quinta-feira, 28 de novembro de 2019

ESTER DE SOUSA E SÁ

Em 1952, filosoficamente dizendo, involuntariamente, voei nas asas 
do vento à descoberta do continente Africano. Era eu então ainda 
muito pequena, de mente ávida de conhecimento, imaginativa e
 receptiva a tudo o que fosse mudança.

Nessa época, nos anos após guerra, outra grande crise avassalava
 a Europa. 
Meu saudoso pai, destemido e dotado de grande inteligência, 
procurando melhornível de vida para si e os seus, em 1948, 
emigrou para Moçambique. Regressou a Portugal, no fim do verão 
de 1951 com um pequeno “pé-de-meia,” acumulado
 à custa de muito sacrifício e trabalho. No entanto, como em 
Portugal nada tinha mudado, continuando a grassar a malfadada 
crise, meu pai voltou para  África, desta vez levando consigo a família.                                                                                                                   

Naquele tempo, as viagens para além mar eram feitas de barco. Não havendo 
outro meio de transporte que não fosse o navio e, com centenas de Portugueses
 todos os meses se aventurando a empreender tais viagens à procura de melhor 
vida, a marinha mercante portuguesa, prosperava. Com um saco cheio de
 ilusões, muita coragem alicerçada na fé e uma vontade férrea de vencer,
 os imigrantes portugueses, atravessavam os mares encafuados dentro do 
ventre dos navios, que sulcavam os mares tal qual ilhas flutuantes
 a caminho do desconhecido.

O destino escolhido por meu pai, foi o Porto da Beira em Moçambique. Após
 quase um mês de viagem marítima, finalmente chegamos ao destino. Embora 
as condições de vida no princípio fossem muito difíceis, ajudaram a moldar
 o meu caracter forte e resoluto que me tem ajudado a enfrentar a vida, 
principalmente nas adversidades. O facto de ter sido criada e educada em África,
 foi para mim uma aventura e experiência maravilhosa. Tenho imprimido na
 alma o rufar rítmico dos tambores e das marimbas num batuque desenfreado que 
em noites de lua cheia acordada ficava a escutar. Embebedei meus sentidos no
 néctar dos frutos maduros do cajueiro e mimoseei o palato em deliciosas mangas,
 goiabas e ananases que cresciam ao fundo do quintal amadurecidos pelo 
calor intenso e sufocante.

A nossa vida em África foi uma mudança radical. Tudo era diferente! As condições
 de vida eram precárias e o clima inóspito mas, o desconhecido fascinava-me e
 enquanto mecanicamente executava as obrigações que me impunham 
colaborando nos trabalhos da casa, minha mente tomava asas. Era livre no meu
 pensamento, absorvia tudo o que via e ouvia tal e qual uma esponja.

Certa vez, no fim da tarde de mais um fascinante pôr-do-sol rubo, fui despertada 
do que estava a fazer pelo roncar à distância, do motor do velho camião Ford do 
senhor Chico que chegava do mato. À medida que o camião se aproximava da
 nossa propriedade pela estrada de terra batida, esburacada pelas últimas chuvas, 
mais a chinfrineira aumentava com o bater da pesada carroçaria de 
madeira contra o metal provocado pelos solavancos. Snr. Chico era um dos 
poucos amigos da família. Era um homem novo, bem-parecido, de trinta anos 
apenas, alto moreno, cabelos negros e grandes olhos cor de avelã. Exuberava a
 energia de homem possante e saudável, na flor da idade. Tinha vindo para 
África, após a guerra como tantos outros à procura de aventura e fortuna. 
Naquele tempo percorria as picadas do mato no distrito de Manica e Sofala 
com o camião carregado com sacos de sal, arroz e açúcar que trocava aos 
indígenas que viviam longe das povoações, por cabritos, galinhas, galinholas, 
porcos do mato e outras coisas mais que vendia quando regressava à cidade.
 Nesse dia, quando o camião entrou na propriedade debaixo duma algazarra 
infernal à mistura com o latir dos cabritos e cacarejar das galinhas que 
consistiam na sua preciosa carga, nós em alvoroço, expectantes e empolgados
 aguardávamos a sua chegada no quintal. De sorriso largo pintado no rosto,
 o senhor Chico desceu do camião com um macaquinho pequeno ao colo. A
 mãe deste tinha sido abatida por caçadores furtivos e, a cria de olhitos 
assustados, agarrada à camisa surrada de suor do seu progenitor adoptivo 
espreitava-nos com curiosidade. Nós, crianças, ficamos encantadas e 
revezávamo-nos a tocar-lhe e a afaga-lo. Logo procuramos uma garrafa de 
sumo vazia e um bico de biberão e, fizemos-lhe uma mamada de leite 
condensado cruz azul que o bichinho esfomeado, devorou em três tempos.
 E assim, a esta família de quatro filhos se acrescentou um 
macaquinho chamado, Simão.                                                                                                                                                      Aqueles dias em que o nosso amigo chegava
 do mato eram memoráveis, quebravam a rotina dos dias vividos na nossa 
casa, situada na pequena povoação da Manga que distava uns quinze quilómetros
 da cidade da Beira.                                      

