quarta-feira, 21 de outubro de 2015

RITA GOMES - SORBONNE 2015


Diálogos sobre Cultura, Cidadania e Género

Universidade Sorbonne Nouvelle

Paris, 10 de Setembro de 2015

 

     É uma honra para a «Mulher Migrante – Associação de Estudo, Cooperação e Solidariedade», que aqui represento, como Presidente da sua Direção, ter-nos sido proporcionada a oportunidade de podermos ter esta Sessão de Trabalho, num local histórico, o que fazemos pela 2ª vez – em Junho de 2014 e agora - com um Programa diversificado que nos permite tratar temas, a que, entre outros, nos temos dedicado ao longo dos nossos quase  22 anos de existência, que se completam no próximo dia 8 de Outubro.

     Chegou o momento de saudarmos e agradecermos a participação de todas e de todos os presentes que corresponderam ao nosso convite, para nos acompanharem e/ou   intervirem com as suas altas qualificações nestes Diálogos.

      Dirigimos um especial reconhecimento a Sua Excelência o Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Cesário, que para além da sua honrosa participação neste Colóquio, nos proporcionou o apoio para a realização deste evento, bem como do Concerto “Portugalidade”, a que hoje vamos assistir no Conservatório da Mairie de Puteaux, às 21h00.   Salientamos também o apoio que nos foi concedido para  o Concerto “Portugalidade”, já realizado em 4 de Junho de 2015,  no Luxemburgo, no Teatro Municipal de Esch-sur-Alzette. Com estes Concertos se comemorou o75º  Aniversário do Maestro  António Victorino de Ameida.

     Há naturalmente também que manifestar a nossa gratidão à Profª Doutora Isabelle Oliveira, Vice – Reitora da Universidade Sorbonne Nouvelle, que à semelhança do que sucedeu em 2014, conseguiu este magnífico espaço, bem como o relativo ao Conservatório em Jean – Baptista Lully – Mairie de Puteaux..

     Estamos igualmente muito sensibilizadas/os com a presença e participação do Senhor Cônsul Geral de Portugal em Paris Dr. Paulo Pocinho, do Professor Doutor Loic Depecker , Diretor – Geral para a Língua Francesa e para as Línguas de França no Ministério da Cultura e «Prefigurateur» junto do Primeiro Ministro em Matignon. 

      Foi também muito oportuna a homenagem póstuma, feita à nossa muito querida e estimada Amiga Drª Maria de Jesus Barroso, sobretudo por ter sido feita pela sua grande Amiga de há anos, a Drª Maria Manuela Aguiar que  a conhecia bem, em diversas fases da sua fantástica vida pessoal, profissional  e política.

     E isso, além dos temas que a Drª Manuela Aguiar tratou, neste Encontro, que bem revelam o seu magnífico conhecimento sobre a temática das migrações.

     Há ainda que manifestar o nosso reconhecimento à presença e à intervenção feita pelo Dr. José Arantes, Digº Diretor da RTP África, que há anos nos acompanhou com a sua participação num Encontro, que organizámos, em Lisboa, no Hotel Zurique.

     Agradecemos igualmente a intervenção do Dr. Joaquim Ludovina do Rosário, atual Adido Social junto do Consulado Geral de Portugal em Paris.

     De seguida, evidenciamos o lançamento da Publicação da AEMM relativa a:

    1974 – 2014- 40 Anos de migrações em Liberdade,

aqui apresentada pela Drª Manuela Aguiar sua principal editora, através da qual podem ser conhecidas muitas das atividades de que nos temos ocupado.

