quarta-feira, 3 de julho de 2019
MANUELA BAIROS - VIDAS COM SENTIDO - 225 histórias de vida
A MEMÓRIA COMO HERANÇA
Ao colóquio, em 2018, por altura da comemoração dos 225 anos do Consulado de NY, seguiu-se a publicação, lançada em 2019, a 3 de maio no MNE (Sala da Rainha) - 225 histórias de vida, "Vidas com sentido", uma grande iniciativa da Embaixadora Manuela Bairos, ao tempo responsável pelo Consulado-Geral de NY, de homenagem aos portugueses da América. A AMM foi parceira nas duas iniciativas, nas quais esteve presente através de uma das suas fundadoras, Maria Manuela Aguiar. Ao lançamento presidiu o MNE, seguidamente, Maria Fernanda Rollo e Maria Manuela Aguiar salientaram a importância dos projetos de preservação de memórias e encerrou a Embaixadora Manuela Bairos, com uma brilhante intervenção sobre o significado de estudos deste género, que se centram nas pessoas, nos emigrantes e contam a história das migrações pela sua voz, com o registo da de histórias individuais. .
PROGRAMA
EVENTO MULHER MIGRANTE
- MEMÓRIA COMO HERANÇA -
Local: Câmara Municipal de Mineola, NY
20 de Janeiro 2018
Abertura: Paulo Pereira: Vice-Presidente da Câmara Municipal de Mineola
Cônsul-Geral Manuela Bairos: apresentação do programa e Boas Vindas à convidada de honra,
Dra Manuela Aguiar, Presidente da Associação da Mulher Migrante
10.00 – 11.30 A língua Portuguesa como Herança
Tema para reflexão: o papel da língua portuguesa como suporte e transmissor da identidade e da herança portuguesa junto das comunidades portuguesas e em particular o papel das escolas comunitárias e das famílias na preservação desta herança.
Participação: todos os diretores/conselhos diretivos, professores ou pais/encarregados de educação nas Escolas Portuguesas do Estado de Nova Iorque
Partilha de experiências e de sugestões sobre as expetativas de futuro para o ensino da língua portuguesa junto das novas gerações.
Projecto de Memória - entrevista dos alunos aos avós sobre as suas histórias de emigração
Moderador: Dr José Carlos Adão
1. Coordenador-Adjunto de Ensino - Dr José Carlos Adão
“língua portuguesa como língua de herança”
As escolas comunitárias como suporte da herança portuguesa e da identidade luso-americana
2. Cônsul-Geral Manuela Bairos
Projecto escolar: entrevista dos alunos aos avós sobre as suas histórias de emigração
Período de interação com professores e diretores das Escolas comunitárias
3. Presidente da Mulher Migrante, Dra Manuela Aguiar
O papel da comunidade (dos professores e alunos e das famílias) na defesa do património da língua de herança e da cultura portuguesa.
11.30 – 12.45 A Culinária portuguesa como Herança
Tema para reflexão: Papel da culinária portuguesa como afirmação da identidade e cultura portuguesa.
Partilha de experiências sobre sucesso de culinária portuguesa como instrumento de afirmação da nossa cultura: restaurantes, pastelarias, clubes, catering de comida portuguesa
Projeto de memória: recolha de receitas portuguesas que tenham sido transpostas para os restaurantes, clubes e lares portugueses, incluindo aquelas que se tenham afirmado no país de acolhimento (Leitão da Bairrada, crepes de Aveiro, bacalhau, bitoque, pão de ló, alcatra açoriana, pastel de nata, malassadas, o pão português, etc).
Partilha de testemunhos: Manny Carvalho (Bairrada Restaurant – Leitão da Bairrada), Anthony Gonçalves (Kanopi Rest White Plains – Nova Cozinha Portuguesa), Monica Oliveira (doces de Aveiro), Fernando Viegas (Academia do Bacalhau - Bacalhau).
Todos os participantes são convidados a trazer uma receita que a família tenha trazido de Portugal e que seja importante para a preservação da sua memória familiar de origem.
Objetivo: executar um livro com estas “receitas com memória”
13.00 – 14.00 ALMOÇO
(almoço buffet ligeiro oferecido, terá lugar no local do encontro. Câmara Municipal de Mineola)
(TARDE)
Observação prévia
A reflexão a realizar nestes quatro painéis em torno do tema "Identidade Luso-Americana como Herança Portuguesa", terá também em vista identificar a eventual existência de especificidades de género na afirmação da identidade de origem portuguesa, na afirmação profissional, no associativismo ou na participação cívica e política entre a nossa comunidade imigrante. Em certos momentos, será estimulada a consciencialização sobre o papel das famílias, dos pais e dos avós na preservação e passagem dessa memória cultural e identitária às novas gerações, sem perder de vista a questão do género que ainda parece pertinente numa comunidade tradicional com tarefas e papeis diferenciados dentro das famílias.
