segunda-feira, 18 de novembro de 2019

AIDA BAPTISTA - O UNIVERSO DA AMM

O UNIVERSO DA AMM

Com o objetivo de se poder ter um conhecimento mais aprofundado do universo dos
associados (homens e mulheres) da AMM, foi decidido em reunião da AG dedicar o
Boletim nº 3 a narrativas de vida na primeira pessoa, em que a história de cada um
ganhasse uma dimensão social e cívica, nem sempre traduzidas num mero CV
académico ou profissional.
Para o efeito, e nesses moldes, Arcelina Santiago encarregou-se de pedir aos associados
um registo do seu percurso de vida, acompanhado de uma breve nota curricular e das
respostas a duas questõs previamente formuladas.
Associados houve que, em tempo recorde, satisfizeram os requisitos propostos. Outros,
por imperativo das suas tão preenchidas agendas pessoais e profissionais, levaram mais
tempo a fazê-lo, havendo ainda quem não tenha conseguido cumprir o solicitado.
Outros, ainda, enviaram-nos incompletos.
Sendo intenção desta direção, dar à estampa o referido boletim, antes de terminar o ano,
dele constam já algumas dessas biografias por ordem alfabética, exceto as primeiras
que, por serem das duas fundadoras, lhes foi dada a primazia.
Continuaremos a trabalhar no material recolhido, e no que ainda nos há-de chegar, para
que venha a fazer parte das futuras publicações.
Por termos dado a cada participante a possibilidade de, livremente, destacarem a
colaboração passada, mas também a de apresentarem projetos para o futuro, temos a
certeza de que, com os mais variados contributos, a nossa Associação continuará a
cumprir os objetivos fundamentais que lhe servem de pilar e justificam a sua existência.

GRAÇA GUEDES

MARIA DA GRAÇA RIBEIRO DE SOUSA GUEDES

Nasci em Espinho, na Casa de Saúde, poucos dias depois do início da 2ª Grande Guerra
Mundial. Cresci em Espinho. Vivo em Espinho, na casa onde quase sempre vivi desde o
meu nascimento.
Fiz o ensino primário e o secundário (até ao 5.º ano do liceu) em Espinho, no Colégio
Nossa Senhora da Conceição. Depois o 6º e 7º anos, no Colégio do Sardão, onde
conheci a Drª. Manuela Aguiar e, desde essa data, a nossa amizade existe.
Tive uma infância e adolescência muito felizes, muito acarinhada pelos meus Pais e
irmãos, bem mais velhos do que eu, mas num ambiento de rigor e exigências, não só de
âmbito cultural, mas também civilizacional.
Nesta fase da minha vida, envolvi-me intensamente com atividades culturais: Música
(piano) e Desporto (Natação – aprendi a nadar com 3 anos, praticando diariamente na
Piscina Solário Atlântico em Espinho; Voleibol – fazendo parte da 1ª equipa feminina
do  Sporting Club de Espinho). Nestas modalidades desportivas prossegui num caminho
para a alta competição: Natação, no Sport Algés e Dafundo; no Voleibol, no Sporting
Club de Espinho e depois no Lisboa Ginásio (campeã nacional).
Embora sempre pretendesse fazer a licenciatura em Medicina, e até tivesse feito provas
de admissão na Universidade do Porto, com sucesso, decidi optar pelo Desporto, no
INEF (Cruz Quebrada), onde fiz a Licenciatura em Educação Física (1963). Mais tarde
(1979), rumei a Paris para a realização do Doutoramento em Psicologia na Universidade
René Descartes – Sorbonne (concluido em 1984), com a dissertação intitulada Les
Conduites d´Adaptation Motrice Chez les Enfants Scolarisés de Deux à Trois Ans – les
enfants portugais en France et au Portugal .
E aqui começou toda a minha envolvência com a problemática da emigração. Não só
pelo estudo científico aprofundado, tal como exige este grau académico, como também
pelo contacto com a comunidade portuguesa em Paris, para a investigação no terreno
das crianças portuguesas, que eram o meu objeto de estudo. Acresce a minha
aprendizagem com os professores portugueses aí envolvidos no ensino do português,
em cursos que dinamizei a convite da Coordenação do Ensino de Português em França.
Este Doutoramento foi reconhecido em Portugal em Ciências do Desporto pela
Faculdade de Ciências do Desporto e de Educação Física da Universidade do Porto,
onde desenvolvi toda a carreira académica e científica. Fui então a primeira mulher que
em Portugal obteve este grau académico nesta área científica – Ciências do Desporto.

Com Agregação, fui depois Professora Catedrática (também a primeira mulher a obter
este grau académico em Ciências do Desporto), liderando um grupo de disciplinas
afetas ao Comportamento Motor. Múltiplas orientações de teses de Mestrado e de
Doutoramento, participação em Congressos, Conferências, publicação de livros e de
artigos em Revistas científicas, marcaram este percurso universitário.
Para além desta carreira académica, também na desportiva saliento desempenhos de
treinadora de Ginástica Rítmica (Sport Club de Porto – com uma classe que foi vice
campeã europeia) e de Voleibol feminino (CDUP e Sporting Club de Espinho, campeã
nacional).
A convite da Secretaria de Estado da Emigração dinamizei ações de formação sobre
Atividades Lúdicas Tradicionais (Jogos e Danças) nas comunidades portuguesas da
Europa (França, Suiça e Alemanha), Américas (Canadá, EUA, Panamá, Venezuela,
Brasil, Uruguai e Argentina), Ásia (Malásia - Malaca) e África (Zaire e África do Sul –
Joanesburgo, Pretória, Durban e Cidade do Cabo), balizando o ensino da língua
portuguesa. Estas vivências favoreceram um conhecimento aprofundado da nossa
comunidade espalhada pelo mundo.
Em 1984 fui Diretora do Centro de Estudos da Emigração, sucedendo neste cargo à sua
fundadora, Profª. Doutora Maria Beatriz Rocha Trindade. Simultâneamente, fui
Delegada no Porto do Instituto de Apoio da Emigração e das Comunidades Portuguesas.
No meu relacionamento com a comunidade, desempenhei diversos cargos diretivos:
Associação Humanitária Bombeiros Voluntários de Espinho (Vice Presidente da
Direção), Sporting Club de Espinho (Presidente da Assembleia Geral), Orpheon de
Espinho (Vice Presidente da Assembleia Geral) e Presidente da Assembleia Municipal
de Espinho.
Fui fundadora e Presidente da Sociedade Internacional de Estudos da Criança.
Sou sócia fundadora da Associação de Estudo, Cooperação e Solidariedade Mulher
Migrante, onde fui a primeira Vice Presidente da Direção e atualmente sou Secretária
Geral.
Sou Sócia Honorária da Sociedade Científica de Pedagogia do Desporto.
Fui condecorada em 2003 com a medalha de ouro da cidade de Espinho (Medalha de
Mérito).

