segunda-feira, 1 de junho de 2020

JÚLIA NÉRY


Júlia Nery
Júlia Guilhermina do Nascimento Lopes, nascida em Lisboa, mas de raízes beirãs.

Pediram-me a biografia. Como contar-me nas histórias de que sou feita? Pedi socorro à memória. De mão dada com ela, cheguei ao Largo de Sapadores, entrei por uma porta quase tão larga como a da igreja, e logo me reconheci nos caracóis longos de uma garotinha que subia degraus a dois e dois, com a mesma alegria apressada de quem tem a certeza de ir encontrar um tesouro. Teria eu então compreendido que, ao entrar na minha primeira escola, começava a busca do saber, essa chave mágica que é capaz de abrir todas as portas?
Ainda por imagens, desci a Vale de Santo António, encontrando pessoas, situações e emoções, que emergiam de variadas recordações. Metida numa espécie de bolha de felicidade, parei num quintal, onde me vi a recitar a tabuada e depois a contar histórias a uma amiguinha doente, deitada num tabuleiro de madeira. Assim, começara eu a partilhar o que aprendia e também como inventora de histórias, dependente da imaginação para poder efabulá-las. Ignorante de quaisquer teorias e técnicas literárias, fiz dos muitos livros que lia e da minha janela de terceiro andar as fontes da inspiração. Deste observatório sobre a rua de um bairro operário, recolhi material para criar personagens que esperariam anos para “viverem” nos meus romances, especialmente as que viriam a emigrar. Ainda hoje, quando os releio, as reconheço e situo.
Na evocação de pessoas do meu bairro, surgiu a mais inesquecível: a dona da Papelaria Zequinha. Ela deixava-me ficar o tempo que eu quisesse a folhear livros. E senti o cheiro quente do papel, o tlim tlim da caixa registadora, a voz macia da senhora e a pressão do seu abraço, depois de  lhe ler a primeira história que escrevi. Eis-me ali, corada de alegria e de vaidade. Assim me encontrei comigo, no século passado, numa rua do bairro da Graça, no momento em que julguei descobrir que o meu dom era a Escrita. Passados tantos anos, feitas muitas leituras, reflexões, escritas, continuo a interrogar-me: será que tinha mesmo o “dom”?
Ainda com doze anos, comecei a publicar regularmente no Suplemento República dos Miúdos do Jornal República, iniciando-me com O Lar da Felicidade, uma história de muitas peripécias de dois meninos órfãos. Também publiquei uma crónica, Lisboa; e uma narrativa dramática, O Jardim da Felicidade, representada depois no teatrinho da paróquia.
Nesta mesma época, participei regularmente num programa de Mário Lisboa, no Clube Radiofónico de Portugal.
Porque evoco estas memórias, ao contar-me? Percebi que há acasos premonitórios na juventude, levando-nos pela mão aos caminhos principais de nossas vidas. Também na minha assim foi.
Em 1960, obtive o Diplôme d’Études Françaises da Universidade de Poitiers.
Em 1964 a Licenciatura em Filologia Românica da Faculdade de Letras de Lisboa.
Em 1974, concluí o Estágio Profissional como docente.

