segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

RELATÓRIO DAS ATIVIDADES DA AMM -2017/2018
2017 – SETEMBRO / OUTUBRO

I.  “PORTUGAL BRASIL - A DESCOBERTA CONTÍNUA”
A segunda edição do evento “ Portugal-Brasil a descoberta contínua”, em parceria com a Cooperativa Árvore e Hotel Porto Cruz teve lugar no auditório do Espaço Porto Cruz, em Vila Nova de Gaia, com o alto patrocínio do Senhor Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas .
 Uma vez mais a AMM quis celebrar a data da chegada dos Portugueses ao Brasil  e das relações que ligam estes dois povos com tanta história em comum.  Uma iniciativa que pretende sublinhar as relações fraternas entre Portugal e Brasil e, ao mesmo tempo,  repensar a importância na expansão do mundo da lusofonia no século XXI.

1.1 - INAUGURAÇÃO DA EXPOSIÇÃO DE PINTURA 
CONFERÊNCIAS
8 de setembro - Vila Nova de Gaia
 A sessão de inauguração, em setembro de 2017,  constou de uma conferência  pelo  Professor Dr. Salvato Trigo, Reitor da Universidade Fernando Pessoa, com o tema "Da descoberta da mátria aos equívocos da pátria: ou de como se reinventa a história das relações luso-brasileiras". A historiadora Dra. Maria do Carmo Serén, apresentou o tema "Dois brasileiros no Porto - Encontros e Desencontros de José Bonifácio de Andrada e Silva e D.Pedro I".  
Foi também dada enfase à arte com a inauguração da exposição de artistas portugueses  e brasileiros na sala de exposições do Porto Cruz, exposição comissariada por Constância Nery.
Vinte e seis obras, de 26 artistas plásticos, portugueses e brasileiros, com representação de temas livres e também temas relacionados com as tradições e costumes de Portugal e de outros povos.

2 - COLÓQUIO DE ENCERRAMENTO 
 A sessão de encerramento aconteceu no dia 14 de Outubro de 2017 tendo um programa diversificado do qual se destaca, as comunicações de: 
  - JOAQUIM MATOS PINHEIRO, Presidente do Elos Club do Porto, com  a comunicação “D. PEDRO IV E AS SUAS QUATRO COROAS.” 
  - DANYEL GUERRA, com o tema " LUSOS ILUSTRE NO CINEMA BRASILEIRO–A OUTRA CARMEN E O PORTUGUÊS DA CINEMODA"  
  - ARCELINA SANTIAGO apresentou algumas notas sobre  "MARIA ARCHER, UMA PORTUGUESA DO BRASIL” seguido de dramatização, segundo um guião da sua autoria, por  duas alunas MARIANA PATELA e CÍNTIA SOFIA RIBAS SILVA  “ Entrevista imaginária a Maria Archer”. 
- MARIA  MANUELA AGUIAR fez a intervenção final onde homenageou  RUTH ESCOBAR, portuguesa do Porto, que no Brasil foi uma grande atriz de teatro, a primeira mulher eleita deputada à Assembleia do Estado de São Paulo e a primeira representante do Brasil nas Nações Unidas, para o acompanhamento da Convenção contra todas as formas de discriminação da Mulher.
A sessão  foi moderada pelo Prof Doutor FRANCISCO SILVA, diretor da Cooperativa Árvore 

3- DEBATE SOBRE "JORNALISMO PARA A PAZ"  e  APRESENTAÇÃO DE LIVROS DA "JORNALISTA PARA A PAZ" ADELAIDE VILELA 
Fundação PRO DIGNITATE, Lisboa, 16 de outubro
  A AMM tem, ao longo de quase 25 anos de percurso, lançado, ciclicamente, o debate sobre a imagem e sobre o papel das mulheres, e em especial, das migrantes nos "media" portugueses, sem esquecer os das comunidades. Neste retomar do tema, foi a problemática da paz que esteve no centro das preocupações, como fora um dos últimos programas de ação da Fundação PRO DIGNITATE, em que muito se envolveu a Drª Maria Barroso, agora continuado pelo Dr. António Pacheco, que, ali, o apresentou para o debate, que ocupou a jornada..
A presença, em Lisboa, da jornalista Adelaide Vilela, há muitos anos radicada em Montreal, foi uma oportunidade para partilhar a sua experiência como mulher imigrada, envolvida na luta pela paz entre gente de todas as origens, nacionalidade, culturas, religiões.
 Adelaide Vilela foi retornada de África, em 1975, antes de partir para o Canadá, onde estudou jornalismo e trabalhou na imprensa escrita, rádio e televisão, não só a nível da comunidade, como em programas da RTPI, na realização e interpretação de filmes. A sua vida tem decorrido em quatro continentes, da África à Europa, da América do norte à América do sul, para onde viaja com frequência e onde a sua obra literária tem sido reconhecida e premiada.
Aderiu, pois, naturalmente, ao projeto de um jornalismo ao serviço da paz, no qual também a AMM manifestou interesse em colaborar
No debate participaram ativamente associados da AMM, incluindo a  representante no Canadá, Profª Doutora Manuela Marujo

4 - CONGRESSO INTERNACIONAL - Migrações e Relações Interculturais na Contemporaneidade
Lisboa, 27  e 28 de outubro, Fundação Gulbenkian

Organizado pelo CEMRI/UAB e FCT, o Congresso foi presidido na Sessão de Abertura pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros, Prof Augusto Santos Silva e a Conferência de Abertura esteve a cargo do  Prof João Relvão Caetano (CEMRI/UAB)
Os trabalhos decorreram em sete mesas redondas e foram encerrados com uma Conferência da Profª Natália Ramos (CEMRI/UAB).
Maria Manuela Aguiar representou a AMM na II Mesa Redonda - Mulheres, Migrações e Diásporas, tendo apresentado um resumo escrito e feito uma comunicação oral sobre "As Mulheres na história das Comunidades Portuguesas e das políticas públicas para a emigração" 
RESUMO  
As migrações portuguesas começam como uma aventura masculina, onde o sexo feminino só excepcionalmente tem lugar. As primeiras políticas públicas neste domínio são de limitação ou condicionamento dos fluxos migratórios masculinos, quase sempre considerados excessivos, e de proibição da saída de mulheres, em regra, vista como contrária aos interesses do País. Ao longo dos tempos, centenas de milhares de homens e também um número crescente de mulheres, que querem juntar-se aos maridos ou aos pais, ou mesmo partir com eles, vão ultrapassar todos os obstáculos para alcançarem o "novo mundo". É com a chegada das mulheres e a reunificação das famílias que nascem as comunidades de cultura portuguesa, mas o seu papel, ainda que  matricial, é escassamente visível e reconhecido e a sua participação obedece à divisão tradicional de trabalho entre os sexos, no associativismo, como no núcleo familiar. Os movimentos feministas descuram a emigração e são raras e extraordinárias as organizações femininas de entreajuda até meados do século XX - caso do movimento mutualista feminino da Califórnia.   Após a revolução de 1974, a Constituição de 1976 vem proclamar a igualdade entre Mulheres e Homens e estabelecer a inteira liberdade de emigrar. As políticas públicas, que, até início da década de 70, se restringem à proteção dos emigrantes na viagem de ida e os abandonam nas terras de destino, evoluem para a defesa dos direitos dos cidadãos e  tomada de medidas de apoio social e cultural, e para o reconhecimento do papel do movimento associativo, Todavia, só uma década depois, no quadro de funcionamento do Conselho das Comunidades Portuguesas  - quase 100% masculino - se dá o primeiro passo para a prossecução de políticas com a componente de género, com a convocatória do "1º Encontro Mundial de Mulheres no Associativismo e no Jornalismo".(em junho de 1985). Mais de trinta anos decorridos sobre esse histórico Encontro Mundial, qual o balanço da ação da sociedade civil e do Estado no campo da igualdade de género nas comunidades do exterior? "
Na exposição oral, Manuela Aguiar procurou responder à pergunta,  traçando o percurso das políticas de género, desde o 1º Encontro Mundial de Mulheres das Comunidades do estrangeiro, em oitenta, até aos "Encontros para a Cidadania! (2005-2009). aos congressos mundiais do século XXI , assim como os modos de colaboração entre Estado e sociedade civil, neste domínio, com referência ao papel desempenhado pela AMM. 
   No auditório da Gulbenkian, representado diversas instituições, estiveram outros membros da AMM - Maria Beatriz Rocha Trindade (CEMRI/UAB),  Manuela Marujo (U Toronto) , Ana Paula Beja Horta (CEMRI/UAB), António Pacheco (Fundação PRO DIGNITATE) 

5 -  LANÇAMENTO DOS LIVROS "ROSTOS DA EMIGRAÇÃO"/ "VISAGES DE L'ÉMIGRATION"  de TENREIRA MARTINS
Luxemburgo, 29 de outubro

A convite do Instituto Camões, Maria Manuela Aguiar, que escreveu o prefácio da publicação, nas duas línguas, deslocou-se ao Luxemburgo e fez, juntamente com o Padre Melícias Lopes a sua apresentação.
O Autor foi, durante muitos anos, Assistente Social e Chefe dos Serviços Sociais, em Bruxelas, e o livro é obra de ficção moldada na realidade. Os rostos são os dos portugueses de uma geração de imigrantes na Europa, que teve dificuldades de adaptação, e, na maioria dos casos, as superaram. Porém, nem todos o conseguiram, ao menos, em certas fases de um processo continuado. E é destes que trata, num português de grande qualidade literária, Tenreira Martins. Retratos realistas e, de algum modo, como disse Maria Manuela Aguiar, também um auto-retrato do Autor, numa missão a que se dedicou por inteiro. E, por isso, cada um dos contos, nos leva para dentro do Gabinete dos Serviços Sociais de Bruxelas, igual a outros que existiam, junto a muitos consulados e nos dá a dimensão do papel que desempenharam.
Em tempos de recomeço de êxodo migratório, este livro leva-nos a questionar a ausência atual de formas de apoio, que deram corpo às primeiras políticas  públicas de emigração, surgidas nas vésperas da revolução de 1974 e, depois, continuadas e desenvolvidas.  Um dos múltiplos motivos de interesse que nos oferece é, assim,  o de motivar o debate sobre o passado próximo e o presente das migrações portuguesas.. 

