheres organizada pelas Nações Unidas em Pequim, em 1995: a indispensabilidade do

empoderamento das mulheres, de que são pressupostos, a visibilidade e o reconhecimento.

Foi, com efeito, antes de mais, uma acção positiva: as reuniões institucionais de

representantes das comunidades portuguesas eram, em princípio, redutos de homens. Dar voz

às mulheres, constatar as suas realizações, ouvir as suas críticas e as suas vontades, registar as

suas propostas, celebrar este encontro em Portugal foram objectivos conseguidos.

As comunicações - seleccionadas de entre as que enviaram “mulheres consideradas relevantes

quer no jornalismo quer no associativismo pela estrutura diplomática e consular”, no dizer de

Maria Luísa Pinto, então presidente Instituto de Apoio à Emigração - agruparam-se em três

temas e foram apresentadas por portuguesas de todos os continentes e de diversas idades:

·         As mulheres migrantes na sociedade (com comunicações do Brasil, da República da África

do Sul, do Luxemburgo, de França, do Canadá, da Austrália e dos Estados Unidos da América);

·         As mulheres migrantes e o jornalismo (com comunicações do Reino Unido, da Argentina,

dos Estados Unidos da América, do Brasil, de França e do Canadá);

·         As mulheres migrantes e o associativismo (com comunicações dos Estados Unidos da

América, da Venezuela,  da Argentina, de França e do Canadá).



Houve ainda teatro e cinema sobre a emigração portuguesa em França apresentado por jovens

residentes naquele país, concertos, palestras, exposições e momentos de lazer e de convívio.

A iniciativa, organizada pela Secretária de Estado e pelo então Instituto de Apoio à Emigração,

foi apoiada pela UNESCO e outras instituições a nível nacional e local. Nela intervieram, para

além das entidades organizadoras e de elementos do Conselho das Comunidades Portuguesas,

figuras públicas residentes em Portugal - deputadas, escritoras, académicos, jornalistas e

representantes de diversos departamentos da Administração Pública.



Ficaram conclusões que, nos anos seguintes, vieram a inspirar políticas públicas em Portugal e

iniciativas das comunidades portuguesas por todo o mundo, incluindo a criação da Associação

Mulher Migrante, que actualmente integra o Conselho Consultivo da Comissão para a

Cidadania e Igualdade de Género. Ficou um livro a dar conta de tudo, editado pelo Centro de

Estudos da Secretaria de Estado, ao tempo já designada das Comunidades Portuguesas. E ficou

uma saudade de repetição, só concretizada 20 anos depois, numa versão actualizada, com os

“Encontros para a Cidadania: A igualdade de homens e mulheres nas comunidades

portuguesas” que tiveram lugar em diversos continentes entre 2005 e 2009 e que encerraram

em Espinho.

E eu que, pelas funções que fui exercendo, contribuí para a organização de vários destes

encontros, só posso agradecer o privilégio, a alegria e o enriquecimento que este trabalho me

deu.

1985 - O CCP, o Encontro de Viana e as políticas de género

Maria Manuela Aguiar

1- 2015, num momento em que o CCP, renovado por um processo eleitoral, tem de repensar a

sua atuação, para ocupar, mais e melhor, o espaço privilegiado, que é o seu, no diálogo e

cooperação entre portuguesas e portugueses do mundo inteiro e na sua representação

perante o Governo, a diplomacia, as entidades públicas de Portugal, num momento em que

está essencialmente voltado para hoje e amanhã, é interessante lançar um olhar retrospetivo

sobre a sua evolução, em especial no que respeita ao equilíbrio de participação de

género. Como tornar esta singular instituição mais inclusiva, mais democrática, mais capaz de

levar a Lisboa toda uma grande diversidade de situações em mudança e de problemas, novos

ou recorrentes, a solucionar na emigração? O equilíbrio de género será factor decisivo para

que cumpra melhor as expetativas e os meios nele investidos? A paridade, globalmente, é

ainda uma meta utópica, mas foi agora alcançada na Venezuela, na Argentina, em Macau...A

diferença que as mulheres aí - e porventura, também noutros países - conseguirem fazer

poderá mudar a forma de ser e de estar de um órgão, desde o seu início tão marcadamente

masculino?

2- Na sua primeira vida, entre 1981 e 1988, o CCP era eleito dentro do círculo das associações

do estrangeiro. Espelhava, naturalmente, a realidade de um universo institucional liderado por

homens, não havendo entre os seus representantes eleitos uma única mulher. Mas no

Conselho tinham também assento representantes da comunicação social, e foi no interior

desta segunda componente que se registaram, nas eleições de 1983, as primeiras presenças

femininas, Maria Alice Ribeiro (Canadá) e Custódia Domingues (França).

Foi Maria Alice Ribeiro, do Canadá, quem, na reunião Regional da América do Norte, em 1984,

propôs a convocação de um encontro mundial de Portuguesas do estrangeiro, A ideia obteve

fácil consenso e a Secretaria de Estado da Emigração promoveu a sua organização em 1985 .