Durante alguns anos, o meu gosto de efabular narrativas passou a satisfazer-se em entreter, com histórias de prazer, proveito e exemplo, os meus quatro filhos, e todo o meu empenho na Escrita se esgotara nos trabalhos para aprendizagem.
No ENSINO, desempenhei várias funções: docente, Presidente de Conselho Diretivo e de Conselho Pedagógico de Escola Secundária, Formadora de professores (Projeto Foco) e dinamizei Oficinas de Escrita para jovens e professores.
Para aprofundar a formação no domínio da Expressão Dramática, enquanto adjuvante da aprendizagem, frequentei os Cursos de Dramaturgia (IFICT), Escrita de teatro (WolKer Ludwig e Lutz Hubner), de Monitores de Expressão Dramática (João Mota) na Fundação Calouste Gulbenkian.
Como Bolseira do Ministério da Educação, do Governo Francês e do Conselho da Europa, desenvolvi vários trabalhos e projetos de investigação que visam o conhecimento integrado nos domínios da Didática, da Pedagogia e da Criatividade e um projeto de prática da Expressão dramática na aprendizagem de Português, aplicado a uma turma-caso.
Colaborei com o Teatro Experimental de Cascais, dando apoio dramatúrgico a espetáculos vocacionados para público escolar e com o Grupo Nós e Vozes, fazendo a dramaturgia de Flauta de Pã, (Teatro da Trindade)
Depois, veio a revolução, e com ela as responsabilidades de me cumprir também como cidadã.
Eleita como Deputada à Assembleia Municipal de Cascais, exerci os mandatos de 1976 a 1985, tendo exercido funções de Secretária da Assembleia.
Eleita como Presidente do Conselho Diretivo e do Conselho Pedagógico (por inerência) da Escola Secundária de Cascais, desempenhei o cargo de 1982 a 1985.
Membro do Instituto de Cultura e Estudos Sociais de Cascais (até 2011).
Membro do Conselho de Fundadores da Fundação D. Luís.
Membro do Conselho Editorial da Revista Boca do Inferno.
Medalha de Mérito Municipal, 1994.
Membro dos Corpos Gerentes da Associação Portuguesa de Escritores (1991 a 1997), tendo feito parte da Comissão Executiva da Organização do III Congresso de Escritores Portugueses e da Comissão Organizadora do 1ºe do 2º Simposium de Moçambique – Língua Portuguesa- Diálogo entre Culturas.
Membro do Conselho de Fundadores da Fundação D. Luís.
Estivera a minha Escrita em pousio. Chegou o tão esperado tempo de semear emoções, dúvidas, perguntas, sonhos, inquietações, através da palavra impressa, mas tal como em menina, nem sempre conseguia o equilíbrio entre o tempo de entrega a ensinar e a escrever. Por meu bem, estas duas atividades se conjugam à vezes, resultando num ato criativo, o que foi o caso de algumas das minhas obras, como o primeiro romance.  A sua trama nasceu de um contido sentimento de revolta, quando, estando eu em Vichy (1980) como Bolseira,( Curso de aperfeiçoamento da Didática das Línguas), fui assistir a uma sessão de esclarecimento de Monsieur Le Pen, que proferiu um violento discurso contra os emigrantes. Concentrada no esforço de ficar calada a reprimir um forte sentimento de revolta, uma figura vinda da memória ditou-me a resposta àquele discurso. A figura era a da minha avó, que se afastara de mim há mais de trinta anos, a caminho de França. Com a sua ausência, os seus desabafos e relatos, eu intuí o sentir de uma mulher migrante. Naquela noite comecei a escrever o romance. Minha avó o “encomendara”. Nela me inspirei para criar a protagonista Maria Menina.  Pouca terra…poucá terra, entraria no mundo dos leitores em 1984, por onde desde aí, tem andado a minha FICÇÃO.
Obra publicada:
O Cônsul (rom.) Publ. D. Quixote, Lisboa, 1991; Ed Círculo de Leitores,1993; Ed. Âncora, 2017
La Résolution de Bordeaux , Ed. Le Mascaret, Bordeaux, 1992
Der Konsul, Ed. Epoca, Zurique, 1997 e Edit. Piper, 1999
Valéria, Valéria, Ed.Notícias, Lisboa,1998;
Infantas de Portugal, ED. Notícias, Lisboa,1998
WWW.morte.com (contos), Ed. Notícias, Lisboa, 2000
O Segredo Perdido - Lisboa, terramoto de 1755, ed. Bertrand, Lisboa, 2005
Crónica de Brites, Sextante Editora, Lisboa, 2008
Da Índia, com amor, Sextante Editora, Lisboa, 2012 (A mulher portuguesa migrante no século XVI)
Ei-los que partem, Sextante Editora, Lisboa, 2017 (A mulher portuguesa migrante no século XXI)
TEATRO
Na Casa da Língua Moram as Palavras, Ed. Asa, Porto, 1992, levado à cena com o título Viagem à Casa da Língua, Centro Cultural de Cascais, 2000.
O Plantador de Naus a Haver, Ed. Asa, Porto, 1994 – Prémio Eça de Queirós, 1994
Do Forno 14 ao Sud- Express com Autos e Foral (1996), levado à cena pelo grupo Pais Miranda com encenação de Francisco Keil do Amaral.
Aquário na Gaiola, Sextante Editora, Lisboa, 2008, levado à cena pelo Teatro Experimental de Cascais com encenação de Carlos Avilez.
Para completar a semelhança entre o meu percurso juvenil com o da vida adulta, também a
Colaboração na Rádio: na década de oitenta, como autora de crónicas - Programa O Linho e Seda (RDP, Antena 1) e de textos para Teatro Radiofónico (os meus contos inéditos Lubélia e Morte Computorizada foram adaptados).

