domingo, 14 de julho de 2019

GRAÇA GUEDES sobre a AMM no ARTES ENTRE AS LETRAS


AS ARTES ENTRE AS LETRAS E ENTRE A ASSOCIAÇÃO MULHER MIGRANTE

Maria da Graça Sousa Guedes
Professora Catedrática Aposentada da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto
Presidente da Direção da Associação Mulher Migrante


Já são dez anos que quinzenalmente temos acesso a este veículo de conhecimento, que nos proporciona leituras magníficas, tal é a magnificência dos seus autores.    
Ao longo deste tempo, foi-nos proporcionado um enriquecimento do nosso conhecimento, lendo textos excelentes, desenvolvidos por conceituados autores, que tão bem emprestam o rigor científico e a seriedade de pensamento aos seus escritos.
Nesta edição, que assinala os 10 anos do seu caminho, a Associação Mulher Migrante, que tantas vezes foi apoiada por este jornal, tinha inevitavelmente de aceitar o convite feito para elaborar este texto, que muito nos honra e agradecemos reconhecidamente.
As Artes entre as Letras e entre a Associação Mulher Migrante procurará evidenciar esta colaboração.
A Associação de Estudo, Cooperação e Solidariedade Mulher Migrante e que de uma forma simplificada usamos designar por  Associação Mulher Migrante (AMM), foi constituída em 1993. Uma ideia da Dra. Manuela Aguiar, logo apoiada por um grupo de mulheres na qual tive a honra de estar incluída, balizava  preencher uma lacuna no acompanhamento da situação das emigrantes portugueses.
Dava assim o primeiro passo de um caminho para uma política para a igualdade.
Destaca-se por ser uma Associação defensora dos direitos de todas as mulheres portuguesas ou estrangeiras, dentro e fora de fronteiras, no domínio das migrações, da luta pelos direitos  humanos e pelos direitos das mulheres.
Um forma de associativismo envolvendo as questões das migrações e que nas comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo já existia há muito tempo. Efetivamente, o associativismo na diáspora portuguesa constituiu uma forma de conjugar indivíduos com interesses ou gostos análogos, que tem favorecido a implementação de objetivos comuns: convivência social, prossecução de práticas culturais, recreativas e desportivas, para além da defesa de interesses inerentes ao trabalho, às condições de vida, à política. Podem efetivamente ser consideradas como um processo globalizante de interpretações sociais e um meio privilegiado para o estabelecimento de um diálogo intercultural, que se alicerça no fortalecimento dos seus próprios valores culturais.  A Associação de Estudo, Cooperação e Solidariedade Mulher Migrante (AMM) tem como missão o estudo do fenómeno migratório e o combate das desigualdades e discriminação que atingem as mulheres e, de forma especial, as mulheres migrantes e as minorias étnicas. 
Com a divisa - Não há estrangeiros numa sociedade que vive os direitos humanos – a sua missão baliza contribuir para a  construção de  uma sociedade mais justa e igualitária, em que cada ser humano se possa realizar inteiramente,  estando traduzida nos seguintes objetivos:
. Contribuir para a existência de políticas do género dentro e fora de fronteiras
. Aprofundar o conhecimento de realidades variáveis de comunidade para comunidade da emigração, aproximar essas comunidades entre si, promover as condições para a cidadania plena em cada uma delas, lutar pela igualdade e cidadania das mulheres;
. Estabelecer redes de aproximação de mulheres de diferentes comunidades e delas com a AMM,  potenciando assim uma vertente internacional;
. Dar especial  incentivo a uma  participação cívica e política das mulheres emigrantes, seja pelo seu acesso ao patamar do dirigismo associativo em geral e, em alternativa, pelo desenvolvimento de movimentos cívicos;
.  Denunciar situações e promover a mudança;
. Analisar e debater estudos científicos que favoreçam uma rigorosa  interpretação da sociedade onde as mulheres ainda não têm iguais oportunidades;
.  Dar relevo ao papel das mulheres em várias dimensões  de cidadania;
. Motivar as mulheres para a consciencialização do seu papel na mudança de estereótipos socialmente construídos.
Metodologicamente, procura combinar a componente investigação (universidades e centros de investigação), com o serviço público, o jornalismo, a arte, a literatura, o desporto , o associativismo, a música, a academia, a política e cuja divulgação é realizada anualmente em Congressos, Encontros, Colóquios, Tertúlias, Mesas Redondas e, tanto quanto nos foi possível, publicados em edições próprias da Associação MM patrocinadas pela Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas.
Hoje contamos com mais de 300 associadas e associados, estando mais de meia centena espalhadas pelo mundo, com algumas delegações (Venezuela, Brasil, Canadá, EUA). Algumas das nossas associadas pertencem a associações similares - Associação da Mulher Migrante na Argentina, Liga da Mulher Portuguesa na África do Sul , Bloco Folia das Deusas (Recife), que connosco organizaram importantes Encontros: Encontros para a Cidadania em Buenos Aires, em Joanesburgo, em Toronto e no Recife.