A seleção das participantes foi feita com base em comunicações apresentadas por mulheres

dirigentes na esfera associativa ou envolvidas na atividade jornalística - as duas vertentes em

que se centrava o CCP. O 1º Encontro Mundial trouxe ao Minho, a Viana do Castelo, uma elite

feminina, que se distinguiu pela sageza, visão e capacidade de chegar a consensos. Foi uma

reunião diferente de todas as outras, verdadeiramente  excecional... Falaram da especificidade

de género nas migrações, mas também da emigração como um todo: o ponto de vista

feminino, até essa altura, desconhecido, sobre sociedades em transformação, às quais

queriam poder dar, livre e responsavelmente, a sua parte.

Essa primeira audição governamental foi uma espécie de "Conselho no feminino",

preenchendo um vazio absoluto, convertendo-se em prenúncio de leis e programas, visando a

paridade. A Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas instituíra, em 1987, a

Conferência para a Igualdade de Participação, que, a par de outras conferências temáticas,

funcionaria na órbita do Conselho. Porém, no verão desse ano, caiu o Governo, e com o novo

Executivo caiu o CCP e tudo o que com ele se relacionava, como era o caso das conferências

periódicas. E a questão de género na Diáspora e no CCP ficou esquecida durante duas décadas.

3- O Encontro de Viana era precursor, em termos europeus (e, ao que se afirmou, nas sessões

d 1º Encontro, em termos universais - ninguém tinha conhecimento de convocatória

semelhante por parte de um governo em favor das mulheres expatriadas). Portugal era, por

sinal, um Estado improvável para se tornar pioneiro neste domínio, com as suas políticas

particularmente misóginas, desde os tempos da Expansão até ao 25 de Abril... E mesmo depois

da revolução de 1974, continuara a centrar os esforços de promover a igualdade apenas

dentro das suas fronteiras - as prioridades da Comissão para a Igualdade denunciam

esta visão" territorialista" das suas tarefas. Em 1984/85, o impulso para a inovação e para a

mudança veio do CCP, onde uma mulher "fez a diferença". As pioneiras do Conselho eram

poucas, mas notáveis e estiveram, em 1993, entre as fundadoras da Associação Mulher

Migrante, animadas pelo projeto de criar uma associação feminina internacional, segundo

a estratégia delineada no Encontro de 1985.

4- Na sua segunda vida, em 1996, o CCP tornou-se um órgão eleito por sufrágio direto e

universal, seguindo os novos moldes entretanto adotados pelos congéneres europeus. Mas, de

facto, em muitos domínios, (ensino, cultura, segurança social, recuperação da nacionalidade,

participação cívica e política) as suas preocupações inseriam-se na senda do

Conselhos anterior. Todavia, apesar do escasso número de eleitas em cada novo ato eleitoral,

o CCP não retomou, nos seus plenários, a ideia de um forte chamamento cívico das mulheres a

uma intervenção mais ativa no seu funcionamento e nas comunidades. As principais exceções

foram o Canadá, que, com Maria Alice Ribeiro e o coordenador nacional Manuel Leal,

colocaram esta problemática nas prioridades da agenda no plano local (dinamizando, com

sucesso, colóquios e workshops em diversas cidades), os EUA, com Manuela Chaplin e

o coordenador João Morais e o Uruguai, com Luís Panasco Caetano ( que se envolveu

ativamente na promoção do associativismo feminino no sul da América) . Não haverá muito

mais a assinalar.

A decisão de promover o aumento da presença feminina na instituição acabou por vir de fora,

não em cumprimento de uma qualquer recomendação dos conselheiros, mas "ex vi legis", com

a extensão às eleições do CCP das regras da Lei da Paridade, que rege a composição do

Assembleia da República, das Assembleias Legislativas das Regiões Autónomas e das

Autarquias.

E, por puro acaso, fruto da cronologia eleitoral, a primeira experiência da aplicação da

chamada "lei das quotas" foi justamente a elaboração das listas para o Conselho. Um teste

positivo, já que a proporção da mulheres aumentou, sem prejuizo da sua competência.

Porém, no que respeita a cargos formais (presidência do órgão ou das comissões), o CCP tem

sido sempre um "mundo de homens", ao contrário da Assembleia da República, onde a

 presidência, vice-presidência, chefia de delegações internacionais, dos grupos parlamentares

e de comissões por deputadas entrou no domínio da normalidade ..

.5- A composição do Conselho saído das eleições de setembro passado, está muito longe da

igualdade de género, com apenas 12 mulheres conselheiras, embora a paridade tenha sido

alcançada, aqui e ali... A Venezuela figura, doravante, nos anais da instituição, com a liderança

feminina das listas vencedoras no conjunto das duas áreas consulares, e os nomes de Milú de

Almeida e de Fátima Pontes, que encabeçaram listas rigorosamente paritárias. O mesmo se

diga da Argentina, com Maria Violante Martins, e de Macau, com Rita Santos.

