segunda-feira, 18 de novembro de 2019

GRAÇA GUEDES

MARIA DA GRAÇA RIBEIRO DE SOUSA GUEDES

Nasci em Espinho, na Casa de Saúde, poucos dias depois do início da 2ª Grande Guerra
Mundial. Cresci em Espinho. Vivo em Espinho, na casa onde quase sempre vivi desde o
meu nascimento.
Fiz o ensino primário e o secundário (até ao 5.º ano do liceu) em Espinho, no Colégio
Nossa Senhora da Conceição. Depois o 6º e 7º anos, no Colégio do Sardão, onde
conheci a Drª. Manuela Aguiar e, desde essa data, a nossa amizade existe.
Tive uma infância e adolescência muito felizes, muito acarinhada pelos meus Pais e
irmãos, bem mais velhos do que eu, mas num ambiento de rigor e exigências, não só de
âmbito cultural, mas também civilizacional.
Nesta fase da minha vida, envolvi-me intensamente com atividades culturais: Música
(piano) e Desporto (Natação – aprendi a nadar com 3 anos, praticando diariamente na
Piscina Solário Atlântico em Espinho; Voleibol – fazendo parte da 1ª equipa feminina
do  Sporting Club de Espinho). Nestas modalidades desportivas prossegui num caminho
para a alta competição: Natação, no Sport Algés e Dafundo; no Voleibol, no Sporting
Club de Espinho e depois no Lisboa Ginásio (campeã nacional).
Embora sempre pretendesse fazer a licenciatura em Medicina, e até tivesse feito provas
de admissão na Universidade do Porto, com sucesso, decidi optar pelo Desporto, no
INEF (Cruz Quebrada), onde fiz a Licenciatura em Educação Física (1963). Mais tarde
(1979), rumei a Paris para a realização do Doutoramento em Psicologia na Universidade
René Descartes – Sorbonne (concluido em 1984), com a dissertação intitulada Les
Conduites d´Adaptation Motrice Chez les Enfants Scolarisés de Deux à Trois Ans – les
enfants portugais en France et au Portugal .
E aqui começou toda a minha envolvência com a problemática da emigração. Não só
pelo estudo científico aprofundado, tal como exige este grau académico, como também
pelo contacto com a comunidade portuguesa em Paris, para a investigação no terreno
das crianças portuguesas, que eram o meu objeto de estudo. Acresce a minha
aprendizagem com os professores portugueses aí envolvidos no ensino do português,
em cursos que dinamizei a convite da Coordenação do Ensino de Português em França.
Este Doutoramento foi reconhecido em Portugal em Ciências do Desporto pela
Faculdade de Ciências do Desporto e de Educação Física da Universidade do Porto,
onde desenvolvi toda a carreira académica e científica. Fui então a primeira mulher que
em Portugal obteve este grau académico nesta área científica – Ciências do Desporto.

Com Agregação, fui depois Professora Catedrática (também a primeira mulher a obter
este grau académico em Ciências do Desporto), liderando um grupo de disciplinas
afetas ao Comportamento Motor. Múltiplas orientações de teses de Mestrado e de
Doutoramento, participação em Congressos, Conferências, publicação de livros e de
artigos em Revistas científicas, marcaram este percurso universitário.
Para além desta carreira académica, também na desportiva saliento desempenhos de
treinadora de Ginástica Rítmica (Sport Club de Porto – com uma classe que foi vice
campeã europeia) e de Voleibol feminino (CDUP e Sporting Club de Espinho, campeã
nacional).
A convite da Secretaria de Estado da Emigração dinamizei ações de formação sobre
Atividades Lúdicas Tradicionais (Jogos e Danças) nas comunidades portuguesas da
Europa (França, Suiça e Alemanha), Américas (Canadá, EUA, Panamá, Venezuela,
Brasil, Uruguai e Argentina), Ásia (Malásia - Malaca) e África (Zaire e África do Sul –
Joanesburgo, Pretória, Durban e Cidade do Cabo), balizando o ensino da língua
portuguesa. Estas vivências favoreceram um conhecimento aprofundado da nossa
comunidade espalhada pelo mundo.
Em 1984 fui Diretora do Centro de Estudos da Emigração, sucedendo neste cargo à sua
fundadora, Profª. Doutora Maria Beatriz Rocha Trindade. Simultâneamente, fui
Delegada no Porto do Instituto de Apoio da Emigração e das Comunidades Portuguesas.
No meu relacionamento com a comunidade, desempenhei diversos cargos diretivos:
Associação Humanitária Bombeiros Voluntários de Espinho (Vice Presidente da
Direção), Sporting Club de Espinho (Presidente da Assembleia Geral), Orpheon de
Espinho (Vice Presidente da Assembleia Geral) e Presidente da Assembleia Municipal
de Espinho.
Fui fundadora e Presidente da Sociedade Internacional de Estudos da Criança.
Sou sócia fundadora da Associação de Estudo, Cooperação e Solidariedade Mulher
Migrante, onde fui a primeira Vice Presidente da Direção e atualmente sou Secretária
Geral.
Sou Sócia Honorária da Sociedade Científica de Pedagogia do Desporto.
Fui condecorada em 2003 com a medalha de ouro da cidade de Espinho (Medalha de
Mérito).