Identidade Luso-Americana como Herança Portuguesa
Convidada de Honra: Dra Manuela Aguiar
Apresentação da convidada de honra e do programa da tarde pela Cônsul-Geral
14.30 – 15.00 - Intervenção de abertura pela convidada de honra, Dra Manuela Aguiar
15.00 – 15.45
1. Identidade de origem portuguesa
Moderador: Paulo Pereira
Tema para reflexão: o que significa ser americano de origem portuguesa numa perspetiva de identidade pessoal, de afirmação profissional e de pertença a uma comunidade de origem portuguesa. Como é encarada essa identidade nos meios americanos e como que ideai tem os americanos de outras comunidades sobre Portugal e sobre os Portugueses.
Partilha de testemunhos de pessoas bem integradas nos meios americanos, designadamente já nascidas nos Estados Unidos. Todos serão convidados a dar o seu testemunho, em língua inglesa se essa for a sua preferência.
Testemunhos: Palmira S Cataliotti, Ana Rodrigues, Marco Silva
16.00 – 16.45
2. Participação cívica e associativismo
Tema para reflexão: associativismo e participação cívica nas Comunidade Portuguesas: o papel do associativismo na formação da consciência e identidade portuguesa, na preservação das tradições portuguesas (língua portuguesa, música/Fado, ranchos folclóricos, filarmónicas, futebol, culinária, artesanato, música e celebração dos eventos maiores da cultura e tradição portuguesa) Reflexão sobre a evolução futura dos clubes portugueses na passagem do testemunho para as novas gerações. Expetativas sobre o papel de Portugal designadamente através dos Consulados em apoio às atividades dos Clubes.
Testemunhos iniciais: Agostinho Saraiva (Ossining); Bruno Machado (líder associativo e conselheiro das comunidades portuguesas); Silvia Curado (PAPS),
Convidados especiais: todos os presidentes e ex-presidentes de clubes portugueses, ou membros de direção ou indivíduos que se tenham empenhado ainda que de forma mais informal em promover o associativismo e a participação cívica junto das comunidades portuguesas. Em particular o papel das mulheres na liderança de Clubes Portugueses (Isabel Melo, Amélia Gonçalves-Jamaica, Ilda Fontoura- Jamaica, Anália Beato- New Rochelle, Cristina Santos-Yonkers, Bela Ferreira-Tarrytown, Maria Carvalho-Tarrytown, (alguns convites aguardam confirmação)
17.00 – 17.45
3. Afirmação profissional
Tema para reflexão: dificuldades ou vantagens encontradas no percurso de um luso-americano desde a sua formação escolar e académica até à sua afirmação nos meios profissionais
Recomendações para os novos emigrantes, para as novas gerações
Moderadora: Dra Manuela Aguiar
Testemunhos de todos quantos desejem partilhar a sua experiência
Testemunhos iniciais: Laurinda Ferreira, Tony Castro, Marlene Lobato (tbc), Adelino Pastilha
18.00 – 18.45
4. Participação na vida pública e política
Tema para reflexão: como surgiu a opção pela vida pública ou política (família, escola, mentores, etc)? O que isso significou para quem tem origens estrangeiras ainda recentes? Importância destas opções para a comunidade portuguesa e como “role models” para a juventude; como partir de um background português e procurar apoio noutras comunidades étnicas, que desafios, dificuldades e oportunidades?; Recomendações sobre sensibilização das nossas comunidades para serem cada vez mais ativas na participação na vida pública e política, através do voto e forma de apoio a candidatos luso-americanos
Moderadora: Dra Maria João Ávila
Testemunhos: Rosa Rebimbas; Paulo Pereira; Maria Araujo Khan ; Jack Martins; Janice Duarte
JANTAR
19.00 Jantar no Mineola Portuguese Center
terça-feira, 2 de julho de 2019
BIENAL DE GAIA
EXPOSIÇÃO " MULHERES E CIDADANIA"
A criação artística, como expressão cultural da cidadania tem, assumidamente, o seu lugar no mundo da 3º Bienal Internacional de Arte de Gaia. Com esta exposição temática, "Mulheres e Cidadania", e o colóquio sobre o mesmo tema, procuramos, em diálogo, mundividências de migrantes, de estrangeiras, ou seja, diferentes olhares de mulheres de outros países e culturas sobre si mesmas, as suas sociedades, a particularidade das suas vivências, enquanto parte emergente da Humanidade, após um silenciamento milenar, do qual tão poucas lograram libertar-se.