2017 -  NOVEMBRO 
6 - XXIX ENCONTRO DAS COMUNIDADES PORTUGUESAS E DE LUSO- DESCENDENTES DO CONE SUL
Em Homenagem ao ENG.ª JOSÉ LELLO
e  XV SEMINÁRIO CULTURAL "DIÁSPORA E ASSOCIATIVISMO:PATRIMÓNIO, CULTURA E HERANÇA"
Colónia de Sacramento, Uruguai, 4 e 5 de novembro, 
A entidade organizadora foi a Casa de Portugal de Montevideo, que tem, pela primeira vez, a presidência de uma mulher, a jovem Viviana Valente, e cinco mulheres entre os sete membros  da Diretoria. O Comendador Luís Panasco Caetano, representante da AMM no Uruguai, antigo Conselheiro do CCP , desempenhou, igualmente, um papel central na preparação e concretização de um evento que teve o esperado sucesso, com centenas de participantes e um grande apoio das Autoridades do Uruguai (Intendente de Colónia) e de Portugal (Secretário de Estado das Comunidades e Embaixador de Montevideo)
  Além do atual Secretário de Estado  José Luís Carneiro,  dois antigos Secretários de Estado da mesma pasta, José Cesário e Maria Manuela Aguiar,  estiveram presentes na homenagem a José Lello, amigo e colega, cujo trabalho, empenho, simpatia e proximidade, as comunidades não esquecem. 
No Seminário Cultural, a 4 de novembro, Maria Manuela Aguiar participou na qualidade de fundadora e dirigente da AMM, apresentando uma comunicação sobre a "Internacionalização do movimento associativo português", começando por dar uma visão comparativa da situação dos outros grandes países de emigração europeus desde início de novecentos, em que o caso de Portugal (ausência de relacionamento internacional entre comunidades) é uma  exceção à regra, Entre as principais tentativas de combater este fenómeno, destacou :
 - a primeira fica a dever-se à Sociedade de Geografia (presidida pelo Prof Adriano Moreira), com a organização dos Congressos das Comunidades de Cultura Portuguesa, em 1964 e 1967, e a criação da União das Comunidades de Cultura portuguesa, que teve vida efémera por oposição do regime político, a partir de 1968. 
 - a segunda tentativa parte do Estado, não da sociedade civil, embora pretenda  mobilizá-la, para que organize autonomamente um movimento mundial. O Governo lança o Conselho das Comunidades Portuguesas, órgão consultivo, eleito pelo universo associativo, que se esperava pudesse dar impulso à federalização dos movimentos associativos dos cinco continentes, para além de cumprir outros objetivos, como representação e audição da "Diáspora".
Ao CCP associativo (1980/88), sucedeu o atual (desde 1996), eleito por sufrágio universal (logo, mais um "conselho de emigrantes" do que de comunidades), mantendo essencialmente o seu perfil consultivo. Não resultou, de facto, o impulso à internacionalização do associativismo, que continua  poderoso a nível de cada região ou país, mas desarticulado, a nível global.
Manuela Aguiar salientou, entre os raros exemplos de internacionalização, as "Academias de Bacalhau" (com algumas semelhanças e muitas diferenças com o movimento Rotário) e a AMM, que procura reunir mulheres e homens de todo o mundo pela causa da Igualdade. São, porém, formas novas de um fenómeno antigo,  sem a base patrimonial em que cresceu o associativismo tradicional. A seu nível, o melhor exemplo de diálogo internacional é constituído  pelo original paradigma dos "Encontros do Cone Sul", que reúnem, portugueses do Sul do Brasil, Argentina e Uruguai. Do seu início como tertúlia e torneio de "sueca" (que perdeu o exclusivo mas se mantém como componente importante), evoluiu para uma vertente cultural - a exibição de grupos folclóricos de todas as comunidades envolvidas e os "Seminários", que atraem grandes nomes da vida cultural e política. A terminar, Manuela Aguiar deixou a pergunta; como  promover a generalização deste exemplo original?
Durante o convívio que o Encontro permitiu, o Secretário de Estado Mestre José Luís Carneiro manifestou interesse em novas colaborações com a AMM, muito em especial. a preparação de um congresso mundial de mulheres da Diáspora portuguesa, no ano seguinte. 

7 - BUENOS AIRES
  Encontro de Manuela Aguiar com a escritora Ana Maria Cabrera. Falada a possibilidade de organizar colóquios sobre o tema da violência doméstica, no contexto da imigração, com base no lançamento e leitura de um dos seus livros mais recentes "Rituales peligrosos"., que a Autora situa entre Buenos Aires e Los Angeles, mas que pode ser considerada como uma mensagem universal contra a violência.

2017 -DEZEMBRO 
8- PARTICIPAÇÃO NO CONGRESSO MUNDIAL DOS EMPRESÁRIOS PORTUGUESES
Viana do Castelo, 16 de dezembro
Neste Congresso, organizado pela SECP,  havia um número significativo de mulheres, que se aproximava dos 30%, pelo que por sugestão da AMM. aceite pelo Senhor Secretário de Estado, foi, durante a sessão de trabalhos do dia 16, apresentada a ideia da realização de um forum mundial de mulheres portuguesas, para concertação de estratégias para a igualdade, em vários domínios - o empresarial, o cultural, o político, o do associativismo e voluntariado.
O facto de a ideia ter surgido no final do ano tornou-se um obstáculo à procura de meios de suporte da iniciativa, que na sua dimensão global, teve de ser adiada para 2019, sem prejuízo, de procurar, em paralelo com o Congresso Mundial de Empresários,  promover, em dezembro de 2018, um primeiro Encontro sobre empreendedorismo feminino.
Manuela Aguiar  não deixou de recordar que Viana do Castelo fora a cidade que, em 1985, acolhera o 1º Encontro de Mulheres Portuguesas no Associativismo e no Jornalismo, que marcou o início das políticas públicas para a igualdade na emigração - ao tempo, uma iniciativa pioneira, a nível europeu e universal. recordou, também, que a AMM nasceu para concretizar o mais importante projeto saído desse Encontro: a criação de uma associação internacional de mulheres portuguesas.  

2018 - JANEIRO 
 9 - COLÓQUIO   A MEMÓRIA COMO HERANÇA
Mineola, Câmara Municipal 
O colóquio foi uma organização do Consulado - Geral de Portugal de Nova York, em parceria com a "Mulher Migrante -  Associação de Estudo, Cooperação e Solidariedade" e com as Escolas Comunitárias da área consular, e realizou-se em instalações do município de Mineola.
De manhã, o debate centrou-se no ensino de português, com intervenções dos professores de diferentes escolas e outros membros da comunidade escolar. De tarde, foi a presença portuguesa na América, em diversos campos, que esteve no centro do debate, muito participado.
 A jornada terminou com um jantar de confraternização no Centro Português de Mineola, em que centenas de portugueses prestaram homenagem à Cônsul- Geral, a que se associou a "Mulher Migrante",  representada por Manuela Aguiar, que se deslocou expressamente de Portugal, e por Maria João Ávila, Coordenadora da "Mulher Migrante" nos EUA, membro da direção da AMM e antiga deputada da emigração.
Por trás do sucesso do colóquio, esteve a experiência, criatividade, a energia da Cônsul-Geral, emotivamente saudada no jantar da comunidade, que reuniu centenas de portugueses, entre eles os mais destacados políticos luso-americanos, e dirigentes associativos, grande número de mulheres envolvidas na vida cívica e política, como Maria João Ávila. 
Todos enalteceram o seu trabalho em NY, nos últimos três anos. Fica uma frase, que sintetiza o "leit-motiv"  dos diversos discursos: "nunca mais teremos ninguém como ela!".
Manuela Aguiar citou Mariano Gago e Onésimo de Almeida, que no prefácio ("a quatro mãos") de uma publicação de Manuela Bairos escreveram que "era preciso cloná-la no MNE". Em 225 anos de existência do consulado de Nova York, Manuela Bairos foi a primeira mulher a exercer o cargo. 
Programa do Colóquio:  
10.00 – 11.30 ENCONTRO COM PROFESSORES DAS ESCOLAS COMUNITÁRIAS
Moderador: Dr José Carlos Adão
1. Coordenador-Adjunto de Ensino - Dr José Carlos Adão 
“A língua portuguesa como língua de herança” 
As escolas comunitárias como suporte da herança portuguesa e da identidade luso-americana
2. Consul-Geral Drª Manuela Bairos
Projecto escolar: entrevista dos alunos aos avós sobre as suas histórias de emigração
3. Período de interação com professores e diretores das Escolas comunitárias
4. Presidente da AG da "Mulher Migrante"  Drª Manuela Aguiar
O papel dos professores e dos alunos, das famílias na defesa do património da língua de herança e da cultura portuguesa
11.45-1300 Debate
13.00 – 14.00  (almoço)
IDENTIDADE LUSO-AMERICANA COMO HERANÇA PORTUGUESA 
14.30 – 15.00 
Apresentação da convidada Manuela Aguiar de honra e do programa da tarde pela Cônsul-Geral
Um projeto para o diálogo do movimento associativo português no mundo
15.00 – 15.45
Identidade de origem portuguesa
Moderador: Paulo Pereira
Josh Mendes (jewish)
Diane Macedo
Manny Frade
16.00 – 16.45
Participação cívica e associativismo
Moderador: Agostinho Saraiva
Felisbela Ferreira
Anália Beato/Amélia Gonçalves
Bruno Machado
17.00 – 17.45
Afirmação profissional
Moderadora: Paula Mendes
Amelita Moreira
Srª Martins
Tony Castro
Luis Tormenta
18.00 – 18.45
Participação política
Moderadora: Maria João Ávila
Rosa Rebimbas
Paulo Pereira
Maria Araujo Khan
Jack Martins
Janice Duarte
19.00  Jantar no Mineola Portuguese Center