1. Algumas considerações sobre o seu modo de ver e de trabalhar para os
objetivos fundamentais da AMM, fazendo referência à colaboração já
dada a iniciativas da AMM e/ou a  novas propostas.
Orgulho-me de ser  uma das fundadoras da Associação e, inclusivamente, uma das
outorgantes na escritura notarial, respondendo com a maior honra e satisfação ao
desafio da Drª Manuela Aguiar.
Honra e satisfação em poder participar na implementação de um projeto, pensado e
proposto durante o histórico 1º Encontro Mundial de Mulheres no Associativismo e no
Jornalismo (1985) a que assisti em Viana do Castelo e, pontualmente, ajudei
logisticamente a sua organizadora, Drª Maria do Céu Cunha Rego: o da união das
mulheres portuguesas no mundo - a criação da Mulher Migrante Associação de
Estudo, Cooperação e Solidariedade, em 1993,  por escritura notarial em 2 de janeiro
de 1994.
Desafiada pela Presidente da Assembleia Geral, Drª Manuela Aguiar e com o cargo de
Vice-Presidente da Direção, fui responsável pela organização do Encontro Mundial de
Mulheres Migrantes – Gerações em Diálogo, realizado em Espinho, em Março de 1995,
cuja tarefa foi facilitada pela extraordinária equipa que me apoiou.  Efetivamente, todas
as tarefas são simplificadas, quando a equipa é coesa e dinâmica, interessada em tudo
fazer para o êxito da organização. Com diferentes vivências e formações académicas,
muitos dos quais estudantes de doutoramento da minha Faculdade, propiciaram uma
articulada intervenção para dar resposta a todas as necessidades.
Um Encontro que marca indelevelmente o início das atividades da Associação de
Estudo, Cooperação e Solidariedade Mulher Migrante. Estiveram cerca de 400
participantes (sendo 91 das comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo), muitas
das quais vindas dos cinco continentes e, na sua grande maioria, dirigentes associativos,
professores, investigadores, antigos conselheiros do CCP, jornalistas, políticos, jovens
das comunidades e de associações espinhenses. Algumas já tinham estado em Viana
(1985): Eulália Salgado, Lourdes Lara, Juliana Resende, Manuela Chaplin, Berta
Madeira, Mary Giglitto e outras, agora a residir em Portugal, tais como a Laura Bulger
(Canadá) e Leonor Xavier (Brasil).
Este Encontro, que serviu para dar a conhecer a nossa associação, foi também a
concretização de uma das recomendações do Encontro de Viana (1985), que visava a
realização de um Congresso de Portuguesas no Mundo e, segundo Manuela Aguiar
(2009), … com a finalidade de abordar áreas temáticas, tais como a presença feminina

no associativismo, na comunicação social, no trabalho, no ensino da língua, na
preservação da cultura, através das segundas gerações, na preparação do regresso a
Portugal.
A partir de 2005, tive a honra de participar nos Encontros para a Cidadania (2005-
2009), presididos pela Dr-ª Maria Barroso e patrocinados pela Secretaria de Estado das
Comunidades Portuguesas, que se realizaram em Portugal (Lisboa, Maia e Espinho) e
no estrangeiro (Buenos Aires, Joanesburgo e Estocolmo).
Colaborei com a Drª Manuela Aguiar e a Drª Arcelina Santiago na elaboração de
publicações que foram editadas pela Associação.
Fui Secretária Geral da AMM em dois mandatos, com a Presidente da Direção Dra. Rita
Gomes, e continuei no mesmo cargo no mandato seguinte em que foi presidente
Arcelina Santiago. Na Assembleia Geral do passado mês de Março, fui eleita Presidente
da Direção.

2. Como vê as possíveis aplicações concretas das suas linhas de investigação
e/ou planos de ação no domínio das migrações e da Diáspora, com
enfoque especial no feminino.
Com o avançar dos anos, somos tentadas a simplificar as nossas tarefas científicas, já
que ficaram para trás as tarefas profissionais, que tanto nos envolveram. 
Somos tentadas a novos estilos de vida, mas que se podem adaptar a novos desafios.
E esta associação é um deles.
O desafio de ser agora Presidente da Direção impõe prestações, às quais me dedicarei
com o maior empenho, em conformidade com o disposto nos Estatutos.
Importa agora, e prioritariamente, organizar a nossa sede, raramente utilizada e que
merece ser um espaço de encontros e de realização de eventos, para a qual o atual
Presidente da Assembleia Geral, Dr. Victor Gil, tem sido um exímio obreiro, com o
apoio da sua mulher Dra. Maria de Lourdes, a quem todos temos de agradecer,
considerando a quantidade de caixotes com o acervo da AMM, que vieram de casa da
Dra. Rita Gomes após a sua morte.
Embora a Dra. Manuela Aguiar e a seu pedido, tenha deixado de ser Presidente da
Assembleia Geral, continua a apoiar-nos, como sempre o fez, com aquele dinamismo e
saber para dinamizar novos eventos que, entretanto, se têm realizado.