     Para melhor se avaliarem as múltiplas e variadas iniciativas que temos vindo a concretizar, ainda que em síntese, referiremos alguns dos temas ligados às Migrações no Feminino, que pela sua complexidade exige a análise de vários problemas específicos, entre os quais destacamos: a igualdade de género e a consequente necessidade de conciliação da vida profissional, familiar e pessoal; a participação cívica, política, social, económica e jurídica; as questões relativas à saúde  física e mental, especialmente na fase inicial da integração nos países de acolhimento, nomeadamente por dificuldades da língua; casos de violência doméstica; problemas referentes à obtenção de  trabalho, muito especialmente  sempre que as qualificações profissionais sejam reduzidas, o que as leva a ter de aceitar trabalho doméstico, e de  apoio  a crianças, jovens e a idosos, nomeadamente, na restauração, na agricultura, em hospitais, entre outros, quantas vezes com menores salários relativamente a homens e a outras trabalhadoras nacionais na sua atividade e no mesmo posto de trabalho.

      A Mulher Migrante tem sido, como se sabe,  das mais atingidas pelas situações decorrentes do tráfico e da exploração sexual.

     Deverá, porém, salientar-se a sua excelente contribuição como transmissora e recetora da cultura.

      São realidades que merecem ser salientadas, tal como a sua permanente contribuição para os Países de Origem e de Acolhimento, designadamente através  da sua preocupação com a constituição de poupanças – tem por vezes duplos trabalhos- nomeadamente para conseguirem melhor educação para os filhos que as acompanham ou que ficam nos Países de Proveniência.

     Agora com a nova fase da emigração e a saída de mais qualificadas/os, esperamos que estas situações sejam em parte melhoradas. Bem merecem!

     Devemos apenas acrescentar que a atividade da nossa Associação tem sido fundamentalmente desenvolvida com base em trabalho voluntário, sobretudo entre Associadas/os e através de Parcerias com Entidades Públicas e Privadas, como sucede no caso presente.

     E a terminar, para melhor esclarecimento, referimos que estas atividades têm sido integradas em Encontros e Reencontros que realizámos em Portugal e nas Comunidades Portuguesas, designadamente junto de Associações e de outras Instituições – Universidades, Clubes, etc), procurando proporcionar uma participação Ativa da Mulher, onde quer que se encontre e facultando-lhes  conhecimentos inovadores com tal finalidade.

    

 

 Lisboa  30 de Agosto de 2015

 