2018 - MARÇO 

10 -  LANÇAMENTO DE DOIS LIVROS DE ADELAIDE VIVELA
 MONTREAL,  CENTRO COMUNITÀRIO DO ESPÍRITO SANTO DE ANJOU,  24 de março 
 Adelaide Vilela organizou, na noite de sábado, 24,   uma grande festa popular e tertúlia literária  portuguesa por ocasião do lançamento, no Canadá, dos seus últimos livros "Magma de Afetos" e "Olhos nas Letras", que já havia divulgado em várias cidades de Portugal. O evento realizou-se no Centro Comunitário de Anjou, com recital de poesia, música e intervenções do Cônsul Geral de Montreal, de professores e dirigentes associativos, contando com a presença de centenas de portugueses e luso canadianos e uma ampla cobertura dos "media". 
Manuela Aguiar destacou o perfil de intervenção da autora na sua comunidade, onde tem um longo e notável percurso como jornalista e onde se destacou, desde sempre, como defensora do ensino de português para  os jovens luso-canadianos e da língua portuguesa como língua de cultura - preocupações largamente dominantes entre as mulheres portuguesas em todas as comunidades e, como é sabido, um dos objetivos que mais as mobiliza para a participação cívica. 

11 -  COMEMORAÇÃO do DIA INTERNACIONAL DA MULHER 
CONFERÊNCIA  "A MULHER COMO FACTOR DE PODER E HOMENAGEM A MARIA BARROSO”
Montreal, 25 de março
 Pela 18ª vez o jornal LUSOPRESSE organizou,  no centro de Montreal, e de convívio dos portugueses, (no salão do restaurante Estrela do Mar),  o Dia da Mulher. É, desde há quase duas décadas, uma iniciativa, tanto quanto se sabe, inédita no mundo da Diáspora lusa. Em cada ano, uma nova vertente ou domínio de intervenção feminina e escolhida como tema de debate, que sempre tem contado com personalidades de relevo, portuguesas ou canadianas. Este ano, o ângulo escolhido foi o do papel das mulheres no domínio profissional e político. Foram conferencistas três jovens, duas empresárias, Sandra e Cláudia Ferreira e uma política, Anabela Monteiro, e, da anterior geração,  a antiga Secretária de Estado e Vice-presidente da Assembleia da República Maria Manuela Aguiar. 
À conferência seguiu-se a homenagem  a Maria Barroso e à  Prof Odete Cláudio, uma grande figura da comunidade recentemente falecida.
Maria Barroso fora, em 2007, a convidada de honra das comemorações do "Dia da Mulher" - uma jornada inesquecível, que foi recordada numa cidade onde a sua memória está bem viva. A personalidade de Maria Barroso foi apresentada pelo Prof Doutor e todos os presentes se juntaram à homenagem, dado um testemunho pessoal. 
M. Manuela Aguiar destacou o papel de Maria Barroso nos "Encontros para a Igualdade" a  sua longa colaboração com a AMM - 

2018 – ABRIL
12 - PORTUGAL-BRASIL - A DESCOBERTA CONTINUA A PARTIR DE MONÇÃO 
20 de abril
A terceira edição desta iniciativa aconteceu a  20 abril de 2018 na EPRAMI (Escola Profissional do Alto Minho Interior) em Monção.
 A AMM teve como parceiros:  Câmara Municipal de Monção, Casa Museu de Monção da Universidade do Minho, EPRAMI , Universidade Sénior de Monção, Agrupamento de Escolas de Monção, Jornal As Artes entre Letras, jornal A Terra Minhota, Centro de Formação Vale do Minho.
O Colóquio " Portugal/Brasil - a Descoberta contínua, a partir de Monção " pretendeu  celebrar o momento histórico em que Pedro Álvares Cabral avista terra do Brasil, onde é hoje Porto Seguro, a 22 de abril de 1500. Foi essa a data que o Senado Brasileiro aprovou como "Dia da Comunidade Luso Brasileira" - iniciativa que viria a ser ratificada por Portugal. A efeméride é celebrada em todo o Brasil, com grande empenho dos Portugueses, mas passa quase despercebida em Portugal. 
Esta iniciativa teve o Alto Patrocínio do Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas.
 Investigadores/as, professores, estudantes, decisores políticos, interessados/as nesta temática, foram  desafiados a participar neste colóquio e torná-lo num momento de debate e reflexão em torno da história da emigração, da cidadania e da lusofonia que ganha agora novo incentivo através da decisão legislativa que visa reforçar o estudo da emigração, fazendo-se jus a esta parte importante da história do povo português. Dar-se-á especial ênfase às questões da Igualdade e relevo a mulheres e homens da diáspora lusa com cunho minhoto. 
Da Comissão Científica faziam parte: Graça Guedes, Professora Catedrática Aposentada da Universidade do Porto; José Viriato Capela, Professor Catedrático da Universidade do Minho e Presidente da Casa Museu de Monção da UMInho; Alexandra Esteves, Professora Auxiliar da Universidade Católica, Pólo de Braga 
Do Programa constavam dois painéis: 
O 1º, intitulado DIMENSÕES DO POLIEDRO DA EMIGRAÇÃO abordou os seguintes temas:  A Emigração de Viana do Castelo para o Brasil (1929-1950) a partir dos livros de registo de passaporte- por Rui Miguel Pires, Mestre em Relações Internacionais - Universidade  Lusíada do Porto;   Ateliês da memória -  Monçanenses pelo mundo  por Francisco Alves, Diretor do jornal local A Terra Minhota e  Arcelina Santiago, Mestre em Ciências Sociais Políticas e Jurídicas - Universidade de Aveiro; Trajetória  literária de Maria Ondina Braga por Isabel Cristina Mateus, Professora Auxiliar do Departamento de Estudos Portugueses e Lusófonos do Instituto de Letras e Ciências Humanas (ILCH) da UMinho;  Maria Archer,  uma portuguesa no Brasil . Entrevista Imaginária a Maria Archer pelos alunos da EPRAMI - Beatriz Lopes e Pedro Cerqueira; História de uma Vida entrevista a  Carlos de Lemos

2018 - JUNHO
13 - ENCONTRO COM ADELAIDE VILELA 
12 de junho, Biblioteca José Marmelo e Silva, Espinho

A AMM em colaboração com a a Universidade Sénior e com o apoio da Câmara Municipal de Espinho, levou a cabo um encontro com a jornalista e escritora Adelaide Vilela, em que esta falou da sua experiência como retornada de África, no período da descolonização, em 1975,  como mulher portuguesa emigrada no Canadá há cerca de quatro décadas e, também, da sua obra literária.
O Dr. Armando Bouçon, Diretor dos Serviços Culturais da Câmara Municipal deu as boas vindas e as Dr.as Glória Rocha, em nome da Universidade e Manuela Aguiar, em representação da AMM, fizeram a introdução aos temas a tratar, Antes da oradora tomar a palavra, foram lidas pelas alunas da Universidade Sénior algumas das poesias de Adelaide Vilela, acompanhadas por música também interpretada por uma aluna da universidade.
Depois do brilhante improviso da oradora, seguiu-se um debate e a jornada terminou com a sua disponibilidade para assinar alguns dos livros . 