MARIA MANUELA AGUIAR

MARIA MANUELA AGUIAR DIAS MOREIRA
Nasci em 1942, na casa grande da avó materna - uma das chamadas “casas de
brasileiros” - no centro de Gondomar. Aí vivi os anos felizes da infância, num ambiente
em que o Brasil estava bem presente, mais nas memórias, nas narrativas, na música, na
gastronomia do que na traça da casa.
Aguardei, com impaciência, a entrada na escola, onde me sentia realizada a aprender as
letras e os números. Depois de dois anos na escola pública, sete no colégio do Sardão
(onde tinha ótimas condições para a prática do desporto, que era a minha paixão maior)
e dois no Liceu Rainha Santa Isabel, fiz o curso de Direito na Universidade de Coimbra.
Era excelente aluna, estudava voluntariamente, com entusiasmo, embora sofresse por
demais com todos os exames, que acabavam por correr a contento. Terminei o liceu
com 18 valores, em 1960, e Direito com 17, em 1965.
Voltei à vida de estudante, como bolseira da Fundação Gulbenkian, em Paris, entre
1968 e 1970, o lugar e o tempo certo para me iniciar na Sociologia do Direito, em mais
do que um sentido. Concluí o ano de "titularização" na École Pratique des Hautes
Études, com Alain Touraine, depois de vários certificados na tumultuada  Vincennes e o
"Diplôme Supérieur d' Études et de Recherche en Droit" na ordeira Faculdade Livre  de
Direito do Instituto Católico. Residia na cidade universitária, (na Casa de Portugal,
depois na Fundação Argentina). Senti-me em vários países simultaneamente, e em todos
fiz amigos que ficaram para sempre. Parafraseando António Vitorino de Almeida sobre
a Áustria e Viena, direi que "Paris é a minha cidade, mas a França não é o meu país".
Aquando dessa espécie de  feliz migração parisiense, já era Assistente do Centro de
Estudos do Ministério das Corporações (1967/74), onde tive colegas que foram, e são,
grandes nomes na comunidade académica e na política, (em quadrantes vários) e dois
diretores de boa memória, que me deram liberdade de expressão e de circulação (com
bolsas da OIT, da OCDE, das Nações Unidas). Um era homem do regime (Cortez
Pinto), o outro um professor cultíssimo, progressista e muito divertido (António da
Silva Leal).
Os meus incipientes estudos de sociologia trouxeram-me um inesperado convite de
Álvaro Melo e Sousa para ser sua assistente na Universidade Católica. Um segundo
convite, igualmente inesperado, levou-me para a Faculdade de Economia de Coimbra,
onde tomei posse no dia 24 de abril de 1974, e um terceiro, pouco depois, para a
"minha" Faculdade de Direito. Fui assistente de Rui Alarcão, futuro Reitor, e de Mota

Pinto, futuro Primeiro-ministro. Uma época agitada e auspiciosa, em certos aspetos
como a vivida em Paris, nos dias e meses a seguir a uma revolução... Eu não tinha
partido, era social-democrata "à sueca", como Sá Carneiro e os meus amigos de
Coimbra, ideólogos do PPD.
Em 1976, antecipando saudades sem fim, troquei a Faculdade por uma instituição
completamente nova entre nós, o Serviço do Provedor de Justiça, onde fui assessora de
dois históricos democratas: o primeiro Provedor, Coronel Costa Braz, e o segundo, Dr
José Magalhães Godinho, exemplo raro de humanismo e de  alegria de viver.
Só na década de noventa me reencontrei com salas de aulas, como docente convidada da
Universidade Aberta (Mestrado de Relações Interculturais).
A experiência nas três universidades foi esplêndida e ajudou-me a rejuvenescer e a
interagir com audiências estimulantes e numerosas. Uma aprendizagem sem a qual não
teria conseguido fazer caminho no terreno mais agreste da política -  coisa que, devo
acrescentar, não estava nos meus planos. Desde sempre gostei de discutir questões
políticas no círculo da família e dos amigos, e era uma feminista declarada nas coimbrãs
tertúlias de café. E, talvez por isso, o Doutor Mota Pinto me lançou, em 1978, o desafio
de passar à ação: ou aceitava o cargo de Secretária de Estado do Trabalho ou seria
responsável pelo défice feminino do seu governo (de independentes). Aceitei. Com
eleições já no horizonte, era "serviço público" por alguns meses apenas. Em agosto de
1979, reocupei o meu gabinete na Provedoria, tendo deixado pronto para publicação, na
Praça de Londres, o diploma que criava a Comissão para a Igualdade no Trabalho e
Emprego (CITE) - inspirada no "Ombudsman para a Igualdade" da Suécia. Contudo,
não resisti a uma nova e surpreendente chamada para o governo de Sá Carneiro, na
pasta da emigração. Fui, e fiquei em quatro governos e no parlamento, durante mais de
um quarto de século, ligada às questões da emigração, da Igualdade de Género, dos
Direitos Humanos.
Entre 1987 e 1991, com quatro sucessivas eleições para Vice-Presidente da Assembleia
da República, tornei-me a primeira mulher a presidir a sessões plenárias ou a delegações
parlamentares (começando logo por uma visita oficial ao Japão). Em 1991, fui eleita
para a Delegação Portuguesa à Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa (APCE)
e à União da Europa Ocidental (AUEO), nas quais seria, durante 14 anos, membro,
presidente de diversas subcomissões, presidente da Comissão das Migrações,
Refugiados e Demografia, Vice Presidente da UEO e da bancada parlamentar do Grupo
Liberal e Reformista, e, nos três últimos anos, Presidente da Delegação Portuguesa, um

