sexta-feira, 16 de março de 2018
NOVA YORK - Colóquio "A MEMÓRIA COMO HERANÇA"
Uma organização da Consulado - Geral de Portugal, em parceria com a "Mulher Migrante, Associação de Estudo, Cooperação e Solidariedade" e as Escolas Comunitárias, realizou-se em 20 de janeiro, em instalações do município de Mineola o colóquio
- MEMÓRIA COMO HERANÇA -
(MANHÃ)
10.00 – 11.30 Encontro com professores das escolas comunitárias
Moderador: Dr José Carlos Adão
1. Coordenador-Adjunto de Ensino - Dr José Carlos Adão
“língua portuguesa como língua de herança”
As escolas comunitárias como suporte da herança portuguesa e da identidade luso-americana
2. Consul-Geral Manuela Bairos
Projecto escolar: entrevista dos alunos aos avós sobre as suas histórias de emigração
3. Período de interação com professores e diretores das Escolas comunitárias
4. Presidente da Mulher Migrante, Dra Manuela Aguiar
O papel dos professores e dos alunos, das famílias na defesa do património da língua de herança e da cultura portuguesa
111.45-1300 Debate
13.00 – 14.00 (almoço)
(TARDE)
Identidade Luso-Americana como Herança Portuguesa
14.30 – 15.00
Apresentação da convidada Manuela Aguiar de honra e do programa da tarde pela Cônsul-Geral
Um projeto para o diálogo do movimento associativo português no mundo
15.00 – 15.45
Identidade de origem portuguesa
Moderador: Paulo Pereira
Josh Mendes (jewish)
Diane Macedo
Manny Frade
16.00 – 16.45
Participação cívica e associativismo
Moderador: Agostinho Saraiva
Felisbela Ferreira
Anália Beato/Amélia Gonçalves
Bruno Machado
17.00 – 17.45
Afirmação profissional
Moderadora: Paula Mendes
Amelita Moreira
Srª Martins
Tony Castro
Luis Tormenta
18.00 – 18.45
Participação política
Moderadora: Maria João Ávila
Rosa Rebimbas
Paulo Pereira
Maria Araujo Khan
Jack Martins
Janice Duarte
19.00 Jantar no Mineola Portuguese Center
Por trás do grande sucesso do colóquio está a experiência, a criatividade, a energia da Cônsul-Geral Drª Manuela Bairos, emotivamente homenageada no jantar da comunidade, com a presença de centenas de portugueses e luso -americanos, que destacaram o seu trabalho em NY nos últimos três anos.
Fica uma das frases que marcou a homenagem: "nunca mais teremos ninguém como ela", no ano em que se celebra o 225º aniversário da criação do Consulado de Portugal, em NY. Como escreveram no prefácio a quatro mão Mariano Gago e Onésimo de Almeida, citados por Manuela Aguiar "era preciso cloná-la no MNE".
RUTH ESCOBAR, CIDADÃ LUSO BRASILEIRA (sinopse para o Colóquio de Monção)
RUTH ESCOBAR, CIDADÃ LUSO - BRASILEIRA
Ruth Escobar foi, bo Brasil do século XX, mais célebre portuguesa, como atriz, empresária teatral de vanguarda, ativista de direitos humanos e pioneira na vida política brasileira. Sem nunca ter adotado a nacionalidade do país, ao abrigo da Convenção de Igualdade, fez historia como a primeira mulher eleita deputada, em dois sucessivos mandatos, à Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo.
Nascida e criada no centro da cidade do Porto, onde, no Liceu Carolina Michaelis se iniciara na artes cénicas, em autos de Gil Vicente, emigrou com a mãe aos de. Duas mulheres sozinhas, a mãe com a vontade de melhorar a vida, a filha cheia de sonhos que haveria de cumprir, grandiosamente. Nas suas próprias palavras: "quando embarquei para o Brasil, no Serpa Pinto, com a minha mãe, levava também a certeza de um destino, pois soube que tudo o que sucedeu na minha vida, mesmo antes do meu nascimento, estava moldado por uma força universal, cósmica, transcendente".