14 - HOMENAGEM AO DR DURVAL MARQUES 
VN GAIA, 15 de junho
A" Academia do Bacalhau" do Porto, no seu jantar anual Camoneano prestou homenagem póstuma ao fundador das Academias, Doutor Durval Marques, que, em Joanesburgo, foi o organizador das primeiras comemorações d Dia 10 de junho. O movimento então criado é hoje o maior, a nível internacional, no mundo lusófono. Graça Guedes, sua  amiga dos tempos de juventude e Maria Manuela Aguiar, estiveram presentes na homenagem. Ambas se contam entre as primeiras mulheres que, nos anos 80,  foram membros das Academias de Bacalhau - a Profª Graça Guedes em Durban, a Drª Manuela Aguiar na Academia -mãe de Joanesburgo, onde a pioneira fora Amália Rodrigues.
Manuela Aguiar, que foi a oradora convidada para falar do papel das Mulheres da Diáspora e da AMM, lembrou a colaboração do Dr Durval nos congressos da Associação, em particular, a sua intervenção no Encontro Internacional de 2009, com citações reveladoras do líder que foi na defesa da língua e da cultura portuguesas e da sua ação excecional no campo do solidariedade e da beneficência, que, com ele, marcaram, a vocação das Academias, a par do espírito de amizade e convivialidade. A sua compreensão para as questões da igualdade e fez dele um aliado de sempre da AMM 

15 - PALESTRA sobre "O PAPEL DA MULHER PORTUGUESA NA EMIGRAÇÃO"
Academia de Bacalhau do Porto,  
O "jantar camoneano"  tem sempre um orador convidado e um tema que se enquadre no espírito das comemorações do "Dia de Portugal".  As questões da emigração têm sido frequentemente abordadas (recordamos, por exemplo, uma notável  intervenção de José Lello), e, desta vez, o convite foi feito a Maria Manuela Aguiar, tara as tratar com a inclusão da perspectiva de género, focando, em especial, os objetivos e realizações da AMM. Numa primeira parte, a oradora traçou a linha tradicional das políticas de emigração, que privilegiavam a saída de homens sós, para mais eficaz atração de remessas e, contra a vontade do Estado, o aumento constante das migrações femininas, sobretudo, para reagrupamento familiar e as consequências que trouxe não só para os projetos de emigração e o seu sucesso, mas também para as próprias mulheres, a sua autonomia económica, a sua força como mediadoras  entre culturas, para a integração e para a criação de verdadeiras comunidades culturais.
Numa  segunda parte centrou a atenção na AMM, uma organização de defesa da igualdade e da participação cívica feminina, que reúne mulheres e homens no mesmo objetivo. Um desses homens foi, justamente Durval Marques, lembrado como companheiro de caminhada.

16 - LANÇAMENTO DO LIVROS DE ADELAIDE VILELA - MONÇÃO
No dia 22 de junho, na Biblioteca Municipal de Monção
Sessão de apresentação dos livros de Adelaide Vilela - "Olhos nas Letras" e "Magma de Afetos" 
  Iniciativa  proposta pela Associação Mulher Migrante à  Câmara Municipal de Monção e  com colaboração e presença de muitos alunos da Universidade Sénior. A sessão de apresentação  contou com a presença da senhora vereadora da educação, Dra Natália Rocha. ´
Arcelina Santiago, em nome da Associação Mulher Migrante, fez uma intervenção sobre a vida e obra da autora, jornalista e escritora. Destacou o  papel de mulher da diáspora a viver a já mais de 40 anos no Canadá, com uma riquíssima  experiência de vida, dando ênfase ao seu papel enquanto divulgadora da lusofonia, carregada de sentimento de portugalidade.  Enfoque especial à divulgadora da cultura portuguesa que  contempla os leitores  com um tratado de emoções, vivências entre a ficção e a realidade. Realçou também o seu papel enquanto cidadã aberta ao humanismo e intervenção em ações de voluntariado cultural bem como o seu papel enquanto defensora  de  causas, dos direitos humanos, dos emigrantes e das mulheres. Em suma,  a defensora de uma vida inspiradora,  orientada por um forte sentimento positivo e por  valores de justiça, paz,  amor e fé  encantou a audiência. 
Na  sessão foram  declamados dois belos poemas da autora,  intitulados "Que ela brilhe" e "Amor Lusitano que, simbolicamente, marcam duas das suas múltiplas  facetas: a defensora dos direitos das mulheres e a divulgadora da  Lusofonia.

17 - CONTRIBUTOS DAS ASSOCIADAS DO ESTRANGEIRO
VENEZUELA
A diáspora de Venezuela é um fenómeno em pleno século XXI
Nestes últimos vinte anos, temos ido apalpando uma economia totalmente destruída ou estragada pela política em Venezuela, já analisada por minha pessoa e com declarações dadas à imprensa da Ilha de Madeira no  ano 2016, de que  a cada dia  é mais evidente, como  a capacidade produtiva interna tem diminuído, as ofertas de trabalho, os empregos caem quase num 80%. Como professora  que sou  de uma das universidades maior e importante do país, Universidade de Carabobo, localizada na cidade de Valencia, Estado
Carabobo; é deprimente já que hoje observamos a um professor universitário, sem qualidade de vida, pela hiperinflación existente, onde comprar alimentos, medicinas, transporte é quase impossível de cumprir. Portanto diz-se: toda uma vida estudando e trabalhando, para poder adquirir um nível de vida estável, e cobrir suas necessidades básicas, neste momento é quase impossível. 
Desde minha niñez, adolescência e de adulto, vivemos sempre num meio agradável, quase sem problemas; onde o trabalho de meus pais emigrantes da Ilha de Madeira pelos anos 50, 60,  foi realmente aceitável, onde o emigrante português era aceite e respeitado; portanto meus pais deram-nos uma grande qualidade de vida e de estudos para superar-nos e que apreciássemos esses sonhos de emigrantes, que eles tinham feito realidade neste formoso país. 
A cada dia que vai passando, é preocupante ver que tem saído do país, 1,6 milhões de pessoas, o qual seria um aproximado de 5,5% de 29 milhões (segundo Tomas Páez), a maioria representa uma força total de talentos, que vai a diferentes partes do mundo; e quero recordar que Venezuela foi magnifica porta de entrada, de milhares de europeus durante o século XX.
O processo de sustento desta democracia em Venezuela, faz necessário recuperar a credibilidade na palavra e na confiança social, há que sobreponerse à demagogia e aos muitos discursos populistas, com falacias e manipulações, que hoje em dia conceptualizamos em ignorância e detractores da sociedade; portanto isto faz que as pessoas entrem no mundo das folhas de rotas para outros países. 
É de modo que estamos como em Modo de Pausa, em torno deste debacle económico e político que a cada dia nos submergem, na pior verdade amarga e difícil dos últimos anos em Venezuela.
Creio em seguir sonhando e lutando por este formoso país, que um dia aceito a uns imigrantes portugueses, em especial a meus pais que fizeram seus sonhos realidade; de modo que permitam-me seguir esse sonho deles, do crer num país e de que muito cedo sairemos deste pesadelo socialista-comunista.
Sendo mulher sempre lutadora, de nossa comunidade portuguesa, Conselheira das Comunidades Portuguesas, e Vice-Presidente  da Mulher Migrante em Venezuela, quero seguir sendo essa voz susceptível e intensa ante o mundo, e pedindo a viva voz e a Deus a maior sabedoria para nossa diáspora portuguesa;  de tratá-los com a mesma bondade e confiança que pode ter povo nenhum e em especial o entendimento do povo português. 
Seguir lutando e meditando desde meu ponto de vista profissional, em que não há que parar, há muitos sonhos, reptos e compromissos; mas não deixar-nos decepcionar, porque minha alma esta acordada, por esses sonhos de migrantes portugueses, que eu vivi e o apalpe dia a dia, na transformação e na pronta recuperação da democracia que que já vivi. 
Doutora Pd. María Fátima De Pontes Loreto.
Conselheira das Comunidades Portuguesas em Venezuela
Presidente do Conselho das Comunidades Portuguesas Em Venezuela.
MMVE- Mulher Migrante Venezuela
Como nasce a Associação Mulher Migrante Venezuela?
No ano 2011 tive a honra de ser convidada a participar no Congresso Mundial da Mulher Migrante realizado na cidade da Maia. Foi aí, que ao ver o dinamismo desta organização e a sugestão da Dra. Maria Manuela Aguiar, levei esta inquietude para a Venezuela. Numa reunião com várias mulheres profissionais falei-lhes desta iniciativa e para minha surpresa foi acolhida com muito entusiasmo. É assim que começámos com os preparativos para no ano 2012 realizar o primeiro congresso da mulher migrante Venezuela e no dia 25 de Novembro desse ano ficou formalmente organizada a diretiva dessa Associação, a qual me honra presidir até à data.
As nossas atividades
Como  a Venezuela é um país enorme, e temos a nossa comunidade espalhada por todo ele, começámos com a tarefa  de dar a conhecer a nossa Associação. Realizámos vários encontros regionais e criámos nas entidades que visitámos comissões regionais da mulher migrante com os seus respetivos estatutos de funcionamento. Através destas comissões começou-se com a abertura de cursos de português, pois a nossa língua estava esquecida no interior do país, apoio social à nossa comunidade carenciada e conversatórios sobre diversos temas: inserção da mulher luso-venezuelana no mundo profissional, igualdade de género, violência contra a mulher, etc. As diferentes comissões  aceitam as sugestões dos temas a tratar da comunidade local e prévia aprovação da Mulher Migrante Nacional, realizam-se então os conversatórios e oficinas com especialistas.
A nossa Associação teve uma aceitação enorme e um entusiasmo que ainda hoje é motivo de orgulho, apesar de todas as dificuldades que estamos a atravessar nos últimos anos.
Dificuldades
Devido à situação política e socioeconómica que está a atravessar a Venezuela é cada vez mais difícil o acercamento às nossas comunidades. Estamos a ficar isolados pois os voos domésticos são cada vez menos e devido às grandes distâncias torna-se difícil a nossa deslocação. 
As entidades do interior donde se leciona o português requerem da nossa presença três vezes por ano e isto está a ser impossível. Durante o período letivo temos que ir acompanhadas do coordenador do ensino, o Dr. Rainer de Sousa, para fazer formação docente aos nossos leitores e acompanhar e resolver dificuldades que se tenham apresentado assim como também avaliar o desempenho dos nossos leitores através de inquéritos que passamos aos alunos.
Os alunos requerem duma certificação válida através do Instituto Camões para adolescentes e  do CAPLE, certificação da Universidade de Lisboa para os adultos. Lamentavelmente os custos estão a serem muito elevados devido à enorme desvaliação da moeda e os alunos não têm poder adquisitivo para efetuar este pagamento tão elevado, pelo que optam por obter somente o certificado de reconhecimento que entrega a Mulher Migrante, mas que não é reconhecido perante o Ministério de Educação.
A nossa presença nestas localidades longínquas tem diminuído devido à falta de transporte aéreo. Muitas vezes temos que ir via terrestre a estas localidades e são recorridos de oito, dez e até doze horas para podermos visitar estas comunidades.  Não utilizamos o transporte público devido à insegurança, pois estes meios de transporte estão constantemente a serem assaltados no percorrido. As estradas estão num estado deplorável e portanto as nossas viaturas sofrem com estas deslocações. Estamos sujeitos a avarias e não se conseguem as peças para arranjarmos depois a viatura avariada. Por estes motivos  cada vez torna-se mais difícil aceder a estas localidades e portanto as nossas atividades têm sofrido uma baixa significativa. No entanto parar é morrer, por isso continuamos na luta.
Outro problema é que alguns dos nossos leitores estão a retornar definitivamente a Portugal e neste momento são muito poucos para a grande demanda do ensino que temos nessas localidades. Estas são umas poucas dificuldades, temos muitas outras como a não existência de papel para fornecer material complementário aos nossos alunos, os custos cada vez mais elevados para mantermos estes cursos, etc, etc. Seria muito longo de relatar neste momento, pois todos os dias temos uma nova e diferente contrariedade, mas vemos o lado positivo. Estamos sempre em movimento e portanto sempre ativas.
A nossa diretiva na atualidade está conformada pelas seguintes pessoas:
Presidente: Maria de Lourdes De Almeida (Caracas)
Vice-presidente: Fátima De Pontes (Estado Carabobo)
Secretária: Fátima Teixeira ( Estado Miranda)
Guida Amaral: Tesoureira (Estado Miranda)