A nossa permanência na Beira foi curta, não chegou a dois anos, no entanto foram
 talvez os dois anos mais marcantes da minha vida. Foi o tempo suficiente para
 meus pais prepararem as coisas para seguirmos numa outra viagem, esta de 
comboio até à Rodésia, naquele tempo, uma próspera colónia Inglesa. Aí, nesse
 país adoptivo, deixei-me beijar pelo perfume das flores do jacarandá que 
naquela época embelezavam algumas avenidas de Salisbury, a capital e, abracei
 uma nova cultura onde o progresso era evidente e o esforço era premiado. No 
entanto, apesar das condições de vida terem melhorado consideravelmente, vi-me
 confrontada com dois tipos de cultura, o de casa; austero e restricto, à 
velha maneira Portuguesa, em que aos rapazes tudo era tolerado e permitido e,
 às raparigas tudo, ou quase tudo era vedado. Fora do lar porém, na escola e na
 sociedade em que estava inserida uma outra cultura, mais liberal, mais
 despida de preconceitos, mais equacionada nos direitos de ambos os sexos. 
Aprendi desde muito nova a viver em harmonia com os dois mundos, valendo-me
 dos valores que meus pais me incutiram e do discernimento próprio para me
 ambientar e enquadrar neste novo mundo. Sendo a Rodésia uma colónia Inglesa, 
o sistema, em todos os planos era o da Inglaterra. Já nessa altura as escolas públicas
 possuíam todas as facilidades facultativas a um ensino de alto nível, sendo
 providas de bibliotecas, piscinas e campos de ténis. Como criança a adaptação
 foi-me mais fácil melhorando ainda mais depois da aprendizagem da língua.

Não obstante a vida do imigrante ser difícil, havia oportunidade de evoluir e 
chegar mais longe. Como sou a única filha e por sinal a mais velha dos quatro 
filhos, desde muito nova me foi incutido o senso de responsabilidade. Pertenço 
àquela camada de gente que acredita que tudo se consegue com muito trabalho
 e esforço. Apesar dos valores da nossa sociedade estarem a mudar, ainda 
hoje acredito que nada se consegue sem trabalho e dedicação.           

            O povo Português para onde quer que emigre, carrega dentro de si um 
saudosismo do seu retângulo na Europa à beira mar plantado chamado; Portugal. Quase
 que faz parte do seu ADN. Quando as saudades apertavam, quando havia uns 
feriados e a vida permitia, meus pais, colmatavam essa tal saudade empreendendo
 uma viagem de oito a dez horas até à Beira de carro. Nós adorávamos essas curtas
 férias junto do oceano Índico.

            Em Salisbury, uma linda cidade no interior, onde nos fixamos, fiz os meus estudos.
 Acabei o ensino secundário e matriculei-me na Salisbury Polytechnic School, tendo 
concluído o curso de secretariado com dactilografia e estenografia. Embora nunca 
tivesse exercido tal curso, essas aptidões facultaram-me a entrada para o 
Barclays Bank D.C.O. iniciando assim uma carreira bancária.

Quando casei, fui viver para a capital de Moçambique então chamada
 Lourenço Marques. Cidade linda, voltada para o Oceano Índico, de
 palmeiras orlando a marginal ao longo da costa marítima e frondosas acácias
 em flor, a que os tons garridos e cromáticos das capulanas das suas 
gentes emprestam alegria. Para saciar o interesse profundo pelo conhecimento
 que sempre senti dentro de mim, matriculei-me numa escola nocturna
 para adultos, continuando a estudar e nos fins dos anos sessenta, ensaiei os
 primeiros passos na pintura a óleo. Aprendi por mim própria tudo sobre
 diversas artes decorativas e lavores. Sempre tive uma grande paixão pela arte
 e como adoro o processo de criar algo, ao longo dos anos fui dando 
extravasão à minha criatividade nas diversas áreas.                                                                                                                                                Volvidos dez anos de vida 
de casada em Lourenço Marques, deu-se a descolonização. Foram tempos 
muito difíceis carregados de incertezas e, para salvaguardarmos a nossa segurança
 física e dos filhos saímos de Moçambique deixando para traz os bens que
 possuíamos, incluindo a nossa casa, indo viver para Durban na África do Sul. 
Recomeçar do nada com três filhos, mantendo um certo nível de vida, não foi
 fácil mas com uma vontade férrea de vencer, saúde e trabalho fomos 
pouco a pouco alcançando os nossos objectivos. Entretanto, nasceu o meu quarto
 filho e aí a vida profissional parou. Porém, quando este meu filho tinha dois 
anos, entrei de novo para o sistema bancário. Fiz-me membro do Instituto dos
 banqueiros da África do Sul estudando por minha conta à noite, depois de
 estarem todos jantados e deitados, submetendo-me aos diversos exames
 periódicos na Universidade do Natal, em Durban.