1-      Algumas considerações sobre o seu modo de ver e de trabalhar para os objetivos fundamentais da AMM, fazendo referência à colaboração já dada a iniciativas da AMM e/ou a novas propostas.

Faço há muito pouco tempo parte da AMM, pelo que a minha colaboração não tem ido além da presença em iniciativas e reuniões. Mas foram (são) exatamente os objetivos fundamentais da AMM que me chamaram cá, e aonde cheguei, por contágio do muito entusiasmo da Dra Aida Batista.
Nas iniciativas de temática Mulher Migrante em que participei, destaco V Colóquio Internacional As Mulheres Portuguesas na Diáspora: em França e no mundo, Universidade de Sorbonne - Nanterre, 2011; A vez e a Voz da Mulher em Portugal e na Diáspora, Universidade dos Açores, 2013, Encontro Mundial Mulheres da Diáspora, Lisboa2013, ampliei a minha perspetiva sobre a condição da mulher migrante e compreendi a importância da AMM como impulsionadora de pesquisas, publicações, “encontros” de estudiosos e interessados no fenómeno migratório, sem distinção de raça ou nacionalidade, que permitem enfoques diversos e sempre atualizados sobre a mulher migrante. Esta transversalidade é a maior força da AMM e garante de uma continuidade reconhecidamente útil.

2-      Como vê possíveis aplicações concretas das suas linhas de investigação e/ou planos de ação no domínio das Migrações e da Diáspora, com enfoque especial no feminino?
3-       
Após a publicação de Pouca terra…poucá terra (1984), tenho sido frequentemente convidada a participar, com comunicações ou apresentações de meus romances, em várias iniciativas cujo tema seja a mulher portuguesa migrante
Reconheço hoje que se não fossem as múltiplas e variadas reflexões, abordagens e informações, recolhidas nesses “encontros”, eu não teria sido motivada a procurar entender essa realidade da nossa História, trazendo à ficção personagens da muito específica migração da mulher portuguesa no século XVI, no século XX e da totalmente diferente mulher migrante do século XXI.
Cito estas experiências pessoais, para apoiar a minha opinião de que a mulher migrante poderá revelar-se mais profundamente através da sua representação na arte. Qualquer abordagem artística poderá dar forma, luz, sombras, cores, contrastes, voz, aos retratos que dela nos vão dando os estudiosos.
As linhas de investigação que segui podem ser postas ao serviço da AMM, para qualquer ação que entenda estar de acordo com os seus objetivos, bem como a minha colaboração em iniciativas nas quais a Direção da AMM entenda que eu possa ser útil.
                                                                       Março,2020


ata

ATA da 27ª reunião ordinária da Assembleia Geral da MULHER MIGRANTE - ASSOCIAÇÃO DE ESTUDO, COOPERAÇÃO E SOLIDARIEDADE