Desde   2011 o Jornal Entre as Artes e as Letras anunciou e divulgou as nossas atividades, tendo sido em muitas delas comissária de exposições de artes plásticas - Feminino Singular  (Maia, 2011); Mulheres d´Artes na Diáspora Portuguesa (Espinho, 2013); Mulheres d´Artes em Movimento (Lisboa 2013); Expresións de Cidadanía no Feminino (Salvaterra de Miño e Monção, 2017) – de  tertúlias para apresentação das nossas publicações (Porto 2013, 2014, 2016). Em muitas delas a sua diretora, Nassalete Miranda, integrou o grupo de palestrantes em eventos em Portugal e no estrangeiro e foi responsável por uma das nossas publicações - Entre Portuguesas num Mundo sem Fronteiras – Homenagem a Maria Lamas.

Eis assim a razão do título deste texto – O Jornal As Artes Entre as Letras e entre a Associação Mulher Migrante.
Um ligação exemplar, paradigmática e a manter!







quarta-feira, 3 de julho de 2019

LEONOR FONSECA, a nova Secretária-Geral da AMM, sobre "As Mulheres Portuguesas na Política"


 Genebra, Livraria Camões

As Mulheres Portuguesas na Política.
As mulheres na política ensombram todos os que temem a perca de
poder. Sim, é tudo uma questão de Poder.
Durante décadas foi útil subtrair à mulher o acesso aos estudos,
ao conhecimento, à vida, ao mundo, não porque sofresse qualquer
disfunção genética que lhe tivesse subtraído a capacidade de
pensar, discernir, contestar, argumentar e aduzir mas porque
bem sabiam que uma mulher inteligente poderia representar uma
ameaça ao dito poder.
Pouco astutos, diria eu! Sim, porque uma “mulher pensante” pode
e deve ser uma entre os seus pares, mas ao invés, é olhada de
soslaio! Por eles – Homens – que a sentem como uma ameaça – e
por elas – Mulheres – que pensam como eles! (…)
(…) A igualdade de poder e a participação cívica, seja na vida
pública ou privada é assunto de um
passado recente, não muito longe dos dias de hoje.
E infelizmente o mundo – deste séc. XXI - continua repleto de
mulheres para quem os direitos
básicos, como sejam o acesso à saúde, educação, são
simplesmente uma miragem. (…)
(…) Mesmo a Primeira República que poderia ter dado a
oportunidade às mulheres de exercerem o seu direito de voto, traiu-
as (…)
Mas foi também nessa altura, apesar da traição legislativa, que uma
Grande Mulher fez ouvir a sua voz, lutando pelos direitos de todas
nós.
Carolina Beatriz Ângelo invoca a sua qualidade de chefe de família
porquanto era viúva e mãe e recorre às vias judiciais a fim de que
lhe seja concedido o justo direito de exercer o seu voto.
E ganha. Tendo sido a primeira mulher a votar em Portugal!
Mas outras sufragistas se lhe seguiram, Ana de Castro Osório, Elina
Guimarães e outras.(…)
Abril, de 1974, tudo parecia mudar.
Com a liberdade a sensação de que a discriminação em função do
género seria coisa do passado, o que não veio a acontecer.
Continuam a ser os homens a ocupar os lugares de topo.
Raramente aparecem mulheres como cabeças de lista nas
formações político-partidárias e quando aparecem ocupam lugares
não elegíveis.
A excepção ficará para sempre na história do Portugal recente:
Engª. Maria de Lourdes Pintassilgo que durante o ano de 1979
ocupou o cargo de Primeiro-Ministro, tendo criado a
“Comissão da Condição Feminina”.
(…) A lei da paridade foi por isso e apesar de tudo uma vitória. (…)
O Parlamento Português tem 230 deputados.
Apenas 57 são Mulheres. Inaceitável e mesmo assim, fruto da lei da
paridade.
Quantas vezes as quotas não camuflam lugares reservados
àqueles homens?!
Quantas vezes as mulheres apesar de exercerem funções públicas
não são ostracizadas,
humilhadas, relegadas de forma exímia para 5º plano porque têm a
coragem de não calar o
que lhe vai na alma?!. De expressarem livremente as suas opiniões
nem sempre condizentes
com o politicamente correcto. As mulheres portuguesas na política
são ainda e só aquilo que
alguns homens querem.
Uma secção delimitada pela via legal, uma quota. Assim não!
Mantem-se a injustiça numa sociedade em que leis designadas
paritárias camuflam a sorte de
cada uma de nós.
Pelo que a luta pode e deve continuar. Está muito por fazer.(…)
Leonor Lêdo da Fonseca
Vereadora da Câmara Municipal de Espinho.
The Role of Diu in the Hindu-Gujarati Diaspora in Portugal
I. Lourenço, R. Cachado
2018, South Asian Studies