No colégio paulista, logo se destaca e ganha o prémio de "raínha", pelo seu carater expansivo e talento para representar. Aos 18 anos, troca o estudo pelo trabalho, e, com apoios da comunidade portuguesa, cria a sua própria revista, "Ala Arriba". Como jornalista amadora, lança-se numa campanha pela presença portuguesa em Goa e percorre o mundo, ombreando com os melhores correspondentes de imprensa internacional, entrevistando uma lista de celebridades, como Foster Dulles e Christian Pinaud, Bulganin e Krushev, o Principe Norodan Sihanouk, o presidente das Filipinas, os primeiros-ministros da Turquia e da Tailândia, o mítico Nasser (a única a ter esse privilégio, no meio de quinhentos jornalistas presentes no Cairo), os governadores de Macau e da Índia e até Salazar. Os seus exclusivos são disputados por revistas como a "Life" e por grandes jornais de S, Paulo e Lisboa. Com pouco mais de vinte anos, torna-se produtora teatral, depois como atriz. Constrói um teatro com o seu nome, em São Paulo, faz sensação com a fundação, em 1963, do Teatro Nacional Popular, que leva ao povo das periferias do Estado, a muitos milhares de pessoas, espetáculos de qualidade (Martins Pera, Suassuna...), Durante a ditadura, o seu teatro é um palco de luta pela liberdade de expressão, Sucediamm-se as ameaças, os interrogatórios e prisões, os ataques de comandos para-militares, a violência sobre os próprios atores, mas Ruth Escobar tudo afrontava com a sua coragem de guerreira.
Em Lisboa, conhece as três Marias, e por sua influência descobre a atualidade do feminismo, uma metamorfose que contribuirá para a conduzir aos hemiciclos da intervenção parlamentar, a ser a primeira presidente do "Conselho Nacional dos Direitos das Mulheres" e, durante muitos anos, a representante do Brasil nas Nações Unidas para o acompanhamento da Convenção contra a discriminação das Mulheres. No mundo do teatro, organiza, a partir de 1974, os primeiros Festivais Internacionais de Teatro., reconhecidos como a força renovadora do panorama da arte dramática brasileira. Nos anos noventa, deixa a política, mas não a intervenção cívica, e regressa aos palcos, como atriz e empresária . A sua herança teatral, enraizada no Gil Vicente da juventude, e no vanguardismo em que projetou o seu génio e a sua energia, ao longo de décadas, mudou a face do moderno teatro brasileiro . Ruth recebeu, em vida, as mais altas condecorações brasileiras. a Legião de Honra da França,e, por fim, até a Ordem do Infante Dom Henrique.
Esta ilustre cidadã luso.brasileira, tão famosa no Brasil, não é, ainda, e queremos contribuir para que seja, conhecida e homenageada na sua terra de origem
quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018
COMEMORAÇÕES DO DIA DA COMUNIDADE LUSO-BRASILEIRA. Entrevista de Maria Manuela Aguiar ao jornal "A TERRA MINHOTA a
1 - A ASSOCIAÇÃO MULHERES MIGRANTES VEM PROPOR A COMEMORAÇÃO DO DIA DA COMUNIDADE LUSO BRASILEIRA EM MONÇÃO. PORQUÊ?