                                                               Rita Gomes

terça-feira, 20 de outubro de 2015

ARCELINA SANTIAGO MONÇÃO 5 de setembro

Monção viveu no sábado , dia 5 de setembro , um momento importante, colocando na agenda do dia, a discussão em torno dos direitos humanos e da igualdade do género. A Associação Mulher Migrante foi a promotora desta iniciativa em parceria com a Casa Museu de Monção , a Câmara Municipal, o Jornal Artes entre as Letras, a Quinta de Santiago em Monção e ainda a EPRAMI.
A inauguração da exposição e colóquio aconteceu na Casa Museu da Universidade do Minho com o tema “Expressões de cidadania no feminino” . Seis mulheres, pintoras e escultoras apresentaram-se juntamente com o monçanense Ricardo de Campos, dando o seu contributo de cidadania através da arte. Outras vertentes estiveram em debate.
Nassalete Miranda , foi a moderadora deste colóquio. Directora de O Primeiro de Janeiro de 2000 a Julho 2008 e criadora do jornal quinzenal “ As Artes entre As Letras” em Maio de 2009. O Jornal recebeu em 2011 a qualificação dada pelo governo português de "publicação de interesse cultural e literário para o país e mundo lusófono". Em Julho deste ano Nassalete Miranda (que tem raízes paternas em Monção), recebeu a Medalha de Mérito Cultural, Grau Ouro, da Cidade do Porto, graças à sua intervenção em prol da cultura.
A primeira intervenção foi a do senhor vereador , Dr. Paulo Esteves, que esteve em representação do senhor Presidente da Câmara e de D. Arturo de Salvaterra do Mino. A sua intervenção foi orientada para o projecto que a edilidade abraçou sobre “ igualdade de género” tendo aí focado a sua preocupação, até por ser a sua área de intervenção profissional. Admitiu haver muito a fazer mas "pequenos passos podem ser significativos para um melhor futuro nesta área".
Seguiu-se a intervenção da Professora Dra Luísa Malato, professora catedrática da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, trazendo para a ribalta uma mulher - Catarina de Lencastre - autora de muitos géneros literários, líricos e dramáticos, esquecida no cânone historiográfico português. Várias questões foram lançadas em jeito de reflexão, com recurso a exemplos histórico-literários, onde as mulheres do século XVIII foram apresentadas como mulheres impulsionadoras de mudanças, mas que o século seguinte as fez recolocar no seu papel tradicional.
O tema das mulheres da diáspora, ficou a cargo da Dra Manuela Aguiar , especialista nesta área, pois foi Secretária de Estado das Comunidades Portuguesas e teve outros cargos políticos importantes. É Presidente da Assembleia Geral da Associação Mulher Migrante. Apresentou as características da emigração portuguesa, dominada pela partida de homens “sós” aquilo que se pode referir como a primeira política de género , com a proibição da migrações no feminino, absolutamente discriminatória. As migrações maciças no feminino foram um fenómeno fortemente combatido, que cresceu, sem cessar a partir de novecentos, nas correntes intercontinentais, e atingiu a quase paridade a partir de meados do século XX, com o êxodo imparável de famílias inteiras para a Europa e, em menor escala, para outros destinos transoceânicos. Apelou ao estudo do papel central da Mulher nas novas diásporas, não suficientemente estudado e reconhecido. Há, como referiu “uma anacrónica invisibilidade a dominar a verdade e o significado da emigração e da Diáspora feminina”.
O Professor Dr Viriato Capela, director da Casa Museu e Professor catedrático do Departamento de História da Universidade do Minho, referiu, tendo em conta a musa inspiradora desde coloquio e exposição, Deu- la- Deu Martins, duas figuras de Nacion – Rosalia de Castro e Maria da Fonte. Trazer a este encontro a memória e obra de Rosalia de Castro, com biografia organizada e com ampla divulgação, face ao seu distinto papel na construção da moderna língua galega, em contraste com Maria da Fonte, onde pouco ou quase nada se sabe ao certo, foi um desafio, uma forma de provocar a reflexão. Apresenta-se a mulher das letras e da cultura contrastando com a mulher guerreira, mas o que as une é, sem dúvida, a luta e a promoção da liberdade e autonomia do seu povo.
Fazendo a ligação entre os temas abordados - história, diáspora, arte e literatura , Arcelina Santiago , comissária da Exposição, homenageou Ana Harthely por reunir todas estas dimensões. Seguidamente, abordou a perspectiva da arte, fazendo a ponte para a exposição. A arte como meio aglutinador de culturas, de saberes e sentires e de reforço das relações humanas foi posta em destaque. Sobre a riqueza da multiculturalidade, a arte no feminino, bem como partilha de outros temas relacionado com as mulheres, foi mote para lançar um desafio cultural, aproveitando-se a presença dos responsáveis políticos do projeto "euro cidade" Monção /Salvaterra do Mino"
. Depois, descreveu a trajetória das mulheres na sua árdua conquista pela liberdade e referiu-se ao papel das mulheres das artes , lutadoras através do acto criativo, construindo imagens pictóricas e metafóricas que invadem o imaginário e que nos fazem sonhar bem alto. Com esta primeira mostra em Monção, de uma manifestação artística, pintura e escultura contemporânea no feminino, pretendeu-se promover o debate de ideias em torno da expressão de cidadania no feminino, que não se esgota na arte, mas que tem nela um ponto alto da expressão. Luísa Prior, Filomena Fonseca, Maria André , Teresa Heitor, Lena Álvares e Filomena Bilber são as artistas desta coletiva, membros da Associação, mulheres criativas que expressam a sua cidadania ativa, defensora de causas e curiosamente, todas elas representadas na Bienal
de Gaia. O mesmo acontece com Ricardo de Campos, artista monçanense, simbolicamente representando a ideia de que a luta pelos direitos humanos é feita por homens e mulheres.