Abstract  
This article introduces the Diu transnational population with ties to Mozambique, Portugal, and the United Kingdom, with the aim of portraying these ties historically, socially, and culturally. Both authors have engaged in long-term ethnographic fieldwork, mostly working together to generate advantages for the study of transnationality and diaspora. Therefore, this article details our view after more than a decade of fieldwork while also conveying the voices of our interlocutors, who better illustrate Diu and its plural dimensions. The article describes the Diu Hindu representations of late Portuguese colonialism in India (until 1961) and explains the plural dimensions of transnationality. On the one hand, we focus on the cultural practices associated with transnationality, paying special attention both to the return to India and to marriages. On the other hand, the article explores the types of migration from Diu to other countries.
Keywords Hindu diaspora, transnationality, Portuguese colonialism, ethnography


Fátima informação sobre participantes

PAÍS
África do Sul
África do Sul
Alemanha
Alemanha
Andorra
Argentina
Bélgica
Brasil
Canadá
Estados Unidos da América Pe. Walter A. Carreiro
Estados Unidos da América Manuel Bettencourt
Estados Unidos da América Euclides Álvares
França
insf@ananzi.co.za
hairconnect@polka.co.za
manuel.janeiro@gmx.de
ruimendes@arcor.de
carvalho.jl@andorra.ad
violantemartins@hotmail.com
pedrorupio@gmail.com
pedro.rupio@bnpparibasfortis.com
queirogabenfica@yahoo.com.br
zecardos@hotmail.com/
missionsantacruz@hotmail.com
fr.walter.carreiro@gmail.com
bettencourtdds@aol.com
euclidesalvares@hotmail.com
mariocast77@hotmail.com
carlos.pereira@lusojornal.com
anibal.dealmeida@free.fr
contact@scmisericordia.com
mestre_sofia@hotmail.com
sofia.mestre@haia.dgaccp.pt
joaonoronha@asnoticias.co.uk
mail@netosagency.com
roliv@portugalmail.com
souto@pt.lu
fmanhao@yahoo.ca

