sábado, 15 de dezembro de 2018

ADELAIDE VILELA boletim

De Alma Lusitana



Sou Adelaide Antónia Ramos Vilela. A aldeia que me deu luz - é um presépio que sobe a Serra do Açor - é S. Jorge da Beira, a terra mãe das Minas da Panasqueira. Tive ainda outro berço, que me fala ao coração, rodeado de contos e de lendas, e que traz ao rosário da palavra o nome de Julião, é a cidade da Covilhã ou Sília Hermínia, como outrora se chamava.
Da cidade das lãs fui para Angola, era ainda uma criança. Passei então uma parte da minha juventude nas minas do manganês de Angola e em Salazar. Regressei a Portugal em 1975. Em 1978 eu e o meu marido, o Manuel Vilela, de Agarez, Vila Real, partimos na maior das aventuras e só paramos em terras quebequenses. Montreal acolheu-nos com amor, ofereceu-nos a nacionalidade canadiana e aqui nasceu a nossa filha, a nossa única princesa, nos inícios dos anos oitenta. 
Nesta Terra de oportunidades, como mulher migrante, deitei contas à vida, depois de ter trabalhado 14 anos no Hospital Royal Victória, licenciei-me em Comunicação e técnicas de animação cultural e de empresas, pela Universidade de Montreal.
Volto agora ao passado para lembrar que comecei a escrever poesia, em terras de Angola com apenas 14 anos. De certo modo, embarquei numa viagem de sonho e de aventura, num caminho chamado oceano encantado, um dia trilhado pelos nossos navegantes. Faço muitas viagens em prol da língua e da cultura portuguesas, com malas de livros na mão, com a bandeira portuguesa às costas, de Mundo em Mundo. Assim sendo, nestas viagens poéticas proponho-me enaltecer e homenagear, nas migrações, os pioneiros de Portugal continental e das ilhas adjacentes, e todos quantos falam ou cultivam a língua e a cultura lusíada. Cabe-me porém enaltecer, de modo especial, os nossos primeiros pais que, como os navegantes, abriram caminhos forjaram destinos que hoje nos são tão úteis e fáceis de desbravar, por estes caminhos da emigração. Graças a esses bravos imigrantes sinto que nestas terras da diáspora a minha identidade é e será sempre preservada com cunho de dignidade e de respeito.
Poesia:
Falar de poesia, mesmo nos momentos mais frágeis da minha existência, foi e será sempre uma prioridade. Ainda que corra o risco de ser mais uma poetisa esquecida pela sociedade. Os livros que escrevo são singelos mas genuínos, são! Mas a poesia dá não apenas sentido à minha vida, obriga-me a viver como alma peregrina mundo além. Não pretendo escrever um livro de História, mas escrevo histórias, pois para tal nasce força e grande inspiração, porque sim, porque quero e desejo.  A cada vez que escrevo sinto que dou resposta ao meu coração: faz todo o sentido escrever na língua de Camões, longe da Pátria, nestas terras distantes do nosso berço natal, quando pretendemos expor ao mundo e, em particular, ao Canadá, o grande projeto nacional dos portugueses que é a expansão marítima. Portugal não vive naquele cantinho que nós conhecemos ao lado da Espanha, Portugal pulsa no peito da cada emigrante que vive fora do seu berço natal, Portugal pulsa a cada dia no meu coração e assim me faz viver e pensar que sou MM portuguesa, até que os meus olhos se fechem para sempre.   
Assim vivo repartindo a minha atividade por sectores tão diversos como: relações humanas e artísticas, conferências, publicidade, jornalismo e fotografia. No jornalismo, colaborei com os jornais: A Voz de Portugal, O Emigrante, o Lusopresse (Montreal), O Milénio, O Voice (Toronto), A Voz de Trás-os-Montes (Portugal) e outros jornais, onde tenho publicado inúmeras crónicas de índole cultural e artística. Colaborei, durante alguns anos, com a RDPI, no programa “Novo Mundo”, com a rubrica Casa Portuguesa, onde dava a conhecer luso-canadianos residentes em Montreal e de várias cidades vizinhas.    
Com mais quatro colegas, realizei uma curta-metragem, intitulada: Mensonges. A história é de minha autoria. Participei, como figurante, no filme “The Last Hope” do colombiano, Harold Martinez Jordan.
Fui ainda convidada a participar, em vários programas de Televisão e de Rádio, em Montreal, Toronto, Portugal continental e Ilhas dos Açores. A título de exemplo, citam-se os Programas: Jornal das Comunidades, Aqui Portugal, Praça da Alegria, Portugal no Coração e Agora Nós. No Canadá, a nível nacional e internacional, organizei e animei alguns Programas de Televisão.  
Muitas das minhas atividades e participações destacam-se também em diversos países da América Latina. A título de exemplo: No 5º Encontro Internacional Literário, no Uruguai, em Montevideu, organizado pela aBrace, fui reconhecida como, “Poeta da Luz”, Participei nas Jornadas Literárias organizadas pela Universidade de Morelos, no México, expus imagens de Portugal e de diversos países do Mundo. Participei no Festival Mundial de Poesia, organizado pela Revista Olandina, Peru, e pela Casa do Poeta Peruano. Destas atividades destacam-se ainda as edições de um Cd de poesia, e uma antologia intitulados: “Los Ángeles también cantan”. Duas medalhas de ouro fazem parte do meu portfólio, vieram agarradinhas ao meu peito, ganhas na América Latina, no Peru. Portugal, jamais me reconheceu, mas pouco importa.
Na Universidade de Morelos no México foi organizada uma exposição de fotografia intitulada IMAGENS DE ALMA LUSITANA, as fotografias são de minha autoria. A convite da Edilidade da Câmara, da Covilhã foram expostas mais de 100 fotografias, imagens de Portugal e de vários Países do Mundo no ano de 2012, com IMAGENS DE ALMA LUSITANA.
No campo musical tenho contribuído para o êxito de vários artistas. Os jovens cantam sobretudo em língua portuguesa, alguns deles aprenderam a falar português (comigo) e são hoje excelentes artistas, bons profissionais  Muitos deles cantam letras do meu reportório em português, próprio e a gosto de cada um deles.  
Bibliografia: Os Meus Versos Meninos, Versos do meu Jardim; Versos e Universos; Portugal à Janela; Cantares de Adelaide; Palabras del Corazón, Laços e abraços, Horizontes de Saudade; Olhos Nas letras; Magma de Afetos e mais duas dezenas de antologias são os livros que preenchem as minhas bibliotecas. Oito livros foram editados em Montreal, um exemplar editado nos Açores, em S. Miguel, outro em Lisboa, e muitas das Antologias na América Latina, sendo duas delas de Montreal. 
Na Universidade del Callao, Lima, Peru, no Festival Internacional de Poesia, Leoncio Bueno, Fui acolhida como (VISITANTE DISTINGUDA COMO TESTUNHO DA MINHA VISITA VISITA À HISTÓRIA DA CUDADE DE CALLAO).
E para maior riqueza de Portugal, no Mundo, ofertei uma Bandeira das cinco quinas, que tinha em meu poder há mais de  40 anos, a uma professora luso venezuelana, que nunca tinha conhecido o seu país de origem, mas que ensinava português aos meninos, que quisessem aprender, na associação que frequentava.
Para concluir e através deste mar imenso que é a Associação da MM tentarei levar o nome de Portugal mar além viajando nas asas da arte e da cultura, rumo a novas e promissoras aventuras poéticas. A Terra necessita de carinho e de sossego, vale muito a pena escrever as três letrinhas que compõem a palavra PAZ

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