Aos vinte e sete dias do mês de março de dois mil e dezanove, pelas dezassete e trinta horas, realizou-se a 27.ª reunião da Assembleia Geral Ordinária da "Mulher Migrante - Associação de Estudo, Cooperação e Solidariedade", na sede da Associação, Rua Maria Pia, Lote 4, loja 1, em Lisboa, de acordo com a convocatória, que cumpria os trâmites dos Estatutos da Associação. -----------------------------------------------------
Em anexo, consta a lista de presenças. num total de dezanove assinaturas. Na impossibilidade de estarem presentes nesta reunião, enviaram procuração para delegação de competências as/os seguintes associadas/os: ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Artur Madureira, Maria Violante Martins, Carlos Vieira de Almeida Álvares de Carvalho, Maria Teresa Álvares de Carvalho, Teresa Costa Macedo, Maria do Céu Campos, Miguel Leite, Flávio Borda d' Água, Manuela Malheiro, Ana Paula Beja Horta, Manuel Vitorino de Queiroz, João Miguel Aguiar Barros Pereira, Maria Isabel Aguiar, Luciana Barros Lopes, Maria Teresa Barros Aguiar Pereira, Maria Manuela Barros Aguiar Pereira, Maria Isabel Araújo Pereira,  Constância Néry (em  Maria Manuela Aguiar), Maria João Ávila, Susana de Carvalho, Leonor Gil, Madalena Cosme, Teresa Menezes, Maria de Lourdes Gil e Maria do Céu Cunha Rego (em Victor Gil), Rosa Maria Gaioso Guimarães, Berta Guedes, Guilherme Santana, Zita Gonçalves, Leonor Fonseca e Maria José Vieira (em Graça Guedes), Luisa Prior, Nelma Patela, Otília Santos, Filomena Fonseca, Lena Álvares, Maria Engrácia Leandro e Augusta Albuquerque (em Arcelina Santiago), Balbina Mendes (em Emmanuelle Afonso). ------------------------------------------------------------------------------------------------
ORDEM DE TRABALHOS
1 - Aprovar a ata da reunião anterior, realizada a 6 de agosto de 2018. --------------------------------------------------
2 - Apreciar e aprovar os Planos de Atividades e Contas da Direção relativos ao ano de 2018, bem como o Parecer do Conselho Fiscal -----------------------------------------------------------------------------------------------------------
3 - Discutir e aprovar o Plano da Atividades e o Orçamento para 2019 ---------------------------------------------------
4 - Eleger novos Órgãos Sociais, na decorrência da renúncia de membros da Assembleia Geral ------------------
5 - Deliberar sobre a admissão de novos associados e associadas, ou associadas e associados Honorários ou Apoiantes ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
6 - Repensar o funcionamento do Conselho de Representantes e outras formas de reorganização interna ----
7 - Outros assuntos --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
 A Presidente da Mesa da Assembleia Geral, Maria Manuela Aguiar, abriu a sessão, saudou os presentes, prestou informação sobre as associadas/os que haviam enviado procuração e deu início à Ordem de Trabalhos: --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
1.  Aprovar a ata da reunião anterior
Lida a ata da reunião da Assembleia Geral de 6 de agosto de 2018, foi esta aprovada sem votos contra e com quatro abstenções de associadas, que não tinham estado presentes nessa reunião. -----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
2. Apreciar e aprovar os Planos de Atividades e Contas da Direção relativos ao ano de 2018, bem como o Parecer do Conselho Fiscal
Foi apresentado o Plano de Atividades de 2018, pela Presidente da Direção, Arcelina Santiago, que acrescentou a programação concretizada em 2019, até à data da reunião, e forneceu pormenores sobre as razões que inviabilizaram alguns dos projetos, nomeadamente, a realização de um Encontro de Mulheres Lusófonas, em parceria com a Câmara de Gaia, e as candidaturas a subsídios da DGACCP e ao Prémio Maria Barroso. O Plano enumera e descreve às atividades levadas a cabo, (designadamente, a edição dos Boletins nº 1 - homenagem à Dr.ª Rita Gomes - e nº 2, coordenados por Graça Guedes, os colóquios em memória de Natália Correia, realizados no Porto, na Casa dos Açores, e em Espinho, na Biblioteca José Marmelo e Silva, e a representação da Associação ou a intervenção das Associadas/os, em diversos eventos). Foi, do mesmo modo, destacada a ação desenvolvida por Victor Gil na reorganização da sede da AMM e no tratamento de muita documentação dispersa. No que respeita às duas candidaturas entregues na DGACCP, a Presidente da Direção informou que interpôs recurso e aguarda ainda resposta.---------------------------------------------------------
O Plano foi submetido a votação e unanimemente  aprovado e  fica anexado a esta ata.  --------------------------