trabalho gratificante, em assembleias onde se pensa o futuro, onde até é permitida a
utopia, sem nenhum dos constrangimentos dos parlamentos nacionais. Quando o PSD
trocou o Grupo Liberal pelo PPE, era frequente os colegas de grupo votarem contra os
meus relatórios e vice-versa.
Saí, quando quis sair, da Assembleia da República, em 2005. De 2005 a 2011 fui
Vereadora na Câmara de Espinho. Desde então e até hoje, continuei o meu trabalho
cívico, nos mesmos domínios de intervenção, sem abrandar o ritmo. Este percurso de
vida, no início, não tendo sido uma escolha minha, acabou por revelar-se uma boa
escolha. Foi feito de movimento, de incontáveis viagens de descoberta pelo/do mundo
das comunidades da emigração e da Diáspora, de encontros, diálogo e amizades em
tantos países e continentes; em Portugal, de convívio, em alguns casos, inesquecível,
com os grandes protagonistas da história da Cultura e da Democracia, da minha
geração: os que já mencionei e outros. Homens, como o General Eanes, Mário Soares,
Jorge Sampaio, Freitas do Amaral, e Mulheres, como Maria Barroso, Natália Correia,
Agustina Bessa Luís, Amália, Ruth Escobar. E ainda me restou algum tempo livre para
coisas de que tanto gosto: futebol, cinema, praia, música, um bom livro, os meus cães e
gatos.
Livros, publiquei alguns sobre emigração, o último dos quais, em 2005, com o  título
"Comunidades Portuguesas, os Direitos e os Afetos", quando os afetos ainda não eram
virtude no discurso político. Sobre um dos processos políticos em que mais diretamente
me envolvi no parlamento, a do estatuto de Igualdade de Direitos no espaço luso-
brasileiro, editei, no mesmo ano, uma coletânea de textos, com o título “A igualdade de
Direitos e Deveres entre Portugueses e Brasileiros - a questão da reciprocidade/1988 -
2001
 Coordenei, desde 2002, a publicação de revistas e atas de congressos da AMM. 
As condecorações vêm, em regra, no último capítulo, dos CV. Muitas são as que recebi
em função de cargos oficiais, mas aqui referirei só as que me foram atribuídas de forma
mais personalizada, como a Grã-Cruz da Ordem do Infante Dom Henrique pelo
Presidente Sampaio, a Grã-Cruz da Ordem do Cruzeiro do Sul (Brasil), a Grã-Cruz da
Ordem do Rio Branco (Brasil), a Ordem da Estrela Polar (Suécia) no grau de Grande
Oficial, o título de "Cidadão do Rio de Janeiro", a Ordem Tiradentes, a Medalha de
Mérito Cívico da Câmara de Gaia (classe ouro), o "Dragão de ouro" do FCP, a Medalha
de Honra da Câmara de Espinho.

1- Algumas considerações sobre o meu modo de ver e de trabalhar para os
objetivos fundamentais da AMM.

Sou  uma das fundadoras da Associação.
Acredito na força dos movimentos associativos, na sua influência para a mudança do
estado de coisas imperfeito e injusto, que herdámos do passado. No início de 90,
envolvi-me no trabalho de promover a criação de organizações para a igualdade em
diversos domínios, sem esquecer o das migrações, tradicionalmente tão marginalizado  -
até nas reivindicações das feministas, desde o século XIX. A AMM é contemporânea da
"Associação das Mulheres Parlamentares", da "Associação Ana de Castro Osório" ou do
Forum Internacional das Migrações, entre outras de que fui fundadora. Em comum
tinham o facto de se situarem numa perspetiva suprapartidária. Não fiquei à frente de
nenhuma, porque na altura viajava constantemente para reuniões no Conselho da
Europa, e nas nossas comunidades do estrangeiro, mas colaborei ativamante, desde a
primeira hora, sobretudo com a AMM. No seu arranque, a Associação contou com o
entusiasmo e a eficácia da empresária luso-brasileira Fernanda Ramos e de Rita Gomes,
que acabava de se aposentar. Seria a única capaz de fazer um caminho ascensional, ao
longo destes últimos 25 anos  - prova real de que é fácil ter uma ideia e lançar um
projeto, o difícil é continuá-lo!
Neste caso, tratava-se, mais precisamente, de relançar ou retomar um projeto pensado e
proposto durante o histórico 1º Encontro Mundial de Mulheres no Associativismo e no
Jornalismo de 1985: o da união das mulheres portuguesas no mundo. Intenção
esplêndida e pioneira, que não puderam então concretizar, mas inspirou a criação da
"Mulher Migrante - Associação de Estudo, Cooperação e Solidariedade", em 1993. De
facto, no ato da sua constituição vemos os nomes de muitas das participantes do
pioneiro Encontro Mundial. A nova ONG, (ao contrário do modelo delineado em 1985 e
adotado no associativismo feminino da Diáspora), é aberta aos dois sexos, a todos os
que se preocupam com as particularidades de género nas migrações e com quaisquer
formas de discriminação e xenofobia. Esta absoluta singularidade, convertê-la-ia, numa
fase inicial, em parceira importante da Comissão da Igualdade, (que tinha um historial
de insuficiente atenção às mulheres expatriadas), e, depois, também da Secretaria de
Estado das Comunidades Portuguesas, a partir de 2005, data em que passou a
desenvolver, sistematicamente, políticas de emigração com a componente de género.
Pude intervir em todos os colóquios e congressos organizados no país e no estrangeiro,

nomeadamente nos "Encontros para a Cidadania" (2205-2009), presididos pela Dr-ª
Maria Barroso, e coordenei, juntamente com outras colegas, várias das nossas
publicações. Neste momento, estou empenhada em colaborar com a Direção da AMM e
com as/os demais colegas na execução do ambicioso programa para o ano de 2019.
É bom pertencer a uma coletividade, onde independentemente da nossa posição nos
órgãos sociais, temos o mesmo direito de iniciativa, temos voz e somos ouvidas/os. Em
suma, somos iguais, numa ONG que se bate pela igualdade!