Foi também em Durban que me fiz associada da Liga da Mulher Portuguesa da
 África do Sul, tendo sido eleita passado uns meses para fazer parte da 
direcção. Com o entusiasmo que me é peculiar, dei o melhor de mim mesma
 a esta Liga que visa promover a cultura Portuguesa, incluindo nossos usos
 e costumes na África do Sul. Com a colaboração dos restantes membros da 
direcção organizei o 1º Congresso da Liga em Durban em 1995 e que foi um 
sucesso.

Vivi durante 44 anos em África dos quais vinte e dois, foram vividos em Durban 
África do Sul, linda cidade cosmopolita também virada para o Oceano Índico, 
onde criámos se educámos nossos filhos. Tomei sempre parte activa nas diversas
 áreas da sociedade  em que estive inserida. A convite do Ratepayers Association, 
uma espécie de Junta de Freguesia, fiz parte da direcção sem qualquer 
remuneração, atendendo e zelando pelos interesses dos munícipes do bairro onde
 residia. Desde os primeiros tempos da minha chegada a Durban, o meu gosto
 pelo canto, levou-me a fazer parte do coro da Igreja e dirigi um grupo de 
senhoras que tratavam das flores, chamando a mim própria a responsabilidade 
de enfeitar a igreja pelas grandes celebrações. Fiz voluntariado como animadora
 para uma organização Internacional denominada “Faith & Light”, um 
movimento cristão fundado por Jean Vanier em França, com ramificações 
espalhadas pelo mundo que se dedica e apoia crianças deficientes e suas
 famílias, uma experiência que me foi muito gratificante, pelo carinho que
recebi dessas crianças. Um dia durante uma das tantas reuniões em que 
participei, uma senhora, mãe de uma criança deficiente, voltada para mim pergunta-me:                 
- Qual é a tua criança? Ficou atónita com a resposta que lhe dei.                                                          -   - Nenhuma, mas como sou mãe de 4 lindos filhos saudáveis,
 em acção de graças a Deus, resolvi dar um pouco de mim própria
 a esta causa. -                                              

Na Primavera de 1996, já com os filhos criados e entregues a si próprios, regressei
 com meu marido a Portugal, às minhas origens. Embora me considere uma cidadã 
do mundo, sou por nascimento uma mulher Portuguesa do Norte. Não vou dizer 
que volvidos tantos anos desde que daqui parti, a adaptação depois do regresso
 tenha sido fácil, valeu-me a minha experiência de vida e a minha paixão pela arte.
Agora com mais tempo e liberada da responsabilidade de criar os filhos, dedico-me. 
inteiramente. às artes, nomeadamente à escrita, pintura e escultura.   

EMMANUELLE AFONSO

28. EMMANUELLE AFONSO 
Concebida em Portugal, fiz a primeira experiência migratória há 50 anos, na barriga da minha mãe, indo já nascer à França. Cresci a ouvir falar mirandês em casa e francês fora, e como boa luso-descendente, as experiências bi/multi/ interculturais não podiam ficar por aí: após um primeiro Erasmus em Brighton, UK, decidi abraçar o desafio de uma 2ª bolsa de 6 meses no país das minhas origens, mas numa cidade que mal conhecia, Lisboa. A paixão foi de tal ordem que é lá que continuo a residir, passados 27 anos, dividindo agora com a cidade do Porto. 
A minha formação académica reflete um percurso convictamente muito Europeu, com um diploma português: MBA em Gestão pelo ISEG, francês pela EDHEC, uma das mais prestigiadas "Grandes Écoles" de gestão em França e inglês, com um B.A. Honours in Business Studies, pela Universidade Politécnica de Brighton. Na área profissional, as viagens foram uma constante, nomeadamente numa altura onde fui Marketing Manager for Europe de uma empresa farmacêutica americana, com uma média de 1 a 3 aviões por dia, …até que decidi abrandar o ritmo, mantendo uma atividade de freelancer na minha área profissional, mas consagrando mais tempo à família e ao associativismo, um bichinho que me acompanha desde muito jovem. 
Abracei várias causas, mas foi ao impulsionar o Observatório dos Luso-descendentes (O.L.D), simbolicamente criado a 10 de Junho de 2010 que a minha dedicação começou a fazer mesmo sentido, mobilizando outros luso-descendentes, oriundos de várias países da diáspora portuguesa neste projeto inovador, pois é a primeira e única associação de luso-descendentes em Portugal, de Portugal para o resto do mundo e vice-versa. Os principais objetivos são facilitar a vinda (definitiva ou não) de luso-descendentes em Portugal, criar pontes com os que estão e vão ficar lá fora, mas querem manter a ligação com o país das suas origens e, por fim, impulsionar estudos sobre esta apaixonante temática. Nesse contexto, fui agraciada com a “Ordem de Mérito” do Governo Francês em 2014, com as seguintes palavras"...lutadora e tecedeira de redes, Emmanuelle Afonso soube lançar os debates sobre as questões de mobilização da diáspora, de dupla-cultura mas também de prática de cidadania Europeia. É cada vez mais solicitada pelos media e as autoridades. Firme e atenta, ela procura um caminho não partidário em direção à uma ética de cidadania...". Mais recentemente, também fui surpresa com uma nova condecoração, com um sabor especial por vir de luso-descendentes: Ordem: Dom Afonso Henriques, da Federação Iberoamericana de Luso Descendentes
Em termos profissionais, comecei (surpreendemente?) a tratar do movimento migratório inverso, com turismo de negócios e turismo residencial, com a marca “Mon Portugal”. Empresarial, organizando reuniões e seminários de associações e multinacionais francesas em Portugal,. Residencial, ajudando europeus, nomeadamente reformados e activos franceses, a instalarem-se em Portugal, ao abrigo do estatuto de Residente Não Habitual, prova viva que os ciclos migratórios não param, continuam a surpreender e apaixonar!