As Mulheres chegaram, na nossa época, a este como a outros domínios, para ocupar o vazio da sua própria ausência, ou relativa ausência, num universo dominado por padrões masculinos. Desde sempre artífices de múltiplas formas de produção artística - artesãs, cultoras anónimas do esteticamente belo na esfera privada, das máscaras primitivas aos trajes, à decoração ou à pintura - só com a entrada na esfera pública, começaram a ser reconhecidas. Porém, com que dificuldade, com que suplemento de esforço, de audácia e de talento, conseguem fazer caminho? E de que modo essa vontade de transcendência, a par de outras especificidades, se reflete no trabalho artístico? Pode ele constituir-se, não só em instrumento de construção do "eu", de auto-afirmação, mas, também, de reconstrução social? Será um meio, por excelência, de representação do feminino e da intervenção cívica? E há, verdadeiramente, uma "Arte no feminino" - um modo diferente de estar no terreno das Artes e das Letras, da Música, tal como do Desporto, ou da Ciência? Ou nada é de resposta fácil e evidente no processo que se desenha entre a natureza invariável do sexo e as condicionantes essencialmente mutáveis de género?
Visível e incontornável é, ainda, a discriminação, que marginaliza, em todos os campos, o "feminino". Certa é a importância da sua inclusão progressiva no "Todo", significando duplicação de contributos, de criatividade, de génio, uma dinâmica nova, em absoluto, um "avanço civilizacional", como dizia Emmeline Pankhurst.Se a Arte quer ascender a uma dimensão universal não pode prescindir da presença e da interlocução entre géneros, bem como entre povos e suas variadas e fascinantes heranças culturais, que o fenómeno histórico de infindáveis migrações serviu para pôr em contacto e progresso.
Uma mostra simbólica de obras de mulheres migrantes ou estrangeiras (e estrangeiras foram, tradicionalmente, todas no seu próprio País, que lhes negava direitos e pública aceitação...) pretende, antes de mais, no espaço e no tempo da Bienal, dar livre curso ao questionamento do presente e às possíveis reconfigurações do futuro
Maria Manuela Aguiar
(in "Catálogo" da Bienal)
AMM - março/junho:
- 8 de março, 6ª feira - Homenagem da AMM a Natália Correia na casa dos Açores do Porto, moderado por Otília Santos, com a participação do Presidente da Casa doa Açores do Norte, da Vereadora da Câmara do Porto Ilda Figueiredo e da pintora Do Carmo Vieira
- 9 de março, sábado - Biblioteca Municipal José Marmelo e Silva, Espinho - Tributo a Natália Correia, organização da AMM. Moderação de Manuela Aguiar, palestras de Jose´Emílio Nelson e Do Carmo Vieira
- ? abril - Monção Parceria AMM Câmara de Monção e instituições de ensino locais - Colóquio sobre a emigração portuguesa para França, moderação Graça Guedes, intervenções das associadas de Engrácia Lendro e Arcelina Santiago, entre outros
3 de maio - Lisboa, Ministério dos Negócios Estrangeiros - Lançamento do livro "Vidas com sentido", 225 histórias de vida, homenagem aos portugueses da América, no 225º aniversário da criação do Consulado de NY, uma iniciativa da Embaixadora Manuela Bairos, que era a responsável pelo Consulado e a primeira mulher a ocupar o posto. A AMM paricipou no projeto e no lançamento, presidido pelo MNE, esteve present e interveio uma das fundadoras, Maria Manuela Aguiar
23 de abril - Lever, Gaia 3ª Bienal Internacional de Artes de Gaia - uma "Bienal de causas"A AMM, através das associadas Maria Manuela Aguiar e Luísa Prior comissariou uma das exposições temáticas, com enfoque em "Mulheres e Cidadania, inaugurada neste dia
25 de abril - O dia 25 de abril foi celebrado em Gaia no espaço da Bienal e uma das duas exposições escolhidas para o efeito foi a das "Mulheres e Cidadania. A intervenção esteve a cargo de Maria Manuela Aguiar, que também subscreveu a apresentação do tema para o catálogo da Bienal.