Monção é uma escolha perfeita, porque foi de terras do Minho que partiu a maioria dos emigrantes e dos colonizadores do Brasil. Foi a elas que regressaram os chamados "brasileiros de torna viagem", os portugueses mais ou menos enriquecidos, que se converteram em grandes mecenas e em contadores de relatos fascinantes de um Mundo Novo, o que levava a que cada vez mais conterrâneos os imitassem, atravessando o mar, em busca de fortuna. Nem todos a alcançaram, mas quase todos, de algum modo, trouxeram bem-estar às suas famílias, progresso às suas regiões e ao país, ao mesmo tempo que criavam um outro país, imenso. Muito deve o Brasil a um número incontável de monçanenses e, através deles, muito deve Monção ao Brasil. É disso que vamos falar no Colóquio, na data simbólica da sua descoberta pela expedição de Pedro Álvares Cabral. Desde 1967, por uma iniciativa legislativa do senador brasileiro Vasconcelos Torres, o 22 de abril está oficializada como "Dia da Comunidade Luso Brasileira". Nos termos da lei, cabe aos Governos organizar as comemorações, mas, na prática, tem sido a "sociedade civil" a fazê-lo, de norte a sul do Brasil - sociedade civil ou, mais precisamente, o poderoso movimento associativo da emigração portuguesa, muitas vezes em parceria com municípios, como o de São Paulo e de Santos ou com as autoridades de cada Estado. Este ano, por exemplo, o Governador do Rio Grande do Sul instituiu não só um dia mas uma semana de festejos, em honra da "Comunidade". Em Portugal, a data tem andado quase completamente esquecida. Julgo que Monção será, em 2018, a nossa única Câmara Municipal a celebrar condignamente, a efeméride. Acho importante destacar este facto e tudo faremos, a Drª Arcelina Santiago, ilustre e ativa monçanense, e eu para que tenha o merecido eco junto na nossa Diáspora.
2 - É CURIOSO QUE ESTE PROJETO SEJA PRIORITÁRIO PARA UMA ASSOCIAÇÃO DE MULHERES....
Para nós, faz sentido um grande empenhamento no projeto, porque somos uma associação, formada por mulheres e homens que se preocupam, essencialmente, com questões de emigração, de cidadania e de igualdade - igualdade de género, não discriminação de minorias étnicas e de estrangeiros - , nos vários aspetos em que as consideramos, tais como a defesa do interculturalismo e da aproximação dos povos através dos mais fortes laços que unem os Estados, e que são os laços humanos, aprofundados pela partilha de vidas e experiências, pela convivência e amizade. Vemos como exemplo admirável desta união pela convivialidade a história do Brasil, uma história que nasce das migrações portuguesas, e com elas se continua, antes e sobretudo depois da independência do país. Ao longo de séculos, para lá que se dirigiu um êxodo sem fim de portugueses, e, crescentemente, desde fins do de oitocentos, de mulheres portuguesas. Com elas e com eles, se construiu a nação onde mais se expandiu a lusofonia, num espaço cem vezes maior do que o nosso território! É uma aventura fantástica do nosso passado, que devia ser aprendida, aprofundadamente, no programa das escolas, na disciplina da história de Portugal. Neste colóquio chamaremos a atenção para isso e para o futuro que poderemos dar a essa aventura, bem viva na comunidade luso-brasileira, na língua comum, nas afinidades culturais, no genuíno afeto dos dois povos. Um afeto que se revela tanto mais quanto melhor se conhecem!.
No colóquio de 20 de abril, convidamos à reflexão sobre as formas de potenciar o conhecimento mútuo, num tempo em que há, felizmente, recomeço de partidas para o Brasil, a par do fenómeno inédito de uma imigração significativa de brasileiros entre nós. O título do colóquio expressa exatamente a vontade que nos anima de explorar e de divulgar as variadas facetas do mundo luso-brasileiro, através da partilha de saberes e de memórias, dos resultados de investigações científicas, de pesquisas jornalísticas, de vivências pessoais, de recordações familiares. Penso, por exemplo, em cartas, objetos, fotografias, relatos orais... É uma tarefa inadiável e infindável! Todas as terras deveriam seguir o exemplo de Monção, e iniciar a recolha sistemática de material documental e iconográfico relativo à sua Diáspora. Em alguns casos, esse esforço pode constituir um primeiro passo para a organização de um museu da emigração local e, em qualquer caso, será uma valiosa contribuição para o museu de âmbito nacional, de que tanto se tem falado e que há-de arrancar um dia...
