segunda-feira, 18 de novembro de 2019

FILOMENA FONSECA

MARIA FILOMENA DA FONSECA PEREIRA OLIVEIRA 

Nasci em Landim, V. N. de Famalicão, concelho onde resido.  
Tive uma infância pouco feliz, com algumas carências, repressão e muita austeridade, não tendo podido seguir os meus desejos a vários níveis. Como sou lutadora e curiosa, logo que tive oportunidade, tentei seguir os meus instintos de modo a evoluir no sentido da minha independência financeira e da realização pessoal através do mundo das artes.  
Terminado o Curso Geral do Comércio aos 15 anos, comecei a trabalhar como empregada de escritório numa empresa do ramo alimentar e, mais tarde, no setor têxtil. Depois, fui bancária no Banco Português do Atlântico/Millennium BCP, onde lidei de perto com centenas de emigrantes dos mais diversos países. No serviço de emigração interna, respondia às suas solicitações e dúvidas através de correspondência, ou atendia-os pessoalmente aos balcões do banco. 
Licenciei-me em Estudos Artísticos e Culturais pela Universidade Católica Portuguesa 
depois de ter feito o Curso de Relações Humanas Dale Carnegie, o Curso de Técnicas de Actor na ATC de Joane c/ o ator Jorge Pinto e o Curso de interpretação para televisão na Escola Art-Stúdio da TV Globo – Brasil, tendo sido convidada para a novela brasileira “O Sabor da Paixão”. Depois participei na novela portuguesa da SIC “O Olhar da Serpente”.
Entretanto, como também gosto de dizer poesia, integrei o espetáculo “Autores da Terra” na Casa das Artes de V. N. de Famalicão. Fiz locução no documentário “Soledade Malvar, a Poesia da Vida”, do Projeto Amacultura. 
Mais tarde, fiz um curso de escrita criativa com o escritor Válter Hugo Mãe. Publiquei em 2008 o livro de poemas “Os Degraus da Casa”, e estou representada em mais de 40 Antologias Poéticas. Publico poesia na imprensa regional, e participo regularmente em saraus e tertúlias literárias. 
Convidada pela Faculdade de Filosofia de Braga, participei na 1ª Edição dos Encontros Novas Dramaturgias no Teatro S. Luís em Lisboa. Fiz o curso “Laboratório de Leitura Poética” níveis I e II, no Teatro Campo Alegre no Porto, com a técnica de voz Ana Celeste Ferreira. Realizei Momentos Poéticos na inauguração de exposições de Fotografia e Pintura em diversos locais. Obtive alguns prémios e menções honrosas em concursos de poesia e Jogos Florais a nível nacional. Sou associada de diversas associações culturais e artísticas, nacionais e internacionais. Fiz parte do Júri em vários concursos de quadras populares na minha cidade.
Em Outubro/18 publiquei “A Vida é um Desafio”, o meu primeiro livro na área de desenvolvimento pessoal, onde apresento ideias que defendo, e conto cerca de 50 breves histórias de vida, algumas vividas por mim, outras, por outras pessoas. Um livro muito positivo, que se encontra à venda em todas as livrarias do país. 

Na arte da pintura: A par da profissão, frequentei a ESBAP e Cooperativa Árvore no Porto. Estagiei em França, com Pierre Cayol. Pinto principalmente a óleo e a pastel e sou retratista. Expus pela primeira vez em 1983. Ilustrei diversas capas de obras literárias e uma coleção de 10 livros de poesia infanto-juvenil.
Realizei cerca de duas dezenas de exposições individuais, e participei em mais de 150 coletivas em Portugal e no estrangeiro. 
Foram-me atribuídos vários prémios e nomeações: Curadora na Exposição “Reanimar da arte em Famalicão”; Selecionada c/ imagem no cartaz/programa da Semana Santa - V. N. Famalicão; Finalista na III Bienal Internacional de Pintura al Pastel - Oviedo - Espanha; Convidada a expor no MAG-Montreux Art Gallery – Montreux – Suíça; Troféu Excelência 2014 de reconhecimento artístico e literário - Museu do Oriente – Lisboa; Convidada no “Encontro de Arte - Amor em mim”- Auditório Douro Azul – Porto - 1º Prémio no Concurso Internacional de Arte s/ Tela - “As Cores da Idade”- Porto; Medalha de Prata - Concours International - A.E.A - Gembloux – Bélgica; Medalha de Prata Internacional – Exp. Intern. des Arts - A.E.A.- Paris – França; Convidada na VI Bienal de Artes Plásticas do Rotary Clube da Maia; Sócia Fundadora da “Academie Europeéne des Arts” Secção Portuguesa – Lisboa; Medalha de Prata Internacional – Exp.Internat.des Arts - A.E.A.- Paris – França; 2º Prémio no II Concurso de Artes Plásticas de Penedono.
Estou referenciada em diversas publicações e dicionários de arte, e representada em coleções públicas e privadas no país, e em Espanha, França, Suécia, Alemanha e Brasil.
Sendo a arte uma forma de comunicação entre os seres humanos, ouso pintar como expressão de uma necessidade pessoal. Sinto cada vez mais uma grande vontade de estabelecer um diálogo com o mundo, uma espécie de amor que me atravessa a alma. Algo que causa um certo sofrimento se não for feito e que, independentemente dos riscos inerentes ao projeto de criação e processo de execução, provoca também um prazer imenso, alimentando bons momentos de felicidade. São vivências internas, em que muitas vezes tenho de descer até à profundidade do ser onde ideias abstratas podem ter uma existência concreta.
Assim, desenhar e pintar significam para mim uma função perturbadora e simultaneamente gratificante. Às vezes traduz-se numa explosão de cores, outras vezes numa harmonia poética. É um desprender de mim, transformando os sentimentos e capacidades inatas, em instrumento precioso que acrescento ao conjunto de meios que formam a minha arte. Numa espécie de clausura, é na solidão e recato do meu atelier, que gosto de trabalhar. Abstenho-me dos acontecimentos ruidosos do mundo das coisas e crio em silêncio.
E é na pintura que mais me realizo. Nas telas transmito um dizer poético, através das cores, traços e formas que traduzem emoções e sentimentos. Narro histórias que brotam do pensamento e que os pincéis desenrolam no movimento da cor e do desenho. São pedaços de sonhos que se refazem e revivem lembranças repousadas da infância. São reflexos da minha alma positiva, como janelas abertas para a emoção, para a vida!