Se quantitativamente o resultado fica muito aquém do ideal da paridade, já de um ponto de

vista qualitativo ( olhando o movimento que leva as mulheres ao "empoderamento" na

assembleia representativa dos emigrantes, que é o CCP), há sinais promissores de mudança.

Pela primeira vez, são eleitas conselheiras oriundas de um associativismo de matriz cívica, de

um "congressismo" que se reconhece no " espírito de Viana" - caso da "Mulher Migrante" com

as suas ramificações internacionais, particularmente fortes na América do Sul, na Venezuela,

na Argentina. Maria Violante, Milú de Almeida e Fátima Pontes são associadas e dirigentes da

"Mulher Migrante"..

6 - O CCP fez história das políticas de género com a proposta do Encontro Mundial de 1985,

que designámos como uma espécie de "CCP no feminino". Tem agora, com militantes de

movimentos que aí nasceram, a possibilidade de levar por diante essas políticas, incluindo na

sua agenda de preocupações e de prioridades de ação a metade marginalizada das

comunidades, as mulheres, ou seja, de integrar, definitivamente "o feminino no CCP".

RECORDANDO LAURA BULGER

Graça Guedes, Professora Catedrática, Secretária Geral da AECS Mulher Migrante

Neste ano de 2015, outra das nossas associadas e das mais antigas, nos deixou: Laura Bulger.

Conheci a Laura há trinta anos, em Viana do Castelo, no emblemático 1º Encontro de

Portuguesas Migrantes no Associativismo e Jornalismo, organizado pela Secretaria de estado

das Comunidades Portuguesas.

Veio em representação do Canadá e, especificamente, enquanto responsável pelos Estudos

Portugueses na York University de Toronto, onde era Professora, para nos dar a conhecer a

problemática da mulher imigrante numa sociedade pluralista, como é a do Canadá (In Actas do

1º Encontro de portuguesas Migrantes no Associativismo e Jornalismo. Porto: Edição do

Centro de Estudos da Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas, pp. 49-51).

Algum tempo depois e a seu convite, conheci bem de perto os jovens que integram os Estudos

Portugueses na York University, quando aí me desloquei para proferir uma conferência e

percebi a dinâmica deste grupo que a Laura liderava, na prossecução da missão que encetaram

- transmissão de uma herança cultural que seja adequada à realidade atual do país de origem.

Efetivamente, os valores tradicionais transmitidos pelos seus Pais e com que se identificam,

mantêm uma cultura transplantada de um Portugal de há mais de 25 anos e tal como Laura

nos relatava em Viana do Castelo (p 51) … com elementos estáticos que os filhos não

conseguem compreender nesta sociedade multifacetada e em constante evolução, pelo que a

missão deste grupo de estudos universitários balizava adequar a nossa herança cultural a este

País de acolhimento, politicamente multicultural e incentivador da participação ativa do

imigrante na nova sociedade, sem ter de abdicar da língua e cultura de origem.

Conheci-a então melhor, não só no seu contexto de trabalho, mas também no seu ambiente

familiar, pois fez questão que ficasse alojada em sua casa. Uma moradia antiga, victoriana,

localizada num pacato bairro residencial de Toronto. Com o marido John e o seu gato

Chomsky, partilhamos momentos fantásticos que nunca esquecerei, impregnados da sua

inteligência e do seu sorriso sereno!

Aqui ficou consolidada a nossa amizade e que perdurou.

Encontrávamo-nos, sempre que vinha a Portugal e ao Porto, onde tinha residência.

Mais tarde e de regresso a Portugal, passou a integrar o quadro docente da Universidade de

Trás os Montes e Alto Douro (UTAD), mas continuou com residência no Porto.

A Laura era licenciada em Filologia Germânica pela Faculdade de Letras da Universidade

Clássica de Lisboa, onde também obteve o seu doutoramento, com uma dissertação onde o

objeto de estudos foi A Sibila (1954) de Agustina Bessa Luís, tornando-se uma grande

especialista da obra magnífica desta grande mulher da literatura lusófona e também uma

grande sua amiga.

Participou em muito eventos científicos organizados pela Associação Mulher Migrante, tais

como em 1995 e em Espinho, no Encontro Mundial de Mulheres Migrantes – Gerações em

Diálogo, onde foi comentadora da Mesa Redonda A Mulher nas Literaturas de Língua

Portuguesa, moderada por Agustina Bessa Luís. E também em 2011, na Maia, no Encontro

Mundial de Mulheres Portuguesas na Diáspora, onde interveio no Painel Cidadania e

Cultura, com a comunicação intitulada Agustina revisitada… num relance (In Aguiar, M. &

Guedes, G. Orgs.Encontro Mundial de Mulheres Portuguesas na Diáspora. Edição da

Associação Mulher Migrante. Espinho: Tipografia Meneses – Cooperativa Gráfica de Espinho,

pp. 62-65).