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  1. Algumas considerações sobre o seu modo de ver e de trabalhar para os objectivos fundamentais da AMM, fazendo referência à colaboração já dada a iniciativas da AMM e/ou a  novas propostas.  

Quando o O.L.D. (Observatório dos LusoDescendentes) nasceu, na simbólica data para tod(o/a)s de 10/6/10, a AMM era já uma associação adulta, respeitada, inovadora, mas, sobretudo, uma fonte de inspiração, com a doçura e aquele sentido de acolhimento tão próprio das mulheres. Faz-nos sentir, desde então, a irmã mais nova desta grande família das Migrações, onde a saudade, a admiração, o respeito por quem faz, e a entre-ajuda, são os valores fundamentais. Entre-ajuda que temos sempre dado, com a melhor das boas vontades, através de convites e participações em eventos de ambas as organizações e em representação da AMM. Entre-ajuda que queremos continuar a dar, agora com mais maturidade e conhecimento(s), com mais proximidade e parcerias, em primeiro lugar na missão tentacular de organização do precioso arquivo da AMM. Em segundo lugar, na maior presença da AMM em Lisboa, na sede e em eventos/seminários onde a associação queira estar representada e, por fim, em “produções conjuntas”, onde possamos apresentar pedidos de apoio juntas, nomeadamente em subsídios europeus e fora da Europa, uma fonte de financiamento à qual nos vamos agarrar cada vez mais, já que o nosso raio de acção comum é planetário (no nosso caso União de lusodescendentes), de Lisboa para o resto do Mundo, e vice versa!

2.  A AMM propõe-se, desde as origens, ser uma plataforma de encontro de dois mundos - o do estudo e o da ação no terreno das comunidades, da solidariedade e da cooperação com o movimento associativo, em diálogo e debate contínuo.
Como vê as possíveis aplicações concretas das suas linhas de investigação e/ou planos de ação no domínio das migrações e da Diáspora, com enfoque especial no feminino.   

Uma plataforma onde reconhecemos também a missão do O.L.D: “conhecer para unir, dentro e fora de Portugal, através da lingua e cultura portuguesas”. Solidariedade e cooperação, aconteceu desde a nossa génese, em 2010. Podemos é arranjar um terreno comum de trabalho, orientando algumas das nossas acções para as lusodescendentes Mulheres, que são fáceis de identificar em muitas áreas da sociedade, nomeadamente dirigentes associativas ou associadas muita ativas (para não dizer ativistas!), políticas, empresárias, artistas, em muitos países da nossa diáspora e sempre com muita vontade e apetência para o diálogo e o debate, quer no seu país de residência, quer na sua relação com Portugal. 

Já delineamos alguns projetos e ideias com algumas cidades, Secretarias de Estado, nomeadamente a da Igualdade e Cidadania, grupos parlamentares e PR, sobre os quais poderíamos conversar e apresentar-nos como parceiro(a)s.