BRASIL -  RECIFE

A Drª Berta Guedes, representante da AMM no Recife, tem dedicado especial atenção à ajuda de novos emigrantes  emigrantes portugueses no Brasil e brasileiros em Portugal, no domínio da segurança social. A sua mais recente iniciativa foi a de divulgação do acordo bilateral nesta matéria, cujo desconhecimento implica perda de garantias concretas para os migrantes e suas famílias, no que respeita a dados como os de contagem de tempo de descontos, pensões por incapacidade e velhice, períodos de carência, assistência médica e outros benefícios.
Numa altura em que os fluxos migratórios inverteram a sua tendência tradicional, com uma maioria de brasileiros a saírem para Portugal, a Drª Berta dirigiu-se a eles, numa entrevista dada à Rádio CBN - Recife, dando informação detalhada sobre esses aspetos, nomeadamente
sobre o organismo de ligação competente no Brasil, que é, no que respeita ao aos acordos bilaterais com Portugal e Cabo Verde, o INSS (Instituto Nacional de segurança Social) - S Paulo.
Para os novos imigrantes portugueses no Brasil, a Dr.ª Berta Guedes fez a apresentação deste Acordo Bilateral no Gabinete Português de Leitura de Recife, disponibilizando-se, igualmente, a organizar um horário de atendimento em que pode responder a casos concretos.
NOTA FINAL 
A AMM, desenvolveu, assim, ao longo deste período de um ano, ações dentro do país, de norte a sul (Gaia, Monção, Lisboa e Espinho) e no estrangeiro (Luxemburgo, Sacramento, Uruguai, Buenos Aires, Argentina, NY, EUA e Montreal, Canadá), sem quaisquer custos para a AMM e sem que fossem recebidos quaisquer subsídios do Estado.
As iniciativas concretizadas fora do país, todas através da Presidente da AG da MM, Maria Manuela Aguiar, foram por ela custeadas (caso das viagens à Argentina e Canadá) ou apoiadas por parcerias. 
Manifestamos o nosso reconhecimento a todas os nossos colaboradores em parcerias que permitiram levar a cabo tantas iniciativas sem onerar a AMM, nomeadamente:
 - A Cooperativa Árvore e o Hotel Porto Cruz (exposição e colóquios integrados nas comemorações das relações Portugal-Brasil)
 - Instituto Camões (lançamento e debate sobre a problemática do livro "Rostos da Emigração" / "Visages de l'Émigration"
 -  ONG's da área consular de NY (colóquio "A memória como herança)
 - Jornal Luso presse, Montreal (Comemoração do Dia da Mulher - homenagem a Maria Barroso)  
 - Jornal "O Mundo Português", em cuja sede, desde há vários anos, se têm realizado as assembleias da AMM 
 -  Câmara Municipal de Monção, EPRAMI, Universidade Sénior de Monção, Agrupamento de Escolas de Monção, Jornal "As Artes entre as Letras", jornal "A Terra Minhota", Centro de Formação Vale do Minho (comemoração do Dia da Comunidade Luso-Brasileira)
 - Universidade Sénior de Espinho (palesta e lançamento dos livros da escritora e jornalista Adelaide Vilela, do Canadá)
 - Academia do Bacalhau do Porto (palestra sobre "O papel da Mulher Portuguesa na Emigração")
 - Câmara Municipal, Universidade Sénior de Monção - apresentação de livros da escritora emigrante Adelaide Vilela)
  Pela Direção da Mulher Migrante - Associação de Estudo, Cooperação e Solidariedade 