Cidadania e Cultura, marcam a vida da Laura Bulger e marcaram todos e todas com quem

partilhamos momentos de convívio ou de aprendizagens e que nunca esqueceremos.

O seu sorriso sereno e a sua simpatia perdurará em todos nós.

   1995 – Espinho

 O ENCONTRO MUNDIAL DE MULHERES MIGRANTES – GERAÇÕES EM DIÁLOGO

 UM CONGRESSO A ABRIR CAMINHOS DE FUTURO

Graça Guedes, Professora Catedrática, Secretária Geral da AECS Mulher Migrante

Introdução

O Encontro Mundial de Mulheres Migrantes – Gerações em Diálogo, realizado em Março de

1995, marca indelevelmente o início das atividades da Associação de Estudo, Cooperação e

Solidariedade Mulher Migrante, criada por escritura notarial em 2 de janeiro de 1994, razão

pela qual valerá a pena revisitar este evento, decorridos já 20 anos, numa tentativa de

evidenciar a sua importância, apesar de existirem publicações que o relataram, incluindo

muitas das comunicações *.

Uma Associação, que se inspirou nas grandes conclusões o 1º. Encontro de Portuguesas

Migrantes no Associativismo e Jornalismo organizado pela Secretaria de Estado da Emigração

em 1985 e assim iniciou este caminho que vem percorrendo: de estudo e investigação que

envolve a problemática da mulher portuguesa na nossa diáspora.

Este Encontro, que serviu para dar a conhecer a nossa associação, foi também a concretização

de uma das recomendações do Encontro de Viana (1985), que visava a realização de um

Congresso de Portuguesas no Mundo e, segundo Manuela Aguiar (2009), … com a finalidade de

abordar áreas temáticas, tais como a presença feminina no associativismo, na comunicação

social, no trabalho, no ensino da língua, na preservação da cultura, através das segundas

gerações, na preparação do regresso a Portugal.

No Encontro Mundial de Espinho intitulado Gerações em Diálogo estiveramcerca de 400

participantes, muitas das quais vindas dos cinco continentes e na sua grande maioria dirigentes

associativos, professores, investigadores, antigos conselheiros do CCP, jornalistas, políticos,

jovens das comunidades e de associações espinhenses.

Tive a honra e a satisfação de ter sido desafiada pela Direção e pela Presidente da Assembleia

Geral para organizar este primeiro Encontro, cuja tarefa foi facilitada pela extraordinária

equipa que me apoiou.

Neste recuo de 20 anos, será relatada esta experiência magnífica e, provavelmente,

evidenciados factos que marcaram este Encontro que terá aberto os caminhos de futuro da

nossa Associação.

Encontro Mundial de Mulheres Migrantes – Gerações em Diálogo. Comunicações (s/ data).

EdiçãoAECS Mulher Migrante. Oliveira de Azemeis: Oficinas Gráficas do Jornal “A Voz

de Azemeis”

Encontro Mundial de Mulheres Migrantes – As Ideias e os Factos Assinalados (s/ data).

Edição AECS Mulher Migrante. Oliveira de Azemeis: Oficinas Gráficas do Jornal “A Voz

de Azemeis”

Mulher Migrante – O Congresso ONLINE (2009). M. Aguiar & T. Aguiar (Coordenação). Edição

AECS Mulher Migrante. Porto: Rocha artes gráficas.lda.

Organização

Todas as tarefas são simplificadas, quando a equipa é coesa e dinâmica, interessada em tudo

fazer para o êxito desta organização. Com diferentes vivências e formações

académicas, muitos dos quais estudantes de doutoramento da minha Faculdade, propiciaram

uma articulada intervenção para dar resposta a todas as necessidades.

Orgulho-me desta equipa que tão bem me apoiou e que muito justamente merece ser elogiada

neste texto, com o meu maior agradecimento: Rosa Maria Albernaz, Isabel Aguiar, Maria José

Vieira, Estefânia Ribeiro, Elsa Gaioso Vaz, Conceição Maia, Manuela Diniz, Sandra Prata,

Manuela Barros Aguiar, Conceição Catarino, Sónia Teixeira, Mónica Silva, Iguatemy Lucena

Martins, LuísAntonio Silva, Juarez Nascimento, Solange Nascimento,

Joyce Stefanello, Wenceslau Leães Silva.

Desde o acolhimento no aeroporto, com o transporte fornecido pela Câmara Municipal de

Espinho e que garantiu todas as chegadas, considerando a diversidadedos horários, instalação

no Hotel Praiagolfe onde se realizou o Encontro, organização dos espaços e funcionamento das

atividades definidas na programação, para além de tudo quanto possa envolver as dúvidas e

necessidades de cada participante, alguém estava atento e pronto para apoiar.