00542214730173
Associação Mulher Migrante
Portuguesa da Argentina
/ 0032486361200/ Conselho das Comunidades
960198474
Portuguesas
00552122423558
Irmandade de Sto António dos
Pobres e N. Sra. dos Prazeres
0015142480660 (M) Missão de Santa Cruz - Montréal
235556245
6174172942/
Paróquia de Santo António de
6175475592
Cambridge
0014083341743/
Associação POSSO
0014082620736
0012096342723
Voz dos Açores
0012096699220
0033160289107
Associação Portuguesa Cultural e
0033170104126
Social de Pontault-Combault
0033 0179351010
Luso Jornal Paris
0033621793511
Santa Casa da Misericórdia de
0033140260641
Paris
0031 624963392
Direcção Geral dos Assuntos
Consulares de Haia
00447725842630
Jornal “As notícias”
00447879450171
Agência de Emprego Netos
0044 2078199300
00352691507175
Associação Cultural da Bairrada
00352621195519
Missão Católica
0085366898699
APOMAC – Macau Retirees
Igreja Nossa Senhora de Fátima
Joanesburgo
Igreja
Santa
Maria
dos
Portugueses - Pretória
Missão Católica de Singen
Missão Católica Augsburg
Macau
Suíça
Suíça
Venezuela
Portugal
Associação de Estudo
Mulher Migrante
Associação de Estudo
Mulher Migrante
Associação de Estudo
Mulher Migrante
Amigrante – Associação de
Apoio ao Cidadão Migrante
Caritas Portuguesa
Caritas Diocesana e
Secretariado Diocesano
da Mobilidade Humana de
Vila Real
Obra Católica Portguesa de
Migrações
Secretariado Diocesano
da Mobilidade Humana de
Viseu
Secretaria de Estado das
Comunidades Portuguesas
Guilherme da Silva
Nuno Santos
Paula Freitas Silva
José Paulo Almeida da Costa
David Pinho
fjosemanhao@yahoo.com
apomac.gsilva@gmail.com
g_a_dasilva@yahoo.ca
apoiocomunidadeportuguesa@hotmail.ch
mclp.zh@gmail.com
costajpa@gmail.com
david_pinho_m@hotmail.com
00 853 28788813/
00 853 28787683/
00 853 6656 3233
0041799369881
0041788076222
0041789744977
00582125776184/
00584129 206414
mariamanuelaaguiar@gmail.com
00351218484676/
00351 919830790
anapaula.barros@jogossantacasa.pt
00351213235024
00351 968574106
amigrante@gmail.com
00351244 815 095 /
http://www.amigrante.com/
00351927 377 391
presidente_caritasportguesa@hotmail.com 00351 218454220
marciacarvalho@caritas.pt
cordeiro.josemanuel@gmail.com
afonsus@gmail.com
00351 919757991
rag@sapo.pt
director.ocpm@ecclesia.pt
ocpm@ecclesia.pt
00351 21 88 55 470
angoma35@gmail.com
innocosta@gmail.com
cristina.pedroso@mne.gov.pt
00351 21 394 68 38

SITE da AMM aberto à colaboração das associadas/os



MANUELA BAIROS - VIDAS COM SENTIDO - 225 histórias de vida


A MEMÓRIA COMO HERANÇA
 Ao colóquio, em 2018, por altura da comemoração dos 225 anos do Consulado de NY, seguiu-se a publicação, lançada em 2019, a 3 de maio no MNE (Sala da Rainha)  - 225 histórias de vida, "Vidas com sentido", uma grande iniciativa da Embaixadora Manuela Bairos, ao tempo responsável pelo Consulado-Geral de NY, de homenagem aos portugueses da América. A AMM foi parceira nas duas iniciativas, nas quais esteve presente através de uma das suas fundadoras, Maria Manuela Aguiar. Ao lançamento presidiu o MNE, seguidamente, Maria Fernanda Rollo e Maria Manuela Aguiar salientaram a importância dos projetos de preservação de memórias e encerrou a Embaixadora Manuela Bairos, com uma brilhante intervenção sobre o significado de estudos deste género, que se centram nas pessoas, nos emigrantes e contam a história das migrações pela sua voz, com o registo da de histórias individuais. . 



PROGRAMA
EVENTO MULHER MIGRANTE
- MEMÓRIA COMO HERANÇA -
Local: Câmara Municipal de Mineola, NY
20 de Janeiro 2018

Abertura: Paulo Pereira: Vice-Presidente da Câmara Municipal de Mineola
                 Cônsul-Geral Manuela Bairos: apresentação do programa e Boas Vindas à convidada de honra,
      Dra Manuela Aguiar, Presidente da Associação da Mulher Migrante

10.00 – 11.30 A língua Portuguesa como Herança

Tema para reflexão: o papel da língua portuguesa como suporte e transmissor da identidade e da herança portuguesa junto das comunidades portuguesas e em particular o papel das escolas comunitárias e das famílias na preservação desta herança.
Participação: todos os diretores/conselhos diretivos, professores ou pais/encarregados de educação nas Escolas Portuguesas do Estado de Nova Iorque
Partilha de experiências e de sugestões sobre as expetativas de futuro para o ensino da língua portuguesa junto das novas gerações.
Projecto de Memória - entrevista dos alunos aos avós sobre as suas histórias de emigração

Moderador: Dr José Carlos Adão
1.       Coordenador-Adjunto de Ensino - Dr José Carlos Adão
“língua portuguesa como língua de herança”
As escolas comunitárias como suporte da herança portuguesa e da identidade luso-americana
2.       Cônsul-Geral Manuela Bairos
Projecto escolar: entrevista dos alunos aos avós sobre as suas histórias de emigração
Período de interação com professores e diretores das Escolas comunitárias
3.       Presidente da Mulher Migrante, Dra Manuela Aguiar
O papel da comunidade (dos professores e alunos e das famílias) na defesa do património da língua de herança e da cultura portuguesa.