Muito me regozijo por constatar a recetividade com que a ideia está a ser trabalhada, aqui, pela Autarquia, pelas instituições, pelo jornal Terra Minhota, e também pelo Governo, pelo Secretário de Estado Mestre José Luís Carneiro, com cuja presença contamos nesse dia.
É um esplêndido projeto de recuperação e salvaguarda de memórias, assim aberto a todos, a académicos, a políticos e diplomatas, a técnicos de emigração, a professores e alunos, a antigos emigrantes, a quaisquer cidadãos interessados numa jornada que será uma espécie de nova "viagem de descoberta" do Brasil.
3 - A PENSAR MAIS NA DESCOBERTA DE CABRAL OU NA ATUALIDADE?
Sim, como disse, a escolha da data tem o seu valor simbólico, contudo o colóquio quer ir além da evocação dos feitos e acontecimentos de há quinhentos anos. Procura resultados práticos no relacionamento não só entre os Estados, mas entre gente concreta, procura mobilizar para a ação.. Acreditamos na possibilidade de dinamizar a fraternidade na comunidade transnacional de que somos parte, de despertar o sentimento de pertença, também deste lado do Atlântico. O ambiciosos objetivo é menos difícil se começarmos pelas terras de "tradição brasileira", como são as do Minho!. Para isso, contará muito o diálogo entre as gerações, a procura das raízes pelos mais novos. Não são só os brasileiros que precisam de saber mais sobre o seu passado português. Nós, de igual modo, temos de ir desvendando o nosso passado brasileiro - os nossos antepassados, os parentes que por lá andaram ou por lá ficaram, alguns dos quais já só vivem na recordação dos mais velhos e são um precioso legado para os gerações atuais ou vindouras. O projeto "ateilers de memória", que o "Terra Minhota" tão bem noticiou, é um dos meios de aprofundar a tomada de consciência da existência desta Comunidade, que, enquanto realidade sociológica se deve a um vai-vem migratório multissecular, embora seja recente (de meados do século XX), enquanto estrutura jurídica, que veio instituir a "cidadania luso-brasileira". O estatuto de cidadania luso-brasileira não foi uma proposta do governo português, foi uma reivindicação natural dos nossos emigrantes (nessa época, mais de um milhão!), aceite, espontaneamente, sem controvérsias, pelos políticos brasileiros.
Na sua primeira formulação, no "Tratado de Amizade e Consulta" de 1953, assinado no Rio de Janeiro, o estatuto incluía uma ampla liberdade de circulação, de residência, de estabelecimento para os nacionais de um país no outro e a concessão dos direitos da nacionalidade, que não fossem incompatíveis com as respetivas Constituições. Em 1969, uma emenda à Constituição brasileira veio reconhecer explicitamente aos portugueses direitos civis e políticos a nível local, estadual e federal, incluindo o sufrágio nas eleições legislativas. Portugal soube, então, dar a reciprocidade de tratamento aos brasileiros e, em 1971, foi celebrado por ambas as partes a "Convenção de Igualdade de Direitos e Deveres entre Portugueses e Brasileiros", consagrando, nomeadamente, o acesso à magistratura judicial e o direito de voto num órgão de soberania, o parlamento. Se compararmos este estatuto de direitos com o da "cidadania europeia" constatamos que já na década de 70 conseguimos ir muito mais longe do que ainda agora vai a União Europeia (onde a participação política continua limitada ao nível autárquico...).
Em 1988, o Brasil tomou de novo a dianteira e, na revisão constitucional desse ano, alargou o estatuto de direitos políticos, equiparando plenamente os portugueses aos brasileiros naturalizados, sob condição de reciprocidade - isto é, com direito de voto em todas as eleições, a possibilidade de serem deputados, membros do governo federal ou juízes dos tribunais superiores. Portugal levou treze longos anos e três processos de revisão constitucional, até dar reciprocidade de direitos políticos aos brasileiros, o que só veio a acontecer. em outubro de 2001.