Arcelina Santiago

sábado, 15 de dezembro de 2018

ADELAIDE VILELA boletim

De Alma Lusitana



Sou Adelaide Antónia Ramos Vilela. A aldeia que me deu luz - é um presépio que sobe a Serra do Açor - é S. Jorge da Beira, a terra mãe das Minas da Panasqueira. Tive ainda outro berço, que me fala ao coração, rodeado de contos e de lendas, e que traz ao rosário da palavra o nome de Julião, é a cidade da Covilhã ou Sília Hermínia, como outrora se chamava.
Da cidade das lãs fui para Angola, era ainda uma criança. Passei então uma parte da minha juventude nas minas do manganês de Angola e em Salazar. Regressei a Portugal em 1975. Em 1978 eu e o meu marido, o Manuel Vilela, de Agarez, Vila Real, partimos na maior das aventuras e só paramos em terras quebequenses. Montreal acolheu-nos com amor, ofereceu-nos a nacionalidade canadiana e aqui nasceu a nossa filha, a nossa única princesa, nos inícios dos anos oitenta. 
Nesta Terra de oportunidades, como mulher migrante, deitei contas à vida, depois de ter trabalhado 14 anos no Hospital Royal Victória, licenciei-me em Comunicação e técnicas de animação cultural e de empresas, pela Universidade de Montreal.
Volto agora ao passado para lembrar que comecei a escrever poesia, em terras de Angola com apenas 14 anos. De certo modo, embarquei numa viagem de sonho e de aventura, num caminho chamado oceano encantado, um dia trilhado pelos nossos navegantes. Faço muitas viagens em prol da língua e da cultura portuguesas, com malas de livros na mão, com a bandeira portuguesa às costas, de Mundo em Mundo. Assim sendo, nestas viagens poéticas proponho-me enaltecer e homenagear, nas migrações, os pioneiros de Portugal continental e das ilhas adjacentes, e todos quantos falam ou cultivam a língua e a cultura lusíada. Cabe-me porém enaltecer, de modo especial, os nossos primeiros pais que, como os navegantes, abriram caminhos forjaram destinos que hoje nos são tão úteis e fáceis de desbravar, por estes caminhos da emigração. Graças a esses bravos imigrantes sinto que nestas terras da diáspora a minha identidade é e será sempre preservada com cunho de dignidade e de respeito.
Poesia:
Falar de poesia, mesmo nos momentos mais frágeis da minha existência, foi e será sempre uma prioridade. Ainda que corra o risco de ser mais uma poetisa esquecida pela sociedade. Os livros que escrevo são singelos mas genuínos, são! Mas a poesia dá não apenas sentido à minha vida, obriga-me a viver como alma peregrina mundo além. Não pretendo escrever um livro de História, mas escrevo histórias, pois para tal nasce força e grande inspiração, porque sim, porque quero e desejo.  A cada vez que escrevo sinto que dou resposta ao meu coração: faz todo o sentido escrever na língua de Camões, longe da Pátria, nestas terras distantes do nosso berço natal, quando pretendemos expor ao mundo e, em particular, ao Canadá, o grande projeto nacional dos portugueses que é a expansão marítima. Portugal não vive naquele cantinho que nós conhecemos ao lado da Espanha, Portugal pulsa no peito da cada emigrante que vive fora do seu berço natal, Portugal pulsa a cada dia no meu coração e assim me faz viver e pensar que sou MM portuguesa, até que os meus olhos se fechem para sempre.   
Assim vivo repartindo a minha atividade por sectores tão diversos como: relações humanas e artísticas, conferências, publicidade, jornalismo e fotografia. No jornalismo, colaborei com os jornais: A Voz de Portugal, O Emigrante, o Lusopresse (Montreal), O Milénio, O Voice (Toronto), A Voz de Trás-os-Montes (Portugal) e outros jornais, onde tenho publicado inúmeras crónicas de índole cultural e artística. Colaborei, durante alguns anos, com a RDPI, no programa “Novo Mundo”, com a rubrica Casa Portuguesa, onde dava a conhecer luso-canadianos residentes em Montreal e de várias cidades vizinhas.    
Com mais quatro colegas, realizei uma curta-metragem, intitulada: Mensonges. A história é de minha autoria. Participei, como figurante, no filme “The Last Hope” do colombiano, Harold Martinez Jordan.
Fui ainda convidada a participar, em vários programas de Televisão e de Rádio, em Montreal, Toronto, Portugal continental e Ilhas dos Açores. A título de exemplo, citam-se os Programas: Jornal das Comunidades, Aqui Portugal, Praça da Alegria, Portugal no Coração e Agora Nós. No Canadá, a nível nacional e internacional, organizei e animei alguns Programas de Televisão.  
Muitas das minhas atividades e participações destacam-se também em diversos países da América Latina. A título de exemplo: No 5º Encontro Internacional Literário, no Uruguai, em Montevideu, organizado pela aBrace, fui reconhecida como, “Poeta da Luz”, Participei nas Jornadas Literárias organizadas pela Universidade de Morelos, no México, expus imagens de Portugal e de diversos países do Mundo. Participei no Festival Mundial de Poesia, organizado pela Revista Olandina, Peru, e pela Casa do Poeta Peruano. Destas atividades destacam-se ainda as edições de um Cd de poesia, e uma antologia intitulados: “Los Ángeles también cantan”. Duas medalhas de ouro fazem parte do meu portfólio, vieram agarradinhas ao meu peito, ganhas na América Latina, no Peru. Portugal, jamais me reconheceu, mas pouco importa.
Na Universidade de Morelos no México foi organizada uma exposição de fotografia intitulada IMAGENS DE ALMA LUSITANA, as fotografias são de minha autoria. A convite da Edilidade da Câmara, da Covilhã foram expostas mais de 100 fotografias, imagens de Portugal e de vários Países do Mundo no ano de 2012, com IMAGENS DE ALMA LUSITANA.
No campo musical tenho contribuído para o êxito de vários artistas. Os jovens cantam sobretudo em língua portuguesa, alguns deles aprenderam a falar português (comigo) e são hoje excelentes artistas, bons profissionais  Muitos deles cantam letras do meu reportório em português, próprio e a gosto de cada um deles.  
Bibliografia: Os Meus Versos Meninos, Versos do meu Jardim; Versos e Universos; Portugal à Janela; Cantares de Adelaide; Palabras del Corazón, Laços e abraços, Horizontes de Saudade; Olhos Nas letras; Magma de Afetos e mais duas dezenas de antologias são os livros que preenchem as minhas bibliotecas. Oito livros foram editados em Montreal, um exemplar editado nos Açores, em S. Miguel, outro em Lisboa, e muitas das Antologias na América Latina, sendo duas delas de Montreal. 
Na Universidade del Callao, Lima, Peru, no Festival Internacional de Poesia, Leoncio Bueno, Fui acolhida como (VISITANTE DISTINGUDA COMO TESTUNHO DA MINHA VISITA VISITA À HISTÓRIA DA CUDADE DE CALLAO).
E para maior riqueza de Portugal, no Mundo, ofertei uma Bandeira das cinco quinas, que tinha em meu poder há mais de  40 anos, a uma professora luso venezuelana, que nunca tinha conhecido o seu país de origem, mas que ensinava português aos meninos, que quisessem aprender, na associação que frequentava.
Para concluir e através deste mar imenso que é a Associação da MM tentarei levar o nome de Portugal mar além viajando nas asas da arte e da cultura, rumo a novas e promissoras aventuras poéticas. A Terra necessita de carinho e de sossego, vale muito a pena escrever as três letrinhas que compõem a palavra PAZ