Mas para que os objetivos do Encontro se pudessem implementar, sobretudo para que

houvesse uma significativa participação de mulheres vindas dos cinco continentes, foi

fundamental ter tido apoios que importa salientar e reconhecer: Secretaria de Estado das

 Comunidades Portuguesas, Secretaria de Estado da Juventude, Ministério da Educação, Sub-

Secretária de Estado da Comunicação Social, Direção Geral da Família, Governo Civil de Aveiro,

Governo Civil de Lisboa, Câmara Municipal de Espinho, Junta de Freguesia de Espinho,

Comissão para a Igualdade e para os Direitos das Mulheres, Comissão de Turismo Rota da Luz,

Fundação Calouste Gulbenkian, Fundação Luso-Americana, Fundação Luso-Brasileira,

Fundação Oriente, Banco português do Atlântico, Praiagolfe Hotel, Salvador

Caetano, Espinfor, Centralcer, Edgar & Irmão, Saer,Solverde.

​Um Comissão de Honra que também nos prestigiou com as suas presenças e intervenções.

Todas e todos tiveram um papel preponderante, que julgo ser inédito e de que muito nos

prestigiaram

Atividades culturais

Também neste domínio se continuou a tradição do Encontro de Viana em 1985, como é bem

explicado no livro de Atas publicado em 1986 pelo Centro de Estudos da Secretaria de Estado

das Comunidades portuguesas (pp. 121-133) promovendo diversas atividades culturais, que

incluíram Teatro, pelo Grupo Cá e Lá, Cinema, com a projeção do filme Portugaises d´Origine,

Exposições – bibliográficas (organizadas pelo Instituto de Apoio à Emigração e Comunidades

Portuguesas, pela Comissão da Condição Feminina e pela Associação Portuguesa de Escritores

e Livreiros), fotográfica, intitulada Cantos e Recantos, da autoria de Esperança Marques,

patentes no espaço de convívio do Encontro e ainda uma exposição em Braga, evocando a

História da emigração e fixação portuguesa no Hawai, intitulada Os Portugueses no Hawai.

Dez anos depois, em Espinho, no final primeiro dia do Encontro e depois da receção na Câmara

Municipal de Espinho pelo Presidente José Mota, foi inaugurada num espaço central da cidade,

com acesso livre a toda a população, a Exposição Paisagem de um Povo, da pintora Fátima

Melo, um acervo que pertence à Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas,

favorecendo, assim, uma ligação do Encontro com a cidade que o acolheu e que ficou aberta,

na rua principal, durante todos os dias.

Trata-se de uma coleção de pintura a pastel sobre papel, composta por 15 telas, representando

diferentes regiões de Portugal e que havia sido encomendada à autora pela então Secretária

de Estado da Emigração, Drª. Manuela Aguiar.

anexo









Este primeiro dia não terminou, sem uma oportunidade para todas se conhecerem melhor.

Houve um convívio cultural, onde não faltou o canto, a dança e a poesia, protagonizados pelo

grupo Como Elas cantam e Dançam em Paços de Brandão, dirigido pela Dona Joana Ferreira

Alves e considerado internacionalmente como o melhor grupo etnográfico português, pela

Tuna Feminina da Universidade do Porto e pela poetisa Elsa Noronha, também

interveniente na Mesa Redonda do Encontro intitulada A Mulher nas Literaturas de Língua

Portuguesa, moderada pela escritora Agustina Bessa Luís.



Depois de três dias de intenso trabalho em Espinho, as participantes deslocaram-se para

Lisboa, onde tiveram uma receção no Hotel da Lapa, oferecido pela Senhora Governadora Civil

de Lisboa, Drª. Adelaide Lisboa, sem porém deixarem de passar por Aveiro, para um passeio

turístico na Ria, num barco Moliceiro, oferecido pelo Governador Civil de Aveiro, Dr. Gilberto

Madail e pela Comissão de Turismo Rota da Luz.



Conclusão

​Seria exaustivo​apresentar aqui as conclusões de cada um dos painéis que estão registadas na

publicação frequentemente referida neste texto (Encontro Mundial de Mulheres Migrantes – As

Ideias e os Factos Assinalados. Oliveira de Azemeis: Oficinas Gráficas do Jornal A Voz

de Azemeis) e ao longo de 11 páginas (pp. 75-86).

Seleciona-se uma e relativa às relações inter-geracionais, em homenagem à grande temática

do Encontro: Gerações em Diálogo:

​​





A terminar, será de registar na entrevista feita pelo Jornal Lusitano à  Drª Manuela Aguiar e

que intitulou Um Sonho Partilhado, a resposta colocada acerca do que mais importante

destacou do Encontro de Espinho: Quando olho para trás e vejo as pessoas que estiveram

connosco, a quantidade e qualidade do trabalho efetuado, penso que aconteceu um milagre,

pois era uma iniciativa extremamente difícil de gerir. O ambiente humano foi excelente, o que

permitiu que todos dialogassem de uma forma fraterna, sem ter acontecido nenhuma

hostilidade.Ainda por cima vive-se numa fase pré-eleitoral que é sempre conflitual e, estando

presentes políticos de vários partidos, não houve nunca a tentação de politizar a reunião. E

acrescentou, … O diálogo de gerações aconteceu.