quarta-feira, 27 de novembro de 2019

FILOMENA FONSECA - A Emigrante que não fui

A EMIGRANTE QUE NÃO FUI
          Após um honroso convite para escrever algo relacionado com a realidade da
mulher na vida, na diáspora e nas artes, tentei conjugar as várias vertentes, contribuindo
através do testemunho da minha própria experiência. Não porque eu tenha sido
verdadeira emigrante, mas porque sempre o quis ser e me senti impedida por diversas
vezes.
          Enquanto, ainda hoje, muita gente tem grande relutância em emigrar e vê a coisa
sempre pela necessidade e pela negativa eu, pelo contrário, sempre tive vontade de
alargar os meus horizontes e conhecer novas terras, outros povos e outras culturas.
Como disse um dia D. Manuel Clemente, nós descendemos em grande parte de povos
que por aqui passaram e se instalaram. Não admira pois, que muitos tenham vontade
de sair e se aventurem. Está-lhes no sangue. Se assim não fosse, não teria havido
os descobrimentos. Talvez também daí, a grande capacidade dos portugueses em se
integrarem facilmente nos países de acolhimento.
          Para mim, a palavra emigração significa aventura, com todos os predicados
subjacentes. Mas nunca foi e nunca será sinónimo de facilitismos ou liberdade sem
regras. Muito menos para as mulheres sonhadoras e atentas à realidade. Como dizia
Maria Lamas: “ Tudo vem do sonho. Mas só os sonhos em ação têm força criadora”.
Será, assim, sinónimo de dinamismo, trabalho, ambição, vontade, evolução, etc.
          Sempre tive muita curiosidade e grande fascínio pelas pessoas e por tudo o que
aparecia de novo. Criava os meus próprios brinquedos, a partir do que via nas festas
da aldeia. Tudo servia para dar azo à minha imaginação. Desde muito cedo manifestei
um dom para o desenho. Passava o tempo a desenhar e a ler. Aprendi também trabalhos
manuais, como: crochet, costura, tricot, bordados, etc.
          Na época, a maioria das mães, não tinha voz ativa dentro das suas próprias
famílias. Eram impedidas de tomar iniciativas e vistas sobretudo como objetos de
trabalho doméstico. Incluo aí também a minha mãe, subjugada às ideias do marido. Só
subtilmente e à socapa, resolvia situações de acordo com suas ideias próprias. Tinha
o seu emprego e também em casa, sempre a vi a trabalhar. Quantas vezes, atarefada
e a precisar da minha ajuda, desde que me visse com livros, dizia:  “Deixa-te estar!”
Como ela me compreendia! Talvez estivesse me projetando os seus próprios sonhos.
Bem diferente de meu pai. Muitos chefes de família eram dominadores, junto de suas
mulheres e filhas. Não as valorizavam.
          Era eu adolescente e havia na minha terra um grupo de teatro amador. Assistia
a todos os espetáculos. Um dia convidaram-me a entrar numa peça. Ensaiei três vezes
sem meu pai saber. Logo que soube, disse: “ Mulheres no teatro, nem pensar!” E lá
se foi a possibilidade da minha 1ª experiência teatral. (Só muito mais tarde, consegui
realizar esse desejo, através de cursos de teatro e experiências em novela da SIC.)
          Vivendo numa casa grande entre muros de granito, pululavam em mim muitos
sonhos. Porque não me conformava com a supremacia das ideias maioritariamente
masculinas, discriminatórias da minha condição social, tive muitas vezes de remar
contra a maré, desobedecendo por vezes a meu pai, que nem queria que eu estudasse.
Na época, poucas mulheres estudavam e só a insistência duma professora o conseguiu
convencer. Mas sem hipótese de qualquer reprovação. Seria condição suficiente
para não voltar à escola. Isso fez-me criar a noção da responsabilidade pelos meus
atos, e aliada à minha grande sede de saber, ainda hoje latente, resultou em grande
empenhamento e luta pelos meus objetivos.
           Aos 12 anos de idade vi, com alegria, o meu primeiro poema publicado num
jornal escolar. Mas fui sempre muito contrariada em meus anseios. Quis ser professora e
não me deixaram. Obrigada a trabalhar aos 15 anos, após o Curso Comercial, aproveitei
o primeiro emprego que apareceu, num escritório de empresa do ramo alimentar. Aos
17 anos chefiava o escritório duma fábrica de malhas e confeções com 65 pessoas.
Entretanto, um namorado quis casar comigo e acharam que era cedo demais. Como iria
viver para Sintra, era muito longe…!
          Tirei a carta de condução (coisa rara para mulher), tinha 19 anos. Nessa altura
uma amiga que, como eu, adorava os idiomas de francês e inglês, propôs-me ir trabalhar
e estudar na Inglaterra. Arranjou em Londres emprego para as duas e sonhei ir com
ela. Na hora de tirar o passaporte, meu pai voltou a dizer  “não!” e ela foi-se embora
sozinha. É hoje uma mulher bem-sucedida da diáspora. Visito-a em Hamburgo, no norte
da Alemanha.
          Pouco tempo depois, uma vizinha quis levar-me para os Estados Unidos e voltei a
ouvir uma nega. Essa amiga, é também uma empresária de sucesso em Nova Iorque.
          Movida pela força de vontade de evolução contínua, e não podendo largar o
emprego, quis retomar os estudos em horário noturno, e ouvi então dizer:  “Aqui,
mulher não sai à noite!”.  Sempre “aprisionada”, só quando passei à maioridade
(21anos) me senti eu própria, tornando-me independente e financeiramente autónoma.
Fui-me aventurando à vida, sem nada esperar de quem quer que fosse.
          Aos 23 anos realizei o sonho de viver na minha própria casa, adquirida com
algumas economias, proventos das minhas habilidades e um pequeno empréstimo
bancário. 
Millennium Bcp. Vivi sempre do meu ordenado, sem imaginar que pudesse um dia
