segunda-feira, 18 de novembro de 2019

FELICIDADE RODRIGUES

FELICIDADE PEIXOTO RODRIGUES

Nasci em Barcelos, Portugal. Sou Mãe de quatro filhos, dois rapazes e duas raparigas
de sucesso, tendo apenas uma nascido no Canadá. Tenho ainda 6 netos, dois deles já
na Universidade.
Emigrei para o Canadá nos anos 70 e, no primeiro ano, dediquei-me ao estudo da língua
inglesa. Logo a seguir, fui convidada para trabalhar no apoio a grupos de jovens e
casais e no grupo coral da minha paróquia. Desse trabalho resultou a abertura de dois
Centros Comunitários que funcionavam nas próprias igrejas.
Ali recebi todos os Portugueses que vieram refugiados de África. Tornou-se
rapidamente num verdadeiro Centro Multicultural. Nessa ocasião, trabalhava para o
Catolic Immigration Bureau - organização responsável pelos assuntos da emigração na
área das Línguas, Português/Espanhol, acolhimento e inserção social. Ao mesmo
tempo, ingressei na Universidade em regime de part-time, e lá estive quase vinte anos
até atingir parte dos meus objetivos, procurando uma especialização em
Desenvolvimento Comunitário, para melhor atuar na minha área profissional e me
desenvolver em termos pessoais.
Sobre as questões que me colocam acerca da AMM, remeto para o meu papel enquanto
mulher interventiva em prol da comunidade.
 Fui toda a minha vida, desde a adolescência, uma ativista. Um dos maiores projetos
desse tempo foi ir com um grupo de jovens protestar em frente da Berlin Wall.
Ensaiamos no estádio de Braga durante meses, e acompanhei os 500 jovens vindos de
todo o país.
Aqui no Canadá, para além dos muitos projetos em que me envolvi, destaco  o  que
considero o de maior vulto - a criação de um tribunal só para lidar com os  abusos
contra as mulheres, e um programa de recuperação para homens. Já lá vão mais de 30
anos.
Em termos sociais e políticos, comecei logo que cheguei ao Canadá, e ainda continuo a
incentivar  as/os jovens portugueses a  candidatarem-se. Na esfera política, sempre me
surpreendeu a falta de ativismo das/dos que vieram antes de mim. Reconheço que
 roubei muito tempo aos meus 4 filhos que praticamente criei sozinha. No entanto,
também os envolvi nos grupos de jovens.

Trabalhei em 2007 com o Dr Jorge Lacão Costa e com a Dra Amélia Paiva, uma das
primeiras líderes na Associação. Com os dois, organizei uma conferência em Toronto,
tendo convidado a Professora Manuela Marujo a fazer parte dos painéis representativos
de Toronto. O Dr Jorge Lacão, parlamentar dos assuntos das mulheres, veio
acompanhado de quatro líderes parlamentares e todos  concluíram que  a conferência
tinha sido um grande sucesso.
Outras conferências se seguiram no Canadá, e também nos Açores, aonde me desloquei
algumas vezes, sobretudo a S.Miguel e à Terceira.  Os Açores foram sempre muito
ativos, por termos em Toronto um grande número de emigrantes originários do
arquipélago.
Trabalhei 50 anos em Agências de Acolhimento, Inserção Social e Igualdade de Género,
sem medo de denunciar situações problemáticas. É nesta área que tenciono dar o meu
contributo à AMM, com especial enfoque no combate à violência doméstica.
Em 2015, fui homenageada pelo Governo do Canadá, em reconhecimento da minha
ação como líder na defesa dos direitos das mulheres.

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