2- Os meus planos de ação no domínio das Migrações e da Diáspora, com especial
enfoque nas femininas, em colaboração com a AMM.

 Nos últimos anos, sobretudo desde que cessei funções oficiais, tenho procurado,
sempre que possível, destacar a minha pertença à AMM, nas sínteses curriculares, assim
como enquadrar as minhas intervenções, mesmo as que são solicitadas a título pessoal,
no programa de atividades da Associação. As frequentes deslocações ao estrangeiro
deram-me, e de algum modo continuam a dar-me, oportunidades de incentivar uma
maior participação cívica e política das emigrantes, seja pelo seu acesso ao patamar do
dirigismo associativo geral, seja, em alternativa, pelo desenvolvimento de movimentos
cívicos, e pela aproximação, entre si, de mulheres de diferentes comunidades e delas
com a AMM, assim potenciando uma vertente internacional, que é, bem vistas as coisas,
a sua vocação originária.

ILDA JANUÁRIO

ILDA JANUÁRIO

Emigrei para o Canadá em adolescente, em 1966, e acabo de fazer 52 anos de residente neste país. Vivi apenas um quarto da minha vida em Portugal, embora lá passe um ou dois meses por ano. Fiz uma tentativa de retorno, em outubro de 1974, que durou nove meses, ao fim dos quais “renasci” no Canadá. Tinha-me sentido desadaptada em Portugal, e não encontrei lugar nesse país recém-saído da ditadura, apesar da grande saudade que sentia por ele.
Saí de Portugal estudante, com o sexto ano do liceu de Leiria, de uma vida bastante desafogada em comparação com a que tive, inicialmente, no Canadá, embora revoltada com a violência doméstica e o assédio nas ruas a que nessa altura eram sujeitas crianças e jovens. Fui uma delas. Tornei-me feminista em Portugal muito antes de tomar consciência de o ser em adulta, no Canadá.
Minha mãe, eu e meu irmão viemos juntar-nos a meu pai que havia já emigrado. A minha mãe, com 46 anos, era dona de casa e não sabia falar francês nem inglês. Tive que ser a sua acompanhante-intérprete, como acontece ainda a muitos filhos de imigrantes. Cedo vivi na pele os problemas por que todos passam, começando com o choque cultural, agudizado pela saudade de quem não podia regressar regularmente ao país de origem, e pelos problemas familiares que levaram à separação de meus pais. Também não foi fácil a minha inserção no mercado de trabalho (hotéis, fábricas, restaurantes), como trabalhadora estudante, para poder pagar as propinas universitárias.
Completei os estudos de bacharelato em Antropologia Cultural (B. A.) na Universidade de McGill, em Montreal, e o mestrado (M. Sc.) na Universidade de Montreal. Trabalhei no setor dos serviços aos imigrantes de 1972 a 1985, em Montreal e em Toronto.
Fiz parte da primeira associação comunitária que se destinava a prestar serviços gratuitos aos imigrantes sobre os seus direitos de trabalhadores: Welfare and Low Income Citizens, depois no centro comunitário multilingue SANQI (Services d’Aide aux Nouveaux Québecois et Immigrants) e, por último, no Centro de Referência e Promoção Social, que se destinava apenas aos portugueses.
Em 1985, entrei para o Ontario Institute for Studies in Education (OISE/UT) como Research Officer, em vários departamentos e projetos de pesquisa em educação, assim como em projetos ligados a instituições do ensino superior - Université du Québec à Montréal, (UQAM), York University - e outras.
Na UQAM, participei na primeira pesquisa sobre as mulheres imigrantes em Montreal, 1980-1982, como entrevistadora do grupo das portuguesas, sendo quatro os grupos étnicos estudados. Escrevi a minha tese de mestrado com base neste trabalho. E na York, participei, em 1992, em dois projetos de pesquisa sobre as mulheres imigrantes em Toronto, incluindo as portuguesas.
Ocupei cargos voluntários, de 1994 a 2003, primeiro na Associação de Pais Portugueses de Toronto e depois como presidente e porta-voz da Coligação Luso-canadiana para a Melhoria do Ensino - Portuguese-Canadian Coalition for Better Education. Como autora da proposta da Coligação para a Trillium Foundation, que subsidiou o projeto de explicadores e tutores para alunos luso-canadianos, recebi em 2001, o prémio Profissionais “In Recognition of Outstanding Community Service” da Federação Luso-canadiana de Empresários. O projeto foi administrado e desenvolvido pelo Working Women Community Centre com o título de On Your Mark.
Durante cinco anos, até 2010, trabalhei como animadora da rede educativa, Ethnocultural Community Network (ECN) da Direção Escolar Pública de Toronto (TDSB), que ajudei a fundar.
A custo, combinei carreira, maternidade (uma filha) e trabalho voluntário, em instituições educativas e na comunidade portuguesa, durante quase toda a minha vida no Canadá.

  1. Considerações sobre o meu modo de ver e trabalhar para os objetivos fundamentais da AMM, à colaboração já dada a iniciativas da AMM e/ou novas propostas.