COLÓQUIO UNIVERSIDADE ABERTA 21 de maio PROGRAMA


Colóquio

 Migrações e Género. Novas Perspetivas de Intervenção

Universidade Aberta - Palácio Ceia

Rua da Escola Politécnica nº 147 - Lisboa

21 de Maio de 2015

 

 

15h00 – Abertura dos Trabalhos

 

Profª Drª Rosa Sequeira – Coordenadora do Centro de Estudos das Migrações e das Relações Interculturais (CEMRI), Universidade Aberta

Profª Drª Ana Paula Beja Horta, CEMRI, Universidade Aberta

Drª Maria Manuela Aguiar, Presidente da Assembleia Geral da Associação de Estudo, Cooperação e Solidariedade – Mulher Migrante (AEMM)

Drª Rita Gomes, Presidente da Direção da Associação de Estudo, Cooperação e Solidariedade – Mulher Migrante (AEMM)

 

15H35 – Homenagem Póstuma ao Dr. Carlos Pereira Correia

16h30 – Lançamento da Publicação da AEMM: 1974 – 2014 - 40 Anos de

                Migrações em Liberdade

 

Drª Maria Manuela Aguiar, Presidente da Assembleia Geral da AEMM

 

17h00 – 17h30 - Temas em Análise e Debate

Tema I. Revisão da Lei do Conselho das Comunidades Portuguesas e perspetivas de participação das mulheres

Dr. Victor Gil , Ex-diretor do Gabinete de Ligação ao Conselho das Comunidades Portuguesas

Moderador: Dr. Bento Coelho  - Ex- dirigente da Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas

17h30-17h45 - Debate

 

 

17h45 – 18h30

Tema II. Desenvolvimento e Género

Profª Drª Sónia Frias, ISCSP, Universidade de Lisboa, Investigadora do CEsA, ISEG, Universidade de Lisboa e Investigadora do CEMRI, Universidade Aberta.

Profª Drª Joana Miranda, Universidade Aberta, Investigadora  responsável pelo Grupo de Investigação – Estudos sobre as Mulheres, CEMRI, Universidade Aberta

 

Moderadora: Profª Drª  Ana Paula Beja Horta, Investigadora do CEMRI, Universidade Aberta.

 

18h30 – 19h00 - Debate final

 

Encerramento

RITA GOMES na Universidade Aberta


 

Colóquio

Migrações e Género. Novas Perspetivas de Intervenção

Universidade Aberta

Colóquio de 21 de Maio de 2015

 

                   SAUDAÇÕES

 

      Na qualidade de Presidente da Direção da «Mulher Migrante- Associação de Estudo, Cooperação e Solidariedade», apresentamos as nossas cordiais saudações a todas e a todos que se dignaram acompanhar-nos nesta Iniciativa, com a sua presença ou  participação e/ou intervenção.

      Especiais cumprimentos ao Senhor Deputado Dr. Carlos Gonçalves (do Círculo da Emigração da Europa); ao Senhor Embaixador Dr. Cristina de Barros e  ao ex - Deputado D. Carlos Luís

      Um Abraço com muita amizade à Família do Senhor Dr. Carlos Pereira Correia e a todas e todos  os seus Colegas e Amigos que aqui se encontram.

      Um grato reconhecimento dirigimos também ao CEMRI – Universidade Aberta - por ter permitido a realização deste Colóquio no Salão Nobre, do excelente Espaço Universitário em que nos encontramos.

      Apresentamos ainda à Senhora Profª Drª Rosa Sequeira, digníssima Coordenadora do CEMRI – UAB, os nossos cordiais cumprimentos, com  a maior gratidão pelo excelente apoio proporcionado.

      É igualmente de salientar,  a forma como a UAB se dignou acolher o nosso pedido, sendo também de enaltecer o magnífico acompanhamento que nos foi proporcionado para  esta realização  pela Profª Drª Ana Paula Beja Horta que colaborou connosco nas mais diversas fases deste processo, como de resto tem sido seu hábito noutros programas em que conjuntamente já  temos trabalhado..

      Cabe-nos ainda salientar que a nossa gratidão e reconhecimento se vem processando desde  há alguns anos.

      Esta Parceria tem-se reafirmado, ano após ano e abrange, por vezes Iniciativas que se realizam em Portugal  e/ou no Estrangeiro, junto das Comunidades Portuguesas e sempre em regime de voluntariado.