11.30 – 12.45 A Culinária portuguesa como Herança

Tema para reflexão: Papel da culinária portuguesa como afirmação da identidade e cultura portuguesa.
Partilha de experiências sobre sucesso de culinária portuguesa como instrumento de afirmação da nossa cultura: restaurantes, pastelarias, clubes, catering de comida portuguesa

Projeto de memória: recolha de receitas portuguesas que tenham sido transpostas para os restaurantes, clubes e lares portugueses, incluindo aquelas que se tenham afirmado no país de acolhimento (Leitão da Bairrada, crepes de Aveiro, bacalhau, bitoque, pão de ló, alcatra açoriana, pastel de nata, malassadas, o pão português, etc).

Partilha de testemunhos: Manny Carvalho (Bairrada Restaurant – Leitão da Bairrada), Anthony Gonçalves (Kanopi Rest White Plains – Nova Cozinha Portuguesa), Monica Oliveira (doces de Aveiro), Fernando Viegas (Academia do Bacalhau - Bacalhau).
Todos os participantes são convidados a trazer uma receita que a família tenha trazido de Portugal e que seja importante para a preservação da sua memória familiar de origem.
Objetivo: executar um livro com estas “receitas com memória”

13.00 – 14.00    ALMOÇO
 (almoço buffet ligeiro oferecido, terá lugar no local do encontro. Câmara Municipal de Mineola)
(TARDE)
Observação prévia
A reflexão a realizar nestes quatro painéis em torno do tema "Identidade Luso-Americana como Herança Portuguesa", terá também em vista identificar a eventual existência de especificidades de género na afirmação da identidade de origem portuguesa, na afirmação profissional, no associativismo ou na participação cívica e política entre a nossa comunidade imigrante. Em certos momentos, será estimulada a consciencialização sobre o papel das famílias, dos pais e dos avós na preservação e passagem dessa memória cultural e identitária às novas gerações, sem perder de vista a questão do género que ainda parece pertinente numa comunidade tradicional com tarefas e papeis diferenciados dentro das famílias.

Identidade Luso-Americana como Herança Portuguesa
Convidada de Honra: Dra Manuela Aguiar

Apresentação da convidada de honra e do programa da tarde pela Cônsul-Geral
14.30 – 15.00  - Intervenção de abertura pela convidada de honra, Dra Manuela Aguiar 
15.00 – 15.45
1.      Identidade de origem portuguesa
Moderador: Paulo Pereira
Tema para reflexão: o que significa ser americano de origem portuguesa numa perspetiva de identidade pessoal, de afirmação profissional e de pertença a uma comunidade de origem portuguesa. Como é encarada essa identidade nos meios americanos e como que ideai tem os americanos de outras comunidades sobre Portugal e sobre os Portugueses.
Partilha de testemunhos de pessoas bem integradas nos meios americanos, designadamente já nascidas nos Estados Unidos. Todos serão convidados a dar o seu testemunho, em língua inglesa se essa for a sua preferência.
Testemunhos: Palmira S Cataliotti, Ana Rodrigues, Marco Silva
16.00 – 16.45
2.      Participação cívica e associativismo
Tema para reflexão: associativismo e participação cívica nas Comunidade Portuguesas:  o papel do associativismo na formação da consciência e identidade portuguesa, na preservação das tradições portuguesas (língua portuguesa, música/Fado, ranchos folclóricos, filarmónicas, futebol, culinária, artesanato, música e celebração dos eventos maiores da cultura e tradição portuguesa) Reflexão sobre a evolução futura dos clubes portugueses na passagem do testemunho para as novas gerações. Expetativas sobre o papel de Portugal designadamente através dos Consulados em apoio às atividades dos Clubes.
Testemunhos iniciais: Agostinho Saraiva (Ossining); Bruno Machado (líder associativo e conselheiro das comunidades portuguesas); Silvia Curado (PAPS),
Convidados especiais: todos os presidentes e ex-presidentes de clubes portugueses, ou membros de direção ou indivíduos que se tenham empenhado ainda que de forma mais informal em promover o associativismo e a participação cívica junto das comunidades portuguesas. Em particular o papel das mulheres na liderança de Clubes Portugueses (Isabel Melo, Amélia Gonçalves-Jamaica, Ilda Fontoura- Jamaica, Anália Beato- New Rochelle, Cristina Santos-Yonkers, Bela Ferreira-Tarrytown, Maria Carvalho-Tarrytown, (alguns convites aguardam confirmação)