Na minha perspetiva de imigrante de longa data no Canadá, as mulheres sempre foram vítimas de disparidades salariais, de maus tratos em casa e da jornada dupla de trabalho. Mas, nos anos 1960, quando emigrei, tanto mulheres como homens, trabalhadores na indústria e nos serviços, desconheciam os seus direitos como imigrantes e cidadãos, em virtude de não dominarem as línguas de acolhimento. Face a esta injusta realidade, comecei por trabalhar no setor comunitário em Montreal e em Toronto, entre 1972 e 1985.
Fiz carreira, a partir de 1985, no OISE/UT - Ontario Institute for Studies in Education da Universidade de Toronto - como Research Officer. Para além dos projetos de pesquisa pedagógica em que fui integrada, o meu interesse voltou-se para o baixo aproveitamento e o abandono escolar dos alunos imigrantes, e o fraco envolvimento dos pais nas escolas, com particular enfoque nos luso-canadianos.
Depois de me reformar, em 2008, a título voluntário, concentrei a minha atenção na pesquisa antropológica da religião popular – as festas do Espírito Santo no Canadá - em colaboração com o antropólogo João Leal, no CRIA (Centro em Rede de Investigação em Antropologia) da Universidade Nova de Lisboa. Estou a escrever um livro sobre o trabalho de campo já feito, que durou vários anos, sempre atenta ao papel das mulheres açor-canadianas nas festas, a maioria de primeira geração e de classe trabalhadora.
O meu contacto com a AMM nasceu através da participação da Dra. Manuela Aguiar, em alguns eventos em Toronto, onde tive oportunidade de escutar as suas intervenções. Impressionou-me pelo seu interesse e conhecimentos sobre as comunidades emigrantes, pela sua simpatia e abertura. Foi ela quem me lançou o desafio de, em 2014 e 2015, publicar dois textos – em Edição de Mulher Migrante - e me tornar sócia da AMM.
Foi um gesto muito especial, o de me associar, oficialmente, a um organismo português, depois do CRIA. Era a maneira de continuar a pertencer ao mundo social e progressista português, num país a que eu, até 2008, apenas estava ligada pelas memórias, os laços familiares e as férias na antiga casa dos avós.
Ocasiões especiais, em Portugal, foram ter participado no 20º aniversário da AMM no Palácio das Necessidades, e ter visitado o belo e histórico espaço da Fundação Pro Dignitate, onde a saudosa Doutora Maria Barroso carinhosamente nos recebeu no seu gabinete.

  1. Como vejo as possíveis aplicações concretas das minhas linhas de investigação e/ou planos de ação no domínio das migrações da Diáspora, com enfoque especial no feminino.

Nunca deixei de trabalhar como voluntária na comunidade portuguesa de Toronto, tanto quando estava integrada no mercado de trabalho, como depois de reformada, pela pesquisa nas festas do Espírito Santo. Colaboro, desde há vários anos, com o semanário O Milénio-Stadium, e sou coordenadora, com Felicidade Macedo Rodrigues, do Núcleo de Leitura da Casa do Alentejo em Toronto, que se dedica à leitura e debate de obras em português.
Em 2015, fui convidada a participar no conselho de administração do Centro Abrigo, que tem programas destinados a mulheres vítimas de violência, idosos, estudantes e respetivos pais, falantes de português.
Faço revisão e tradução de autores da nossa comunidade que querem publicar e/ou traduzir, em edição de autor, os seus livros de prosa e de poesia, dada a inexistência de uma editora em língua portuguesa no Canadá. Com eles colaboro em todo o processo ligado à organização, lançamento, promoção e divulgação, chegando a prefaciar algumas das obras publicadas.
Parece-me que estas minhas atividades voluntárias e de “free-lancer” se poderiam enquadrar nas atividades de uma futura delegação da AMM, a criar em Toronto, como decidido em reunião com Arcelina Santiago, no dia 31 de outubro de 2018.



FELICIDADE RODRIGUES

FELICIDADE PEIXOTO RODRIGUES

Nasci em Barcelos, Portugal. Sou Mãe de quatro filhos, dois rapazes e duas raparigas
de sucesso, tendo apenas uma nascido no Canadá. Tenho ainda 6 netos, dois deles já
na Universidade.
Emigrei para o Canadá nos anos 70 e, no primeiro ano, dediquei-me ao estudo da língua
inglesa. Logo a seguir, fui convidada para trabalhar no apoio a grupos de jovens e
casais e no grupo coral da minha paróquia. Desse trabalho resultou a abertura de dois
Centros Comunitários que funcionavam nas próprias igrejas.
Ali recebi todos os Portugueses que vieram refugiados de África. Tornou-se
rapidamente num verdadeiro Centro Multicultural. Nessa ocasião, trabalhava para o
Catolic Immigration Bureau - organização responsável pelos assuntos da emigração na
área das Línguas, Português/Espanhol, acolhimento e inserção social. Ao mesmo
tempo, ingressei na Universidade em regime de part-time, e lá estive quase vinte anos
até atingir parte dos meus objetivos, procurando uma especialização em
Desenvolvimento Comunitário, para melhor atuar na minha área profissional e me
desenvolver em termos pessoais.
Sobre as questões que me colocam acerca da AMM, remeto para o meu papel enquanto
mulher interventiva em prol da comunidade.
 Fui toda a minha vida, desde a adolescência, uma ativista. Um dos maiores projetos
desse tempo foi ir com um grupo de jovens protestar em frente da Berlin Wall.
Ensaiamos no estádio de Braga durante meses, e acompanhei os 500 jovens vindos de
todo o país.
Aqui no Canadá, para além dos muitos projetos em que me envolvi, destaco  o  que
considero o de maior vulto - a criação de um tribunal só para lidar com os  abusos
contra as mulheres, e um programa de recuperação para homens. Já lá vão mais de 30
anos.
Em termos sociais e políticos, comecei logo que cheguei ao Canadá, e ainda continuo a
incentivar  as/os jovens portugueses a  candidatarem-se. Na esfera política, sempre me
surpreendeu a falta de ativismo das/dos que vieram antes de mim. Reconheço que
 roubei muito tempo aos meus 4 filhos que praticamente criei sozinha. No entanto,
também os envolvi nos grupos de jovens.