E assim aconteceu em Espinho, em 1995.

 Participação

​Concretizando uma das recomendações do Encontro de Viana (1985), que visava a realização

de um Congresso de Portuguesas no Mundo, trouxemos a Espinho mulheres que foram

criteriosamente escolhidas pela Direção da Associação ECS Mulher Migrante, dado o seu papel

preponderante nas comunidades portuguesas onde vivem e mesmo membros do Conselho das

Comunidades Portuguesas (Manuela Chaplin e Maria Alice Ribeiro). Do oriente (Malaca

– Joan Marbeck, Goa – Fátima Garcia e Maria Lopes, Damão – Graça Rocha), ao ocidente  e até

á Califórnia – Mary  Giglitto e Maria João Brantuas. Dos estados Unidos da América, Manuela

Chaplin, Manuela Ferreira, Berta Madeira, Gabriela Vetter. Do Canadá, Conceição Freitas,

Lourdes Lara, Alice Ribeiro, António Ribeiro e Idalina Silva. Do Brasil, Núbia Marques,

Maria Pisolante e Benvinda Maria. Da Venezuela, Juliana Resende. Da Africa do Sul, Vera

Nazaré e Maria Salgado. Da Europa, Mari Freitas (Holanda), Lígia Alvar, Olímpia Oliveira e Céu

Cunha (França). Todas estiveram presentes, com intervenções magníficas.

Algumas já tinham estado em Viana, em 1985 (Eulália Salgado, Lourdes Lara, Juliana Resende,

Manuela Chaplin, Berta Madeira, Mary Giglitto) e outras, agora a residir em Portugal, tais

como a Laura Bulger (Canadá) e Leonor Xavier (Brasil).

Estiveram presentes cerca de 400 participantes, sendo 91 das comunidades

 portuguesas espalhadas pelo mundo, muitas das quais sem terem o financiamento da

Associação Mulher Migrante e indentificadas na separata do Jornal Lusitano (Edição nº 305 de

25 de Março de 1995).

2005 - 2009 -  Buenos Aires, Estocolmo, Joanesburgo, Berkeley  e Toronto

" ENCONTROS PARA A CIDADANIA - a igualdade entre mulheres e homens"

MARIA BARROSO, O ROSTO DE UMA CAUSA

Em 1985, o "1º Encontro Mundial de Mulheres no associativismo e no jornalismo" da Diáspora

foi o primeiro passo de uma política para a igualdade, que, após um hiato de 20 anos, seria

relançada pela Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas, em 2005.

Para presidir aos Encontros o Secretário de Estado António Braga convidou a Dr.ª Maria

Barroso. Ninguém, como ela, poderia ser o rosto de um grande projeto de inclusão de género

e geração na vivência plena da cidadania, nas comunidades portuguesas. Todo o programa foi

desenvolvido ao longo de quatro anos em parceria com a AEMM, a Fundação Pró Dignitate e

outras ONG’s do País e das comunidades do estrangeiro. Maria Barroso estivera presente nas

iniciativas da AEMM, desde a primeira hora, como nós estivemos com ela nos quatro cantos do

mundo nestes verdadeiros congressos, com que se fazia o progresso da democracia

portuguesa, levando a aplicação das políticas públicas da igualdade para fora dos limites do

território.

As portuguesas da Diáspora tinham perante si um símbolo vivo, a Mulher e Cidadã, que soube

sempre, de uma forma tão caracteristicamente feminina, fazer muita coisa, ao mesmo tempo,

e tudo muito bem – estar no centro da sua família e ter uma intensa vida profissional, dedicar-

se à política e ao voluntariado pela cultura e pela paz..

Foi de facto, fundamental para a interiorização do espírito do projeto por cada uma e por cada

um dos presentes o terem perante si a "Mulher-símbolo", encarnada numa pessoa simples,

solidária, encantadora. A mensagem passava, com a beleza da sua palavra e do seu sorriso.

Todas a sentíamos como “uma de nós”, sem nunca esquecer a sua absoluta excecionalidade.

De Buenos Aires (2005) a Estocolmo (2006), de Toronto (2007) a Berkeley e a Joanesburgo

(2008), reunimos com representantes das comunidades de toda a América do Sul, das duas

costas da América do Norte, da Europa, da África e, em 2009, em Espinho, pudemos concluir

no “encontro dos encontros” o balanço desta experiência inédita, do ambiente em que fora

vivida, das esperanças que despertara. O seu impacte prolonga-se até hoje, em novas

realizações, deixando-nos a convicção de que há um período antes e depois deste

encadeamento de congressos, no que respeita à política de Estado e seus resultados, na

consciência das questões de género nas próprias comunidades e no florescimento de

movimentos norteados pela ideia da paridade

BUENOS AIRES

Na Biblioteca Nacional, o auditório Jorge Luís Borges foi durante os dias do congresso um

espaço luso-argentino, ouvia-se o português e o castelhano, falou-se de Regina Pacini, a

portuguesa que foi até hoje, a única primeira-dama estrangeira do País. Maria Kodama foi

presença assídua. A Embaixada e o Instituto Camões deram uma enorme colaboração.O

Embaixador Ribeiro de Almeida e a Embaixatriz Isabel de Almeida participaram ativamente nas

sessões O mundo associativo e o mundo cultural estiveram em evidência. A cobertura

mediática foi excelente: RTP. RDP. TSF, imprensa nacional e regional. Nunca se falara tanto não

só das mulheres como das comunidades portuguesas da Argentina! António Braga reconhecia

que as questões de género tinham andado até li muito esquecidas. Respirava-se um ar de

mudança!

