ADELAIDE ANTÓNIA RAMOS VILELA
De Alma Lusitana
Sou Adelaide Antónia Ramos Vilela. A aldeia que me deu luz - um presépio que sobe a
Serra do Açor - é S. Jorge da Beira, a terra mãe das Minas da Panasqueira. Tive ainda
outro berço, rodeado de contos e de lendas, e que traz ao rosário da palavra o nome de
Julião, a cidade da Covilhã ou Sília Hermínia, como outrora se chamava.
Da cidade das lãs fui para Angola, era ainda uma criança. Passei então uma parte da
minha juventude nas minas do manganês de Angola e em Salazar. Regressei a Portugal
em 1975. Em 1978 eu e o meu marido, o Manuel Vilela, de Agarez, Vila Real, partimos
na maior das aventuras e só paramos em terras quebequenses. Montreal acolheu-nos
com amor, ofereceu-nos a nacionalidade canadiana, e aqui nasceu a nossa filha, a nossa
princesa, nos inícios dos anos oitenta.
Nesta Terra de oportunidades, como mulher migrante, depois de ter trabalhado 14 anos
no Hospital Royal Victória, licenciei-me em Comunicação e Técnicas de Animação
Cultural e de Empresas, pela Universidade de Montreal.
Comecei a escrever poesia, em terras de Angola, com apenas 14 anos. De certo modo,
embarquei numa viagem de sonho e de aventura, num caminho chamado oceano
encantado, um dia trilhado pelos nossos navegantes. Faço muitas viagens em prol da
língua e da cultura portuguesas, com malas de livros na mão e a bandeira portuguesa às
costas. Nestas viagens poéticas, proponho-me enaltecer e homenagear os pioneiros de
Portugal Continental e das ilhas adjacentes, e todos quantos falam ou cultivam a língua
e a cultura lusíada. Cabe-me, porém, destacar de modo especial os nossos primeiros pais
que, como os navegantes, abriram caminhos e forjaram destinos que hoje nos são tão
úteis nestes caminhos da emigração. Graças a esses bravos imigrantes, sinto que nestas
terras da diáspora a minha identidade é e será sempre preservada com um cunho de
dignidade e de respeito.
Falar de poesia, mesmo nos momentos mais frágeis da minha existência, foi e será
sempre uma prioridade, ainda que corra o risco de ser mais uma poetisa esquecida pela
sociedade. Os livros que escrevo são singelos, mas genuínos! Mas a poesia não só dá
sentido à minha vida, como me obriga a viver como alma peregrina mundo além. Não
pretendo escrever um livro de História, mas escrevo histórias, pois para tal tenho força e
grande inspiração para o que quero e desejo. De cada vez que escrevo, sinto que dou
resposta ao meu coração. Faz todo o sentido escrever na língua de Camões, nestas terras
distantes do nosso berço natal, quando pretendemos expor ao mundo, e em particular ao
Canadá, o grande projeto nacional dos portugueses que é a expansão marítima.
Portugal não vive naquele cantinho que nós conhecemos ao lado da Espanha. Portugal
pulsa no peito da cada emigrante, Portugal pulsa cada dia no meu coração, fazendo-me
viver e pensar que sou MM portuguesa, até que os meus olhos se fechem para sempre.
Assim vivo repartindo a minha atividade por sectores tão diversos como: relações
humanas e artísticas, conferências, publicidade, jornalismo e fotografia.
No jornalismo, colaborei com os jornais: A Voz de Portugal, O Emigrante, o Lusopresse
(Montreal), O Milénio, O Voice (Toronto), A Voz de Trás-os-Montes (Portugal) e
outros, onde tenho publicado inúmeras crónicas.
Fui colaboradora da RDPI, no programa “Novo Mundo”, com a rúbrica Casa
Portuguesa, em que dava a conhecer luso-canadianos residentes em Montreal e de várias
cidades vizinhas.
Com mais quatro colegas, realizei uma curta-metragem intitulada “Mensonges”. A
história é da minha autoria. Participei, como figurante, no filme “The Last Hope” do
colombiano Harold Martinez Jordan.
Fui ainda convidada a participar em vários programas de Televisão e de Rádio, em
Montreal, Toronto, Portugal Continental e Ilhas dos Açores. A título de exemplo, nos
programas: Jornal das Comunidades, Aqui Portugal, Praça da Alegria, Portugal no
Coração e Agora Nós. No Canadá, a nível nacional e internacional, organizei e animei
alguns Programas de Televisão.
Muitas das minhas atividades e participações destacam-se também em diversos países
da América Latina. A título de exemplo, no 5º Encontro Internacional Literário, no
Uruguai, em Montevideu, organizado pela Brace, fui reconhecida como “Poeta da Luz”.
Participei nas Jornadas Literárias organizadas pela Universidade de Morelos, no
México, expus imagens de Portugal e de diversos países do Mundo. Participei no
Festival Mundial de Poesia, organizado pela Revista Olandina, Peru, e pela Casa do
Poeta Peruano. Destas atividades destacam-se ainda as edições de um CD de poesia e
uma antologia intitulados “Los Ángeles también cantan”.
Duas medalhas de ouro, agarradinhas ao meu peito, fazem parte do meu portfólio e
foram ganhas na América Latina, no Peru.
Na Universidade de Morelos, no México, foi organizada uma exposição de fotografias
da minha autoria, intitulada IMAGENS DE ALMA LUSITANA.
Em 2012, a convite da Câmara da Covilhã, foram expostas mais de 100 fotografias de
Portugal e de vários Países do Mundo, retiradas de IMAGENS DE ALMA LUSITANA.
No campo musical tenho contribuído para o êxito de vários artistas e excelentes
profissionais, que cantam sobretudo em língua portuguesa. Alguns deles aprenderam a
falar português comigo e cantam letras do meu reportório, em português.
Bibliografia: Os Meus Versos Meninos, Versos do meu Jardim, Versos e Universos,
Portugal à Janela, Cantares de Adelaide, Palabras del Corazón, Laços e Abraços,
Horizontes de Saudade, Olhos Nas letras, Magma de Afetos, e mais duas dezenas de
antologias, são os livros que preenchem as minhas bibliotecas.
Oito livros foram editados em Montreal, um exemplar em S. Miguel, Açores, outro em
Lisboa, e muitas das Antologias na América Latina, sendo duas delas de Montreal.
Na Universidade del Callao, Lima, Peru, no Festival Internacional de Poesia, Leoncio
Bueno, fui acolhida como VISITANTE DISTINGUDA COMO TESTUNHO DA
MINHA VISITA À HISTÓRIA DA CIUDADE DE CALLAO.
E para maior riqueza de Portugal no Mundo, ofertei uma Bandeira das cinco quinas, que
tinha em meu poder há mais de 40 anos, a uma professora lusovenezuelana, que nunca
tinha conhecido o seu país de origem, mas que ensinava português na associação que
frequentava.
Para concluir, e através deste mar imenso que é a Associação da MM, tentarei levar o
nome de Portugal mar além viajando nas asas da arte e da cultura, rumo a novas e
promissoras aventuras poéticas. Como a Terra necessita de carinho e de sossego, vale a
pena escrever as três letrinhas que compõem a palavra PAZ.
segunda-feira, 18 de novembro de 2019
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