No que respeita ao  relatório de contas  de 2018, a Presidente da Direção informou que não lhe tinha sido  possível  submete-lo atempadamente a Parecer do Conselho Fiscal, nem apresenta-lo nesta reunião, por dificuldades encontradas na obtenção de elementos. A Presidente do Conselho Fiscal, Ester de Sousa Sá, confirmou a impossibilidade de dar o Parecer exigido estatutariamente, devido à não apresentação de contas pela Direção. Constatado pelos presentes o incumprimento da alínea c) do art.º 12 dos Estatutos foi aprovada a decisão de convocar uma Assembleia- Geral na data em que a Direção comunicar à Mesa da Assembleia que está em condições de dar cumprimento à referida alínea do artº 12. Ainda no que respeita ao registo de problemas surgidos na área financeira, com a impossibilidade de movimentação da conta bancária durante meses, a presidente da Direção deu nota da queixa apresentada contra o BCP junto do Provedor do Cliente e da posição favorável à Associação. --------------------------------------
Respondendo a uma pergunta da Mesa, a Presidente da Direção informou, igualmente, que não tinha ainda realizado qualquer reunião da Direção, nos termos estatutários.----------------------------------------------------------
3 - Discutir e aprovar o Plano da Atividades e o Orçamento para 2019
Vários projetos futuros foram mencionados, nomeadamente, o próximo colóquio sobre emigração para a França, impulsionado, em Monção, por Arcelina Santiago, o colóquio de homenagem à Drª Rita Gomes, previsto para outubro de 2019, no encerramento das comemorações do 25º aniversário da Associação, cuja organização está a cargo de Ana Paula Beja Horta, ou o projeto de investigação na área do Desporto, conduzido por Graça Guedes, em parceria com a Universidade do Porto, assim como a abertura  de cooperação com o movimento associativo de Macau, através de contactos de Ana Paula Barros, e com Rhode Island College, através de António Pacheco. ---------------------------------------------------------------------------
 Foi sugerido por Emmanuelle Afonso que a Associação passe a recorrer a apoios de diversos departamentos do Estado, como a Comissão para a Igualdade e Cidadania.  A proposta suscitou uma ampla troca de impressões, tendo sido lembrado que, na sua primeira década de existência, esta Associação contou, sobretudo, com o suporte dessa "Comissão", em numerosos colóquios e conferências e na publicação das respetivas atas, só a partir de 2005  a Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas se tendo convertido em principal parceiro para o desenvolvimento de políticas públicas para a igualdade de género , com os "Encontros para a Cidadania",  realizados nos vários continentes do mundo, sob a Presidência de Honra da Dr.ª Maria Barroso (2005/2009) e com os Encontros Mundiais e múltiplas ações, quer de debate académico, quer de formação e mobilização cívica (2009/2015). A nova regulamentação de subsídios da DGACCP inviabiliza o apoio a deslocações para reuniões, colóquios, congressos, intercâmbio entre Portuguesas das comunidades e do país, e, consequentemente, a continuação daquelas parcerias, muito embora outras formas de estreita colaboração com a SECP tenham sido encontradas. Também com outras instituições a AMM espera continuar a colaboração - universidades (caso da Universidade Aberta e das Universidades do Porto, de Berkeley, de Toronto e do "Rhode Island College"), autarquias ( Monção e Espinho e outras), escolas, Universidades séniores e ONG's do território e do estrangeiro, tais como as associações "Mulher Migrante" da Argentina e da Venezuela. Foi ainda referido pela Presidente da Direção o projeto de constituição da "Associação Mulher Migrante do Ontário" (AMMO),  dinamizado a partir de um encontro havido entre ela e algumas associadas, naquela cidade. -------------
A apresentação e debate do plano de Orçamento, tal como aconteceu com a apresentação de contas, foi adiada para a reunião a convocar para esse fim, proximamente. ----------------------------------------------------------
4. Eleger novos Órgãos Sociais, na decorrência da renúncia de membros da Assembleia Geral
A Mesa deu conhecimento de dois diferentes pareceres jurídicos sobre a possibilidade, ou não, de convocar eleições apenas para um dos órgãos Sociais. O primeiro parecer solicitado pela Secretária Geral, Graça Guedes, comunicado à Presidente da AG e à Presidente da Direção Arcelina Santiago, antes de elaborada a convocatória da Reunião da Assembleia Geral, conclui que a eleição para os Órgãos Sociais tem obrigatoriamente de ser feita por listas completas. É, pois, o que consta deste ponto 4, que, aliás, não foi contestado pela Presidente da Direção quando procedeu ao envio da convocatória a todos os associados/as. O outro, admitindo a manutenção do "status quo", não obstante haver pedidos de renúncia aceites para todos os Órgãos Sociais, ou o adiamento das eleições, foi dado a conhecer a 20 de março de 2019, na forma de um comunicado sobre "Clarificação e tomada de posição da Direção da AMM". (anexado à ata, juntamente com a apresentação por Graça Guedes da lista de candidatura eleitoral, que o suscitou, e com os pedidos de demissão). Arcelina Santiago foi a única associada presente que defendeu as soluções propostas no referido "Comunicado". Todos os outros 14 associados/as presentes votaram contra e não houve abstenções. ------------------
Procedeu-se, seguidamente, à votação da lista A. a única que se submeteu a sufrágio eleitoral, em conformidade com os Estatutos e nos termos da Convocatória . ------------