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Ata da AG de 6 de agosto

ATA
 Aos seis dias do mês de agosto de dois mil e dezoito, pelas dezoito horas realizou-se a 26º reunião da Assembleia Geral Ordinária da Mulher Migrante – Associação de Estudo, Cooperação e Solidariedade, nas instalações do Jornal "Mundo Português", sito na Rua Elias Garcia, nº 52 – 7º andar, em Lisboa, de acordo com  convocatória, que cumpria os trâmites dos Estatutos da Associação. Da agenda de trabalhos constavam os seguinte pontos:-----------------------------------------------------------------------------------------------------
1 - Apreciar e aprovar o Plano de Atividades e Contas da Direção, relativo ao ano 2017, bem como o respetivo parecer do Conselho Fiscal;-----------------------------------------------
2 - Discutir e aprovar o Planos de Atividades e o Orçamento para 2018;--------------------
3 - Eleger os Órgãos Sociais, bem como a Secretária-Geral;------------------------------
4 - Deliberar sobre a admissão de novos associados e associadas e de associadas ou associados honorários ou apoiantes; ---------------------------------------
5 - Repensar as condições de funcionamento do Conselho de Representantes e de outras formas de reorganização interna;----------------------------------------
6 - Outros assuntos.---------------------------------------------------------------------
Em anexo, consta a lista de presenças, num total de dezoito assinaturas.--------------------
 Na impossibilidade de estarem presentes nesta reunião, enviaram procuração para delegação de competências as/os seguintes associadas/os: Maria Violante Martins, Manuela Marujo, Artur Ernesto Madureira, Maria do Céu Campos, Virgínia Estorninho, Maria João Ávila, Constância Nery, Isabel Aguiar, Maria Luciana Barros Lopes, Maria Teresa Barros Aguiar Pereira, Maria Isabel Gonçalves Araújo Pereira,  Elvira Brandão, Fátima Pontes, Maria de Lurdes Almeida, Custódia Domingues, Maria Madalena Aguiar Pereira, Maria Manuela Barros Aguiar Pereira, Graça Guedes, Flávio Borda d’Água (na Drª Manuela Aguiar): Luísa Prior, Filomena Fonseca e Nelma Patela (na Drª Arcelina Santiago).-----------------------------------------------------------------------------------------
A Presidente da Assembleia Geral, Maria Manuela Aguiar abriu a sessão, manifestando o maior pesar pela partida da Presidente da Direção da AMM,  Dra Rita Gomes, pondo em relevo o seu intenso e importante  trabalho em prol da Associação, desenvolvido ao longo de 25 anos, no que foi acompanhada por todos os presentes.----------------
Todos  manifestaram igual pesar pelo desaparecimento do Dr Carlos Morais, sócio fundador da AMM e diretor do jornal "O Mundo Português".------------------------------
Passou-se, seguidamente, ao primeiro ponto da agenda de trabalhos. Foi  apreciado o Relatório de Atividades de 2017,  que havia sido previamente enviado aos associados/as constantes da "mailing list" e publicado na blogue "Mulher Migrante em Congresso". O Relatório foi aprovado por unanimidade, depois de integrar, nomeadamente, os contributos de associadas que participaram em reuniões de vários Organismos, em representação da AMM.--------------------------------------------------------------------
Também o Relatório de Contas relativo ao ano 2017, apresentado pela Direção, bem como o respetivo parecer, emitido pelo Conselho Fiscal, que consta em anexo a esta ata, foi submetido a votação e aprovado por unanimidade.-----------------------------------
 Sobre a situação financeira da AMM a tesoureira, Filipa Menezes, deu informações detalhadas, que apontam no sentido da perfeita sustentabilidade da Associação, com os seus meios próprios.  São pouco avultadas as despesas de funcionamento  (arrendamento, luz e água da sede, custos de correspondência, etc). As numerosas ações realizadas pela AMM dentro do país e no estrangeiro não tiveram quaisquer custos, pois os respetivos encargos foram suportados pelas entidades parceiras ou pelas associadas/os que as organizaram ou nelas participaram. Não foram recebidos quaisquer subsídios de departamentos públicos.----------------------------------
A boa saúde financeira futura da AMM exigirá a continuidade desta capacidade de contenção de custos e de realização de iniciativas nos moldes que vem sendo adotados.
No que respeita a correspondência, ficou decidido um maior recurso aos  endereços eletrónicos, que permitirá poupanças adicionais e uma mais rápida circulação da informação.------------------------------------------------------------------------------------------
No tocante ao segundo ponto, foram apresentadas e largamente debatidas propostas de atividades para o 2º semestre de 2018 e para o ano de 2019, em que se comemora o 25º aniversário da fundação da AMM.  Sem prejuízo de outras ações e estudos, que poderão vir a ser desenvolvidos, foram referidos e  aprovados os seguintes:
 .Publicação de um "Boletim" periódico, para intercâmbio de informação entre associadas/os, a nível nacional e internacional, a que será dada publicidade no blogue e no "site" da Associação. O primeiro número, que se espera poder distribuir em inícios de Outubro, será inteiramente composto por depoimentos escritos sobre a Drª Rita Gomes.  --------------------------------------------------------------------------------------------------
. Colóquio sobre políticas da emigração na segunda metade do século XX e no século XXI, em homenagem à Drª Rita Gomes, que foi testemunha e intérprete dessas políticas, como funcionária e, depois, dirigente dos serviços da emigração - trabalho que continuou, após a aposentação,  como voluntária, na nossa Associação  (data prevista abril de 2019);--------------------------------------------------------------------------------------------
. Projeto Ateliês da Memória – Monção,  em parceria com Escolas, Universidade Sénior, Centro de Formação Vale do Minho e Câmara Municipal de Monção (início - setembro 2018);----------------------------------------------------------------------------------------------------
. Publicação digital do colóquio “Portugal / Brasil a descoberta continua a partir de Monção”, realizado em abril 2018. Parceria da AMM com o Centro de Formação do Vale do Minho, Câmara Municipal de Monção;---------------------------------------------------------
. Projeto “Mulheres empresárias”,  em parceria com o Observatório dos Luso descendentes e outras associações (1º semestre de 2019);--------------------------------------
. Colóquio sobre  "Emigração para França a partir da década de 60" – em Monção,  parceria com a Câmara Municipal, Agrupamento de Escolas de Monção, Universidade Sénior, EPRAMI, Universidade do Minho, Centro de Formação (março / abril 2019);------------------------------------------------------------------------------------------------
. Colóquio sobre a situação da comunidade luso -  venezuelana em Espinho, parceria da AMM com as Associações e Agrupamento de Escolas de Espinho (objetivo: conhecer a realidade dos jovens retornados da Venezuela e sua integração na comunidade escolar);------------------------------------------------------------------------------------------------------
.  Colóquio /Exposição de Artes plásticas sobre a temática “ Emigração e Cidadania”, integrada na 3.ª Bienal de Gaia (2019);-----------------------------------------
.  " Jornalismo para a paz" – participação no desenvolvimento do projeto liderado pelo jornalista António Pacheco, em que a AMM  começou a colaborar em 2008, nos EUA, no contexto de uma parceria com a Fundação "Pro Dignitate"; -----------------------------------
. Participação na Conferência de homenagem a Ana Hatherly,  organizada pela Universidade de Berkeley e pela " Luso-American Educational Foundation",  em que a AMM é  convidada a abordar o tema " mulheres emigrantes  e o seu papel no mundo das Artes e das Letras"  (organização da nossa Associada Profª Doutora  Deolinda Adão);
. Colaboração na publicação bilingue do livro "Califórnia, madrasta dos meus filhos". Sendo a AMM detentora dos direitos de autor da versão portuguesa, pode optar por manter esse direito numa nova parceria, que não implicará  encargos adicionais. Esta foi a modalidade para a qual se apontou , consensualmente. A alternativa seria a venda dos direitos de autor.-------------------------------------------------------------------------------------
.Publicação "225 histórias de vida", edição comemorativa dos 225 anos do Consulado de NY - parceria Consulado.Geral de NY/ Ong's Luso-americanas/AMM.----------------------
Conforme consta do "Relatório de Atividades", este projeto não beneficiou do subsídio solicitado à DGACCP, por alegada falta de envio dos anexos (Relatório de Atividades de 2016 e outros elemento, que haviam sido entregues, em mão, na DGACCP, de acordo com as instruções da Presidente da Direção, à semelhança de procedimentos adotados em anos anteriores). Espera-se que, com  ou sem subsídio governamental, o livro, que é prefaciado pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros, possa ser editado em 2018 ou inícios de 2019.---------------------------------------------------------------------------------------
Foi apresentada pela presidente da AG a hipótese de a AMM utilizar, neste seu projeto partilhado, uma verba de cerca de 1500 euros, há vários anos disponível para uma publicação, ainda não realizada, sugestão que mereceu acolhimento.----------------
 Para além desta eventual contribuição, não se prevê qualquer gasto orçamental, apenas a satisfação das despesas correntes, ficando tudo o mais dependente de contributos voluntários de associadas/os ou de parcerias.-------------------------------------------------------
No terceiro ponto: " Eleição dos Órgãos Sociais, bem como a Secretária-Geral" , a que obrigou a partida da Drª Rita Gomes, a vontade já anteriormente manifestada pelo Dr Artur Madureira de deixar este órgão social, e a dificuldade de participação nas funções diretivas das associadas residentes no estrangeiro.---------------------------------------------
 A lista apresentada pela Direção foi aprovada por unanimidade, o mesmo acontecendo com a Assembleia Geral. A indisponibilidade da Presidente do Conselho Fiscal, comunicada à AG através da carta, (que está em anexo), no decurso da reunião da Assembleia Geral,  levou à sua substituição, assim como a da Associada Ana Paula Barros (devida, como informou a Assembleia, à sua saída para breve do país, por razões profissionais)) e à de Cláudia Ferreira, Brasil, (por ser desconhecida a sua morada atual, segundo informação da Presidente do Conselho Fiscal cessante).  -------------------------
A nova composição do Conselho Fiscal, foi, igualmente, votada por unanimidade, assim como a Secretária Geral.-------------------------------------------------------------------------
 Não houve alteração do Conselho de Representantes.---------------------------------
A regra da escolha para os órgãos sociais de associadas/os residentes dentro do país, por motivos de operacionalidade, levou à apresentação de uma proposta para dar, em outros moldes,  continuidade ao fundamental propósito de garantir a cooperação transnacional, no que respeita às grandes decisões e aos destinos da AMM. Para tal, foi criada uma nova instância, com o nome de "Conselho Estratégico". A designação, consensualmente aceite, foi sugerida pela Doutora Maria Beatriz Rocha Trindade, momentos antes da reunião da Assembleia, a que não pode estar presente, por impedimento superveniente.--------------------------------------------------------------------
Para o "Conselho Estratégico" estão convidados os membros da Direção cessante, que não prosseguem em funções por dificuldade de comparecer a reuniões de trabalho em Lisboa  -  o Associado Dr Artur Madureira, e as Associadas Maria João Ávila (EUA),  Lurdes Abraços (Brasil), Doutora Isabelle Oliveira, assim como a Doutora Deolinda Adão (EUA),  a Drª Ana Paula Barros (Macau, futuramente) e o Dr Victor Gil (Portugal) . A composição do "Conselho" está em aberto, cabendo à Direção, nos termos do nº2 do art.15, aprovar outras e outros associados, que o queiram integrar.
Ficou, assim, aprovada,  por unanimidade, a constituição dos  Órgãos Sociais da AMM:
 ASSEMBLEIA GERAL
Presidente -   Maria Manuela Aguiar
Vice Presidente -  Maria Beatriz Rocha-Trindade
Vice  Presidente -  Carlos Álvares de Carvalho
Secretária  - Natália Correia
Secretária   - Ana Paula Almeida
 DIREÇÃO
Presidente -  Maria Arcelina Santiago
Vice Presidente  - Ana Paula Beja Horta
Vice Presidente -  Berta Guedes
Tesoureira - Filipa Menezes
Secretária  - Virgínia Estorninho
Vogal  - Luísa Prior
Vogal -  Nelma Patela
 CONSELHO FISCAL
Presidente – Ester Sousa e Sá
Vogal -  Cristina Viveiro Rodrigues
Vogal – Teresa Menezes
Suplente – Sarolta Laszlo
Suplente - Flávio Borda d'Água
 SECRETÁRIA GERAL :   Graça Sousa Guedes
 Assim, em relação à composição anterior do Conselho Fiscal, verificou-se a saída dos seguintes membros: a Presidente, Isabel Lopes da Silva, que foi substituída por Ester Sousa e Sá. A Vogal Ana Paula Barros, substituída por Tereza Menezes e a Suplente Cláudia Ferreira, substituída por Sarolta Lazlo.------------------------------------------------
Mantém-se a Vogal Cristina Viveiro Rodrigues e  o Suplente Flávio Borda d' Água.
Foi ainda decidido que podem movimentar as contas desta Associação três membros da Direção bastando a assinatura de duas delas para movimentação de contas bancárias da Associação: a Presidente, Maria Arcelina Chamtip Clementino de Santiago,  portadora do Cartão de Cidadão número 04947539 8 ZZ5 e com o NIF 159185432;  a Tesoureira, Filipa Andrade Gomes de Azevedo Menezes, portadora do Cartão de cidadão número   09807838   e com o NIF  223211354;  a vogal, Luísa Prior Guedes Sousa e Silva, portadora do Cartão de Cidadão  Número  02942308  2 ZX4, e com o NIF 119669978. 
No tocante ao ponto 4 da agenda, focou-se a necessidade de tomar algumas medidas para  promover a admissão de  novos associados  que possam contribuir com o seu saber académico, profissional, com a experiência  de vida e de voluntariado, nas atividades da AMM.  Para facilitar as adesões ou a permanência de associadas/os foram aprovadas as seguintes medidas: diminuição da jóia para um euro, valor simbólico; a regularização de quotas em atraso, com o pagamento imediato da quota para o ano de 2018; o pagamento pelas delegações do estrangeiro de uma quota coletiva.---------
Foram apresentadas pela Drª Arcelina Santiago, membro da Direção cessante e presidente da Direção recém-eleita,  propostas de admissão de novos sócios, tendo sido mencionado um breve perfil de cada um deles, a mostrar a mais valia que constituem para a AMM.  Adelaide Vilela (Montreal, Canadá, onde se espera que possa constituir uma nova delegação da AMM), Francisco Alves, Lúcio Alberto, Leonor Fonseca, Aida Batista, Maria Eduarda Fonseca, Jorge Azevedo e Sousa, Vítor Gil, João Miguel Aguiar, Emmanuelle Afonso, Rosa Maria Gaioso Guimarães, Miguel Leite, António Pacheco, José Duarte, Júlia Néry, Cíntia Ribas. -------------------------------------------------------------------------
A Drª Arcelina Santiago anunciou a intenção de proceder a mais contactos, dentro e fora do país, nomeadamente, com jovens, e no âmbito da comunidade académica e do mundo associativo.  A menção de breves depoimentos e notas curriculares de cada associado, para divulgação no "Boletim", foi outra sugestão por ela avançada. 
Sobre a apresentação de sócios honorários foi aceite por unanimidade a sua proposta, relativa a Mariana Patela, que há anos, desde os seus os 11 anos (em 2012), tem colaborado com a AMM, representando o papel de figuras femininas de revelo, como Carolina Beatriz Ângelo e Maria Archer, personagem esta que encarnou, repetidas vezes, sempre muito bem, in  na “Entrevista Imaginária a Maria Archer”, com que a AMM recordou esta grande escritora e feminista  da Diáspora. --------------------------------
Sobre o quinto ponto da ordem de trabalhos, foi proposta uma maior ligação entre as várias delegações do estrangeiro, e uma maior autonomia na gestão de meios financeiros, passando a cobrar as quotas das associadas locais, e delas, dispondo livremente e contribuindo para a AMM apenas com uma quota global, conforme o decidido no ponto quarto.------------------------------------------------------------------------  
No último ponto da ordem de trabalhos, foi lembrado o Dr Carlos Morais, que a AMM irá homenagear, durante o ciclo de iniciativas do seu 25º aniversário e prestado tributo à inesquecível Presidente da AMM  durante 25 anos, Drª Rita Gomes. A Presidente  da Assembleia- Geral propôs que cada Associada e Associado, ali, desse um primeiro testemunho. Foi um momento único e sentido, em que foram destacadas as qualidades e características que a tornaram única e admirável, nas suas várias facetas postas em destaque: a amiga, a companheira,  a profissional, a conhecedora da emigração, a  cidadã,  a presidente, a grande Mulher.-------------------------------------------------------
 Nada mais havendo a tratar, foi encerrada a reunião da qual foi lavrada esta ata, que vai ser assinada pela Presidente da Assembleia Geral e pela  Secretária.
 A Presidente: _____________________________________________________
                                 Maria Manuela Aguiar
A Secretária : _____________________________________________________