existir qualquer ajuda do Estado se eu não trabalhasse. Por isso, ia aprendendo tudo o
que estivesse ao meu alcance para me valorizar. Um dia, vi afixado na minha agência
bancária, o anúncio de um concurso para promotores comerciais. Até aí, só havia
promotores/homens. Concorri, escrevendo uma carta para o efeito. Estando esta já
terminada, reli-a e pensei: ” Sou mulher. Às tantas a carta vai parar ao lixo. Vou já
alertar para isso!”. Então acrescentei no final da carta: “Pelo facto de ser mulher,
julgo não ser condição suficiente para me excluírem do concurso. Entendo que o
trabalho, desde que bem executado, poderá ser feito por ambos os sexos”. Venci,
assim, o desafio, tornando-me a 1ª Mulher Promotora Comercial bancária da zona norte
do país. Também por isso, fui convidada a promover a venda dos primeiros seguros na
banca portuguesa, em parceria com uma companhia de seguros. Estávamos em 1989.
Foram ótimas experiências de trabalho, que me deram muito prazer e me levaram a
receber variados prémios. Sempre atendi emigrantes e dentro do serviço de emigração,
li muitas das suas cartas, traduzindo os seus anseios e satisfazendo os seus pedidos.
          Aos 26 anos ingressei nos quadros do Banco Português do Atlântico, hoje
          Quando sonhei ter o meu primeiro automóvel, fui em par-time, demonstradora
e vendedora de trens de cozinha da marca italiana IMCO. Após treze meses, chegou o
carro novo que paguei a pronto.
          Mas as minhas tendências mais inatas, eram para as artes. Queria dedicar-me à
pintura e o tempo escasseava, meu sonho esvanecia.
          Em 1980, a convite de uma amiga emigrante, fiz a minha primeira viagem a
Paris, de comboio, por quinze dias. Aí, o sonho renasceu com toda a pujança, já que, à
minha volta se respirava a arte. Era ali mesmo que queria ficar! Aproveitei uma semana
para visitar os museus. A outra, para comprar material e comecei aí a pintar. Ainda
frescos e com todo o cuidado, trouxe três telas pintadas a óleo. Mal cheguei a Portugal,
como havia várias agências do Banco em França, logo tratei de saber como poderia
ir trabalhar e viver em Paris. Mais uma vez, e para meu desconsolo, outra resposta
negativa. Em Lisboa disseram-me que o meu pedido teria sido aceite se o tivesse feito
no ano anterior, dado a emigração, entretanto, ter diminuído bastante.    
          Restaram-me os sonhos e a minha arte. Após mais uns quantos quadros pintados,
mostrei-os a uma jornalista e crítica de arte do Porto, Anabel Paúl, que me incentivou
a apresentá-los ao público, o que veio a acontecer em 1983 em exposição coletiva
no Sindicato dos Bancários do Norte. Em 1987 realizei a minha primeira exposição
individual na Póvoa de Varzim. Através de livros, alguns mestres, aulas na ESBAP
e experimentando diversas técnicas, continuei na arte. Tinha 36 anos quando faleceu
minha mãe e meu pai logo a seguir.
          Nos finais do século passado, por motivos de saúde, aposentei-me do trabalho no
Banco. Em 2005 interessei-me pela escrita criativa, num curso com o escritor Válter
Hugo Mãe. Em 2006 tornei-me membro da Associação de Voluntariado do Hospital de
V. N. de Famalicão como voluntária e coordenadora na área de oncologia.
          Em 2007 voltei aos estudos académicos. Estava ainda por realizar o sonho de
uma licenciatura. E na Universidade Católica, entre as Teorias da Arte, História da
Arte, Estética, Crítica de Arte, Iconografia, etc., conclui o curso de Estudos Artísticos e
Culturais em 2010.
          Entretanto, no Teatro do Campo Alegre no Porto, cursei o “Laboratório de
Leitura Poética” níveis I e II, com a técnica de voz e cantora lírica Ana Celeste Ferreira.
Colaboro ainda em diversas tertúlias literárias e saraus de poesia. Em coautoria,
participei em mais de duas dezenas de antologias poéticas. Em 2008 publiquei o
primeiro livro de poesia “Os Degraus da Casa”. Sou membro de diversas associações
artísticas e culturais. Algumas no estrangeiro.
          Com todas as provações e negações que a vida me aprontou, continuo uma pessoa
positiva, otimista, lutadora e preparada para desafios. O único complexo que tive um
dia, foi o de ser ”baixinha”, o que depressa me passou, quando ainda na escola se sentou
a meu lado uma colega mais baixa que eu. Tenho também o vício de estar sempre
ocupada. É nas artes da pintura e da escrita onde mais me realizo.
          Sempre me animou a ideia de viajar, chegar, partir e voltar. Nas viagens que fiz
fora do país, sempre me senti uma cidadã do mundo. Estaria bem em qualquer parte, e
em espírito, serei sempre uma eterna emigrante na ansia de realizar ainda outros sonhos.
          Como eu, muitas mulheres, dentro e fora da diáspora, sentiram algum tipo de
discriminação. Algumas tiveram dificuldades de integração no mundo do trabalho,
onde sei, que só com muito empenho e sacrifício se consegue a plena realização
em qualquer profissão e muito mais na área das artes. Vejo a arte também como
emancipadora. Através de meios comunicacionais comuns e tendências inatas, a arte
aproxima as pessoas e ajuda a diminuir as diferenças. É também uma das minhas formas
de comunicar, dialogar e denunciar injustiças sobre as mulheres no mundo. Defendo
a liberdade, com valores e responsabilidade. Reconheço ter havido ao longo dos anos,
muitos avanços na apreciação do trabalho das mulheres, seus direitos e regalias, mas
estou certa que haverá ainda muito por fazer. Não percamos nunca a capacidade de
sonhar!
          Termino com uma frase de Mário Zambujal:
        “ A mulher é o poema de Deus. O homem, a simples prosa”
20/9/ 2013
Filomena Fonseca