Não há, no nosso tempo, no mundo inteiro, comunidade que consagre estatuto semelhante - o que é muito revelador da fraternidade real, que sobra entre brasileiros e portugueses e falta, ao menos em grau e intensidade, entre europeus, na União Europeia.
4 - A EMIGRAÇÃO FEMININA VAI ESTAR EM FOCO?
Obviamente, sim!. Temos a preocupação constante de a retirar do esquecimento em que ficavam, desde sempre e até à atualidade, as mulheres migrantes, mas na perspetiva de um movimento global das migrações, reunindo mulheres e homens que se preocupam com os problemas da persistente desigualdade entre os sexos neste domínio, onde as discriminações assumem, com frequência, caraterísticas especiais, tanto na integração na sociedade estrangeira, como no meio português. Este tende a ser muito conservador, pondo, em regra, mais obstáculos à plena participação das mulheres do que a sociedade de acolhimento, onde as mulheres se integram mais depressa e melhor, levando com elas a família inteira para novos patamares de prosperidade. Foi uma Mulher do norte, a Professora Engrácia Leandro, da Universidade do Minho, a primeira a mostrar, numa brilhante tese de doutoramento, esta surpreendente realidade. O seu estudo centrou-se apenas na região de Paris. mas a situação no resto da França é semelhante, e até também o é em outros países, onde as emigrantes acederam à autonomia económica pelo trabalho remunerado e pela aprendizagem da língua e dos costumes, normalmente mais depressa do que os maridos, pelo facto de trabalharem no setor dos serviços, em contacto diário com os naturais desses países.
No Brasil não se põe o problema da língua e há especificidades, também, na forma de inserção. Na emigração tradicional, que ascendeu às classes média ou média/ alta, as mulheres são, em regra, "donas de casa" e praticamente invisíveis na direção das grandes associações portuguesas. Tudo como dantes!.. . Não assim entre as mais jovens. que se afirmam nas mais prestigiadas profissões e carreiras, e participam em atividades cívicas ou políticas..Não sendo embora tema central do colóquio, falaremos de portuguesas que foram, no Brasil, exceções à regra, no século passado, caso da grande escritora feminista Maria Archer e de Ruth Escobar, uma portuguesa do Porto que, para além de ter sido uma grande atriz e empresário de teatro vanguardista, foi a primeira mulher eleita na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo - e ao abrigo da Convenção da Igualdade, pois nunca se naturalizou brasileira.
5 - DIZ-SE QUE, EM QUALQUER EVENTO, O SUCESSO SE MEDE NO DIA SEGUINTE... O QUE ESPERA DESTE COLÓQUIO, COMO RESULTADO CONCRETO?
Espero, sobretudo, que os participantes do colóquio vivam no futuro este espírito de descoberta contínua do Outro, sendo o Outro, neste caso, a grande potência cultural, linguística e económica, que é o Brasil. Espero que todos se sintam mais orgulhosos de Portugal e mais brasileiros, como eu me sinto desde uma primeira visita ao Rio de Janeiro, para as comemorações do 22 de abril de 1980. Em síntese, a mensagem é esta: somos todos luso.brasileiros!.
terça-feira, 9 de janeiro de 2018
V CONGRESSO DA RUTIS
(As "universidades seniores")
1 - Realizou-se, há poucos dias, no Porto, um Congresso Científico e um Encontro Mundial de Universidades Seniores, promovidos pela RUTIS - a rede que procura abarcar boa parte das chamadas "universidades seniores", que um movimento de cidadãos vem criando, em Portugal, desde as últimas décadas do século XX.
A convite da Universidade Senior de Espinho (USE), tive a sorte de poder participar nestas importantes reuniões internacionais, juntamente com a sua Presidente Drª Glória Rocha e o Sr Van Zeller.