     Apresentamos seguidamente o nosso maior reconhecimento aos especialistas e investigadores que se dignaram proporcionar-nos, com o melhor espírito de cooperação e solidariedade a apresentação das matérias que constam do Programa, como sucede nos seguintes casos:

Homenagem Póstuma ao Dr. Carlos Pereira Correia

   à Sua Exmª Família,

   Ao Deputado Dr. Carlos Gonçalves;

   Ao ex-Deputado Dr. Carlos Luis;

   Ao Senhor Embaixador Luis Cristina de Barros;

   Ao Senhor Samuel Félix ;

   Ao Pe Victor Melícias, pela sua Mensagem – por se encontrar ausente do País;

   Ao Prof. Doutor Jorge Arroteia pela Mensagem “In Memorium”

   Aos Colegas e Amigos que aqui se encontram e a outras/outros

 

quereriam aqui estar, mas não puderam.

     Há também que prestar um enorme reconhecimento ao Dr. Jorge Oliveira, Chefe da Delegação da Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas, no Porto, que, por razões de trabalho não pôde estar presente, mas que nos facultou um excelente documento apresentado pelo Dr. Carlos Correia num Seminário

Fluxos Migratórios: Novas Tendências”, Iniciativa de S. Exª o Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Cesário -Direção Geral dos Assuntos Consulares e Comunidades Portuguesas e Universidade Lusófona do Porto – Dia 7 de Dezembro de 2011.

Lançamento da Publicação da AEMM – “1974- 2014

– 40 Anos de Migrações em Liberdade”

     Drª Manuela Aguiar

       Outros Temas em Análise. Debate

   Tema I – Revisão da Lei do Conselho das Comunidades Portu-

                    guesas e perspetivas de participação das mulheres

     Dr. Victor Gil

     Moderador: Dr  Adelino de Sá Bento Coelho

   Tema II – Desenvolvimento e Género  *

     Profª Drª Sónia Frias

     Profª Drª Joana Miranda

     Moderadora: Profª DrªAna Paula Beja Horta   

·       Estamos a celebrar em 2015 o Ano Europeu para o Desenvolvimento, lembramos ao terminar  estas palavras   sobre o lema para este Ano:

“o nosso mundo, a nossa dignidade  o nosso futuro” e “Informar os cidadãos”.

Aqui, estamos também com esses Objetivos, procurando aumentar, o envolvimento dos nossos cidadãos e das nossas cidadãs nas áreas mais diversas da cultura, dos problemas sociais, económicos e políticos, utilizando tertúlias,  colóquios, workshops e outros, nomeadamente, em parcerias e/ou a título individual.
   Ainda em Homenagem ao nosso Colega e grande Amigo Dr. Carlos Correia, fizemos um minuto de silêncio


 Rita Gomes

 