Na área social e cívica: Herdei de minha mãe o sentimento altruísta e sou, por isso, sensível às causas sociais e humanas. Desde 2004 pertenço à Associação de Voluntariado Hospitalar no Hospital de V. N. de Famalicão, onde presto serviço de voluntariado e sou coordenadora na área de oncologia. Na minha freguesia colaboro também na Conferência Vicentina, há cerca de 2 anos.

  1. Algumas considerações sobre o seu modo de ver e de trabalhar para os objetivos fundamentais da AMM, fazendo referência à colaboração já dada a iniciativas daAMM e/ou a  novas propostas. 

Sou a favor das associações. Elas são fundamentais para a sociedade, permitindo a
integração dos cidadãos na interação com os seus pares, a promoção e desenvolvimento
pessoal e coletivo. Cada associação é um espaço de abertura às ideias, à discussão, ao
trabalho e colaboração, onde cada um deve ter voz ativa e permanente.
O meu primeiro contacto com a AMM deveu-se a um encontro casual, num evento
artístico, com a Dra. Manuela Aguiar, pessoa que muito admirava desde há muitos anos.
Isso proporcionou-me depois a inscrição na associação e o conhecimento de outros
membros, tendo-me levado a ingressar na comitiva do Norte que esteve no Encontro
Mundial de Mulheres na Diáspora/2013 em Lisboa, e participado em outras ações e
eventos, como a exposição nos claustros da Fundação Pro Dignitate e outras.
Embora nunca tenha sido emigrante, sempre me senti uma mulher do mundo. Talvez pelo meu espírito aventureiro e ávido de conhecer outros povos e outras culturas, sempre tive vontade de emigrar, mas, por vários motivos, a vida não me satisfez esse gosto, como descrevi no meu artigo intitulado “A emigrante que não fui”, publicado na edição da AMM, Expressões Femininas da Cidadania, páginas 141 a 143.
Num enorme respeito pelas comunidades migrantes, acho crucial existir a ligação ao país de origem, cabendo à AMM esse papel importante.
Hoje em dia, assistimos a uma emigração diferente do passado. Sei de pessoas que
emigraram nesta nova vaga e podem enriquecer a AMM com os seus belos testemunhos
de vida, participando nos colóquios e outras iniciativas.
Pergunto: devem ou não ser contactados e de que forma poderão integrar a AMM? Se
houver interesse nisso, como poderei atuar? Quais são as diretrizes?
Como membro interessado e ativo, a intenção é divulgar e alargar o âmbito da AMM.
para o seu engrandecimento. Deixo a questão em aberto.

2. Como vê as possíveis aplicações concretas das suas linhas de investigação
e/ou planos de ação no domínio das Migrações e da Diáspora, com
enfoque especial no feminino.

Sinto-me bem integrada na Associação. Admiro o esforço que tem sido feito por
algumas pessoas e a forma como a AMM procede na organização dos seus eventos, no
intuito de alertar para as injustiças e desigualdades das mulheres na sociedade, que
ainda hoje se verificam. Eu própria o senti na pele e lutei contra isso. Também no
âmbito da solidariedade, há sempre algo a fazer.
O mundo das artes e letras pode abrir caminhos entre os povos. Um intercâmbio cultural
mitigará as distâncias e aproximará os costumes e tradições entre portugueses. Na área
da pintura, da escrita e poesia, tentarei participar nas diversas iniciativas que me forem

propostas, tendo sempre em conta a missão e os verdadeiros interesses da AMM.

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