- 10 de maio, Clube Fenianos Porto. Comemorações do Dia da Comunidade Luso-Brasileira. levadas a cabo pela AMM, pelo 4º ano consecutivo
Colóquio "Portugal Brasil, a descoberta continua" , com intervenções de Graça Guedes, Salvato Trigo, Manuela Aguiar e outros e exposição de pintura comissariada por Constância Néry (Obras de Cássio Mello e Olga Santos)
- 18 de maio - Biblioteca Almeida Garret, Porto - Comemoração do 10º aniversário do jornal "As Artes entre as Letras", dirigido por Nassalete Miranda, associada da AMM. Pela Associação estiveram presentes a Presidente da Direção Graça Guedes e Maria Manuela Aguiar. Ambas colaboraram com textos no jornal que assinala o aniversário.
27 maio Biblioteca José Marmelo e Silva, Espinho - Lançamento de livros de Adelaide Vilela, jornalista e escritora de Montreal e associada da AMM (em colaboração com a Universidade Senior de Espinho)
12 de junho - Lever, Gaia Diálogos na Bienal Colóquio sobre a temática "Mulheres e Cidadania". Intervenções de Ilda Figueiredo Aurora Viera, Graça Guedes e Nassalete Miranda, numa homenagem a Agustina Bessa-Luís. Encerrou o Comissário da Bienal, Agostinho Santos. Moderou Maria Manuela Aguiar
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Sobre a proposta das Conselheiras do CCP para o reforço da Paridade no "Conselho
2 de junho de 2019
Senhora Conselheira Luísa Semedo
Cara Amiga
Agradeço a informação recebida e muito me regozijo com esta histórica iniciativa das Conselheiras do CCP,
Estou inteiramente de acordo com as propostas avançadas e quero felicitá-las pela forma tão objetiva e tão convincente como a defendem, pondo o acento na incompatibilidade entre a própria definição de democracia e a situação de discriminação de género subsistente no CCP, quase 40 anos depois de ter sido instituído.
Tive o privilégio de acompanhar de perto o seu nascimento e evolução, enquanto membro do Governo e Deputada da emigração, desde a a feitura da lei em 1980 e a realização da reunião plenária inaugural, em abril de 1981. Nesse primeiro encontro mundial, não havia uma única mulher eleita pelo colégio eleitoral formado, então, por dirigentes associativos das Comunidades. o que não podia deixar de prejudicar a imagem, credibilidade democrática e eficácia de um Órgão de representação e consulta tão importante. Essa inadmissível discriminação espelhava, porém, a realidade de um movimento associativo caraterizado pela absoluta predominância masculina e tornava-se, por isso, extremamente difícil de combater. Nas eleições de 1983, apenas duas mulheres ganharam acesso ao Conselho, ambas jornalistas, uma de Paris, outra de Toronto e só em 1985 surgiram as primeiras conselheiras oriundas do movimento associativo, notáveis pioneiras de reconhecida competência, apesar da qual nunca foram escolhidas pelos seus pares para qualquer cargo de direção.
Após um longo interregno, que se estendeu de 1988 a 1996, a adoção, nesse ano, de um novo modelo de Conselho, a eleger por sufrágio directo e universal, parecia abrir perspetivas ao maior equilíbrio de sexo, logo frustradas, pois a componente feminina manteve-se diminuta e afastada das lideranças, por mais qualificada e influente que fosse - e era!
Só a imposição de quotas, (de que, há muito, sou adepta declarada), tanto nas eleições nacionais e autárquicas como no CCP, se revelou decisiva para os progressos registados na última década, ficando embora ainda aquém das metas da paridade. E, infelizmente muito mais no Conselho das Comunidades do que, por exemplo, na Assembleia da República. Ora quanto maior for a continuada resistência a uma intervenção feminina igualitária, mais necessário é reforçar a eficácia da aplicação das regras da paridade, procurando detetar, denunciar e impedir os desvios concretos ao espírito e aos ditâmes da lei. É exatamente o que, em relação ao caso particular do CCP, vêm propor, com rigorosa argumentação, as Senhoras Conselheiras,
Acredito que conseguirão alcançar os objetivos e, com isso, dignificar a Instituição, dar-lhe a sua verdadeira dimensão representativa, e contribuir, em simultâneo, para um novo fôlego, na Diáspora, das políticas públicas para a igualdade, que constituem, nos termos da Constituição, "tarefa fundamental" da Estado. No passado, o CCP teve já, por sinal, um papel relevante na génese das políticas para a igualdade, graças à recomendação de uma Conselheira de Toronto, Maria Alice Ribeiro, que levou, em linha reta, à convocatória, pelo Governo, do "1º Encontro de Mulheres no Associativismo e no Jornalismo", em 1985. Uma reunião inédita, em que grandes mulheres das Comunidades de todo o mundo mostraram o seu conhecimento das problemáticas da emigração, capacidades de diálogo e criação de consensos, comprovando, assim, a medida exata da falta que a sua voz fazia no Conselho,.