No final, a Presidente Maria Barroso, como que sintetizando as conclusões, diria: "Considero

que foi uma reflexão aprofundada sobre os problemas que dizem respeito às mulheres, e, em

particular, às mulheres migrantes. Mulheres e Homens têm de assumir um papel onde ambos

os géneros contribuem para a melhoria da sociedade"

A Mulher Migrante Portuguesa da Argentina, co-organizadora local do Encontro, estava de

parabéns e comemorou, nesse fim-de-semana, o seu aniversário na associação portuguesa de

Echevarria. Partimos de Buenos Aires, já em caloroso ambiente de convívio e festa, num

modesto autocarro, que a presidente Maria Barroso insistiu em partilhar connosco.

ESTOCOLMO

Co-presidiram ao Encontro Maria Barroso e Anita Gradin, antiga Presidente da Internacional

Socialista de Mulheres, Ministra da Imigração e do Comércio Externo em Governos de Olaf

Palme, Embaixadora e Comissária Europeia. Duas grandes Mulheres! Anita é, igualmente, um

nome mítico no seu país, onde, por sinal, foi pioneira na defesa do sistema de quotas. Uma

amiga de longa data da Dr.ª Maria de Jesus, e minha, desde as primeiras conferências de

ministros do Conselho da Europa, na área das migrações. O Secretário de Estado da

Presidência Jorge Lacão (que tutelava a Comissão para a Igualdade) e outros notáveis oradores

tornaram o Encontro quase paritário. A Dr.ª Maria Barroso salientou o facto: "É muito

importante que os homens estejam presentes, não queremos uma sociedade de mulheres,

mas antes de homens e mulheres conscientes dos seus direitos e deveres".

Uma ênfase na ideia da cidadania feminina para o serviço da comunidade, que nos leva a vê-la,

como uma mulher eminentemente moderna no século XXI, na linha precursora dessa plêiade

de Portuguesas que, no começo de novecentos, projetaram o movimento feminista.

As comunidades portuguesas da Escandinávia não eram das mais numerosas, mas a Suécia foi

uma escolha justificada, antes de mais, por ser um país exemplar no domínio das políticas de

género - pioneiro na implementação dos sistemas de quotas, adoptado pelo Partido Social

Democrata e, depois, generalizado a outros, pioneiro na criação de um Ombudsman para a

Igualdade, em que, de algum modo se inspirou a Comissão para a Igualdade no Trabalho e

Emprego, CITE - e, ainda por outra boa razão: ter aí surgido, em 1985, a primeira Federação de

Mulheres Portuguesas e Lusófonas na Europa, a PIKO. Coube a PIKO a organização do

Encontro, que se realizou no Museu Etnográfico, com um grande apoio e participação de várias

Ong's suecas. Valeu a pena afrontar o inverno nórdico, que contrastou com o clima humano. E,

no fim, como acontecera nos dias anteriores, tomámos todas o grande autocarro fretado pela

organização, na inesperada e muito agradável companhia de Jorge Lacão - oportunidade para

continuarmos a refletir sobre o muito que, em parceria, ainda queríamos fazer.

TORONTO

A conferência para a igualdade atraiu ativistas dos direitos humanos, deputadas canadianas,

universitários, investigadores, dirigentes associativos, mulheres e homens, e teve uma ampla

cobertura dos “media” em língua portuguesa de Toronto (que são muitos e de qualidade),

permitindo que as mensagens chegassem à comunidade inteira.

O Secretário de Estado Jorge Lacão, o Embaixador de Portugal, o representante dos Açores, a

Cônsul-Geral Maria Amélia Paiva (unanimemente elogiada pela organização da" Conferência")

e muitos outros intervenientes lembraram o caminho percorrido e o que falta percorrer. A lei

da paridade esteve no epicentro do debate.

A Dr.ª Maria Barroso, falou dos ventos de mudança ("A Mulher de hoje pode governar uma

Nação"), mas também das exigências de mobilização e persistência: “Temos muito que lutar

para que a igualdade entre homens e mulheres seja uma realidade, mas tenho a certeza de

que um dia venceremos. Já não será para mim, mas para aquelas que nos darão continuidade".

Na despedida, depois dos plenários de trabalho, das visitas a instituições da comunidade de

Toronto, fica a frase de Jorge Lacão, de que a imprensa fez títulos : "Viemos ver coisas

extraordinárias."