Sou admiradora declarada do paradigma institucional a que, nas últimas décadas, deram e dão vida muitas centenas de iniciativas locais, inspiradas umas nas outras, de norte a sul do continente e nas ilhas atlânticas - entre as quais se distingue a que tenho acompanhado mais de perto, a USE. Esta era, pois, uma oportunidade única para alargar os horizontes do conhecimento sobre tal domínio - o vibrante mundo novo dos mais velhos, unidos e reunidos para voltarem "ao ativo"- olhando-o numa perspetiva comparatista.
Participaram nos trabalhos investigadores, políticos, deputados, autarcas, dirigentes associativos de vários países e continentes, sobretudo da Europa, ocidental e de leste, das Américas, e também da África, com uma presença muito significativa do Brasil e da Galiza, que nos são tão próximos cultural e afetivamente.
A maior parte dos académicos levaram, todavia, o debate para outras configurações deste fenómeno - não as que são comuns num sem número das nossas cidades, vilas e aldeias, mas as que se centram nas próprias universidades públicas ou privadas, em cursos de frequência universitária intergeracional, ou de extensão à comunidade, com ou sem a possibilidade de passar exames (sempre facultativos), e de atribuir, ou não, diplomas oficiais. É uma vertente que se acrescenta e completa a mais corrente entre nós, a de um puro associativismo de base etária, popular e cidadã, e vem privilegiar a perspetiva de "intergeracionalidade" que é aquela em que se colocam as chamadas "age friendly universities" (na tradução portuguesa: "universidades amigas de todas as idades"). Algumas atuam já em redes internacionais, como no caso que nos foi apresentado da Universidade de Leeds. Do Brasil nos chegaram, igualmente, nas jornadas do Porto, bons exemplos de universidades abertas aos mais idosos - de Campinas a Goiás - assim como de Espanha, das Universidades de Vigo, Corunha e Salamanca e do Campo Educativo de S. Alberto (Nóia - Galiza). Da Eslováquia, destacou-se a presença da Universidade Técnica de Zvolen. E de Portugal tivemos mostra convincente de uma adesão crescente a esta corrente, com programas inovadores, como os da Universidade do Porto, em especial da Faculdade de Desporto, ou os do Instituto Politécnico de Leiria. E quantos mais não haverá? Foi o que perguntei a uma das investigadoras presentes. Ao que parece o levantamento está ainda largamente por fazer. Um tema excelente para teses de mestrado, sugeri, e a minha interlocutora concordou.
2 - Uma outra questão quis colocar ali, entre tantos e tão excelentes especialistas: a da pertinência da disseminação das academias séniores no contexto da emigração, como instrumento de convívio, de combate à solidão, de integração em sociedades estrangeiras - um objetivo extra a alcançar, para além das demais finalidades a que, nos seus vários moldes, se votam com enorme sucesso. Aí a resposta que obtive (de Nuno Frazão) foi: "Essa é a pergunta que vale um milhão de dólares" . Também acho, dado que não se trata de tarefa fácil... Sei-o por experiência própria, desde que, em 2008, num encontro com mulheres portuguesa em Joanesburgo, a Professora Graça Guedes lançou a ideia da formação de universidades seniores locais, dando o exemplo da USE. A partir de então, a" Associação Mulher Migrante", a que a Professora e eu pertencemos, transformou a ideia em projeto prioritário, procurando impulsiona-lo no vasto círculo da nossa Diáspora.