Permitam-me, por último, felicitá-las pelos resultados já atingidos, sobretudo a nível regional, redobrando fundadas esperanças no futuro Conselho, no impacte que nele terá, certamente, a sequência desta tomada de posição conjunta das Conselheiras.
Para todas envio cordiais saudações, com a minha inteira solidariedade e muito apreço
Maria Manuela Aguiar
A Direcção da Academia do Bacalhau do Porto, convida as suas comadres, compadres e amigos, para o Jantar de Homenagem que justa e merecidamente lhe vamos prestar, no próximo dia 15 de Junho, sexta-feira, na secular Quinta da Boucinha e no qual a nossa ilustre Comadre Maria Manuela Aguiar, ex-Secretária de Estado das Comunidades Portuguesas, que tão bem o conhecia e com ele partilhou muitos momentos, desenvolverá em sua memória, o tema particularmente relevante e tanto do seu agrado: “O papel da Mulher Migrante na Diáspora Portuguesa”.
MARIA BARROSO
Entre os nomes que constituem o nosso imperecível património humano, há os que revelam a dimensão da cultura portuguesa, na sua essência universalista e fraternal. Um desses nomes é o de Maria Barroso, a maior figura feminina do século XX, a mais intemporal, a mais inspiradora. Cidadã, por excelência, em décadas de participação cívica, cultural e política, que lhe dão lugar na história da democracia, do feminismo, do teatro, do ensino, da lusofonia... Mulher símbolo de dedicação à "res publica", com um percurso de intervenção anterior ao encontro de destinos com Mário Soares, depois com ele continuado, tanto na resistência à ditadura, como na construção de um país democrático e reaberto ao mundo. Corajosa e solidária, ícone de elegância e perfeita diplomata, soube apoiá-lo com uma amável cumplicidade, sem nunca se apagar na sua sombra, ou esconder a independência de espírito, e uma forma própria de estar na sociedade e na política.
A jovem revolucionária, que usava a força da palavra, como arma de combate pela liberdade, nos palcos do teatro, nas arenas políticas, ao qual não hesitou em sacrificar a vocação artística e a carreira docente, viria a ser a primeira senadora da democracia portuguesa, sem nunca perder a faceta vanguardista, a lucidez e capacidade de dizer "não" a novas formas de exclusão e violência, a violência nos "media", o tráfico de armas...
Com um sentido de missão, que uma repentina e emotiva conversão ao catolicismo, levaria a outros espaços e projetos, afirmou-se no plano internacional, no universo da lusofonia e da Diáspora, que, já octogenária, percorreu, incansavelmente, para presidir aos" Encontros" para a Cidadania e Igualdade.
Através da Fundação PRO DIGNITATE, de fora da política partidária, levou a cabo obra notabilíssima e ainda insuficientemente conhecida - caso do seu papel no início do processo de paz em Moçambique. Com a ideia fulcral de dignidade humana respondia a um inadiável desafio civilizacional do nosso tempo: a criação de uma cultura de paz, justiça e liberdade para todos os povos, todos os indivíduos. Nas suas preocupações e na sua ação não havia favoritos - eram iguais portugueses, timorenses, africanos, imigrantes, refugiados, mulheres e homens de boa vontade... Deu cumprimento a essa causa maior, numa relação de proximidade com as pessoas, em gestos concretos de apoio e companheirismo, com rigor e trabalho árduo, quando não excessivo, no dia a dia, até ao seu dia derradeiro!
Na hora em que se despedia de Maria Barroso, o Povo Português, espontaneamente, transformou uma simples cerimónia privada em impressionante testemunho público e consensual de admiração e de saudade. Foi o primeiro sinal de que ficaria na memória do País, pelo afeto e pelo exemplo de grandeza de alma, superior inteligência e infinita energia .
Maria Barroso, humanista "muito praticante", ao longo de uma longa vida.
Maria Manuela Aguiar
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