        Lisboa, 21 de Maio de 2015

domingo, 18 de outubro de 2015

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“A vida nacional gira à volta de uma chávena”
(Ernesto Belo Redondo, jornalista português)
O que é uma tertúlia?
A tertúlia é na sua essência uma reunião de amigos, familiares ou simplesmente frequentadores de um local, que se reúnem de forma mais ou menos regular, para discutir vários temas e assuntos da sociedade e/ou da atualidade.
Contudo, e como o jornalista português Belo Redondo disse, “a vida nacional gira à volta de uma chávena”, numa referência inequívoca da importância das tertúlias em Portugal, as tertúlias foram “importadas” para Portugal de Paris (França), onde surgiram e se espalharam pelo mundo, associadas aos cafés. Cada café tinha uma ou mais tertúlias sobre temas diferentes. Paralelamente, os seus integrantes identificavam-se como pertencendo à tertúlia A ou B, numa clara divisão das águas entre correntes de pensamento diferentes.
Historicamente em Portugal o Chiado, dado o grande número de cafés aí existentes, assumiu a liderança em número de tertúlias: A Brasileira, o Nicola e outros receberam tertúlias com participantes tão influentes como Bocage, Alexandre Herculano, António Feliciano de Castilho, Almada Negreiros, Eduardo Viana, António Botto, Fernando Pessoa, Mário de Sá Carneiro ou Stuart Carvalhais entre outros.
No Porto o Majestic, A Brasileira e o Guarany, eram os locais por excelência onde se reuniam intelectuais, artistas e políticos.
Coimbra, Faro, na realidade qualquer cidade ou vila de Portugal, tinham nos seus cafés tertúlias, onde se discutia tanto a política nacional ou internacional, o futebol ou o mais recente mexerico da terra.
Foram em torno destas tertúlias de café que a política e as artes portuguesas do século XIX e primeira metade do século XX se desenvolveram, pelo cruzar de opiniões, troca de ideias, apresentação e discussão de ideias e livros novos, etc.
Com o advento do Estado Novo as tertúlias tornam-se o último reduto da discussão livre da censura, mas que com o tempo são cada vez mais espiadas pela PIDE. Um exemplo disto foi o Grupo do Café Gelo.
Paralelamente, a melhoria das comunicações, nomeadamente com o advento da televisão, e o aparecimento de outros espaços, levaram ao desaparecimento gradual das tertúlias.
A associação nacional “Mulher Migrante” Luso-Venezuelana pretende organizar tertúlias no seu espirito primário só para mulheres portuguesas e luso-descendentes.
Milú de Almeida
548
Presidente da associação nacional “Mulher Migrante” Luso-Venezuelana
Conselheira das Comunidades Portuguesas eleita por Venezuela

terça-feira, 29 de setembro de 2015

GONÇALO NUNO PRESTRELO SANTOS sobre MARIA BARROSO


MARIA DE JESUS SIMÕES BARROSO SOARES

Todos os portugueses saberão tudo sobre Maria de Jesus Simões Barroso Soares. Sobre a mulher, a esposa, a atriz, a ativista, a professora, a lutadora pela cidadania e pela igualdade entre homens e mulheres. A Senhora das grandes causas ou, sobre a “outra metade” de Mário Soares e eu francamente nada mais sei que os meus compatriotas, sobretudo dos que mais a estimam.

Foi graças à Manuela Aguiar que organizou o Encontro Mundial de Mulheres Migrantes, na cidade de Espinho, em Março de 1995, que me levou a conhecer a Doutora Maria Barroso. Encontrei-A, nesta e em tantas outras ocasiões, mas Ela nunca me reconhecia a não ser que eu falasse; -já me lembro, o senhor é da Madeira, olhe que a sua Terra é muito bonita, já lá estive com o Mário.

A primeira vez também foi assim. O Mário estava em todas as frases, em todas as vírgulas em todos os pensamentos. Eu gostava de ter uma mulher que falasse de mim em todos os momentos. Uma mulher que tirasse as vírgulas das frases e as substituísse pelo meu nome. Uma mulher que visse em todos os homens a minha cara e que mesmo assim fosse tão independente e livre como Ela era.

 No tal jantar, na primeira vez que nos encontramos, ficamos um ao lado do outro. Os nomes de chefes de estado, de presidentes, de viagens e de lugares surgiam a uma velocidade que ultrapassava o sonho e nenhum sonho de nenhum mortal poderia ser tão completo. Fiquei quieto. Às tantas fez-me uma pergunta que eu não percebi. Pelo que e muito bem, deu a resposta e desatamos a rir. Sorria inclinando-se ligeiramente para a frente para que ninguém percebesse. Falava amiúde de nobres causas mas notava-se que das suas palavras saiam ações. Militante da liberdade, admiradora da Humanidade e da Obra sublime da Criação entendia que o Seu dever para com todos ultrapassava de longe a sua própria e frágil forma física. Não julguei nunca que necessitasse de reconhecimento. Bastava-lhe o Povo português, a sua família e, claro está o Mário.