1. Algumas considerações sobre o seu modo de ver e de trabalhar para os
objetivos fundamentais da AMM, fazendo referência à colaboração já
dada a iniciativas da AMM e/ou a  novas propostas.
Orgulho-me de ser  uma das fundadoras da Associação e, inclusivamente, uma das
outorgantes na escritura notarial, respondendo com a maior honra e satisfação ao
desafio da Drª Manuela Aguiar.
Honra e satisfação em poder participar na implementação de um projeto, pensado e
proposto durante o histórico 1º Encontro Mundial de Mulheres no Associativismo e no
Jornalismo (1985) a que assisti em Viana do Castelo e, pontualmente, ajudei
logisticamente a sua organizadora, Drª Maria do Céu Cunha Rego: o da união das
mulheres portuguesas no mundo - a criação da Mulher Migrante Associação de
Estudo, Cooperação e Solidariedade, em 1993,  por escritura notarial em 2 de janeiro
de 1994.
Desafiada pela Presidente da Assembleia Geral, Drª Manuela Aguiar e com o cargo de
Vice-Presidente da Direção, fui responsável pela organização do Encontro Mundial de
Mulheres Migrantes – Gerações em Diálogo, realizado em Espinho, em Março de 1995,
cuja tarefa foi facilitada pela extraordinária equipa que me apoiou.  Efetivamente, todas
as tarefas são simplificadas, quando a equipa é coesa e dinâmica, interessada em tudo
fazer para o êxito da organização. Com diferentes vivências e formações académicas,
muitos dos quais estudantes de doutoramento da minha Faculdade, propiciaram uma
articulada intervenção para dar resposta a todas as necessidades.
Um Encontro que marca indelevelmente o início das atividades da Associação de
Estudo, Cooperação e Solidariedade Mulher Migrante. Estiveram cerca de 400
participantes (sendo 91 das comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo), muitas
das quais vindas dos cinco continentes e, na sua grande maioria, dirigentes associativos,
professores, investigadores, antigos conselheiros do CCP, jornalistas, políticos, jovens
das comunidades e de associações espinhenses. Algumas já tinham estado em Viana
(1985): Eulália Salgado, Lourdes Lara, Juliana Resende, Manuela Chaplin, Berta
Madeira, Mary Giglitto e outras, agora a residir em Portugal, tais como a Laura Bulger
(Canadá) e Leonor Xavier (Brasil).
Este Encontro, que serviu para dar a conhecer a nossa associação, foi também a
concretização de uma das recomendações do Encontro de Viana (1985), que visava a
realização de um Congresso de Portuguesas no Mundo e, segundo Manuela Aguiar
(2009), … com a finalidade de abordar áreas temáticas, tais como a presença feminina

no associativismo, na comunicação social, no trabalho, no ensino da língua, na
preservação da cultura, através das segundas gerações, na preparação do regresso a
Portugal.
A partir de 2005, tive a honra de participar nos Encontros para a Cidadania (2005-
2009), presididos pela Dr-ª Maria Barroso e patrocinados pela Secretaria de Estado das
Comunidades Portuguesas, que se realizaram em Portugal (Lisboa, Maia e Espinho) e
no estrangeiro (Buenos Aires, Joanesburgo e Estocolmo).
Colaborei com a Drª Manuela Aguiar e a Drª Arcelina Santiago na elaboração de
publicações que foram editadas pela Associação.
Fui Secretária Geral da AMM em dois mandatos, com a Presidente da Direção Dra. Rita
Gomes, e continuei no mesmo cargo no mandato seguinte em que foi presidente
Arcelina Santiago. Na Assembleia Geral do passado mês de Março, fui eleita Presidente
da Direção.

2. Como vê as possíveis aplicações concretas das suas linhas de investigação
e/ou planos de ação no domínio das migrações e da Diáspora, com
enfoque especial no feminino.
Com o avançar dos anos, somos tentadas a simplificar as nossas tarefas científicas, já
que ficaram para trás as tarefas profissionais, que tanto nos envolveram. 
Somos tentadas a novos estilos de vida, mas que se podem adaptar a novos desafios.
E esta associação é um deles.
O desafio de ser agora Presidente da Direção impõe prestações, às quais me dedicarei
com o maior empenho, em conformidade com o disposto nos Estatutos.
Importa agora, e prioritariamente, organizar a nossa sede, raramente utilizada e que
merece ser um espaço de encontros e de realização de eventos, para a qual o atual
Presidente da Assembleia Geral, Dr. Victor Gil, tem sido um exímio obreiro, com o
apoio da sua mulher Dra. Maria de Lourdes, a quem todos temos de agradecer,
considerando a quantidade de caixotes com o acervo da AMM, que vieram de casa da
Dra. Rita Gomes após a sua morte.
Embora a Dra. Manuela Aguiar e a seu pedido, tenha deixado de ser Presidente da
Assembleia Geral, continua a apoiar-nos, como sempre o fez, com aquele dinamismo e
saber para dinamizar novos eventos que, entretanto, se têm realizado.

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