Na África do Sul, a Liga da Mulher Portuguesa veio a constituir, algumas das primeiras universidades deste tipo em comunidades de emigração (não digo as primeiras, porque suponho que já então existia a da Paróquia de Santa Cruz, em Montreal, com centenas de alunos e numerosas disciplinas). Seguiu-se a Argentina, por obra da Presidente da Associação Mulher Migrante nesse país, Maria Violante Martins e está em fase de estudo uma outra em Toronto. É ainda pouco para a continuada divulgação que temos feito junto de outras comunidades da emigração. A meu ver, o maior dos obstáculos à sua expansão é o desconhecimento das virtualidades do modelo. Os líderes das comunidades parecem não acreditar na capacidade de empenhamento, de assiduidade dos idosos na vivência desta fórmula de associativismo sócio-cultural. O generalizado êxito das academias ou tertúlias seniores no nosso país demonstra (exuberantemente!) o contrário - mas lá longe isso não é evidente. Se pudéssemos convidar alguns desses líderes a vir a Espinho para acompanhar uma semana de trabalho da USE, aqui mesmo fariam a sua "estrada de Damasco"... O mais complicado é mesmo dar o primeiro passo, implantar as primeiras Universidades, depois o seu exemplo promoverá rapidamente um movimento, que tão eficazmente responde a necessidades e anseios de sociedades com uma forte componente de populações envelhecidas, que, todavia, querem envelhecer com mais força anímica e coragem de combater a visão distorcida das suas reais capacidades.
3 - É extraordinário o surgimento, em Portugal, deste associativismo destinado a idosos, e, note-se, em larga medida, fundado e dirigido pelo grupo etário dos "mais de 50", com uma participação maioritária de mulheres. A sua expansão por todo o território, a sua expressão quantitativa e qualitativa coloca-nos na vanguarda, a nível europeu e universal- constatação tanto mais relevante quanto, a nível de políticas públicas, estamos ainda numa retaguarda, entre aqueles Estados que parecem considerar a terceira idade como um pesado fardo e limitam as suas preocupações para com ela à sustentabilidade do sistema pensões ou aos cuidados de saúde, chegando ao extremo de a discriminar no plano económico, cívico e cultural. Veio tarde - mas mais vale tarde do que nunca - por Resolução do Conselho de Ministros de 29 de novembro de 2016, o reconhecimento governamental do papel das universidades seniores, pela forma como têm colmatado a inércia do Estado na defesa dos direitos dos mais velhos à igualdade de oportunidades, à valorização cultural e à participação cívica e política. A Resolução reconhece a RUTIS, justamente, como entidade parceira no desenvolvimento de "políticas de envelhecimento ativo e da economia social".
De facto, a RUTIS enquadra uma boa partes das muitas centenas de instituições deste género existentes atualmente. Ao discursar na sessão da abertura do Congresso do Porto, o seu presidente Dr Luís Jacob traçou um quadro com números deveras impressionantes: 302 afiliados, mais de 46.000 alunos e 5.600 professores, com idades e formação variáveis. Cerca de 75% dos frequentadores das "universidades" são mulheres. A média de idades é de 67 anos, a média de habilitações o 9.º ano de escolaridade, a média de propinas pagas de 10 euros. Entre os docentes, as mulheres são 66%, os doutorados 27% e os licenciados ou bacharéis 58%. Quase todos exercem as funções "pro bono", mas, se fossem remunerados, receberiam, anualmente, na estimativa do Presidente da RUTIS, mais de quatro milhões de euros.
Contudo, a meu ver, a maior riqueza criada, quer nas chamadas "universidades" deste grande movimento social, quer nas Universidades oficiais abertas à inclusão da "terceira idade" é a imposição de uma nova imagem, mais real e positiva da qualidade humana de toda uma geração, de rosto rejuvenescido no processo de relativização do envelhecimento.
Imagem que, no mundo académico, vem sendo validada cientificamente em múltiplos domínios, nomeadamente o do empreendedorismo e da "economia grisalha" ("silver economy"), e, no mundo associativo, é credibilizada pela "mais valia" de uma dinâmica intervenção cultural nas comunidades locais. É o caso da USE, na cidade de Espinho.