 

Tiramos uma foto, a Manuela a falar, a Rita Gomes a olhar para mim, a Maria Beatriz muito séria, a Doutora Maria de Jesus Barroso e eu, olhando um para o outro, rindo de nós próprios, não me lembro porquê. Guardo esta foto no meu “ wall of fame”, onde estão outras individualidades que a vida me levou a conhecer.

Das outras vezes que falamos recordo sempre o carinho, a simpatia mas sobretudo a determinação de Maria Barroso e o seu empenho em executar algo de extraordinário. Tratava-se de uma Figura de Estado ímpar que incorporava em si o que de melhor a Pátria tem para oferecer, de uma dimensão que ultrapassava o comum dos mortais. Sempre que  podia, sentava-me ao seu lado, mesmo que não me reconhecesse, mesmo que fosse para dizer nada.

Aqui têm o meu motivo. Falo pois e tenho legitimidade de falar, de quem vive comigo na minha casa, na casa dos meus sonhos, não tenho outros amigos senão os que vivem em mim e admiro, pois é graças a eles que encontro o meu caminho e a minha responsabilidade de servir o coletivo, Maria Barroso foi um grande exemplo para muitos de nós.

Paz à Sua Alma

Gonçalo Nuno Mendonça Perestrelo dos Santos

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

MULHERES MIGRANTES no Conselho das Comunidades Portuguesas
MARIA VIOLANTE MARTINS, presidente da Associação das Mulher Migrantes Portuguesas da Argentina, MILÚ DE ALMEIDA e FÁTIMA PONTES, Presidente e Vice-presidente da Associação da Mulher Migrante da Venezuela, concorreram às eleições para o CCP, neste mês de setembro de 2015, como cabeças de lista e venceram. Entraram no Conselho pelo voto das suas comunidades e entraram também na história desta instituição e na do movimento associativo, que lhe dá força identitária e personalidades com um saber de experiência feito em terra estrangeira..
Chegam as três de um associativismo feminino, que, pela primeira vez, na nossa Diáspora ultrapassa as fronteiras de uma região ou de um país, e inclui nos seus principais objetivos a igualdade de participação cívica e política das mulheres. Pela primeira vez, vimos as suas dirigentes a tomar a iniciativa de constituir listas para o CCP - listas abertas, paritárias - a fim de assumirem a defesa dos intereses das comunidades a que pertencem e dos seus compatriotas no interior do órgão que os representa face ao governo de Portugal.
O CCP foi inicialmente um universo de homens, que dominavam as intituições das comunidades - sua primordial base de recrutamento, nos termos da lei fundadora. Aliás, ainda hoje, num modelo de eleição por sufrágio universal, a maioria dos seus membros são homens, a que acresce uma minoria de mulheres, quase todas e todos provenientes do viveiro de lideranças e de notoriedade, que é o associativismo.
É certo que, desde o começo do século XX, coexistiam em algumas das então chamadas "colónias" da emigração portuguesa um amplo círculo das organizações masculinas e um pequeno círculo feminino, uma elite pioneira, que, em casos contados, deu vida a empreendimentos de ampla dimensão - por exemplo, as sociedades fraternais da Califórnia. Todavia, as mulheres dirigentes de ONG's, qualquer que fosse o seu poder de facto, nos anos 80, não se sentiram suficientemente motivadas para intervir numa instância consultiva, à qual o Governo reconhecia uma enorme importância, como plataforma para debate de questões prioritárias e definição das grandes linhas das políticas públicas neste setor. A que se deve o alheamento mais ou menos voluntário das mulheres? Não é fácil dar respostas a uma interrogação que, de início, não se colocou, talvez por se considerar - tal era a desproporção da sua presença no todo institucional - uma inevitabilidade. Talvez pelo facto de funcionarem em paralelo, à margem do associativismo-padrão, onde pontificava o outro sexo. Ou - é uma outra hipótese plausível - por terem o seu enfoque matricial em domínios que julgaram fora das prioridades do CPP - a entreajuda entre as próprias associadas, o voluntariado beneficente, o puro bem-fazer, em conformidade com a tradição.