17.00 – 17.45
3.      Afirmação profissional
Tema para reflexão: dificuldades ou vantagens encontradas no percurso de um luso-americano desde a sua formação escolar e académica até à sua afirmação nos meios profissionais
Recomendações para os novos emigrantes, para as novas gerações
Moderadora: Dra Manuela Aguiar
Testemunhos de todos quantos desejem partilhar a sua experiência
Testemunhos iniciais: Laurinda Ferreira, Tony Castro, Marlene Lobato (tbc),  Adelino Pastilha

18.00 – 18.45
4.      Participação na vida pública e política
Tema para reflexão: como surgiu a opção pela vida pública ou política (família, escola, mentores, etc)? O que isso significou para quem tem origens estrangeiras ainda recentes? Importância destas opções para a comunidade portuguesa e como “role models” para a juventude; como partir de um background português e procurar apoio noutras comunidades étnicas, que desafios, dificuldades e oportunidades?; Recomendações sobre sensibilização das nossas comunidades para serem cada vez mais ativas na participação na vida pública e política, através do voto e forma de apoio a candidatos luso-americanos
Moderadora: Dra Maria João Ávila
Testemunhos: Rosa Rebimbas; Paulo Pereira; Maria Araujo Khan ; Jack Martins; Janice Duarte


JANTAR

19.00   Jantar no Mineola Portuguese Center

terça-feira, 2 de julho de 2019



BIENAL DE GAIA
EXPOSIÇÃO " MULHERES E CIDADANIA"




A criação artística, como expressão cultural da cidadania tem, assumidamente, o seu lugar no mundo da 3º Bienal Internacional de Arte de Gaia. Com esta exposição temática, "Mulheres e Cidadania", e o colóquio sobre o mesmo tema, procuramos, em diálogo, mundividências de migrantes, de estrangeiras, ou seja, diferentes olhares de mulheres de outros países e culturas sobre si mesmas, as suas sociedades, a particularidade das suas vivências, enquanto parte emergente da Humanidade, após um silenciamento milenar, do qual tão poucas lograram libertar-se.
As Mulheres chegaram, na nossa época, a este como a outros domínios, para ocupar o vazio da sua própria ausência, ou relativa ausência, num universo dominado por padrões masculinos. Desde sempre artífices de múltiplas formas de produção artística - artesãs, cultoras anónimas do esteticamente belo na esfera privada, das máscaras primitivas aos trajes, à decoração ou à pintura -  só com a entrada na esfera pública, começaram a ser reconhecidas. Porém, com que dificuldade, com que suplemento de esforço, de audácia e de talento, conseguem fazer caminho? E de que modo essa vontade de transcendência, a par de outras especificidades, se reflete no trabalho artístico? Pode ele constituir-se, não só em instrumento de construção do "eu", de auto-afirmação, mas, também, de reconstrução social? Será um meio, por excelência, de representação do feminino e da intervenção cívica? E há, verdadeiramente, uma  "Arte no feminino" -  um modo diferente de estar no terreno das Artes e das Letras, da Música, tal como do Desporto, ou da Ciência? Ou nada é de resposta fácil e evidente no processo que se desenha entre a natureza invariável do sexo e as condicionantes essencialmente mutáveis de género? 
Visível e incontornável é, ainda, a discriminação, que marginaliza, em todos os campos, o "feminino". Certa é a importância da sua inclusão progressiva no "Todo", significando duplicação de contributos, de criatividade, de génio, uma dinâmica nova, em absoluto, um "avanço civilizacional", como dizia Emmeline Pankhurst.Se a Arte quer ascender a uma dimensão universal não pode prescindir da presença e da interlocução entre géneros, bem como entre povos e suas variadas e fascinantes heranças culturais, que o fenómeno histórico de infindáveis  migrações serviu para pôr  em contacto e progresso.
 Uma mostra simbólica de obras de mulheres migrantes ou estrangeiras (e estrangeiras foram, tradicionalmente, todas no seu próprio País, que lhes negava direitos e pública aceitação...) pretende, antes de mais, no espaço e no tempo da Bienal, dar livre curso ao questionamento do presente e às possíveis reconfigurações do futuro


Maria Manuela Aguiar
(in "Catálogo" da Bienal)