Trabalhei em 2007 com o Dr Jorge Lacão Costa e com a Dra Amélia Paiva, uma das
primeiras líderes na Associação. Com os dois, organizei uma conferência em Toronto,
tendo convidado a Professora Manuela Marujo a fazer parte dos painéis representativos
de Toronto. O Dr Jorge Lacão, parlamentar dos assuntos das mulheres, veio
acompanhado de quatro líderes parlamentares e todos  concluíram que  a conferência
tinha sido um grande sucesso.
Outras conferências se seguiram no Canadá, e também nos Açores, aonde me desloquei
algumas vezes, sobretudo a S.Miguel e à Terceira.  Os Açores foram sempre muito
ativos, por termos em Toronto um grande número de emigrantes originários do
arquipélago.
Trabalhei 50 anos em Agências de Acolhimento, Inserção Social e Igualdade de Género,
sem medo de denunciar situações problemáticas. É nesta área que tenciono dar o meu
contributo à AMM, com especial enfoque no combate à violência doméstica.
Em 2015, fui homenageada pelo Governo do Canadá, em reconhecimento da minha
ação como líder na defesa dos direitos das mulheres.

GUILHERME SANTANA

GUILHERME VENANCIO SANTANA
Nasci em 1963, no Rio de Janeiro, onde vivi até aos 7 anos, altura em que mudamos
para Brasília (pais e irmãos) e onde vivi até ao meu casamento em 2011. A partir desta
data passei a viver no Recife.
Fiz o ensino primário no Rio de Janeiro, e em Brasília todos os restantes momentos
formativos e profissionais.
Sou Bacharel em Administração (1990) pela União Pioneira de Integração Social –
Brasília, e em Direito (2010), pelo Centro Universitário Euroamericano (UNIEURO) –
Brasília/DF.
Complementando a minha formação universitária (Formação Complementar), possuo o
MBA em Gestão de Pessoas Baseada em Competências (2004), realizado na Associação
de Ensino Unificado do Distrito Federal (UNIDF), e a Licenciatura em Administração
na Universidade de Brasília (Brasília). Também em Gestão em Projeto Social (1997),
realizado pela Casa Civil/Presidência da República do Brasil, na ENAP.
Desde os primeiros dias de Novembro (2018) estou a viver em Espinho com a minha
esposa (Berta Fernanda de Souza Guedes Santana), para a realização dos nossos estudos
de doutoramento. Eu, em E Planeamento, no Departamento de Ciências Sociais,
Políticas e de Território, na Universidade de Aveiro. Ela em Psicologia, na Faculdade de
Psicologia e Ciências de Educação, na Universidade do Porto.

A minha atividade profissional teve início em 1982, no Ministério da Defesa, Secretaria
da Aeronáutica, Praça Militar em Brasília, até 1994.
Desde 1994 e até à presente data (agora autorizado a realizar em Portugal os estudos de
doutoramento na Universidade de Aveiro), sou servidor público, concursado, do
Instituto do Seguro Social (INSS), com o cargo de Administrador, destacando diferentes
desempenhos: Administração Central do INSS, Assessoria de Planejamento Estratégico
em Brasília (1994/2000); Diretoria de Orçamento, Finanças e Logística (DIROFL) da
Administração Central do INSS. Chefe da Seção de Logística (Brasília – 2000/2011).
Desde 2011, com a minha mudança para o Recife (casamento),  integro a
Superintendência Nordeste do INSS, na Divisão de Orçamento, Finanças e Logística
(DIVOFL) do INSS (Chefe de Divisão).

Para além da minha atividade profissional no INSS, tenho desenvolvido ações sociais
diversificadas:
Desde 1979 - Comunidade Eclesial de Base do Negro - Confederação Nacional de
Bispos do Brasil (CNBB).
Desde 1993 - Comité de Entidades no Combate a Fome e pela Vida – COEP (Projeto
Betinho. Parceria com Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, Estatais e Empresas
Privadas). Voluntário Social Federal - Brasília.
Desde 1990 - Voluntário /Empreendedor Social – Projeto Cooperativo de Produção
Rural - ASPROFIC - Brasília.
Desde 1990 - Voluntário Social – Igreja Católica e Entidades Religiosas.
Desde 1990 - Voluntário /Empreendedor Social – Projeto Cooperativo de Habitação
Popular – ASSING e ASPROL – Brasília.
Desde 1993 – Comité de Entidades no Combate a Fome e pela Vida – COEP (Projeto
Betinho. Parceria com Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, Estatais e Empresas
Privadas). Voluntário Social Federal - Brasília.
Desde 2000 - Multiplicador em Projeto Social  – Projeto: Capacitar o Terceiro Setor –
Brasília.
Desde 2014, tenho colaborado com o Gabinete Português de Leitura do Recife,
coordenando a realização de eventos, exposições, exibição de filmes e captação de
recursos para projetos.

1.  Algumas considerações sobre o seu modo de ver e de trabalhar para os
objetivos fundamentais da AMM, fazendo referência à colaboração já dada
a iniciativas da AMM e/ou a  novas propostas.

