ANTÓNIO PACHECO
António Leite Cruz de Matos Pacheco, natural de Moçambique, Lourenço Marques,
ano de 1946. Nasci na zona da Polana, perto do ainda hoje célebre Hotel Polana.
Felizmente, mantenho a dupla nacionalidade: moçambicana e portuguesa.
Licenciado em Direito pela Universidade Clássica de Lisboa, em 1976, tive a felicidade
de ter sido chamado pelas novas autoridades moçambicanas para o cargo de diretor
adjunto do recém criado Centro de Estudos Africanos da Universidade Eduardo
Mondlane. Sob a orientação dos professores Aquino de Bragança e Ruth First - ambos
assassinados, em diferentes datas, pelo regime sul africano do apartheid – organizamos,
com uma equipa pluridisciplinar, uma investigação sobre os trabalhadores
moçambicanos nas minas da África do Sul. Este trabalho viria a ser publicado em 1977,
em Moçambique, Reino Unido e USA, com o nome de "Mineiro Moçambicano".
Nunca mais pude deixar África.
- Nos anos 80, fui convidado para trabalhar na Rádio Renascença, Lisboa, como
especialista em assuntos africanos.
- Em 1989, quando a guerra civil moçambicana tomou proporções terríveis, pedi
licença à Rádio e fui trabalhar como voluntário na fronteira entre Ressano Garcia
(Moçambique) e o bantustão sul-africano do Kangwane. Este trabalho de apoio aos
refugiados era orientado pelo "bureau de refugiados da Conferência Episcopal da África
do Sul". Trabalhei sobretudo na formação de professores de língua portuguesa.
- Em 1989/90 tive a honra de conhecer e iniciar a minha Amizade com Maria de Jesus
Barroso Soares , que me levou para a «ProDignitate», e Manuela Aguiar, que me trouxe
até à «Associação Mulher Migrante» .
Nos anos 90, a Renascença enviou-me para a Guiné para fazer a cobertura do conflito
no terreno, entre dois chefes militares. Apareceu-me aí pela primeira vez um conflito
pessoal: correspondente de guerra, como pomposamente gostavam de ser chamados os
meus colegas, ou fator de construção da paz?
E lembrei-me do ditado moçambicano: «na savana quando dois elefantes se batem
quem fica a perder é o capim (relva)».
Desde há 12 anos, primeiro na Fundação Pro Dignidade e agora convosco, a dúvida
continua e deu origem ao projeto «jornalismo para a paz», com trabalho feito (um
manual de jornalismo) e ações de treino levadas a cabo na Guiné-Bissau, Cabo Verde e
comunidades de língua portuguesa na Costa Leste dos USA (apoio de Rhode Island
College).
O modo de ver e de trabalhar juntando as duas componentes - investigação e prática -
chama-se Lusofonia e consiste em trazer para jornalistas e animadores de rádios
comunitárias e rádios de proximidade o conceito de rádio ao serviço das comunidades
de língua portuguesa.
segunda-feira, 18 de novembro de 2019
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