Antes mesmo da Conferência, Maria Barroso tinha aceite um convite de Montreal para

celebrar o Dia Internacional da Mulher. Chegara ao Canadá na noite anterior, levantou-se de

madrugada para um voo matutino, cumpriu um programa extenso, visitas à Câmara Municipal,

a organizações da comunidade, almoço num restaurante português, onde discursou, ao lado

do Cônsul Geral e da Ministra da Imigração. Falou de democracia e de futuro. Recebeu uma

infindável ovação! Muitos, emocionados, não continham as lágrimas.

Regressámos tarde a Toronto, sob neve e forte ventania. A Drª Maria de Jesus nâo dava

mostras de cansaço, mas estava com um princípio de gripe, tinha febre, e não conseguimos

que se resguardasse um pouco... Era assim mesmo, filha de militar, educada para o

cumprimento preciso dos deveres e estava em pleno combate pelas suas causas.

JOANESBURGO

As mulheres predominavam nas belas instalações do “Lusito” (ou não fosse o Encontro da

responsabilidade da “Liga da Mulher Portuguesa na África do Sul", reconhecida pelas suas

campanhas em favor da participação feminina), mas havia um significativo número de homens,

o Embaixador, o Cônsul-Geral, conselheiros do CCP, dirigentes das principais instituições

comunidade.

A Presidente Maria Barroso desenvolveu o tema da situação das mulheres através dos tempos

e no nosso tempo e lembrou-nos que "apesar da História ter sido tecida por Mulheres e

Homens, só a estes é dada relevância". Falou de uma nova agenda de temáticas em que as

mulheres podem fazer a diferença - a denúncia da violência nos media, o racismo e a

xenofobia, a indiferença perante tantos atropelos dos direitos humanos…

À margem dos trabalhos, a Dr.ª Maria Barroso reencontrou amigos que conheceu em

circunstâncias dramáticas, aquando do grave acidente do seu filho. E, nas conversas com o

Embaixador Paulo Barbosa, recordou anteriores momentos de convívio, durante a visita

presidencial a Israel, que coincidiu com a trágica morte de Itzak Rabin, amigo de longa data de

Maria Barroso e Mário Soares. Retalhos da história à qual ela pertence para sempre...

Na sessão de encerramento, o SECP António Braga destacou a importância do imparável

movimento para a igualdade que ali se continuava a desenhar, e anunciou a realização de um

Encontro Mundial de Mulheres em Portugal, em 2009.

ElLIZABEH E BERKELEY

Nos EUA, a caminho da costa oeste, começámos com uma breve estada em Elizabeth, NJ, a

convite de Monsenhor João Antão, da paróquia portuguesa de Nossa Senhora de Fátima, em

cujos salões se realizou um seminário de formação de jornalistas lusófonos, sobre as temáticas

da Paz e da Igualdade. Seguiram-se visitas a Nova York (às Nações Unidas) e a um moderno

Liceu de Elisabeth, que tem o nome de Monsenhor Antão (distinção extraordinária num país

onde é raro atribuir o nome de pessoas vivas a instituições públicas).

Em Berkeley, o tema do Encontro era "O papel da Mulher no futuro do associativismo e

movimentos cívicos da Califórnia", incidindo no paradigma de associativismo feminino

português no oeste americano (com introdução da maior especialista neste domínio, a Profª

Deolinda Adão), assim como nas estratégias para a colaboração intergeracional e no papel dos

media na formação para a igualdade. Logo depois, na companhia do Dr António Braga,

reunimos informalmente com estudantes e professores de Berkeley,e conversa prosseguiria,

seguidamente, num jantar de confraternização.

Ao valorizar, em Berkeley e em Elizabeth, a importância da interculturalidade e da criação de

novos laços de união nas Diásporas de diferentes países que se expressam em Português,

Maria Barroso, mostrava acreditar que o entendimento entre as mulheres migrantes dos

vários quadrantes da lusofonia pode fazer a diferença. No que todos nós a acompanhávamos.

Nos EUA, a campanha eleitoral para a presidência estava no auge. e ainda houve uns minutos

para entrar na sede local de campanha de Obama, comprar lembranças e tirar fotografias com

jovens ativistas...

No regresso a Portugal, uma segunda passagem por Elizabeth e pela paróquia portuguesa.

Monsenhor João surpreendeu a Dr.ª Maria Barroso com a mais bela das homenagens: Roger

Gonzalez, um talentoso artista americano, de origem galega, pintara o seu retrato, à entrada

da ala da residência onde esteve hospedada.

Ao findar um périplo por tantas comunidades, a Presidente dos" Encontros para a cidadania"

deixava, assim, o seu retrato num mural na América do Norte, tal como deixara, por todo o

lado, o retrato de corpo e alma da cidadã, que, pela palavra e pelo exemplo, mobilizara as

compatriotas para a construção de sociedades, mais livres, mais abertas a todos, mais

humanas.