Conheci a Associação Mulher Migrante e a sua dinâmica através das suas publicações
oferecidas pela minha tia (Graça Sousa Guedes) e pela minha mulher, que já havia
estado em Buenos Aires no Encontro para a Cidadania, organizado pelo núcleo da
Argentina.
Anos mais tarde, ajudei a minha esposa a organizar no Recife o Encontro EXPRESSÕES
FEMININAS DE CIDADANIA – A MULHER PORTUGUESA NO RECIFE, que teve
lugar em Novembro de 2013 no Salão Nobre do Gabinete Português de Leitura. Este
Encontro deveu-se ao desafio feito pela minha tia e pela Drª Manuela Aguiar,
integrando-se numa série de iniciativas sobre a mesma temática que comemoraram ao

longo de 2013, o 20º aniversário da Associação de Estudos Cooperação e Solidariedade
"Mulher Migrante". No Recife, este Encontro ganharia no Recife um especial
significado por se associar às comemorações do Ano de Portugal no Brasil.
Dirigido à comunidade portuguesa e luso-brasileira, a autoridades brasileiras, a
universitários e especialistas de questões de género, este Encontro pretendeu dar
visibilidade à contribuição da Mulher Portuguesa na disseminação da Ciência,
Literatura, Arte, Cultura, Saúde, Educação, Justiça, Segurança Social, Desporto,
Economia e Empreendedorismo na cidade do Recife e, por extensão, em outras
comunidades do País, refletindo a sua projeção social e profissional neste espaço da
diáspora portuguesa.
No Brasil, eventos desta natureza ganham especial contorno, não apenas pelos laços
históricos que unem os dois Povos, mas também pelo relevante desenvolvimento
económico do Brasil no cenário internacional, e pelo papel de crescente importância da
mulher portuguesa e brasileira neste espaço da nossa lusofonia, com a identificação dos
diversos caminhos que têm e vêm traçando.
Não pretendendo personalizar esta organização, atribuí-a à Associação Folia das
Deusas, que havia fundado  com a minha esposa e da qual sou membro da direção. Uma
associação, sem fins lucrativos, que tem como objetivo promover ações de apoio às
mulheres a lutas pela igualdade de género, de oportunidades e de justiça social.
Em 2016 estive presente nas Comemorações do dia da Comunidade Luso-Brasileira
(organização da Associação Mulher Migrante) na Biblioteca Municipal Dr. Marmelo e
Silva em Espinho, com um relato do Encontro EXPRESSÕES FEMININAS DE
CIDADANIA - A MULHER PORTUGUESA NO RECIFE.
Sou sócio da Associação Mulher Migrante desde Novembro deste ano.

2. Como vê as possíveis aplicações concretas das suas linhas de investigação
e/ou planos de ação no domínio das migrações e da Diáspora, com
enfoque especial no feminino.

Agora, a viver em Portugal para desenvolver os meus estudos de doutoramento em E
Planeamento, Ciências Sociais, Políticas e de Território, na Universidade de Aveiro,
estou em condições logísticas e científicas para apoiar a Associação Mulher Migrante
que irei necessariamente desenvolver, para que se possam enquadrar nos objetivos desta
associação.

O contexto académico em que passo a estar inserido facilitará a realização de outras
investigações que sejam do interesse da Associação Mulher Migrante.

ESTER SOUSA E SÁ

ESTER DE SOUSA E SÁ


Em consonância com o pedido de perfil requerido pela AMM, tenho a dizer que antes de me tornar associada da Mulher Migrante, fui colaboradora nas várias revistas que foram publicadas ao longo dos últimos cinco anos.
Eu, Ester de Jesus Ferreira de Sousa e Sá, mais conhecida como Ester de Sousa e Sá, natural de Anta, Espinho, reconheço-me como uma mulher de acção que, ainda criança, emigrou com os pais para África. Para aqueles que não me conhecem, e que por ventura terão interesse em ler o meu perfil, juntamente com uma narrativa resumida de uma vivência de 44 anos em terras de África, a edição Expressões Femininas da Cidadania – III Encontro Mundial de Mulheres na Diáspora - Palácio das Necessidades, refere-o nas páginas 138/141. Saliento ainda a Revista - Entre Portuguesas 2015, Maria Barroso na nossa Memória, - páginas 72 e 73, e a Revista - 70 Anos de Migração em Liberdade.
Fiz uma carreira bancária que, por motivos de ordem familiar, foi interrompida muito antes da idade de reforma. Porém, desde o meu regresso a Portugal há 22 anos, o meu percurso tem sido pautado por uma insistente procura de autoconhecimento e avanço no campo das artes e literatura.                         Presentemente, no âmbito da propagação e partilha da cultura, tenho um projecto, por mim coordenado, de lançamento para breve de uma Colectânea de Poesia Luso-Galaica, porque como dizia Fernando Pessoa “Deus quer, o artista sonha, a obra nasce.”
Com um grande abraço, ofereço este meu poema a todas as portuguesas associadas, e não só, espalhadas pelo Mundo.

TER ASAS

Ter asas é libertar a alma,
Virar as costas às agruras e mesquinhez da vida,                           E entrar num arco-íris de cor!

Ter asas é subir alto, 
E apostar na vida com amor,                         Encará-la como dádiva bendita! 
É deixar-nos levar nas asas da imaginação, 
Libertar o pensamento,                                 
Voar alto com criatividade e inspiração!                      
Reconhecer o poder de ter asas, 
Que nos chegam através do conhecimento,
Livros, inteligência, amor, 
Esperança.

Precisamos ter asas, 
Romper com as correntes, 
Que nos agrilhoam, 
Abrir horizontes e construir pontes,
Caminharmos juntos de mãos dadas,  
Construindo um mundo melhor. 

Precisamos ter asas!                             Não nos cortem as asas!