                                 Ana Paula de Almeida

sábado, 1 de dezembro de 2018

AIDA BAPTISTA narrativa

MIGRAÇÃO EM SEIS ANDAMENTOS


Uma paisagem desenha no meu rosto
as rugas da infância.
Lídia Martinez


Vivi nove meses no aconchego do ventre de minha mãe, até que, sob a influência da lua - diziam os antigos – chegou o dia em que, num grito de alforria, emigrei para o seio da família que me esperava no cais de uma gestação bem sucedida, situado na zona do Douro Vinhateiro.
Primeiro o pai - a quem as fráguas estreitas e íngremes do rio limitavam a grandeza do sonho - depois a mãe, acompanhada das duas filhas (eu e minha irmã), decidiram cruzar o mar para, numa praia mais a sul do Equador, fixarem a âncora da minha identidade e de todos os irmãos que se seguiram.
Foi aí, na costeira cidade de Benguela, que cresci, me fiz mulher e mãe de dois filhos (uma menina e um rapaz), alheia à forma como a sociedade estava organizada. Estudei no colégio das Doroteias, cujo regime de internato permitia que as filhas dos fazendeiros e comerciantes ricos da província, lá vivessem. Durante todos os anos da minha escolaridade, tive colegas mestiças, mas, nem uma preta! Nas escolas oficiais, já se viam algumas, mas só depois de eclodir a guerra, em 1961, as turmas começaram a ganhar um colorido humano.
Confesso que nunca partilhei do slogan criado por Fernando Pessoa: “Primeiro estranha-se, depois entranha-se”. Nunca estranhei nada, e desde sempre entranhei que o regime era mesmo assim! Numa família remediada, a grande preocupação de meu pai era trabalhar para alimentar e educar a prole que aumentava de ano para ano. Eu, desde muito cedo cuidadora de irmãos, tentava desempenhar esta atividade juntamente com a outra, a de estudante, nunca tendo perdido ano algum.
Sem mala de cartão, mas um filho em cada mão, em 1975, vi-me no aeroporto de Luanda a fazer parte de uma ponte aérea, de regresso ao país onde nascera, mas não vivera. O País que eu estudara cruzava o mapa do Minho a Timor, e fui apanhada de surpresa, sem nada entender do direito à autodeterminação. Já estávamos em guerra, para onde tinham ido soldados em força, mas ficava tudo tão longe que nunca dela me dei conta.
 De início, sem trabalho e sem salário, valeu-me o teto da casa do pai dos meus filhos, no interior de um Portugal muito provinciano, que ainda criticava as mulheres que fumavam e olhava de soslaio para as que usavam calças e se apresentavam com corpos mais descobertos.
Para sobreviver nos primeiros tempos, troquei cautelas premiadas, de pouco valor, cujo prémio tanto podia ser levantado em Angola como na Metrópole. Felizmente, e porque já havia iniciado a minha carreira docente lá, acabei por ser colocada cá. A partir daí, se há muito havia deixado de olhar para trás, passei a traçar metas num horizonte voltado para o futuro.
Sozinha, a cuidar dos filhos, a trabalhar e a estudar em simultâneo, segui a estrofe da pedra filosofal e deixei que o sonho comandasse a vida. Pensava na condição das mulheres? Não! A minha enchia-me de tal modo que não havia espaços onde coubessem as outras. Era emigrante pela terceira vez, mas o nome que me deram foi de “retornada”. Não sofri com o epíteto, porque a tudo retornei: à luta pela sobrevivência, pelo sucesso académico na Universidade de Coimbra, onde me inscrevera na Licenciatura em História - e tardiamente despertei para movimentos e causas -, pelo estágio pedagógico de dois anos, que tive de fazer para me vincular à escola, pela casa que decidira começar a construir, pelo esforço de acompanhar os estudos dos filhos, pela entrega à pós-graduação em Estudos Europeus na mesma universidade, e a enorme vontade de ter mais mundo do que o das fronteiras que o destino me reservara.
Para o conseguir, fiz o Curso de Leitora de Português e, no ano em  que perdi minha mãe, cumpri a primeira missão em Helsínquia, cidade onde pude chorar o luto que não tivera tempo de fazer em Portugal. Fiquei oito anos, tendo-me, entretanto matriculado no Mestrado em Literatura e Cultura Portuguesa, na Universidade Nova de Lisboa, beneficiando do estatuto de trabalhadora estudante.
O segundo posto foi na Universidade de Toronto, Canadá. Mergulhei de chapa na nossa diáspora, e senti na pele o impacto das histórias de vida que, por muito bem sucedidas que fossem, haviam sido erguidas a partir dos caboucos de muita miséria e fome. Só então tive consciência do que verdadeiramente era ser e/imigrante porque, como diz Natália Correia, “a gente só nasce quando somos nós que temos as dores”. Nasci, então, para as questões ligadas à integração, adaptação, dificuldades linguísticas, confrontos culturais, relação de pertença, indefinição identitária, saudade sem sinónimos, mas gente lá dentro.
Foi esta experiência e manifesto interesse pelos assuntos citados, que me levaram a participar em Semanas Culturais, Congressos, Conferências, Simpósios, Debates (dentro e fora do país).
No dia da morte da Amália, vi nas ruas do “Little Portugal” a portugalidade a romper de todos os que homenagavam a diva, com cartazes nas montras e fado por todo o lado. Qualquer coisa bateu muito forte dentro de mim! Cheguei a casa e escrevi a minha primeira crónica para “O Milénio”, um jornal comunitário que acabara de nascer.
E continuei até hoje, mesmo depois de ter ainda cumprido uma missão em Benguela, onde dirigi o Centro de Língua Portuguesa, e dei aulas no Pólo da Universidade Agostinho Neto.
Hoje, aposentada e a residir em Portgal, as questões que referi continuam a ser fonte de preocupação e reflexão, mas serviram também de matéria-prima às obras que já publiquei, como autora, co-autora e organizadora:
Passaporte Inconformado, Edições MinervaCoimbra, 2004; Chão da Renúncia, Edições MinervaCoimbra, 2008; Entre Margens de Afectos (c/   Gabriela Silva), Liga Portuguesa Contra o Cancro, Ponta Delgada, 2009; Passos de Nossos Avós (c/ Manuela Marujo), Ponta Delgada, Publiçor, 2010, Abraço de Mar entre Ilhas e Continentes (c/ Gabriela Silva), Publiçor, 2011; A Voz dos Avós. Migração, Memória e Património Cultural (org. Natália Ramos, Manuela Marujo, Aida Baptista), Ed. Pro Dignitate, Julho 2012; Frank Alvarez, O Caminho de Um Português, 2016 Ed. Frank Alvarez.
E sempre que a oportunidade surge, e o meu calendário o permite, lá estou eu a dizer presente a todas as iniciativas ligadas às questões da diáspora, entre elas as provenientes da Associação Mulher Migrante.


Maria Aida Costa Batista
Novembro de 2018