LISTA A
ASSEMBLEIA GERAL --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Presidente  - Victor Lopes Gil --------------------------------------------------------------------------------------------------------
Vice-Presidente - Isabel Aguiar ------------------------------------------------------------------------------------------------------
Vice- Presidente - António Pacheco ------------------------------------------------------------------------------------------------
Secretária - Ivone Ferreira ------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Secretária -  Natália Renda Correia -------------------------------------------------------------------------------------------------

DIREÇÃO ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Presidente  - Graça Sousa Guedes --------------------------------------------------------------------------------------------------
Vice Presidente -  Aida Baptista -----------------------------------------------------------------------------------------------------
Vice Presidente - Berta Guedes -----------------------------------------------------------------------------------------------------
Tesoureira - Filipa Menezes ----------------------------------------------------------------------------------------------------------
Secretária - Maria José Vieira --------------------------------------------------------------------------------------------------------
Vogal -  Carol Marques --------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Vogal - Emmanuelle Afonso ----------------------------------------------------------------------------------------------------------

CONSELHO FISCAL ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Presidente - Ester Sousa e Sá --------------------------------------------------------------------------------------------------------
Vogal - Ana Paula de Almeida -------------------------------------------------------------------------------------------------------
Vogal - Maria Violante Martins ------------------------------------------------------------------------------------------------------
Suplente - Sarolta Lazlo ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Suplente - Flávio Borda d' Água -----------------------------------------------------------------------------------------------------

SECRETÁRIA-GERAL --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Leonor Ledo da Fonseca --------------------------------------------------------------------------------------------------------------

A lista A foi aprovada, com 14 votos a favor, um voto contra e sem abstenções. A esses votos presenciais se somaram, a favor da lista A, 32 votos de associadas/os, que delegaram poderes em Maria Manuela Aguiar, Victor Gil , Graça Guedes e Emmanuelle Afonso, e sete contra, representados por Arcelina Santiago. Não houve abstenções. Arcelina Santiago fez uma declaração de voto oral, tendo o respetivo manuscrito sido por ela entregue à Mesa e anexado a esta ata. ---------------------------------------------------------------------------------
Assim, em relação à composição anterior do Conselho Fiscal, verificou-se a saída da vogal Cristina Viveiros, que foi substituída por Ana Paula Almeida e da vogal Teresa Menezes. que foi substituída por Maria Violante Martins. Mantém-se a Presidente Ester de Sousa e Sá e os suplentes Sarolta Lazlo e Flávio Borda d' Água. ----
Foi ainda decidido que podem movimentar as contas desta Associação três membros da Direção, bastando a assinatura de dois deles para a movimentação das contas bancárias da Associação: a Presidente Maria da Graça Ribeiro Sousa Guedes, portadora do BI número 964870 de 29.11.99 (vitalício)  e com o NIF  160486165, a Tesoureira Filipa Andrade Gomes de Azevedo Menezes, portadora do Cartão de Cidadão número 09807838 e com o NIF 223211354 e a Secretária Maria José Vieira Pereira da Silva, portadora do Cartão de Cidadão número 02735834 válido até 6.12.2027 e com o NIF   118370529.-------------------------------
5 - Deliberar sobre a admissão de novos associados e associadas, ou associadas e associados Honorários ou Apoiantes
Foi deliberado aceitar as novas associadas Margarida de Castro Serra e Moura (proposta por Jorge de Sousa), Silvéria Barranqueiro (proposta por Ana Paula Barros) e Cristina Carpinteiro (proposta por Victor Gil). -----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
6 - Repensar o funcionamento do Conselho de Representantes e outras formas de reorganização interna
Após um debate muito participado sobre a reestruturação do Conselho Estratégico e do Conselho de Representantes, foi decidido prosseguir na próxima reunião da Assembleia Geral. Pela Associada Fátima Reis foi proposta a criação de uma Comissão de Apoio a Estudos e Projetos, cujos contornos mereceram geral aceitação. Não há alterações no Conselho de Representantes. No Conselho Estratégico regista-se a saída de Isabelle Oliveira, que pediu a sua demissão de Associada (por email, anexado à ata). --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
 Nada mais havendo a tratar,  foi encerrada, pelas 20.30, a reunião, da qual foi lavrada esta ata, que vai assinada pela Presidente da Assembleia Geral e pela Secretária. ----------------------------------------------------------