VI CONGRESSO " A VOZ DOS AVÓS" - UA, LISBOA 5 a 7 de dezembro

No congresso, estarão presentes, na qualidade de oradoras, várias associadas  da AMM

Para informação, consultar o site


https://eventos.uab.pt/avozdosavos2019/ 

sexta-feira, 22 de novembro de 2019

ISABEL AGUIAR

15:05 (há 4 horas)

Nasci no Porto na freguesia da Sé, junto ao centro histórico da cidade, atualmente património mundial, mas simplesmente porque aí se situava 
a maternidade da Ordem do Terço, a dois passos do Teatro São João.

Foi em Gondomar, terra da família paterna há muitas gerações, que passei uma infância muito feliz com os meus pais e seis irmãos. 

Somos quatro raparigas e três rapazes, e eu fui a sexta a vir ao mundo na Ordem do Terço. Os pais formavam um casal jovem, unido 
e muito alegre, gostavam de música e ambos tinham vozes excelentes. Todos nós herdámos o seu gosto pela música, pelo canto e
 pela dança, pela convivialidade e por viagens. Passávamos as férias na praia, em Francelos ou na Aguda, em casas sempre espaçosas,
 arrendadas para a temporada de verão,  porque éramos muitos - às vezes partilhávamos a casa com tios e primos e com visitas constantes
 de avós e mais família.

Mais tarde, fiz férias em destinos mais distantes - na Madeira, Açores, em vários países da Europa (Luxemburgo, França, Alemanha, Itália, Espanha, Grécia, Alemanha, Bélgica, Suíça, Inglaterra, Holanda República Checa e outros), nos EUA, República Dominicana, Venezuela,  Brasil, Uruguai, Paraguai,  Argentina... Às vezes, para descansar, outras vezes misturando trabalho e turismo. Em qualquer
 caso, viajar e interagir em outras sociedades , para mim, é sempre um prazer e uma aprendizagem 
Contudo, a minha ligação, ao longo de toda a vida é, essencialmente, ao Porto  e sua região. Estudei em colégios dos arredores, fazendo a escola Primária no Colégio de Santa Margarida depois no dos Padres Cacuchinhos de Gondomar – Colégio Paulo VI  - até ao nono ano de escolaridade, 10 e 11º ano no Colégio Ellen Key e de seguida ingresso no então chamado ano zero da Universidade Católica do Porto, onde me licenciei em Direito no ano de 1992. Na cidade fiz, seguidamente, estágios e cursos de formação, comecei e tenho desenvolvido a minha carreira profissional.

No anos de 1992 completei o curso de Contabilidade para Juristas na Universidade Católica  e o curso de Informática Aplicada no Instituto
 de Formação Normativa Avançada (AXON). 

Nessa década de 90, fui assessora jurídica na Divisão de Fiscalização da Câmara de Gaia, formadora- monitora do curso de "Aquisições Públicas",
 na Câmara de Abrantes , e formadora do curso de Práticas de Gestão do Trabalho Temporário -  na Associação Portuguesa de Gestores e 
Técnicos de Recursos Humanos, Grupo Regional do Norte. 
Após o  estágio, na Ordem dos Advogados – Porto - juntamente com uma colega de curso e duas outras colegas licenciadas em Direito,
 abrimos um escritório de advocacia na baixa do Porto; durante vários anos, éramos um escritório no feminino e só em meados de 2011  
constituímos uma sociedade de Advogados e a nós se juntaram dois jovens advogados; o grupo manteve-se assim coeso, mas considero
 que a colaboração de género e geração se tem traduzido, de facto, num enriquecimento para a Sociedade - a Sociedade de Advogados Aguiar,
 Loureiro, Telinhos, e Associados, RL, da qual sou sócia administradora .
Desde o início, compatibilizei as funções de advocacia com as de assessoria jurídica, e funções pedagógicas, e, desde 2016, 
também de mediação familiar.

