terça-feira, 15 de maio de 2012

A exposição Rostos da República


Quando há precisamente doze anos o então designado Gabinete de
História da Câmara Municipal de Espinho começou com a produção de
exposições documentais que versavam as temáticas da nossa história
local, pensou-se que seria possível ir mais longe. O tempo encarregou-se
de nos mostrar que a aprendizagem continuada e reflexiva, ajudou-nos na
aquisição de conhecimento e experiência que se tornaram numa mais-
valia para o trabalho a realizar, quer ao nível da pesquisa, selecção
documental e concepção de painéis, quer no campo da montagem de
exposições. A galeria do Centro Multimeios de Espinho foi o nosso
laboratório. Um espaço onde pudemos ensaiar vários formatos e modelos
expositivos, trabalhar com diversos tipos de suportes e, sobretudo, dar
espaço à imaginação e à criação.

Com a inauguração do Museu Municipal em Junho de 2009, a cidade
de Espinho ganhou uma galeria de exposições temporárias que não é
comum em pequenos espaços museológicos espalhados pelo país e
pelo estrangeiro. No primeiro ano de abertura recebemos exposições
de fotografia, pintura, escultura e documental, produzidas e cedidas por
variados autores e instituições. Por outro lado, e não menos importante,
foi a constituição de uma equipa de trabalho que desse uma resposta
eficaz às solicitações que lhe eram propostas nesta área e para esse
espaço. Nesse sentido, a criação do serviço de investigação histórica do
Museu Municipal possibilitou a apresentação de um projecto expositivo
do âmbito da história nacional, como é o caso da exposição Rostos da
República.

O facto de se trabalhar biografias ligadas, de alguma forma, ao regime
político que vigorou em Portugal entre Outubro de 1910 e Maio de 1926,
partiu da ideia de que se poderia tentar fazer a história da primeira
fase da república portuguesa com base na vida e obra dos seus mais
interventivos protagonistas. Como refere o historiador Marc Bloch “a
História é o estudo do homem no tempo e no espaço”. Assim, e partindo
dessa premissa, estudamos as acções e transformações sociopolíticas
encetadas por um conjunto de personalidades masculinas e femininas
que atravessaram o tempo curto e o espaço geográfico e político da
designada Primeira República, ou daqueles e daquelas que não tendo
vivido esse período, para ele contribuíram com o seu pensamento e
acção.

Tentamos condensar num espaço equivalente a uma folha A4, um
conjunto de informações biográficas que de alguma forma possam

relacionar de forma rápida e directa uma determinada personagem a
um acontecimento ou facto histórico marcante. Fomos um pouco mais
longe ao colocarmos nos painéis informação complementar, salientado
mais um aspecto da vida e da obra de cada biografado. O resultado da
pesquisa culminou na elaboração de 87 biografias, a partir das quais
foram elaborados sessenta painéis para a Galeria do Museu Municipal
de Espinho e itinerância por municípios portugueses e cinquenta para
a exposição que esteve patente ao público em Brunoy, cidade francesa
geminada com Espinho e em várias zonas de Paris. O catálogo da
exposição, com uma edição em língua francesa, reúne todos rostos que
foram estudados.

Para além dos rostos mais conhecidos deste período da história
de Portugal, reunimos um conjunto de personalidades femininas que
desempenhou um papel activo na luta pelos direitos das mulheres,
com destaque para a Lei do Divórcio, as Leis da Família, o direito ao
voto, entre outros. Menos conhecidas do grande público são algumas
personagens ligadas à política local republicana, como os exemplos de
alguns rostos de Espinho, Póvoa de Varzim, Porto e Santa Maria da Feira.

Em suma, fizemos as biografias possíveis de acordo com os meios
técnicos e as condições de pesquisa existentes, na certeza de que a
selecção das personalidades estará sempre incompleta e o visitante
confrontar-se-á com a ausência de um ou mais rostos que considera
imprescindível numa mostra destas.

Armando Bouçon

Director do Museu Municipal de Espinho

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