A PRESIDENTE DA MESA DA ASSEMBLEIA GERAL


Maria Manuela Aguiar


A SECRETÁRIA DA MESA DA ASSEMBLEIA GERAL 


Ana Paula Almeid

OFÍCIO GAIA reinuão 8 out

Boa tarde Dr.ª Maria Manuela Aguiar.

Foi solicitado á Sr.ª Vereadora Dr.ª Marina Ascensão uma reunião para abordar a temática das Mulheres Migrantes. Incumbiu-me a Sr.ª Vereadora de realizar este encontro para podermos articular com o nosso Plano para a  Integração de Imigrantes e outras iniciativas…
Sugiro o dia 8 de Outubro ás 16h, uma vez que a associação ASI, com quem temos trabalhado, também poderia estar presente.
Ao seu dispor.
Com os melhores cumprimentos.

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Olívia Rito
Gabinete da Vereadora Marina Ascensão
Rua Capitão Leitão nº94
Telef:223742400 Ext:1724   Telef:223743000 Ext:1661
4400-168 Vila Nova de Gaia
oliviarito@cm-gaia.pt  WWWcm-gaia.pt

sexta-feira, 15 de maio de 2020

De ANTÓNIO PACHECO, VP da AG da AMM

IPLWS at Rhode Island College
RHODE ISLAND COLLEGE
INSTITUTE FOR PORTUGUESE AND LUSOPHONE WORLD STUDIES
  
NOTA DE IMPRENSA / PARA DIVULGAÇÃO IMEDIATA
20 de abril, 2020 
CONTACT:  Sílvia Oliveira, 401-456-8496, soliveira@ric.edu

*Ibrahimo Abu Mbaruco: uma voz suprimida
Testemunho do jornalista António Pacheco
20 de abril de 2020