Em 2004/2005 e 2005/2006 fui docente/assistente do ensino superior, na cadeira de Direito da Comunicação do curso de Cine,
 Video Arte e Comunicação e Fotografia da Escola Superior Artística do Porto. 
A partir de 2006 e até hoje, passei a dar assessoria jurídica na União de Freguesias de Perafita, Lavra e Santa Cruz do Bispo.
Em 2007, obtive o Certificado de Aptidão Profissional (CAP), que me confere competências pedagógicas para exercer as funções
de formadora e, em 2008, o Curso de Formação e Mediação EFA, obtido na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Nesse
 mesmo ano frequentei o mestrado de Direito Geral na Universidade Católica Portuguesa (Direito de Asilo e Refugiados, Direitos de Autor,
Direito da Concorrência), mas outros afazeres levaram-me a interromper este curso.
Em 2016, fiz o curso de Mediação familiar e estou inscrita na lista oficial de Mediadores familiares.
De entre os congressos e conferências em que participei destacarei, por incidirem em áreas de que continuo a ocupar-me ou que
 particularmente me interessam :
 - o Congresso Mundial de Mulheres Migrantes (AMM,1995), como membro da Comissão Organizadora
 - Seminário sobre "Políticas para a Emigração e Comunidades Portuguesas" (AMM, 2000)
 - Seminário sobre Direito do Audio Visual, Fotografia e Multimédia (ESAP, 2006)
 - o ciclo de conferências sobre Informação e Mediação da Escola de Direito do Porto, Universidade Católica (2007)
 - Seminário sobre Direito de Asilo e Refugiados, da Universidade Católica do Porto (2008)
Sou, assim, atualmente, Advogada, Jurista, Formadora, Mediadora.
Secretária da Assembleia da Ammeraal Beltech - Correias Industriais, SA
Secretária da Assembleia da Hydro Aluminum Extrusion Portugal HAEP, SA
E, na área do associativismo:
 - voluntariado na Associação "Padre Usero" - apoio alimentar, social e psicológico a famílias carenciadas em áreas 
problemáticas do Porto
 - Vice-Presidente da Assembleia Geral da AMM

1- Foi com a realização de algumas deslocações às comunidades de emigrantes (na altura como membro do
Conselho Fiscal da AMM) pelo mundo, que percebi a importância do associativismo, em especial no
âmbito das Comunidades Portuguesas.
As associações são um núcleo fundamental da sociedade, que permitem a promoção da cidadania, do
patriotismo, conduzem ao desenvolvimento e crescimento pessoal e coletivo, colocam em aberto e tornam 
públicos os problemas vividos pelos indivíduos na sua vida privada e, dessa forma, conseguem dar solução 
a um número sem fim de problemas que os emigrantes enfrentam quando se encontram deslocados.
Foi a este processo enriquecedor de deliberação comunitária e de consciência social que assisti nas
minhas visitas às comunidades portuguesas.
Apesar de nos locais visitados existirem imensas associações de Portugueses, é fundamental que haja
no país de origem uma instituição que funcione como retaguarda e traço de união das comunidades.
Daí achar fundamental e imprescindível o papel da Mulher Migrante no mundo das migrações.
Recordo, também, a minha primeira participação na AMM. a convite da Doutora Graça Guedes.
Integrei o secretariado do "Encontro Mundial de Mulheres Migrantes", que se realizou em 1995, na
cidade de Espinho. Era então uma jovem recém licenciada em Direito, que fazia o estágio para a
advocacia. O encontro tinha por título "Diálogo de Gerações" e havia um significativo número de
representantes das segundas gerações, raparigas e rapazes da minha idade e, naturalmente,
personalidades da emigração feminina de todos os continentes. Ao todo, mais de 300 pessoas!
Creio que foi, até à data, o maior evento do género levado a cabo dentro do país e prolongou-se por
quase uma semana. Os temas foram introduzidos por alguns dos mais reputados especialistas nacionais
no campo das migrações.
Os debates foram intensos. A Dr.ª Maria Barroso, que era então "Primeira Dama", encerrou a sessão
com um discurso inspirador, brilhante! Ficou connosco para o jantar de despedida, que foi uma grande festa,
um convívio de amizade muito à portuguesa. Até me convenceram a cantar o fado. 
Aprendi muito, acho que todos aprenderam! E o impacto na cidade e no país, e suponho, também na
emigração foi enorme, ampliado pelos meios de comunicação.
Constituiu, assim, um momento especial em que se ouviu a voz das mulheres da emigração e  da
juventude, em que a AMM, criada há pouco mais de um ano, se afirmou com a sua vocação
internacional.

2 - No futuro, espero poder colaborar em iniciativas semelhantes, nomeadamente, no que respeita
aos aspetos jurídicos da igualdade de género. e ao equilíbrio geracional - julgo importante que a AMM
prossiga na senda do Encontro de 1995. apelando à participação tanto dos mais jovens, 
como dos mais idosos e experientes, em Portugal e nas comunidades do estrangeiro