terça-feira, 26 de dezembro de 2017
CONGRESSO MUNDIAL DE MULHERES DA DIÁSPORA
Em 2018/2019
O projeto visa reunir num encontro em Portugal mulheres da nossa Diáspora, de vários países e de diferentes áreas académicas e profissionais, individualidades que se impuseram nas Letras e nas ciências, na política, no mundo empresarial, no movimento associativo, no voluntariado, a fim de procederem, em conjunto, a um balanço, quer dos progressos alcançados no campo da igualdade de género e da vivência da cidadania, quer do que falta fazer. Ou seja, do contributo que se sentem capazes, pelo seu próprio exemplo, para o dar visibilidade à comunidade em que se inserem, e para, pela via da comparação de diversos percursos e experiências, pensarem estratégias para a mudança no "status quo", procurando o nivelamento por cima. Espera-se que, da reflexão e debate sobre a história do presente, nasça o impulso de união para dinamizarem a história do futuro. Será, assim, objetivo fundamental o conhecimento de situações concretas, avaliadas pelas próprias mulheres. e, a partir desse conhecimento, o traçar de caminhos para a consecução de mais igualdade, de melhor sociedade e democracia.
Outras finalidades podem vir a enriquecer a iniciativa - por exemplo, a defesa da lusofonia, da língua e da cultura, vertente em que as mulheres se têm distinguido...
A ideia partiu do Secretário de Estado José Luís Carneiro, que aponta para um modo de execução que já deu boas provas no passado - uma parceria com ONG's (lembramos os "Encontros para a Cidadania", presididos pela Drª Maria Barroso, entre 2005 e 2009, uma colaboração entre a Secretaria de Estado das Comunidades, a Associação Mulher Migrante, a Fundação Por Dignitate e outras organizações da sociedade civil).
A "Mulher Migrante - Associação de Estudo, Cooperação e Solidariedade" foi a primeira a aderir ao projeto, que foi apresentado pelo Secretário de Estado José Luís Carneiro e por uma das fundadoras e dirigentes da AMM, Maria Manuela Aguiar, em Viana do Castelo, a 16 de dezembro, durante o II Encontro Mundial de Empresários da Diáspora.
Foi o lugar ideal para fazer o anúncio! Primeiramente, porque Viana é a cidade onde se realizou em junho de 1985 o 1º Encontro Mundial de
A ideia partiu do Secretário de Estado José Luís Carneiro, que aponta para um modo de execução que já deu boas provas no passado - uma parceria com ONG's (lembramos os "Encontros para a Cidadania", presididos pela Drª Maria Barroso, entre 2005 e 2009, uma colaboração entre a Secretaria de Estado das Comunidades, a Associação Mulher Migrante, a Fundação Por Dignitate e outras organizações da sociedade civil).
A "Mulher Migrante - Associação de Estudo, Cooperação e Solidariedade" foi a primeira a aderir ao projeto, que foi apresentado pelo Secretário de Estado José Luís Carneiro e por uma das fundadoras e dirigentes da AMM, Maria Manuela Aguiar, em Viana do Castelo, a 16 de dezembro, durante o II Encontro Mundial de Empresários da Diáspora.
Foi o lugar ideal para fazer o anúncio! Primeiramente, porque Viana é a cidade onde se realizou em junho de 1985 o 1º Encontro Mundial de
quinta-feira, 14 de dezembro de 2017
MESTRE BALBINA MENDES
A 13 de dezembro, no Museu Teixeira Lopes, a Amiga Balbina Mendes, que tantas vezes tem participado nas iniciativas da AEMM, defendeu brilhantemente a sua tese de mestrado e foi aprovada com 18 valores
MUITO IMPORTANTE. ENSINO DA EMIGRAÇÃO NAS ESCOLAS
Resolução da Assembleia da República n.º 267/2017
Recomenda ao Governo a valorização do ensino da história
da emigração portuguesa
A Assembleia da República resolve, nos termos do n.º 5 do
artigo 166.º da Constituição, recomendar ao Governo que:
1 — Reforce a presença nos currículos escolares da
história da emigração portuguesa, de forma integrada e
nas suas várias dimensões.
2 — Apoie o desenvolvimento da investigação sobre a
emigração portuguesa nas instituições de ensino superior
portuguesas e estrangeiras, em particular em países com
presença relevante de comunidades portuguesas.
Aprovada em 27 de outubro de 2017.
O Presidente da Assembleia da República Ferro Rodrigues
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