Nesta semana foi divulgada a notícia de que um radio jornalista, do norte de Moçambique, que trabalha numa rádio comunitária em Palma desapareceu do radar da família, dos amigos e a sua voz foi silenciada. Aparentemente os últimos contactos que fez levaram-no às instalações da polícia de Palma e à procuradoria. 
Cabo Delgado é uma zona riquíssima do Norte de Moçambique e é também uma região flagelada por guerras desde os anos 60 no período da luta pela independência e de novo conflito armado ainda não totalmente esclarecido.
Juntei os dois factos e surgiu-me o conceito de “rádios comunitárias, o poder da voz contra a voz do poder." A expressão deixa entender que as pessoas não confiam mais no que o "poder" dominante diz ou transmite, seja poder de elites religiosas, políticas ou o poder económico. As pessoas estão mais atentas ao poder da sua voz, transmitida pela sua rádio comunitária, criada com o esforço comunitário, com o sacrifício conjunto.
Na África de expressão portuguesa acompanhei o aparecimento e reforço das rádios locais. Na Guiné Bissau conheci o caso da Rádio "Voz de Quelele," a primeira rádio comunitária do país, estabelecida em 1994 pela associação de moradores do bairro do mesmo nome. Em 1997 surgiu uma epidemia de cólera no país e a rádio do estado, a tal voz do poder, escondia os dados nas suas notícias. Pelo contrário, a "rádio voz de Quelele" que era constituída por voluntários jovens, informava e sensibilizava os moradores. Conclusão: Quelele foi o único bairro de Bissau sem um caso de cólera. Este caso é estudado nas escolas francesas como exemplo da importância da "voz" do povo.  
Infelizmente, as rádios do estado no espaço lusófono continuam a ser instrumentos de conflito, mentira e intriga: instrumentos do colonialismo primeiro, tornaram-se depois das independências em "vozes da libertação" ao serviço do clã, do grupo económico, da etnia e até das religiões - também rádios de mentira e de manipulação.
Queria terminar com outra recordação pessoal: Em 1989 e 1990 durante o conflito na Guiné-Bissau havia um programa em Lisboa, chamado "Renascença África" que era transmitido em simultâneo por rádios comunitárias como a rádio Bombolom na Guiné ou a rádio Pax (de Moçambique e que funcionava numa carrinha nas traseiras da Catedral da Beira). No programa entrava um espaço desportivo, a "bola branca". As notícias traziam as últimas informações do futebol europeu pela voz inconfundível do jornalista Ribeiro Cristóvão. E então acontecia o impensável: a guerra parava na Guiné porque rebeldes e forças armadas queriam conhecer as últimas notícias do futebol. E o povo, de rádio em punho, saía então à rua para o reabastecimento necessário. Quando o programa terminava, regressavam aos esconderijos.
Este o sentido para mim de rádios ao serviço do povo e da paz.
Que o nosso amigo radialistaIbrahimo Abu Mbarucodo Norte de Moçambique retorne com a sua Voz para continuar a servir o Povo da sua terra!

*Testemunho pode ser escutado na Radio Sol Mansi (Guiné-Bissau) eRádio Observador (Portugal). RM disponível para partilhar com rádios locais.
Permanent Mission of the Republic of Mozambique to the United Nations:
António Pacheco (Moçambique/Portugal) é formado em Direito pela Universidade Clássica de Lisboa, e foi Secretário-Geral da Fundação Pro Dignitatede Lisboa, onde dirigiu o Projeto Rádios para a Paz em parceria com oInstituto de Estudos Portugueses e Lusófonos do Rhode Island College. Foi co-fundador do Centro de Estudos Africanos da Universidade Eduardo Mondlane, Moçambique, em 1976 (um ano após a independência); tem uma longa carreira de jornalista especialista em temas africanos na Rádio Renascença (Portugal), UN Radio, Canal Africa (South Africa Broadcasting Corporation) e foi correspondente durante 20 anos da Radio France Internacionale. Liderou workshops em radialismo (jornalismo de rádio) nas seguintes rádios comunitárias: Rádio Nova (Cabo Verde), Pax (Moçambique), Ecclesia (Angola) e Sol Mansi (Guiné Bissau).
O poder da voz e a voz do poder: manual de jornalismo: textos para acções de formação. Org. e pref. António Pacheco; textos Amadu Uri Djaló... [et al.]. 2ª ed. - Lisboa : Fundação Pro Dignitate, 2015. 
Workshop "O poder da voz contra a voz do poder."
Rhode Island College, 28 de novembro de 2018.
Estabelecida em 1854, a universidade de Rhode Island College serve aproximadamente 9,000 estudantes de bacharelato e de pós-graduação através das suas cinco faculdades: Faculdade de Artes e Ciências, Faculdade de Educação e Desenvolvimento Humano, Faculdade de Gestão e Economia, Faculdade de Enfermagem e a Faculdade de Serviço Social. Para mais informação visite:www.ric.edu.

Estabelecido em 2006, o Instituto de Estudos Portugueses e Lusófonos é um centro académico não tradicional na universidade do Rhode Island College, com o objetivo de ser um núcleo de interação para benefício dos estudantes de Rhode Island College e da comunidade portuguesa e lusófona de Rhode Island. Para mais informação visite: www.ric.edu/iplws.
Obrigada pela atenção,

Dr. Sílvia Oliveira, Directora
office: 401-456-8496
Institute for Portuguese and Lusophone World Studies at Rhode Island College
Sylvan R. Forman Center, 201
Providence, RI 02908