Como sabemos, o movimento feminista de novecentos veio colocar a tónica na defesa dos direitos de cidadania e no acesso à educação e ao trabalho profissional ( sem abandonar a vocação beneficente e humanitário), mas não curou nunca, diretamente, da situação das mulheres migrantes. Estas foram, de facto, insolitamente esquecidas. Marginalização, na altura, tanto mais definitiva quanto nas Diásporas, não surgiu, de uma forma autónoma e espontânea, militância num ativismo norteado pela ideia da igualdade, no campo político e social. O obra visível das portuguesas expatriadas na esfera pública floresceu, como dissemos, sobretudo, em moldes menos reivindicativos, mais consonantes com uma configuração consevadora dos papéis de género.
As primeiras conselheiras do CCP ganharam o lugar nessa magna assembleia de líderes comunitários, não pela dinâmica coletiva (feminina), antes tão só pela vontade de intervenção cívica e pelo prestígio individualmente grangeado entre os seus pares. Não é surpreendente que tenham vindo sobretudo do jornalismo - caso de CUSTÓDIA DOMINGUES, de MARIA ALICE RIBEIRO, desde 1983 e , depois, de MANUELA DA LUZ CHAPLIN, advogada, que mantinha uma colaboração regular e importante na imprensa luso americana..
Creio que MANUELA DA ROSA, fundadora da Liga da Mulher Portuguesa da África do Sul, terá sido a primeira conselheira oriunda de uma estrutura feminina (aliás não "feminista", no sentido revolucionário ou, pelo menos, fortemente reivindicativo, da palavra). Não tendo tido, provavelmente em razão do sexo, acesso a cargos de relevo na hierarquia do Conselho, nem por isso deixou de ter sempre uma voz influente, tal como aquelas cujos nomes acima lembrámos.
A uma conselheira deve o CCP o ficar na história como o improvável, mas autêntico, impulsionador do embrião de políticas atentas às especificidades da situação das migrantes . Foi Maria Alice Ribeiro, quem propôs, em 1984, uma audição governamental de portuguesas da Diáspora, que a SECP levou a cabo logo em 1985. Foi um auspicioso primeiro passo, que se queria continuar, com a formação de uma organização internacional, no plano da sociedade civil, e, a nível das políticas governamentais, através de conferências periódicas na órbita do Conselho - uma forma hábil de inclusão das mulheres na vertente consultiva do Conselho.
A Associação "Mulher Migrante" foi criada, quase uma década depois, em 1993, para reavivar aquela valiosa herança, levando por diante o projeto de ampla cooperação transnacional para uma participação igualitária na vida das comunidades e do país.
O segundo CCP é posterior (1996) e não tem manifestado, até agora, particular propensão para agir no domínio da igualdade de género, apesar de em muitos outros campos ter sido um poderoso e insubstituível instrumento de co -participação nas políticas de emigração, de expansão da língua e da cultura portuguesas, de aprofundamento dos laços com o País de origem e de integração no país de residência.
É a hora de o CCP se preocupar mais com os fenómenos de exclusão não só da metade feminina, como também dos mais idosos e experientes, dos jovens, da nova emigração. Para isso, contamos com a intervenção das Mulheres Migrantes e com os aliados que, com toda a probabilidade, encontrarão no interiror do Conselho.
Apesar de a Associação Mulher Migrante - a que está sedeada em Lisboa, com ramificações pelo mundo - não ter tido qualquer interferência na apresentação das candidaturas ou nas campanhas vitoriosas das suas associadas da Argentina e da Venezuela, vè nelas a comprovação da eficácia de uma estratégia de envolvimento cívico das portuguesas do estrangeiro, desenvolvida, em colaboração com sucessivos governos, sobretudo a partir dos "Encontros para a Cidadania", nas Américas, África e Europa entre 2005 e 2009, continuados com os Encontros mundiais de 2011 e 2013 e outras ações integradas no que podemos chamar "congressismo". Daí que partilhemos o sabor e o significado destas vitórias, com um sentimento de esperança num CCP mais próximo da realidade das comunidades e mais eficaz, porque o equilíbrio de género é, obviamente, uma mais valia. da representação democrática